Universidade Federal de Juiz de Fora
Faculdade de Educação/ CAED
Mestrado Profissional em Gestão e Avaliação da Educação Pública.
GRUPO 18
Ana Maria Gomes Andrade
Francisco Auricélio Rodrigues Dias
Ivania Miranda Rodrigues Cardoso
Jose Carlos Pereira
Jose Celio Pinheiro
Raimundo Correa De Oliveira
Rozineide Maria dos Santos
O XADREZ ESCOLAR COMO FERRAMENTA DE ESTÍMULO AO
RACIOCÍNIO LÓGICO ENTRE OS ALUNOS DA REDE PÚBLICA DE
ENSINO DO ESTADO DO PIAUÍ
Juiz de Fora - MG
2014
Universidade Federal de Juiz de Fora
Faculdade de Educação / CAED
Mestrado Profissional em Gestão e Avaliação da Educação Pública
O XADREZ ESCOLAR COMO FERRAMENTA DE ESTÍMULO AO
RACIOCÍNIO LÓGICO ENTRE OS ALUNOS DA REDE PÚBLICA DE
ENSINO DO ESTADO DO PIAUÍ
Trabalho apresentado à disciplina Temas de Reformas da Educação, do curso de Mestrado em Gestão e Avaliação da Educação Pública, como requisito parcial à conclusão da referida disciplina.
Professores:
Beatriz de Basto Teixeira
Eduardo Antônio Salomão Condé
Juiz de Fora - MG
2014
INTRODUÇÃO
O presente trabalho de pesquisa tem como objetivo principal analisar o Projeto Xadrez na Escola implantado como projeto piloto, nas escolas da rede estadual do Piauí, no ano de 2003, através da parceria entre o Ministério da Educação e do Esporte – MEC e a Secretaria Estadual da Educação e Cultura.
A realização do estudo acerca do Projeto Xadrez na Escola, enquanto análise de política pública educacional, torna-se de grande importância, visto que o conhecimento relacionado ao processo de elaboração, implementação e avaliação das políticas podem influenciar na sua eficiência e na sua eficácia, cujos resultados são considerados a partir das perspectivas dos diferentes atores envolvidos e compreendidos dentro do contexto das escolas em que se tornou realidade, no estado do Piauí.
Em princípio, buscou-se o conhecimento do Projeto Xadrez na Escola a partir de pesquisas bibliográficas em materiais impressos e na web, através de sites relacionados ao assunto, bem como baseados em informações via e-mail e telefonemas com o supervisor do projeto na SEDUC/PI, além de depoimentos de atores (diretores, professores e alunos) envolvidos no projeto, no âmbito das escolas, visando encontrar outras informações sobre o mesmo.
Para a realização da análise e a apresentação dos resultados da pesquisa, a metodologia utilizada neste estudo teve como base o ciclo de análise das políticas públicas apresentados por Condé (2014), cujas fases e questões consistem na identificação do problema, nas informações sobre o problema, no desenho, no ensaio, na implementação, no monitoramento e na avaliação. A referida política foi enquadrada neste modelo de análise para se chegar às conclusões e descrever os impactos de sua implementação em termos de eficiência e de eficácia na melhoria da aprendizagem dos e dos resultados acadêmicos, bem como a contribuição para o crescimento dos índices nas avaliações externas das escolas e da rede de ensino um todo.
Estruturado de forma resumida, o trabalho inicia-se com uma breve apresentação do Projeto Xadrez na Escola como política pública de iniciativa do MEC, levando em consideração as conclusões teóricas a respeito dos efeitos da prática da
política, segundo as fases apresentadas por Condé (2014) p. 3. Além disso, compõe o presente trabalho a relação existente entre as metas da política analisada e as metas do Plano Nacional de Educação, Lei Nº 13.005, aprovada em 25 de junho de 2014, que estabelece os rumos para a educação nacional durante os próximos dez anos.
Finalmente, apresentamos as considerações finais relacionadas às impressões do grupo acerca do tema e as dificuldades encontradas na coleta das informações, considerando a análise da política, seus efeitos pedagógicos e os impactos nos processos de ensino e de aprendizagem dos alunos, conforme foi desenvolvida nas escolas da rede estadual de ensino do Piauí.
OBJETIVOS:
O Projeto xadrez na Escola foi criado com o objetivo de proporcionar aos alunos das escolas da rede pública estadual de ensino, condições para desenvolver as habilidades cognitivas, mediante a aprendizagem do jogo de xadrez, ampliando as capacidades de memorização, raciocínio lógico-dedutivo, resolução de problemas, imaginação espacial e, sobretudo, a criatividade.
COMPREENSÃO DO PROJETO XADREZ NAS ESCOLAS ESTADUAIS DO PIAUÍ SEGUNDO AS ETAPAS DO CICLO DA ANÁLISE DAS POLÍTICAS PÚBLICAS
O Projeto Xadrez nas escolas estaduais do Piauí será analisado a partir das fases do Ciclo de Políticas, que é apresentada e discutida no texto “Abrindo a caixa – elementos para melhor compreender a análise das políticas públicas” desenvolvido pelo Professor Eduardo Salomão Condé (2014), que busca compreender as políticas públicas a partir das fases de identificação do problema, da agenda, do desenho, da implementação, do monitoramento e da avaliação.
O PROBLEMA E A FORMULAÇÃO DA AGENDA DO PROJETO XADREZ NA ESCOLA.
A formulação das políticas públicas são resultados de problemas de notória relevância instalados na sociedade e que exige a ação do governo para solucioná-los antes que este, o problema, se expanda mais ainda e possa evoluir para uma situação de crise. Desta forma, segundo Condé (2014), o problema é de natureza social e de interesse coletivo, fazendo-se necessária a intervenção da ação do Estado para amenizar seus efeitos ou solucioná-lo definitivamente. Para isso, o problema deve fazer parte das prioridades do poder público, através do que chamamos de agenda e devem envolver a participação dos vários atores, sejam os que buscam a solução, ou os que sejam afetados direta e indiretamente pelo problema. Ainda sobre este tema, Condé (2014) afirma:
Em primeiro lugar, agenda (geralmente governamental) é uma “lista” de questões (issoues) relevantes e conduzidas pelo poder constituído. Nem tudo vai para seu domínio. Para ganhar relevância, o problema a ser solucionado geralmente atende algumas condições, a saber: seja do interesse do governo eleito e/ou seja capaz de mobilizar ações e grupos externos: resulte de uma crise que demande solução mais imediata sem aumentar o problema: seja resultado do aproveitamento de uma janela de oportunidade (windowoportunity) que pode ser derivado de uma série, de uma situação dramática ou abertura de espaço sobre um tema que antes não se apresentava”. (CONDÉ, 2014, pág. 8)
O problema que gerou o Projeto Xadrez na Escola reside na falta de concentração, de estímulo ao raciocínio lógico e ao uso do pensamento lógico formal detectado entre os alunos da rede pública de ensino, que tem sido motivo de preocupação entre os profissionais da educação, por considerarem que a ausência de tais habilidades dificulta o processo de ensino e de aprendizagem. Desta forma, os fatores determinantes para que o Projeto Xadrez na Escola entrasse na agenda governamental pode ser traduzido na preocupação dos professores com a falta de concentração, na falta do uso do raciocínio e pensamento lógico dedutivo e nas atividades e resoluções de exercícios nas diversas áreas do conhecimento.
Importa ressaltar ainda que o Projeto Xadrez na Escola, enquanto projeto integrante de política pública, manifestou-se de forma top/down, ou seja, de cima para baixo, sendo um programa construído pelo MEC e proposto aos estados e municípios por meio de adesão. Desta forma, encontramos aqui alguns dos principais atores envolvidos no programa, a saber: O Governo Federal, o Governo Estadual, O Governo Municipal, os diretores, os professores e os alunos das escolas envolvidas.
FORMULAÇÃO E DESENHO DO PROJETO XADREZ NA ESCOLA.
O desenho das políticas públicas deve, necessariamente, envolver e considerar os interesses dos atores envolvidos, os possíveis constrangimentos, o caráter técnico e os processos decisórios sobre as possíveis soluções do problema, conforme enfatiza Condé (2014)
De maneira geral, a formulação é a transformação de um problema em alternativas de solução, conduzidas por diferentes estratégias e levando em conta o processo decisório sobre as alternativas apresentadas, envolvem elementos como estudos técnicos, conflitos, previsão, coordenação, construção de coalisões, propaganda, negociação, jogos políticos. (CONDÉ, 2014, p. 10-11)
Importa ainda ressaltar que as alternativas e formulações das soluções e seus desdobramentos, que compõem o desenho da política, é resultado da negociação política, conforme destaca Condé (2014, p.11): “O processo de formulação/desenho de políticas públicas nunca é meramente técnico, é também político, refletindo valores e estratégias de que dele participa”.
Nesse sentido, o desenho do Projeto Xadrez na Escola permite-nos afirmar que o programa foi criado pelo Ministério da Educação e Esportes – MEC em parceria com os governos estaduais, criado no ano 2003, por meio de um projeto piloto em algumas escolas municipais das cidades de Recife (PE), Belo Horizonte (MG), Campo Grande (MG) e Teresina (PI).
Nacionalmente, em 2005, o projeto foi expandido para 25 Unidades Federativas, onde 50 professores de todos os Estados receberam capacitação para atuar no projeto e na sua implantação, exceto os estados do Acre e de São Paulo.
Em suma, registramos que as informações coletadas pela pesquisa que compõem o trabalho não nos forneceram indicadores para detalharmos como se deu a capacitação dos professores inseridos no processo e nem como as aulas eram planejadas e executadas. Outro fator que merece destaque no escopo desta análise, reside no fato de que não detectamos no desenho do projeto, indicadores do processo de monitoramento e nem de avaliação, ficando aqui uma lacuna importante, que não nos permite analisar com precisão a eficácia, a eficiência e a efetividade do projeto.
A IMPLEMENTAÇÃO.
De acordo com a proposta de análise de políticas públicas, sugeridas por Condé, a implementação é uma das etapas de maior importância, uma vez que é o momento em que se dá início, propriamente dito, à execução do projeto. Para o autor, esta é a fase do teste da realidade, o lugar da ação. Primeiro, porque depende de muitas variáveis, do gestor adequado ao desenho bem formulado, dos atores engajarem-se aos objetivos e metas. Segundo, porque é a hora de verificar o quanto a política é crível e como ela vai se rotinizar. E também porque ela precisa passar no teste dos usuários finais, os beneficiários de determinada ação.
A implantação do projeto Xadrez na Escola, no Estado do Piauí, foi realizada por adesão da Secretaria Estadual de Educação junto ao MEC. Fazendo parte da agenda de políticas públicas da Secretaria, o diretor da Unidade Escolar solicita, através de ofício, à Diretora da Unidade Ensino-Aprendizagem da Secretaria da Educação que fosse implantado o projeto na unidade escolar. Depois de implementado, a escola recebe material para que os alunos pratiquem o jogo, com aulas acontecendo no contra turno, mediada por um professor/monitor. A ideia era que o ensino do jogo de xadrez fosse mais uma ferramenta pedagógica nos projetos das redes oficiais de ensino do Estado, que auxiliasse na melhoria do processo de ensino e de aprendizagem, facilitando a concentração, o raciocínio lógico e, consequentemente, a aquisição do conhecimento.
O financiamento do projeto é feito pela Secretaria de Educação do Estado, que adquire os materiais necessários para o desenvolvimento das atividades como as cartilhas, os tabuleiros de xadrez e os relógios. De posse dos materiais, cada escola
planeja sua forma de organização das aulas de xadrez e seleciona um professor para ser o instrutor dos alunos.
O MONITORAMENTO
O monitoramento da política pública é relevante porque deve-se acompanhar a implementação para verificar o cumprimento das ordenações e corrigir erros. Vaitsman, Rodrigues e Paes-Sousa (2006) definem e explicitam melhor a fase do monitoramento de uma política pública:
Monitoramento consiste no acompanhamento contínuo, cotidiano, por parte de gestores e gerentes, do desenvolvimento dos programas e políticas em relação a seus objetivos e metas. É uma função inerente à gestão dos programas, devendo ser capaz de prover informações sobre o programa para seus gestores, permitindo a adoção de medidas corretivas para melhorar sua operacionalização. É realizado por meio de indicadores, produzido regularmente com base em diferentes fontes de dados, que dão aos gestores informações sobre o desempenho de programas, permitindo medir se objetivos e metas estão sendo alcançados. O conceito de monitoramento encerra uma ambiguidade e pode se referir a dois processos distintos, ainda que interligados. Por um lado, enquanto o acompanhamento dos programas se constitui em uma atividade interna da organização, um procedimento “à distância”, por outro, o monitoramento também se refere a processos “presenciais”, checagens locais, que acabam constituindo um tipo de pesquisa rápida, qualitativa, por meio da qual gestores, pesquisadores ou outros agentes podem verificar como a implementação está sendo realizada, e se está atingindo seus objetivos, além de verificar que problemas estão interferindo nas ações, processos e consecução dos objetivos previstos. (VAITSMAN, RODRIGUES E PAES-SOUSA, 2006, p. 21-22)
O monitoramento do projeto Xadrez na Escola, realizado pela Secretaria de Educação do Estado, não obedeceu à sistemática de acompanhamento das políticas públicas, uma vez que não encontramos dados e registros referente a esta etapa do projeto, naquela Secretaria. Mas, de acordo com depoimentos dos atores envolvidos – coordenador do projeto, diretores de escolas, professores e alunos – o projeto teve relevância na melhoria dos resultados apresentados pelas unidades escolares envolvidas quando das avaliações externas, percebida ainda pelo crescimento da média do IDEB do Estado, no período de 2005 a 2009, época de implantação do projeto nas escolas.
A AVALIAÇÃO
O Projeto Xadrez na Escola, baseado no depoimento do seu supervisor, tem contribuído de forma sistemática para a evolução da educação e para alcançar o padrão de qualidade proposto pelo Ministério da Educação, em conformidade com as metas do PNE (2014-2024).
De acordo com o depoimento de Felinto Filho, nas escolas onde o projeto foi implantado muitas crianças estavam fracassando em matemática, por exemplo, por não entenderem o enunciado de um problema, por não saberem o que precisava ser feito, ou por não terem condições de traçar estratégias mentais capazes de apontar para uma possível solução.
O gestor continua ressaltando que: “tínhamos alunos com dificuldades na área de exatas, e depois que começaram a jogar eles melhoraram nessas disciplinas estão mais concentrados nas aulas”. Já o diretor da unidade escolar João Henrique Almeida Souza, o Sr. Gideão Santos Machado destaca que “depois da inserção do esporte aqui, os alunos criaram um vínculo maior com a escola, além de ter reduzido o número de alunos em recuperação nas provas”.
Camila da Silva Santos (16 anos) é a atual campeã estadual de xadrez escolar do Piauí. Aluna do 2° ano do ensino médio, a enxadrista conta que o esporte trouxe para si uma nova maneira de ver a vida: “conheci o xadrez na escola aos dez anos e desde o começo participei de torneios”. “Jogar xadrez só me trouxe benefícios, hoje sou mais concentrada nas aulas e me ajudou a desenvolver o raciocínio. Também me sinto uma pessoa mais madura, responsável, já que hoje sou a representante do Estado. Quando tem campeonato que a gente viaja, é possível uma troca com os concorrentes não só de técnica, mas também de cultura”, pontua Camila, que estuda na Unidade Escolar João Henrique Almeida Souza.
O Secretário Estadual de Educação do Piauí, Alano Dourado, que também é enxadrista, assegura o investimento na expansão do Projeto Xadrez Escolar no Estado e na aquisição de material para a prática do esporte. “O xadrez é uma atividade que me chama a atenção porque melhora a cognição, a análise de mundo; e incentiva neste caso, o aluno a ficar dentro da escola ocupando um tempo ocioso”, destaca o secretário, ressaltando ainda que “vamos investir na aquisição de materiais e literatura para que estes alunos se aperfeiçoem ainda mais”.
O projeto Xadrez na Escola, enquanto política pública precisa ser avaliado, pois enquanto investimento é necessário que seja verificado se as metas e objetivos foram atendidos. Condé (2014) no texto “Abrindo a caixa – elementos para melhor compreender a análise das políticas públicas: por que avaliar? Recomenda que a avaliação de uma política pública seja realizada por um agente externo ao agente implementador, de forma a garantir a imparcialidade da análise dos resultados.
O projeto foi aplicado em 2003, em fase experimental, em 200 escolas de cinco municípios do país, visando alcançar 24 mil estudantes. No Piauí, de acordo com o Coordenador do Projeto, a meta inicial foi atendida, pois inicialmente o projeto piloto abrangia apenas 40 escolas e depois passou a atender 100 escolas com mais de 100 professores capacitados e 32.000 alunos envolvidos.
Ainda segundo o coordenador, o projeto Xadrez na Escola teve boa aceitabilidade por parte do professorado, porém foi perdendo espaço para novos projetos educacionais. O desinteresse dos gestores foi apontado pelo coordenador como causa para a perda de espaço do projeto. No entanto, acreditamos que outros fatores podem estar por traz desse fato, tais como: ausência de verbas para pagar os oficineiros, por exemplo.
O projeto também tinha como meta proporcionar aos estudantes da rede estadual condições para o desenvolvimento das habilidades cognitivas, ampliando as capacidades de memorização, raciocínio lógico-dedutivo, resolução de problemas, imaginação espacial e, sobretudo a criatividade.
Apesar da dificuldade em mensurar com exatidão os resultados da prática do xadrez no atendimento as metas apontadas acima, os resultados do IDEB do estado apresentou um considerável avanço no período de vigência do projeto.
A série histórica dos resultados do IDEB das escolas da rede estadual do Piauí, segundo o INEP/MEC, nos anos entre 2005 e 2009, período em que o Projeto Xadrez na Escola estava sendo objeto de avaliação, mostra uma considerável evolução, a saber: no 5° ano, em 2005 o IDEB foi de 2,6 para 3,8 em 2009; no 9º, em 2005 o IDEB foi de 2,6 para 3,4 em 2009 e; na 3ª série do Ensino Médio, em 2005 foi de 2,3 para 2,9 em 2009, conforme o gráfico abaixo:
2005
2009
0
0.5
1
1.5
2
2.5
3
3.5
4
5º ano
9º ano
3ª série
Através da observação e análise dos resultados do IDEB das escolas da rede estadual do Piauí pode-se visualizar que houve um avanço substancial, superando as metas nacionais previstas e projetadas para o ano de 2009 que era para o 5° ano de 2,9, para o 9º ano de 2,8 e para a 3ª série do Ensino Médio de 2,4.
0 0.5 1 1.5 2 2.5 3 3.5 4
3.8
2.9
0
0
3.4
2.8
0
0
2.9
2.4
0
0
5º ano 9º ano 3ª série
Deduzimos que o Projeto Xadrez na Escola não foi o único responsável pela melhoria dos resultados do IDEB nas escolas do estado do Piauí, porém entendemos que as ações do projeto contribuíram diretamente para os indicadores alcançados.
Para se aferir a real influência das ações do projeto na melhoria do IDEB das escolas do estado do Piauí, seria necessário que alguns cuidados fossem tomados, tais como analisar especificamente os resultados apresentados pelas escolas onde o projeto foi desenvolvido em comparação com outras. Necessário ainda seria também que se tomasse o cuidado de selecionar escolas com o mesmo perfil, com clientela parecida e que estivessem envolvendo os mesmos projetos.
Importa concluir que as informações aqui expostas para a avaliação do cumprimento das metas, objetivos, eficiência, eficácia e efetividade são escassas e superficiais, carecendo de uma pesquisa mais detalhada, junto aos atores envolvidos que compõem o público alvo do Projeto Xadrez na Escola, como parte de uma política pública educacional empreendida com êxito.
O PROJETO XADREZ NO CONTEXTO DO ATUAL PNE – PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO (2014-2014).
A busca pela equidade e pela qualidade da educação em um país tão desigual como o Brasil é uma tarefa que implica em políticas públicas de estado que incluam uma ampla articulação entre os entes federativos. Vive-se um momento fecundo de possibilidades, com bases legais mais avançadas e com a mobilização estratégica dos setores públicos e de atores sociais importantes neste cenário. É possível realizar um bom trabalho de alinhamento dos planos de educação para fazer deste próximo decênio um virtuoso marco no destino do nosso país.
Elaborar um plano de educação no Brasil, hoje, implica assumir compromissos com o esforço contínuo de eliminação das desigualdades sociais e regionais que são históricas no país. Portanto, as metas são orientadas para enfrentar as barreiras que se opõem ao acesso e permanência na escola e às desigualdades educacionais. Visibilizando, em cada território, as especificidades de sua população e o direito às diferenças, assim como as potencialidades das dinâmicas locais.
Além disso, a elaboração de um plano de educação não pode prescindir de incorporar os princípios do respeito aos direitos humanos, da sustentabilidade socioambiental, da diversidade e inclusão, e da valorização dos profissionais que atuam na educação de milhares de pessoas todos os dias, além da formação para o trabalho e o exercício da cidadania.
Nessa configuração, têm-se as metas estruturantes para a garantia do direito à educação básica com qualidade, que dizem respeito ao acesso, à universalização da alfabetização e à ampliação da escolaridade e das oportunidades educacionais.
De uma forma mais abrangente, a Lei nº 13.005, de 25 de Junho de 2014, que aprovou o Plano Nacional de Educação – PNE (2014-2014), em seu Anexo "Metas e Estratégias” enumeram ações dentre as quais figuram:
“Meta nº 2, da universalização do ensino fundamental de 9 (nove) anos.” Seguindo a linha anterior e tendo como referência as estratégias que visam
habilidades, inclusive mediante certames e concursos nacionais; e de promover atividades de desenvolvimento e estímulo a habilidades esportivas nas escolas, interligadas a um plano de disseminação do desporto educacional e de desenvolvimento esportivo nacional; cabendo aí a inserção do Projeto Xadrez na Escola como instrumento de promoção de desenvolvimento do educando, além das especificidades a qual se pretende com sua implementação.
"Meta 6: oferecer educação em tempo integral em, no mínimo, 50%
(cinquenta por cento) das escolas públicas, de forma a atender, pelo menos, 25% (vinte e cinco por cento) dos(as) alunos(as) da educação básica".
Entre as possibilidades de atendimento dessa meta, podemos citar o § 1º do Decreto nº 7.083, de 27 de janeiro de 2010, que dispõe sobre o Programa Mais Educação e define educação em tempo integral como a jornada escolar com duração igual ou superior a sete horas diárias, durante todo o período letivo, compreendendo o tempo total em que o aluno permanece na escola ou em atividades escolares em outros espaços educacionais. A atividade de xadrez pode acontecer no contra turno, oferecendo aos educandos a oportunidades de permanecer mais tempo na escola.
O Programa Mais Educação tem sido uma das principais ações do governo federal para ampliar a oferta de educação em tempo integral, por meio de uma ação inter setorial entre as políticas públicas educacionais e sociais, contribuindo, desse modo, tanto para a diminuição das desigualdades educacionais quanto para a valorização da diversidade cultural brasileira. Conta com a participação dos Ministérios da Educação, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, da Ciência e Tecnologia, do Esporte, do Meio Ambiente, da Cultura, da Defesa e também da Controladoria Geral da União.
“Meta 7: fomentar a qualidade da educação básica em todas as etapas e modalidades, com melhoria do fluxo escolar e da aprendizagem, de modo a atingir as seguintes médias nacionais para o Ideb: 6,0 nos anos iniciais do ensino fundamental; 5,5 nos anos finais do ensino fundamental; 5,2 no ensino médio”.
A elevação da qualidade da educação básica, em todas as etapas e modalidades, com melhoria do fluxo escolar e da aprendizagem, tem adquirido
importância central na última década, tendo em vista a garantia do direito à educação, a melhoria da qualidade de vida da população e a produção de maior equidade e desenvolvimento econômico-social do país. A qualidade da educação vincula-se aos diferentes espaços, atores e processos formativos, em seus distintos níveis, etapas e modalidades educativas, bem como à trajetória histórico-cultural e ao projeto de nação, que, ao estabelecer diretrizes e bases para o seu sistema educacional, indica o horizonte jurídico normativo em que a educação se efetiva como direito.
A oferta de educação básica de qualidade para todos apresenta-se, pois, como um complexo e grande desafio para as políticas públicas para o conjunto dos agentes que atuam no campo da educação, sobretudo nas escolas públicas. Nas duas últimas décadas, registram-se avanços no acesso, cobertura e melhoria da aprendizagem na educação básica, como revela o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), indicador criado pelo INEP, a partir de dados do Censo Escolar, SAEB e Prova Brasil, que leva em consideração o fluxo escolar e o desempenho nos exames, para fazer o acompanhamento da evolução da educação e para estabelecer o padrão de qualidade que o Ministério da Educação definiu como meta a ser atingida. É importante ressaltar que cabe também analisar e monitorar individualmente o comportamento de seus componentes (fluxo e desempenho), especialmente o desempenho dos estudantes nos exames padronizados.
De modo geral, fomentar a qualidade da educação básica implica enfrentar a desigualdade social existente no país e assegurar a educação como um dos direitos humanos. Implica também melhor definição e articulação entre os sistemas de ensino e unidades escolares, processos de organização e gestão do trabalho escolar, melhoria das condições de trabalho e valorização, formação e desenvolvimento profissional de todos aqueles que atuam na educação. É fundamental ainda definir e implementar dinâmicas curriculares que favoreçam aprendizagens significativas.
ANÁLISE E CONSIDERAÇÕES DO GRUPO
A partir de depoimento do supervisor da Secretaria Estadual de Educação do Piauí, que na medida em que outros projetos educacionais foram ofertados, o Projeto Xadrez na Escola, foi perdendo o seu espaço chegando quase ao encerramento da atividade nas escolas Piauienses. Ressaltou que “essa perda de espaço se deu em razão do desinteresse dos gestores escolares pelo projeto xadrez em detrimento de outros projetos que se incorporavam às atividades das escolas”.
Nesse estudo, notou-se também que a inserção do xadrez tem sido um trabalho constante e de grande incentivo às atividades nas escolas de todo o país, e esse espaço conquistado faz com que o xadrez seja visto como um instrumento para a educação global do aluno, um suporte pedagógico a ser utilizado na escola e não apenas uma modalidade esportiva. Além disso, com sua expansão, pode possibilitar a aproximação entre as escolas e a comunidade, dando-lhes a opção de conhecer e praticar essa modalidade em seus espaços. Também poder-se-á oportunizar a participação de alunos da rede pública em particular de torneios e competições internas e externas dentro da ética enxadrística, contribuindo para o cumprimento das metas estipuladas pelo PNE e fomentando a construção de uma sociedade mais justa, humana e cidadã.
Por fim, com base no que se apresenta, percebe-se que não há elementos suficientes para um parecer conclusivo sobre o alcance das metas, objetivos, eficiência, eficácia e efetividade do mesmo, uma vez que as informações foram informais, por falta de um arquivo com registros, e carece uma pesquisa mais detalhada junto aos atores envolvidos que são o público alvo do Projeto Xadrez na Escola, para compreender como parte de uma política pública educacional empreendida com êxito.
REFERÊNCIAS
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REZENDE, S. Xadrez na escola: uma abordagem didática para principiantes. Rio de Janeiro: Ciência Moderna, 2002.
REZENDE, S. Xadrez pré-escolar: uma abordagem pedagógica. Rio de Janeiro: Ciência Moderna, 2005.
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