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O CUIDADO DE SI EM UTI: ENFERMAGEM À LUZ DA TEORIA DE OREM 1

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Academic year: 2021

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O CUIDADO DE SI EM UTI: ENFERMAGEM À LUZ DA TEORIA DE OREM

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OLIVEIRA, Nidiane Nascimento de

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; DIEFENBACH, Grassele Denardini Facin

3 1 Trabalho de Pesquisa – UNIFRA

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Curso de Enfermagem do Centro Universitário Franciscano (UNIFRA), Santa Maria, RS, Brasil 3

Enfermeira. Mestre em Enfermagem. Docente do Departamento de Enfermagem do Centro Universitário Franciscano (UNIFRA). Membro do Grupo de Estudos no Cuidado à Saúde nas Etapas da Vida (CEVIDA-UFRGS)

E-mail: [email protected]; [email protected]

RESUMO

Trata-se de uma reflexão a partir da percepção da equipe de enfermagem e o cuidar de si em UTI, buscando aproximações com a Teoria do Autocuidado de Orem, e a prática de Enfermagem. Essa reflexão originou-se a partir da observação dos enfermeiros de unidades fechadas e como estes promovem o autocuidado de si, a influência do autocuidado na práxis de enfermagem, o nível de conhecimento da Teoria do Autocuidado de Orem dos profissionais e, como estes não dão a devida atenção a sua saúde física e mental. Com base nisso, este referencial busca analisar criticamente de que modo o conceito de Autocuidado e a noção de cuidado de si, influenciam a prática de enfermagem à Luz da Teoria do Autocuidado de Orem.

Palavras-chave: Unidades de Terapia Intensiva, Autocuidado, Teoria de Enfermagem, Enfermagem.

1. INTRODUÇÃO

A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) destina-se ao tratamento e cuidado de pacientes graves, que necessitam constantemente de observação, assistência médica e de enfermagem, sendo vista como um local estressante, complexo, dotado de um sistema cuja atenção deve ser contínua, onde o profissional da saúde pode, a qualquer momento, lidar com a descompensação de um ou mais sistemas orgânicos do paciente, levando ao agravamento do quadro clínico e até mesmo a morte.

O profissional de enfermagem é levado a um estresse permanente no ambiente de trabalho devido à rotina repetitiva, prolongamento das jornadas de trabalho, tarefas de extrema responsabilidade, insuficiência de material, problemas relacionados com colegas de trabalho e má alimentação. São vários os fatores que acabam levando a um problema que

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vem a se manifestar nesses profissionais em forma de fadiga, irritabilidade, depressão, nervosismo e ansiedade. Essas situações criam tensão entre os profissionais e, em geral, influenciam negativamente, a qualidade da assistência prestada aos clientes.

Devido a esses e outros fatores, a UTI acaba sendo um ambiente altamente desgastante e, principalmente estressante para os profissionais que nela atuam, em especial, o enfermeiro, que é o profissional que está em contato maior com este ambiente para a realização dos procedimentos.

O cuidar significa a base de todo o processo de enfermagem. Assim, o enfermeiro pratica o cuidado ao paciente preocupado com o seu restabelecimento, esforçando-se na prevenção de outras patologias e na manutenção da saúde. Porém, apresenta descaso e descuido com a própria saúde, esquecendo que é preciso cuidar de si mesmo para ter condições de cuidar de alguém de maneira efetiva e satisfatória.

De acordo com BAGGIO e FORMAGGIO (2007), em nossa sociedade, a impressão que se tem é a de que o profissional da área da saúde, o ser humano-educador-cuidador, não adoece e não se cansa. Assim, aquele que presta cuidados ao outro acaba por esquecer-se de si mesmo.

Frente a este contexto, faz-se importante ressaltar a Teoria de Enfermagem do Autocuidado, desenvolvida por Dorothea Elizabeth Orem, que possibilita aos indivíduos tomarem iniciativas e responsabilidades além de empenharem-se efetivamente no desenvolvimento de seu próprio caminho em direção à melhoria da qualidade de vida, saúde e bem-estar.

2. OBJETIVO

Refletir sobre o comportamento dos profissionais de enfermagem (enfermeiros) frente à promoção do cuidado de si, fundamentando-se para tanto na Teoria de Enfermagem de Orem.

3. METODOLOGIA

Trata-se de uma pesquisa bibliográfica com abordagem qualitativa.

Para GIL (2010) a pesquisa bibliográfica é elaborada com base em material já publicado. Praticamente toda pesquisa acadêmica requer em algum momento a realização de trabalho que pode ser caracterizado como pesquisa bibliográfica, elaborada com o

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propósito de fornecer fundamentação teórica ao trabalho, bem como a identificação do estágio atual do conhecimento referente ao tema.

O mesmo autor afirma que, a abordagem qualitativa compreende um problema da perspectiva dos sujeitos que o vivenciam, ou seja, parte de sua vida diária e sua satisfação. Esta pesquisa é uma forma de obter maior conhecimento sobre o assunto, com objetivo de proporcionar melhor qualidade de vida. Além disso, permite a observação de vários elementos simultaneamente.

A busca do material realizou-se entre os meses de março a junho de 2011 em bibliotecas virtuais, periódicos, livros, dissertações e teses disponíveis online. Foram selecionadas produções científicas que estavam de acordo com o objetivo do estudo.

4. RESULTADOS

A Teoria do Autocuidado de Orem foi criada por Dorothea Elizabeth Orem, enfermeira e empresária, considerada uma das mais destacadas teóricas de enfermagem. A Teoria de Enfermagem foi desenvolvida na década de 1950, baseada na premissa de que os indivíduos podem cuidar de si próprios (VITOR, LOPES e ARAÚJO, 2010).

Assim, OREM (1991, p. 60) ressalta que:

O autocuidado é a prática das ações que os indivíduos iniciam e executam por si mesmos para manter, promover, recuperar e/ou conviver com os efeitos e limitações dessas alterações de saúde, contribuindo assim para sua integridade, funcionamento e desenvolvimento.

A teoria geral de Orem proporciona a visão do fenômeno da enfermagem permitindo que a enfermeira juntamente com o indivíduo, implementem ações de autocuidado adaptadas de acordo com as suas necessidades, de maneira que a relação de ajuda se expresse no diálogo aberto e promova o exercício do autocuidado (DIÓGENES e PAGLIUCA, 2003).

De acordo com TORRES, DAVIM e NOBREGA (1999) a teoria dos déficits de autocuidado constitui a essência da teoria geral de enfermagem de Orem, uma vez que delimita quando há necessidade de alguma intervenção da enfermagem, considerando que a mesma passa a ser uma exigência quando uma pessoa acha-se incapacitada ou limitada para promover seu autocuidado continuamente e de forma eficaz.

O autocuidado só é valorizado e/ou compreendido como essencial para o ser humano, a partir do momento que as pessoas tomam consciência da importância de conhecer a si mesmo, do seu direito de viver e do estilo de vida que têm. Sendo que, no seu cotidiano,

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quando se encontra aparentemente bem e saudável, não se dá a devida importância ao constante exercício de se auto cuidar.

Com relação à enfermagem, reconhecidamente a UTI implica em elevada carga de trabalho devido à alocação de pacientes sujeitos às constantes alterações hemodinâmicas e eminente risco de morte, os quais exigem cuidados complexos, atenção ininterrupta e tomada de decisões imediatas. Além disso, a própria evolução da tecnologia impõe trabalhos hospitalares revestidos de componentes cognitivos complexos e que podem acarretar em sobrecargas mentais nos trabalhadores (MEDEIROS et al., 2006).

Cuidar de pacientes em estado crítico, como ocorre em Unidades de Terapia Intensiva, gera estresse e uma angústia muito grande nos cuidadores, pois estes pacientes estão sob sua responsabilidade e correm risco de vida. Lembra-se que os fatores agressivos existentes em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), não atingem apenas os pacientes, mas também a equipe multiprofissional, principalmente os profissionais de enfermagem, uma vez que são estas pessoas que convivem diariamente com pacientes graves, procedimentos complexos, morte e outros (VILA e ROSSI, 2002).

É comum o profissional de enfermagem preocupar-se com o bem-estar do outro. Mas preocupar-se somente com o outro e esquecer-se de si mesmo é um descuidado de si. O trabalhador de enfermagem direciona sua atenção ao outro, sendo subjetivamente mais forte a garantia do cuidado do outro do que a si mesmo (COSTA, 1998).

Segundo GASPERI e RADÜNZ (2006), não é pelo fato de ser cuidador que não se precisa de cuidados. Quantas vezes observa-se profissionais que não desempenham seu trabalho como deveriam? Muitas vezes, essa alteração prejudicial na execução do trabalho se dá por dificuldades que o cuidador está enfrentando. Algumas vezes este não compreende que está com problemas, que precisa ser cuidado e não apenas cuidar.

O autocuidado só é valorizado e/ou compreendido como essencial para o ser humano, a partir do momento que as pessoas tomam consciência da importância de conhecer a si mesmo, do seu direito de viver e do estilo de vida que têm. Sendo que, no seu cotidiano, quando se encontra aparentemente bem e saudável, não se dá a devida importância ao constante exercício de se auto cuidar.

Para SILVA (2009) o autocuidado é uma atividade do indivíduo apreendida pelo mesmo e orientada para um objetivo. É uma ação desenvolvida em situações concretas da vida, e que o indivíduo dirige para si mesmo ou para regular os fatores que afetam seu próprio desenvolvimento, atividades em benefício da vida, saúde e bem estar.

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5. CONCLUSÃO

Por muito tempo, os problemas que afligem os cuidadores da enfermagem são os mesmos: falta de pessoal, material, a grande responsabilidade sobre o paciente, o contato quase diário com o sofrimento, a dor e a morte. Essas questões, ainda presentes no nosso dia-a-dia, interferem na qualidade do cuidado que a Enfermagem presta aos pacientes, uma vez que afeta a saúde dos cuidadores.

Diante disso, considera-se necessário que os profissionais de enfermagem sejam incentivados e orientados a se perceberem como peça importante para o bom funcionamento do Sistema de Saúde, e que para tanto, o cuidado e a atenção dispensados ao outro devem ser equivalentes ao cuidado que os enfermeiros devem ter com eles mesmos. Dotados deste saber, serão capazes de valorizar e promover sua saúde e bem-estar e, além disso, desempenharem um trabalho que responda satisfatoriamente às necessidades dos que procuram pelo cuidado.

REFERÊNCIAS

BAGGIO, Maria Aparecida; FORMAGGIO, Filomena Maria. Profissional de enfermagem: compreendendo o autocuidado. Revista Gaúcha de Enfermagem 2007; 28(2): 233-41.

COSTA, Aldenan Lima Ribeiro Corrêa da. O cuidado como trabalho e o cuidado de si no trabalho de enfermagem [dissertação de Mestrado em Enfermagem]. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina; 1998. 135f.

DIÓGENES, Maria Albertina Rocha; PAGLIUCA, Lorita Marlena Freitag. Teoria do autocuidado: análise crítica da utilidade na prática da enfermeira. Revista Gaúcha de Enfermagem, Porto Alegre (RS) 2003 dez; 24(3): 286-93.

GASPERI, Patrícia de; RADÜNZ, Vera. Cuidar de si: essencial para enfermeiros. REME – Rev. Min.

Enf.; 10 (1): 82-87, jan./mar., 2006.

GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 5 ed. 12 reimpr. São Paulo: Atlas, 2010.

MEDEIROS, Soraya Maria de et al. Condições de trabalho e enfermagem: a transversalidade do sofrimento no cotidiano. Rev. Eletr. Enf. [Internet]. 2006 [cited 2009 feb 12];8(2):233-40. Available from: http://www.fen.ufg.br/revista/revista8_2/v8n2a08.htm. In: INOUE, Kelly Cristina; MATSUDA,

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Laura Misue. Dimensionamento da equipe de enfermagem da UTI-adulto de um hospital ensino. Rev.

Eletr. Enf. [Internet]. 2009; 11(1):55-63. Available from:

http://www.fen.ufg.br/revista/v11/n1/v11n1a07.htm.

OREM, Dorothea Elizabeth. Nursing: concepts of practice. 4. ed. Saint Louis: Mosby, 1991. In: FARIAS, Maria do Carmo Andrade Duarte de; NOBREGA, Maria Miriam Lima da. Diagnósticos de enfermagem numa gestante de alto risco baseados na teoria do autocuidado de Orem: estudo de caso. Rev. Latino-Am. Enfermagem, Ribeirão Preto,v. 8, n. 6, dez. 2000 . Disponível em

<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-11692000000600009&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 20 abr. 2011. doi: 10.1590/S0104-11692000000600009.

SILVA, Irene de Jesus et al . Cuidado, auto cuidado y cuidado de sí: una comprensión paradigmática para el cuidado de enfermería. Rev. esc. enferm. USP, São Paulo, v. 43, n. 3, Sept. 2009.Available

from<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342009000300028&lng=en&nrm=iso>. access on 25 Apr. 2011. doi: 10.1590/S0080-62342009000300028.

TORRES, Gilson de Vasconcelos; DAVIM, Rejane Marie Barbosa; NOBREGA, Maria Miriam Lima da. Aplicação do processo de enfermagem baseado na teoria de OREM: estudo de caso com uma adolescente grávida. Rev. Latino-Am. Enfermagem, Ribeirão Preto, v. 7, n.2, Apr. 1999. Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-11691999000200007&lng=en&nrm=iso>. access on 24 June 2011. doi: 10.1590/S0104-11691999000200007.

VILA, Vanessa da Silva Carvalho; ROSSI, Lídia Aparecida. O significado cultural do cuidado humanizado em Unidade de Terapia Intensiva: muito falado e pouco vivido. Rev. Latino-am. Enf. 2002; 10(2): 137-44.

VITOR, Allyne Fortes; LOPES, Marcos Venícios de Oliveira; ARAUJO, Thelma Leite de. Teoria do déficit de autocuidado: análise da sua importância e aplicabilidade na prática de enfermagem. Esc.

Anna Nery, Rio de Janeiro, v. 14, n. 3, Sept. 2010. Available from

<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-81452010000300025&lng=en&nrm=iso>. access on 02 May 2011. doi: 10.1590/S1414-81452010000300025.

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