A ÁFRICA NOS TEMPOS DO
TRÁFICO ATLÂNTICO
O ISLÃ CHEGA À ÁFRICA
A partir do séc. VII, os árabes muçulmanos construíram um grande império na África: Oriente Médio, norte da África até grande parte da Península Ibérica (Europa).
Presença árabe, no norte da África afastou a presença do Cristianismo dessa área.
Os árabes que penetraram na África eram tipicamente beduínos, isto é, árabes do deserto.
Necessidades econômicas e a promessa de um rico espólio levaram as tribos a alistar-se nas tropas sob a bandeira dos califas.
Nesse processo de expansão dos árabes em direção à África, razões econômicas se misturaram à motivação religiosa de expandir o islã pelo mundo e organizar a comunidade muçulmana.
A partir de suas bases no Egito, os árabes conquistaram as tribos berberes do deserto.
Povos predominantemente nômades, os berberes eram profundos conhecedores das rotas do comércio transaariano .
O domínio árabe no norte da África modificou aas relações estabelecidas entre os povos ao norte e ao sul do Deserto do Saara. Os muçulmanos desenvolveram um volumoso e rico comércio pelo interior do deserto, movimentando as rotas caravaneiras já conhecidas pelos povos berberes e africanos ao sul do Saara.
O Deserto do Saara servia de zona de passagem no comércio de caravanas que ligava a região do Sahel, no sul, às cidades do norte e aos portos do Mediterrâneo.
ÁFRICA NOS TEMPOS DO
TRÁFICO ATLÂNTICO
A partir do século XV, a história da costa Atlântica africana que vai do Senegal a Angola entrou em contato com os europeus.
Através do Atlântico se iniciou a formação de uma economia mundial que, obviamente, também incluiu a América. Esse comércio foi responsável pela migração de pessoas.
Interesse português: Ouro e escravos, mas também negociavam marfim, pimenta e outros produtos.
No primeiros tempos, os portugueses utilizavam os escravos para serviços domésticos e para o trabalho nas plantações de cana-de-açúcar das ilhas do mediterrâneo. Não era muito diferente do que faziam os muçulmanos e os reinos africanos.
Participação no início: portugueses, ingleses, dinamarqueses , holandeses, franceses e espanhóis.
O comércio transaariano se manteve, mas os grandes reinos do interior ligados a ele se enfraqueceram. Foi uma disputa entre o camelo e a caravela. Consequência: Quanto mais litorâneos fossem os reinos africanos, mais poderosos se tornariam. Os chefes passaram a ser, antes de tudo, guerreiros e militares, e foi através das rivalidades e guerras entre eles que se produziam escravos.
FEITORIAS
Função: Realizar o comércio com os chefes locais, concentrar as mercadorias e diminuir o tempo de estadia dos navios.
Ao redor das feitorias, tanto europeus quanto africanos construíram casas e criaram mercados, dinamizando o comércio.
CONSEQUÊNCIAS DAS
FEITORIAS
Os reis e chefes locais se beneficiavam de tributos e taxas pagos pelas mercadorias negociadas;
Reinos e cidades se tornaram poderosos: alguns foram invadidos e dominados, justamente por sua posição de destaque ;
As guerras constantes faziam oscilar o poder – um povo vendedor de escravos podia tornar-se escravizado e vice –versa.
Pelo sistema de feitorias, foi embarcada a maioria dos escravos destinados às Américas.
REINO CONGO
Portugueses tentavam converter os reis africanos: muitos se converteram, mas voltavam as antigas crenças.
Conversão mais duradoura: Manicongo. Passou a ser chamado de João I. Depois voltou as tradições. Seu filho, D Afonso, levou adiante a conversão ao cristianismo do reino.
Com a cristianização a organização africana assumiu os moldes da monarquia portuguesa: o reino se aportuguesou (nobreza e instituições políticas.
Havia quase sempre um consórcio entre mercadores portugueses e monarcas ou chefes africanos, no qual estes últimos organizavam expedições de captura no interior do território ou escravizavam os prisioneiros de suas guerras para vendê-los aos traficantes lusitanos. Cumplicidade entre portugueses e o reino de Congo.
DECLÍNIO DO REINO
CONGO
As relações entre Congo e Portugal entraram em declínio a partir da segunda metade do século XVI e se deterioraram de fato durante o século XVII.
Vários reinos dependentes de Congo passaram a comercializar diretamente com os europeus.
Disputas entre portugueses e congoleses – Vitória portuguesa. A cabeça do rei Antônio I foi levada para Lisboa.
No momento da Crise, ocorreu o movimento denominado antoniano de cunho religioso e político, que teve como figura central Kimpa Vita, mulher que dizia ter morrido e ressuscitado como Santo Antônio.
Ela pregou uma “modalidade remodelada e completamente africanizada do cristianismo.”
ANGOLA
Em 1512, os portugueses frequentavam a costa de Ndongo em busca de escravos (tentando fugir das pesadas taxas impostas pelo reino de Congo).
Rei de Ndongo se denominava ngola – Angola.
Não tinha exército permanente e era dividido em diversas províncias. Seu poder dependia de alianças e dos interesses dos chefes locais, que muitas vezes se alinhavam aos portugueses – Guerras.
Difícil conquista da região, principalmente por que os portugueses morriam facilmente nessa regiões.
Escravo principal mercadoria da região. Mas comercializavam também: armas de fogo, tecidos, miçangas e pérolas, conchas e búzios, espelho e objetos de vidro. A partir do século XVII, a geribita (cachaça brasileira) passou a ser comercializada.
Séculos XVII e XVIII: Maior parte de escravos do Brasil procedia dessa região.
A NGOLA DE NZINGA
Nzinga teve seu filho herdeiro do trono ngola assassinado, em resposta fugiu e criou um Quilombo em 1617.
Em 1622, acordos de paz foram propostos e Nzinga seria a embaixatriz em Luanda.
Mbandi, seu irmão e rei, morreu envenenado supostamente por Nzinga.
Nzinga tornou-se rainha de Ngola (1624) e enfrentou a dominação Portuguesa quando essa não lhe interessava.
Somente em 1656, depois de uma série de negociações , Nzinga assinou acordos de paz, converteu-se ao cristianismo, permitiu a entrada de missionários em seu território, porém não tornou o seu reino tributário de Portugal.
NO GOLFO DO BENIN
Habitada por vários povos de línguas e culturas diferentes, com destaque para dois: Língua Iourubá e os de língua Jeje.
Nessa região não houve a formação de reinos e impérios, Todos conviveram juntos e ao mesmo tempo.
Região exportadora de escravos. A segunda maior exportadora, depois da região do Congo e de Angola.
Unidade linguística de certos povos não lhes trazia uma identidade étnica. Eram as linhagens –os ancestrais reais ou místicos- que
A SOCIEDADE DE
LINHAGENS
A partir da organização e da distribuição de bens que uma sociedade produz, percebemos muito do seu carácter, de seus valores e costumes. Nas sociedades de linhagem da África negra, todos os sistemas sociais baseavam se nas esferas da reciprocidade e da redistribuição, como forma de garantir a coesão, sem direcionar para o comércio, mas sim pra fortalecer as linhas de parentesco, destacando assim o ancião e o jovem produtor.
Neste sistema social, o jovem produtor, o qual gera a riqueza para a sociedade através do trabalho e da guerra;
Subordinado ao ancião de sua linhagem, pois, este impõe a ordem em todas as esferas de sua comunidade, principalmente, no quesito da distribuição dos bens.
Esses anciões ostentavam de tanto prestígio e poder, por causa do respeito e do temor coletivo,
Alémde ter o domínio das práticas esotéricas, como magias e medicin a, que propiciam a cura de uma doença, a fertilidade da terra e do homem.
Cabia também aos anciãos os casamentos entre as linhagens as obrigações daí decorrentes e os dotes necessários, fortalecendo assim a dependência dos jovens. A autoridade era repassada hereditária, valorizando sempre a linhagem
Toda essa estrutura só era perturbada seriamente com a penetração do islamismo, oriundo do norte da África arabizada através do contato dos mercadores negros com os muçulmanos, que se converteram ao islamismo colocando em cheque os saberes tradicionais e as formas de controle aí existentes, a presença do Cristianismo e, também, com a generalização da escravidão por parte dos mercadores, que sugaram a população de homens jovens do continente africano, levando os para o novo mundo