PROJETO DE LEI Nº 281/2012
Poder Executivo
Dispõe sobre o reajuste dos pisos salariais no âmbito do Estado do Rio Grande do Sul para as categorias profissionais que menciona, com fundamento na Lei Complementar Federal nº 103, de 14 de julho de 2000, que autoriza os Estados e o Distrito Federal a instituir o piso salarial a que se refere o inciso V do art. 7º da Constituição Federal, por aplicação do disposto no parágrafo único do seu art. 22.
Art. 1º O piso salarial a que se refere o inciso V do artigo 7º da Constituição Federal, nos termos da Lei Complementar Federal nº 103, de 14 de julho de 2000, no âmbito do Estado do Rio Grande do Sul, será:
I - de R$ 770,00 (setecentos e setenta reais) para os seguintes trabalhadores: a) na agricultura e na pecuária;
b) nas indústrias extrativas;
c) em empresas de capturação do pescado (pesqueira); d) empregados domésticos;
e) em turismo e hospitalidade; f) nas indústrias da construção civil;
g) nas indústrias de instrumentos musicais e de brinquedos; h) em estabelecimentos hípicos;
i) empregados motociclistas no transporte de documentos e de pequenos volumes - “motoboy”; j) empregados em garagens e estacionamentos; e
k) empregados em hotéis, restaurantes, bares e similares;
II - de R$ 787,73 (setecentos e oitenta reais e sete e setenta e três centavos) para os seguintes trabalhadores:
a) nas indústrias do vestuário e do calçado; b) nas indústrias de fiação e de tecelagem; c) nas indústrias de artefatos de couro; d) nas indústrias do papel, papelão e cortiça;
e) em empresas distribuidoras e vendedoras de jornais e revistas e empregados em bancas, vendedores ambulantes de jornais e revistas;
f) empregados da administração das empresas proprietárias de jornais e revistas; g) empregados em estabelecimentos de serviços de saúde;
h) empregados em serviços de asseio, conservação e limpeza; e
i) empregados em empresas de telecomunicação, “telemarketing”, “call-centers”, operadoras de “voip” (voz sobre identificação e protocolo), TV a cabo e similares;
III - de R$ 805,59 (oitocentos e cinco reais e cinquenta e nove centavos), para os seguintes trabalhadores:
a) nas indústrias do mobiliário;
b) nas indústrias químicas e farmacêuticas; c) nas indústrias cinematográficas;
d) nas indústrias da alimentação; e) empregados no comércio em geral;
f) empregados de agentes autônomos do comércio; e
g) empregados em exibidoras e distribuidoras cinematográficas;
IV – de R$ 837,40 (oitocentos e trinta e sete reais e quarenta centavos), para os seguintes trabalhadores:
a) nas indústrias metalúrgicas, mecânicas e de material elétrico; b) nas indústrias gráficas;
c) nas indústrias de vidros, cristais, espelhos, cerâmica de louça e porcelana; d) nas indústrias de artefatos de borracha;
e) em empresas de seguros privados e capitalização e de agentes autônomos de seguros privados e de crédito;
f) em edifícios e condomínios residenciais, comerciais e similares; g) nas indústrias de joalheria e lapidação de pedras preciosas;
h) auxiliares em administração escolar (empregados de estabelecimentos de ensino);
i) empregados em entidades culturais, recreativas, de assistência social, de orientação e formação profissional; e
j) marinheiros fluviais de convés, marinheiros fluviais de máquinas, cozinheiros fluviais, taifeiros fluviais, empregados em escritórios de agências de navegação, empregados em terminais de contêineres e mestres e encarregados em estaleiros.
§ 1º Consideram-se compreendidos nos incisos e alíneas integrantes do caput deste artigo as categorias de trabalhadores integrantes dos grupos do quadro anexo do artigo 577 da Consolidação das Leis do Trabalho.
§ 2º Consideram-se abrangidos por esta Lei todos os trabalhadores que não forem integrantes de uma categoria profissional organizada e não possuírem lei, convenção ou acordo coletivo, que lhes assegure piso salarial.
§ 3º A data-base para reajuste dos pisos salariais, a partir de 2013, é 1º de fevereiro.
Art. 2º Os pisos fixados nesta Lei não substituem, para quaisquer fins de direito, o salário mínimo previsto no inciso IV do artigo 7º da Constituição Federal.
Art. 3º Esta Lei não se aplica aos empregados que têm piso salarial definido em lei federal, convenção ou acordo coletivo e aos servidores públicos municipais.
Art. 4º Nos contratos que forem firmados pelo Poder Executivo a partir da vigência da presente Lei, bem como nos aditivos dos contratos em vigor, os salários dos trabalhadores não poderão ser inferiores ao previsto no inciso I do art. 1º, desta Lei.
Art. 5º O valor de referência previsto no caput do art. 1º da Lei nº 11.677, de 17 de outubro de 2001, que dispõe sobre a remuneração mínima a ser paga para os servidores públicos da Administração Direta, das Autarquias e das Fundações de Direito Público, passa a ser R$ 837,40 (oitocentos e trinta e sete reais e quarenta centavos) a partir de 1º de fevereiro de 2013.
Art. 6º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo seus efeitos a partir de 1º de fevereiro de 2013.
JUSTIFICATIVA
salariais no âmbito do Estado do Rio Grande do Sul para as categorias profissionais que menciona, com fundamento na Lei Complementar Federal nº 103, de 14 de julho de 2000, que autoriza os Estados e o Distrito Federal a instituir o piso salarial a que se refere o inciso V do art. 7º da Constituição Federal, por aplicação do disposto no parágrafo único do seu art. 22, e dá outras providências.
Em junho de 2011, foi divulgada pela Fundação Getúlio Vargas a pesquisa “Emergentes dos Emergentes”, noticiando que o Brasil apresentava, então, metade da população de miseráveis que tinha há oito anos: são vinte e oito milhões de pessoas ou 15,32% (quinze inteiros e trinta e dois centésimos) dos brasileiros. Para alcançar esse número impressionante, além de vários programas de cunho assistencial, a valorização do salário mínimo nacional desempenhou papel fundamental, pois é o instrumento mais eficaz de proteção do trabalhador assalariado e de distribuição de renda.
Embora a política de valorização do salário mínimo nacional tenha sido bem sucedida, os resultados objetivos ainda estão muito aquém do desejável, pois os índices de desigualdade social no país continuam sendo demasiadamente altos, sendo que 15% (quinze por cento) de brasileiros ainda vive em situação de miséria e o valor do salário mínimo ainda está muito longe do necessário para o trabalhador suprir despesas básicas como alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.
O programa do atual Governo do Estado foi construído tendo por eixo a retomada do desenvolvimento econômico associado ao social, para colocar o Rio Grande do Sul no ritmo de crescimento do Brasil.
Nos dois primeiros anos, buscando aumentar a competitividade das empresas gaúchas, o Governo adotou diversas medidas beneficiando diretamente o setor empresarial, como a decisão de não aumentar impostos, o novo FUNDOPEM, apoio e financiamento ao cooperativismo e à economia local, anistia de dívidas de quarenta e cinco mil famílias de pequenos agricultores; Plano Safra Gaúcho, Simples Gaúcho, investimentos em pesquisa científica, ensino técnico e superior; Política para Indústria Oceânica e Pólo Naval.
Para promover o desenvolvimento social, foram criados programas como o RS Mais Igual, que complementa o Bolsa Família, o de Microcrédito e o Pro Uni, que ampliou o acesso a escolas e universidades.
Entretanto, a melhora na qualidade de vida da população tem de passar, também, por um processo de distribuição de renda, sendo o piso regional, em complementação ao salário mínimo, instrumento eficaz para alcançar esse objetivo, pois permite que cada Estado considere, na fixação da remuneração dos trabalhadores, a dinâmica da economia local. Basta mencionar que o objetivo da delegação de competência conferida aos Estados para estabelecerem pisos regionais, por meio da Lei Complementar n. 103, de 14 de julho de 2000, foi basicamente, criar mais um instrumento de distribuição de renda.
Apesar de alguns setores oferecerem resistência à manutenção do piso regional, colocando-o como empecilho ao crescimento da economia e à livre relação entre empregados e empregadores, o temor é injustificado, pois a legislação resguardou expressamente a soberania das convenções e acordos coletivos de trabalho sobre o piso regional.
Convém ressaltar, ainda, que a política de valorização do piso no RS deu-se em ambiente de importante redução da taxa de desemprego: segundo dados da FEE, a Região Metropolitana registrou em 2012 o menor nível para um mês de setembro, 6,9% (seis inteiros e nove décimos).
No primeiro semestre de 2012, o PIB gaúcho recuou 4,1%(quatro inteiros e um décimo), principalmente em razão do período de forte estiagem que afetou a lavoura do Estado e do fraco comportamento da indústria, este puxado pela crise européia e pelo baixo desempenho da indústria nacional. Entretanto, o processo de retomada do crescimento já iniciou: a expectativa atual para o PIB gaúcho em 2012 é de variação em torno de -2% (menos dois por cento) a 0% (zero por cento), com crescimento robusto em 2013. Além disso, o setor de serviços e o de comércio apresentaram desempenho positivo no mesmo período, entre 3,3% (três inteiros e três décimos) e 2,3% (dois inteiros e três décimos), respectivamente.
Não obstante, sensível aos efeitos do recuo do PIB no primeiro semestre, em relação à data-base do piso regional, fica esta alterada para o dia 1º de fevereiro de 2013, e não para o dia 1º de janeiro de 2013, como estava previsto no § 2º do artigo 1º, que dispôs: “A data-base para reajuste dos pisos salariais, a partir de 2013, será em 1.º de janeiro”.
Por tais razões, o Poder Executivo reafirma seu compromisso com a instituição de uma política de valorização do piso salarial regional, por reconhecê-lo como instrumento de distribuição de renda e redução da desigualdade social, em sintonia com a política de desenvolvimento em curso no país e no próprio Estado.
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RC 281/2012
OF.GG/SJL/UAL - 253 Porto Alegre, 14 de novembro de 2012.
Senhor Presidente:
Dirijo-me a Vossa Excelência para encaminhar-lhe, no uso da prerrogativa que me é conferida pelo artigo 82, inciso III, da Constituição do Estado, o anexo Projeto de Lei que Dispõe sobre o reajuste dos pisos salariais no âmbito do Estado do Rio Grande do Sul para as categorias profissionais que menciona, com fundamento na Lei Complementar Federal nº 103, de 14 de julho de 2000, que autoriza os Estados e o Distrito Federal a instituir o piso salarial a que se refere o inciso V do art. 7º da Constituição Federal, por aplicação do disposto no parágrafo único do seu art. 22, a fim de ser submetido à apreciação dessa Egrégia Assembleia Legislativa, no regime de urgência previsto no artigo 62 da Carta Estadual.
A justificativa que acompanha o Expediente evidencia as razões e a finalidade da presente proposta.
Atenciosamente,
TARSO GENRO, Governador do Estado.
Excelentíssimo Senhor Deputado ALEXANDRE POSTAL, Digníssimo Presidente da Assembleia Legislativa,
Palácio Farroupilha, NESTA CAPITAL.
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PROJETO DE LEI Nº 281/2012 EMENDA Nº 1
Deputado(a) Heitor Schuch
Introduz modificação no Projeto de Lei nº 281/12, que dispõe sobre o reajuste dos pisos salariais no âmbito do Estado do Rio Grande do Sul para as categorias profissionais que menciona, com fundamento na Lei Complementar Federal nº 103, de 14 de julho de 2000, que autoriza os Estados e o Distrito Federal a instituir o piso salarial a que se refere o inciso V do art. 7º da Constituição Federal, por aplicação do disposto no parágrafo único do seu art. 22.
Fica acrescentada uma alínea, que será a "k", no inciso IV do art. 1º do Projeto de Lei nº 281/12, com a seguinte redação:
"Art. 1º - ... ...
IV - ... ...
k - empregados nas empresas de compra, venda, locação e administração de imóveis." Sala das Sessões,
JUSTIFICATIVA
Pelo quinto ano consecutivo, os empregados nas empresas de compra, venda, locação e administração de imóveis no Rio Grande do Sul através de sua representação sindical, tem procurado esta Casa Legislativa, alertando e pleiteando sua inclusão na lei do Piso Salarial Estadual.
As regras insertas no projeto de lei encaminhado pelo Executivo (inclusive com a nominação das categorias de trabalhadores alcançadas pelo Piso Salarial Estadual) não permitem, clara e especificamente, afirmar-se que esta categoria tenha direito a receber qualquer um dos salários estabelecidos.
Numa visão mais genérica e ampliada, existem vozes que defendem que esta categoria - empregados nas empresas de compra, venda, locação e administração de imóveis no Rio Grande do Sul - estaria incluída na faixa que traz inclusa os empregados do comércio em geral (faixa III); outras, afirmam que estaria contemplada no faixa I, isso por integrar a categoria do “turismo e hospitalidade”.
Tais defesas/posicionamentos/teses, no entanto, não encontram guarida na realidade do mundo do trabalho: quem trabalha em imobiliárias (realizado a administração de imóveis e de condomínios, a
locação de imóveis ou intermediando a venda de terrenos, apartamentos e casas) não realiza atividades
diversões, agências de turismo e parque temáticos) e, muito menos no comércio em geral. Afora isso, o recente agrupamento da categoria dos imobiliários (empregados de imobiliárias) sob o pálio da FEDERAÇÃO NACIONAL DOS EMPREGADOS EM EMPRESAS DE COMPRA, VENDA, LOCAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO DE IMOVEIS, RESIDENCIAIS E COMERCIAIS E EMPREGADOS DAS ADMINISTRADORAS DE SHOPPING CENTERS - FENEECOVI afasta qualquer pretensão de enquadramento em uma ou outra categoria.
Tudo isso, sem contar que, os empregados de imobiliárias há quase trinta anos, possuem a sua própria organização sindical, o SEMIRGS – SINDICATO dos Empregados nas empresas de compra, venda, locação e administração de imóveis no Rio Grande do Sul. A corroborar o que se afirma pode-se citar o fato que o ramo econômico, agrupado sindicalmente pelo SECOVI/RS, tem seu segmento próprio de atuação, não sendo reconhecido como integrante da categoria do COMÉRCIO EM GERAL ou do TURISMO E HOSPITALIDADE. A entidade patronal é conhecida e tida com integrante do setor de SERVIÇOS.
Aqui, cabe pontuar-se que o ramo de intermediação de venda de imóveis e, consequentemente, o de administração de imóveis e condomínios tem uma enorme significação no crescimento da economia, na manutenção da economia aquecida, sendo seus índices de crescimento evidentes, chegando a ultrapassar a casa de 10% (dez por cento) ao ano, como apontam as pesquisas divulgadas na imprensa.
Por outro lado, cabe apontar-se que, a manutenção das atuais faixas de Piso Salarial, continuará a gerar dúvidas, indefinições e intranquilidade aos trabalhadores, principalmente nas negociações encaminhadas para o interior do Estado.
A proposta que ora se apresenta considerou, além das ponderações postas, (1) os pisos salariais negociados entre o sindicato obreiro e as entidades patronais existentes no Estado, assim como, (2) os atuais patamares de remuneração média praticada no Estado, senão veja-se:
Região piso salarial negociado remuneração média praticada
(de 04/2012 a 03/2013)
Zona Sul do Estado R$735,00 R$ 994,96
Região central do Estado R$735,00 R$ 755,46
Vale do Taquari R$735,00 R$ 826,85
Porto Alegre e demais regiões R$740,00 R$1.159,04
Assim, necessária a inclusão da categoria dos empregados nas empresas de compra, venda, locação e administração de imóveis no Rio Grande do Sul, na faixa que mais se harmoniza com a média salarial, ou seja, a faixa IV.
Sala das Sessões,
Deputado(a) Heitor Schuch
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PROJETO DE LEI Nº 281/2012 EMENDA Nº 2
Introduz modificações no Projeto de Lei nº 281/12. Modifica o § 3º do art. 1º e o art. 6º do Projeto de Lei nº 281/12, que passam a constar com as seguintes redações:
“Art. 1º - … …
§ 3º - A data-base para reajuste dos pisos salariais é de 1º de janeiro. …
Art. 6º - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.”
JUSTIFICATIVA
A presente emenda propõe que a data-base do piso regional seja 1º de janeiro a partir do ano de 2013, acompanhando o que já vem sendo feito com o salário mínimo nacional.
A Lei nº 13.436, de 5 de abril de 2010, de nossa autoria, já apontava para a antecipação da data-base sucessivamente em 2011 em 1º de março e em 2012 em 1º de janeiro.
Ressaltamos que a Lei nº 13.960, de 27 de março de 2012, também assinalou que a data-base em 2013 seria 1º de janeiro.
Portanto, nossa intenção é fazer valer as sucessivas legislações já aprovadas por esta Casa. Sala das Sessões,