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Estimativa da área foliar do meloeiro

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Academic year: 2021

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555 Hortic. bras., v. 20, n. 4, dez. 2002.

A

cultura do melão (Cucumis melo, L.) ocupa posição de grande im-portância no Nordeste, principalmente no Rio Grande do Norte, devido ao seu grande potencial produtivo. Nestes úl-timos anos, a área média cultivada no Estado tem ficado ao redor de 6.000 ha e a produtividade média acima de 20.000 kg/ha, embora seja comum os grandes e médios produtores alcançarem rendi-mento superiore a 30.000 kg/ha.

A área foliar do meloeiro é uma im-portante medida para avaliar a eficiên-cia quanto à fotossíntese e, consequentemente, na produção final (Costa, 1999), além de servir para esti-mar a necessidade hídrica da cultura (Allen et al., 1998). Sua avaliação du-rante todo o ciclo da cultura é de extre-ma importância para que se possa mo-delar o crescimento e o desenvolvimento da planta e, em conseqüência, a produ-tividade e a produção total da cultura (Teruel, 1995).

Rocha et al. (2000) estudando o comportamento de cultivares de melão Pele de sapo submetidas às condições de salinidade, observaram que, a área foliar e a produção total de biomassa do

NASCIMENTO, I.B.; FARIAS, C.H.A.; SILVA, M.C.C.; MEDEIROS, J.F.; ESPÍNOLA SOBRINHO, J.; NEGREIROS, M.Z. Estimativa da área foliar do meloeiro. Horticultura Brasileira, Brasília, v. 20, n. 4, p. 555-558, dezembro 2002.

Estimativa da área foliar do meloeiro

Iarajane B. do Nascimento1; Carlos Henrique A. Farias1; Marcelo Cleon C. Silva1; José Francismar de Medeiros1; José Espínola Sobrinho1; Maria Zuleide de Negreiros1

1ESAM, C. Postal 137, 59.600-970 Mossoró – RN; E-mail: [email protected]

meloeiro apresentaram uma redução progressiva, à medida que aumentou a salinidade da água de irrigação. A lâmi-na de irrigação inferior à necessidade hídrica da cultura produz estresse hídrico à planta afetando número e ta-manho das folhas e área foliar total (Hernandez, 1995).

Existem inúmeras possibilidades para se determinar a área foliar. Pela facilidade e por ser não-destrutivo, os mais utilizados são o comprimento ao longo da nervura principal, a largura máxima e as relações entre essas medi-das. Tivelli et al. (1997) estabeleceram como metodologia para estimativa da área foliar do pimentão, a medição da largura das folhas. Então, através de uma equação do tipo polinômio de segundo grau, estima-se a área de cada folha a partir da medida de sua largura, obten-do-se a área foliar da planta pelo somatório.

Na estimativa da área dos folíolos do morangueiro, Strik & Proctor (1985) observaram que o produto do compri-mento pela largura dos mesmos, como variável independente na equação de regressão, mostrou-se superior na

ca-pacidade de predição e na precisão, quando comparada ao uso do compri-mento ou largura. Pires et al. (1999) também trabalhando com morangueiro, verificaram que para a estimativa da área foliar total são necessárias medidas do comprimento e da largura dos folíolos, em amostra representativa, além da contabilização do número de folhas.

O objetivo deste trabalho foi deter-minar uma equação que permita estimar a área foliar do meloeiro a partir do nú-mero de folhas e de suas dimensões, sob diferentes lâminas de irrigação, e com água de baixa e alta salinidade.

MATERIAL E MÉTODOS Este trabalho foi conduzido de 11 de novembro de 1998 a 20 de janeiro de 1999, na Fazenda São João Ltda., loca-lizada no município de Mossoró (RN) (5o12’ S, 37o12’ WGr., 18 m de altitu-de), utilizando-se o melão amarelo, hí-brido Gold Mine.

Os dados foram coletados num ex-perimento que compreendeu 36 parce-las, com cada unidade experimental constituída de três fileiras de seis metros RESUMO

Estimou-se a área foliar da cultura do melão (Cucumis melo, L.) cv. Gold Mine, submetido a lâminas de irrigação variando de 55% a 130% da necessidade híbrida da cultura, usando água de baixa e alta salinidade. Foi coletada uma planta em cada parcela, aos 19; 26; 34; 40 e 50 dias após a semeadura, onde se determinou o número e a área foliar total e as suas dimensões, e a área foliar individual até 24 folhas por planta. Os resultados evidenciaram que existe uma corre-lação parcial entre a área foliar total da planta e o número de folhas de 0,945**, e a equação de regressão obtida foi AF = 108NF – 516, com r2 = 0,95. A comparação conjunta das equações obtidas para cada época mostra que pelo menos uma relação entre largura (L) e área foliar (AF) diferenciaram das demais, embora a relação que assume os dados como um todo, apresente um alto valor para o coe-ficiente de determinação, sendo a seguinte: AF=0,826L1,89 (r2=0,97).

Palavras-chave: Cucumis melo L., desenvolvimento vegetativo,

salinidade.

ABSTRACT

Estimation of melon plant leaf area

The leaf area of the Gold Mine melon was estimated when submitted to irrigation water levels varying from 55% to 130% of the hydric necessity of the crop, utilizing low and high salinity water. One plant per plot was collected at 19; 26; 34; 40 and 50 days after sowing, obtaining data of length, width, total leaf area, number of leaves, and individual leaf areas up to 24 leaves per plant. The results indicated that a partial correlation between the total plant leaf area (AF) and the number of leaves (NF) exists, with r2 = 0.95**, and the regression equation AF = 108NF – 516, with r2 = 0.95. The comparison of the models showed that at least one relation between leaf width (L) and leaf area (AF) differentiated from the others, even though the relation that assumes the whole data set (AF=0,826L1,89; r2 = 0.97) has a high determination coefficient.

Keywords: Cucumis melo L., plant growth, salinity.

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com espaço de 2 m e duas plantas a cada 60 cm. O delineamento experimental utilizado foi um esquema fatorial 2 x 6 em blocos completos casualizados. Os tratamentos aplicados foram 6 lâminas de irrigação, representando 55; 70; 85; 100; 115 e 130% da necessidade hídrica da cultura, o que correspondeu a 146; 186; 226; 266; 306 e 346 mm durante o ciclo. A água de irrigação foi oriunda de dois poços, uma de origem arenítica (condutividade elétrica - CE = 0,55 dS.m-1) e a outra do calcário Jandaíra

(condutividade elétrica - CE = 2,65 dS.m-1). As irrigações foram realizadas

por meio de gotejadores, aplicando-se a lâmina pré-estabelecida para cada tra-tamento diariamente.

As amostragens de plantas foram efetuadas ao longo do ciclo da cultura, iniciando-se no 19o dia após a semeadura,

e as demais sendo realizados aos 26; 34; 40 e 50 dias. Em cada época era coletada uma planta de cada parcela experimental.

Foram medidos o comprimento (C), a largura (L) e área foliar (AF) de cada folha da planta. Quando a mesma apre-sentou mais de 24 folhas, selecionou-se ao acaso este número, como também foi medida a área foliar total de cada plan-ta, através de um integrador de área foliar LI 3100 da LICORâ.

Com os dados da área foliar total de cada planta, número de folhas por plan-ta e área foliar unitária e sua dimensão foi realizada a análise de regressão, uti-lizando o software Table Curve (Jandel Scientific, 1991). A escolha do modelo foi feita entre os modelos simples, cujo teste F e coeficiente de determinação apresentaram maiores valores. Para comparar as relações entre as variáveis analisadas entre as épocas, níveis de salinidade e lâminas de irrigação, ado-tou-se o procedimento de análise con-junta de modelos no módulo regressão linear do software SAEG v. 4.0.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

O número de folhas por planta, bem como a área foliar cresceu continuamen-te até os 50 dias, porém a largura da fo-lha estabilizou-se a partir dos 40 dias (Tabela 1). Houve correlação parcial entre área foliar total da planta e o seu número de folhas (r = 0,95), sendo alta-mente significativo. O estudo de análi-se de regressão e de variância, para com-parar igualdade entre os modelos para os dados coletados aos 19; 26; 34; 40 e 50 dias após a semeadura, revelou que se pode estabelecer uma relação única, independente da época, da lâmina de irrigação e da salinidade da água, indi-cando que as mesmas apresentaram comportamento semelhante, ou seja, foram afetados igualmente pelos níveis de salinidade e lâmina de irrigação nas diferentes épocas estudadas, concordan-do com os resultaconcordan-dos obticoncordan-dos por Ro-cha et al. (1999). A equação de regres-são obtida foi AF = 108** NF – 518, com r2 = 0,95, sendo AF a área foliar

total da planta e NF o número de folhas. Verificou-se que o número de folhas variou de 5 a 160 e a área foliar ficou na faixa de 100 a 17.000 cm2/planta e que

as curvas para cada época são bem pró-ximas da curva que engloba todas as épocas (Figura 1).

Não houve efeito da lâmina e salinidade da água de irrigação nas re-lações entre área e dimensões das fo-lhas. O modelo tipo potencial é o que melhor se ajusta às relações entre área foliar e suas dimensões para todas as épocas (Figura 2 e 3) e que existe uma maior correlação com a largura (L) do que com o comprimento (C). Esta

me-I. B. Nascimento et al.

Figura 1: Área foliar do meloeiro em função do número de folhas na planta, para diferentes

épocas de amostragem. (AF1 = 19, AF2 = 26, AF3 = 34, AF4 = 40, AF5 = 50 dias). Mossoró, ESAM, 1999.

Época Área foliar por

planta (cm²) * Nº de folhas por planta (unidade) * Largura da folha (cm²)* * Comprimento da folha (cm²)* * Área da folha (cm²) * * 19 373 ± 19 7,5 ± 0,27 6,8 ± 0,41 5,8 ± 0,27 50,4 ± 4,50 26 1728 ± 86 21,5 ± 0,69 10,6 ± 0,27 6,8 ± 0,14 80,1 ± 3,51 34 4911 ± 332 52,0 ± 2,36 14,0 ± 0,18 8,8 ± 0,10 123,6 ± 2,88 40 8389 ± 484 83,0 ± 4,09 14,8 ± 0.21 9,8 ± 0,12 142,6 ± 3.86 50 10011 ± 559 95,5 ± 5,03 14,8 ± 0,19 9,9 ± 0,12 136,5 ± 3,21

Tabela 1. Valores médios da área foliar, do número de folhas por planta, largura e comprimento e área individual de cada folha para cada

época de amostragem. Mossoró, ESAM, 1999

* N de amostras por época 19; 26; 34; 40 e 50 dias após a semeadura. ** N de amostras por 19 = 86, 26 = 249, 34 =249, 40 =285 e 50 = 281

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nor correlação com o comprimento pode-se atribuir à inserção do pecíolo no limbo foliar e à forma da folha ser aproximadamente cordiforme, o que dificulta a medida, cometendo-se erros na sua determinação (Figura 3).

A comparação conjunta dos mode-los mostra que pelo menos uma relação entre largura (L) e área foliar (AF) se diferencia significativamente (p<0,05) das demais, embora a relação que assu-me os dados como um todo, apresente um alto valor para o coeficiente de de-terminação (0,97), podendo ser utiliza-da para o conjunto de utiliza-dados (Tabela 2). O expoente próximo de dois, para a relação entre área foliar e largura, é ex-plicável pelo fato da área ser produto de duas dimensões lineares. Embora neste trabalho tenham sido estimados outros modelos, como aqueles testados por Pires et al. (1999) para o moranguei-ro, plantas cujas folhas são cordiformes, onde os mesmos não foram superiores ao potencial. A maior correlação da área foliar com sua largura deveu-se a esta dimensão ser mais estável e apresentar menor possibilidade de erro na sua me-dida, o que concorda com o obtido por Tivelli et al. (1997) que, estudando a cultura do pimentão, observaram uma alta correlação entre L e o produto C x L. Strik & Proctor (1985) verificaram maior predição e precisão na estimativa da área dos folíolos do morangueiro através do produto do comprimento pela largura. Entretanto, Pires et al. (1999) encontraram semelhança entre o coefi-ciente de determinação, quando da uti-lização de C+L e somente L na estimati-va da área.

Figura 2: Área foliar unitária do meloeiro em função de sua largura, para diferentes épocas

de amostragem (AF1 = 19, AF2 = 26, AF3 = 34, AF4 = 40, AF5 = 50 dias). Mossoró, ESAM, 1999.

Figura 3: Área foliar do meloeiro em função do comprimento de folhas na planta, para

diferentes épocas de amostragem (AF1 = 19, AF2 = 26, AF3 = 34, AF4 = 40, AF5 = 50 dias). Mossoró, ESAM, 1999. Época Parâmetros # Nº de dados F A B 19 0,787 1,92 0,976 86 2659* * 26 0,854 1,88 0,968 249 5755* * 34 0,904 1,85 0,925 274 2986* * 40 0,652 1,98 0,957 285 5006* * 50 0,905 1,85 0,935 281 3686* * GLOBAL 0,826 1,89 0,970 1175 32070* *

Comparação dos modelos entre as épocas 2,48*

Tabela 2. Parâmetros da equação de regressão para diferentes idades da planta de melão, a área e a largura foliar. Mossoró, ESAM, 1999.

#/ Modelo: Y = A XB

*/ Significativo no nível de 5% de probabilidade para o teste Tukey. **/ Significativo no nível de 1% de probabilidade para o teste de Tukey.

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Embora a estimativa da área indivi-dual de cada folha, usando a medida de sua largura apresente maior coeficiente de determinação, a área foliar do meloei-ro, pode ser estimada com precisão ra-zoável a partir da contagem do número de folhas da planta, independentemente da salinidade da água e da lâmina de irri-gação aplicados e idade da planta.

LITERATURA CITADA

ALLEN, R.G.; SMITH, M.; PEREIRA, L.S.; PRUIT, W.O. Proposed revision to the FAO: procedure for estimating crop water requeriments. In: INTERNATIONAL SYMPOSIUM ON IRRIGATION OF HORTICULTURAL, 2, 1996, Chania. Proceeding..., Leven, ISHS, 1996. p. 17-49.

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Referências

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