Brasília, 2005
E s t u d o E s p e c i a l
Código Brasileiro
de Combustíveis
Confederação Nacional do Comércio Brasília
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Confederação Nacional do Comércio
Código Brasileiro de Combustíveis / Confederação Na-cional do Comércio, Assessoria junto ao Poder Legislativo. – Brasília, 2005.
124 p.
1. Código Brasileiro de Combustíveis. I. Confederação Nacional do Comércio.
Sumário
Apresentação __________________________________________ 5 Conhecimento da proposição ____________________________ 7 Código Brasileiro de Combustíveis – (PL 2.316/2003) ________ 7 Breve Análise de Conteúdo _____________________________ 12 Razões para apoiar o projeto ____________________________ 17 Histórico da tramitação ________________________________ 18 Pensamento da CNC ___________________________________ 19 Ação Parlamentar ____________________________________ 120 Composição da Comissão Especial ______________________ 121 Fontes de Pesquisa ___________________________________ 124
1. Apresentação
A
Confederação Nacional do Comércio, com a finalidade debem informar às suas filiadas sobre projetos de lei de interesse setorial específico, apresenta este Estudo Especial sobre o Código Bra-sileiro de Combustíveis. A criação do Código BraBra-sileiro de Combus-tíveis está proposta no Projeto de Lei no 2.316/2003, de autoria do
Deputado Eduardo Gomes (PSDB/TO), cuja tramitação ocorrerá no âmbito da Comissão Especial destinada a proferir parecer à proposi-ção. A proposta de regulamentação da atividade de importação, ex-portação, industrialização, distribuição e revenda de combustíveis em nosso País, sugerida pelo autor, deverá ser objeto de amplo debate pois altera significativamente a legislação atual.
O autor da proposição, em sua justificativa, afirma que a desorgani-zação do setor permite fraudes como a adulteração de gasolina e a sonegação fiscal: “Essas distorções inviabilizam a competição entre as empresas; reduzem a arrecadação de tributos; desestimulam novos investimentos; lesam o consumidor; e ainda incentivam a corrupção e o crime organizado.”
O projeto, composto por 74 artigos, foi apresentado após o encerra-mento da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), a chamada “CPI dos Combustíveis”. O texto também trata, sem alterações substan-ciais, das atribuições atuais da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
O objetivo deste trabalho é difundir a proposta, permitir consultas dos sindicatos e estimular o debate. O tema é de interesse de todos e mais diretamente da Federação Nacional do Comércio de
Combustí-veis e de Lubrificantes. A CNC, com o Estudo, abre um canal de dis-cussões e de sugestões, colocando-se ao lado das entidades perten-centes aos segmentos afetados pela matéria, inclusive para a realiza-ção de arealiza-ção parlamentar no momento adequado.
Brasília, Outubro de 2005
LUIZ GIL SIUFFO PEREIRA
Diretor da Confederação Nacional do Comércio – CNC Presidente da Federação Nacional do Comércio Varejista de Combustíveis e de Lubrificantes – Fecombustíveis
2. Conhecimento da proposição
A Confederação Nacional do Comércio (CNC) tomou conhecimento da apresentação, em 16 de outubro de 2003, do Projeto de Lei no
2.316/2003, de autoria do Deputado Eduardo Gomes (PSDB/TO), que estabelece normas para proteção do consumidor de combustíveis e Gás GLP. Define critérios para importação, exportação, distribuição, revenda varejista e retalhista, formulação de combustíveis líquidos. Obriga a adição de marcador aos Produtos de Marcação Obrigatória (PMC). Define infração e fixa penalidades.
Como a proposta tramita como projeto de código, a Câmara instalou comissão especial que emitirá parecer sobre sua admissibilidade e mérito. Se aprovado, o texto será analisado pelo Plenário.
3. Código Brasileiro de
Combustíveis
PL n
o2.316/2003
Autor: Deputado Eduardo Gomes (PSDB/TO)
Estabelece o Código Brasileiro de Combustíveis e dá outras providên-cias. Cria normas para proteção do consumidor de combustíveis e Gás GLP. Define critérios para importação, exportação, distribuição, revenda varejista e retalhista, formulação de combustíveis líquidos. Obriga a adição de marcador aos Produtos de Marcação Obrigatória (PMC). Define infração e fixa penalidades.
Princípios e objetivos
Art. 1o Esta Lei estabelece normas de proteção dos interesses dos
con-sumidores de combustíveis líquidos derivados de petróleo, álcool combustível, solventes e demais combustíveis automotivos, quanto a preço, qualidade e oferta de produtos, bem como requisitos mínimos de caráter econômico e social para ingresso na atividade de distribui-ção, revenda varejista e retalhista, exportação e importação.
Art. 2o Aplica-se, sem prejuízo do estabelecido nesta Lei, aos
consu-midores de combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo, álcool combustível, solventes e demais combustíveis automotivos, as disposições da Lei no 8.078, de 11 de setembro de 1990, inclusive
quanto à obrigatoriedade de reparação dos danos aos consumidores. Art. 3o A Agência Nacional do Petróleo (ANP), além das atribuições
contidas na Lei no 9.478, de 6 de agosto de 1997, é responsável pela
implementação e fiscalização desta Lei, em especial no que se refere: I – às condições econômicas, técnicas, operacionais, jurídicas e fis-cais para ingresso e permanência nas atividades de distribuição, re-venda varejista e retalhista, importação e exportação de combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo, álcool combustível, solventes e demais combustíveis automotivos;
II – à ordenação e disciplinamento da exploração e execução das ati-vidades e dos serviços autorizados e do uso e operação dos respecti-vos estabelecimentos, instalações e equipamentos, inclusive estabele-cimento de cotas de comercialização de produtos;
III – à especificação e qualidade técnicas de bens e produtos, assim como à produção, aquisição, uso, destinação, transferência, forneci-mento e comercialização;
IV – ao desenvolvimento, aperfeiçoamento, transferência, utilização, adoção e divulgação de tecnologias adequadas.
Art. 4o As autorizações, habilitações e registros, serão outorgadas pela
ANP, nos termos desta Lei, a pessoa jurídica constituída de acordo com as leis brasileiras.
Definições
Art. 5o Para os fins desta Lei e de sua regulamentação, ficam
estabele-cidas as seguintes definições:
I – GLP: conjunto de hidrocarbonetos com três ou quatro átomos de carbono (propano, propeno, butano e buteno), podendo apresentar-se isoladamente ou em mistura entre si e com pequenas frações de outros hidrocarbonetos, conforme especificação constante da legisla-ção vigente.
II – Gás Natural: todo hidrocarboneto que permaneça em estado ga-soso nas condições atmosféricas normais, extraído diretamente a par-tir de reservatórios petrolíferos ou gaseíferos, incluindo gases úmi-dos, secos, residuais e gases raros.
III – Gás Natural Veicular (GNV): mistura combustível gasosa, tipica-mente proveniente do gás natural e biogás, destinada ao uso veicular e cujo componente principal é o metano, observadas as especificações estabelecidas pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).
IV – Solventes: produtos líquidos derivados de frações resultantes do processamento de petróleo, frações de refinaria e de indústria petro-química, bem como frações resultantes do processamento de carvão, utilizados como dissolventes de substâncias sólidas e líquidas sem que ocorra reação química que altere a constituição molecular dessas substâncias, resultando em solução dispersa e uniforme ou solução verdadeira.
V – Movimentação: movimentação ou transporte de combustíveis lí-quidos derivados de petróleo, álcool combustível, solventes e demais combustíveis automotivos e GLP, em meio ou percurso considerado de interesse geral.
VI – Gasolina A: é aquela produzida no País, importada ou formulada pelos agentes econômicos autorizados para cada caso, isenta de com-ponentes oxigenados.
anidro combustível, nas proporções e especificações definidas pela legislação em vigor e que atenda ao Regulamento Técnico da ANP. VIII – Óleo combustível: óleos residuais de alta viscosidade, obtidos do refino do petróleo ou por meio da mistura de destilados pesados com óleos residuais de refinaria, utilizados como combustível em equi-pamentos destinados à geração de calor ou em equiequi-pamentos desti-nados a produzir trabalho a partir de uma fonte térmica.
IX – Óleo Diesel: compreende os óleos diesel tipos B, D e marítimo. X – Óleo Diesel Automotivo Metropolitano: o produzido no País, importado ou formulado pelos agentes econômicos autorizados para cada caso conforme características constantes no Regulamento Téc-nico, para comercialização nos municípios estabelecidos pelo Minis-tério do Meio Ambiente, nos termos de regulamento da ANP.
XI – Óleo Diesel Automotivo Interior: o produzido no País, importa-do ou formulaimporta-do pelos agentes econômicos autorizaimporta-dos para cada caso conforme características constantes em Regulamento Técnico da ANP, para comercialização nos demais municípios do País. XII – Óleo Diesel Marítimo: o produzido no País, importado ou for-mulado pelos agentes econômicos autorizados conforme característi-cas constantes de Regulamento Técnico da ANP e destinado para uso em embarcações.
XIII – Produtor: o agente autorizado pela ANP (refinarias, centrais de matérias-primas petroquímicas e formuladores) a produzir gasolina automotiva, óleo diesel, GLP e solventes.
XIV – Importador: empresa de comércio exterior autorizada pela ANP a exercer a atividade de importação dos produtos de que trata esta Lei.
XV – Ponto de fornecimento: local de entrega, pelo produtor ou im-portador, ao adquirente, dos produtos de que trata esta Lei.
XVI – Marcador: substância que permita, através dos métodos analíti-cos estabelecidos pela ANP, a identificação de adulterações na
gasoli-na e que, ao ser adiciogasoli-nada aos Produtos de Marcação Compulsória (PMC), em concentração não superior a 1 ppm, não altere suas carac-terísticas físicoquímicas, e não interfira no grau de segurança para manuseio e uso desses produtos.
XVII – Produtos de Marcação Compulsória (PMC): solventes, deriva-dos de petróleo e outros combustíveis indicaderiva-dos pela ANP.
XVIII – Álcool Etílico Anidro Combustível (AEAC): produzido no País ou importado pelos agentes econômicos autorizados para cada caso, conforme características constantes no Regulamento Técnico, destinado aos Distribuidores para mistura com a gasolina A para for-mulação da gasolina C.
XIX – Álcool Etílico Hidratado Combustível (AEHC): produzido no País ou importado por agentes econômicos autorizados para cada caso, conforme características constantes no Regulamento Técnico da ANP, para utilização como combustível em motores de combustão interna de ignição por centelha.
XX – Biodiesel: combustível renovável, produzido a partir de óleos de origem vegetal ou animal e álcool, a ser utilizado em misturas com óleo diesel.
XXI – Qualidade dos combustíveis: a qualidade mínima necessária ao bom desempenho dos produtos, definida por um conjunto de carac-terísticas técnicas, e seus respectivos limites.
XXII – Tancagem: conjunto de reservatórios metálicos com caracte-rísticas específicas utilizado para armazenamento de petróleo e seus derivados.
XXIII – Gasolina de aviação: combustível derivado de petróleo, com faixa de destilação entre 40º e 170ºC aproximadamente, constituído por uma mistura complexa de hidrocarbonetos provenientes princi-palmente do processo de alquilação destinado ao consumo de moto-res alternativos do ciclo OTTO utilizados em aeronaves.
XXIV – Querosene de aviação: combustível derivado de petróleo, com faixa de destilação entre 150º e 300ºC aproximadamente, constituído
principalmente de hidrocarbonetos parafínicos destinado ao consu-mo de consu-motores de aeronaves turbinados a gás.
4. Breve análise de conteúdo
A regulamentação da atividade de importação, exportação, industria-lização e distribuição de combustíveis no País mudará, se o Congres-so aprovar o Projeto de Lei no 2.316/2003. A proposta, de autoria do
Deputado Eduardo Gomes (PSDB/TO), cria o Código Brasileiro de Combustíveis.
O Deputado afirma que a desorganização do setor permite fraudes como a adulteração de gasolina e a sonegação fiscal. “Essas distorções inviabilizam a competição entre as empresas; reduzem a arrecadação de tributos; desestimulam novos investimentos; lesam o consumidor; e ainda incentivam a corrupção e o crime organizado.”
Para o consumidor, além da qualidade dos produtos, o preço é extre-mamente relevante. O Deputado diz que a situação atual do setor gera diversos problemas como: a cartelização; distorções nos preços de mercado pela obtenção de liminares; a sonegação; a atuação de clandestinos; e o roubo de cargas.
Apresentado após a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos combustíveis, no fim de 2003, o projeto de 74 artigos detalha, sem alterações substanciais, as atribuições atuais da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíves (ANP) no mercado de com-bustíveis. A agência continuaria com poderes para autorizar ou não empresas que se proponham a explorar o setor, para especificar pa-drões de qualidade dos combustíveis e aplicar penalidades.
Multas diferenciadas
O código traz como novidade o escalonamento das multas. A empre-sa que vender combustível adulterado, por exemplo, receberá multa de R$ 5 milhões. Caso seja revendedora, esse valor será reduzido para R$ 20 mil.
Em todas as penalidades previstas, as multas para os revendedores seriam bem mais baixas do que as das outras empresas. Pela legisla-ção em vigor, as multas impostas pela ANP no setor de combustíveis variam de R$ 20 mil a R$ 5 milhões e são graduadas de acordo com a gravidade da infração, a vantagem obtida, o porte da empresa e seu histórico de reincidências.
Outra alteração é que a ANP poderia aplicar multas contra empresas do setor que sonegarem impostos. Essa competência, pela legislação em vigor, compete às receitas federal, estaduais e municipais.
O projeto de código acrescenta o confisco de receitas às penalidades existentes e reduz o direito de defesa dos supostos infratores. Atual-mente, já existem penas de interdição, suspensão ou cancelamento de registro do estabelecimento, entre outras.
Importação e exportação
O projeto estabelece que a importação e exportação de petróleo de-penderão de autorização da ANP, nos termos de regulamento, mas não indica qual seria. A autorização para essas atividades será conce-dida em caráter precário. O cancelamento ocorrerá se houver extinção ou falência da pessoa jurídica; no caso de infração dos dispositivos do projeto; ou se a própria empresa o requerer.
Pela legislação atual, as atividades poderão ser exercidas por empre-sas ou consórcio de empreempre-sas constituídas sob as leis brasileiras, com sede e administração no País. Elas deverão seguir as diretrizes do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), especialmente as previstas na Lei no 8.176/91, que trata de crimes contra a ordem
O plano anual de estoques estratégicos deveria ser encaminhado anual-mente ao Congresso, com a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), mas isso nunca aconteceu.
Qualidade
De acordo com o projeto, a formulação de gasolina A, C e “premium” e de óleo diesel a partir de correntes de hidrocarbonetos somente poderá ser feita por empresa com sede no País, constituída sob as leis brasileiras. O formulador deverá certificar a qualidade do produto em laboratório próprio e usar matéria-prima de fornecedores autoriza-dos pela ANP.
A proposta determina, para controle de qualidade e procedência, o uso de marcadores em combustíveis nacionais ou importados. O marcador é uma substância química adicionada ao combustível, sem alterar sua característica, que serve para identificar sua origem. Essa substância tem fórmula única e exclusiva para cada distribuidora. “A ANP poderá, a qualquer tempo e com ônus próprio, submeter as refinarias, centrais de matérias-primas petroquímicas, formuladores e distribuidores a auditoria de qualidade, a ser executada por entida-des credenciadas pelo INMETRO, sobre os procedimentos e equipa-mentos de medição que tenham impacto sobre a qualidade e a confiabilidade dos serviços descritos nesta Lei.
As refinarias, centrais de matérias-primas petroquímicas, importado-res e formuladoimportado-res de óleo diesel automotivo deverão manter sob sua guarda, pelo prazo mínimo de dois meses a contar da data da comercialização do produto, uma amostra-testemunha do produto comercializado armazenado em embalagem lacrada e acompanhado de Certificado de Qualidade para fins de fiscalização.”
Os fornecedores também deverão apresentar, mensalmente, dados sobre a comercialização dos combustíveis, especialmente quanto aos preços praticados e a quantidade vendida.
As medidas servem para detectar combustíveis adulterados e coibir a sonegação de impostos e práticas contra a livre concorrência.
Defesa do consumidor
O projeto determina expressamente que os revendedores varejistas deverão “atender à demanda do consumidor, não retendo estoque de produtos no posto revendedor”. Essa prática já é considerada crime contra a ordem econômica.
Outro dispositivo obriga refinarias, centrais petroquímicas de maté-rias-primas, importadores e formuladores de gasolinas automotivas a manter, pelo prazo mínimo de dois meses, uma amostra-testemunha do produto comercializado. Esse expediente permitiria que a ANP checasse o teor dos combustíveis que as empresas colocam no mercado.
Segurança
As empresas fiscalizadas pela agência, segundo o projeto, estarão obri-gadas a adotar procedimentos especiais para prevenção de acidentes e comunicar as ocorrências à ANP e aos demais órgãos competentes. Dessa forma, as empresas deverão notificar, por exemplo, eventos que impliquem risco ou dano ao meio ambiente e à saúde humana, fatalida-des ou ferimentos graves em pessoal próprio, terceiros ou populações. São caracterizados incidentes pelo projeto, quaisquer ocorrências decorrentes de fato ou ato intencional ou incidental, envolvendo: I – risco de dano ao meio ambiente e à saúde humana;
II – dano ao meio ambiente ou à saúde humana;
III – prejuízos materiais ao patrimônio próprio ou de terceiros; IV – ocorrência de fatalidades ou ferimentos graves em pessoal pró-prio, terceiros ou populações;
V – interrupção das operações da unidade ou instalação por mais de 24 horas.
Fiscalização, infrações e penalidades
O Deputado afirma que o processo de fiscalização abrangerá os pro-dutos, as instalações físicas, sua construção e operação, equipamen-tos, tecnologias, estudos, registros e documentos relacionados com a execução das atividades reguladas. A ANP tem poder fiscalizador onde inclui a decretação de medidas cautelares para prevenir ou eliminar danos a bens jurídicos tutelados.
A apuração das infrações dar-se-á em processos administrativos que conterão os elementos suficientes para determinar a sua natureza, a individualização e a gradação da penalidade, assegurados o direito de ampla defesa e o contraditório.
Para se aplicar as penalidades, as infrações serão classificadas de acordo com o seu potencial ofensivo em gravíssimas, graves, médias e leves, nos termos de regulamento.
Conclusão
O setor de combustíveis representa um importante segmento da eco-nomia brasileira. O projeto em questão pretende incluir um conjunto de preceitos em busca da qualidade dos combustíveis, dos direitos dos consumidores, e do combate à concorrência desleal no setor. A comercialização de combustível no Brasil representa um faturamento considerável por ano (em torno de 8% do PIB). Por isso, deve-se co-locar em prática, políticas reguladoras que viabilizem a organização do setor, evitando fraudes como a adulteração de gasolina e a sonega-ção fiscal.
A proposta criará normas de proteção aos consumidores de combus-tíveis automotivos, quanto a preço, qualidade e oferta de produtos,
bem como requisitos de caráter econômico e social para dar entrada na atividade de distribuição, revenda varejista e retalhista, exporta-ção e importaexporta-ção.
5. Razões para apoiar o projeto
O Projeto de Lei no 2.316, de 2003, de autoria do Deputado Eduardo
Gomes (PSDB/TO), trata do Código Brasileiro de Combustíveis, como foco no consumidor e ênfase na fiscalização e punição de responsá-veis por delitos na indústria do petróleo.
A posição da Federação Nacional do Comércio Varejista de Combus-tíveis e de Lubrificantes (FECOMBUSTÍVEIS), em “tese”, é favorável a todo e qualquer projeto que tenha por objetivo final o combate às práticas ilícitas que comprometem a normalidade do mercado. Nesse sentido, o Projeto de Lei no 2.316, de 2003, merece o apoio da
Fecom-bustíveis e da CNC.
Todavia, a Fecombustíveis não abre mão do exame detalhado do jeto, dispositivo a dispositivo, e da participação ativa durante o pro-cesso de debate que se seguirá. De pronto, pode-se afirmar que a Fecombustíveis jamais permitirá que alguns limites sejam ultrapassa-dos. Esses limites são aqueles estabelecidos pela moldura legal da Lei no 9478, de 1997.
Conceitos básicos da Lei no 9.478, de 1997, deverão ser recepcionados
pela Lei que derivar do projeto em questão, pois são eles, em última análise, que definem os limites de atuação de cada um dos agentes desse mercado.
Nesta linha de raciocínio, alguns dispositivos do Projeto de Lei no
2.316, de 2003 talvez careçam de reparos, para se evitar que novas interpretações sejam dadas a conceitos claros e consagrados desde
1997. Nada, entretanto, que coloque a Fecombustíveis ou a CNC em posição oposta aos objetivos maiores propostos pelo Deputado Eduar-do Gomes. A distinção entre comercialização no atacaEduar-do e no varejo é um dos deles, pois ela deve permear a linha central do projeto. A Fecombustíveis e a CNC participarão ativamente dos debates na Comissão Especial criada pela Câmara dos Deputados para tratar do Código Brasileiro de Combustíveis. E o farão com autonomia, profissionalização e dedicação que lhes são peculiares em trabalhos dessa natureza.
6. Histórico da tramitação
16/10/2003 – MESA – CD (Mesa Diretora da Câmara dos Deputa-dos)
Apresentação na Câmara dos Deputados do Projeto de Lei no 2.316/
2003, de autoria do Deputado Eduardo Gomes (PSDB/TO). A propo-sição cria o Código Brasileiro de Combustíveis.
7/11/2003 – MESA – CD (Mesa Diretora da Câmara dos Deputados) Despacho inicial à CTASP, CDC, CDEIC, CME, CFT e CCJC
27/5/2004 – MESA - CD (Mesa Diretora da Câmara dos Deputados) Criada Comissão Especial.
18/4/2005 – A Câmara instalou comissão especial que emitirá pare-cer sobre sua admissibilidade e mérito. Se aprovado, o texto será ana-lisado pelo Plenário.
7. Pensamento da CNC
Exp. DJ-167, de 20.MAIO.2005
SG-CNC
PL n
o2.316, de 2003, do Sr. Eduardo Gomes
Rio de Janeiro, 27 de maio de 2005
RELATÓRIO
Por determinação da nossa Secretaria Geral, apud Chefia de Gabinete da Presidência, é-nos encaminhado o presente expediente para exa-me do Projeto de Lei no 2.316, de 2003, e concomitante
posiciona-mento desta Divisão Jurídica, sobre a matéria. A respeito, passamos a expor.
PARECER
Composto por 74 artigos, apresentado à Mesa Diretora da Câmara dos Deputados aos 16 de outubro de 2003, e de autoria do Senhor Eduardo Gomes (do PSDB/TO), o Projeto de Lei no 2.316, de 2003,
dispõe sobre a criação do Código Brasileiro de Combustíveis (e dá outras providências), estabelecendo normas de proteção dos interes-ses dos consumidores de combustíveis líquidos derivados de petró-leo, álcool combustível, solventes e demais combustíveis automotivos, quanto a preço, qualidade e oferta de produtos, bem como requisitos mínimos de caráter econômico e social para ingresso na atividade de
distribuição, revenda varejista e retalhista, exportação e importação. É o que se depreende de seu art. 1o (CAPÍTULO I – Dos Princípios e Objetivos).
Independentemente dos comentários que se seguem, vale informar, desde já, que, se aprovado o PL em questão – quando passará a Lei –, as suas disposições (como a seguir mencionadas) entrarão em vigor na data de sua publicação (art. 74), independentemente das disposi-ções emanadas do nosso CDC (Lei no 8.078, de 11 de setembro de
1990), inclusive quanto à obrigatoriedade de reparação dos danos causados aos consumidores. E será responsável pela implementação e fiscalização da Lei que vier a ser sancionada, a Agência Nacional de Petróleo (ANP).
Segundo o Senhor Eduardo Gomes, autor do presente PL, ocorreu-lhe a apresentação dessa sua Proposição (segundo ele, de fundamen-tal importância para a nossa Economia), porque, somente assim, se procederia a levantamentos de distorções e apurações de práticas delituosas, além de imposição de punição aos responsáveis. Isto, sem se levar em conta, ainda, o aprimoramento da legislação para adequá-la às necessidades do consumidor brasileiro de combustíveis.
Para o Senhor Eduardo Gomes, a abertura desse mercado de combus-tível, no Brasil, é relativamente recente, uma vez ter-se iniciado em 1995, com a promulgação da Emenda Constitucional no 9, e, em 1997,
através da Lei no 9.478, de 6 de agosto de 1997, quando foi definida,
então, a Política Energética Nacional, as atividades relativas ao mo-nopólio do petróleo, instituído o Conselho Nacional de Política Energética e criada a Agência Nacional do Petróleo, para regular o mercado.
E foi com base nessas suas razões, por fim, que foi apresentado à Mesa Diretora da Câmara dos Deputados o presente Projeto de Lei no
2.316/2003 (objeto destes nossos comentários), atribuindo-se à Agên-cia Nacional de Petróleo, todo o seu gerenAgên-ciamento – como a seguir discorrido.
No tocante, então, à implementação desse novo Diploma, frente à responsabilidade atribuída à ANP, a esta Agência incumbirá se
pro-nunciar, se aprovado o presente PL, sobre as condições econômicas, técnicas, operacionais, jurídicas e fiscais para ingresso e permanência nas atividades de distribuição, revenda varejista e retalhista, importa-ção e exportaimporta-ção de combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo, álcool combustível, solventes e demais combustíveis automotivos; sobre a ordenação e disciplinamento da exploração e execução das atividades e dos serviços autorizados e do uso e opera-ção dos respectivos estabelecimentos, instalações e equipamentos, inclusive estabelecimento de cotas de comercialização de produtos; sobre a especificação e qualidade técnicas de bens e produtos, assim como à produção, aquisição, uso, destinação, transferência, forneci-mento e comercialização; e sobre o desenvolviforneci-mento, aperfeiçoamen-to, transferência, utilização, adoção e divulgação de tecnologias ade-quadas.
Quanto às autorizações, habilitações e registros, estes serão outorga-dos também pela ANP (nos termos da Lei), a pessoas jurídicas cons-tituídas de acordo com as leis brasileiras, obedecendo-se as defini-ções que se seguem, e que aqui as declinamos a título de informação e ilustração.
Dentro desse contexto, e segundo disposto nos incisos que compõe o seu art. 5o, fica definido como GLP, o conjunto de hidrocarbonetos
com três ou quatro átomos de carbono (propano, propeno, butano e buteno), podendo apresentar-se isoladamente ou em mistura entre si e com pequenas frações de outros hidrocarbonetos, conforme especificação constante da legislação vigente; como Gás Natural, todo hidrocarboneto que permaneça em estado gasoso nas condições at-mosféricas normais, extraído diretamente a partir de reservatórios petrolíferos ou gaseíferos, incluindo gases úmidos, secos, residuais e gases raros; como Gás Natural Veicular (GNV), mistura combustí-vel gasosa, tipicamente proveniente do gás natural e biogás, destina-da ao uso veicular e cujo componente principal é o metano, observa-das as especificações estabeleciobserva-das pela ANP; como Solventes, pro-dutos líquidos derivados de frações resultantes do processamento de petróleo, frações de refinaria e de indústria petroquímica, bem como frações resultantes do processamento de carvão, utilizados como
dissolventes de substâncias sólidas e líquidas sem que ocorra reação química que altere a constituição molecular dessas substâncias, re-sultando em solução dispersa e uniforme ou solução verdadeira; como Movimentação, movimentação ou transporte de combustíveis líqui-dos derivalíqui-dos de petróleo, álcool combustível, solventes e demais combustíveis automotivos e GLP, em meio ou percurso considerado de interesse geral; como Gasolina A, a gasolina produzida no País, importada ou formulada pelos agentes econômicos autorizados para cada caso, isenta de componentes oxigenados; como Gasolina C, aque-la constituída de gasolina A e álcool etílico anidro combustível, nas proporções e especificações definidas pela legislação em vigor e que atenda ao Regulamento Técnico da ANP; como Óleo combustível, os óleos residuais de alta viscosidade, obtidos do refino do petróleo ou por meio da mistura de destilados pesados com óleos residuais de refinaria, utilizados como combustível em equipamentos destinados à geração de calor ou em equipamentos destinados a produzir traba-lho a partir de uma fonte térmica; como Óleo Diesel, aquele compreen-dido pelos óleos diesel tipos B, D e marítimo; como Óleo Diesel Automotivo Metropolitano, o produzido no País, importado ou for-mulado pelos agentes econômicos autorizados para cada caso con-forme características constantes no Regulamento Técnico, para co-mercialização nos municípios estabelecidos pelo Ministério do Meio Ambiente, nos termos de regulamento da ANP; como Óleo Diesel Automotivo Interior, o produzido no País, importado ou formulado pelos agentes econômicos autorizados para cada caso conforme ca-racterísticas constantes em Regulamento Técnico da ANP, para comercialização nos demais municípios do País; como Óleo Diesel Marítimo, o produzido no País, importado ou formulado pelos agen-tes econômicos autorizados conforme características constanagen-tes de Regulamento Técnico da ANP e destinado para uso em embarcações; como Produtor, o agente autorizado pela ANP (refinarias, centrais de matérias-primas petroquímicas e formuladores) a produzir gasolina automotiva, óleo diesel, GLP e solventes; como Importador, a em-presa de comércio exterior autorizada pela ANP a exercer a atividade de importação dos produtos de que trata esta Lei; como Ponto de fornecimento, o local de entrega, pelo produtor ou importador, ao adquirente, dos produtos de que trata esta Lei; como Marcador, a
substância que permita, através dos métodos analíticos estabelecidos pela ANP, a identificação de adulterações na gasolina e que, ao ser adicionada aos Produtos de Marcação Compulsória (PMC), em con-centração não superior a 1 ppm, não altere suas características físico-químicas, e não interfira no grau de segurança para manuseio e uso desses produtos; como Produtos de Marcação Compulsória (PMC), os solventes, derivados de petróleo e outros combustíveis indicados pela ANP; como Álcool Etílico Anidro Combustível (AEAC), aque-le produzido no País ou importado pelos agentes econômicos autori-zados para cada caso, conforme características constantes no Regula-mento Técnico, destinado aos Distribuidores para mistura com a ga-solina A para formulação da gaga-solina C; como Álcool Etílico Hidratado Combustível (AEHC), o produzido no País ou importa-do por agentes econômicos autorizaimporta-dos para cada caso, conforme ca-racterísticas constantes no Regulamento Técnico da ANP, para utili-zação como combustível em motores de combustão interna de igni-ção por centelha; como Biodiesel, o combustível renovável, produzi-do a partir de óleos de origem vegetal ou animal e álcool, a ser utiliza-do em misturas com óleo diesel; como Qualidade utiliza-dos combustí-veis, a qualidade mínima necessária ao bom desempenho dos produ-tos, definida por um conjunto de características técnicas, e seus res-pectivos limites; como Tancagem, o conjunto de reservatórios metá-licos com características específicas utilizado para armazenamento de petróleo e seus derivados; como Gasolina de aviação, o combus-tível derivado de petróleo, com faixa de destilação entre 40 e 170ºC aproximadamente, constituído por uma mistura complexa de hidrocarbonetos provenientes principalmente do processo de alqui-lação destinado ao consumo de motores alternativos do ciclo OTTO utilizados em aeronaves; e, finalizando, como Querosene de avia-ção, o combustível derivado de petróleo, com faixa de destilação en-tre 150º e 300ºC aproximadamente, constituído principalmente de hidrocarbonetos parafínicos destinado ao consumo de motores de aeronaves turbinados a gás.
Relativamente ao Sistema Nacional de Distribuição de Combustíveis, Derivados de Petróleo, de Álcool Combustível, Solventes e demais combustíveis automotivos (matéria que compõe o CAPÍTULO III, do
presente PL), e mais especificamente, à Distribuição em si, fica enten-dido como tal, a aquisição, o armazenamento, a mistura, a aditivação, o transporte, a comercialização e o controle de qualidade dos com-bustíveis líquidos derivados de petróleo, álcool combustível, solventes e demais combustíveis automotivos. Distribuição essa considerada como sendo de utilidade pública, passando a ser exercida, exclusiva-mente, por empresa sediada no País, e organizada de acordo com as leis brasileiras, mediante habilitação e autorização para o exercício da atividade devidamente outorgada pela ANP. Neste caso, incumbirá à ANP regulamentar os requisitos a serem cumpridos para a respecti-va habilitação.
A propósito, vale acrescentar que a habilitação de distribuidor não será concedida a requerente de cujo quadro de administradores, acio-nistas ou sócios, participe pessoa física ou jurídica que, nos 3 (três) anos que antecederam à data do pedido de registro, tenha sido admi-nistrador de empresa que não tenha liquidado débitos e cumprido obrigações decorrentes do exercício de atividade regulamentada pela ANP. E para tal, o interessado deverá preencher uma ficha cadastral apropriada, informando a sua qualificação jurídica e a regularidade fiscal de sua empresa; a sua qualificação técnico-econômica; o proje-to das instalações devidamente certificado por responsável técnico, legalmente habilitado; e a licença ambiental expedida pelo órgão ambiental competente. Afora estas informações, é de se esclarecer que ainda poderão ser solicitados informações e documentos adicionais nos termos do regulamento.
Seguindo-se os trâmites burocráticos como até aqui mencionados, após a declaração de habilitação, a outorga ou autorização dependerá de comprovação, pela pessoa jurídica habilitada, de que possui base pró-pria com instalações de armazenamento e distribuição autorizada a operar pela ANP, com capacidade de tancagem operacional adequada para receber a quantidade mensal de combustíveis líquidos derivados de petróleo, álcool combustível e outros combustíveis ou solventes contratada com o produtor. E a capacidade de tancagem poderá ser complementada com base de armazenamento e distribuição a tercei-ros, mediante autorização prévia da ANP.
Será permitida a transferência de titularidade da autorização para o exercício da atividade de distribuição, mediante prévia e expressa aprovação da ANP, desde que o novo titular satisfaça aos requisitos desta Lei e demais disposições da ANP. E as alterações nos dados cadastrais do distribuidor, inclusive a introdução ou substituição de administradores ou sócios, deverão ser informados à ANP no prazo máximo de 30 dias, a contar da efetivação do ato – o que poderá implicar no reexame da autorização antes outorgada.
Nos termos da Lei (hoje ainda PL), o distribuidor somente poderá adquirir combustível líquido derivado de petróleo, álcool combustí-vel, solventes e demais combustíveis automotivos, quando devida-mente autorizados pela ANP, de fornecedor nacional ou importador; diretamente no mercado externo, no exercício da atividade de impor-tador; e de outro distribuidor.
A autorização para o exercício da atividade de distribuição é outorga-da em caráter precário e será revogaoutorga-da nos casos de extinção outorga-da pes-soa jurídica, judicial ou extrajudicialmente; de decretação de falência da pessoa jurídica; por requerimento do distribuidor; e/ou a qualquer tempo, quando comprovado, em processo administrativo, infração estabelecida nesta lei, garantindo-se a ampla defesa às partes e o di-reito ao contraditório.
Será vedada às distribuidoras a venda direta de combustíveis a consu-midores, exceto às Forças Armadas, a órgãos da administração direta e indireta, federais do Distrito federal e municipais, empresas de trans-porte rodoviário, aéreo, ferroviário e de navegação, bem como postos de abastecimento para consumo próprio. Essa proibição não se apli-cará, todavia, às distribuidoras de GLP.
O contrato de fornecimento de gasolina automotiva, de óleo diesel, de álcool combustível, de solventes e demais combustíveis automo-tivos, celebrado entre o produtor e o distribuidor e suas alterações deverá ser homologado pela ANP. Para tanto, o produtor não poderá dar início ao fornecimento de gasolina automotiva, óleo diesel, álcool combustível, solventes e demais combustíveis automotivos, antes dessa homologação.
As companhias distribuidoras somente poderão construir base de armazenamento, de distribuição, e de envasilhamento, quando se tra-tar de GLP, após aprovação do respectivo projeto e da autorização de construção, pela ANP, nos termos do regulamento vigente.
Serão obrigações do distribuidor, além de outras estabelecidas em ato da ANP: garantir as especificações técnicas determinadas pela ANP quanto à qualidade dos produtos, integridade do recipiente transpor-tável, quando movimentado sob sua responsabilidade ou quando ar-mazenado em instalações próprias; identificar a marca do distribui-dor no veículo utilizado para comercialização; comunicar previamente à ANP as modificações ou ampliações que pretender efetuar em suas instalações; manter serviço “24 horas” de atendimento ao consumi-dor, disponibilizando para tanto telefone cujo número deve constar do rótulo afixado no recipiente transportável; permitir o livre acesso a agentes de fiscalização da ANP ou órgãos conveniados às suas insta-lações, disponibilizando a documentação relativa à atividade de dis-tribuição; e observar e respeitar as normas que regem a ordem econô-mica, a preservação do meio ambiente e a segurança do consumidor. Ficará condicionado à anuência prévia da ANP o fornecimento de solventes, passíveis de uso como combustíveis, para o mercado nacio-nal, pelas centrais petroquímicas e refinarias de petróleo, e as centrais petroquímicas e refinarias de petróleo fornecerão solvente somente para as distribuidoras do produto registradas e devidamente autori-zadas pela ANP, nos termos de regulamento. Neste caso, as distribui-doras de solventes, e as consumidistribui-doras, responderão solidariamente no caso de utilização de solventes, para uso como combustíveis pelos consumidores finais; e a ANP poderá exigir comprovação de regulari-dade fiscal das vendas realizadas por cada agente do mercado, solici-tar outras informações correlatas, ou, ainda, a complementação daque-las já apresentadas, para melhor instrução e análise do pedido de auto-rização.
Periodicamente, a ANP comunicará às centrais petroquímicas e às refinarias de petróleo a quantidade autorizada para cada distribuido-ra de solvente e indústria gdistribuido-rande consumidodistribuido-ra, que deverá ser com-patível com o histórico de vendas, com a comprovação de
compro-missos futuros e informações a respeito então prestadas.
A autorização para fornecimento às distribuidoras de solvente e in-dústrias grandes consumidoras, de quantidades adicionais às origi-nalmente informadas à ANP, estará vinculada à comprovação das ven-das efetivamente realizaven-das, por meio de documentos fiscais e da com-provação dos pedidos de aquisição de produtos. E as distribuidoras de solvente e as indústrias grandes consumidoras informarão à ANP, com periodicidade definida na forma do regulamento, as quantidades totais, inclusive importações, dos solventes que tenham em estoque no último dia de cada mês, podendo essa Agência, ainda, inspecionar os estoques mencionados, por si ou por meio de agentes credenciados. Ficará sujeita à autorização prévia da ANP, a utilização de combustí-veis líquidos ou gasosos não especificados no país, em mistura com hidrocarbonetos ou isoladamente, nos termos do regulamento então vigente, e os procedimentos para utilização, requalificação e inutili-zação de recipientes transportáveis de GLP serão regulamentados (pela ANP), de acordo com as normas técnicas da ABNT.
No tocante à importação, esta ficará sujeita à prévia e expressa auto-rização da ANP, nos termos de seu regulamento, quando do exercício da atividade de importação de GLP, gasolina A, óleo diesel, óleo com-bustível e solventes. Para esta atividade (de importação), a respectiva autorização também deverá ser concedida pela ANP, desde que ela se refira à pessoa jurídica sediada no País, organizada de acordo com as leis brasileiras, e que apresente o requerimento apropriado; este, acom-panhado de documentação e elementos de informação e prova rele-vantes. Será da responsabilidade da ANP, porém, regulamentar os re-quisitos a serem cumpridos para a referida autorização.
No que diz respeito à autorização para importação de gás liquefeito de petróleo, gasolina A, óleo diesel, óleo combustível e solventes, esta será concedida à pessoa jurídica do Produtor, da Empresa de Comér-cio Exterior, e do Distribuidor.
Em todos esses casos, a ANP poderá autorizar a importação de óleo diesel, óleo combustível e solventes, pelo consumidor final que
utili-ze esses produtos na produção de bens ou na prestação de serviços, vedada a sua comercialização. Fica dispensada dessa autorização, a importação de solventes – por pessoas jurídicas – em volume mensal inferior a 35 m3.
Serão submetidas à ANP, também, as autorizações específicas para cada importação de GLP, gasolina A, óleo diesel, óleo combustível e solventes. Mas, o seu Regulamento (da ANP) disporá melhor, dentre outros requisitos, sobre o volume, especificações e país de origem do produto.
A autorização para o exercício da atividade de importação será outor-gada em caráter precário, e será revooutor-gada nos casos de extinção da pessoa jurídica, judicial ou extrajudicialmente; de decretação de fa-lência da pessoa jurídica; por requerimento da empresa autorizada a exercer a importação; e/ou a qualquer tempo, quando comprovada infração nos termos da Lei, em processo administrativo, garantindo-se a ampla defesa às partes e o direito ao contraditório.
Relativamente à exportação de gás liquefeito de petróleo, de gasolina A, de óleo diesel, de óleo combustível, de nafta petroquímica, de que-rosene de aviação e solventes, esta ficará sujeita à prévia e expressa autorização da ANP, nos termos de seu Regulamento. A autorização para o exercício da atividade de exportação será concedida pela Agên-cia à pessoa jurídica sediada no País, organizada de acordo com as leis brasileiras, e que apresente requerimento apropriado acompanhado de documentação e elementos de informação e prova relevantes. A partir daí, a Agência regulamentará os requisitos a serem cumpridos para a respectiva autorização.
Quanto à autorização para exportação de GLP, gasolina A, óleo diesel, óleo combustível, nafta petroquímica, querosene de aviação e solventes, esta será outorgada às pessoas jurídicas do Produtor; à Empresa de Comércio Exterior, que não exerça, cumulativamente, outra atividade regulada pela ANP, exceto de importação. E o abaste-cimento de combustíveis para aeronaves e embarcações com destino ao exterior não se caracteriza como exportação.
Serão submetidas à ANP, ainda, as autorizações específicas para cada exportação de gás liquefeito de petróleo, gasolina A, óleo diesel, óleo combustível, nafta petroquímica, querosene de aviação e solventes. Mas será o Regulamento da ANP que disporá, dentre outros requisi-tos, sobre o volume, as especificações e o país de destino do produto. Neste caso, a sua autorização será outorgada em caráter precário e será revogada nos casos de extinção da pessoa jurídica, judicial ou extrajudicialmente; de decretação de falência da pessoa jurídica; por requerimento da empresa autorizada a exercer a exportação; e a qual-quer tempo, quando comprovada infração a esta Lei, em processo administrativo, garantindo-se a ampla defesa às partes e o direito ao contraditório.
No caso da atividade de revenda varejista, esta consistirá na comer-cialização de combustível automotivo em estabelecimento denomi-nado posto revendedor; na comercialização de GLP em estabeleci-mento denominado posto revendedor de GLP; e na comercialização de GNV em estabelecimento que comercialize este combustível, tam-bém denominado. Para tanto, somente poderá exercer esta atividade (de revenda varejista) a pessoa jurídica constituída sob as leis brasi-leiras que atender, em caráter permanente, que possuir autorização para o exercício dessa atividade expedida pela ANP; e que disponha de posto revendedor com tancagem para armazenamento e equipa-mento medidor de combustível automotivo.
O revendedor varejista, por seu turno, somente poderá adquirir com-bustível se, como pessoa jurídica, estiver autorizada ao exercício des-sa atividade pela ANP. Nesse contexto, é proibido ao Revendedor Va-rejista alienar, emprestar ou permutar, sob qualquer pretexto ou jus-tificativa, combustível com outro revendedor varejista, ainda que o estabelecimento pertença à mesma empresa; condicionar a revenda de combustível ou a prestação de serviço ao consumidor à revenda de outro combustível automotivo ou à prestação de outro serviço; esta-belecer limites quantitativos para revenda de combustível ao consu-midor; e misturar qualquer produto ao combustível. Paralelamente a isto, esse mesmo Revendedor, obriga-se, dentre outras coisas, a ad-quirir combustível no atacado e revendê-lo a varejo; a garantir a
qua-lidade dos combustíveis comercializados, na forma das normas espe-cíficas; a fornecer combustível automotivo somente por intermédio de equipamento medidor, denominado bomba abastecedora, aferida e certificada na forma de regulamento; a fornecer ao consumidor as informações sobre as especificações e preços dos combustíveis comercializados; a informar ao consumidor, de forma clara e ostensi-va, a origem do combustível comercializado e seu preço; a manter notas fiscais de aquisição dos combustíveis comercializados; a aten-der à demanda do consumidor, não retendo estoque de produtos no posto revendedor; e a zelar pela segurança das pessoas e das instala-ções, pela saúde de seus empregados, bem como pela proteção do meio ambiente, conforme legislação em vigor.
A partir do exposto, compete aos postos revendedores, autorizados pela ANP, a revenda de gasolina automotiva, óleo diesel e álcool car-burante aos consumidores automotivos, ficando-lhes facultada a rea-lização, na área ocupada pelo referido posto, de outras atividades co-merciais e de prestação de serviços, sem prejuízo da segurança, saú-de, meio ambiente e do bom desempenho da atividade de revenda varejista, nos termos de regulamento da ANP.
A atividade de revenda varejista de GLP, realizada em estabelecimen-to denominado posestabelecimen-to revendedor de GLP, considerada de utilidade pública, compreende a aquisição, o recebimento, a movimentação e a venda a varejo em recipientes apropriados, definidos em regulamento da ANP, desse combustível, autorizadas pela ANP.
No tocante à revenda varejista de Gás Natural Veicular (GNV), esta deverá abranger a aquisição, o recebimento, o armazenamento, a com-pressão, a movimentação e a venda a varejo, que será realizada em posto revendedor que comercialize este combustível, denominado Revendedor Varejista de GNV, autorizado pela ANP. Fica-lhes faculta-da, porém, a realização, na área ocupada pelo posto revendedor res-pectivo (e que comercialize, exclusivamente, o GNV), de outras ati-vidades comerciais e de prestação de serviços, sem prejuízo da segu-rança, do respeito ao meio ambiente e do bom desempenho da ativi-dade dessa revenda.
Com relação à atividade de Transportador Revendedor Retalhista (TRR), esta compreenderá a aquisição, o armazenamento, o transpor-te, a comercialização e o controle de qualidade dos combustíveis, e caracterizar-se-á pela aquisição de produtos a granel e sua revenda a retalho, com entrega no domicílio do consumidor. Essa atividade de TRR (exceto quando se tratar de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP)) deverá, ainda, ser realizada por pessoa jurídica constituída sob as leis brasileiras, que possua, em caráter permanente, o registro de TRR, na ANP; a autorização para o exercício da atividade de TRR; e uma base própria de armazenamento, aprovada pela ANP. O referido registro não será concedido ao requerente de cujo quadro de Administrado-res, Acionistas ou Sócios participe pessoa física ou jurídica que, nos três anos que antecederem à data desse pedido de registro, tenha sido administrador de empresa que não tenha liquidado débitos e cumpri-do obrigações decorrentes cumpri-do exercício de atividade regulamentada pela ANP. A transferência da titularidade da mencionada autorização para o exercício da atividade de TRR, será admitida, porém mediante prévia e expressa aprovação da ANP, e desde que o novo titular satis-faça todos os requisitos até aqui citados e devidamente estabelecidos em regulamento.
Concernentemente à atividade de formulação de combustíveis líqui-dos para obtenção de gasolina A, gasolina C, gasolina denominada
premium, e óleo diesel a partir de correntes de hidrocarbonetos, esta
somente poderá ser exercida por pessoa jurídica sediada no País, de-nominada formulador, constituída sob as leis brasileiras, consoante o disposto no art. 5o, da Lei no 9.478, de 6 de agosto de 1997 – também
mediante autorização da ANP, e nos termos do respectivo Regula-mento. Essa autorização, por seu turno, não será concedida ao reque-rente de cujo quadro de administradores, acionistas ou sócios partici-pe partici-pessoa física ou jurídica que, nos três anos que antecederam à data do pedido de registro, tenha sido administrador de empresa que não tenha liquidado débitos e cumprido obrigações decorrentes do exer-cício de atividade regulamentada pela ANP.
Uma vez concedida a mencionada autorização, o formulador obriga-se a atender aos requisitos de qualidade dos produtos, nos termos de
regulamento; e a certificar a qualidade dos produtos formulados em laboratório próprio capaz de realizar os testes e ensaios estabelecidos em regulamento da ANP.
Relativamente às atividades de aquisição de matérias-primas e comercialização de gasolina A, comum, premium, e óleo diesel, o formulador deverá adquirir correntes de hidrocarbonetos para for-mulação de gasolina A e óleo diesel, exclusivamente de fornecedores exclusivos e previamente autorizados pela ANP, tais como: refinarias; centrais petroquímicas; outros formuladores; produtores de solventes; empresas autorizadas a importar petróleo e seus derivados; ou impor-tadores dos produtos.
A gasolina A, por sua vez, somente poderá ser comercializada – com exclusividade – com distribuidores de combustíveis automotivos; re-finarias autorizadas; centrais petroquímicas; outros formuladores tam-bém autorizados previamente pela ANP; empresas exportadoras de petróleo e seus derivados; ou exportadores. O mesmo deverá ocorrer com a comercialização do óleo diesel, que, com exclusividade, so-mente poderá ser comercializado com os distribuidores de combustí-veis automotivos autorizados pela ANP; refinarias autorizadas pela ANP; centrais petroquímicas; outros formuladores autorizados pela ANP; empresa que utilizar o óleo diesel exclusivamente para consu-mo próprio na produção de bens ou prestação de serviços, considera-da como consumidor final; empresas autorizaconsidera-das pela ANP a expor-tar petróleo e seus derivados; ou exporexpor-tar mediante prévia e expressa autorização da ANP. Nestes casos específicos, o consumidor final po-derá ser auditado pela ANP, ou por empresa por ela designada, com o objetivo de verificar seu histórico de consumo e a destinação do óleo diesel adquirido do formulador, e o formulador somente poderá utili-zar correntes de matérias-primas de sua propriedade, sendo proibida a atividade de prestação de serviços de formulação a terceiros. Ainda com relação ao formulador, este também não poderá exportar ou comercializar no mercado interno as correntes de hidrocarbonetos adquiridas como matéria-prima para formulação de gasolina ou óleo diesel.
especifica-mente, à especificação e qualidade desses produtos e serviços, as especificações dos combustíveis líquidos e gasosos derivados de pe-tróleo, álcool combustível, solventes e demais combustíveis automo-tivos serão estabelecidos em regulamento da ANP, ficando sob autori-zação prévia dessa Agência a utiliautori-zação de combustíveis líquidos ou gasosos não especificados no País, nos termos do regulamento. É de se registrar, ainda, que é obrigatória a adição de Marcador aos Produtos de Marcação Obrigatória – PMC, tanto pelos produtores nacionais como pelos importadores, nos termos da Lei – objeto do PL aqui comentado – e do Regulamento da ANP. A marcação de PMC importado deverá ocorrer no local e no momento de sua internação no País; e os custos de aquisição dos marcadores e dos serviços neces-sários a sua disponibilidade nos pontos de marcação são de responsa-bilidade do produtor e da empresa de comércio exterior. Os contratos de fornecimento do Marcador deverão contemplar uma cláusula de exclusividade e confidencialidade sobre o tipo e as concentrações uti-lizadas para o mercado brasileiro; e a adição de marcador em PMC, produzidos no País ou importados, será realizada por firma inspetora contratada pela ANP.
Sobre este assunto, o produtor e a empresa de comércio exterior de-verão apresentar, mensalmente, nos termos de regulamento da ANP, os dados relativos à comercialização de gasolinas A e A Premium, óleo diesel automotivo metropolitano e interior, óleo diesel marítimo, gás liquefeito de petróleo e querosene de aviação, discriminando os pre-ços de venda máximo, mínimo e médio ponderado do produto nacio-nal, nos pontos de fornecimento, indicando a condição de comercia-lização, e os correspondentes volumes comercializados; e os preços de venda máximo, mínimo e médio ponderado do produto importa-do, nos pontos de fornecimento, indicando a condição de comerciali-zação e os correspondentes volumes comercializados.
As refinarias, centrais petroquímicas de matérias-primas, importado-res e formuladoimportado-res de gasolinas automotivas deverão manter sob sua guarda, pelo prazo mínimo de dois meses a contar da data da comercialização do produto, uma amostra-testemunha do produto comercializado, armazenado em embalagem lacrada e acompanhada
de Certificado de Qualidade, disponível para fiscalização. O Certifi-cado de Qualidade do produto comercializado, por seu turno, deverá ser firmado pelo químico responsável pelas análises laboratoriais efe-tivadas, com indicação legível de seu nome e número da inscrição no órgão de classe.
Durante o prazo acima assinalado (mínimo de dois meses, a contar da data da comercialização do produto), a amostra-testemunha e o respectivo Certificado de Qualidade deverão ficar à disposição da ANP para qualquer verificação julgada necessária. A documentação fiscal referente a essas operações (comercialização e transferência de gaso-linas automotivas, realizadas pelas refinarias, centrais petroquímicas de matérias-primas, importadores e formuladores), deverá ser acom-panhada de cópia legível do respectivo Certificado de Qualidade, ates-tando que o produto comercializado atende à especificação estabele-cida no Regulamento Técnico da ANP; e, da mesma forma, às gasoli-nas geradas pelas refinarias, pelas centrais petroquímicas, pelo formulador e àquelas importadas somente poderão ser incorporada álcool etílico anidro, aditivos e corantes nos teores e especificações estabelecidos pela legislação em vigor. E as adições de produtos à gasolina automotiva, quando for o caso, serão prerrogativa exclusiva do Distribuidor de Combustíveis Líquidos Derivados do Petróleo, Álcool Combustível e Outros Combustíveis Automotivos, ficando vedado ao distribuidor vender gasolina que não seja do tipo C, que deverá certificar a qualidade da gasolina C após a adição obrigatória de álcool etílico anidro em amostra representativa do produto a ser entregue ao Revendedor Varejista, e emitir o Boletim de Conformida-de eviConformida-denciando a sua massa específica, e os itens especificados da destilação. O Boletim de Conformidade, daí decorrente, deverá ser assinado pelo responsável técnico pelas análises laboratoriais efetiva-das, com indicação legível de seu nome e número da inscrição no órgão de classe. E, na impossibilidade de coletar amostra em tanque de gasolina C, a certificação referida será realizada em amostra com-posta pela gasolina A, coletada no tanque que abastece o caminhão-tanque e álcool etílico anidro, nas proporções definidas pela legisla-ção em vigor.
O mencionado Boletim de Conformidade (da gasolina C) deverá acom-panhar a documentação fiscal de comercialização do produto em toda remessa do mesmo ao Posto Revendedor, sendo responsabilidade ex-clusiva do Distribuidor garantir que a qualidade da gasolina C conti-da no caminhão-tanque esteja refleticonti-da nos resultados declarados no referido Boletim de Conformidade.
A ANP, por outro lado, e se assim achar conveniente, poderá, a qual-quer tempo e com ônus próprio, submeter as refinarias, centrais de matérias-primas petroquímicas, formuladores e distribuidores à au-ditoria de “qualidade à execução”, através de entidades credenciadas pelo INMETRO, sobre os procedimentos e equipamentos de medição que tenham impacto sobre a qualidade e a confiabilidade dos serviços até aqui descritos.
As refinarias, centrais de matérias-primas petroquímicas, importado-res e formuladoimportado-res de óleo diesel automotivo (cada uma por seu tur-no) deverão manter sob sua guarda, pelo prazo mínimo de dois meses – a contar da data da comercialização do produto –, uma amostra-testemunha do produto comercializado armazenado em embalagem lacrada e acompanhado de Certificado de Qualidade para fins de fis-calização. A documentação fiscal (que daí advier) referente às opera-ções de comercialização de óleo diesel automotivo realizadas pelas refinarias, centrais de matérias-primas petroquímicas, importadores e formuladores deverá ser acompanhada de cópia legível do respecti-vo Certificado de Qualidade, atestando que o produto comercializado atende à especificação estabelecida em Regulamento Técnico. O distribuidor de combustíveis líquidos derivados de petróleo certifi-cará a qualidade do óleo diesel a ser entregue ao Transportador Revendedor Varejista (TRR) ou consumidor final, por meio de análi-ses laboratoriais em amostra representativa do produto, emitindo o Boletim de Conformidade devidamente assinado pelo respectivo res-ponsável técnico, com indicação legível de seu nome e número da inscrição no órgão de classe, especificando as características do refe-rido produto, tais como aspecto, cor visual, massa específica, e ponto de fulgor. Será responsabilidade exclusiva do Distribuidor garantir que a qualidade do óleo diesel automotivo carregado no
caminhão-tanque, que teve os tanques lacrados com selo numerado e cujos nú-meros deverão constar da Nota Fiscal, esteja refletida nos resultados declarados no respectivo Boletim de Conformidade.
Nos municípios definidos em regulamento, pelo Ministério do Meio Ambiente, somente poderá ser comercializado o óleo diesel que atenda à especificação do Óleo Diesel Automotivo Metropolitano. Podendo o óleo diesel – que atenda à especificação do Óleo Diesel Automotivo Interior – ser comercializado nas demais regiões. Esse óleo (Automo-tivo Interior) somente poderá ser comercializado pelas refinarias, cen-trais de matérias-primas petroquímicas, formuladores e importado-res depois de adicionado o corante especificado na Tabela III do Re-gulamento Técnico, sendo-lhe proibida a adição de corante.
Quanto à segurança e à comunicação de incidentes, os concessioná-rios e as empresas autorizadas pela ANP a exercer as atividades de distribuição de combustíveis líquidos e gasosos derivados de petró-leo, álcool combustível, solventes e demais combustíveis automotivos deverão adotar procedimentos para prevenção de incidentes, e comu-nicar sua ocorrência à ANP e aos órgãos competentes nas áreas de meio ambiente e saúde, nos termos de regulamento. Para esse efeito, serão “incidentes” quaisquer ocorrências decorrentes de fato ou ato intencional ou incidental, envolvendo risco de dano ao meio ambien-te e à saúde humana; prejuízos maambien-teriais ao patrimônio próprio ou de terceiros; ocorrência de fatalidades ou ferimentos graves em pessoal próprio, terceiros ou populações; e interrupção das operações da unidade ou instalação por mais de 24 horas.
Sobre a fiscalização, e as infrações e penalidades, competirá à ANP, diretamente ou mediante convênios celebrados com órgãos ou enti-dades das administrações públicas diretas e indiretas da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, exercer a fiscalização das atividades relativas a esta Lei e ao abastecimento nacional de com-bustíveis, executadas sob os regimes de autorização, com observância nas disposições até aqui levantadas, e com observância, também, das disposições emanadas da Lei no 9.478, de 1997, derivadas das normas
com-puserem os atos autorizativos, e o que derivar de toda e qualquer legislação aplicável. Essa fiscalização abrangerá os produtos, as insta-lações físicas, sua construção e operação, equipamentos, tecnologias, estudos, registros e documentos relacionados com a execução das ati-vidades reguladas. Essa parte fiscalizadora da ANP, incluirá, ainda, a decretação de medidas cautelares para prevenir ou eliminar danos a bens jurídicos então tutelados, observadas às disposições pertinentes. Os funcionários da ANP, ou de órgãos conveniados, designados para a mencionada fiscalização, serão autoridades competentes para lavrar Auto de Infração e instaurar processo administrativo. A partir daí, qualquer pessoa, constatando infração às disposições da Lei (a qual se refere o PL in comento), poderá dirigir representação à ANP, para efeito do exercício de seu poder de polícia. Esses mesmos funcioná-rios, ou aquele que tiver conhecimento das infrações então aponta-das, serão obrigados a comunicar o fato à autoridade competente, com vistas a sua imediata apuração, sob pena de co-responsabilidade. E, sempre que se fizer necessário para efetivar a sua ação, esse fiscal requisitará o emprego de força policial.
É válido, ainda, aqui registrar, que, no exercício da sua ação, o fiscal terá livre acesso, em qualquer época, à área da autorização, às obras, equipamentos e a instalações utilizados na execução das atividades reguladas, bem assim a livros, mapas, estudos, documentos, dados e registros administrativos, contábeis, técnicos, econômicos e financei-ros relacionados com tais atividades, podendo requisitar informações e esclarecimentos e, ainda, utilizar-se de laudos e de pareceres técni-cos próprios ou de terceiros. Essas infrações serão apuradas em pro-cesso administrativo, e neste deverá conter elementos suficientes para determinar a sua natureza, a individualização e a gradação da penali-dade – assegurados o direito de ampla defesa e o contraditório. Afora todo o discorrido, o PL em questão prevê, também, alguns acrés-cimos e algumas modificações em Atos já existentes e ainda vigentes, e sobre o que, a título elucidativo, passamos ao “Quadro Comparati-vo” que se segue: