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FORTALEZA - CEARÁ,QUARTA-FEIRA, 14 DE ABRIL DE 2021

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As tradições culturais de um povo carecem de estratégias co-letivas para serem documenta-das e seguirem vivas. Nesse con-texto, para destacar a atuação cultural dos dramas populares no Estado, o diretor e roteirista Augusto Cesar está finalizando o documentário “Dramistas: Me-mórias do Ceará”, que apresenta grupos que mantêm a prática dramista até hoje.

Na obra, são retratados qua-tro grupos dos municípios de Tianguá, Uruoca, Guaramiran-ga e Meruoca. O interesse para a realização do documentário sur-giu a partir do contato com as vi-vências e os saberes das dramis-tas de Meruoca, mesma cidade da produtora do longa-metra-gem. O filme busca contar quem são essas pessoas e registrar a importância do drama para a cultura cearense. A previsão é de que seja lançado em junho.

Para o diretor, um dos obje-tivos do documentário é trazer visibilidade na busca por mais

chances de apoio financeiro e fomento à prática. “Você deixa um registro que ficará para as próximas gerações, inclusive servindo de subsídio para pes-quisas futuras”, acrescenta.

Manifestação popular que mistura música, dança e práti-cas teatrais, os dramas também podem ser acompanhados por instrumentos como violão, triân-gulo, pandeiro e cavaco, além de indumentárias e expressões corporais. Entre os temas tra-balhados por essa manifestação estão situações cômicas do coti-diano, críticas sociais e questões religiosas. Para além do contex-to artístico, Auguscontex-to afirma ter percebido, durante a produção do documentário, como essa tradição acaba representando a “emancipação” e o “protagonis-mo” de mulheres no Interior.

Aos sete anos de idade, Ana Maria da Conceição, diplomada mestra pelo edital “Tesouros Vivos da Cultura”, viu pela pri-meira vez dramas apresenta-dos na comunidade de Tucuns, em Tianguá, e logo se apaixo-nou. Ela comenta que, na épo-ca, a comunidade enfrentava escassez intensa de recursos,

com dificuldade de acesso à água encanada, transporte e energia. Manifestações cultu-rais, entretanto, não faltavam. Aos dez anos cantou sua pri-meira música e deu uma pau-sa no ramo aos 19, quando se casou e passou a dedicar sua atenção a outras atividades.

Atualmente com 65 anos, Mestra Ana relata que se sente “realizada” em ser dramista. Ela conta que os “Dramistas de Tu-cuns” costuma receber convites para apresentações em outras cidades, mas, com a pandemia, os ensaios e as reuniões do grupo deixaram de ocorrer.

“Quando levamos o drama, outras pessoas aprendem. Se estamos parados, as pessoas vão perder o gosto pelo dra-ma e acontecerá o mesmo que ocorreu comigo quando eu me casei e tive filhos: esqueci o drama. O drama não pode ser esquecido”, defende.

O sentimento de realização que Mestra Ana carrega consigo quanto ao drama é semelhan-te ao de Maria Bento, do grupo “Dramistas de Anil”, de Meruoca. “Eu me sinto muito bem sendo dramista. Quando nos reunimos

O drama

não pode ser

| ARTES CÊNICAS |

A partir de documentário que resgata

história de grupos de dramistas no Ceará, Vida&Arte traz

discussão sobre permanências e futuros dessa tradição

NA FOTO, da esquerda para a direita, as dramistas do grupo “Anil”, de Meruoca, Maria Bento, Suzete Nunes, Toinha Victor e Terezinha Victor

DIVULG A ÇÃO

O RESGATE E

O FUTURO

PERMANÊNCIA A resistência e a continuidade de grupos dramistas

passam pelas memórias e pelo reconhecimento de suas atividades. Em Uruoca, município localizado a 295,6 km de distância de Fortaleza, está sendo consolidado um movimento de reativação do grupo “Diamantes Uruoquenses”. O especialista em gestão cultural Léo Jaime, de 29 anos, participa desse processo.

Léo criou um coletivo com “amantes da cultura” para resgatar tradições “que estavam adormecidas” na cidade, como as práticas de reisados e também de dramas. Assim, começou há dois anos a investigação a respeito das atividades realizadas pelo grupo dramista “Diamantes Uruoquenses”. Nessa ação, conheceu pessoas que participaram do drama e teve acesso a fotografias de apresentações e até a textos produzidos na década de 1970. Segundo ele, houve a tentativa de promover uma reunião com dramistas que demonstraram interesse em retornar às apresentações, mas a pandemia

impossibilitou o encontro. Além da participação de pessoas mais velhas, há o desejo de incluir jovens e adolescentes para a continuidade dessa tradição. Léo Jaime acrescenta: “É necessário esse resgate e essa valorização da cultura popular para que esses momentos não deixem de existir, porque eles são muito importantes”.

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MIGUEL ARAUJO

miguel.araujo@opovo.com.br

é muito significativo”, comenta. Atualmente com 55 anos, co-meçou a participar aos 17, mas como figurante. Hoje, porém, tem atuação intensa no grupo, ficando inclusive na coorde-nação geral do espetáculo “Um drama de Natal”, compilação de danças e canções típicas do dra-ma e apresentado pelo “Dramis-tas de Anil” em 2018 na Xlll Mos-tra Estadual Ceará Natal de Luz.

A pandemia atingiu a atuação do “Dramistas de Anil”. Houve a tentativa de realizar, em dezem-bro, uma apresentação virtual, mas acabou não sendo possível. Ela relata que algumas pessoas do grupo enfrentaram adversi-dades econômicas e alimentícias e também houve dificuldades para se comunicarem. “Eu sinto falta de me encontrar com elas, de saber como elas estão”, conta.

Em relação ao futuro da tra-dição dramista, Maria Bento tem “muita fé” de que a prática será mais reconhecida pela socie-dade e que poderá permanecer por bastante tempo. Para ela, se houver maior apoio é possível agregar jovens e, assim, fortale-cer ainda mais o drama. “É uma cultura muito rica”, enfatiza. ESPECIAL PARA O POVO

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FORTALEZA - CE, QUARTA-FEIRA, 14 DE ABRIL DE 2021

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HENRIQUE ARAÚJO*

henriquearaujo@opovo.com.br *ESCREVE ÀS QUARTAS C O N F I R A E STA E O U T R A S C O LU N A S E M W W W. O P O V O . C O M . B R / C O LU N A S

OU A MADAME LÊ

JORGE AMADO

OU APOIA A

DITADURA. OU

O JOVEM BEM􀒀

NASCIDO DE TEZ

DOURADA LÊ

TOLKIEN OU GRITA

“MITO” NO MEIO

DA PRAÇA

Só rico lê

Verdade que só rico lê? Me fiz essa pergunta logo pela manhã, depois de contrastar os boletos e os livros, ambos se acumulando em proporções bíblicas na estante da sala. Alguma coisa esta-va errada com a teoria do Guedes, o ministro da Economia que se notabilizou por previsões que se não se cumpriram.

Das duas, uma: ou era um pobre que não lia ou um rico que lia. Como tenho livros e leio, mas sigo desafortunado no que diz respeito ao contracheque e minha proximidade com o PIB, fiquei confuso.

Insatisfeito com exemplo tão prosaico que con-tradizia a versão oficial do governo, decidi puxar pela memória os ricos que conheço. Não são mui-tos. Uma cunhada, o primo que se casou com uma mulher cuja família já foi rica, mas hoje não é. O dono do mercadinho ao lado do prédio.

Também lembrei da família de um proprietário de confecção no bairro antigo da infância. Eram ri-cos para os padrões da época e do lugar, mas não ricos na exata acepção do termo: usar Crocs, cami-sa com número estampado da Hollister, frequentar o Colosso etc.

Na casa deles tinha livros? Não recordo, mas, durante a pandemia, apareciam nas lives com

moldura de biblioteca, o que logo os caracteriza nesse perfil que o governo insiste em fazer crer: o rico como leitor, o rico frequentador de bienais e saraus, o rico consumidor de literatura e quejandos.

Pensei mais um pouco, e nenhum nome mais pró-ximo me veio à cabeça, apenas exemplos distantes e incapazes de servir para comprovar ou refutar a tese de que apenas rico lê.

Foi aí que me ocorreu que uma vez que cobri um evento na Praça Portugal. Era um domingo quente, bonito. Dia de praia, como se fala em Fortaleza. Ou de shopping, se você é um rico meio cafona.

Todo mundo na praça vestia verde-amarelo e exa-lava um cheiro que era a mistura de bloqueador solar e perfume caro. Gente branca, os SUVs estacionados. Alguns tinham levado a empregada a tiracolo, traja-das com uniforme alvo, de corte quadrado, visivel-mente desconfortáveis.

Eram ricos, via-se. E certamente leitores. Aque-la traseira de 4x4 com vidro fumê. Ali cabiam pilhas e pilhas de volumes encadernados, livros de bolso, revistas sobre livros e por aí vai. Quando voltavam de Miami, não traziam na bolsa peças de roupa nem quinquilharias compradas para enfeitar a estante. Malocavam livros.

Mas tinha um problema. Aqueles ricos, que

também eram os leitores de livros, defendiam o regime militar, pediam fechamento do Congresso e apoiavam Bolsonaro.

A conta não fechava. Ou o cara lê ou ele defende Bolsonaro. Ou a madame lê Jorge Amado ou apoia a ditadura. Ou o jovem bem-nascido de tez dou-rada lê Tolkien ou grita “mito” no meio da praça, abraçado com uma bandeira do famigerado fa-zendo gesto de arminha.

Novamente os conceitos se embaralhavam na minha mente. Porque, embora não conheça muita gente rica, conheço muitos que leem. E leem com es-forço, porque empregam parte do que ganham pra comprar livro. Porque livro costuma sair caro no or-çamento de qualquer família.

Mas os leitores e as leitoras com quem trato fa-zem das tripas coração para ter livros em casa, aos montes ou somente em parcas edições. Livros con-trabandeados, livros emprestados e nunca devolvi-dos, como os que meu pai pedia quando era mais jovem e trabalhava num restaurante. E assim foi montando uma biblioteca.

A mesma biblioteca mínima onde descobri mais tarde o que era um livro com uma edição esfarra-pada de uma seleta de poemas de Carlos Drum-mond de Andrade.

Cena da peça “O ano que não acabou”, do grupo Expressões Humanas

CRESTON FILHO/DIVULGAÇÃO

Cantora Kell Smith realiza atividade formativa para músicos Ator e palhaço Felipe Abreu

O

MELHOR

DA A G E N DA C U LT U R A L

Q U E R D I V U L GA R S E U E V E N T O ? R E P O R T E R @ O P O V O . C O M . B R

MONÓLOGO

CANAL LIKE

#EMCASACOMSESC PROGRAMAÇÃO

O ator Ando Camargo apresenta, no Teatro #EmCasaComSesc, o monólogo “Uma Praiazinha de Areia Bem Clara, Ali, na Beira da Sanga”, com direção de Cássio Scapin. Em seu quarto de pensão, um rapaz escreve uma carta para o melhor amigo, que está longe há sete anos. Por meio de suas lembranças, ele busca encontrar uma identidade em meio à dureza e ao caos de uma grande metrópole. A peça é baseada num conto do livro “Os Dragões Não Conhecem o Paraíso”, de Caio Fernando Abreu. Após a apresentação, tem bate-papo com Camargo e Scapin. 

Quando: Quarta-feira, 14, às 19 horas Onde: Instagram Sesc Ao Vivo e no YouTube Sesc São Paulo

Abril é o mês de aniversário do Canal Like e, para celebrar a data, a emissora preparou atrações comemorativas que ficarão no ar até dia 25 deste mês. Os apresentadores Maytê Piragibe, Hugo Bonemer, Anne Braune e Indira Nascimento festejam o marco com pílulas de conteúdos durante os intervalos da programação. Tem ainda entrevista exclusiva de Marcelo Adnet no programa “Música e Cinema”.

Onde: Canal Like (530 da Claro)

INFORMAÇÕES SOBRE ATRAÇÕES, DATAS E HORÁRIOS SÃO DE RESPONSABILIDADE DOS ORGANIZADORES DOS EVENTOS

DIÁRIO DE BORDO –

UM ESTUDO SOBRE

PROCESSOS TEATRAIS

KELL SMITH

NOVA PUBLICAÇÃO MÚSICA E FORMAÇÃO

O Grupo Expressões Humanas realiza, nesta quarta-feira, 14, o lançamento de sua nova publicação. O livro “Diário de Bordo – um estudo sobre processos teatrais” (Editora Minerva, 2021) traz registros de memória e reflexões de artistas envolvidos nos processos criativos recentes conduzidos pela encenadora cearense Herê Aquino. Nas páginas desse diário de bordo é possível conhecer por dentro aspectos importantes do trabalho de Herê Aquino com seus elencos, o cuidado do seu olhar com desenho de luz, figurino, cenografia e também os desafios desse furor criativo que a artista provoca em sala de ensaio.

Quando: quarta-feira, 14, às 20 horas Onde: youtube.com/expressoeshumanas Quanto: R$ 15 (compra pelo perfil no Instagram do grupo)

A cantora e compositora Kell Smith lança atividade formativa para artistas independentes e compositores. Com o título “Imersão em composição e desbloqueio criativo”, o conteúdo mostra todas as ferramentas utilizadas pela artista em seu processo de composição, conceitos de mercado, desbloqueio criativo e conhecimentos essenciais para criar sua própria receita de sucesso. O material tem 5 módulos e estará disponível na plataforma Sympla Play.

Mais informação: symp.la/KellSmith 

ARTE URGENTE

INSCRIÇÕES ABERTAS

O Arte Urgente está com inscrições abertas para a terceira turma dos cursos livres da ação Janelas Formativas. São 15 cursos nas áreas de música, literatura, dança, teatro, fotografia, entre outras. As inscrições gratuitas vão até domingo, 18. Entre os formadores, o músico Gabriel Aragão, o ator e palhaço Felipe Abreu e a gestora cultural Selma Santiago

Quando: até 18 de abril Onde: arteurgente.com.br

Apresentadora Indira Nascimento no Canal Like

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FORTALEZA - CE, QUARTA-FEIRA, 14 DE ABRIL DE 2021

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CLOVISHOLANDA@OPOVO.COM.BR | *ESTA COLUNA É PUBLICADA TODOS OS DIAS

CLÓVIS

HOLANDA

CLOVISHOLANDA@OPOVO.COM.BR | *ESTA COLUNA É PUBLICADA TODOS OS DIAS

HOLANDA

PARAÍSO

Cândido Albuquerque e Rebecca dando adeus ao sol, último fim de semana, em Icaraí de Amontada. Foram conhecer o badalado hotel Makena.

À LUZ DE

VELAS...

Expectativa geral no mercado pelo anúncio, nos próximos dias, do reajuste da tarifa de energia no Ceará. Previsão inicial é de 17% mais uns quebrados que, uma vez se confirmando, no dia a dia das empresas e dos consumidores já viu, né? Só vai a gente acendendo velas aromáticas pela casa, um clima “economia-noir”, dando charme em meio à liseira, ou seria a quebradeira? Britadeira? Rir para não chorar, sempre! Puxei esse viés das velas por um motivo: aumentou, e muito, a procura por este item, localizado entre o decorativo e o zen. Ninguém aguenta mais nem o cheiro das próprias casas, acho que é isso... Loucos por uma rua, estamos.

O Google Trends aponta uma alta de 100% na busca pelas velas perfumadas nos últimos 12 meses, justamente o tempo de pandemia. Em Fortaleza, já tem gente visando a oportunidade.

Após anos na vida acadêmica, Candice

Graziani decidiu abrir novas possibilidades e lança, em breve, a Aujourd’hui (“hoje” em francês). O e-commerce vai disponibilizar fragrâncias exclusivas e embalagem com design clean, tudo para fazer sucesso.

VIRANDO RADICALMENTE A PÁGINA...

Leitores não entenderam bem meu comentário, na coluna de ontem, sobre as presenças na Conferência Brazil Harvard e MIT.

Questionaram a supracitada “tentativa” de polarização, que não pode ser feita, nem faz sentido etc.

Simples, explico: Lula e Bolsonaro não foram

SAIU NA FRENTE

Apontada como a “Meryl Streep da Coreia do Sul”, a atriz Yuh-Jung Youn é uma das favoritas ao Oscar de Atriz Coadjuvante pelo filme “Minari”. Ela é a primeira atriz sul-coreana da história a concorrer a uma estatueta. No último domingo, ela venceu o BAFTA e chamou atenção no discurso super espontâneo e engraçado, agradecendo aos “esnobes britânicos” pelo reconhecimento.

Sobre o longa, tem emocionado plateias pelo mundo com a história da família coreano-americana, que se muda para uma fazenda no Arkansas em busca de seu próprio sonho americano. Em meio aos desafios dessa nova vida, eles descobrem a inegável resiliência da união e o que realmente faz um lar. Na foto, a estrela em ensaio para a Vogue Coreia.

Oscar 21`

Cia. do Despejo: mitologia e necropolítica

CIA. DO DESPEJO faz crítica à necropolítica brasileira na videoarte online ‘IRETI’, inspirada na mitologia Iorubá

DUDA VIANA/DIVULGAÇÃO

| ARTES CÊNICAS |

Videoarte online ‘IRETI’ narra a história de uma mãe preta que pariu o Brasil

Com a missão de dar ênfase às culturas afrodiaspóricas – que foram depreciadas ao longo da História -, a Cia. do Despejo estreia a videoarte online “IRE-TI”, inspirada no espetáculo de mesmo nome. A obra é uma crítica à necropolítica brasilei-ra e às violências sofridas pelas mulheres negras em nosso País.

As cenas foram gravadas sem plateia e seguindo todos os cui-dados para garantir a seguran-ça do elenco. O resultado será transmitido entre os dias 15 e 18 de abril, 13 a 16 de maio, 19 a 22 de junho e 17 a 19 de julho, sempre às 20h, pelo canal da Cia. Mungunzá de Teatro no YouTube.

A montagem, que tem dra-maturgia de Ingrid Alecrim e di-reção de Thaís Dias, é inspirada na mitologia Iorubá, sobretudo

na figura de Nanã Buruku, ori-xá que cedeu a lama do seu do-mínio para a criação dos corpos humanos. Ela também é respon-sável pela desencarnação, uma vez que exige de volta a matéria criadora da vida.

“O texto surgiu da ideia per-sistente de que o Brasil (con-forme nominado após a coloni-zação) foi parido e aleitado por mulheres indígenas, africanas e afrodescendentes. “Nosso ‘mun-do’ é moldado através das mãos dessas mulheres e, muitas vezes, contra suas vontades. Na colo-nização, tudo o que é frutífero ficará arrasado: a terra e suas preciosidades, o corpo feminino e sua capacidade de gerar os po-vos miscigenados, que já nascem sob dominação”, revela a drama-turga Ingrid Alecrim.

A narrativa é conduzida por uma mãe preta e pobre, a per-sonificação de Nanã Buruku. Ela ergueu o Brasil com os próprios braços, mas foi preterida pelo país e, agora, mergulhada em um contexto de miséria, violên-cia, fome e terror, assiste a seus filhos serem mortos e presos e a suas filhas serem estupradas.

A matriarca furiosa reivindi-ca seus direitos de criação, exige que a matéria humana retorne para si e procura alguma ma-neira de acabar com o mundo em desequilíbrio. A personagem é inserida em uma distopia, na qual as guerrilhas urbanas e ru-rais expandem uma guerra con-tra a governança brasileira. E, nesse contexto, ela reflete sobre o que precisa ser mudado se qui-sermos viver em um país mais

justo e menos violento.

“Ela toma as rédeas da exis-tência humana, se colocando como uma figura central da his-tória do Brasil, e não aceita ser musa, escrava, empregada ou ladra. Ela deixa de ser protago-nista de uma história silenciada e se assume como protagonista. Com essa história, a Cia do Des-pejo, da qual sou cofundadora, valoriza as narrativas das mu-lheres brasileiras ao dar voz às verdades desagradáveis, às cul-turas afrodiaspóricas deprecia-das e à configuração de uma rea-lidade apocalíptica convergente com os acontecimentos atuais”, conta. Além de denunciar atro-cidades cometidas contra a po-pulação negra desde a coloni-zação, a peça tem a proposta de valorizar as ancestralidades. Rubens Barrichello se vacinou estes dias em Orlando (EUA),

onde reside, derrubando, portanto, a recorrente piada multimídia que relaciona o piloto ao atraso. Desta vez, pelo menos, ele saiu na frente!

VOGUE KOREA Aos 73 anos de idade, Yuh-Jung Youn tem 55 de carreira e mais de 70 títulos entre produções para o cinema e a televisão. Atriz, contudo, alcança reconhecimento internacional nesta etapa da sua trajetória convidados a palestrar,

mesmo estando todos os demais presidenciáveis nas mesas. As universidades em questão não encontram neles, pelo visto, as saídas para os desafios do BraZil do futuro.

As diferenças, os históricos, as performances - bem óbvias - de cada um deixo para vocês discutirem. “Paz, paz de Cristo, paz, paz que vem do amor, te desejo irmão”, lembram dessa canção, sempre hit nas igrejas semi-abertas? É o desejo do dia.

Aliás, no aspecto da harmonização de forças políticas, já tem gente evocando a presença do senador Tasso Jereissati (PSDB), o próprio, na disputa pelo Planalto em 2022. Foi o que escreveu ontem Eduardo

Jorge, uma referência na esquerda brasileira. O tucano cearense encabeçaria a chapa, com um vice mais à esquerda, sugeriu ele. Seria um Tasso Biden, chegando para desamarrar o jogo e acabar com a cansativa divisão? Difícil Tasso querer entrar nessa.

Bom, seguirei bem na minha, mas sempre atiçando o pensamento crítico ou amorfo de vocês, cada um que reveja o seu. No clima das velas, desejo “abraços e beijos de luz”, sem este reajuste sufocante nas contas de energia...

PRECES E SAUDADE...

Muitos amigos se uniram ontem, virtualmente, para a missa de um ano da passagem da galerista Bia Perlingeiro, figura das mais queridas em muitos meios no Ceará, Rio de Janeiro e São Paulo.

Sentida bastante a despedida do médico cirurgião plástico, jogador de basquete e artista visual Geraldo Sérgio, mais

conhecido pelos amigos como Keke. Faleceu nos EUA onde residia, por complicações renais. Paz e luz!

Ainda falando de fé, vi gente publicando nas redes que dedicou seu terço da misericórdia

pelas assinaturas necessárias à abertura da CPI da Covid-19 ampliada, aquela proposta

pelo senador Eduardo Girão. Deu para dedicar ao menos um mistério aos mortos?

Bem que o cardeal Raniero Cantalamessa declarou na homilia da Sexta da Paixão:

não são os dogmas, nem sacramentos ou ministérios que mais causam divisão na

Igreja, mas as opções políticas nos fiéis e religiosos.

Kaká Queirós em nova empreitada, assumiu como CEO da Biomátika, empresa cearense de cosméticos com ativos naturais. Vem dela a linha Moringa Brasil, parte dos produtos marca-própria da rede Pague Menos. 

Fez sucesso o bate-papo sobre viagens entre Beto Studart  e Ana D`Áurea Chaves, no YouTube do projeto Mundo Além do Olhar.   Gaída Dias e Flávio Furtado comemoraram o primeiro mês do bebê Miguel Neto. Tema: Fluminense, time do pai. 

Abrem novo ciclo de vida hoje: Inês Rodrigues, Domitila Andrade, Débora Mesquita, Fátima Holanda. Boa quarta-feira!  

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FORTALEZA - CE, QUARTA-FEIRA, 14 DE ABRIL DE 2021

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O que é e como jogar

1. O jogo é constituído de 81 quadrados numa grade de 9 x 9 quadrados, subdivivida em nove grades menores de 3 x 3 quadrados. 2. Cada fileira (vertical e horizontal) deverá conter números de 1 a 9. 3. Cada grade menor, de 3 x 3 quadrados, deverá conter números de 1 a 9.

4. Nas fileiras horizontais e verticais da grade maior, cada número deverá aparecer uma só vez.

SUDOKU

PALAVRAS CRUZADAS

23 DE SETEMBRO A 22 DE OUTUBRO 23 DE OUTUBRO A 21 DE NOVEMBRO 22 DE NOVEMBRO A 21 DE DEZEMBRO 21 DE JUNHO A 22 DE JULHO 23 DE JULHO A 22 DE AGOSTO 23 DE AGOSTO A 22 DE SETEMBRO

22 DE DEZEMBRO A 20 DE JANEIRO 21 DE JANEIRO A 19 DE FEVEREIRO 20 DE FEVEREIRO A 20 DE MARÇO 21 DE MARÇO A 20 DE ABRIL 21 DE ABRIL A 20 DE MAIO 21 DE MAIO A 20 DE JUNHO

Brincar

Os mundos de Liz.

DANIEL BRANDÃO

www.estudiodanielbrandao.com

Os Intrépidos.

KARLSON GRACIE E BRENO TAVEIRA

@karlsongracie

Mulher Listrada.

DOMITILA ANDRADE

@mulherlistrada

HORÓSCOPO PERSONARE

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PEIXES

AQUÁRIO

CAPRICÓRNIO

SAGITÁRIO

ESCORPIÃO

LIBRA

VIRGEM

LEÃO

CÂNCER

GÊMEOS

TOURO

ÁRIES

O encontro com Urano lhe guia à renovação pessoal, mas tente evitar decisões. Vênus transita pelo setor da intimidade, o que faz dar valor a situações que proporcionem conforto emocional e a como a analisar as relações afetivos para conseguir aperfeiçoá-los.

A conjunção com Urano sugere que parcerias criativas se farão presentes agora, apesar de alertar para o risco de se deixar levar por pessoas instáveis. A área de relacionamentos recebe o trânsito de Vênus, despertando solidariedade e ainda lhe predispõe a dar valor contatos íntimos.

O encontro com Urano desperta inovação, mas cuidado com ideias radicais. Um maior cuidado com a rotina doméstica e profi ssional se fará presente com a entrada de Vênus no setor do cotidiano, fazendo com que você se dedique a melhorar algumas questões no dia a dia com criatividade. O encontro com Urano poderá

lhe aproximar de amigos com pensamento criativo, mas procure interagir virtualmente, devido à pandemia. A entrada de Vênus na casa das amizades lhe deixa mais colaborativo e gentil com as pessoas, pois o bem-estar coletivo passa a ser visto com bons olhos.

Vênus encontra Urano, sugerindo situações inovadoras que lhe tiram do lugar-comum, o que exige cautela e avaliação de riscos. Com a passagem do astro para a área profi ssional, a relação com o trabalho poderá ser mais satisfatória, estimulando suas vocações e sua criatividade.

O encontro com Urano sugere que ideias inovadoras tendem a afl orar e romper com paradigmas, o que exige atenção para fugir de polêmicas. Atividades intelectuais e culturais podem engrandecer sua vida, além de promover expansão do pensamento, considerando a entrada de Vênus na área espiritual.

Procure se divertir

virtualmente ou em casa com o entorno imediato, já que a pandemia exige distanciamento social. O ingresso de Vênus na área social lhe fornece empatia e solidariedade no trato interpessoal e fomenta prazeres que lhe tirem da mesmice, devido à conjunção com Urano.

Busque cuidar da aparência da sua casa e dê carinho à quem ama. O encontro com Urano sugere que ousadia pode mudar positivamente o dia a dia, mas saiba seus limites. A vida familiar fi ca mais agradável com Vênus no setor doméstico, nutrindo a intimidade e estreitando os vínculos afetivos.

Vênus encontra Urano, despertando seu lado artístico e sugerindo intercâmbios culturais proveitosos. O referido astro destaca seu charme ao adentrar a área comunicativa, mostrando que esta é uma fase em que você encanta as pessoas com um jeito especial de expor ideias e sentimentos.

A economia criativa

mostra-se importante nesse momento, ajudando-lhe a descobrir novas formas de suprir sua vida. Vênus fornece originalidade a suas ações ao migrar para a área material, o que auxilia em uma gestão versátil dos recursos, sobretudo ao encontrar Urano.

O encontro com Urano tende a despertar seu lado criativo e ousado, o que exige cautela para evitar descuidos. Tente ser confi ante, mas sem ultrapassar limites. Beleza e afetividade podem afl orar em você com a passagem de Vênus para seu signo, deixando-lhe em destaque e atraindo as pessoas.

Mudanças repentinas de interesses podem gerar conflitos interpessoais, por isso é bom ter cuidado. A energia venusiana ingressa no setor de crise e se aspecta conjuntamente à de Urano, sugerindo que você vai se libertar de sentimentos negativos à sua felicidade e passa a apreciar situações novas.

O SANTO

Santa Ludovina

O ANJO

Haaiah

Ludovina nasceu na Holanda em 1380, em uma família pobre. Sendo uma criança normal, brincalhona, cheia de vida, dentro de si trazia um chamado à consagração ao Senhor. Como era comum no período, ela recebeu muitas propostas de casamento antes dos 15 anos, mas recusou todas por seu amor a Jesus, optando pelo celibato muito cedo. Aos 15, sofreu um acidente no gelo, ficando paralisada. Foi acusada

de mentiras, incompreendida por muitas pessoas e muitos acreditavam ser um castigo de Deus. Ludovina abraçou a mesma atitude de Jesus na Cruz: o amor e o perdão. Ela chegou a passar 7 anos sem comer ou beber, vivendo do Jesus Eucarístico como alimento. Faleceu no ano de 1433, sendo considerada santa por seus sacrifícios e força de vontade mediante ao sofrimento, e ao julgamento das pessoas. Quem nasce sob esta influência, é justo, benevolente, gosta de afetos sólidos, tem apreço pelas soluções lógicas e é dotado de compaixão e equilíbrio. Sabe que as leis terrenas podem e devem ser mudadas. Respeita as leis do Universo, pois estas nunca podem ser transgredidas e considera a palavra destino, como sinônimo de mudança e renovação.

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FORTALEZA - CE, QUARTA-FEIRA, 14 DE ABRIL DE 2021

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LEDAMARIA@OPOVO.COM.BR | *ESCREVE ÀS SEGUNDAS E QUARTAS

LÊDA

MARIA

FERVORES

PARTIU para a Casa do Pai Antoine, o irmão querido de Annette de Castro, que dela recebeu a última declaração de amor: “meu adeus a esta extraordinária luz que se apagou”. Conhecemos Antoine em noite festiva, última vez, que ele veio ao Ceará, e na casa da irmã e do cunhado Marcos esteve entre os familiares e os integrantes da Sociedade Consular. Desprovido da visão, mantinha um belo olhar, principalmente, quando na luminosidade criativa, mostrava ao piano, belíssimas interpretações musicais.

TEREZINHA Rolim redigiu um texto comovente para seu filho Ricardo que partiu entre as águas do mar, há 11 dias. “Meu querido filho não existe adeus mais difícil do que aquele, onde uma mãe, sabe ser para sempre. Mas meu coração é pleno de gratidão a Deus pelos momentos alegres e felizes que você me proporcionou...”

LISANDRO FUJITA, na foto com Eveline e o filho José, ganha seus 51 anos de idade, dia 17. E na caminhada de felicidade vivencia com Eveline as Bodas de Prata que destacam o brilho dos 29 anos de convivência amorosa

MAIS,

MAIS

MOLDURAS

“O

meu desejo é viver a era pós-digital com muita competência e dedicação. Quero saúde para continuar acompanhando as mudanças e dando passos adiante para atender o mercado, como ele precisa. O pós-digital já está aí na educação, na logística, no mundo empresarial, na comunicação e na gestão. Está em Fortaleza, confirmando, que nós cearenses, avançamos ousadamente, comungando com a tecnologia”. A opinião é do publicitário Duda Brígido, dia 18 ganhando 50 aninhos.

O

futebol mantém uma cadeia

produtiva que envolve diversos setores como alimentação, transporte aéreo e terrestre, produção de

artigos, etc. Sua paralisação provoca a ausência de arrecadação, perda de sócios torcedores e de patrocinadores. Esses impactos econômicos da Pandemia no futebol centralizou o diálogo com os economistas Lauro Chaves Neto e Marcelo Paz, ontem, no Instagram da Corecon Ceará. Gol de placa!

C

ongregações religiosas de Fortaleza enfrentam não só a Covid 19, abatendo seus integrantes, mas sérias dificuldades, inclusive a escassez de alimentos em suas mesas e outras necessidades básicas de sobrevivência. Esses grupos (sacerdotes, freiras, pastores)

convivem ainda com a dor e a tristeza de seus assistidos, em todas as horas buscando alimentos, abrigos, socorro, palavras confortadoras e orações. É um tempo intensivo para a prática da caridade. Socorrer os religiosos exige urgência, eles são multiplicadores do bem.

O

limpíada Internacional de Matemática, marcada para Tóquio, no Japão, terá a presença de dois alunos do Colégio Master e mais dois do Ary de Sá. Jovenzinhos estudiosos, dedicados e inteligentes, merecedores de aplausos.

P

rovando ser solidário o fisioterapeuta José Meudo celebra os cinco anos de sua Clínica Somnis, com um show do cantor Marcos Lessa em live beneficente e emocionante. O evento acontecerá dia 25, às 18 horas via YouTube. Todo o recurso arrecadado vai para a Casa do Menino Jesus.

Duda Brígido e Ticiana

E

stá ou não suspenso o projeto do Grupo Claudino, do Piauí, de fazer uma parceria com a rede de supermercados Cometa, aqui de Fortaleza? Por algum tempo o piauiense, com 20 lojas, e vitaminada fortuna, falam em 19 bilhões, aqui esteve buscando a realização de um velho desejo de aliança para habitar a praça local, mas a negação do pedido de um tratamento diferenciado junto à Sefaz parece ter desmotivado a primeira conquista. Ou o adeus. Estão os supermercados locais respirando aliviados?

E A NOVA CADEIA DE

SUPERMERCADO?

SUELY E LEORNE BELÉM, ela aniversariante do último dia 13, recebendo a dosagem máxima de afeto do esposo e dos filhos, além das mensagens afetuosas dos muitos amigos.

A combustão de Pelizari

PELIZARI

lança clipe de “Combustão”, single que marca nova era na carreira e fortalece cena pop de Fortaleza

DIVULGAÇÃO

| POP |

Cantor e compositor cearense lança single que inaugura nova fase da

carreira. Trabalho retrata o cenário fiel de como seu estilo sonoro vai seguir

O cantor e compositor cea-rense Pelizari lançou na última sexta-feira, 9, o clipe de “Com-bustão”, seu novo single. A músi-ca marmúsi-ca a nova fase da músi-carreira do artista pop e contribui para fortalecer a cena pop autoral de Fortaleza. A produção está dis-ponível no Spotify e no Youtube.

O artista explica que o sin-gle retrata o cenário fiel de como seu trabalho vai soar a partir de agora. O clipe foi gra-vado em casa, pela impossibi-lidade de fazer algo maior e com mais pessoas envolvidas, mesmo assim o artista prezou pela qualidade e considera o resultado satisfatório.

“Gravar o clipe foi divertido e tenso ao mesmo tempo. Gravei em casa, usando só um edredom preto de plano de fundo e um ring light. Apesar das limitações por conta do momento, eu que-ria algo bonito, por mais simples que fosse”, enfatiza.

A produção apresenta uma estética emo, em uma atmosfe-ra dark com um beat pesado e sombrio. “Para dar mais ênfase a essa sensação da qual eu falo na música, eu quis brincar com

camadas, fazer algo caótico”. Foi ainda na infância que Pe-lizari iniciou seu envolvimento com música, quando participava do grupo de louvor da igreja que frequentava. Não demorou mui-to para ele perceber que a cone-xão que ele tinha com os sons, ritmos, vozes e letras não era algo simples e entendeu que ser artista era seu destino.

Hoje, aos 24 anos, o artista define seu som como pop. “Eu posso dizer que já fiz de tudo: funk, forró, sertanejo. Foi im-portante para eu me entender enquanto artista, e sem dúvidas os shows com banda me fizeram entender mesmo o tipo de som que eu quero fazer. Eu curto muito essa coisa do pop cheio de vertentes, porque me permite

passear em vários lugares mas sem me trair”, explica.

O cantor já lançou dois EPs autorais: “Despido”, lançado em 2016, e “Pelizari”, lançado em 2019. As produções estão disponíveis nas plataformas de música digital.

Além disso, o cantor tam-bém faz parte da programação noturna de Fortaleza, antes da pandemia se apresentava fre-quentemente em festas de músi-ca pop. Em 2019 abriu o show de artistas já consagrados, como da cantora recifense Duda Beat e do paraense Jaloo, na capital alen-carina. Em 2020, já na pandemia, realizou o festival de música on-line Musicalize, que contou com artistas autorais de Fortaleza e a cantora Roberta Campos.

SEGUNDA􀒀FEIRA foi a troca de idade, a querida Caetana Alcântara. Sempre dedicada às artes, ela neste tempo de Pandemia multiplica sua produção de lindas aquarelas, comentam que são mais de 160. Caetana tem um olhar muito bonito sobre a natureza, sua fonte inspiradora .

QUEM GARANTE que Luiza Trajano, presidente do Conselho do Magazine Luiza e do Grupo Mulheres do Brasil, resistirá aos muitos convites para ingressar na política, já como candidata ou vice a presidência da República? DOIS COMUNICADOREs partiram para Casa do Pai, deixando lembranças de trabalho profícuo e relacionamento alegre e salutar: Will Nogueira e Fernando Ribeiro. MARIA CAROLINA a

herdeira de Maria Célia e Cid Gomes chegou com a Páscoa para tornar mais feliz o casal e os irmãozinhos. PALMIRA SOBRAL, a Santinha, ganhou preces e recordações da família, quando da missa celebrada marcando seu primeiro ano habitando o paraíso. A SEMANA começou bem. Espaço para mais serviços e análises foi lançado recebendo uma nova programação na Rádio OPOVO CBN. O programa “Debates do OPOVO” passa a ser das 16 às 17 horas, de segunda a sexta-feira, mantendo o comando vibrante do jornalista Marcos Tardin. JÁ O JORNALISTA Érico Firmo comenta os fatos, notícias e o impacto dos jogos de poder e a salada de opiniões políticas. Aonde? No quadro “Política” do programa O POVO no Rádio, de segunda a sábado das 9 às 11 horas.

O ABRAÇO de parabéns vai para Venúsia Ribeiro e Verônica Barbazan aniversariantes de amanhã. Bernadete Bezerra e Solange Philomeno, quinta- feira, 16. Dia 17 Iracema do Vale, Mário Lima Jr., Marta Belchior e Moacir Albuquerque. Dia 18, Ciro Moraes, Iêda Ponte, Juliana Holanda, Marcelo Freitas Filho.

(6)

FORTALEZA - CE, QUARTA-FEIRA, 14 DE ABRIL DE 2021

􀠾

Um aspecto crucial para a boa repercussão inicial do drama histórico “Os 7 de Chi-cago” quando de sua estreia, em outubro de 2020, foi o cenário político dos Estados Unidos, que estava a um mês da realização das eleições presidenciais daquele ano. Recuperando um julgamen-to histórico do país ocorrido em 1968, em meio a protes-tos contra a guerra do Vietnã e ao movimento dos direitos civis, o longa dirigido e escri-to por Aaron Sorkin despon-tou como um representante possível do “espírito do tem-po”. Hoje, com a aproximação da cerimônia do Oscar - onde disputa em seis categorias -, não é dos maiores favoritos, mas pode se beneficiar da forma de votação do prêmio e despontar como um vencedor mais conciliatório.

O julgamento no qual o fil-me se debruça é fruto de um protesto inicialmente pacífi-co pacífi-contra a guerra do Vietnã durante a Convenção Nacio-nal do Partido Democrata, movimentação que acabou tornando-se violenta após ação policial. Com os con-flitos, um grupo de mani-festantes acabou preso sob acusação de conspiração e incitação à revolta contra o governo dos EUA.

“Os 7 de Chicago” acom-panha o desenrolar do jul-gamento e também os an-tecedentes. Enquanto os procuradores agem pela condenação e o juiz parece disposto a garanti-la, o pro-cesso ganha proporções mi-diáticas e grupos que passam a apoiar os réus, que vão do Pantera Negra Bobby Seale ao comediante Abbie Hoffman, passando pelo ativista anti-guerra Tom Hayden e o paci-fista David Dellinger. Em tom grandioso e dramatizando questões e momentos da his-tória real, o filme busca criar um discurso de empatia, de-mocracia e revolução.

Esta intenção é desenvol-vida a partir da multiplici-dade de abordagens, con-trabalanceando momentos de linguagem mais “pop”, roupagem “cool” e humor com outros menos estiliza-dos e mais emocionais. De uma maneira ou de outra, há frases feitas e diálogos mon-tados, recursos que Sorkin utiliza para facilitar a comu-nicação junto ao público.

Uma grande atração de “Os 7 de Chicago” é o desta-que da interpretações e os embates entre os atores. A produção pode ser descrita como um “filme de elenco”. Não surpreende que a estra-tégia da Netflix foi a de sub-meter todos os atores como coadjuvantes na temporada de premiações.

Somente um, Sacha Baron Cohen, conseguiu indicação,

mas o filme chegou, pouco mais de uma semana atrás, a ganhar o SAG - prêmio dos atores - de Melhor Elenco. Nele, há nomes como Eddie Redmayne, Jeremy Strong, John Carroll Lynch, Yahya Abdul-Mateen II, Mark Ry-lance, Joseph Gordon-Levitt e Frank Langella.

Algumas das representa-ções são mais próximas do caricatural, como a de Lan-gella no papel do juiz, mas é possível perceber que a per-sona é mais fortemente esta-belecida pelo roteiro do que pelo registro do intérprete. Em verdade, apesar do exa-gero da construção, o ator é um dos destaques do longa.

Mesmo com as tintas car-regadas, o roteiro vem sendo reconhecido em premiações, tendo vencido o Globo de Ouro e garantido indicação

“Os 7 de Chicago” pode ser vencedor

conciliatório do Oscar 2021. Produção da

Netflix recupera julgamento político dos anos

1960 para ecoar temas contemporâneos

AS CHANCES DO

M E I O 􀒀

T E R M O

NIKO TAVERNISE / DIVULGAÇÃO

“Os 7 de Chicago” pode ser vencedor

ANÁLISE

no prêmio da Academia. Sorkin é um nome mais co-nhecido pelo trabalho como roteirista, sendo vencedor do Oscar por “A Rede Social”, em 2011, e tendo levado a se-gunda indicação já no ano seguinte por “O Homem Que Mudou o Jogo”.

A estreia na direção veio em 2017 com “A Grande Jo-gada”, pelo qual também foi indicado ao Oscar de Roteiro Adaptado. “Os 7 de Chicago” é a segunda inserção dele como diretor, mas, de novo, o reconhecimento direto veio somente no roteiro. Neste ano, apesar de ter marcado presença nas disputas ante-riores na categoria de dire-ção, Sorkin não conseguiu a indicação ao Oscar.

Figura divisiva do cine-ma estadunidense, o diretor tem detratores fortes que

questionam a forma com que estrutura os roteiros e as es-colhas de direção. Em “Os 7 de Chicago”, é possível enten-der que ele cumpre bem as “caixinhas” do que é um “bom filme” - com tema atual e for-te, que emociona e diverfor-te, tem importância política etc. -, mas não imprime maior personalidade.

Talvez por isso, porém, o filme consiga ter ressoado tão bem desde o lançamento. Com drama envolvente, boas atuações, ritmo quase episó-dico e boa comunicação com o público, ele pode se bene-ficiar do tipo de votação do Oscar, o “voto preferencial”. Nele, os votantes não esco-lhem somente um filme como o melhor, mas sim ordenam todos os indicados em uma lista de acordo com as pró-prias preferências.

Na apuração, é possível que um filme com mais menções como 2º ou 3º lugares prevale-ça frente a um que, ainda que bastante votado em 1º lugar, seja divisível e também conste muito entre os últimos. É uma lógica que privilegia o “meio-termo”, noção que se aproxima de “Os 7 de Chicago”.

Por

JOÃO GABRIEL TRÉZ

Jornalista e crítico de cinema do O POVO e membro da Associação Cearense de Críticos de Cinema (Aceccine)

Aaron Sorkin assina o roteiro e a direção do filme, que narra um julgamento político dos anos 1960

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Os 7 de Chicago

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