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PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO ACÓRDÃO

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Academic year: 2021

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Registro: 2014.0000175506

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos de Apelação nº 0001785-58.2010.8.26.0224, da Comarca de Guarulhos, em que é apelante PREFEITURA MUNICIPAL DE GUARULHOS, é apelado FRANCISCO CORREA DE SIQUEIRA NETO.

ACORDAM, em 5ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo, proferir a seguinte decisão: "Negaram provimento ao recurso. V. U.", de conformidade com o voto do Relator, que integra este acórdão.

O julgamento teve a participação dos Exmos. Desembargadores NOGUEIRA DIEFENTHALER (Presidente sem voto), MARCELO BERTHE E FERMINO MAGNANI FILHO.

São Paulo, 24 de março de 2014. Leonel Costa

RELATOR Assinatura Eletrônica

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AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS

APELAÇÃO: 0001785-58.2010.8.26.0224

APELANTE: PREFEITURA MUNICIPAL DE GUARULHOS

APELADO: FRANCISCO CORREA DE SIQUEIRA NETO

Juiz 1ª Instância: José Roberto Leme Alves de Oliveira

VOTO 17753

RESPONSABILIDADE CIVIL - AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR

DANOS MATERIAIS E MORAIS Evento danoso consistente na

queda, sobre a casa do autor, de árvore que não havia sido podada

pela Prefeitura.

RESPONSABILIDADE DO MUNICÍPIO Danos materiais e morais

suportados pelo autor pela queda de árvore Nexo causal entre danos

e falta de manutenção da árvore

Conduta negligente da

Municipalidade que caracteriza culpa administrativa Honorários

advocatícios fixados de forma equitativa Sentença de procedência

que deve ser mantida. Recurso não provido.

Vistos.

Trata-se de apelação em ação ordinária ajuizada por Francisco Correa de Siqueira Neto em face da Prefeitura de Guarulhos, buscando indenização por danos materiais e morais sofridos em razão da queda de árvore em sua casa.

A r. sentença de fls. 253/255 julgou procedente a ação, com fundamento no artigo 269, inciso I, do CPC, para condenar a requerida ao pagamento de indenização por danos materiais no valor de R$ 1.527,00 (um mil e quinhentos e vinte e sete reais), corrigidos desde a data do evento danoso, mais juros de mora a partir da citação; e indenização por danos morais no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), com juros e correção monetária a contar da publicação desta sentença. Condenou, ainda, o Município ao pagamento das custas, despesas processuais e honorários de advogado fixados em R$ 2.000,00 (dois mil reais), na forma do art. 20, § 4º, do CPC.

Inconformada, apela a requerida, ao argumento de que deve ser afastada a culpa da Municipalidade no caso em tela, eis que não houve omissão do Município, haja vista

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que diante da solicitação de remoção de árvores apresentada pelo autor em 22 de junho de 2004, um engenheiro agrônomo compareceu ao local, e este constatou que a árvore, estava em bom estado fitossanitário e não apresentava nenhuma patologia, sendo, autorizada somente a poda de galhos, desnecessária a sua extração; que o sinistro ocorreu em virtude de fenômeno natural, fortes chuvas e ventos, oque exclui a responsabilidade objetiva do Poder Público no evento danoso, não havendo que se falar em indenização. Postula a improcedência da ação pela ocorrência de caso fortuito ou força maior, excludentes de responsabilidade. (fls. 266/278).

Recurso tempestivo, isento de preparo e respondido às fls. 283/290. É o relatório.

Voto.

Trata-se de ação de indenização por danos materiais e morais decorrentes da queda de uma árvore sobre o imóvel residencial do autor.

A Constituição da República assegura o direito à indenização por danos decorrentes de atos ilícitos, ainda que os danos sejam puramente morais (art. 5º, X), não estando o Estado alijado da norma geral de direito consagrada no antigo e célebre dispositivo do art. 159 do Código Civil de 1916 (“Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência, ou imprudência, violar direito, ou causar prejuízo a outrem, fica obrigado a reparar o dano.”), norma reescrita nos artigos 186 e 927 do novo Código Civil.

A noção da indefectibilidade da reparação do dano está ligada ao conceito da própria Justiça:

"Iustitia est constans et perpetua voluntas ius suum cuique tribuendi. Iuris

praecepta haec sunt: honeste vivere, alterum non laedere, suum cuique tribuere". (A Justiça consiste na constante e perpétua vontade de atribuir

a cada um o que lhe pertence. As regras do Direito são: viver honestamente, não molestar os demais e dar a cada um o que lhe é devido). (Ulpiano)

A responsabilidade do Estado, neste caso, deve circunscrever-se à teoria subjetiva. É importante esclarecer que não se trata de ato comissivo que ensejaria a

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responsabilidade objetiva , mas sim de ato omissivo, consistente na ausência de medidas que evitassem a queda da árvore. Celso Antônio Bandeira de Mello explica essa diferença:

“É mister acentuar que a responsabilidade por 'falta de serviço', falha do serviço ou culpa do serviço (faute du service, seja qual for a tradução que se lhe dê) não é, de modo algum, modalidade de responsabilidade objetiva, ao contrário do que entre nós e alhures, às vezes, tem-se inadvertidamente suposto. É responsabilidade subjetiva porque baseada na culpa, (ou dolo)...” (in Curso de Direito Administrativo. 12. ed. São Paulo: Malheiros, 2000, p. 785).

A corroborar tal entendimento, vale menção de comentário exarado por Thetônio Negrão:

Em geral, nas situações em que se imputa uma omissão ao Estado, a jurisprudência tem exigido a prova de dolo ou culpa para sua responsabilização. É o que se reconhece por faute de service. Nesse sentido: STF-2ªT., RE 179.147-1, Min. Carlos Velloso, j.12.12.97, DJU 27.2.98; STJ-2ªT., REsp 418.713, Min. Franciulli Netto, j. 20.5.03, DJU 8.9.03; STJ-RT 836/151 (2ª T.); RT 837/350, 866/186, RJM 174/132, 184/92 (AP 1.0439.06.057459-7/002), Bol. AASP 2.584. (in Código Civil e Legislação Civil em vigor, 31ª Ed., p. 58).

Tem-se, assim, que para a caracterização da responsabilidade em caso de omissão deve ser verificado se o Estado tinha meios e podia evitar o dano, pois a conduta só é exigível se possível o cumprimento pelo ente público.

E, no caso dos autos, o autor comprovou documentalmente ter requerido a remoção da árvore e que os seus galhos apresentavam risco de queda em mais de uma oportunidade (fls. 16/18), quedando-se inerte o ente público mesmo diante da solicitação insistente do particular e da ciência do risco da ocorrência do acidente, risco esse que se concretizou em 25 de abril de 2008.

Assim, a conduta da Prefeitura caracteriza negligência, demonstrando-se a sua culpa, o que enseja a indenização.

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Nesse sentido é a Jurisprudência pacífica neste E. TJSP, por exemplo:

0360370-57.2009.8.26.0000 Apelação Relator(a): Fermino Magnani Filho

Comarca: Americana

Órgão julgador: 5ª Câmara de Direito Público Data do julgamento: 02/12/2013

Data de registro: 05/12/2013

Ementa: RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO Queda de árvore Danos materiais e morais Causalidade material e causalidade subjetiva Dever de indenizar Ausência de evento imprevisível da natureza Fortes chuvas que hoje se mostram incapazes de elidir a responsabilidade dos entes públicos Sentença reformada em parte Reexame necessário provido em parte Recursos de apelação da Companhia Paulista de Força e Luz CPFL e da Prefeitura de Americana providos em parte.

0001138-42.2011.8.26.0252 Apelação Relator(a): Danilo Panizza

Comarca: Ipauçu

Órgão julgador: 1ª Câmara de Direito Público Data do julgamento: 12/11/2013

Data de registro: 14/11/2013

Outros números: 11384220118260252

Ementa: APELAÇÃO INDENIZAÇÃO QUEDA DE ÁRVORE EM VIA PÚBLICA RESPONSABILIDADE CARACTERIZAÇÃO PROCEDÊNCIA. A queda de árvore localizada em via pública é da responsabilidade da municipalidade, em face da sua incumbência de conservação, que integra o contexto do serviço público, resultando na obrigação de indenizar aquele que tiver seu carro danificado pelo resultado de tal queda. Decisão mantida. Recurso negado.

Comprovado o nexo causal entre os danos experimentados pelo autor e o ilícito praticado pela Municipalidade, além da culpa desta, de rigor a condenação nos termos fixados. O quantum indenizatório, de R$ 5.000,00, se mostra razoável diante do descaso do Município que nada fez para reparar os danos, razão pela qual merece ser mantido.

Igualmente os honorários advocatícios, que foram corretamente fixados, também não merecendo qualquer reparo esta parte da condenação, já que observados os ditames do artigo 20, §4º, do Código de Processo Civil, bem como levado em consideração a complexidade da causa.

Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso.

Leonel Costa Relator

Referências

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