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A ÁFRICA NOS TEMPOS DO TRÁFICO ATLÂNTICO

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Academic year: 2021

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A ÁFRICA NOS TEMPOS DO

TRÁFICO ATLÂNTICO

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O ISLÃ CHEGA À ÁFRICA

 A partir do séc. VII, os árabes muçulmanos construíram um grande império na África: Oriente Médio, norte da África até grande parte da Península Ibérica (Europa).

 Presença árabe, no norte da África afastou a presença do Cristianismo dessa área.

 Os árabes que penetraram na África eram tipicamente beduínos, isto é, árabes do deserto.

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 Necessidades econômicas e a promessa de um rico espólio levaram as tribos a alistar-se nas tropas sob a bandeira dos califas.

 Nesse processo de expansão dos árabes em direção à África, razões econômicas se misturaram à motivação religiosa de expandir o islã pelo mundo e organizar a comunidade muçulmana.

 A partir de suas bases no Egito, os árabes conquistaram as tribos berberes do deserto.

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 Povos predominantemente nômades, os berberes eram profundos conhecedores das rotas do comércio transaariano .

 O domínio árabe no norte da África modificou aas relações estabelecidas entre os povos ao norte e ao sul do Deserto do Saara.  Os muçulmanos desenvolveram um volumoso e rico comércio pelo interior do deserto, movimentando as rotas caravaneiras já conhecidas pelos povos berberes e africanos ao sul do Saara.

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 O Deserto do Saara servia de zona de passagem no comércio de caravanas que ligava a região do Sahel, no sul, às cidades do norte e aos portos do Mediterrâneo.

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ÁFRICA NOS TEMPOS DO

TRÁFICO ATLÂNTICO

 A partir do século XV, a história da costa Atlântica africana que vai do Senegal a Angola entrou em contato com os europeus.

 Através do Atlântico se iniciou a formação de uma economia mundial que, obviamente, também incluiu a América. Esse comércio foi responsável pela migração de pessoas.

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 Interesse português: Ouro e escravos, mas também negociavam marfim, pimenta e outros produtos.

 No primeiros tempos, os portugueses utilizavam os escravos para serviços domésticos e para o trabalho nas plantações de cana-de-açúcar das ilhas do mediterrâneo. Não era muito diferente do que faziam os muçulmanos e os reinos africanos.

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 Participação no início: portugueses, ingleses, dinamarqueses , holandeses, franceses e espanhóis.

 O comércio transaariano se manteve, mas os grandes reinos do interior ligados a ele se enfraqueceram. Foi uma disputa entre o camelo e a caravela. Consequência: Quanto mais litorâneos fossem os reinos africanos, mais poderosos se tornariam. Os chefes passaram a ser, antes de tudo, guerreiros e militares, e foi através das rivalidades e guerras entre eles que se produziam escravos.

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FEITORIAS

 Função: Realizar o comércio com os chefes locais, concentrar as mercadorias e diminuir o tempo de estadia dos navios.

 Ao redor das feitorias, tanto europeus quanto africanos construíram casas e criaram mercados, dinamizando o comércio.

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CONSEQUÊNCIAS DAS

FEITORIAS

 Os reis e chefes locais se beneficiavam de tributos e taxas pagos pelas mercadorias negociadas;

 Reinos e cidades se tornaram poderosos: alguns foram invadidos e dominados, justamente por sua posição de destaque ;

 As guerras constantes faziam oscilar o poder – um povo vendedor de escravos podia tornar-se escravizado e vice –versa.

 Pelo sistema de feitorias, foi embarcada a maioria dos escravos destinados às Américas.

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REINO CONGO

 Portugueses tentavam converter os reis africanos: muitos se converteram, mas voltavam as antigas crenças.

 Conversão mais duradoura: Manicongo. Passou a ser chamado de João I. Depois voltou as tradições. Seu filho, D Afonso, levou adiante a conversão ao cristianismo do reino.

 Com a cristianização a organização africana assumiu os moldes da monarquia portuguesa: o reino se aportuguesou (nobreza e instituições políticas.

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 Havia quase sempre um consórcio entre mercadores portugueses e monarcas ou chefes africanos, no qual estes últimos organizavam expedições de captura no interior do território ou escravizavam os prisioneiros de suas guerras para vendê-los aos traficantes lusitanos.  Cumplicidade entre portugueses e o reino de Congo.

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DECLÍNIO DO REINO

CONGO

 As relações entre Congo e Portugal entraram em declínio a partir da segunda metade do século XVI e se deterioraram de fato durante o século XVII.

 Vários reinos dependentes de Congo passaram a comercializar diretamente com os europeus.

 Disputas entre portugueses e congoleses – Vitória portuguesa. A cabeça do rei Antônio I foi levada para Lisboa.

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 No momento da Crise, ocorreu o movimento denominado antoniano de cunho religioso e político, que teve como figura central Kimpa Vita, mulher que dizia ter morrido e ressuscitado como Santo Antônio.

 Ela pregou uma “modalidade remodelada e completamente africanizada do cristianismo.”

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ANGOLA

 Em 1512, os portugueses frequentavam a costa de Ndongo em busca de escravos (tentando fugir das pesadas taxas impostas pelo reino de Congo).

 Rei de Ndongo se denominava ngola – Angola.

 Não tinha exército permanente e era dividido em diversas províncias. Seu poder dependia de alianças e dos interesses dos chefes locais, que muitas vezes se alinhavam aos portugueses – Guerras.

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 Difícil conquista da região, principalmente por que os portugueses morriam facilmente nessa regiões.

 Escravo principal mercadoria da região. Mas comercializavam também: armas de fogo, tecidos, miçangas e pérolas, conchas e búzios, espelho e objetos de vidro. A partir do século XVII, a geribita (cachaça brasileira) passou a ser comercializada.

 Séculos XVII e XVIII: Maior parte de escravos do Brasil procedia dessa região.

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A NGOLA DE NZINGA

 Nzinga teve seu filho herdeiro do trono ngola assassinado, em resposta fugiu e criou um Quilombo em 1617.

 Em 1622, acordos de paz foram propostos e Nzinga seria a embaixatriz em Luanda.

 Mbandi, seu irmão e rei, morreu envenenado supostamente por Nzinga.

 Nzinga tornou-se rainha de Ngola (1624) e enfrentou a dominação Portuguesa quando essa não lhe interessava.

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 Somente em 1656, depois de uma série de negociações , Nzinga assinou acordos de paz, converteu-se ao cristianismo, permitiu a entrada de missionários em seu território, porém não tornou o seu reino tributário de Portugal.

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NO GOLFO DO BENIN

 Habitada por vários povos de línguas e culturas diferentes, com destaque para dois: Língua Iourubá e os de língua Jeje.

 Nessa região não houve a formação de reinos e impérios, Todos conviveram juntos e ao mesmo tempo.

 Região exportadora de escravos. A segunda maior exportadora, depois da região do Congo e de Angola.

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 Unidade linguística de certos povos não lhes trazia uma identidade étnica. Eram as linhagens –os ancestrais reais ou místicos- que

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A SOCIEDADE DE

LINHAGENS

 A partir da organização e da distribuição de bens que uma sociedade produz, percebemos muito do seu carácter, de seus valores e costumes.  Nas sociedades de linhagem da África negra, todos os sistemas sociais baseavam se nas esferas da reciprocidade e da redistribuição, como forma de garantir a coesão, sem direcionar para o comércio, mas sim pra fortalecer as linhas de parentesco, destacando assim o ancião e o jovem produtor.

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 Neste sistema social, o jovem produtor, o qual gera a riqueza para a sociedade através do trabalho e da guerra;

 Subordinado ao ancião de sua linhagem, pois, este impõe a ordem em todas as esferas de sua comunidade, principalmente, no quesito da distribuição dos bens.

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 Esses anciões ostentavam de tanto prestígio e poder, por causa do respeito e do temor coletivo,

Alémde ter o domínio das práticas esotéricas, como magias e medicin a, que propiciam a cura de uma doença, a fertilidade da terra e do homem.

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 Cabia também aos anciãos os casamentos entre as linhagens as obrigações daí decorrentes e os dotes necessários, fortalecendo assim a dependência dos jovens. A autoridade era repassada hereditária, valorizando sempre a linhagem

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 Toda essa estrutura só era perturbada seriamente com a penetração do islamismo, oriundo do norte da África arabizada através do contato dos mercadores negros com os muçulmanos, que se converteram ao islamismo colocando em cheque os saberes tradicionais e as formas de controle aí existentes, a presença do Cristianismo e, também, com a generalização da escravidão por parte dos mercadores, que sugaram a população de homens jovens do continente africano, levando os para o novo mundo

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