Projeto financiado com o apoio da Comissão Europeia.
A informação contida nesta publicação vincula exclusivamente o autor, não sendo a Comissão responsável pela utilização que dela possa ser feita.
Autores: Irina Celades l Teresa Ros Com a contribuição de: Cristina Rocha l Oihana Hernaez l
Módulo teórico:
Visão geral do Design para a
Sustentabilidade
Introdução a este módulo
Objetivos dos módulos
• Estabelecer a relação entre os aspetos sociais, económicos e ambientais com o design, produção e produtos-serviços.
• Explicar a importância do pensamento de ciclo de vida no DfS • Perceber a necessidade de considerar o DfS no processo de design • Apresentar a implementação do DfS e do materiais didáticos do
Sinndesign
• Expor os principais aspetos e os fatores de motivação para o DfS.
• Apresentar os diferentes enquadramentos para o DfS: Tendências de inovação no sector do habitat e as tendências políticas europeias
Introdução à visão geral do Design para a Sustentabilidade
O conteúdo deste módulo pretende dar uma visão geral do conceito do DfS e dos aspetos relevantes que devem ser considerados na sua implementação desde as fases iniciais do processo de design, tais como o pensamento de ciclo de vida, que pode ser considerado essencial nesta área se se pretende ir para além de produzir um “produto verde”, integrando as três dimensões da sustentabilidade – people, planet, profit.
Outros tópicos abordados são os fatores de motivação e os principais drivers no sector do habitat que as empresas estão atualmente a promover para integrar o DfS no processo de design.
Por outro lado, é de salientar que o DfS abrange estratégias desde a inovação incremental até à inovação radical. A questão da inovação está brevemente referida neste módulo, mas para informação detalhada recomenda-se a consulta do módulo sobre o processo de inovação.
Finalmente, encontram-se exemplos de tendências de inovação nos diferentes sectores SInndesign, bem como futuras tendências no quadro legislativo.
Material de suporte
Para informação mais detalhada consulte o material de suporte disponível em
Design para a Sustentabilidade – visão geral
Slides
The DfS can be defined as product developing industries and their partners
along the product chain considering the environmental and social aspects of
their products and processes as key elements of long-term product innovation
strategies and daily practices – [Crul and Diehl (2006)].
Por outro lado o DfS pode ser considerado uma ferramenta que contribui para
o desenvolvimento sustentável.
O que é o Design para a Sustentabilidade (DfS)?
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
PARA
DESIGN PARA A SUSTENTABILIDADE
Os 3 componentes do desenvolvimento sustentável Ambiente saudável Crescimento económico Justiça social Sociedade sustentável
Principais atributos do processo
de integração do DfS
Enhancing social equity. It promoteshuman well being and fair burden sharing across societies
Create equitable value for customers and stakeholders along the
global value chain
Fit within the carrying capacity of supporting
ecosystems
Considerar a Perspetiva de Ciclo de Vida no processo de desenvolvimento, evitando os efeitos de transferência e de ricochete; dessa forma devem ser utilizadas metodologias de avaliação quantitativa e/ou qualitativa da sustentabilidade
Assegurar que todo o processo de DfS esteja enraizado nas práticas existentes, em termos de gestão da sustemtabilidade da organização
DESIGN FOR SUSTAINABILITY PHILOSOFY
SOURCE: HTTP://AUDREYBARNESDESIGN.COM/DESIGN-PHILOSOPHY
Assegurar a interação entre os aspetos ambientais, sociais e económicos desde as fases iniciais do processo de desenvolvimento, incluindo as necessidades dos clientes bem como as expetativas societais
Pensamento de ciclo de vida…
é ir além das abordagens tradicionais na indústria e nos processos produtivos.O ciclo de vida é o conjunto de todas as fases, desde a extração e processamento das
matérias primas pasando pela produção,
embalagem, distribuição, uso, manutenção, e eventualmente reciclagem, reutilização,
recuperação e destino final.
FIGURE 2 LIFE CYCLE THINKING PRODUCT SYSTEM.
Porquê o Design para a Sustentabilidade ?
Nos últimos cem anos, o consumo mundial de materiais per capita duplicou, enquanto que o da energia primária triplicou.
Neste sentido, a sociedade deve tomar consciência de que atualmente já se está a extrair em excesso, mais do que o nosso planeta pode produzir ou reconstituir num determinado período, como pode ser visto na figura abaixo.
É necessário estabelecer políticas, ações e estratégias para assegurar a
sustentabilidade do planeta, que tem uma capacidade finita. Ao nível do design de produtos, isto significa ter preocupações ambientais e sociais ao longo do vida de um produto, além do preço, bem-estar e qualidade.
HUMANITY’S ECOLOGICAL FOOTPRINT. SOURCE: LIVING PLANET REPORT 2014, WWF.
O DfS é reconhecido mundialmente como
a forma como as empresas podem
melhorar a sua eficiência, mantendo ou melhorando a qualidade do produto, e aumentando as oportunidades de
Mercado, enquanto melhora
simultaneamente os impactes ambientais e sociais e os beneficios económicos. [Crul, M., 2009]
O factor de motivação mais relevante para integração do DfS nas organizações deve ser o assegurar o
desenvolvimento sustentável para as gerações futuras.
O DfS deve ser uma oportunidade para aumentar o desempenho das empresas em termos de
sustentabilidade, enquanto simultaneamente aumenta a sua rentabilidade.
Em geral, as motivações para implementar o DfS podem vir do próprio negócio (DRIVERS INTERNOS) ou do
exterior da empresa (DRIVERS EXTERNOS).
Principais fatores de
DRIVERS INTERNOS para o DfS
Aspetos Sociais
Equidade social pode reduzir o risco de problemas sociais e do trabalho Forte política social pode aumentar a motivação dos funcionários.
Governança e os sistemas de gestão em aspetos sociais podem auxiliar as empresas a alcançar maior visibilidade
junto dos stakeholders Aspetos ambientais
Marketing “verde”: os elementos ambientais de valor acrescentado podem aumentar o valor da marca e da sua
reputação
Consciência ambiental dos gestores
Aspetos económicos
Alcançar novos consumidores de “mercados sustentáveis”
Melhoria da qualidade do produto: fiabilidade e funcionalidade estão frequentemente ligadas para alcançar um
produto mais sustentável
Redução de custos na cadeia de valor
Impulsionar o valor da marca e da reputação
Inovação do produto: encontrar soluções para satisfazer as necessidades e expetativas dos clientes Diferenciação pela marca
Novas oportunidades para criação de valor
Principais fatores de
DRIVERS EXTERNOS PARA O DfS
Aspetos sociais
Opinião pública: os consumidores estão a exigir mais informação Pressão das ONG para práticas controversas e impactes relacionados
Aspetos ambientais
Requisitos legislativos força as empresas a serem mais proativasorce companies to be more proactive Requisitos de divulgação em informação ambiental direcionado para fornecedores e clientes
Programas de rotulagem ecológica, elemento adicional para o marketing das empresas
Requisitos de organização dos consumidores tais como segurança, baixa toxicidade e produtos recicláveis Pressões de grupos defensores de causas ambientais (ex: eliminação de CFCs)
Pressão direta da comunidade “vizinha”
Aspetos económicos
Normas nos aspetos de sustentabilidade vão tornar-se mais rigorosas e poderá forçar as empresas a melhorar os seus
produtos
Regimes de subsidios estão disponíveis nalguns países para melhorar os aspetos da sustentabilidade da produção e de
produtos.
Concorrência de fornecedores estão a conduzir a que empresas se tornem mais sustentáveisa Procura dos clientes por produtos sustentáveis
A competição do mercado: a indústria deve mellhorar o desempenho inovador dos seus produtos, revendo os aspetos
da sustentabilidade dos seus produtos
Principais fatores de
Principais drivers da inovação no domínio do habitat: • Rápidas mudanças demográficas e urbanização
• Cidades sustentáveis e abertas que promovem o envolvimento dos cidadãos e a as TIC • Novas habitações e a redução da dimensão do agregado familiar
• Novas drivers do mercado: novas experiências de compra, redes sociais, mundos virtuais da internet para informação e formação
• Importância crescente da reconstrução, conservação e reabilitação de edificios antigos • Modularidade e constante renovação e restyling do espaço.
NOVAS ABORDAGENS
AO PRODUTO
Novos materiais
PESSOAS: novos e diferentes valores, necessidades e preferências Simples e “remade” Interativo e participativo Responsável e eficiente Versátil e multifuncional Bem-estar e intuitivo
Criativo e com novas utilizações Produto de base tecnológica
Principais fatores de
Este novo tipo de pensamento e de prática é denominado mentalidade “do berço ao berço” (cradle to cradle
mentality) [Zoboli et al., 2014;
EEA, 2014].
Que inovações estão abrangidas pelo DfS ?
O DfS contempla estratégias desde a inovação
incremental até à radical, suportando o
desenvolvimento de uma economia baseada nos principios da eficiência de recursos, abrangendo todo o ciclo de vida dos produtos [Great Recovery project, 2013].
É notável que a inovação sustentável e o design não se centram só nas novas tecnologias, mas também no repensar as coisas de modo a que se alcance a necessidade de crescimento reduzindo os impactes ambientais e sociais negativos.
Como aplicar o DfS?
A atividade de design é um processo criativo, a metodologia para implementar o DfS nas organizações depende do nível de inovação e é dificil de sistematizar.
Para as empresas interessadas em aplicar o DfS, é recomendado iniciar com partes dos seus produtos e estender gradualmente o projeto a todo o processo de melhoria e redesign dos produtos; o DfS pode ir tão longe como o design radical, incluindo os
processos de desenvolvimento dos sistema produto/serviço
.
Para obter mais informação sobre a
implementação do DfS, consultar o módulo Processos de DfS, onde são referidas duas abordagens sobre inovação (ver próximo slide).
Melhoria e redesign de produtos
Design radical e desenvolvimento de Sistemas Produto/Serviço
Abordagens passo a passo à implementação do DfS
Iniciativas estruturais em DfS: Políticas e estratégicas
O Conselho do Ambiente da União Europeia concordou que “a dimensão ambiental da estratégia da Europa 2020 deve ser fortemente reafirmada”. Em particular, as conclusões do Conselho destacam os instrumentos que podem tornar a economia mais “verde” e circular, tais como as taxas ambientais, as compras públicas ecológicas, o eco-design e a eco-inovação [European Commission, 2015].
Existem muitas iniciativas ao nível da UE para aumentar a consciencialização sobre a necessidade em usar de modo mais eficiente os recursos escassos. No próximo slide são apresentadas as iniciativas mais relevantes ao nível da UE. Para mais informação sobre estas iniciativas ver os links na secção de referências e bibliografia.
Estratégia para a biodiversidade Matérias Primas Economia da energia e do baixo carbono 2050 Alterações climáticas Change “Blue print” da água
2050
Programa resíduo zeroESTRATÉGIAS EUROPEIAS PARA 2050
Iniciativas estruturais em DfS: inovações no sector
do habitat
Inovação nos materiais:
• Materiais sustentáveis
• Materiais eficientes • Materiais recicláveis
Inovação do Produto:
•Eco-design
•Re-design para a economia circular - design das modular (tipo “peças de LEGO”)
•Rótulos ecológicos e harmonização de normas •Eco-taxas, no caso de France
•Reciclagem e sistemas “take back”
•Consciência de projeto que conduz a mercados em massa , ex. IKEA
Inovação do processo:
•Eficiência energética
•Tecnologias MTD (Melhores Tecnicas Disponiveis)
•Redução de resíduos
•Redução das emissões (COV- Compostos Voláteis Orgânicos)
Inovação organizacional:
•Foco nos aspetos da sustentabilidade
•Processos de gestãoManagement processes •Responsabilidade social
•Parcerias com centros de formação profissional/ universidades
•Redes ao longo da cadeia de fornecimento
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Inovação nos materiais:
•Conteúdo reciclado/reciclabilidade •Eficiência de recursos
•Novas aplicações de superficie •Iluminação
•Pavimentos anti escorregadios •Superficies
hidrofóbicas/antibacterianas •Novos acabamentos
•Materiais de porosidade variável •Semi transparência
Inovação do produto:
•Inovação nas formas
•Integração de energias renováveis •Integração de aplicações de domótica •Produtos multifincionais
•Novos métodos para a instalação do produto
•Novas especialidades, acessórios e sistemas de instalação •Novas fachadas
•Industrialização de sistemas de construção
Inovação nos processos:
• Recuperação de energia • Eficiência energética
• Novos métodos de decoração • Novos tratamentos mecânicos • Tratamentos hidrofóbicos • Aplicações laser
Inovação organizacional:
•Redes próprias de distribuição para produtores de materiais de construção
•Pensamento sistémico: fornecimento de soluções completas de projeto
•Serviços adicionais ao longo da cadeia de valor •Novos sistemas de armazenamento e de distribuição
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Iniciativas estruturais em DfS: inovações no sector
do habitat
7. TENDENCIAS INNOVADORAS EN LOS SECTORES SINNDESIGN
Aplicações inovadoras em têxteis técnicos:
• Estética, funcionalidade, durabilidade e sustentabilidade dos materiais texteis, • Aplicações combinando leveza, força, e
resistência à deformação ou erosão ácido/alcalino, poluição, raios UV, …
Cultura de ecodesign:
• Fraca cultura de ecodesign
• Aumento dos materiais com rotulagem “verde” (fibras naturais, fibras recicladas,...) • Substituir PVC por PU
Classificação dos têxteis mais sustentáveis – Classificação ambiental dos materiais têxteis pelo ®made-by.org
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Iniciativas estruturais em DfS: inovações no sector
do habitat
Design para a sustentabilidade – visão geral
Referências e bibliografia adicional
Este documento é parte dos materiais de formação desenvolvidos no projeto SInnDesign. Pode ser usado na íntegra ou em parte para fins educacionais, desde que a fonte seja citada, sem autorização especial dos autores.
Os autores do SInnDesign agradecem o envio de uma cópia de qualquer publicação, apresentação ou curso que utilize este material como fonte.
Mais informações sobre o projeto, materiais de formação e contactos disponíveis em:
www.sinndesignproject.eu
Projeto financiado com o apoio da Comissão Europeia.
A informação contida nesta publicação vincula exclusivamente o autor, não sendo a Comissão responsável pela utilização que dela possa ser feita.