Pré-Cálculo
Humberto José Bortolossi
Departamento de Matemática Aplicada Universidade Federal Fluminense
Aula 3
Números
Aula 3 Pré-Cálculo 2
O que é um número?
Dicionário Aurélio:
Número.
[Do lat. numeru.] S. m.
1. A soma total dos elementos ou unidades de um conjunto, série, etc.
2. Porção ou parcela de um grupo, conjunto, etc.
3. Nome, símbolo ou representação de uma quantidade. [Cf. numeral (3).]
4. Entidade abstrata que corresponde a um aspecto ou a uma caraterística
mensurável de algo (quantidade, grandeza, intensidade, etc.) e que
é matematicamente definida como conjunto de todos os conjuntos equivalentes a um conjunto dado.
Aula 3 Pré-Cálculo 5
O que é um número?
Wikipédia:
Número é a essência e o princípio de todas as coisas (Pitágoras). Número é a relação entre a quantidade e a unidade (Newton). Número é um composto da unidade (Euclides).
Número nada mais é do que a proporção de uma magnitude com relação a outra considerada arbitrariamente como unidade (Euler).
Número é uma coleção de objetos de cuja natureza fazemos abstração (Boutroux).
Número é o resultado da comparação de qualquer grandeza com a unidade (Benjamin Constant).
Número é o movimento acelerado ou retardado (Aristóteles). Número é uma coleção de unidades (Condorcet).
Número é a expressão que determina uma quantidade de coisas da mesma espécie (Baltzer). Número é a classe de todas as classes equivalente a uma dada classe (Bertrand Russell).
O que é um número?
Não é uma definição formal, mas nos revela para que servem e por qual motivo foram inventados os números:
Número é o resultado da comparação entre uma grandeza e uma unidade. Se
a grandeza é discreta, essa comparação chama-se uma contagem e o resultado é um número inteiro; se a grandeza é contínua, a comparação chama-se uma
Números naturais
Aula 3 Pré-Cálculo 10Números naturais
números
naturais
números
ordinais
números
cardinais
(substantivo) (adjetivo)interpretados como interpretados como
Aula 3 Pré-Cálculo 14
Números naturais como números ordinais
N é um conjunto, cujos elementos são chamados números
naturais. Seu uso e suas propriedades são regidos pelas seguintes
propriedades:
(a) Todo número natural tem um único sucessor.
(b) Números naturais diferentes têm sucessores diferentes.
(c) Existe um único número natural, chamado um e representado
pelo símbolo 1, que não é sucessor de nenhum outro.
(d) (Axioma da Indução) Seja X um conjunto de números naturais.
Se 1
∈ X e se, além disso, o sucessor de todo elemento de X
ainda pertence a X , então X
= N.
Axiomas de Peano
Números naturais como números ordinais
N = {1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, . . .}.
2
é o sucessor de
1
3
é o sucessor de
2
4
é o sucessor de
3
..
.
..
.
..
.
Deve ficar claro que o conjunto
N = {1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, . . .} dos números
naturais é uma sequência de objetos abstratos que, em princípio, são
desprovidos de significado. Cada um desses objetos (um número natural)
possui apenas um lugar determinado nesta sequência.
Nenhuma outra
propriedade lhes serve de definição. Todo número tem um sucessor (único)
e, com exceção de 1, tem também um único antecessor (número do qual é
sucessor).
Números naturais como números ordinais: símbolos
Sucessor de n é
{n}
0
∅
1
{∅}
{0}
2
{{∅}}
{1}
3
{{{∅}}}
{2}
..
.
..
.
..
.
n
{n − 1}
Aula 3 Pré-Cálculo 27Números naturais como números ordinais: símbolos
Sucessor de n é n
∪ {n}
0
∅
1
{∅}
0
∪ {0}
2
{∅, {∅}}
1
∪ {1}
3
{∅, {∅}, {∅, {∅}}}
2
∪ {2}
..
.
..
.
..
.
n
(n − 1) ∪ {n − 1}
Aula 3 Pré-Cálculo 35Números naturais como números ordinais: símbolos
Escrita Cuneiforme Babilônica
Números naturais como números ordinais: símbolos
Números naturais como números ordinais: símbolos
Escrita Chinesa
Aula 3 Pré-Cálculo 38
Números naturais como números ordinais: símbolos
Escrita Romana
1 2 3 4 5 10 50 100 500 1000
I II III IV V X L C D M
Aula 3 Pré-Cálculo 39
Números naturais como números ordinais: símbolos
Escrita Egípcia
Números naturais como números ordinais: símbolos
Números naturais como números ordinais: símbolos
Escrita Braille
Aula 3 Pré-Cálculo 42
Números naturais como números ordinais: operações
n+ 1 é, por definição, o sucessor de n.
n+ 2 = n + (1 + 1) é, por definição, (n + 1) + 1. n+ 3 = n + (2 + 1) é, por definição, (n + 2) + 1 = ((n + 1) + 1) + 1. n+ (p + 1) é, por definição, (n + p) + 1.
Adição
n· 1 é, por definição, n. n· 2 = n · (1 + 1) é, por definição, n · 1 + n = n + n. n· 3 = n · (2 + 1) é, por definição, n · 2 + n = (n + n) + n.n· (p + 1) é, por definição, n · p + n = n + n + · · · + n (com p + 1 parcelas).
Multiplicação
Pode-se demonstrar que estas operações são
comutativas
,
associativas
e
distributivas
.
Aula 3 Pré-Cálculo 67
Números naturais como números ordinais: ordem
Dados m, n ∈ N, diz-se que mé menor do que n, e escreve-se m < n, para
significar que existe algum p∈ N tal que n = m + p (isto quer dizer que n é o
sucessor do sucessor, . . . , do sucessor de m, o ato de tomar o sucessor sendo iterado p vezes.
Ordem
(Transitividade) Se m< n e n < p, então m < p.
(Tricotomia) Se m, n ∈ N, vale uma, e somente uma, das seguintes alternativas: m= n, m < n ou n < m.
(Monoticidade) Se m< n, então para qualquer p ∈ N, vale as seguintes desigualdades m+ p < n + p e m · p < n · p.
(Boa Ordenação) Todo subconjunto não-vazio X deN possui um menor elemento.
Propriedades
(não apresentaremos as demonstrações destas propriedades aqui)
Números naturais como números cardinais
Números naturais como números cardinais
X
Y
Aula 3 Pré-Cálculo 78
Números naturais como números cardinais
A importância dos números naturais provém do fato de que eles constituem o modelo
matemático que torna possível o processo de contagem. Noutras palavras, eles
respondem a perguntas do tipo: “Quantos elementos tem este conjunto?”.
Diz-se que dois conjuntos X e Y têm o mesmo número cardinal quando se pode definir uma função bijetiva f: X → Y .
Diz-se que um conjunto X é finito, e que X tem n elementos quando se
pode estabelecer uma função bijetiva f: In → X, onde n ∈ N e
In= {k ∈ N | 1 ≤ k ≤ n}. O número natural n chama-se então o número cardinal
do conjunto X ou, simplesmente, o número de elementos de X . Por convenção, o conjunto vazio é finito e diz-se que ele tem 0 elementos.
Diz-se que um conjunto X é infinito quando ele não é finito. Isto quer dizer que X não é vazio e que, não importa qual seja n∈ N, não existe função bijetiva f : In→ X.
Definições
Aula 3 Pré-Cálculo 86
Números naturais como números cardinais
X
Y
Números naturais como números cardinais
Números naturais como números cardinais
Os segmentos X e Y possuem a mesma cardinalidade?
(Ir para o GeoGebra)
Aula 3 Pré-Cálculo 90
Números naturais como números cardinais
O Hotel Infinito de Hilbert
Aula 3 Pré-Cálculo 91
Um pequeno comentário gramatical
Quando dizemos “o número um”, “o número dois” ou o “número três”, as
palavras “um”, “dois” e “três” são substantivos, pois são nomes de objetos.
Isto contrasta com o uso destas palavras em frases como “um ano, dois
meses e três dias”, onde elas aparecem para dar a ideia de número cardinal,
isto é, como resultados de contagens. Nesta frase, “um”, “dois” e “três” não
são substantivos. Pertencem a categoria gramatical que, noutras línguas
(como francês, inglês e alemão, por exemplo) é chamada adjetivo numeral
e que os gramáticos brasileiros e portugueses, há um par de décadas,
resolveram chamar numeral apenas.
Este comentário visa salientar a
diferença entre números naturais, olhados como elementos do conjunto
N, e
o seu emprego como números cardinais.
[Lima, Carvalho, Morgado, Wagner e Morgado, 2003]
Semelhança dos nomes dos números
Sânscrito Grego
Antigo Latim Alemão Inglês Francês Russo 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 100 1000 eka dva tri catur panca sas sapta asta nava daca cata sehastre en duo tri tetra pente hex hepta octo ennea deca ecaton xilia unus duo tres quatuor quinque sex septem octo novem decem centum mille eins zwei drei vier fünf sechs sieben acht neun zehn hundert tausend one two three four five six seven eight nine ten hundred thousand un deux trois quatre cinq six sept huit neuf dix cent mille odyn dva tri chetyre piat shest sem vosem deviat desiat sto tysiaca
Giuseppe Peano
Matemático italiano (27 de agosto de 1858 – 20 de abril de 1932)
Aula 3 Pré-Cálculo 94
David Hilbert
Matemático alemão (23 de janeiro de 1862 – 14 de feveriro de 1943)
Aula 3 Pré-Cálculo 95
Leitura extraclasse
Leitura extraclasse
Capítulos 1, 2 e 3.
Elon Lages Lima; Paulo Cezar Pinto Carvalho; Eduardo Wagner; Augusto César Morgado.
A Matemática do Ensino Médio. Volume 1. Coleção do Professor de Matemática,
Vídeos das aulas do curso do IMPA no YouTube
http://www.youtube.com/watch?v=DbsF7YIb6cw http://www.youtube.com/watch?v=GB4AnKspnSY http://www.youtube.com/watch?v=WzQSGpJwtbI