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Tutela Penal do Meio Ambiente

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Tutela Penal do Meio Ambiente

Atualizado em 12/04/2019 Fonte: Frederico Amado

Inicialmente vale ressaltar que a tutela penal do meio ambiente está prevista na própria Constituição Federal. Vejamos:

§ 3º As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, ​pessoas físicas ou

jurídicas​, a sanções ​penais ​e administrativas,

independentemente da obrigação de reparar os danos causados.

Com o intuito de complementar essa previsão, foi editada a Lei 9.605/98, que dispõe sobre a parte geral e crimes específicos. Vejamos o artigo 3º:

Art. 3º As pessoas jurídicas serão responsabilizadas administrativa, civil e penalmente conforme o disposto nesta Lei, nos casos em que a infração ​seja cometida por decisão de seu representante legal ou contratual, ou de seu órgão colegiado​, ​no interesse ou benefício da sua entidade.

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Assim, para o autor, é necessário que sejam cumpridos dois requisitos para a responsabilização da PJ: ​1) A infração penal seja cometida

por decisão de seu representante legal ou contratual, ou de seu órgão

colegiado e 2) A infração penal seja cometida no ​interesse ou benefício da

sua entidade​.

Obs: ​Essa parte do crime ser realizado em benefício da entidade foi cobrada na prova da PGE/SE (CESPE).

Desta feita, caso um dirigente determinar a prática de um crime ambiental apenas em seu proveito, a PJ não poderá ser punida. Da mesma forma, caso um funcionário sem poder de gestão cometa ato ilícito no exercício do trabalho, a mesma não será responsabilizada, conforme previsão legal no artigo 3º.

A doutrina penalista lança várias críticas à possibilidade de punição penal à PJ, sendo descabido entrar no mérito das teses. Frederico Amado rebate todas as críticas:

“(...) Contudo, todos esses argumentos devem ser rechaçados. Considerando que a Constituição é a decisão política fundamental, tomada por quem detém a soma dos fatores reais do poder, que institui o dever-ser, deve-se aceitar a opção do poder constituinte originário, ao inaugurar o novel regime constitucional, que adotou o sistema da

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dupla imputação na seara penal, alcançando pessoas físicas e jurídicas pelo cometimento de crimes ambientais”.

Vale ressaltar que tanto o STF como o STJ aceitam pacificamente a responsabilidade penal da pessoa jurídica, tendo em vista que deriva da nossa constituição. Interessante questão é sobre a dupla responsabilização, saber se a pessoa jurídica só pode ser punida juntamente com a pessoa física ou não.

O STF ​não aceitou a tese da dupla imputação​, aceitando a condenação de crime apenas em face da pessoa jurídica. Vejamos:

“É admissível a condenação de pessoa jurídica pela

prática de crime ambiental, ainda que absolvidas as pessoas físicas ocupantes de cargo de presidência ou de direção do órgão responsável pela prática criminosa (RE 548.181/PR)”.

Aplicação em concursos: DPEAC - CESPE: “a responsabilização penal da pessoa jurídica é condicionada à simultânea persecução penal da pessoa física responsável no âmbito da empresa”. Falso!

MP-PR: “Por ordem exclusiva do representante legal de uma empresa madeireira, foram extraídas e vendidas pela empresa diversas toras de madeira de uma estação ecológica que havia sido criada por decreto federal. Em razão disso, foi proposta ação penal contra a pessoa jurídica e a pessoa física. Durante o curso da ação, a segunda foi excluída da lide. Nessa situação

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hipotética, a ação penal poderá prosseguir sem a presença da pessoa física, sendo da justiça federal a competência para o julgamento”.

PF: “Conforme a jurisprudência do STF, a empresa em questão não responderá na esfera penal pelo crime de funcionamento sem licença ambiental, caso seus sócios, pessoas físicas, sejam absolvidos do mesmo crime”. Falso! Conforme vimos, não há o que se falar em teoria da dupla imputação.

Além disso, a responsabilização somente pode ocorrer em face da pessoa física que tiver poder de gerência direta sobre a pessoa jurídica. Vejamos:

“Somente deve ser punido aquele que tem o poder de direcionar a ação da pessoa jurídica e que tem responsabilidade pelos atos praticados, sempre tendo como fundamento a existência de culpa e dolo – sob pena de operar-se a responsabilidade objetiva (HC 119.511)”.

A pergunta que não quer calar: ​a Pessoa jurídica de direito

público pode ser condenada penalmente?​Existe certa controvérsia doutrinária,

mas a grande parte dos doutrinadores entendem que ​não é possível​, sob pena de prejudicar duplamente a coletividade: com o dano ambiental e aplicação da penalidade. Vejamos lição de Vladimir e Gilberto passos:

“A pessoa jurídica, a nosso ver, deve ser de Direito

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(União, Estados, Distrito Federal, Municípios, autarquias e fundações públicas) não podem cometer ilícito penal no seu interesse ou benefício​. Elas, ao contrário das pessoas de natureza privada, só podem perseguir fins que alcancem o interesse público. Quando isso não acontece é porque o administrador público agiu com desvio de poder. Em tal hipótese só a pessoa natural pode ser responsabilizada penalmente. A norma legal não foi expressa a respeito. Além disso, eventual punição não teria sentido. Imagine-se um município condenado à pena de multa: ela acabaria recaindo sobre os municípios que recolhem tributos à pessoa jurídica. Idem restrição de direitos – por exemplo, a pena restritiva de prestação de serviços à comunidade (artigo 9.º) seria inviável, já que cabe ao Poder Público prestar tais serviços. Seria redundância”.

Também vale ressaltar que ​a Pessoa Jurídica não pode ser

paciente de Habeas Corpus​, já que seu direito de ir e vir não pode ser violado. Vejamos: “a pessoa jurídica da qual o paciente é representante legal se acha processada por delitos ambientais. Pessoa Jurídica que somente poderá ser punida com multa e pena restritiva de direitos. Noutro falar: a liberdade de locomoção do agravante não está, nem mesmo indiretamente, ameaçada ou restringida (HC 88.747)”.

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A figura do garantidor​: é a pessoa que tem o dever legal de impedir a consumação do dano, respondendo se deixar de agir. Vejamos a previsão legal nos crimes ambientais:

Art. 2º Quem, de qualquer forma, concorre para a prática dos crimes previstos nesta Lei, incide nas penas a estes cominadas, na medida da sua culpabilidade, ​bem como o

diretor, o administrador, o membro de conselho e de

órgão técnico, o auditor, o gerente, o preposto ou

mandatário de pessoa jurídica, que, sabendo da conduta

criminosa de outrem, deixar de impedir a sua prática,

quando podia agir para evitá-la.

Competência​: Via de regra é da ​Justiça Estadual​, salvo se

salvo se o delito for consumado contra bens, serviços ou interesse da União, de suas autarquias ou empresas públicas (artigo 109, IV, da Constituição Federal).

Importante lembrar que a Justiça Federal não tem competência para julgar contravenções penais (PGE/SE). Assim como a tese firmada em repercussão geral esse ano:

​Compete à Justiça Federal processar e julgar o crime ambiental de caráter transnacional que envolva animais silvestres, ameaçados de extinção, espécimes exóticas,

ou protegidos por compromissos internacionais

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Desconsideração da personalidade jurídica: no direito ambiental, a desconsideração da personalidade jurídica é balizada pela ​teoria menor​, ou seja, é mais fácil de ser desconsiderada, não se exige o abuso da personalidade jurídica, como no código civil e isso ocorre em virtude do bem difuso que é o meio ambiente. Vejamos:

Art. 4º Poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica ​sempre

que sua personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente.

Dosimetria​: De acordo com a Lei 9.605, em seu artigo 78, o

código penal e de processo penal somente se aplicam subsidiariamente. Neste sentido, a própria legislação estabelece mecanismos para quantificar a penalidade para cada autor, o que os penalistas chamam de dosimetria.

Art. 6º Para imposição e gradação da penalidade, a autoridade competente observará:

I - a gravidade do fato ​, tendo em vista os motivos da infração e suas conseqüências para a saúde pública e para o meio ambiente;

II - ​os antecedentes do infrator quanto ao cumprimento da legislação de interesse ambiental;

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Importante também verificarmos o que dispõe o artigo 7º, de incidência elevada nos concursos públicos:

Art. 7º As penas restritivas de direitos são autônomas e

substituem ​as privativas de liberdade quando:

I - tratar-se de ​crime culposo ou for aplicada a ​pena

privativa de liberdade inferior a quatro anos​;

II - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do condenado, bem como os motivos e as circunstâncias do crime indicarem que a substituição seja suficiente para efeitos de reprovação e prevenção do crime.

Parágrafo único. As penas restritivas de direitos a que se refere este artigo ​terão a mesma duração da pena

privativa de liberdade substituída​.

Veja que se a pena for quatro anos, não será possível. Tem de ser inferior a quatro anos, isso foi cobrado na DPE-MA (FCC).

Penas restritivas de direito para pessoas físicas​: São as seguintes: I -

prestação de serviços à comunidade; II - interdição temporária de direitos; III - suspensão parcial ou total de atividades; IV - prestação pecuniária; V - recolhimento domiciliar.

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Importante verificarmos em que consiste a interdição temporária de direitos para as pessoas físicas, já que é muito cobrado: “As penas de interdição temporária de direito são a proibição de o condenado contratar com o Poder Público, de receber incentivos fiscais ou quaisquer outros benefícios, bem como de participar de licitações, ​pelo prazo de cinco (5) anos, no caso de crimes dolosos​, e de ​três (3) anos, no de crimes culposos​”.

Por outro lado, as penas restritivas de direito para as pessoas jurídicas são três: a) multa; b) restritivas de direito e c) prestação de serviços à comunidade.

As restritivas de direito são concretizadas em suspensão total ou parcial da atividade; interdição temporária da atividade e proibição de contratar ou receber incentivos do Poder Público pelo prazo de até ​10 anos​.

liquidação forçada: ​Caso a pessoa jurídica seja utilizada para a prática de

infrações ambientais, a Lei garante que a mesma pode ter sua liquidação forçada. Vejamos a previsão legal:

Art. 24. A pessoa jurídica constituída ou utilizada, preponderantemente, com o fim de permitir, facilitar ou ocultar a prática de crime definido nesta ​Lei terá decretada

sua liquidação forçada​, seu patrimônio será considerado

instrumento do crime e como tal perdido em favor do Fundo

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Atenção: Será perdido em favor do fundo penitenciário nacional, não fundo de direitos difusos ou do meio ambiente, como cobram nas questões.

Em que pese parte da doutrina afirmar que isso seria o equivalente à morte civil e consequentemente inconstitucional, a maior parte da doutrina e também os tribunais consideram o dispositivo constitucional e continuam aplicando normalmente.

Atenuantes e agravantes: ​também são muito cobradas em concursos e as

bancas costumam cobrar as hipóteses invertidas. Vejamos:

Art. 14. São circunstâncias que ​atenuam​ ​a pena: I - baixo grau de instrução ou escolaridade do agente;

II - arrependimento do infrator, manifestado pela espontânea reparação do dano, ou limitação significativa da degradação ambiental causada;

III - comunicação prévia pelo agente do perigo iminente de degradação ambiental;

IV - colaboração com os agentes encarregados da vigilância e do controle ambiental.

Art. 15. São circunstâncias que ​agravam ​a pena, quando

não constituem ou qualificam o crime:

I - ​reincidência ​nos crimes de natureza ambiental; II - ter o agente cometido a infração:

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b) coagindo outrem para a execução material da infração; c) afetando ou expondo a perigo, de maneira grave, a saúde pública ou o meio ambiente;

d) concorrendo para danos à propriedade alheia;

e) ​atingindo áreas de unidades de conservação ou áreas

sujeitas, por ato do Poder Público, a regime especial de

uso​;

f) ​atingindo áreas urbanas ou quaisquer assentamentos humanos;

g) em período de defeso à fauna;

h) ​em domingos ou feriados (cuidado aqui - sábado não!)​;

i) à noite;

j) em épocas de seca ou inundações;

l) no interior do espaço territorial especialmente protegido; m) com o emprego de ​métodos cruéis para abate ou captura de animais;

n) mediante fraude ou abuso de confiança;

o) mediante ​abuso do direito de licença​, permissão ou autorização ambiental;

p) no interesse de pessoa jurídica mantida, total ou parcialmente, por verbas públicas ou beneficiada por incentivos fiscais;

q) ​atingindo espécies ameaçadas​, listadas em relatórios oficiais das autoridades competentes;

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r) ​facilitada por funcionário público no exercício de suas funções.

Suspensão condicional da pena: ​de acordo com o artigo 16, poderá ocorrer nos

casos de condenação a pena privativa de liberdade ​não superior a três anos (3 anos!!). ​Obs: cuidado para não confundir com a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direito, que é de ​até 4 anos​, como mencionado acima.

iniciativa da ação penal: ​Será ​pública incondicionada para todos os crimes

previstos na lei. Isso ocorre devido a natureza que o bem ambiental possui, sendo essencial à sadia qualidade de vida (artigo 225, CF).

Princípio da insignificância: ​De acordo com os Tribunais, é possível aplicar

esse princípio em crimes ambientais, o que torna a ação atípica. Vejamos:

Esta Corte tem reconhecido a insignificância de condutas que se amoldariam ao tipo penal descrito como crime contra a fauna aquática, quando a pesca é de pequena quantidade de peixe e, ainda, que com a utilização de petrechos vedados, em razão da falta de ofensividade ao bem jurídico tutelado. Precedentes ( STJ - AgRg no HC 313815/SP).

CRIME - INSIGNIFICÂNCIA - MEIO AMBIENTE. Surgindo a insignificância do ato em razão do bem protegido, impõe-se a absolvição do acusado (STF - AP 439/SP).

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Como foi cobrado em concurso: TRE-CESPE: Em se tratando de crime ambiental, não se admite a incidência do princípio da insignificância. Falso!

Questões da CESPE sobre o tema:

1) CESPE - MPPR: Em um sábado, Pedro, maior e capaz, com baixo grau de instrução, pichou monumento urbano, sem autorização. Nessa situação hipotética, a ação penal será pública condicionada se o monumento pichado for de propriedade particular. FALSO! a lei não tem essa restrição, sendo sempre ação pública incondicionada, conforme artigo 26.

2) CESPE - PCGO: ​Foi constatado que um fazendeiro estava impedindo a

regeneração natural de florestas em área de preservação permanente na sua propriedade rural, por pretender manter a área como pasto. Nessa situação hipotética, conforme a legislação pertinente, a autoridade ambiental que constatou a infração deve promover sua apuração imediata, sob pena de corresponsabilização. CORRETO! essa hipótese serve tanto para crimes quanto infrações administrativas e costuma ser bastante cobrado. Vejamos:

§ 3º A autoridade ambiental que tiver conhecimento de infração ambiental é ​obrigada a promover a sua apuração

imediata​, mediante processo administrativo próprio, sob

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3) ​PGE AM: ​Situação hipotética: Durante festividade junina, um grupo de pessoas adultas e capazes soltou balões com potencial de provocar incêndio em floresta situada nas redondezas do local da festa. Assertiva: Nessa situação, para serem tipificadas como crime, tais condutas independerão de prova de que a probabilidade de lesão ao meio ambiente era efetiva, por constituírem infração de perigo abstrato. CORRETO! De acordo com Marcelo Abelha:

É certo e inegável que a técnica que privilegia a criação legislativa de crimes de perigo também padece do problema relacionado à prova de sua ocorrência. Aliás, no caso de perigo concreto, o problema é ainda maior, uma vez que a existência do risco deve ser provada caso a caso (in concreto, por exemplo, a queima em céu aberto de produtos tóxicos). Já no caso de perigo abstrato (por exemplo,

soltar balões), a prova da conduta definida na lei já é o bastante​.

4) ​PGE AM: ​Situação hipotética: Cláudio, maior e capaz, caçou e matou espécime da fauna silvestre, sem a devida autorização da autoridade competente. Assertiva: Segundo o atual entendimento do STJ, a competência para julgar o referido crime será da justiça federal, independentemente de a ofensa ter atingido interesse direto e específico da União, de suas entidades autárquicas ou de empresas públicas federais, pois basta que os crimes sejam contra a fauna para atrair a competência do Poder Judiciário federal. FALSO! conforme mencionado acima, a competência só será federal se for enquadrada em alguma das

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hipóteses previstas no artigo 109 da Constituição, o que não é o caso em tela. Importante lembrar, mais uma vez, a tese de repercussão geral do STF:

compete à Justiça Federal processar e julgar o crime ambiental de caráter transnacional que envolva animais silvestres, ameaçados de extinção, espécimes exóticas,

ou protegidos por compromissos internacionais

assumidos pelo Brasil​”.

5) TCE PA: ​O Ministério Público ofereceu denúncia contra pessoa jurídica e seus representantes legais (pessoas físicas) pela prática de delito ambiental previsto na Lei n.º 9.605/1998. Os representantes legais da pessoa jurídica foram absolvidos sumariamente. Nessa situação, é possível a responsabilização penal da pessoa jurídica por delitos ambientais independentemente da responsabilização concomitante das pessoas físicas que agiam em seu nome. CORRETO! como mencionado acima, o STF dispõe que é possível a condenação apenas da pessoa jurídica, não precisando da condenação da pessoa física.

O art. 225, § 3º, da Constituição Federal não condiciona

a responsabilização penal da pessoa jurídica por crimes

ambientais à simultânea persecução penal da pessoa

física em tese responsável no âmbito da empresa. A

norma constitucional não impõe a necessária dupla

imputação (RE 548181/PR)

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infrações previstas na Lei n.º 9.605/1998 — que dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras providências —, as atividades da pessoa jurídica poderão ser totalmente suspensas. CORRETO! Vejamos: “Art. 22. As penas restritivas de direitos da pessoa jurídica são: I - ​suspensão parcial ou total de atividades (...)”.

7) ​PCPE​: A suspensão parcial ou total de atividade, exclusivamente para pessoas jurídicas, será aplicada quando a empresa não estiver cumprindo as normas ambientais. FALSO! também é possível aplicar a suspensão das atividades para pessoa física. Vejamos: “Art. 8º As penas restritivas de direito são: III - suspensão parcial ou total de atividades”.

8) ​PF​: Considere que Jorge tenha sido preso por pescar durante a piracema, o que o tornou réu em processo criminal. Nessa situação hipotética, se a lesividade ao bem ambiental for ínfima, segundo o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, o juiz poderá aplicar o princípio da insignificância. CORRETA! tanto o STJ como o STF entendem que é possível aplicar a insignificância nos crimes ambientais!!

CRIME - INSIGNIFICÂNCIA - MEIO AMBIENTE. Surgindo

a insignificância do ato em razão do bem protegido,

impõe-se a absolvição do acusado (AP 439 / SP - SÃO

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9) CD: ​A lei que dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente determina, expressamente, que os crimes ambientais nela previstos são de competência da justiça estadual.

FALSO​! não há essa obrigatoriedade, pode ser crime de competência estadual

ou federal, dependendo caso concreto, como explicado acima.

10) ​PCAP​: Poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente. Certo!! aplicação da teoria menor, vigente no direito ambiental. Vejamos: “Poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica ​sempre que sua

personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à

qualidade do meio ambiente​”.

11) ​PCAP: ​É circunstância que agrava a pena o fato de o agente ter cometido crime ambiental em domingos ou feriados. CORRETO!! atenção: sábado não entra na agravante. Vejamos: “Art. 15. São circunstâncias que ​agravam ​a pena,

quando não constituem ou qualificam o crime: h) em ​domingos ou feriados​”.

12) ​TJSC​: Pedro, Diretor Executivo de empresa de fertilizante, determinou, contra orientação do corpo técnico, que trouxe solução ambientalmente correta, a descarga de produtos em curso d’água causando poluição que tornou necessária a interrupção do abastecimento público de água de uma comunidade localizada a jusante. A conduta de Pedro: ensejará a responsabilidade penal da empresa, ainda que a conduta não tenha sido praticada no interesse ou em benefício da pessoa jurídica. FALSO!! só existe responsabilidade penal da pessoa jurídica se o crime for cometido em seu benefício, o que não foi o caso. Vejamos:

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Art. 3º As pessoas jurídicas serão responsabilizadas administrativa, civil e penalmente conforme o disposto nesta Lei, nos casos em que a infração seja cometida por decisão de seu representante legal ou contratual, ou de seu órgão colegiado, ​no interesse ou benefício da sua entidade.

PGMSSA: Carlos foi autuado pela prática do crime previsto no art. 29 da Lei n.º 9.605/1998 (apanhar espécime da fauna silvestre sem autorização), por manter em sua residência, sem autorização da autoridade ambiental, uma arara-azul, animal não ameaçado de extinção.

Nessa situação hipotética, caso Carlos seja condenado, o juiz poderá, com base nas circunstâncias específicas, deixar de aplicar a pena. Correto! É a previsão do Art. 29, §2º, Lei de Crimes ambientais. ​in verbis:

§ 2º No caso de guarda doméstica de espécie silvestre não considerada ameaçada de extinção, ​pode o juiz, considerando as circunstâncias, deixar de aplicar a pena.

ICMBIO​: Os danos diretos ou indiretos causados a UC são penalizados com

reclusão de um a cinco anos, sendo considerada situação agravante a ocorrência de dano que afete espécie ameaçada de extinção. Errado! Só incide a agravante se a UC for de proteção integral. Vejamos:

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(…) § 2 ​o A ocorrência de dano afetando espécies ameaçadas de extinção ​no

interior das Unidades de Conservação de Proteção Integral será considerada

circunstância agravante para a fixação da pena.

PGE/BA: A empresa poderá ser responsabilizada penalmente caso pratique ato ilícito, podendo ser desconsiderada a pessoa jurídica se a personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados ao meio ambiente.​Correto! É a previsão legal da “teoria menor”.

Art. 4º Poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente.

Procurador - Criciúma: “A desconsideração da personalidade jurídica, em matéria de responsabilidade ambiental, depende da prova de que a empresa foi usada em fraude à lei”. Falso!

PGDF - CESPE: A responsabilização das pessoas jurídicas por crimes ambientais, nos casos em que a infração seja cometida por decisão de seu representante legal ou contratual, ou de seu órgão colegiado, no interesse ou benefício da sua entidade, exclui a responsabilidade das pessoas físicas partícipes do mesmo fato. ​Falso!

Parágrafo único, Art. 3º: A responsabilidade das pessoas jurídicas ​não exclui a das pessoas físicas, autoras, co-autoras ou partícipes do mesmo fato.

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PCDF - CESPE: Quando um cidadão abate um animal que é considerado nocivo por órgão competente, ele não comete crime. ​Correto! ​Vejamos: “Art. 37. Não é crime o abate de animal, quando realizado: IV - ​por ser nocivo o animal, desde

que assim caracterizado pelo órgão competente​”.

No mesmo sentido, Câmara de Goiânia - Procurador: “o abate de animal constitui crime, quando realizado por ser o animal nocivo, assim caracterizado pelo órgão competente”. Falso!

PF - CESPE: Um cidadão que cometer crime contra a flora estará isento de pena se for comprovado que ele possui baixa escolaridade. ​Falso! ​A pena pode

diminuir, mas não será excluída.

CESPE - TJPB: É inaplicável o princípio da insignificância aos crimes ambientais, em razão de a CF, consolidando tendência mundial de atribuir maior atenção aos interesses difusos, conferir especial relevo à questão ambiental, ao elevar o meio ambiente à categoria de bem jurídico tutelado autonomamente. ​Falso! ​É possível

aplicar a insignificância em crimes de natureza ambiental.

CESPE: Constitui crime contra a administração ambiental, que não admite modalidade culposa, a concessão pelo funcionário público de licença, autorização ou permissão em desacordo com as normas ambientais para atividades, obras ou serviços cuja realização depende de ato autorizativo do poder público. ​Falso! ​É

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Art. 67. Conceder o funcionário público licença, autorização ou permissão em desacordo com as normas ambientais, para as atividades, obras ou serviços cuja realização depende de ato autorizativo do Poder Público:

Pena - detenção, de um a três anos, e multa.

Parágrafo único. ​Se o crime é culposo, a pena é de três meses a um ano de detenção, sem prejuízo da multa.

Jurisprudência sobre o tema:

Se o ato ensejador do auto de infração caracteriza infração penal tipificada

apenas em dispositivos de leis de crimes ambientais, somente o juízo

criminal tem competência para aplicar a correspondente penalidade. ​Os

fiscais ambientais têm competência para aplicar penalidades administrativas. No entanto, se a conduta ensejadora do auto de infração configurar crime ou contravenção penal, somente o juízo criminal é competente para aplicar a respectiva sanção (Informativo 511, STJ).

A Seção conheceu do conflito de competência e declarou competente o juízo federal suscitante para processar e julgar o suposto crime de extração de cascalho, bem da União, sem autorização do órgão ambiental em área particular (fazenda) (Informativo 474, STJ).

Após a edição da Lei n. 9.605/1998 e o conseqüente cancelamento da Súm. n. 91-STJ, a definição da competência federal nos crimes ambientais depende da verificação da existência de lesão a bens, serviços ou interesses da União (Informativo 160, STJ).

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Referências

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