ESTUDO-VIDA DE EZEQUIEL
MENSAGEM UM INTRODUÇÃO
(1)
Leitura bíblica: Ez 1:1–3; Nm 4:2–3; 1Cr 23:3a; Lc 3:23a; Ez 40:17; 41:6a; 46:22; Nm 8:24; Gn 11:6, 31
Nosso plano nestas mensagens é entender as visões no Livro de Ezequiel. Nosso alvo não é esquadrinhar esse livro ou expô-lo, mas entender as visões da vida gloriosa de Deus contida nele. Portanto, em vez de considerar Ezequiel versículo por versículo ou até mesmo capítulo por capítulo, nos empenharemos para liberar os pontos cruciais concer-nentes à vida nesse livro.
O LIVRO DE EZEQUIEL É PARALELO AO LIVRO DE APOCALIPSE
A Bíblia revela que uma história misteriosa é desvendada no universo: a história envolvendo Deus e o homem. Nessa história, Deus entra no homem para ser a vida do ho-mem, levando o homem a ter Sua natureza e Sua imagem gloriosa. Por fim, na natureza divina, Deus e o homem serão edificados juntos para ser o lugar do descanso de Deus. Como resultado dessa edificação, Deus e o homem terão uma união completa. Essa é a história da vida misteriosa entre Deus e o homem.
Embora toda a Bíblia conte essa história misteriosa de Deus e do homem, dois livros dizem respeito a essa história de uma maneira particular. Esses livros são Ezequiel e Apocalipse. Ambos falam de Deus sendo vida para o homem, do Espírito da vida, do fluir da água da vida, e do povo de Deus, que tem Sua semelhança gloriosa, tornando-se Sua habitação. Ambos os livros terminam com uma visão de Jerusalém, e nos mostram que os que compõem o povo de Deus são edificados juntos para se tornarem não somente a habitação de Deus para Seu descanso, mas também Sua contraparte coletiva para Sua satisfação.
Os livros de Ezequiel e de Apocalipse são paralelos. Se desejamos entender Ezequiel, precisamos de Apocalipse, e se desejamos entender algo no Livro de Apoca-lipse, precisamos entender as coisas relevadas em Ezequiel. Portanto, é de grande ajuda tomar esses livros juntos. Se lermos Ezequiel e Apocalipse juntos, veremos que, em mui-tos aspecmui-tos, eles são muito similares. Os ponmui-tos principais nesses dois livros são prati-camente os mesmos.
As visões relacionadas à vida
A primeira similaridade é que os dois livros começam com visões. Tanto Ezequiel quanto João tiveram visões, e as visões que eles tiveram estão relacionadas principal-mente à vida. A Bíblia nos fala sobre vida. Nos livros de Ezequiel e Apocalipse, temos não somente o termo vida, mas também visões retratando o que é a vida e como ela opera dentro de nós e entre nós. Em ambos os livros, não temos apenas uma descrição de vida, mas também visões nos mostrando o assunto de vida.
O fluir da água viva
Em toda a Bíblia, os livros que falam mais claramente a respeito de Deus fluindo como vida são Ezequiel e Apocalipse. Ezequiel e Apocalipse nos mostram o fluir da água viva. Ezequiel 47:1 fala do rio que flui da habitação de Deus. O versículo 9 diz: “Tudo viverá por onde quer que passe este rio”, e o versículo 12 diz: “Junto ao rio, às ribanceiras, de um e de outro lado, nascerá toda sorte de árvore que dá fruto para se comer; não fenecerá a sua folha, nem faltará o seu fruto; nos seus meses, produzirá novos frutos, porque as suas águas saem do santuário; o seu fruto servirá de alimento, e a sua folha, de remédio”. Em Apocalipse 22:1 e 2, vemos o rio da água da vida que sai do trono de Deus e do Cordeiro. “E mostrou-me o rio da água da vida, brilhante como cristal, que sai do trono de Deus e do Cordeiro no meio da rua. E deste e daquele lado do rio estava a árvore da vida, que produz doze frutos, dando o seu fruto a cada mês; e as folhas da árvore são para a cura das nações”. Tanto em Ezequiel quanto em Apocalipse, portanto, temos um rio fluin-do de Deus com suprimento de vida.
As visões de Jerusalém
A principal coisa que Ezequiel e Apocalipse têm em comum é que ambos os livros nos dão uma visão de Jerusalém. Ezequiel termina com a visão de Jerusalém, e assim o faz Apocalipse. Esses dois livros, que terminam com uma visão de Jerusalém, nos dizem que o plano de Deus é vir para dentro de nós como vida para que tenhamos Sua natureza e imagem de modo que, em Sua natureza com Sua imagem, nós que O temos como nossa vida sejamos edificados como a cidade santa para sermos a habitação de Deus pela eter-nidade. Esta é a mensagem central tanto de Ezequiel quanto de Apocalipse. Por conse-guinte, a mensagem do Livro de Ezequiel é a mesma que a do Livro de Apocalipse.
Tanto Ezequiel quanto João permanecem na posição de sacerdote
Os livros de Ezequiel e Apocalipse não são apenas similares em conteúdo, mas os autores de ambos são similares em certos aspectos. A similaridade mais importante é que o profeta Ezequiel e o apóstolo João eram sacerdotes diante de Deus. Embora Ezequiel fosse um profeta, quando ele teve as visões registradas em seu livro, ele permaneceu na posição de sacerdote, tendo o status de sacerdote (Ez 1:3), e também a vida de sacerdote. Enquanto ele estava junto ao rio Quebar, ele, com certeza, estava levando a cabo seu sacerdócio no espírito, servindo a Deus e tendo comunhão com Deus, de modo que os céus foram abertos e ele teve a visão gloriosa de Deus sendo vida para o homem, de sorte que Ele e o homem fossem edificados juntos. Em Apocalipse 5:10, o apóstolo João fala do povo redimido de Deus sendo sacerdotes para Deus. Isso indica que o próprio João devia estar servindo como sacerdote. Quando João escreveu o Livro de Apocalipse, seu cora-ção, sua posicora-ção, sua condição e situação eram de um sacerdote.
UMA MINIATURA DE TODA A BÍBLIA
O Livro de Ezequiel ocupa uma posição muito importante entre os livros da Bíblia. Se conhecemos o que a Bíblia revela, podemos ver que Ezequiel é uma miniatura de toda a Bíblia. O que é revelado em Ezequiel é uma forma condensada de toda a revelação na Bí-blia. Neste sentido, Ezequiel é uma miniatura das Escrituras como um todo.
O propósito eterno de Deus
A Bíblia nos mostra claramente que o propósito eterno de Deus é dispensar a Si mesmo para dentro de um grupo de seres humanos. Sua intenção é dispensar a Si mesmo para dentro de nós para que O tenhamos como nossa vida, a fim de que tenhamos Sua natureza, e portemos Sua gloriosa imagem. Isso significa que o propósito de Deus, Sua intenção, é que nós e Ele tenhamos a mesma vida, natureza e imagem e que, por fim, nós e Ele sejamos mesclados como uma entidade com duas naturezas, a divina e a humana, a fim de sermos edificados juntos como a habitação de Deus. Esse é o propósito eterno de Deus, que é revelado claramente nas Escrituras. O Livro de Ezequiel nos mostra o mesmo quadro de uma maneira condensada, revelando que o plano de Deus é trabalhar a Si mesmo para dentro de nós como nossa vida e mesclar-se conosco para que sejamos edi-ficados Nele como vida a fim de sermos Sua habitação eterna. Isto é o que a Bíblia revela, e isto é o que, em miniatura, Ezequiel também revela.
Vida, natureza, imagem e edifício
Nos três primeiros capítulos de Gênesis, vemos que Deus criou o homem e o pôs diante da árvore da vida. A árvore da vida significa o próprio Deus como vida para nós na forma de alimento. Por causa da queda do homem, a árvore da vida foi cercada e escondi-da pelo querubim, e “o refulgir de uma espaescondi-da que se revolvia” guarescondi-dava “o caminho escondi-da árvore da vida” (Gn 3:24). De Gênesis 3 em diante, vemos tanto o juízo de Deus quanto Seu cuidado, misericórdia e salvação. Por um lado, o refulgir de uma espada executa Seu juízo, queimando tudo que é contrário a Ele mesmo. Por outro, mediante Sua graça, Deus redimiu um povo para Si mesmo. Mediante a redenção de Cristo, o caminho para a árvore da vida foi aberto novamente para o homem. Agora, o homem, sob e mediante a redenção de Cristo, tem livre acesso à árvore da vida e pode tomá-la como seu alimento. Essa é a razão pela qual em João 6 o Senhor Jesus nos disse que Ele veio como o pão da vida e que devemos tomá-Lo como alimento. Ele disse: “Quem de Mim se alimenta por Mim viverá” (v. 57b). Se O tomarmos como nosso alimento, teremos Sua vida e natureza, e, por fim, portaremos Sua imagem. Por termos Sua vida, natureza e imagem, seremos edifica-dos juntos. Ele orou por essa edificação em João 17:21 quando disse: “A fim de que toedifica-dos sejam um; como Tu, Pai, estás em Mim, e Eu em Ti, que também estejam eles em Nós”. Ser um dessa maneira significa que precisamos ser edificados juntos. Se prosseguirmos do Evangelho de João para Apocalipse de João, podemos ver que, em Apocalipse 21 e 22, todos os redimidos foram edificados juntos em uma cidade. Nessa cidade, somos todos um, não apenas um em doutrina, nem mesmo apenas em uma visão, mas um em edificação. Disso, vemos que precisamos ser edificados um com o outro em vida. Então, Deus terá uma cidade, a Nova Jerusalém. Esse é um quadro retratado nas Escrituras.
Quando chegamos ao Livro de Ezequiel, vemos o mesmo quadro. No primeiro capí-tulo, estão os querubins de fogo flamejante com Deus no meio deles. Outros capítulos nos mostram como Deus vem para ser nossa vida (caps. 11, 33, 34, 36, 37, 47). Finalmente, o capítulo quarenta e oito revela que nós que temos a vida de Deus seremos edificados jun-tos na santa cidade, Jerusalém. Uma vez mais, vemos que o Livro de Ezequiel é uma mi-niatura da Bíblia.
Precisamos ser profundamente impressionados com o fato que a Bíblia como um todo e o Livro de Ezequiel como uma miniatura da Bíblia revelam que o plano de Deus é dispensar a Si mesmo para dentro de nós como nossa vida, a fim de que tenhamos Sua natureza divina e portemos Sua imagem gloriosa. Em seguida, pela natureza divina com a imagem divina seremos edificados juntos como uma habitação eterna ___ a Nova
AS QUATRO SEÇÕES DE EZEQUIEL
Ezequiel é um livro de visões. A primeira seção desse livro (cap. 1) apresenta uma visão da aparência da glória do Senhor, revelando como Deus é manifestado, como Ele se move e como administra Seu governo mediante os quatro seres viventes. Por meio da coordenação dos seres viventes, Deus pode se mover e administrar. Na segunda seção (caps. 2___32), Deus vem como o fogo consumidor para julgar Seu povo e as nações
gen-tias. Depois do juízo, Deus vem para restaurar Seu povo pela vida. A terceira seção (caps. 33___39) é a seção da restauração. A quarta seção (caps. 40___48), que diz respeito ao
santo edifício de Deus, procede da restauração pela vida e consuma o livro. Portanto, Eze-quiel começa com a aparência da glória do Senhor e termina com o edifício santo de Deus. Isso indica que o alvo de Deus é o edifício.
UMA INTRODUÇÃO EXTRAORDINÁRIA
Cada livro da Bíblia começa de uma maneira singular. Por exemplo, Gênesis começa dessa maneira: “No princípio, criou Deus os céus e a terra”. Mateus e João começam de um modo muito diferente. Mateus 1:1 diz: “Livro da geração de Jesus cristo, filho de Davi, filho de Abraão”. João 1:1 diz: “No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus, e a Palavra era Deus”. O Livro de Ezequiel também começa de um modo muito peculiar. Os três primeiros versículos de Ezequiel são uma introdução especial, específica, extraordiná-ria ao livro.
Ezequiel 1:1–3 diz: “Aconteceu no trigésimo ano, no quinto dia do quarto mês, que, estando eu no meio dos exilados, junto ao rio Quebar, se abriram os céus, e eu tive visões de Deus. No quinto dia do referido mês, no quinto ano de cativeiro do rei Joaquim, veio expressamente a palavra do SENHOR a Ezequiel, filho de Buzi, o sacerdote, na terra dos caldeus, junto ao rio Quebar, e ali esteve sobre ele a mão do SENHOR”. Nessa introdução, quatro coisas principais são cobertas. Primeira, esse é um livro de visão, e esses versícu-los introdutórios nos mostram o ano, o mês e o dia em que Ezequiel começou a ter as visões. Segunda, esses versículos nos mostram o lugar onde ele teve as visões. Terceira, temos aqui uma palavra a respeito do homem, da pessoa, que teve as visões. Quarta, nessa introdução, vemos as condições para se ter as visões.
A DATA DAS VISÕES
A respeito da introdução a Ezequiel, a primeira coisa que precisamos considerar é a data, com o ano, o mês e o dia.
O trigésimo ano
O ano foi o trigésimo ano. Isso se refere à idade de Ezequiel. Naquele tempo, Eze-quiel tinha trinta anos de idade. Segundo Números 4:2–3 e 1Crônicas 23:3, um sacerdote, um levita, começava a servir ao Senhor com a idade de trinta anos. O Senhor Jesus também começou a servir a Deus em Seu ministério na idade divinamente legal de trinta anos (Lc 3:23). Como um sacerdote que havia atingido a idade de trinta anos, Ezequiel es-tava qualificado para iniciar seu ministério sacerdotal.
Aqui, temos o princípio que: para perceber as coisas espirituais e ter as visões celes-tiais, precisamos de maturidade em vida. A idade de trinta anos significa maturidade. No
tempo em que os sacerdotes atingiam a idade de trinta anos, eles eram considerados ma-duros. Portanto, a frase no trigésimo ano indica que Ezequiel, tendo trinta anos de idade, era maduro. Isso mostra que: se desejamos entender as visões no Livro de Ezequiel, deve-mos ter maturidade em vida. Os cristãos hoje têm dificuldade em entender esse livro, porquanto a maior parte deles carece de maturidade na vida divina. Falando espiritualmen-te, não muitos cristãos têm atingido a idade de trinta anos, e, por conseguinespiritualmen-te, é-lhes difícil entender as visões nesse livro.
Em Ezequiel 40 a 48, a porção desse livro que é dedicada ao edifício de Deus, o nú-mero trinta é usado para três tipos de coisas. O átrio exterior do templo de Deus em 46:22 tem quatro cantos, cada um dos quais tem uma largura de trinta côvados. Esses quatro cantos são os lugares para os sacerdotes prepararem as ofertas para o povo comer e des-frutar. Segundo 40:17, o átrio exterior do templo tem trinta câmaras. Quando o povo se reúne para adorar a Deus, eles podem desfrutar as ricas ofertas nessas trinta câmaras. Ezequiel 41:6 menciona outras trinta câmaras laterais. Essas câmaras estão ao redor do templo nos três lados, em cada um dos três andares. Em cada andar há trinta câmaras la-terais. Todas essas câmaras laterais indicam a plenitude do templo. Quando colocamos esses versículos juntos, podemos ver que trinta é um número relacionado a preparar Cristo, ministrar Cristo aos outros, desfrutar as riquezas de Cristo e expressar a plenitude de Cristo. Por isso, na Bíblia, o número trinta significa maturidade em vida para preparar Cristo para outros, desfrutarmos Cristo, e expressar Cristo em toda a Sua plenitude. Quando Ezequiel teve as visões registradas nesse livro, ele tinha trinta anos de idade. Ele era uma pessoa madura, capaz de preparar Cristo e ministrar Cristo para o desfrute de outros e capaz também de desfrutar as riquezas de Cristo e expressar Cristo em toda a Sua plenitude.
O número trinta não foi somente significante para Ezequiel, mas o é também para nós como crentes em Cristo hoje. Da mesma forma que Ezequiel teve que estar maduro a fim de servir como sacerdote, ter as visões, preparar Cristo como as ofertas para o desfru-te de outros, para desfrutar as riquezas de Cristo e expressar a plenitude de Cristo, assim, precisamos ser maduros em nossa vida espiritual, de sorte que tenhamos as visões concernentes a Cristo e a Seu Corpo, para preparar Cristo para o desfrute de outros, e desfrutar todas as riquezas de Cristo para nos tornarmos a plenitude de Cristo como Sua expressão.
No Livro de Ezequiel, o número trinta é formado de duas maneiras: cinco multiplicado por seis e três multiplicado por dez. Ele é constituído principalmente de três vezes dez. Na Bíblia, o número dez, que é o número completo de um homem, é composto de dois cinco, de cinco vezes dois. Considere, por exemplo, as dez virgens em Mateus 25. Cinco virgens eram prudentes e cinco, insensatas. Aqui, vemos que as dez virgens eram divididas em dois grupos de cinco. Com os Dez Mandamentos, havia cinco mandamentos em uma tá-bua e cinco em uma segunda. Os Dez Mandamentos, portanto, também eram divididos em dois grupos de cinco. O número cinco significa a responsabilidade que podemos carregar por termos Deus acrescentado a nós. Quatro é o número da criatura, e um é o número do Criador. Quando o Criador é acrescentado à criatura, esta é capaz de carregar respon-sabilidade. O número dois é o número do testemunho, união e equilíbrio. Quando o Senhor Jesus enviou os discípulos, Ele os enviou dois a dois. O número dez, composto de dois cinco, significa que, como criaturas, temos Deus acrescentado a nós, de modo que po-demos ser capazes de carregar responsabilidade. Isso indica que somos agraciados para carregar responsabilidade diante de Deus no modo do testemunho, união e equilíbrio.
Conforme mostrado nos capítulos que se seguem, essa responsabilidade ocorre em três níveis ou andares, significando as três pessoas da Deidade: o Pai, o Filho e o Espírito. Três é o número do Deus Triúno, e trinta significa a natureza tripla de Deus estando no ho-mem. Trinta é, portanto, um número importante, significando o homem com o Deus Triúno
nele carregando responsabilidade de uma maneira completa. De tudo isso, podemos ver que, em Ezequiel, o número trinta indica que as criaturas têm o Deus Triúno acrescentado a elas, de modo que possam carregar a responsabilidade no Deus Triúno. Isto é matu-ridade em vida, da qual precisamos para prepararmos Cristo para o desfrute de outros, a fim de que nós mesmos desfrutemos Cristo de modo pleno, e O expressemos como Sua plenitude. Somente por termos esse tipo de maturidade, seremos capazes de ter as visões do Livro de Ezequiel.
O quinto ano
Ezequiel continua falando do quinto ano. Enquanto o trigésimo ano foi contado desde o ano do seu nascimento, o quinto ano foi contado desde o ano do cativeiro. Por que as vi-sões vieram no quinto ano do cativeiro e não antes? As vivi-sões não vieram antes, porque o povo não estava preparado nem o próprio Ezequiel, estando com menos de trinta anos, ainda não estava preparado. Isso indica que, para ter as visões registradas em Ezequiel, exige-se que nós mesmos nos preparemos.
Uma vez que Ezequiel tinha trinta anos quando teve as visões, no ano do cativeiro ele tinha apenas vinte e cinco anos. Números 4:2–3 nos diz que os sacerdotes começavam seu ministério na idade de trinta anos, contudo Números 8:24 diz que os levitas começa-vam a servir na idade de vinte e cinco anos. A razão para a diferença aqui é que os dotes precisavam de cinco anos de aprendizado. Eles não podiam entrar no serviço sacer-dotal imediatamente. Antes, eles precisavam ser treinados e disciplinados por cinco anos. No início do cativeiro, Ezequiel era um aprendiz de sacerdote, um estudante. Ele ainda não tinha a maturidade exigida para ter as visões. Isso mostra que, nas coisas espirituais, há a necessidade de maturidade. Por causa da falta de maturidade, alguns entre nós não po-dem ter as visões que o Senhor tenciona mostrar-nos a partir desse livro. Não popo-demos ver alguns assuntos espirituais quando somos jovens. Portanto, precisamos olhar para o Senhor para que Ele nos conceda maturidade em vida, a fim de que vejamos, aceitemos, recebamos e peguemos todas as coisas espirituais.
O fato que as visões vieram no quinto ano indica que não somente Ezequiel, mas também o povo tinha sido preparado. O número cinco significa que o homem é agraciado por Deus para portar responsabilidade para com Deus. Embora o povo de Deus estivesse no cativeiro, eles ainda tinham alguma graça de Deus; portanto, quando veio o tempo, eles puderam carregar responsabilidade diante de Deus. O “quinto ano de cativeiro do rei Joaquim” indica que o tempo havia chegado para o povo de Israel carregar a responsabi-lidade para com Deus. Quando esse cativeiro começou, Ezequiel começou a aprender a ser um sacerdote. Mesmo no cativeiro, Deus deu-lhe graça para que ele pudesse aprender a ser um sacerdote. No tempo do quinto ano, tanto Ezequiel quanto o povo estavam pre-parados. Por um lado, Ezequiel, havendo alcançado a idade de trinta anos, podia ministrar oficialmente como sacerdote diante de Deus. Por outro, o povo agora podia carregar sua responsabilidade, e Deus veio para falar-lhes a respeito disso.
Antes que os pais de uma criança possam falar-lhe acerca de uma responsabilidade particular, a criança deve ter a idade adequada para receber tal falar. Uma criança deve atingir certa idade antes que seus pais lhe peçam para carregar certa responsabilidade. A situação é similar ao falar de Deus no Livro de Ezequiel. Deus não falou até o quinto ano do cativeiro deles. Antes que Ezequiel alcançasse a idade de trinta anos, Deus não lhe deu a responsabilidade de falar por Ele. Semelhantemente, antes do quinto ano do cativeiro, o povo não havia recebido graça suficiente para carregar a responsabilidade da qual Deus lhes falaria. Contudo, no tempo do quinto ano, o povo tinha graça suficiente, e Ezequiel havia aprendido o suficiente e podia, agora, carregar a responsabilidade de falar por Deus.
Assim, no quinto ano, Deus quis que Ezequiel portasse a responsabilidade de falar ao po-vo de Israel e Ele quis que Israel carregasse a responsabilidade de ouvir Suas palavras.
Não podemos falar a respeito dessas coisas no Livro de Ezequiel àqueles que foram salvos recentemente, pois eles não podem entendê-las. No entanto, quando alguém atinge “o quinto ano” de sua salvação, Deus pode querer falar-lhe de um modo particular. Seme-lhantemente, como aquele que fala por Deus, eu não posso falar dessas coisas até que tenha alcançado “o trigésimo ano”. Agora que tenho chegado ao meu “trigésimo ano”, e outros têm chegado a seu “quinto ano”, posso falar-lhes a respeito das visões em Ezequiel, e eles podem receber esse falar. Tanto o que fala quanto aqueles que ouvem devem carregar sua responsabilidade para com Deus.
ESTUDO-VIDA DE EZEQUIEL
MENSAGEM DOIS INTRODUÇÃO
(2)
Leitura bíblica: Ez 1:1–3; Nm 4:2–3; 1Cr 23:3a; Lc 3:23a; Ez 40:17; 41:6a; 46:22; Nm 8:24; Gn 11:6, 31
Nesta mensagem, continuaremos a considerar Ezequiel 1:1-3, três versículos que são a introdução a esse livro. Vimos a data das visões, e, agora, continuaremos a ver o lugar das visões, a pessoa que teve as visões, e as condições para ter as visões.
O LUGAR
O segundo ponto na introdução é o lugar onde Ezequiel teve as visões. O versículo 3 nos fala que as visões vieram a Ezequiel quando ele estava “na terra dos caldeus, junto ao rio Quebar”.
Na Caldeia
O lugar ___ a terra dos caldeus ___ não era um bom lugar, pois a Caldeia era o lugar
onde Babel começou. O nome Babel em hebraico é equivalente a Babilônia no grego. Por-tanto, podemos dizer que a Caldeia era, na realidade, Babilônia e que Babilônia era Babel, o lugar onde Satanás reunira as pessoas caídas para se rebelar contra Deus. O próprio lugar onde Ezequiel teve as visões era o lugar onde Satanás instigou a maior rebelião contra Deus entre as pessoas caídas. Esse também era o lugar para fora do qual Deus havia chamado Abraão para que Ele pudesse ter um povo escolhido (Gn 11:6, 31). Infe-lizmente, no tempo de Ezequiel, a maior parte do povo de Deus havia sido levada de volta para esse lugar. Seu cativeiro era sua queda. Eles tinham caído no próprio lugar para fora do qual seu antepassado Abraão havia sido chamado por Deus.
Eu pediria para você considerar a situação dos cristãos hoje. A maior parte dos cris-tãos está na terra de Canaã ou na terra dos caldeus? Seguramente, a maioria dos criscris-tãos não está na boa terra, mas no lugar de degradação. Por essa razão, o Livro de Ezequiel se adapta exatamente à situação dos cristãos hoje.
Junto ao rio Quebar
Quando Ezequiel teve as visões, ele estava junto ao rio Quebar. Ele diz no versículo 1: “Estando eu no meio dos exilados, junto ao rio Quebar”. O rio Quebar significa o poder do inimigo para arruinar o povo de Deus (cf. Is 8:7–8). Quebar significa “forte”, “muitos”, “poderoso”. Esse rio, o rio da Babilônia, indica que a Babilônia era forte e poderosa, e, por conseguinte, ele significa o poder da Babilônia em ser contra o povo de Deus. Hoje, o “rio Quebar” é a maré satânica da era que arrasta o povo de Deus para a Babilônia.
Há dois rios no Livro de Ezequiel: o rio Quebar no capítulo 1 e o rio que flui do templo no capítulo quarenta e sete. O rio Quebar afasta o povo de Deus de Deus, mas o rio que flui do templo leva o povo de Deus para dentro da vida. Precisamos perceber que esses dois rios ainda estão na terra hoje. Um rio é a corrente, o curso, a maré, deste mundo.
Esse é o rio da Babilônia, o rio do mundo caído, que arrasta o povo de Deus. Louvamos o Senhor, pois existe outro rio, e porque tudo vive por onde esse rio passa.
Dois rios estão fluindo hoje. Um rio é deste mundo; o outro é da terra santa. Um rio arrasta o povo de Deus; o outro leva o povo de volta a Deus em vida. Um rio destrói o edifício de Deus; o outro edifica a habitação de Deus.
Em que rio você está: no rio Quebar ou no rio que flui da habitação de Deus? Você pode dizer que está junto ao rio da água viva que sai da habitação de Deus, todavia você ainda pode ter algo desta era, da corrente do mundo hoje. Se você ainda está na corrente do mundo hoje, você não está junto ao rio da água viva, mas junto ao rio Quebar, e ainda não está na terra santa, mas na terra dos caldeus.
Quando os céus foram abertos para Ezequiel, ele estava junto ao rio Quebar, contudo ele não estava nesse rio. Muitos do povo de Israel haviam sido mortos pelo exér-cito babilônico; outros haviam morrido por causa da fome, doenças, e animais selvagens. Não obstante, a situação não era totalmente desesperadora, pois Deus ainda deixou alguma “terra seca” junto ao rio que havia levado Seu povo embora. Ao dar-lhes essa “terra seca”, Deus os capacitou a permanecerem vivos e serem preservados. Isso mostra que a graça de Deus permaneceu com Ezequiel, com o rei Joaquim e com muitos outros que haviam sido levados para o cativeiro. Se eles não tivessem ficado junto às margens do rio Quebar, mas, ao invés, no rio, todos teriam perecido. Por causa da graça de Deus, eles ainda puderam viver junto ao rio na terra do cativeiro. Embora eles não pudessem viver em Canaã, e, por conseguinte, não pudessem desfrutar a abundância da graça em Cristo, ainda podiam desfrutar alguma misericórdia na terra do cativeiro.
As visões registradas no Livro de Ezequiel são urgentemente necessárias para os cristãos, bem como para igreja, hoje. Quanto mais contato o Senhor e tenho comunhão com Ele e mais observo a situação hoje, mais percebo que as visões de Ezequiel são mensagens de Deus para a era presente. As visões que Deus deu a Ezequiel foram para um povo que estava no cativeiro junto ao rio Quebar. Hoje, a maior parte dos filhos de Deus também está na terra do cativeiro. Em vez de permanecer em Cristo como a boa terra de Canaã, eles têm caído no cativeiro na Babilônia, onde não vivem em Cristo adequada e continuamente, e onde não desfrutam as riquezas de Cristo. Essa é a condição, em toda parte, dos cristãos hoje. Por essa razão, creio que as visões no Livro de Ezequiel satisfazem a necessidade do povo de Deus hoje.
A PESSOA
O próximo ponto a considerar é a pessoa, Ezequiel, que teve as visões.
Entre os cativos
No versículo 1, Ezequiel nos diz que ele estava “no meio dos exilados, junto ao rio Quebar”. Como um cativo na terra do cativeiro, Ezequiel foi testado e, seguramente, deve ter se sentido perplexo, aflito e deprimido. Essa também pode ser nossa experiência hoje. Algumas vezes, quando nos reunimos com os irmãos e irmãs, sentimos que estamos na terra do cativeiro e nos sentimos aflitos e deprimidos.
Um sacerdote
O versículo 3 fala explicitamente de “Ezequiel, (...), o sacerdote”. Como um sacer-dote, Ezequiel era alguém que vivia na presença de Deus, servindo a Deus e estando mes-clado com Deus. Ezequiel era esse tipo de pessoa. Embora estivesse na terra do cativeiro,
ele ainda vivia na presença de Deus e ministrava diante de Deus. Ele estava junto ao rio Quebar, não no templo santo, contudo, como um sacerdote, ele olhava para Deus, orava a Deus, contatava Deus, tinha comunhão com Deus e esperava por Deus. Visto que Eze-quiel era essa pessoa e contatava Deus dessa maneira, os céus se lhe abriram, e ele teve “visões de Deus” (v. 1).
Encorajamos todos os irmãos e irmãs no Senhor a servi-Lo como sacerdotes. Todos nós precisamos aprender a orar a Deus, contatar Deus, ter comunhão com Deus e viver diante de Deus. Se nos exercitarmos como sacerdotes dessa maneira, os céus ser-nos-ão abertos e teremos visões de Deus.
Filho de Buzi, contudo fortalecido por Deus
Ezequiel era filho de Buzi. Buzi significa “desprezo” ou “desprezado”. Ezequiel era um profeta que fora muito desprezado pelo povo e que fora tratado com desprezo. Em seu ministério, ele não recebeu qualquer glória. Se você é um Ezequiel na restauração do Senhor hoje, você deve esperar ser uma pessoa desprezada. Não pense que terá qualquer glória. Outros o desprezarão e o tratarão com desprezo.
Ezequiel significa “Deus fortalecerá”. Também significa “o Todo-poderoso é sua for-ça”. O nome Ezequiel termina com o sufixo el, que significa “o Poderoso”. Por um lado, ele era filho de Buzi, desprezado por outros. Por outro, ele era Ezequiel, fortalecido por Deus, o Poderoso. Em 38:8–9a, o Senhor disse a Ezequiel: “Eis que fiz duro o teu rosto contra o rosto deles e dura a tua fronte, contra a sua fronte. Fiz a tua fronte como o diamante, mais dura do que a pederneira”. Ele foi desprezado e tratado com desprezo, mas foi fortalecido por Deus.
Para Ezequiel, ser o filho de Buzi significava que ele era um filho de vergonha, um fi-lho de humilhação. Podemos pensar que, como um profeta, seu ministério profético teria sido glorioso. No entanto, quando lemos o Livro de Ezequiel, vemos que, ao cumprir seu ministério como profeta, ele foi constantemente desonrado e envergonhado. Deus ungiu Ezequiel para ser um sinal para o povo de Israel, um sinal de eles serem envergonhados (Ez 12:6, 11; 24:24, 27). Deus exigiu que ele realizasse certas demonstrações, e, nessas demonstrações, ele se tornou um profeta desonrado. Por exemplo, Deus lhe disse para se deitar sobre seu lado esquerdo por trezentos e noventa dias e sobre seu lado direito quarenta dias (Ez 4:4–7) e comer pão preparado com esterco de vaca (Ez 4:9–15). Deus também lhe disse para abrir um buraco na parede da cidade e carregar sua bagagem atra-vés da parede, e Ezequiel fez como lhe fora ordenado (Ez 12:1–7). Além do mais, um dia, sua esposa faleceu subitamente (Ez 24:16–18). Ezequiel, verdadeiramente, foi um filho desonrado.
Aqueles que ministram a palavra do Senhor hoje também serão filhos desonrados. Quando o povo de Deus está no cativeiro, aqueles que se levantam para ser os ministros de Deus, servindo como Seus sacerdotes e tendo Suas visões, terão que carregar a ver-gonha do povo de Deus. Uma vez que o povo cativo de Deus está enverver-gonhado, os mi-nistros de Deus também serão desonrados à medida que ministram as palavras de Deus.
Embora Ezequiel fosse um filho desonrado que sofreu vergonha e desonra, o Deus todo-poderoso foi sua força. Visto que foi empoderado por Deus, Ezequiel pôde ser forte no meio da desonra. Como um homem fortalecido e empoderado por Deus, ele pôde su-portar toda a vergonha e desonra a fim de cumprir seu ministério como profeta de Deus, oráculo de Deus.
Finalmente, considerando a introdução em Ezequiel 1:1–3, precisamos considerar as condições para ter as visões.
Os céus são abertos
“Abriram-[se] os céus, e tive visões de Deus” (Ez 1:1b). A abertura dos céus é a visitação especial de Deus. Sempre que o povo na terra é um com Deus, os céus ser-lhes-ão abertos. Na terra do cativeiro havia um homem, Ezequiel, que era maduro e que era um com Deus, e os céus lhe foram abertos. Hoje, o princípio é o mesmo. Precisamos que os céus se nos sejam abertos, contudo a fim de que os céus sejam abertos em nossa expe-riência, precisamos ser Ezequiéis. Se formos Ezequiéis hoje, teremos um céu aberto.
A primeira vez que a Bíblia menciona os céus sendo abertos foi quando Jacó estava jornadeando em sua tentativa de escapar de seu irmão Esaú. Ele teve um sonho, e, nesse sonho, os céus foram abertos para ele (Gn 28:11–17). Isso significava que Deus tenciona-va ganhar Jacó como Sua cabeça de ponte na terra, de sorte que os céus pudessem ser abertos para a terra. Quando o Senhor Jesus foi batizado, os céus foram abertos para de-clarar que havia um homem na terra que era um com Deus nos céus (Mt 3:16–17). Quando Estêvão foi martirizado, os céus se lhes foram abertos (At 7:56). Quando o Senhor Jesus voltar, os céus serão abertos outra vez. É uma grande bênção para os filhos de Deus ter os céus abertos para eles.
Depois que a terra foi ocupada por Satanás e as pessoas na terra sofreram dano de Satanás, Deus não pôde vir à terra, e os céus, onde Deus está, não pôde ser aberto para as pessoas na terra. Esta era a situação no tempo de Ezequiel. O povo de Israel tinha sido danificado por Satanás e levado para o cativeiro, e, como resultado, os céus não podiam ser abertos para eles. No entanto, entre aqueles que estavam no cativeiro, havia um sacer-dote que estava buscando a Deus e contatando-O, e que estava conectado aos céus. Os céus puderam, por conseguinte, ser abertos para ele e até mesmo desceu à terra, capaci-tando as coisas celestiais de Deus serem vistas pelo povo na terra e serem cumpridas entre eles na terra. Isso foi, verdadeiramente, um grande assunto.
Deus continua precisando de pessoas que possam fazer com que Seus céus sejam abertos. Hoje, a terra ainda está ocupada por Satanás; as pessoas na terra ainda estão nas mãos de Satanás; e a maior parte do povo de Deus ainda está no cativeiro. Portanto, há uma necessidade urgente de alguns, como Ezequiel, que buscarão a Deus, contatá-lo-ão e sercontatá-lo-ão sacerdotes de Deus ministrando diante Dele. Se Deus tiver esses Ezequiéis hoje, os céus serão abertos, as pessoas na terra poderão ter as visões celestiais, e as coi-sas celestiais serão realizadas na terra. Que, nesses dias, todos nós busquemos a Deus e O contatemos e que os céus se nos sejam abertos!
A visão recebida
Não somente os céus foram abertos para Ezequiel, mas as visões vieram, e algo foi revelado, desvelado, para ele. Deus disse a Ezequiel: “Vê com os próprios olhos, ouve com os próprios ouvidos; e põe no coração tudo quanto eu te mostrar” (Ez 40:4). Os céus foram abertos com o propósito de permitir Ezequiel ter as visões de Deus. As visões de Deus são Suas revelações, que nos capacitam a ver as coisas divinas, espirituais e ce-lestiais. Aqueles para os quais os céus não estão abertos não podem ver as coisas celes-tiais de Deus.
No capítulo um, Deus abriu o véu no céu e deixou Ezequiel ver o que estava por detrás do véu. Ezequiel viu quatro seres viventes e o trono glorioso de Deus. Por causa do que viu, ele foi encarregado de transmitir essas visões a outros. O que ele falou não foi um ensinamento ou algo imaginário, mas uma visão celestial que ele havia tido no espírito.
Todo ministro da palavra de Deus deve transmitir visões espirituais e celestiais a outros. Nestas mensagens, não estou ministrando uma teoria, um conceito, uma doutrina, ou algo da teologia sistematizada; estou ministrando uma visão dos céus abertos.
Todas as igrejas e todos os santos precisam ter visões celestiais. Portanto, o que apresentamos aos filhos de Deus não deve ser mero ensinamento ou doutrina ou conhe-cimento obtido a partir de leitura, mas uma visão que temos tido no espírito sob os céus abertos mediante nosso contato com Deus. Isso levará o povo de Deus a ser restaurado do seu cativeiro, e levará à edificação das igrejas de Deus. Espero que todas as mensa-gens liberadas entre nós na restauração do Senhor sejam cheias das visões de Deus.
A palavra de Deus vem expressamente
Deus não somente deu Suas visões a Ezequiel; Ele também lhe deu Suas palavras. Visões são revelações de Deus, que nos levam a ver algo. As palavras de Deus são Suas explicações, que nos levam a ouvir algo. Visto que Deus queria que Ezequiel não somente visse com seus olhos, mas também ouvisse com seus ouvidos (Ez 40:4), Ele lhe deu pala-vras juntamente com Suas visões. Ele explicou Suas visões com Suas palapala-vras.
As palavras que vieram a Ezequiel não foram comuns ou costumeiras; foram espe-ciais. As palavras dadas a Ezequiel, sendo especiais, frescas e vívidas, são diferentes das palavras dadas a Moisés, Isaías e Jeremias. De fato, elas são diferentes das palavras que estão em qualquer outro livro da Bíblia. Quando lemos o Livro de Ezequiel, sentimos que as palavras nesse livro são especiais. As palavras em Ezequiel são palavras especiais de Deus, que vieram de modo especial a um homem que estava em íntimo contato com Deus. Ezequiel 1:3a diz: “Veio expressamente a palavra do SENHOR a Ezequiel, (...), o sacerdote”. Essa não foi uma palavra costumeira; foi uma palavra expressa. Porquanto tal palavra expressa não vai para as exposições da Bíblia, e nem mesmo para os livros de Watchman Nee e Witness Lee, você precisa ter uma palavra expressa do Senhor. Com Ezequiel, os céus foram abertos, as visões vieram e a palavra veio expressamente.
Aqueles que são ministros das palavras de Deus precisam que Deus lhes dê não somente visões, mas também palavras especiais, palavras frescas. Precisamos ter visões celestiais de Deus, e ouvir palavras especiais de Deus. Precisamos das palavras que nos capacitarão a entender as visões, e das palavras que nos capacitarão a proclamar e a explicar o que temos visto. Que as palavras de Deus nos venham expressamente junta-mente com as visões de Deus!
A mão de Deus esteve sobre ele
Ezequiel 1:3b continua dizendo: “Esteve sobre ele a mão do SENHOR”. Aqui, vemos que a mão do Senhor segue a palavra do Senhor. A sequência é significante: os céus abertos, as visões, a palavra de Deus e a mão de Deus. A mão de Deus sempre segue Seu falar. O que quer que Ele diga, Ele faz. Se o que ministramos é verdadeiramente a palavra de Deus, a mão de Deus seguirá. No entanto, se você ministra muitas coisas e nada acontece, isso significa que você tem uma boca palradora, contudo a mão de Deus não está operando. Você precisa que a mão do Deus todo-poderoso opere o que você está falando.
Hoje, precisamos dos céus abertos; precisamos que a visão venha até nós; precisa-mos que a palavra do Senhor nos venha expressamente; e precisaprecisa-mos que a mão do Senhor esteja sobre nós. Se falamos e a mão divina não segue, então nosso falar é vã pal-rice e os outros não prestam atenção a ele. No entanto, se o que ministramos é a palavra expressa de Deus, os outros devem ser cuidadosos acerca de como lidam com essa pa-lavra. Aquele que fala a palavra expressa de Deus pode ser uma pessoa insignificante,
todavia a mão de Deus não é um assunto insignificante. Deus virá para fazer aquilo que Ele diz e para operar segundo Seu falar.
A mão de Deus sobre um homem é também para guiar o homem e levá-lo a agir (cf. 1Rs 18:46). As visões são para ver; as palavras, para ouvir; e a mão é para ação. A mão do Senhor sobre Ezequiel o susteve, guiou-o, ergueu-o e o carregou, de sorte que ele pôde agir. Depois que a mão do Senhor esteve sobre Ezequiel, tudo que ele fez foi por causa do guiar e do dirigir da mão do Senhor. A mão de Deus guiou e dirigiu Ezequiel como uma pessoa que falava por Deus. Toda ação sua estava sob a mão de Deus. Onde quer que ele fosse, o que quer que fizesse, e como agisse e se comportasse era por causa da mão guiadora e diretora de Deus. Quer estivesse preso ou livre, quer lamentasse ou se regozijasse, fosse ou viesse, tudo estava sob o guiar e dirigir da mão de Deus.
Aqui, vemos que um homem que fala por Deus não tem mais sua própria liberdade e não pode mais fazer coisas segundo sua própria conveniência. Se a mão de Deus o leva a ir a certo lugar, ele deve ir. Se a mão de Deus o dirige a fazer certa coisa, ele deve fazê-lo. Suas ações são conforme o guiar da mão de Deus e estão sob o dirigir estrito da mão de Deus. Onde ele vai e o que faz não são segundo sua escolha, mas estão sob e conforme a mão guiadora e diretora de Deus. Isso exige que alguém que fala por Deus pague um pre-ço considerável.
Todo ministro da palavra de Deus precisa cumprir as quatro condições para ter as visões de Deus. Todo aquele que fala as palavras de Deus de um modo normal deve ser alguém para quem os céus estão abertos, alguém que tem tido as visões de Deus, alguém a quem as palavras de Deus têm vindo expressamente, e alguém que tem a mão de Deus sobre si.
Que todos nós cheguemos ao “trigésimo ano”, e estejamos junto ao rio Quebar, não na corrente da Babilônia. Que todos nós tenhamos um céu aberto, tenhamos a visões de Deus, recebamos as palavras de Deus, tenhamos a mão guiadora e diretora de Deus so-bre nós. Deus precisa dessas pessoas hoje, e a igreja também precisa delas. Que todos nós nos tornemos essas pessoas para satisfazer a necessidade de Deus!
ESTUDO-VIDA DE EZEQUIEL
MENSAGEM TRÊS
O VENTO, A NUVEM, O FOGO E O METAL BRILHANTE (ELECTRO)
Leitura bíblica: Ez 1:4; Sl 75:6–7a; Ez 37:9; Jo 3:8; At 2:2, 4a; Êx 24:16a; 40:34; Dt 4:24; Hb 12:29; Ez 1:27a, 28; 8:2b, 4; Ap 4:3a; 22:1
Nesta mensagem, consideraremos Ezequiel 1:4. Esse versículo abrange quatro coi-sas principais; o vento, a nuvem, o fogo e o metal brilhante (electro). Primeiramente, um vento tempestuoso vinha do norte. Segundo, uma grande nuvem vinha juntamente com o vento. Terceiro, havia um fogo a revolver-se. Quarto, do fogo saía um metal brilhante.
NOSSAS EXPERIÊNCIAS ESPIRITUAIS
SÃO CONFORME NOSSO CONHECIMENTO DE DEUS
Gênesis 1 começa com uma palavra a respeito de Deus, e Ezequiel 1 abre com uma visão gloriosa de Deus. Aqueles que conhecem Deus podem testificar que nossas expe-riências espirituais são conforme nosso conhecimento de Deus. Semelhantemente, nosso serviço e os negócios da igreja também dependem de nosso conhecimento de Deus. O grau em que conhecemos Deus determinará tanto o grau da nossa experiência espiritual quanto à situação da igreja. Espiritualmente falando, tudo que temos depende do ser, da visão e da manifestação de Deus e de conhecermos Deus.
As visões no Livro de Ezequiel começam não com o homem, mas com Deus. As vi-sões, que começam do norte, onde Deus está, mostram-nos Deus em Sua vontade, plano, intenção, obra, ação e relacionamento com o homem. Essas visões revelam aquilo que Deus espera que o homem seja em relação a Ele. Em acréscimo aos quatros itens mencio-nados acima, as visões no capítulo um incluem os quatro seres viventes, as rodas com cambotas altas e espantosas, o firmamento como cristal brilhante, o trono glorioso de Deus e o homem sobre o trono. À medida que consideramos as visões gloriosas nesse capítulo, precisamos prestar cuidadosa atenção a todos esses assuntos.
A BÍBLIA É UM LIVRO DE FIGURAS QUE DESCREVEM COISAS ESPIRITUAIS
A Bíblia é um livro de figuras revelando-nos Deus e as coisas espirituais. Deus é Es-pírito, e, como tal, Ele é abstrato, misterioso, invisível, intangível e insondável. Não so-mente Deus é abstrato, mas todas as coisas espirituais também são abstratas. Sem as figuras na Bíblia, ser-nos-ia muito difícil entender Deus e as coisas espirituais. Em Sua sabedoria, Deus usa as coisas visíveis e materiais para descrever as coisas invisíveis e espirituais. Ademais, Ele usa sinais e símbolos para expressar os assuntos abstratos e misteriosos. Por essa razão, a Bíblia usa muitos tipos, figuras e quadros para descrever e retratar coisas espirituais.
Muitos itens no universo são símbolos de coisas espirituais. Por exemplo, o sol sim-boliza Cristo como nossa luz (Ml 4:2; Lc 1:78), e pão simsim-boliza Cristo como nosso sustento (Jo 6:35). Na realidade, todas as coisas positivas no universo podem ser usadas para re-tratar o que Cristo é para nós. A intenção de Deus em Sua criação é usar as coisas da cri-ação para ilustrar o que Cristo é. Isso significa que todo o universo veio à existência com o
propósito de descrever Cristo. Por exemplo, se a videira não fosse criada, o Senhor não poderia ter usado uma videira para descrever a Si mesmo (Jo 15:1). Se não houvesse ra-posas ou aves do céu, Cristo não poderia ter comparado Sua situação em Seu ministério àquelas das raposas com seus covis e das aves do céu com seus ninhos (Mt 8:20). Mesmo o pasto foi criado de modo que o Senhor Jesus pudesse usá-lo como ilustração de Si mesmo (Jo 10:9). Visto que o universo com os bilhões de coisas e pessoas nele foi criado com o propósito de descrever Cristo, Ele, ao revelar a Si mesmo, pode encontrar em qualquer ambiente algo que serve como ilustração de Si mesmo. Todo o universo é uma figura de Cristo. Se virmos isso, perceberemos quão rico, profundo, ilimitado e insondável Cristo é.
Da mesma forma que a Bíblia como um todo é um livro de figura, assim, Ezequiel, como uma miniatura da Bíblia, também é um livro de figura, um livro cheio de figuras. Essas figuras são apresentadas na forma de visões. As visões que Ezequiel teve estavam totalmente relacionadas com Deus e com as coisas espirituais e, portanto, não devem ser entendidas de uma maneira literal e física. Se tentarmos interpretar as visões em Ezequiel literalmente, não poderemos entendê-las.
Quando eu era jovem, não conseguia entender o Livro de Ezequiel. Quanto mais lia esse livro, mas confuso eu me tornava. Em especial, eu não conseguia entender o assunto dos quatro seres viventes. Cada um dos seres viventes tinha quatro rostos: na frente, o rosto de um homem; à direita, o rosto de um leão; à esquerda, rosto de boi; e, por trás, rosto de águia (Ez 1:5–6, 10). Ademais, “a planta de cujos pés era como a de um bezerro” e “debaixo das asas tinham mãos de homem” (Ez 1:7a, 8a). Eu pensava que o quadro dos seres viventes era muito estranho, e eu não conseguia entendê-lo de forma alguma. Agradeço ao Senhor, porquanto, à medida que, gradualmente, avancei na minha expe-riência espiritual, comecei a entender as visões em Ezequiel, comparando o registro em Ezequiel com outras porções da Palavra. Por fim, como alguém que junta as peças de um quebra-cabeça a fim de ter um quadro completo, eu juntei várias partes da Palavra e comecei a ver as figuras dos assuntos espirituais retratados no Livro de Ezequiel, perce-bendo que Ezequiel usa coisas visíveis e físicas para representar coisas espirituais. Agora, em nosso estudo de Ezequiel, precisamos ver o significado espiritual intrínseco das figuras nesse livro, considerando-as à luz de toda a Bíblia e comparando-as com nossa experi-ência espiritual.
Comecemos, agora, a considerar os quatro assuntos em Ezequiel 1:4 ponto por pon-to.
O VENTO TEMPESTUOSO Do norte
A primeira parte de Ezequiel 1:4 diz: “Olhei, e eis que um vento tempestuoso vinha do Norte”. A ARA (Almeida Revista e Atualizada) e a ARC (Almeida Revista e Corrigida), bem como a TB (Tradução Brasileira) traduzem a palavra hebraica para redemoinho de vento como “vento tempestuoso”, e eu sinto que essa tradução é preferível. Portanto, esse versículo está dizendo que um vento tempestuoso veio do norte.
Por que o vento tempestuoso vem do norte e não do sul, do leste ou do oeste? A resposta a essa pergunta é encontrada em Salmos 75:6–7a: “Porque não é do Oriente, não é do Ocidente, nem do deserto que vem o auxílio. Deus é o juiz”. Aqui, norte é substituído por Deus. Isso indica que Deus está no norte. Em termos geográficos, o norte é comumente considerado como estando em cima, e, por conseguinte, ir para o norte é subir. Deus, que está no norte, está sempre acima. Falando espiritualmente, isso significa que, quando estamos indo para o norte, estamos indo para Deus. O fato que o vento
tem-pestuoso veio do norte significa que ele veio de Deus. O lugar de habitação, a habitação, de Deus é a fonte de todas as coisas espirituais. O vento tempestuoso veio do norte, da habitação de Deus. Deus, portanto, era a fonte do vento tempestuoso.
Significa o Espírito de Deus
A palavra hebraica para vento é ruach. Ruach pode ser traduzido “vento” ou “sopro” ou “espírito” ou “fôlego” ou “respiração”. Na Versão King James em português de Ezequiel 37, essa palavra hebraica é traduzida de todas as cinco maneiras: “vento” no versículo 9; “fôlego” nos versículos 5, 8 e 10; “respiração” no versículo 6; “sopro” no versículo 9; e “Espírito” nos versículos 1 e 14. É difícil para os tradutores decidir se em determinado versículo ruach significa vento, sopro, respiração, fôlego ou espírito. A decisão deve ser feita segundo o contexto.
Em 1:4, ruach denota um vento, um vento tempestuoso que significa nada menos que o Espírito poderoso. No dia de Pentecostes, houve um vento impetuoso e violento que encheu toda a casa onde os cento e vinte estavam assentados. Então, todos eles ficaram cheios do Espírito Santo (At 2:2, 4a). Sem dúvida, esse vento impetuoso e violento era o Espírito poderoso.
Em João 3:8, o Senhor Jesus disse: “O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito”. Al-gumas versões mostram em uma nota de rodapé que a palavra vento nesse versículo é uma tradução da palavra grega para espírito, pneuma. A palavra hebraica ruach e a pala-vra grega pneuma têm exatamente o mesmo significado. Como ruach, a palapala-vra pneuma pode ser traduzida “vento”, “sopro”, “fôlego”, “respiração” ou “espírito”. Assim, nesse versí-culo, as palavras gregas traduzidas o vento sopra podem também ser traduzidas “o Espíri-to sopra”. Em Ezequiel 1:4, o venEspíri-to forte e tempestuoso é uma figura, um quadro, do Es-pírito poderoso de Deus.
Na Bíblia, o vento tem significado tanto negativo quanto positivo. Em seu significado negativo, o vento é um símbolo ou sinal, do juízo de Deus sobre o homem. Esse é o significado do vento em Daniel 7:2 e em Apocalipse 7:1. Em seu significado positivo, o vento é um símbolo ou sinal, do sopro ou a descida do Espírito Santo sobre o homem para cuidar deste. Isto, obviamente, é o significado do vento impetuoso e violento em Atos 2. No Livro de Ezequiel, o vento também tem esse duplo significado: o significado negativo ___ o
juízo de Deus ao levantar circunstâncias mediante as quais Ele julga aqueles que se rebelam contra Ele; o significa positivo ___ na vinda do Espírito ao homem para fazer este
ter a vida de Deus. O vento tempestuoso em Ezequiel 1 tem seu significado positivo.
Nossas experiências espirituais
sempre começam com uma tempestade espiritual
Nossas experiências espirituais sempre começam com uma tempestade espiritual. Segundo a história da igreja, em todas as gerações, o Espírito de Deus tem soprado como um vento violento para mover as pessoas a se arrepender dos seus pecados, a crer no Senhor Jesus para sua regeneração, a desistir do mundo a fim de seguir o Senhor, e a fi-car desesperadas de coração e ardente no espírito para servir o Senhor. Você não teve esse tipo de experiência? Você não sentiu o vento de Deus soprando sobre você? Você não foi tocado pelo Espírito de Deus? Você não sentiu, pelo menos uma vez em sua vida, que um determinado poder (o vento tempestuoso de Deus) estava movendo-se sobre vo-cê, levando-o a odiar o pecado, a ter uma atitude diferente para com o mundo ou a mudar
sua visão concernente à sua vida? Se você jamais teve essas experiências, você precisa olhar para o Senhor e orar para que Seu vento do norte sopre sobre você.
Um jovem promissor, que era um membro forte de um partido político, experimentou esse vento do norte no momento de sua conversão. Um dia, ele entrou em um templo de ídolos e viu a Bíblia sobre a mesa que era usada para a oferta. Ele se aproximou da Bíblia e leu uns poucos versículos. Repentinamente, o Espírito Santo soprou sobre ele, e ele foi convencido dos seus pecados. À medida que o vento do Espírito continuou soprando sobre ele, ele começou a se arrepender dos seus pecados e a fazer uma confissão cabal, clamando amargamente enquanto se prostrava e até mesmo rolava sobre o chão. Ele foi salvo mediante o sopro de um vento violento do norte.
A visitação de Deus sempre começa com o sopro do vento de Deus sobre nosso ser. Você não experimentou uma tempestade, o sopro do Espírito de Deus, quando foi salvo? Talvez você fosse um jovem estudante não se preocupando com nada a não ser simples-mente em ir para a escola, estudar e brincar. Então, um dia, uma tempestade veio até você. Um vento impetuoso soprou sobre você e o pôs de cabeça para baixo. Isso o levou a considerar o significado da vida humana, e você começou a se perguntar de onde você veio e para onde estava indo. Esse foi o resultado do sopro de um vento impetuoso. Creio que toda pessoa salva experienciou essa tempestade no momento da conversão.
Não posso esquecer a tormenta que experimentei no dia em que fui salvo. Como um jovem, com a idade de vinte anos, eu era cheio de ambição e estava estudando dura-mente, buscando o conhecimento do mundo a fim de ter um bom futuro. Contudo, um dia, ouvi acerca de uma reunião evangelística, e decidi participar. Naquela reunião, enquanto eu ouvia uma forte mensagem do evangelho, um vento impetuoso soprou sobre mim e me pôs de cabeça para baixo.
Uma tempestade vem até nós da parte do Senhor não somente no momento de nossa conversão, mas também depois de termos sido salvos. Quer sejamos jovens ou velhos, todos nós experienciamos o vento impetuoso. Por exemplo, alguns entre nós na vida da igreja eram, anteriormente, missionários ou obreiros cristãos. Um dia, uma tem-pestade veio até eles do norte e colocou tudo de cabeça para baixo. Isso os fez buscar o Senhor desesperadamente e, por fim, vir para a vida da igreja.
Na realidade, um vento impetuoso soprou sobre nós em cada reviravolta na nossa vida espiritual. Esse vento impetuoso é o próprio Deus soprando sobre nós para trazer uma tormenta à nossa vida, à nossa obra e à nossa igreja. É verdadeiramente uma graça termos tempestades vindo até nós da parte de Deus. Quando estamos seguindo o Senhor, experimentaremos tormenta após tormenta. Não posso dizer quantas tempestades têm me vindo, mas posso testificar que todas elas são dignas de lembranças. Toda tempestade se torna uma lembrança agradável. Creio que, quando estivermos na eternidade, lembrare-mos das tormentas que experimentalembrare-mos.
Sempre que Deus nos visita e nos reaviva, Seu Espírito sopra sobre nós como um vento violento. Precisamos experimentar o Espírito dessa maneira: mais, melhor e mais forte e melhor. Tenho o profundo anseio que, nesses dias, o Espírito de Deus sopre forte-mente sobre nós como um vento violento.
A NUVEM
A nuvem sempre segue o vento tempestuoso. Se tivermos o vento, seguramente, teremos a nuvem, pois a nuvem é o resultado do soprar do vento. Como um vento impe-tuoso, a nuvem significa o Espírito Santo. Quando o Espírito Santo nos toca, Ele é como o vento. Quando o Espírito Santo nos visita e nos tolda, Ele é como a nuvem. Primeiramente, o Espírito Santo sopra sobre nós como o vento para nos mover, e, em seguida, Ele permanece em nós como uma nuvem a nos cobrir.
O Deus pairador
vem como o vento e permanece como a nuvem
A nuvem em Ezequiel 1:4 é uma figura de Deus cobrindo Seu povo. Podemos usar a palavra pairador e dizer que a nuvem era Deus pairando sobre Seu povo. A nuvem, portan-to, era nada menos que o Deus pairador. Deus vem como o venportan-to, contudo Ele permanece como a nuvem. Ao permanecer como a nuvem, Ele nos cobre, nos tolda e paira sobre nós para nos dar o desfrute da Sua presença, pela qual produz algo de Si mesmo em nossa vida diária. Que maravilha! Esse é o Deus cobertor tipificado pela nuvem cobertora.
Ao considerar a história do povo de Israel, podemos entender mais plenamente o significado da nuvem. Várias vezes, Deus lhes apareceu e os visitou como uma grande nuvem que os toldava. Por exemplo, depois que os israelitas saíram do Egito, eles passaram pelo Mar Vermelho. A respeito disso, Paulo diz: "Nossos pais estiveram todos sob a nuvem e todos passaram pelo mar, e todos foram batizados em Moisés, tanto na nu-vem como no mar” (1Co 10:1–2 ). A nunu-vem que cobriu os filhos de Israel tipifica o Espírito de Deus. Por fim, os filhos de Israel chegaram ao Monte Sinai e se acamparam ali. Em Êxodo 19:9, o Senhor disse a Moisés: “Eis que eu virei a ti numa nuvem espessa” (ARC), e “uma nuvem espessa cobriu o monte” (Êx 19:16). No capítulo vinte e quatro, é-nos dito que “uma nuvem cobriu o monte”, que “do meio da nuvem chamou o SENHOR a Moisés” e que “Moisés entrou no meio da nuvem” (ARC – Êx 19:15, 16, 18). Posteriormente, depois que a tenda do encontro foi erguida por Deus, a glória de Deus encheu a tenda e a nuvem a cobriu e permaneceu sobre ela (Êx 40:34–35). Todas as pessoas podiam ver que a nuvem estava cobrindo a tenda do encontro. Essa nuvem significava a visitação de Deus e Sua permanência com eles.
A nuvem também significa o cuidado de Deus com Seu povo e Seu favor para com eles. Ele lhes aparecia como uma nuvem, cobrindo-os e toldando-os, a fim de cuidar deles. Provérbios 16:15 diz que o favor do rei é como “a nuvem que traz chuva serôdia”. Em Sua visitação graciosa, Deus nos vem como uma nuvem que cuida de nós e nos mostra favor.
Experimentar e desfrutar Deus como a nuvem graciosa
Em Ezequiel 1:4, a nuvem é mencionada em relação ao vento. Juntos, o vento e a nuvem são uma indicação que uma transação importante está prestes a acontecer entre Deus e o homem. Pelo menos, de tempo em tempo, em nossa vida cristã, precisa haver uma transação espiritual significante entre Deus e nós. Creio que todo aquele que genui-namente foi salvo experimentou essa transação. Experimentamos também uma transação espiritual durante tempos de reavivamento. Primeiramente, o Espírito Santo nos toca e nos move, levando-nos a nos voltarmos ao Senhor, ver nossa corrupção e nos arrependermos e confessarmos nossos pecados. Então, temos o sentimento que Deus é como uma nu-vem nos visitando, toldando-nos e cobrindo-nos. Podemos sentir também que a graça de Deus está sobre nós, cobrindo-nos como um dossel.
Deus é o vento soprador, e é também a nuvem cobertora e o toldo cobertor. Sempre que experimentamos Deus como o vento soprador, nós também temos o sentimento que, depois que Ele sopra sobre nós, Ele permanece conosco, toldando-nos e cobrindo-nos e pairando sobre nós. Esse é Deus como a nuvem graciosa. O soprar do vento traz-nos a presença de Deus na forma de uma nuvem celestial, pairadora e toldadora.
Quando fui salvo, experimentei não somente o soprar de um vento violento do norte sobre todo o meu ser, mas também a presença do Senhor toldando-me como uma nuvem. Sob esse toldo, comecei a me perguntar: “O que é vida afinal de contas? Devo continuar
no caminho em que estou?” Por causa do vento soprador e da nuvem toldadora, uma tran-sação importante aconteceu entre mim e Deus. Uma experiência genuína e um verdadeiro reavivamento envolvem tanto o vento espiritual quanto a nuvem espiritual.
Não posso esquecer a experiência particular que tive de Deus como uma nuvem toldadora em 1935. Em um Dia do Senhor à tarde, eu estava ministrando acerca do Espíri-to. Em determinado momento, tive o sentimento que uma nuvem havia descido e estava me cobrindo. Embora eu não visse nada com meus olhos físicos, senti que algo estava me toldando. Fui envolvido pela nuvem que me cobria, e tive um sentimento profundo da pre-sença do Senhor de um modo muito definido e prático. Naquele momento, a prepre-sença do Senhor era, verdadeiramente, como uma nuvem. Essa experiência foi uma questão não somente de fé, mas também de algo que podia ser sentido. Eu senti que estava coberto e toldado pela presença do Senhor. Foi poderoso, agradável, confortador, fortalecedor e energizador. A congregação percebeu que algo havia acontecido e que a atmosfera havia mudado, e, imediatamente, comecei a falar de uma forma poderosa.
Muitos de nós temos experimentado o Senhor como uma nuvem toldadora. Quando você ora, arrependendo-se e confessando seus pecados, você pode sentir que está sob a cobertura de um dossel ou de uma nuvem. Pode ter sido sua experiência que, durante seu reavivamento matinal ou durante um tempo de ler e orar a Palavra, um vento impetuoso de Deus veio e soprou sobre você. Em seguida, depois do soprar do vento, uma nuvem veio e permaneceu com você, talvez por um dia inteiro. Durante todo o dia, você teve o senti-mento que algo estava seguindo-o, toldando-o, cobrindo-o e pairando sobre você, e você desfrutou a presença do Senhor o dia inteiro.
Posso testificar que tenho experimentado isso muitas vezes. À medida que estava em contato com o Senhor de manhã cedo, o Espírito veio até mim como um vento forte do norte, e, imediatamente, entrei na presença do Senhor, que era como uma nuvem me co-brindo. Sua presença se tornou meu desfrute e, durante o dia, experimentei Sua cobertura e desfrutei Sua presença.
Todos nós precisamos experimentar a presença do Senhor como uma nuvem pai-radora e toldadora. Não devemos ficar contentes com meras doutrinas e ensinamentos. Em vez de chegar à Bíblia buscando mais conhecimento, precisamos buscar o próprio Senhor. Quando chegamos à Palavra, devemos orar: “Senhor, preciso do vento e da nuvem. Senhor, sopra sobre mim como um vento impetuoso do norte e cobre-me com a nuvem toldadora. Vem até mim como o vento e permanece comigo como a nuvem”.
O FOGO
Ezequiel viu que a nuvem que o toldava estava coberta com fogo faiscando revol-vendo-se continuamente. Isto também é um assunto que corresponde à nossa experiência espiritual. Quando o vento impetuoso vem do Senhor e a presença toldadora do Senhor permanece, temos o sentimento que algo dentro de nós está brilhando, perscrutando e queimando. Sob tal brilhar, iluminar, perscrutar e queimar, podemos perceber que estamos errados em determinadas coisas. Por exemplo, podemos perceber que nossa atitude para com um irmão em especial está errada. Sob o brilhar e o perscrutar da presença do Senhor, somos expostos, e nos condenamos e confessamos nossas falhas. Então, o fogo perscrutador destruirá as coisas negativas dentro de nós.
O fogo visto por Ezequiel significa o poder queimante e santificador de Deus. Tudo que não é compatível com a natureza e disposição santas de Deus deve ser destruído. Somente aquilo que é compatível com Sua santidade pode passar pelo Seu fogo santo. Isso pode ser confirmado por nossa experiência espiritual. O Espírito Santo vem para con-vencer as pessoas do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16:8). Sempre que o Espírito Santo nos tocar e nos levar a confessar nossos pecados e orar, sentiremos a necessidade de
sermos santificados e de termos toda a corrupção purgada em nosso ser. Perceberemos que tudo que não é compatível com a santidade de Deus deve ser destruído. Se alguém reivindica ter sido visitado por Deus, mas não tem qualquer sentimento concernente a seus pecados e impiedade, essa pessoa não tem sido verdadeiramente tocada pelo Espírito de Deus. Quando Deus visita uma pessoa, Seu fogo santo virá para consumir as coisas nega-tivas nela. Esse fogo queimante também nos leva a sermos iluminados. Quanto mais o fogo do Espírito Santo queimar em nós, mais seremos purificados e iluminados.
Se experimentarmos o Senhor dessa maneira, não haverá necessidade de que outros nos digam que estamos errados em determinados assuntos ou que nossa atitude para com um irmão em particular está errada. Se alguém tenta nos corrigir, podemos ficar ofendidos. Contudo, mesmo se recebermos uma palavra de correção e, em seguida, tentarmos nos melhorar, isso não significa nada à medida que a vida interior está em questão. Precisamos estar sob o iluminar e perscrutar da presença do Senhor. Quanto mais estivermos sob esse iluminar, mais estaremos dispostos a dizer: “Senhor Jesus, queima-me! Não sou bom para nada, exceto para ser queimado. Ó Senhor, destrói minha disposição. Destrói minhas intenções, minha auto-realização, meus motivos e meus alvos”. Essa é uma experiência genuína da vida interior, não um mero ensino.
Depois de ministrar a Palavra ao povo do Senhor por muitos anos, tenho aprendido que mero ensino não realiza nada. Todos nós precisamos do soprar do vento, do toldar da presença do Senhor, e do perscrutar e queimar desse fogo. Nosso Deus é fogo consumi-dor (Dt 4:24; Hb 12:29). O vento, a nuvem e o fogo são todos o próprio Senhor. Quando Ele vem, Ele vem como um vento impetuoso. Quando Ele permanece conosco, Ele perma-nece como a nuvem. Quando Ele nos perscruta e nos queima, Ele perscruta e queima como o fogo consumidor. Ninguém pode experienciar o Senhor como o vento soprador, como a nuvem cobertora, e como o fogo queimante e consumidor sem passar por uma mudança e transformação verdadeiras. Todos nós precisamos de transformação pelo fogo. Todos nós precisamos ser transformados mediante sermos queimados.
Nosso Deus, o Senhor Jesus, não é somente a água viva, mas também o fogo con-sumidor. Muitos cristãos apreciam Ezequiel 47, porquanto esse capítulo fala do rio que flui. Precisamos perceber que o rio que flui não é a primeira coisa em Ezequiel. Antes, o rio vem depois do fogo. O fogo está no capítulo um, e o rio está no capítulo 47. O fogo sempre vem primeiro. A fonte do fogo é o vento soprador com a nuvem cobertora. Disso, depreendemos que o fogo não nos vem diretamente. Deus vem até nós como o vento soprador e permanece conosco como a nuvem cobertora. Sob Sua cobertura, somos expostos pelo Seu brilhar. À medida que estamos sob Seu brilhar, devemos confessar nossa necessidade do Seu queimar e, em seguida, devemos orar para que Ele destrua nosso ego, nossa velha natureza, nossa disposição, nossa mundanalidade, e nossas atitudes, objetivos, alvos, motivos e intenções. Todos nós precisamos ser queimados pelo Senhor dessa maneira. Esse queimar é melhor que milhares de ensinamentos.
O METAL BRILHANTE (ELECTRO) INCANDESCENTE
A intenção de Deus não é simplesmente queimar-nos e nos tornar cinzas. Deus é um Deus bom com um bom propósito. Qual é Seu propósito ao soprar sobre nós como o vento, e cobrir-nos como a nuvem, e consumir-nos como o fogo? A resposta a essa per-gunta é que, do fogo, aparece o electro incandescente. O queimar do fogo divino é para a manifestação do electro.
A palavra hebraica para electro é muito difícil de traduzir. Em sua nota sobre Ezequi-el 1:4, em sua New Translation (Nova Tradução), J. N. Darby diz que a palavra hebraica denota “uma substância desconhecida; alguns pensam em uma mistura de ouro com prata”. Na versão judaica, usa-se a palavra electro. Electro é uma liga de ouro e prata.