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Efeitos do Processamento para Redução de Micotoxinas na Produção de Ração

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Academic year: 2021

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1Estudante de Mestrado em Agronomia, UFMS/CPCS-MS, Ant. Estrada para Faz. Campo Bom – Caixa postal 112 – Chapadão do Sul / MS – 79560-000, Fone: (0XX67) 3562-6320, [email protected]

2Estudante de Graduação em Agronomia, UFMS/CPCS-MS

3Eng° Agrícola, Professor Adjunto II, UFMS/CPCS, [email protected]

Efeitos do Processamento para Redução de

Micotoxinas na Produção de Ração

Lélia Vanessa Milane

1

, Lucas Jandrey Camilo

2

, Rodrigo

Augusto Schultz

2

, Paulo Carteri Coradi

3

RESUMO

O objetivo deste estudo foi avaliar os efeitos do processamento da ração na redução de níveis de contaminação por aflatoxinas e fumonisinas. Foram utilizados dois tratamentos diferentes, em milho com alta e baixa contaminação na formulação da ração e três tempos condicionais (30, 45 e 60 segundos) na peletização da ração à temperatura de 82 ºC. No primeiro tratamento para os níveis de contaminação mais elevados, 66,87 kg de milho sadio foram misturados 28,30 kg de milho contaminado durante três minutos. No segundo tratamento para níveis de contaminação mais baixos, 91,09 kg de milho saudável foram misturados 4,08 kg de milho contaminado. Os tempos condicionais de 30 e 45 segundos antes da peletização, aumentou os níveis de aflatoxinas e fumonisinas na ração de 151,7 ppb e 14,5 ppm, respectivamente. Em contraste, o tempo de 60 segundo reduziu os níveis de aflatoxinas e fumonisinas na ração final. Concluiu-se que, as etapas de processamento da ração influenciou positivamente nas reduções dos níveis de aflatoxinas e fumonisinas na ração final.

Palavras-chave: animais, contaminação, indústria, matéria-prima, qualidade.

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INTRODUÇÃO

As micotoxinas são substâncias tóxicas produzidas por fungos que crescem em condições adequadas no campo, no armazenamento e transporte. Os três principais fungos produtores de micotoxinas são Aspergillus sp., Fusarium sp., e Penicillium sp. (Brera et al., 2004). Certas cepas desses fungos produzem esses metabólitos tóxicos quando cresce em um substrato adequado, que tem a umidade necessária, temperatura e alguns outros fatores, como pH e estresse vegetal (Krska et al., 2005; Coradi et al., 2014). Os animais expostos a níveis tóxicos podem produzir uma ampla gama de sintomas. Baixas concentrações de várias micotoxinas têm sido mostradas para reduzir o ganho de peso, reduzir o tamanho das ninhadas, deformar prole, reduzir a produção de ovos, e reduzir a produção de leite.

Em qualquer tentativa científica para estabelecer um nível seguro de uma micotoxina, parece ser essencial para definir a segurança e critérios a serem utilizados na sua criação. É muito difícil de configurar níveis válidos e aceitos de desempenho na produção animal a nível mundial e, é ainda mais difícil de produzir números e correlações que se referem diretamente ao impacto dos riscos. No entanto, um estudo sobre os limites e normas mundiais para micotoxinas foi publicado pela FAO recentemente (FAO, 2004).

Na maioria dos países em todo o mundo, os níveis legislados de aflatoxinas são de 20 µg kg-1 para alimentos humanos. Os resultados deste estudo destacam

a necessidade de uma legislação de micotoxinas na indústria de ração animal. No entanto, pouca ou nenhuma informação disponível sobre contaminação micológica e potencial de produção de micotoxinas por cepas isoladas durante o processamento de ração para aves. Assim, o objetivo deste trabalho foi avaliar os efeitos do processamento da ração na redução dos níveis de aflatoxinas e fumonisinas, formuladas com milho de alta e baixa contaminação, e em três tempos condicionais (30, 45 e 60 segundos) na peletização da ração à temperatura de 82 ºC.

MATERIAL E MÉTODOS

Para a formulação da ração foi usado dois tratamentos (baixos e altos níveis de contaminação do milho) testados, para verificar as reduções do índice

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reciclado, em seguida coletadas em cinco diferentes pontos de profundidade com auxílio de um calador composto. As amostras coletadas foram colocadas em balde plástico, de cor branca e de capacidade de 20 litros, para homogeneização manual. A partir da amostra homogeneizada, três amostras de 1 kg foram retiradas e armazenadas em sacos plásticos e submetidas para análises. Os mesmos procedimentos foram feitos, para a coleta de amostras, no lote de milho usado para a formulação da ração e após a moagem e mistura dos produtos e subprodutos. As rações formuladas dos tipos farelada e peletizada, após passarem pela temperatura de 82 ºC, em diferentes tempos de exposição (30, 45 e 60 segundos) foram colocadas em uma câmara de resfriamento, em seguida, as amostras foram coletadas, da mesma forma que as anteriores. Para todas as amostras foram realizadas análises físicas (teor de água e massa específica), microbiológicas (Aspergillus sp., Fusarium sp., Penicillium sp.) e de micotoxinas (aflatoxinas e fumonisinas).

Para determinar o teor de água das rações, foram pesados 2 g de amostras em três repetições. As amostras foram colocadas em estufa regulada a uma temperatura de 135 ºC + 2 ºC durante 2 horas. Após as duas horas, as amostras

foram retiradas e colocadas para resfriar em um dessecador. Em seguida, determinou-se o teor de água em (% b.u.) pela diferença de peso da amostra inicial e final (AAFCO, 2003).

A massa específica das frações de milho foi determinada com auxílio de um picnômetro (modelo SPY2, Quantachrome Corp., Sysset, NY), a qual tem seu funcionamento baseado nos princípios de Arquimedes. A massa específica da amostra de milho foi determinada pela relação massa/volume, dada em (g m-3). Foram feitas três repetições para cada amostra.

Para a avaliação microbiológica foi utilizada a metodologia descrita por Abarca et al. (1994). Todas as amostras foram incubadas por três dias, em temperatura de 28 ºC + 1 ºC, em seguida foi feita a contagem de colônias de

Aspergillus sp. e Fusarium sp. em UFC g-1.

As análises de aflatoxinas totais (B1, B2, G1 e G2) e fumonisinas totais (FM1 e FM2), em três repetições foram realizadas com uso da metodologia Enzyme Linked Immunosorbent Assay (ELISA), utilizando o kit comercial AgraQuant® da

Romers Lab. (USDA, 1998).

A análise estatística foi realizada com auxílio do programa SISVAR, versão 4.0. Os resultados médios foram comparados pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

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RESULTADOS E DISCUSSÃO

Na Tabela 1 são observadas as condições iniciais de contaminação microbiológica e de micotoxinas, nos lotes de milho recebidos pela indústria de fabricação de ração e da porção contaminada naturalmente, obtida para mistura e formulação da ração, em níveis diferentes de contaminação.

Na contagem de colônias de fungos das espécies Fusarium e Aspergillus foram observados que os grãos de milho contaminados naturalmente estavam 8,3 e 8,2 vezes mais contaminados que os grãos de milho do lote normal, respectivamente. Por outro lado, observou-se 2,39 e 6 vezes mais contaminação quanto aos índices de aflatoxinas e fumonisinas, respectivamente, nos grãos de milho contaminado naturalmente do que nos lotes de grãos recebidos para uso na fábrica de ração.

Tabela 1. Distribuição da contaminação nos lotes de milho em condição normal de uso na fábrica de ração e contaminado

Milho

Análises Físicas

Análises Microbiológicas Análises

Micotoxinas Ma (g cm-3) Teor água (%) Fusarium (UFC) g-1 Aspergillus (UFC) g-1 Aflab (ppb) Fc (ppm)

Normal 1,4678 B 11,6 A 4,0A 8,0A 29,8 A 0,7 A

d

Contam. 1,2479 A 11,8 A 31,3 B 65,7 B 71,3 B 4,2 B

Médias seguidas pela mesma letra maiúscula na coluna não tem diferença significativa a 5% de probabilidade. aMassa específica, bAflatoxinas, cFumonisinas, dContaminado.

Nas Tabelas 2, 3 e 4 foram comparados os resultados da redução de contaminação, para as rações formuladas com baixos e altos percentuais de milho contaminado, durante as etapas de processamento da ração, usando 30, 45 e 60 segundos de exposição das rações, a temperatura de 82 ºC na peletização.

Analisando-se os níveis de aflatoxinas nos tratamentos de 30 e 45 segundos, observou-se que houve reduções das contaminações de 23% do início do processamento das rações, para 47% na ração final, enquanto para os níveis de fumonisinas, as reduções foram de 85%.

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rações formuladas em níveis mais altos de contaminação prevaleceram com pior qualidade, em todas as etapas da produção. Em exceção, os níveis de fumonisinas manteram-se iguais, entre os tratamentos de alta e baixa contaminação com 45 segundos de exposição da ração a temperatura de 82 ºC.

Tabela 2. Efeitos do uso de temperatura de 82 ºC em um tempo de 30 segundos na etapa de peletização para redução do nível de contaminação

Tipo

processamento

Aflatoxina total (ppb) Fumonisina total (ppm)

Baixoa Altoa Baixoa Altoa

b Mist. milho 10,5 Aa 112,6 Cb 0,4 Aa 1,7 Ab c Mist. subpr. 9,2 Aa 86,3 Bb 0,7 Aa 2,2 Ab d Exp. ração 82ºC 20,5 Ba 140,0 Db 6,1 Ca 14,8 Cb Ração peletizada 8,3 Aa 58,8 Ab 2,8 Ba 6,5 Bb

Médias seguidas pela mesma letra maiúscula na coluna e letra minúscula na linha, não tem diferença significativa a 5% de probabilidade. aNível de contaminação. bMistura de lotes de milho

em condições normais com diferentes níveis contaminações. cMistura de subprodutos e milho. dExposição da ração formulada a temperatura de 82 ºC.

Tabela 3. Efeitos do uso de temperatura de 82 ºC em um tempo de 45 segundos na etapa de peletização para redução do nível de contaminação

Médias seguidas pela mesma letra maiúscula na coluna e letra minúscula na linha, não tem diferença significativa a 5% de probabilidade. aNível de contaminação. bMistura de lotes de milho

em condições normais com diferentes níveis contaminações. cMistura de subprodutos e milho. dExposição da ração formulada a temperatura de 82 ºC.

Avaliando-se os índices de contaminações por aflatoxinas e fumonisinas, Magnolia et al. (2004) observaram em condições normais de trabalho, 0,8 ppb de aflatoxinas e 15 ppm de fumonisinas presentes na ração final, enquanto isto, Fraga (2007), verificou que 100% das amostras das rações finais estavam contaminadas com níveis de 65,3 ppb de aflatoxinas.

Comparando-se os resultados deste trabalho com os citados, foi possível observar disparidade entre os níveis de contaminações das rações, no entanto, pode-se considerar que o controle na fase de processamento, como por exemplo,

Tipo

processamento

Aflatoxina total (ppb) Fumonisina total (ppm)

Baixoa Altoa Baixoa Altoa

b Mist. milho 10,5 Aa 112,6 Cb 0,4 Aa 1,7 Ab c Mist. subpr. 9,2 Aa 86,3 Bb 0,7 Aa 2,2 Ab d Exp. ração 82 ºC 18,3 Ba 151,7 Db 5,3 Ca 14,5 Bb Ração peletizada 8,5 Aa 49,5 Ab 2,6 Ba 2,5 Aa

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Tipo

processamento

Aflatoxina total (ppb) Fumonisina total (ppm)

Baixoa Altoa Baixoa Altoa

b Mist. milho 10,5 Ca 112,6 Db 0,4 Aa 1,7 Bb c Mist. subpr. 9,2 Ca 86,3 Cb 0,7 Aa 2,2 Bb d Exp. ração 82 ºC 4,5 Ba 5,5 Ba 0,0 Aa 0,4 Aa Ração peletizada 2,3 Aa 2,5 Aa 0,0 Aa 0,3 Aa

na peletização, consegue-se reduzir o nível de contaminação na fase final da ração. Isto podem ser claramente observados nos resultados com o tratamento de 60 segundos.

Tabela 4. Efeitos do uso de temperatura de 82 ºC em um tempo de 60 segundos na etapa de peletização para redução do nível de contaminação

Médias seguidas pela mesma letra maiúscula na coluna e letra minúscula na linha, não tem diferença significativa a 5% de probabilidade. aNível de contaminação. bMistura de lotes de milho

em condições normais com diferentes níveis contaminações. cMistura de subprodutos e milho. dExposição da ração formulada a temperatura de 82 ºC.

Para aflatoxinas houve uma redução da contaminação da ração final formulada, tanto para baixo e alto índice de contaminação, de 97% e 78%, respectivamente. Enquanto para as fumonisinas, as reduções de contaminação chegaram a 100% e 97% para os tratamentos de baixo e alto nível inicial de contaminação.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AAFCO. Association of American Feed Control Official. Official Publication 2003, Association of American Feed Control Official, 2003.

ABARCA, M. L.; BRAGULAT, M. R.; CASTELLA, G.; CABANES, F. J. Mycoflora and aflatoxin-producing strains in animal mixed feeds. J. Food Prot. v. 57, p. 256-258, 1994.

CORADI, P. C.; LACERDA FILHO, A. F.; CHAVES, J. B. P.; SANTOS, R. R. Re-duction of the contamination in the processes of feed proRe-duction using the sys-tem of Hazard Analysis and Critical Control Points (HACCP). Revista Brasileira

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processing on the distribution of fumonisin B1 in dry milling corn fractions. Jour-nal Food Protection, v. 67, p. 1261-1266, 2004.

FAO. Food and Agriculture Organization. Worldwide regulations for mycotoxins in food and feed, Rome, 2004.

FRAGA, M. E.; CURVELLO, F.; GATTI, M. J.; CAVAGLIERI, L. R.; DALCERO, A. M.; ROSA, C. A. Potential aflatoxin and ochratoxin A production by Aspergillus species in poultry feed processing, Veterinary Research Communications, v. 31, p. 343-353, 2007.

KRSKA, R.; WELZIG, E.; BERTHILLER, F.; MOLINELLI, A.; MIZAIKOFF, B. Ad-vances in the analysis of mycotoxins and its quality assurance. Food Addit. Contam. v. 22, p. 345-353, 2005.

MAGNOLI, C.; ASTORECA, A.; PONSONE, L.; COMBINA, M.; PALACIO, G.; ROSA, C. A. R.; DALCERO, A. M. Survey of mycoflora and ochratoxin A in dried vine fruits from Argentina markets. Letters in Applied Microbiology, v. 39, p. 326-331, 2004.

USDA. United States Department of Agriculture. Design criteria and test per-formace specifications for quantitative aflatoxin and fumonisin test kits. Federal Grain Special Service Quality Assurance and Research Division, 1998.

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