A historiografia brasileira sobre o trabalho: Entre Thompson e Foucault
Igor Guedes Ramos * As mudanças teórico-metodológicas ocorridas na década de 1980 na produção acadêmica brasileira sobre a história do trabalho, foram, há muito, notadas e diagnosticadas por diversos intelectuais. A maioria dos diagnósticos, muitas vezes generalizantes, indica que essa produção até o início da década de 1980, se concentrava no estudo das “macrofísicas do poder” (estrutura econômica, Estado, sindicato e partidos); e, posteriormente, passou a se concentrar nas “microfísicas do poder” (as formas individuais e cotidianas de dominação e resistência). Como os próprios termos evidenciam, uma das variáveis que favoreceu essas mudanças foi a apropriação dos pensamentos de Edward Palmer Thompson e Michel Foucault, pelos acadêmicos brasileiros (Cf. COSTA, 1994; BATALHA, 2003; PAOLI et al., 1984).
Segundo a perspectiva de interpretação de Thompson:
A classe acontece quando alguns homens, como resultado de experiências comuns (herdadas ou partilhadas), sentem e articulam a identidade seus interesses entre si, e contra outros homens cujos interesses diferem (e geralmente se opõem) dos seus. A experiência de classe é determinada, em grande medida, pelas relações de produção em que os homens nasceram – ou entram involuntariamente. A consciência de classe é a forma como essas experiências são tratadas em termos culturais: encarnadas em tradições, sistemas de valores, idéias e formas institucionais. Se a experiência aparece como determinada, o mesmo não ocorre com a consciência de classe. (THOMPSON, 1987: 10)
Portanto, a classe surge quando, por meio das relações humanas e da luta de classes 1, um grupo de pessoas passa a se comportar repetidamente de modo classista; partilhando, não somente a mesma posição nas relações de produção, mas também comportamentos, cultura e instituições que condizem com seus interesses. A experiência – conhecimento apreendido historicamente por meio das práticas reais e diretamente determinado pelas relações de produção – ao se articular com a cultura (idéias, valores, tradições, instituições, etc.) do grupo social, constitui a “consciência de classe” deste grupo. Destarte, em Thompson a “consciência * Mestre em História Social pela Universidade Estadual de Londrina. E-mail:
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1 Thompson assinala que a “luta de classe” precede a própria “classe”, tendo o primeiro conceito
de classe” tem caráter temporal e geográfico, é constituída pela articulação histórica entre experiência e cultura de um determinado grupo social, não pode ser imputada ao grupo social por um partido, seita e/ou intelectual portadores da consciência “verdadeira” e, conseqüentemente, não deve ser julgada ou avaliada como mais ou menos verdadeira, mais ou menos revolucionária.
Para Thompson, a “classe é definida pelos homens enquanto vivem sua própria história e, ao final, esta é sua única definição” (THOMPSON, 1987: 12). Por isso, a classe deve ser compreendida por meio de evidências históricas tratadas, isto é, o historiador deve iniciar sua análise pelos dados empíricos e, posteriormente, organizá-los por meio da teoria. Desta maneira, a classe é expressa como uma “categoria histórica”, em oposição à parte da tradição marxista (especialmente leninista), que muitas vezes define classe por meio de um modelo ideal – que precede as evidências históricas – e medidas quantitativas, produzindo uma noção de classe como “categoria estática” (Cf. THOMPSON, 1989: 33-39).
Essa perspectiva de interpretação está presente na obra A formação da classe operária
inglesa (The Making of the English Working Class); na qual Thompson vasculha os becos
sem saída, as causa perdidas e a história dos perdedores, “tentando resgatar o pobre tecelão de malhas, o meeiro luddita, o tecelão do ‘obsoleto’ tear manual, o artesão ‘utópico’ e mesmo o iludido seguidor de Joanna Southcott, dos imensos ares superiores de condescendência da posteridade” (THOMPSON, 1987: 13). Destarte, produz uma história que se preocupa com o “fazer-se da classe operária”, em oposição às histórias que obscurecem a atuação dos trabalhadores e/ou se fundamentam na evolução posterior para criticar o passado (Cf. THOMPSON, 1987: 9-14).
A perspectiva de interpretação de Foucault é bastante distinta a de Thompson e apresenta dificuldades quando apropriada pelos historiadores. Segundo André Luiz Joanilho, apesar da perspectiva de análise foucaultiana e a pesquisa histórica não serem incompatíveis, existem duas dificuldades sérias nessa relação:
A primeira, diz respeito à forma como Foucault trata as fontes históricas, pois seu trabalho “não privilegia a pesquisa exaustiva sobre determinado assunto, prisões ou sexualidade, por exemplo, deixando lacunas na sua explicação” (JOANILHO, 2003: 16). Isto é, enquanto o historiador busca exaurir as fontes históricas em busca de confirmação de suas hipóteses; “Foucault, de modo algum, buscou exaurir as fontes em relação aos objetos sobre os quais se debruçava, ou pelo menos, sequer tentou confirmação sistemática dos dados que
A segunda, diz respeito ao sujeito; pois diferente de Foucault, para o historiador “é fundamental o sujeito produtor de determinado documento [...]. A não existência de uma autoria ou de um autor não faz parte do horizonte do pesquisador e do que almejamos enquanto explicação histórica” (JOANILHO, 2003: 16-17). Isto é, para dar coerência à narrativa historiográfica é necessária a existência de um sujeito responsável pelos acontecimentos.
Superada essas dificuldades, como assinala Paul Veyne (1998: 251), Foucault não fala de um mundo diferente do qual fala o historiador. Apenas busca descrever todo o “relevo”, todos os contornos, por mais pontiagudos que sejam, desse mesmo mundo descrito pelos historiadores, de forma “plana”, completamente coerente e, algumas vezes, com sentido único:
Contudo, compreende-se facilmente por que essa filosofia [foucaultiana] é difícil para nós: ela não se assemelha nem a Marx nem a Freud. A prática [ou o discurso] não é uma instância (como o id freudiano) nem um primeiro motor (como a relação de produção), e, aliás, não há em Foucault nem instância nem primeiro motor [...]. É por isso que não há inconveniente grave em denominar provisoriamente essa prática [ou discurso] de ‘parte oculta do iceberg’, para dizer que ela só se apresenta à nossa visão espontânea sob amplos drapeados e que é grandemente preconceptual; pois a parte escondida de um iceberg não é uma instância diferente da parte emersa: é de gelo, como esta, também não é o motor que faz movimentar-se o iceberg; está abaixo da linha de visibilidade, e isto é tudo. (VEYNE,1998: 251).
Em relação à produção acadêmica sobre o trabalho, Edgar Salvadori de Decca diferencia e define as contribuições de Thompson e Foucault, da seguinte forma:
As diferenças de abordagens em se tratando de Thompson e Foucault são significativas. Para o primeiro, as classes trabalhadoras são sujeitos de sua própria história, e por isso, a ênfase dada à questão da experiência de classe e do fazer (making) de uma cultura de classe. Com os seguidores de Foucault desloca-se significativamente o eixo da experiência e/ou da cultura das classes trabalhadoras, acentuando-se o significado da ação disciplinar de inúmeros agentes sociais na produção do cotidiano e da identidade dos trabalhadores, através da criação das instituições basilares da sociedade, tais como a família nuclear, a escola e a fábrica. (DECCA, 1987: III)
Desta forma, com a apropriação das reflexões de Foucault, a respeito dos múltiplos locais de conflito existentes na sociedade; e de Thompson, a respeito do “fazer-se” da classe operária, os acadêmicos brasileiros da década de 1980, adquiriram outras “ferramentas”
(temáticas, teorias, metodologias, etc.) para pensarem as formas de dominação e resistência, presentes na história do trabalho.
Entretanto, alguns intelectuais viram com preocupação o deslocamento da atenção das “macrofísicas do poder” para as “microfísicas do poder”, como explica Emília Viotti da Costa:
O resultado foi que apesar da extraordinária expansão das fronteiras da história e do enriquecimento inegável da nossa compreensão da multiplicidade da experiência humana através dos tempos, a macro-física do poder permaneceu na sombra. Quando o poder está em toda a parte, acaba por não estar em lugar algum. Além de que, o método de análise derivado de uma leitura simplificada e seletiva da obra de Foucault embora tenha contribuído para esclarecer e ampliar a compreensão dos vários locais onde o poder se exerce, recusa-se a explicar como e porque ele se constitui, se reproduz e se transforma. (COSTA, 1994: 15)
Essa relação conflituosa entre as perspectivas de interpretação da história do trabalho, não é apenas “bipolares” e não se restringe a diferenças teórico-metodológicas, mas também a representações de mundo e práticas distintas. Nas palavras de Emilia Viotti da Costa: “o que está em questão não é apenas qual a melhor interpretação do passado, mas também qual a melhor estratégia no presente” (COSTA, 1994: 20).
No decorrer da década de 1970, diferente do que ocorria anteriormente na produção acadêmica brasileira sobre o trabalho, as práticas operárias ganham importância em relação às determinações estruturais. Isto é, os acadêmicos brasileiros descobrem que os operários possuem alguma consciência, constroem suas próprias práticas políticas e exercem alguma resistência em relação à dominação burguesa e possuem alguma mobilidade em relação à estrutura socioeconômica do país. Contudo, é uma classe desarticulada, dividida, e ainda incapaz de compreender a realidade do Brasil, conhecida apenas pelos intelectuais, único grupo sociocultural capaz de transcender os limites da sociedade brasileira e capaz de julgá-la a partir de critérios científicos, racionais e universais (Cf. BATALHA, 2003; PAOLI et al., 1984; PÉCAUT, 1990).
Ainda, é importante notar, que a produção acadêmica desse período, estabeleceu como indispensáveis práticas de pesquisa de caráter “empirista”, até então pouco seguidas. Isto é, as interpretações são ampla e rigorosamente fundamentadas em fontes jornalísticas, relatórios de empresas, arquivos de militantes, etc. Dois exemplos dessa produção acadêmica são as obras
Nessas obras surgem as algumas referências a Thompson e Foucault. Contudo, a apropriação do pensamento de Thompson não gera uma mudança significativa no modelo interpretativo; certamente fortalece a postura “empirista” e leva a uma maior preocupação com a descrição e a análise das práticas e da cultura operária, mas os autores não adotam as noções de cultura, experiência ou consciência de classe presentes no pensamento de Thompson. Uma vez que fazem críticas à consciência de classe e ao movimento operário brasileiro do início do século XX, fundamentados em critérios de outro tempo e lugar (Cf. HARDMAN & LEONARDI, 1981: 351; FAUSTO, 1976: 247-248); o que se opõe a noção de consciência de classe presente nas reflexões de Thompson.
Ainda, em sua obra, Fausto dedica apenas uma breve seção denominada A subcultura para analisar a cultura operária e a crítica da cultura e das instituições vigentes (sistema educativo, Igreja, família burguesa, etc.) feita pelos libertários; conforme já assinalou Sílvia Pertesen, desde o título, essa seção destoa do modelo interpretativo de Thompson (Cf. PETERSEN, 2008: 62).
Em relação a Foucault, a referência mais profunda aparece em Fausto; que, em um breve parágrafo, aponta a importância do estudo dos micropoderes (desvendados por Foucault) para compreensão da relação de dominação (Cf. FAUSTO, 1976: 81), mas não analisa o tema em sua obra.
Em suma, a produção acadêmica brasileira, da década de 1970, sobre o trabalho está intimamente ligada à produção acadêmica anterior, herdando algumas de suas representações e práticas, como a “tendência de julgar negativamente o movimento operário do início do século” (BATALHA, 2003: 151). Destarte, impossibilitando uma apropriação mais profunda das reflexões de Thompson e Foucault.
É na década de 1980, que ocorreu uma grande mudança (ou ruptura) na produção historiográfica brasileira sobre o trabalho. Foi uma época de contestar e sonhar, os acadêmicos (discentes e docentes) estavam deslumbrados pelas inúmeras alternativas de compreender a sociedade e estratégias de luta política. Nessa época ocorreu a re-significação do político e a percepção da heterogeneidade sociocultural existente no Brasil, elementos de outra representação de mundo, que possibilitou o surgimento de outro modelo acadêmico de interpretação do trabalhador; que procura dar conta dos múltiplos grupos socioculturais, formas de organização e resistência e lugares de conflito, presentes na sociedade brasileira.
A postura dos acadêmicos da década de 1980 em relação à sociedade e, especificamente, em relação ao trabalhador brasileiro, pode ser entendida a partir da explicação de Michel Foucault sobre os intelectuais em geral:
[...] o que os intelectuais descobriram desde o avanço recente [desde 1968] é que as massas não têm necessidade deles para saber; e elas o dizem bem. Mas existe um sistema de poder que barra, proíbe, invalida este discurso e este saber [...]. Eles próprios, os intelectuais, fazem parte deste sistema de poder; a idéia de que eles são agentes da ‘consciência’ e do discurso, ela própria, faz parte deste sistema. FOUCAULT & DELEUZE, 1974: 140-141)
Um pensamento que surge em 1968, na Europa, deslumbra os acadêmicos por volta de 1980, no Brasil. Destarte, os acadêmicos brasileiros – grande parte deles – descobrem que não são os organizadores da sociedade, os porta-vozes do povo, a vanguarda esclarecida ou os portadores da ciência e da compreensão universal. Descobrem, também, que a “massa”, o “povo” ou a classe operária possuem práticas e saberes independentes, tão “verdadeiros” quanto os possuídos pelos acadêmicos. E, possivelmente a mais dolorosa das descobertas, que eles (acadêmicos) são também repressores desses saberes e práticas. Para esses “novos” acadêmicos brasileiros, restou o “resgate” dos saberes e das práticas operárias, aniquilados durante séculos de tirania intelectual. Entre os exemplos da historiografia da década de 1980, citamos: Do cabaré ao lar: a utopia da cidade disciplinar: Brasil 1890-1930 (1985) de Luzia Margareth Rago e O sonhar libertário: movimento operário nos anos de 1917 a 1921 (1988) de Cristina Hebling Campos.
Segundo Rago, a luta pela transformação/manutenção da sociedade não passa necessariamente pela instância política formal, pela luta político-partidária, como quer a produção acadêmica anterior. Em sua obra, não existe sequer a dicotomia entre instância política formal e informal, existem múltiplas formas políticas, que não se hierarquizam ou se centralizam em uma única “instância verdadeira ou superior”. A dominação e a resistência políticas estão em todos os espaços e todos os momentos da vida operária. Daí, não é difícil imaginar, que entre as referências teóricas da autora estejam Foucault e Thompson:
Embora situados em campos teóricos e metodológicos diferenciados, Thompson e Foucault chamam a atenção para outros momentos do exercício da dominação burguesa, possibilitando recuperar as práticas políticas ‘não-organizadas’ do proletariado e desfazer o generalizado mito do atraso e do apoliticismo dos libertários. (Cf. RAGO, 1985: 14)
Destarte, é restituído às “práticas políticas não-organizadas” da classe operária – até então consideradas banais, economicistas ou inconscientes –, sua exata capacidade de transformação social, econômica e política. Rago, nesta obra, se propõe a estudar todas essas manifestações de resistência cotidiana e a cultura produzidas pelos trabalhadores brasileiros, entre 1890 e 1930; bem como, as normas disciplinares a eles impostas pela fábrica, pelas várias agências do poder público ou privado regulando a sua maneira de morar, a sua saúde, a sua educação, a sua sexualidade, etc. (Cf. RAGO, 1985: 11-14).
Acompanhando a tendência da década de 1980, na obra de Rago predomina a descrição e a interpretação das práticas operárias e da cultura operária e os diversos mecanismos de dominação do capital. Seu modelo interpretativo é muito semelhante ao de Foucault, suas referências a Thompson parecem ter, maiormente, a função de legitimar o texto dentro do campo de produção sobre o trabalho, onde predominava (ou predomina) as concepções marxistas da história.
Na perspectiva de Campos, entre os anos de 1917 e 1921, o trabalhador brasileiro sonhou com a liberdade, se organizou e lutou para tentar conquistá-la. Esse momento só pode ser compreendido por meio de um estudo aprofundado das diversas formas de dominação, exercidas pelo patronato e pelo Estado; e das diversas formas de resistência, empregadas pelos operários (Cf. CAMPOS, 1988: 17-22). Para sua análise, a autora se fundamentada nos pressupostos de Thompson e Foucault:
Pois, tanto para Thompson quanto para Campos, “a classe só se constitui no processo de luta, quando, ao criarem-se laços de solidariedade entre indivíduos, enfrenta o patronato e o Estado. A consciência que é produzida nesse momento é registrável, às vezes comparável, mas não existem ‘desajustes’ na história, nem atrasos, nem falsa consciência” (CAMPOS, 1988: 12).
Ainda, para compreender principalmente o fenômeno de descenso do movimento operário do período, Campos se utiliza das reflexões de Michel Foucault sobre as relações de poder, buscando pensar as múltiplos locais de dominação e resistência, desde a fábrica e o processo de produção até a vida privada e os sentimentos conjugais, parentais e filias (Cf. CAMPOS, 1988: 17-21). Contudo, as reflexões de Foucault parecem estar mais presentes onde não existe referência direta a ele; quando a autora define sua concepção de história:
A tentativa revolucionária dos anos de 1917 a 1920, além de ter sido esquecida pela historiografia oficial, foi ‘malvista’ pela historiografia marxista (leninista).
Esta postura ligou-se essencialmente ao fato dos libertários terem se negado a criar o partido revolucionário e por não participarem do processo político-eleitoral, estabelecendo alianças com outras camadas sociais. Teoricamente isto é insustentável, a tarefa do historiador é a de fazer da história um uso que a liberte para sempre de qualquer absoluto. Não se pode permitir que a história se deixe levar por nenhuma obstinação e tampouco que se deixe obstinar pela idéia de continuidade. [...] Não existe nada imortal no homem, nada escapa a ter uma história. A história não é um continuum, com um sentido estabelecido, as forças que se encontram em jogo obedecem ao acaso da luta. (CAMPOS, 1988: 23)
Portanto, entendemos que a perspectiva de análise de Campos está muito próxima à de Thompson. Já que a autora se propõe a resgatar as formas organizativas e de resistência do movimento operário, lhes restituindo o significado que tinham em sua época, por meio da descrição detalhada da constituição das classes em luta, evitando julgamentos fundamentos em saberes posteriores. As referências a Foucault feitas pela autora, parecem funcionar muito mais como formar de marcar um lugar distinto, isto é, uma oposição à produção acadêmica anterior, por meio da constituição de outra concepção de história; do que como modelo teórico-metodológico, salvo parcela da análise a respeito do “descenso”.
Logo, é possível notar, que em vez de uma apropriação homogênea das formas de interpretação de Thompson e Foucault, pela historiografia brasileira da década de 1980; ocorreram distintas apropriações das representações de mundo (de história, de classe operária, etc.) que emergem no pensamento daqueles autores, favorecendo mudanças na produção historiográfica sobre o trabalho. Essas apropriações não ocorreram de forma imediata, homogenia ou irrepreensível; não existiu unanimidade entre os intelectuais, muitos rejeitaram e criticaram os historiadores (e acadêmicos em geral) que enveredaram por este outro caminho.
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