PROCESSOS QUÍMICOS INDUSTRIAIS I
UD 01
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DOS PROCESSOS QUÍMICOS INDUSTRIAIS – RELACIONAMENTO COM A ENGENHARIA QUÍMICA
2 O que é um processo químico?
Quando se pensa no assunto o que vem à mente?
Indústria química
http://www2.nord.com
http://www2.nord.com
Definição de processo químico
Define-se processo químico como qualquer operação ou conjunto de operações coordenadas que provocam transformações químicas e/ou físicas num material ou numa mistura de materiais.
Objetivo dos processos químicos
O objetivo dos processos químicos é a obtenção de produtos de
4 Por exemplo, pode-se obter etanol a partir de diferentes fontes
de carbono:
mandioca
http://domescobar.blogspot.com.br
Vista parcial de uma planta para obtenção de etanol, a partir da cana
http://www.empat.com.br
cana
Exemplos de processos químicos
Shreve e Brink jr. (1980) detalham vários processos químicos, entre eles tem-se:
Tratamento de água;
Produtos carboquímicos; Indústria de cerâmica;
6 Fluxograma da produção de açúcar (C12H22O11)
Fonte: Shreve; Brink jr. (1980) C12H22O11
C12H22O11
Fluxograma da produção de álcool (C2H5OH)
Fonte: Shreve; Brink jr. (1980) C12H22O11
C2H5OH
C
H
O
+ H
O
invertase
2C
H
O
Exemplo de processo químico
8
Análise de processos químicos
De acordo com os processos apresentados, as matérias-primas são transformadas em produtos através de uma sequência de etapas.
Essas etapas são denominadas operações unitárias da indústria química e são realizadas em equipamentos específicos, tais como moendas, evaporadores, centrífugas, secadores e colunas de destilação.
colunas de destilação
http://www.pulsarimagens.com.br
centrífuga
10 A análise dos processos químicos tem como objetivo a obtenção das quantidades e propriedades das correntes de produtos a partir de quantidades apropriadas das correntes de alimentação, e vice-versa, nas etapas do processo.
Qual é o objetivo da análise de processos químicos
Assim, deve-se conhecer as principais variáveis envolvidas nos processos, tendo como base a lei de conservação de massa e
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Recursos
• Sólidas • Líquidas • Gasosas • outrasMatérias-primas
• UTILIDADES • OUTROS RECURSOSPessoal /
Instalações
PreparaçãoVapor, Energia elétrica, Água tratada, Gases, Ar comprimido
Manutenção, Instrumentação, dentre outros
• Sub-produtos
• Resíduos poluentes
• Resíduos sólidos recicláveis
• Resíduos sólidos tratáveis
• Resíduos sólidos incineráveis
• Resíduos sólidos para aterros
• Efluentes (líquidos, sólidos e gasosos)
Logo, o processo consiste na transformação de entradas em saídas.
Em resumo
Process
Input
Output
O processo químico compreende várias etapas
Preparação das
matérias-primas
Reações químicas
• OPERAÇÃO: é a ação direta do homem e equipamentos sobre a matéria-prima e seus produtos (funções que devem ser executadas).
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• PROCESSO: é um conjunto de operações físicas e transformações químicas que visam obter produtos finais a partir de matérias-primas.
Milho Panela
Sal Óleo
Operações unitárias
Segundo Cremasco (2012), Operações Unitárias constituem-se etapas individuais, visando ao tratamento e/ou separação e/ou transporte físico de matéria e/ou energia, presentes em um processo (bio) químico.
O que vale ressaltar é que em uma operação unitária existe uma alteração física ou uma separação sem ocorrer reação química.
Operações unitárias
Misturação Destilação Evaporação Absorção de gás Extração Processos de separação Secagem Bombeamento de fluidos Troca de calor Transporte de sólidos Redução de tamanho Peneiração Filtração 18É a aplicação dos princípios da química, da física e da
físico-química (quando necessário, apoiadas por outras
ciências) para a transformação da(s)
matéria(s)-prima(s) em produtos.
Orgânicos
Inorgânicos
Processos industriais
Processos orgânicos
Fermentação
Aminação
Carboxilação
Hidrogenação
Oxidação, dentre outros
Nitração
Sulfonação
Alquilação
Esterificação
Polimerização
Processos inorgânicos
Cimento
Vidro
Ácidos
Álcalis
Tintas
Explosivos
Tratamento de água
Carboquímicos
Petroquímica
Gases combustíveis
Gases industriais
Cerâmica
22RENDIMENTO E CONVERSÃO
100 x Mols do produto principal
Mols do produto principal correspondentes à
desaparição completa do reagente mais
importante
Rendimento =
Dados químicos fundamentais
100 x Mols do produto principal
Mols do produto principal correspondentes à
Exemplo
Síntese da amônia, a 150 atm e 500
oC:
Rendimento é maior que 98%
Conversão
14%
N
2+ 3H
2↔ 2NH
3Recirculação – economia do processo – equipamentos necessários
RENDIMENTO E CONVERSÃO
Custos fixos Custos variáveis
$
Custo total de produção Receita de vendas (faturamento) Ponto de equilíbrioCUSTOS DE PRODUÇÃO
Levando em conta um único produto, podemos escrever a
seguinte expressão a ser minimizada:
Onde:
CT = custo total anual
CF = custo fixo unitário (custos associados a cada unidade e que não dependem de nova decisão. Ex. preço pago ao fornecedor)
CA = custo médio unitário de armazenagem durante o ano CP = custo de preparação de máquina
D = demanda
Q = quantidade fabricada (ou comprada) de cada vez
n = número de encomendas por ano. Evidentemente, n = D/Q
C
T= C
F.D + C
A.Q + C
P.n
26
CUSTOS DE PRODUÇÃO
Substituindo “ n ” na expressão de CT:
O objetivo é determinar qual valor de Q torna mínimo CT. A esse valor chamaremos de Lote Econômico de Fabricação (QE), que é dado pela expressão:
Expressão obtida a partir da derivação
Q
D
C
Q
C
D
C
C
T
F.
A.
P.D
.
C
CUSTOS DE PRODUÇÃO
Conhecidos os valores de
C
Pe
C
Apodemos, pela fórmula acima,
calcular o valor do lote econômico
Q
EÉ comum expressar
C
Aem função de
C
F(custo fixo)
, “
i
“ (taxa de
juros) e de “
a
“ (taxa de armazenamento), cuja expressão mais
usada é:
2
)
a
i
(
C
C
A F.
28CUSTOS DE PRODUÇÃO
O que mostra que o primeiro membro
(C
A.Q
E)
é o custo de
armazenagem e o segundo representa o custo de emitir ordens de
produção e, portanto, quando a quantidade obtida for igual ao lote
É fácil perceber que a expressão de
Q
E(
) pode ser transformada em:
A P E
C
D
C
Q
.
E . P E AQ
D
C
Q
.
C
Q QE CF.D (custo fixo) CA.Q (custo de armazenagem) R$ CP.D/Q (custo de preparação) CT(custo total)
Graficamente:
CUSTOS DE PRODUÇÃO
30A Indústria de alimentos MF Ltda está planejando as rodadas de produção para sua linha de iogurtes. Em média, estima-se que o custo de preparação de máquinas esteja em torno de R$ 200,00; havendo pouca diferenciação de um sabor e outro. O custo unitário médio de fabricação foi calculado em R$ 300,00, sobre o qual, para efeito de armazenagem, incidirá uma taxa total de 60% entre juros e armazenagem. Estima-se que, para 2014, a demanda para linha de iogurte light situar-se-á em torno de 5.000 caixas. Determinar:
a) Quantas caixas devem ser produzidas de cada vez; b) Qual o custo total
Solução
A P EC
D
C
Q
.
2
)
(
.i
a
C
C
A F
90
2
6
,
0
300
x
C
Aa) Número de caixas a serem produzidas de cada vez
409
,
105
90
5000
200
x
Q
ELogo, o lote econômico será:
Cálculo de C
Ac) Custo total e custo total em estoque
Parcela correspondente ao custo de armazenagem
Parcela correspondente ao custo de emitir ordens de
produção
C
T= R$ 1.500.000,00 + R$ 9.487,00 + R$ 9.487,00
C
T= 300 x 5000 + 90 x 105,409 + 200 x 5000
105,409
Os processos químicos são classificados de acordo com o
procedimento de entrada e saída de matéria do volume de
controle em:
Processos em batelada;
Processos contínuos;
Processos semicontínuos.
CLASSIFICAÇÃO DOS PROCESSOS
Um equipamento é carregado com as matérias-primas, a
operação ou a conversão ocorrem após um tempo
determinado, quando então o produto é descarregado.
Processo Descontínuo (por batelada)
O processo descontínuo é utilizado quando o volume de produção é
Exemplos:
Polimerização, fabricação de produtos farmacêuticos, de especialidades químicas
Processos contínuos
Diferentemente dos processos em batelada, as entradas e saídas
fluem continuamente ao longo do tempo total de processo.
Centrífuga de processamento de celulose
Visor da centrífuga
Centrífuga
Exemplo:
O processo contínuo exige uma instrumentação de processo mais
complexa, que não somente registre, mas também controle as
variáveis do processo (temperatura, vazão, pressão...).
É necessário controlar os desvios e corrigi-los rapidamente.
Controle informatizado do processo.
Custos são altos para pequenas produções mas se diluem para
grandes produções.
Processos semicontínuos
É qualquer processo que não se enquadre nas duas definições anteriores.
Exemplos:
http://campingtotal.blogspot.com.br
http://duquedecaxias.olx.com.br
Os três principais tipos de diagramas usados para
descrever os fluxos de correntes químicas através de
um processo são:
– Fluxogramas de blocos (block flow diagrams – BFD) – Fluxograma do processo (process flow diagram – PFD)
– Fluxogramas de tubulação e instrumentação (piping and instrumentation diagram – P&ID):
Fluxogramas de blocos
Permite a rápida visualização do processo.
Cada bloco ou retângulo representa uma operação unitária ou processo unitário.
entrada coagulação floculação
decantação ou
sedimentação filtração desinfecção
distribuição
Para fazer fluxogramas de blocos claros e objetivos:
– Correntes de entrada e saída são representadas por linhas retas que podem ser horizontais ou verticais;
– A direção do fluxo deve ser claramente indicada por setas;
– As correntes de fluxo devem ser numeradas em uma ordem lógica; – As operações unitárias (i.e blocos) devem ser rotulados;
– Quando possível, o diagrama deve ser arrumado de modo que o fluxo material ocorra da esquerda para a direita, com unidades a
Fluxograma do processo
Contém as informações necessárias para os balanços material
e energético do processo.
O fluxograma de processo apresenta as relações entre os
principais componentes no sistema, bem como tabula os
valores projetados para o processo para os componentes nos
diferentes modos de operação: mínimo, normal e máximo.
Um fluxograma de processo inclui:
– tubulação do sistema;
– símbolos dos principais equipamentos, nomes e números de identificação;
– Controles e válvulas que afetam a operação do sistema; – interconexões com outros sistemas;
– principais rotas de by-pass e recirculação;
– taxas do sistemas e valores operacionais como temperatura e pressão para fluxos mínimo, normal e máximo;
Fluxogramas de tubulação e instrumentação
Deve conter toda informação do processo necessária para a
construção da planta.
• Mostram toda a tubulação incluindo a sequência física de ramificações, redutores, válvulas, equipamentos, instrumentação e controles intertravados;
• São usados para operar o processo de produção;
Exemplo
Industrialmente, os reatores químicos
podem ser de vários
materiais, formatos e dimensões, dependendo das condições em
que a conversão química se realiza.
Os reagentes em excesso podem ou não retornar ao processo,
formando o reciclo; pode haver catalisador ou não; o catalisador
pode estar em leito fixo ou em leito fluido.
Para melhorar o rendimento nas reações químicas
realizadas em condições
industriais, geralmente, é
desejável que um ou mais reagentes estejam em excesso
(em relação às quantidades teóricas previstas pelas
equações químicas).
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As quantidades máximas dos produtos formados serão
determinadas
pela
quantidade
do
REAGENTE-LIMITANTE, que é aquele que não se encontra em
excesso; o qual servirá de base
para o cálculo do
A equação química fornece informações quali- e quantitativas
essenciais para o cálculo das massas dos materiais envolvidos em
um processo químico, como por exemplo:
A equação química nos fornece, em termos de mols, as razões entre reagentes e produtos (chamadas razões estequiométricas).
A ESTEQUIOMETRIA lida com as massas dos elementos e compostos que se combinam.
C7H16 (v) + 11 O2 (g) → 7 CO2 (g) + 8 H2O (v)
1 mol 11 mols 7 mols 8 mols
50
1. SHREVE, R.N. & BRINK, J.A. – Indústrias de Processos Químicos 2. LIMA, I.R. – Elementos Básicos de Engenharia Química
3. SHERWOOD, T.K. – Projeto de Processos da Indústria Química 4. BÜCHNER, W. – Industrial Inorganic Chemistry
5. CONSIDINE, D.M. – Chemical and Process Technology Encyclopedia 6. KUZNETSOV, D. – Chemical Engineering