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Relatório de Estágio realizado na Farmácia Moreira Padrão

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II

 

Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto

Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas

Relatório de Estágio Profissionalizante

Farmácia Moreira Padrão

janeiro de 2016 a julho de 2016

Ana Catarina Couto Reis Areal

Orientadora : Dra. Maria Júlia Moreira Padrão

______________________________________

Tutor FFUP: Prof. Doutora Helena Vasconcelos

______________________________________

setembro de 2016

 

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III

Declaração de Integridade

Eu, Ana Catarina Couto Reis Areal, abaixo assinado, nº __________, aluno do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, declaro ter actuado com absoluta integridade na elaboração deste documento.

Nesse sentido, confirmo que NÃO incorri em plágio (acto pelo qual um indivíduo, mesmo por omissão, assume a autoria de um determinado trabalho intelectual ou partes dele). Mais declaro que todas as frases que retirei de trabalhos anteriores pertencentes a outros autores foram referenciadas ou redigidas com novas palavras, tendo neste caso colocado a citação da fonte bibliográfica.

Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, ____ de ______________ de ______

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IV

Agradecimentos

Quero agradecer primeiramente à Dra. Maria Júlia Padrão pela amabilidade com que me recebeu na Farmácia Moreira Padrão e por toda a disponibilidade demonstrada na transmissão de todos os conhecimentos essenciais à minha formação que foram, indubitavelmente, uma mais valia na minha vida profissional.

A todos os membros da equipa um muito obrigada pois sempre se mostraram dispostos a ajudar-me e a esclarecer todas as minhas dúvidas, o que contribuiu significativaajudar-mente para a minha adaptação à realidade profissional, contribuindo para que esta experiência se tornasse um desafio extremamente enriquecedor e compensador.

Queria também agradecer à Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto e à minha tutora, Professora Doutora Helena Vasconcelos, por sempre se ter prontificado a ajudar-me.

Por fim, agradeço à minha família e ao David pela compreensão, apoio e carinho nesta importante etapa da minha vida.

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V

Resumo

Para a conclusão do curso de Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto realizei um estágio profissionalizante em farmácia comunitária com duração de seis meses. O estágio em questão decorreu na Farmácia Moreira Padrão, na Trofa, de 11 de janeiro a 10 de julho de 2016, sob a orientação da Dra. Maria Júlia Moreira Padrão.

O estágio em farmácia comunitária foi para mim a etapa mais aguardada durante todo o curso. Este estágio profissionalizante possibilitou-me um contacto direto com a realidade do mundo profissional e com o funcionamento de uma farmácia e, ao mesmo tempo, permitiu-me consolidar os conhecimentos adquiridos ao longo de todo o curso junto de profissionais com experiência na área que me foram proporcionando uma aprendizagem constante. Foram seis meses muito intensos com experiências novas que me permitiram desevolver competências pessoais na promoção do bem estar e na dispensa do medicamento.

Desta forma, pretendo com este relatório descrever a prática farmacêutica diária e relatar de forma sucinta todas as atividades que desenvolvi.

Este relatório encontra-se dividido em duas partes, sendo que a primeira corresponde à descrição detalhada do estágio, ou seja, de todo o funcionamento da farmácia, do que aprendi e das atividades que desempenhei. A segunda parte corresponde ao desenvolvimento científico de temas que me suscitaram interesse durante este período de estágio e que me levaram a uma pesquisa mais profunda para prestar aconselhamentos mais ricos e personalizados.

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VI

Lista de abreviaturas

BPF Boas Práticas de Farmácia BPO Peróxido de Benzoílo DHT Dihidrotestosterona FEFO First Expired, First Out FF Forma Farmacêutica FMP Farmácia Moreira Padrão GH Grupo Homogéneo

HDL Lipoproteínas de alta densidade HTA Hipertensão Arterial  

INFARMED Autoridade Nacional de Medicamentos e Produtos de Saúde, I.P. IVA Imposto de Valor Acrescentado

LDL Lipoproteínas de baixa densidade MM Medicamento Manipulado

MNSRM Medicamento Não Sujeito a Receita Médica MSRM Medicamento Sujeito a Receita Médica PV Prazo de Validade

PVP Preço de Venda ao Público SNS Sistema Nacional de Saúde

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VII

Índice

Parte I – Descrição do estágio 1- Organização da farmácia

1.1. Espaço físico, funcional e exterior ... 1

1.2. Espaço interior ... 1

1.3. Composição e função dos recursos humanos ... 2

1.4. Enquadramento socioeconómico ... 3

2- Fontes de informação ... 3

3- Medicamentos e outros produtos existentes na farmácia 3.1. Medicamentos sujeitos a prescrição médica obrigatória ... 4

3.2. Medicamentos não sujeitos a prescrição médica ... 4

3.3. Produtos cosméticos e higiene corporal ... 5

3.4. Medicamentos homeopáticos ... 5

3.5. Produtos fitoterapêuticos e suplementos alimentares ... 6

3.6. Produtos para alimentação especial e produtos dietéticos ... 6

3.7. Produtos e medicamentos de uso veterinário ... 6

3.8. Dispositivos médicos ... 7

4. Gestão de stocks 4.1. Fornecedores e normas legais de aquisição ... 7

5. Encomendas e aprovisionamento... 8

5.1 Realização de encomendas ... 8

5.2. Receção e conferência de encomendas ... 9

5.3. Marcação de preços ... 9

5.4. Armazenamento de produtos ... 10

5.5. Controlo de prazos de validade ... 11

5.6. Gestão de devoluções ... 11 6. Atendimento ao público

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VIII

6.1. Prescrição médica e validação de receitas ... 12

6.2. Interpretação e avaliação farmacêutica da prescrição médica ... 13

6.3. Dispensa de medicamentos ... 14

6.4. Dispensa e controlo de medicamentos psicotrópicos e estupefacientes ... 15

6.5. Medicamentos genéricos e preços de referência ... 15

6.6. Comparticipação de medicamentos ... 16

6.7. Direito de opção do utente ... 17

6.8. Aconselhamento farmacêutico ... 17

6.9. Implementação da nova receita electrónica ... 17

7. Conferência de receituário e faturação ... 18

8. Medicamentos manipulados ... 18

9. Outros cuidados de saúde prestados na farmácia ... 20

10. Formações ... 21

Parte II – Trabalhos desenvolvidos 1. A acne – Etiopatogenia e Tratamento I. Contextualização e objetivos ... 22 II. Acne ... 22 III. Epidemiologia ... 23 IV. Etiologia ... 23 V. Diagnóstico da acne ... 24 VI. Patogénese ... 24

VII. Manifestações clínicas ... 26

VIII. Tratamento ... 28

IX. Impacto psico-social da acne ... 33

X. Caso prático... 33

2. Colesterol - uma breve abordagem I. Contextualização ... 34

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IX

II. Incidência ... 34

III. Colesterol ... 35

IV. Principais tipos de colesterol ... 35

V. Fatores que afetam os níveis de colesterol ... 36

VI. Valores de colesterol recomendáveis ... 36

VII. Tratamento não farmacológico e farmacológico ... 36

VIII. Rastreio ao colesterol total ... 37

3. Hipertensão Arterial – fundamentos básicos I. Epidemiologia ... 38

II. Hipertensão arterial – aplicação na farmácia comunitária ... 39

III. Fisiopatologia ... 39

IV. Fatores de risco e prevenção da doença cardiovascular... 40

V. Tratamento da hipertensão arterial... 40

4. Diabetes – a pensar nos utentes da FMP... 41

5. Piolhos – da prevenção ao tratamento – guia prático ... 41

6. Suplementos vitamínicos... 41

Conclusão... 42

Referências bibliográficas... 43

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X

Índice de Anexos

Anexo 1: Fachada da Farmácia Moreira Padrão... 48

Anexo 2: Área de atendimento ao público da Farmácia Moreira Padrão... 48

Anexo 3: Montra realizada... 48

Anexo 4: Panfleto colesterol... 49

Anexo 5: Panfleto diabetes... 50

Anexo 6: Piolhos – da prevenção ao tratamento... 51

Anexo 7: Suplementos alimentares... 53

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XI

Índice de tabelas

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XII

Índice de Figuras

Figura 1... 22 Figura 2... 37

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1

Parte I – Descrição do estágio

1- Organização da farmácia

1.1 Espaço físico, funcional e exterior

A Farmácia Moreira Padrão (FMP) localiza-se no coração do conselho da Trofa, na rua D. Pedro V, e situa-se no rés-do-chão de um edifício de habitação.

Quanto ao espaço exterior, o edifício apresenta duas cruzes, uma cruz verde luminosa o que permite a sua fácil identificação e uma outra cruz correspondente à cruz das Farmácias Portuguesas. A sua fachada é composta por uma montra de vidro na qual são publicitados os produtos de venda livre e também uma porta de vidro onde estão implícitas algumas das informações obrigatórias de acordo com as “Boas Práticas de Farmácia” (BPF)[1] sendo essas informações:

• Horário de atendimento: semanalmente das 9 às 20h e sábados das 9 às 13h • Identificação da Directora Técnica

• Contacto telefónico

• Testes/rastreios realizados (glicemia, colesterol, controlo do peso e altura e tensão arterial)

1.2 Espaço interior

O Artigo 29 do Decreto-lei nº 307/2007, de 31 de agosto, invoca sobre diversos requisitos quanto ao espaço físico e equipamentos em vigor. No entanto, a Farmácia Moreira Padrão existe há mais de meio século, pelo que a sua construção não teve por base a referida normativa legal, mas sim a que se encontrava em vigor aquando da sua construção. A farmácia encontra-se dividida pelas seguintes áreas:

Área de atendimento ao público: Após a entrada na FMP podemos encontrar um espaço •

luminoso, agradável e que transmite harmonia. Trata-se de um espaço amplo onde existem quatro postos de atendimento ao público, todos eles informatizados e dispostos de forma linear e frontal. Na parte anterior aos postos de atendimento são visíveis várias prateleiras de vidro onde são expostos produtos de venda livre e de índole sazonal. Ainda na parte anterior aos postos de atendimento, são acondicionados, em gavetas, os medicamentos sujeitos ou não a receita médica cuja rotação é acrescida durante todo o ano. Nas zonas laterais da farmácia existem lineares identificados com a natureza dos diversos produtos, como os de puericultura e várias linhas de cosmética. É ainda possível visualizar neste mesmo espaço uma balança e um expositor onde são colocadas todos os panfletos/revistas

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2

sobre temas variados tanto na área da saúde pública como do medicamento, cujas informações podem completar o aconselhamento e informação farmacêutica.

Gabinete de determinação de parâmetros: Trata-se de um espaço reservado, limpo e de •

fácil acesso a qualquer utente que visa apoiar todos aqueles que solicitem prestação que algum serviço e ainda prestar um atendimento mais reservado e confidencial sempre que seja conveniente. Neste espaço são prestados os cuidados farmacêuticos direcionados ao controlo de determinadas patologias. Diariamente determinam-se valores da glicemia, colesterol total e triglicerídeos, sempre mediante avaliação farmacêutica, com aconselhamento de cuidados primários que o utente deve prestar.

Área de armazenamento, receção e verificação de encomendas: Este espaço é de extrema •

importância, onde são realizadas inúmeras tarefas, sendo por isso fulcral que se mantenha a sua organização para um bom funcionamento da farmácia. Esta área de armazenamento é composta por uma série de gavetas metálicas onde os medicamentos se encontram ordenados por ordem alfabética do nome comercial. Estas gavetas também se encontram identificadas pelas diferentes formas farmacêuticas (FF), proporcionando uma localização mais rápida do produto pretendido, aquando no atendimento. Quanto aos medicamentos genéricos, estes encontram-se ordenados por ordem alfabética e pelo nome do laboratório, o que facilita a sua dispensa e minimiza o risco de erros.

Zona de recolhimento (quarto): A zona de recolhimento é uma zona que se destina ao •

descanso noturno do funcionário durante uma noite de serviço permanente. Anexo a este espaço encontra-se um frigorífico onde são armazenados os produtos que requerem refrigeração (2 - 8ºC) para se manterem conservados.

Escritório: É a área onde se realizam todos os procedimentos relativos à •

administração/faturação da farmácia e onde se procede à verificação e organização do receituário. Neste mesmo local também se encontra uma pequena biblioteca com toda a bibliografia obrigatória e facultativa existente na farmácia. No escritório são arquivados todos os documentos relativos a assuntos de administração e legislação farmacêutica. Armazém: O armazém da FMP situa-se na cave da mesma. Este encontra-se dividido em •

dois espaços, sendo nele armazenados todos os produtos com stock maior, desde medicamentos, produtos de dermofarmácia e cosmética, leites e papas para bebé e respectivos produtos de puericultura, entre muitos outros produtos.

1.3 Composição e função dos recursos humanos

A FMP é composta por uma equipa de oito elementos com distintas funções: a diretora técnica, a farmacêutica adjunta, o farmacêutico adjunto substituto, duas farmacêuticas, uma

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3

ajudante técnica, um assessor administrativo e uma funcionária de limpeza, estando cada um deles devidamente identificados. Desta forma, estão asseguradas as normas relativas aos artigos 23º e 24º do Decreto-lei nº 307/2007, de 31 de agosto. A Direcção Técnica da Farmácia está a cargo da Dr.ª Maria Júlia Moreira Padrão. Um diretor técnico exerce um papel crucial, com inúmeras responsabilidades discriminadas no artigo 21.º vigente no Decreto-lei nº 307/2007, de 31 de agosto. Assim, de acordo com o referido decreto-lei, a direção técnica da farmácia deverá ser assegurada, em permanência e exclusividade, por um farmacêutico diretor técnico. Porém, para o caso da sua ausência, foi nomeada para o cargo de Farmacêutica Adjunta a Dr.ª Joana Fonseca e como Farmacêutico Adjunto substituto o Dr. Luís Andrade. Desta forma, FMP está de acordo com a legislação vigente.

1.4 Enquadramento socioeconómico

A FMP situa-se no centro da Trofa, destacando-se das demais farmácias do conselho, devido à sua fácil acessibilidade tanto pedestre bem como pelos condutores de automóvel, uma vez que se localiza à face da estrada nacional 104 permitindo a sua fácil visualização, sendo ainda um local de grande movimento.

Os principais utentes da farmácia são clientes habituais que frequentam a FMP há muitos anos, o que se torna vantajoso pois permite um acompanhamento farmacêutico destes por parte dos profissionais da farmácia. A população idosa é a que recorre com mais afluência à FMP, contudo esta também é frequentada por outras faixas etárias, com diferentes habilitações literárias e diferente situação socioeconómica, sendo necessária uma adaptação de serviços e atendimento de acordo com cada utente.

2- Fontes de informação

A arte farmacêutica é uma ciência em constante atualização onde não há lugar para a inércia e estanquicidade de conhecimentos. Assim, é cada vez mais necessária uma incessante procura pelo conhecimento devido ao ritmo vertiginoso do conhecimento na área da farmacologia.

Pela Deliberação 414/CD/2007, as farmácias comunitárias são obrigadas a possuir o Prontuário Terapêutico e a Farmacopeia Portuguesa, em formato de papel ou eletrónico, que pode ser online, desde que esteja disponível num sítio reconhecido pela Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, I. P. (INFARMED) [2].

Em farmácia comunitária revela-se extremamente importante a existência de uma biblioteca bem como a sua constante organização e atualização e, de acordo com as BPF “ o farmacêutico deve dispor de fontes de informação sobre medicamentos” para que desta forma consiga prestar um seviço de maior qualidade aos utentes.

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3- Medicamentos e outros produtos existentes na farmácia

3.1. Medicamentos sujeitos a prescrição médica obrigatória

Os medicamentos sujeitos a receita médica (MSRM) são aqueles que só podem ser dispensados na farmácia mediante apresentação da receita médica emitida por um médico.

De acordo com o Estatuto do Medicamento [3], estão sujeitos a receita médica todos os medicamentos que:

possam constituir um risco para a saúde do doente, direta ou indiretamente, mesmo a)

quando usados para o fim a que se destinam, caso sejam utilizados sem vigilância médica;

possam constituir um risco, direto ou indireto, para a saúde, quando sejam utilizados b)

com frequência em quantidades consideráveis para fins diferentes daquele a que se destinam; contenham substâncias, ou preparações à base dessas substâncias, cuja atividade ou c)

reações adversas seja indispensável aprofundar;

se destinem a ser administrados por via parentérica. d)

Os MSRM são sujeitos a um preço de venda ao público (PVP) pré-definido e constituem o maior volume de medicamentos dispensados na farmácia, sendo de extrema importância o ato farmacêutico aquando da sua dispensa, nomeadamente na análise da prescrição médica, detetando interações medicamentosas ou falhas médicas. O farmacêutico deve garantir o fornecimento ao utente de toda a informação indispensável para a otimização da terapêutica, garantindo a segurança e eficácia da mesma.

3.2. Medicamentos não sujeitos a prescrição médica

Qualquer medicamento que não cumpra qualquer das condições referidas para os MSRM pode ser classificado como medicamento não sujeito a receita médica (MNSRM) e pode, desta forma, ser dispensado sem apresentação de uma prescrição médica. Contudo, estes medicamentos requerem indicações terapêuticas que se incluem na lista de situações passíveis de automedicação [4]. De acordo com o Artigo nº 115 implícito no Decreto de Lei 176/2006, de 30 de agosto, estes medicamentos não são comparticipáveis salvo nos casos previstos na legislação que define o regime de comparticipação do Estado no preço dos medicamentos. De um modo geral, esta classe de medicamentos destina-se à profilaxia e/ou tratamento de determinadas afeções ligeiras. Assim, é da responsabilidade do farmacêutico informar, aconselhar e orientar o utente na seleção do

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MNSRM preferível para a situação concreta que procura solucionar, promovendo o uso racional do medicamento e controlando o fenómeno de automedicação.

3.3. Produtos cosméticos e higiene corporal

Entende-se por produto cosmético “qualquer substância ou mistura destinada a ser posta em contacto com as partes externas do corpo humano (epiderme, sistemas piloso e capilar, unhas, lábios e órgãos genitais externos) ou com os dentes e as mucosas bucais, tendo em vista, exclusiva ou principalmente, limpá-los, perfumá-los, modificar-lhes o aspeto, protegê-los, mantê-los em bom estado ou de corrigir os odores corporais”(Decreto-Lei n.º 176/2006, de 30 de agosto).

O Infarmed tem por missão regular e supervisionar o mercado de produtos cosméticos segundo os mais elevados padrões de proteção da saúde pública, garantindo o acesso dos profissionais de saúde e dos consumidores a produtos cosméticos de qualidade e seguros. Na FMP existe uma vasta gama de produtos de cosmética sendo comercializadas linhas como a Avéne®,

Galénic®, Vichy®, La Roche Posay®, Uriage®, entre outras. Ao longo do meu estágio, pude assistir

a várias formações promovidas pelas diferentes marcas de produtos comercializados na farmácia, o que me tornou mais apta a responder às necessidades de cada utente e a fazer aconselhamentos mais personalizados e enriquecidos.

3.4. Medicamentos homeopáticos

Segundo o Decreto-Lei 176/2006 de 30 de agosto, um medicamento homeopático é um medicamento obtido a partir de substâncias denominadas stocks ou matérias-primas homeopáticas, utilizando um processo de fabrico descrito na farmacopeia europeia, ou na sua falta, em farmacopeia utilizada de modo oficial num Estado membro. Este mesmo decreto-lei estabelece dois procedimentos para a autorização de medicamentos homeopáticos:

- um processo de registo simplificado, para os medicamentos homeopáticos introduzidos no mercado sem indicações terapêuticas e sob forma farmacêutica e dosagem que não apresentem riscos para o doente;

- um regime idêntico ao dos restantes medicamentos de uso humano, para os medicamentos homeopáticos comercializados com indicações terapêuticas, ou com uma apresentação susceptível de apresentar riscos para o paciente, sem prejuízo das características próprias a que devem obedecer os ensaios tóxico-farmacológicos e clínicos destes medicamentos. A FMP não possui grande variedade de medicamentos homeopáticos, uma vez que estes não são significativamente solicitados por parte dos utentes. Contudo, tive a experiência de dispensar um Osciloccoccium®, dos laboratórios BOIRON, onde dei alguma informação técnica

sobre este tipo de medicação a uma senhora que se encontrava constipada e era contra as substâncias químicas.

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3.5. Produtos fitoterapêuticos e suplementos alimentares

Os produtos fitoterapêuticos são produtos à base de plantas e são utilizados na profilaxia, no tratamento de doenças ou no alívio dos sintomas, na sua maioria adjacentes a outra terapêutica. Na FMP existe uma grande variedade de produtos naturais com grande procura por parte do utente que acredita ser inócuo, contudo estes também possuem ações farmacológicas, o que pressupõe contraindicações e efeitos adversos. Desta forma, uma vez mais, o farmacêutico assume um papel fulcral na correta utilização destes produtos, devendo sempre fornecer todas as indicações para um correto aconselhamento. Os produtos fitoterapêuticos são controlados de acordo com o descrito no Estatuto do Medicamento.

Os suplementos alimentares são regulados pelo Decreto-lei nº 136/2003 de 28 de junho, e são utilizados como um complemento ao regime alimentar para suprimir algumas carências, mas nunca para substituir a dieta [5].

3.6. Produtos para alimentação especial e produtos dietéticos

Os produtos destinados a uma alimentação especial estão regulados pelo Decreto-lei nº 74/2010 de 21 de junho, e distinguem-se dos alimentos de uso corrente pela sua composição ou processo especial de fabrico, tendo como objetivo alcançar um estado nutricional pretendido. Estes produtos destinam-se a pessoas com perturbações metabólicas ou que se encontrem em condições fisiológicas especiais, que necessitem de um controlo sobre as substâncias ingeridas e, também, a latentes ou crianças jovens em bom estado de saúde [6].

Na FMP tive a oportunidade de contactar e vender alguns produtos como o FORTIMEL®

ou o FRESUBIN® especialmente formulados a pessoas com distúrbios metabólicos, mas também

outros produtos alimentares destinados a crianças e latentes de várias marcas como NUTRIBÉN®,

APTAMIL®, NOVALAC®, ENFALAC®, entre outros, que apresentam diversas gamas de forma a

abranger um maior número de necessidades da população. 3.7. Produtos e medicamentos de uso veterinário

Os medicamentos e produtos destinados a uso veterinário têm legislação específica e são regulados pelo Decreto-lei nº 184/97 de 26 de julho. De acordo com este documento, um medicamento veterinário é um produto que possui propriedades no tratamento ou na prevenção de doenças e da sua sintomatologia, destinado a animais [7]. Na FMP estes produtos estão acondicionados num local específico, separados dos medicamentos de uso humano e a sua identificação está facilitada pela menção no rótulo «USO VETERINÁRIO», impressa em fundo verde, tal como regulamenta o mesmo Decreto-lei.

Ao longo do meu estágio verifiquei que os medicamentos de uso veterinário que tiveram mais procura foram os antiparasitários e os anticoncecionais para cães e gatos.

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3.8. Dispositivos médicos

É estabelecido no Decreto-Lei nº 145/2009, de 17 de junho as regras a que devem obedecer a investigação, o fabrico, a comercialização, a entrada em serviço, a vigilância e a publicidade dos dispositivos médicos e respectivos acessórios.

Os dispositivos médicos são instrumentos de saúde destinados, especificamente pelo seu fabricante, a serem utilizados como forma de prevenir, diagnosticar ou tratar uma doença no ser humano, sem que, para isso, se tenha que recorrer a ações farmacológicas, metabólicas ou imunológicas [8]. Durante o meu estágio vendi diversos dispositivos médicos, como por exemplo: material de penso, seringas, sondas de alimentação, sacos de ostomia, preservativos, meias de compressão, entre outros.

4. Gestão de stocks

4.1. Fornecedores e normas legais de aquisição

A aquisição dos medicamentos e outros produtos pela farmácia pode ser feita através da compra a distribuidores grossistas, que funcionam como intermediário entre a farmácia e a indústria farmacêutica, ou pela compra direta a laboratórios ou seus representantes legais [9]. A compra a armazenistas apresenta vantagens, como entregas rápidas, possibilidade de compra de uma extensa variedade de produtos e aquisição apenas de produtos necessários, nas quantidades desejadas, mediante as vendas do dia. A FMP possui cerca de três principais fornecedores: Alliance Healthcare, OCP e Cooprofar, para as quais se efetuam diariamente encomendas, sendo que são enviadas preferencialmente encomendas para a Alliance e Cooprofar. Diariamente nesta farmácia são entregues por estes fornecedores cerca de três encomendas de modo a assegurar uma resposta às necessidades imediatas manifestadas pelos utentes. A seleção do fornecedor depende de vários critérios, entre eles: horário de entrega da encomenda e número de entregas diárias (entregas somente em dias úteis ou também aos fins de semana e feriados, uma ou mais entregas diárias); condições de pagamento (por exemplo: pronto-pagamento, pagamento a 30 dias), descontos comerciais (percentagem de desconto ou bonificação em produto que se obtém na compra de uma determinada quantidade) e satisfação dos pedidos (envio de todos os produtos pedidos, quantidade de produtos em falta/esgotados).

A opção entre comprar produtos diretamente à indústria farmacêutica justifica-se em algumas situações, nomeadamente quando os laboratórios oferecem melhores condições de compra, como por exemplo, oferecendo descontos. É preferível a compra direta aos laboratórios quando estes oferecem condições económicas atrativas, como descontos ou campanhas promocionais. Contudo, estas encomendas exigem a compra em maiores quantidades o que implica

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um maior investimento e stock. Desta forma, este tipo de aquisição só se torna rentável quando se trata de produtos com elevada rotatividade. Em relação a estas encomendas diretas, a FMP realiza encomendas de medicamentos genéricos em grandes quantidades, de laboratórios muito procurados pelos utentes desta farmácia, com descontos muito vantajosos. Na FMP os pedidos requeridos aos fornecedores são efetuados por via modem e via telefone. Por via modem são realizadas as encomendas chamadas de “reforço de venda” , que correspondem a produtos/medicamentos vendidos desde a última encomenda efetuada e ainda produtos em falta detetados durante esse mesmo período. Por outro lado, pedidos de medicamentos/produtos esporádicos que a farmácia não disponha no momento e cuja confirmação de existência no armazenista e envio seja necessária, são efetuados por via telefónica.

5. Encomendas e aprovisionamento

O aprovisionamento é o conjunto de operações administrativas e económicas que permitem colocar os medicamentos e outros produtos à disposição dos utentes. Foi nesta atividade, junto do Dr. Luís, que iniciei o meu estágio. O Dr. Luís teve sempre a amabilidade de me ir explicando todos os passos do circuito do medicamento, desde a realização de encomendas, à sua receção e armazenamento nos respetivos locais.

5.1. Realização de encomendas

A realização de uma encomenda tem como objetivo repor o stock da farmácia ou providenciar um produto solicitado pelo utente.

Na FMP realizam-se encomendas com o auxílio do sistema informático, SIFARMA® 2000 que, após averiguar produtos vendidos nesse dia que se encontram abaixo do stock mínimo estabelecido, sugere a encomenda dos mesmos para reposição. Esta tarefa sempre ficou a cargo do Dr. Luís, que me mostrou ser possível aprovar ou não a encomenda gerada pelo sistema, bem como retirar ou adicionar produtos à mesma. Depois de aprovada, a encomenda é enviada ao armazenista

via modem.

Recentemente a Cooprofar criou um gadget que permite verificar a disponibilidade de produto e realizar a sua encomenda imediata, o que se tem mostrado uma mais valia na rapidez da resposta do farmacêiutico ao utente, sempre que este solicita um produto que não faça parte do stock da farmácia. As matérias-primas utilizadas no laboratório da FMP são também encomendadas ao armazenista.

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5.2. Receção e conferência de encomendas

A receção e verificação de encomendas assumem um papel crucial na logística da farmácia. São atividades que devem ser feitas com a máxima atenção de forma a evitar eventuais erros, que assumem repercussões negativas no bom funcionamento da farmácia, uma vez que são fonte de problemas relacionados com o stock da farmácia. Aquando da chegada das encomendas à farmácia verificamos que estas são transportadas em “banheiras” com cor caraterística de cada distribuidor e vêm identificadas com o nome da farmácia, um código numérico e um código de barras. Estas fazem-se acompanhar de uma guia de remessa/factura em duplicado, que contem os dados necessários à receção dos produtos. Para este efeito, recorre-se ao menu “Receção de Encomendas” no software SIFARMA® 2000 e procede-se à seleção da encomenda em questão; introduz-se o número da fatura e o seu valor total. De seguida, procede-se ao seu rececionamento, através da leitura ótica do código nacional do produto (CNP) dos medicamentos. Contudo, é necessário para a sua correcta receção ter em conta determinados aspetos como: averiguar se todos os produtos faturados foram, de facto enviados; verificar o estado de conservação das embalagens; proceder à atualização dos prazos de validade dos produtos cujo stock esteja a zero ou quando as embalagens rececionadas tenham um prazo de validade inferior ao das embalagens já existentes na farmácia; corrigir ou atribuir o PVP aos produtos novos ou aos produtos cujo preço esteja alterado; proceder à transferência dos produtos esgotados para outro fornecedor e, atualização automática dos stocks dos produtos. Quando a encomenda se faz acompanhar de produtos que necessitam de condições especiais de armazenamento a baixas temperaturas é realizado o seu imediato acondicionamento no frigorífico da farmácia [10]. É de realçar que, quando na encomenda existe uma matéria-prima, esta deverá ser acompanhada do seu respectivo boletim de análise obrigatório, que é arquivado no dossier destinado para o efeito. Caso seja a primeira vez que esta matéria-prima é recebida na farmácia, para além do boletim de análise deverá vir acompanhada das normas de segurança. Outra situação especial, depreende-se com o facto da encomenda vir provida de medicamentos estupefacientes e psicotrópicos devendo estes ser acompanhados por uma requisição com a discriminação dos medicamentos enviados, assinado e carimbado pelo diretor técnico, dado que estes medicamentos são sujeitos a um controlo especial [11]. Finda a receção e conferência da encomenda, confirma-se a sua entrega e compara-se o valor total da fatura com o valor apresentado no sistema informático, que deverá coincidir, revelando que a tarefa foi executada corretamente.

Durante o estágio, esta foi das primeiras tarefas que realizei, o que me possibilitou familiarizar com os medicamentos e produtos farmacêuticos de que a farmácia dispunha.

5.3. Marcação de preços

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PVP na rotulagem dos medicamentos [12].

Para os medicamentos sujeitos a receita médica, o valor é definido pelo INFARMED, que disponibiliza uma tabela mensal, a partir da qual se confere os PVP.

No caso dos produtos de venda livre, compete à farmácia atribuir-lhes um PVP, que tem em conta o preço de faturação, o Imposto de Valor Acrescentado (IVA) e a margem que a farmácia pretende obter [13]. Determinado o PVP, são depois impressas as etiquetas autocolantes contendo o CNP do produto, designação, preço e taxa de IVA, tendo o cuidado de não ocultar nenhum dado (lote, do PV e informações em português).

5.4. Armazenamento de produtos

Terminada a etapa de receção e conferência de encomendas, procede-se ao armazenamento dos produtos recebidos, seguindo-se algumas regras fundamentais para um funcionamento rápido e eficaz.

Deste modo, na FMP os medicamentos são armazenados em gavetas metálicas também designadas por “rombics” sendo estes separados tendo por base a F.F. destes. Para além da separação de acordo com a F.F., são também colocados por ordem alfabética do seu nome e seguem a rotatividade das existências “First Expired, First Out” (FEFO) colocando os produtos de menor prazo de validade (P.V.) armazenados à frente daqueles que possuem um PV mais alargado evitando a retenção de produtos mais antigos com consequente expiração do seu PV.

Existem ainda dois grupos de medicamentos a ter em especial atenção no armazenamento: os medicamentos psicotrópicos e estupefacientes que estão armazenados numa gaveta no interior da farmácia, não acessível ao publico, de modo a promover um controlo mais rigoroso destas substâncias, e os medicamentos que necessitam de refrigeração e que são prioritariamente colocados no frigorífico de porta transparente. Para assegurar que os produtos mantêm as suas qualidades originais, o interior do frigorífico deve-se encontrar a uma temperatura entre os 2 - 8 ºC, diariamente monitorizada a partir de um termómetro que regista as variações de temperatura [14].

Para que se assegurem as condições de conservação dos produtos, segundo as BPF, estes têm que estar guardados num sítio protegido da luz solar direta, com uma temperatura ambiente inferior a 25ºC e humidade inferior a 60% [15,16]. Estes parâmetros são controlados na FMP quinzenalmente, através da análise dos registos dos termohigrómetros situados nos diversos locais onde se armazenam produtos [17].

Quando a disponibilidade de espaço na zona de atendimento e nos módulos se esgota, os produtos são colocados no armazém no piso -1 da farmácia, constituindo um stock passivo, pronto a suprir as faltas do stock ativo.

O armazenamento de medicamentos foi uma tarefa que executei desde o primeiro dia de estágio e que me conferiu bastante destreza e rapidez para a fase do atendimento ao público.

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5.5. Controlo de prazos de validade

O controlo dos PV de todos os produtos farmacêuticos é fulcral para uma boa gestão da farmácia e para a segurança dos utentes. Como referi no ponto anterior, para auxiliar neste controlo, aquando da sua receção, os produtos são armazenados de acordo com o princípio do FEFO. Há a possibilidade de fazer uma devolução aos fornecedores de produtos cujo PV esteja próximo do fim e, para isso, é necessário o seu controlo periódico.

Na FMP, para além da essencial etapa de verificação e atualização dos PV, aquando da receção da encomenda, todos os meses é impressa, através do SIFARMA® 2000, uma lista onde constam todos os produtos cujo prazo de validade termina num período de três meses, a contar do mês da sua emissão, sendo exceções os produtos que fazem parte do protocolo da diabetes mellitus e os medicamentos de uso veterinário, pois a devolução dos mesmos deverá ser realizada com cinco e seis meses de antecedência, respetivamente.

Desta forma, todos os produtos que são discriminados na lista emitida são individualmente e de forma manual verificados, sendo devolvidos ao respectivo fornecedor os produtos que se inserem no intervalo considerado acompanhados de uma “Nota de Devolução” em duplicado. Quando estes produtos são retirados é necessário fazer uma correção dos seus PV no programa informático, colocando-se sempre o PV mais curto dos que se mantêm no stock, no ítem “Correção de Prazos de Validade”. Ao longo do estágio, participei em todos os controlos de PV realizados na FMP, assim como em todas as devoluções daí decorrentes.

5.6. Gestão de devoluções

São diversos os motivos pelos quais há a necessidade para a realização de devoluções no contexto da farmácia comunitária, entre eles: PV a expirar ou expirado, produtos pedidos por engano, produtos enviados com PV curtos, produtos enviados que não foram encomendados, produtos enviados mas que se apresentam danificados, produtos enviados que não foram faturados e produtos retirados de circulação por ordem do do INFARMED ou do laboratório que os comercializa. Na FMP, para se fazer uma devolução recorre-se ao SIFARMA® 2000, seleciona-se o ítem “Criar Devolução” no menu “Gestão de Devoluções”, indica-se o fornecedor para o qual se pretende fazer a devolução e, de seguida introduzem-se os produtos, referindo para cada caso o motivo da devolução e o número da fatura desse produto. Ao concluir a devolução é emitida uma nota de devolução em triplicado, que é assinada, datada e carimbada pelo profissional que a realizou, onde vem especificado o produto, o número de embalagens devolvidas, o preço, o número da fatura onde foi debitado e o motivo da devolução. O triplicado é arquivado na farmácia e o original e duplicado acompanham os produtos devolvidos, que saem automaticamente do stock da farmácia. O fornecedor pode aceitar a devolução (e, neste caso, substitui o produto ou emite uma nota de crédito), ou pode rejeitar a devolução, assumindo a farmácia o respetivo prejuízo resultante

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da quebra.

O software SIFARMA® 2000 auxilia na regularização das devoluções através do menu

(“Regularização de Devoluções”) que permite verificar se a devolução foi ou não aceite. Em caso afirmativo, indica-se qual a modalidade escolhida para a regularização; caso tenha sido rejeitada, os produtos voltam a fazer parte do stock da farmácia. Se enviarem novos produtos para compensar a devolução, então estes devem ser introduzidos, entrando para o inventário da farmácia.

Ao longo do estágio tive a oportunidade de realizar várias devoluções pelos diversos motivos, e pude assim conhecer todo o processo inerente.

6. Atendimento ao público

6.1. Prescrição médica e validação de receitas

As prescrições médicas que chegam a farmácia podem apresentar-se sob duas formas de validade: pode ser uma receita normal, com validade de 30 dias a contar da data de prescrição, ou uma receita renovável, com validade de 6 meses e que é emitida em três vias, destinada a um tratamento prolongado [18, 19]. A receita pode ainda ser manual ou eletrónica [19]. Contudo, de acordo com a Portaria nº 137-A/2012 de 11 de maio, o prescritor tem o dever de utilizar a receita eletrónica, embora possa adotar o método manual em casos excecionais nas seguintes situacões: caso ocorra falência do sistema informático; impossibilidade de adaptação à receita electrónica; prescrição no domicílio ou noutras situações, desde que não ultrapasse a prescrição de quarenta receitas por mês. A exceção que permite ao médico prescrever manualmente tem que estar devidamente assinalada no documento de receita pré-impresso. Por outro lado, as receitas renováveis não podem ser prescritas de modo manual [19, 20].

Quando o utente chega a farmácia com uma receita, o farmacêutico deve de imediato verificar se esta se encontra válida. Para o efeito, uma receita só é considerada válida se cumprir os requisitos estabelecidos, que são: apresentar o número da receita; local e data de prescrição; identificação e assinatura do médico prescritor; nome e número de utente ou de beneficiário de subsistema; entidade financeira responsável (mediante a qual é efetuada a comparticipação dos medicamentos); designação comum internacional (DCI) da substância ativa ou designação comercial do medicamento (quando não existe grupo homogéneo (GH) com um genérico comparticipado ou o medicamento não é comparticipado); dosagem; FF; dimensão da embalagem; número de embalagens e identificação do despacho que estabelece o regime especial de comparticipação de medicamentos, se aplicável [19].

Em cada receita apenas podem estar prescritos até quatro medicamentos, em que a prescrição de cada medicamento apenas pode ser até duas embalagens, exceto no caso dos medicamentos prescritos se apresentarem sob a forma de embalagem unitária [19].

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Quanto às receitas com medicamentos psicotrópicos e estupefacientes, estes têm que ser prescritos numa receita individual, ou seja, que não contenha mais nenhum tipo de medicamento. O mesmo acontece com os produtos destinados ao controlo da diabetes mellitus incluídos no Programa Nacional de Prevenção e Controlo da Diabetes. Em relação aos medicamentos manipulados, também estes devem ser prescritos numa receita à parte e que inclua a menção “Manipulado” ou “FSA” no caso de serem comparticipados [19, 20].

Quando o utente se dirige à farmácia com prescrição médica para aviar MSRM, tem a oportunidade de escolher qual o medicamento que pretende levar, se genérico ou de marca, com base na DCI. Se o medicamento prescrito estiver incluído num GH, o farmacêutico tem o dever de informar o utente sobre a existência de alternativas e disponibilizar três opções desse GH que se incluam nos cinco mais baratos do mercado [19].

Existem também situações em que a prescrição inclui o nome comercial do medicamento, como é o caso de ser um medicamento não comparticipado, ou quando não existe um GH com um genérico comparticipado e, nestes casos, o médico tem de incluir na receita uma das seguintes exceções [19-20]:

• Exceção a), quando se trata de um medicamento com margem ou índice terapêutico estreitos;

• Exceção b), no caso de ter ocorrido uma reação adversa prévia;

• Exceção c), quando o doente faz um tratamento de tempo superior a 28 dias.

Quando o médico prescritor seleciona a exceção a) ou b), o utente não tem direito de optar por outro medicamento, tendo que ser dispensado a marca comercial prescrita. No caso da exceção c), o utente pode optar pelo medicamento prescrito ou por outro com um PVP inferior [19, 20]. É importante que o farmacêutico durante o atendimento verifique todos estes requisitos para fazer um correto aviamento da receita, indispensável para a receita não seja recusada.

6.2. Interpretação e avaliação farmacêutica da prescrição médica

Após a validação da receita médica, segue-se a interpretação da receita e a respetiva avaliação farmacoterapêutica por parte do farmacêutico. Segundo as BPF, o farmacêutico deve analisar cada prescrição médica como um caso indivualizado, questionando o utente sobre a sua condição e percebendo, desta forma, se o medicamento prescrito é o adequado para a sua sintomatologia, se existe algum tipo de interação ou contraindicação entre a prescrição e outra medicação a ser feita pelo utente, assim como a dose, frequência e duração do tratamento [10]. O farmacêutico deve ainda contactar o médico caso tenha alguma dúvida na prescrição ou detete alguma incompatibilidade [15].

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6.3. Dispensa de medicamentos

A dispensa de medicamento é a principal competência da atividade farmacêutica numa farmácia comunitária. Segundo as BPF, quando o farmacêutico avia uma receita, ou somente quando lhe é solicitado aconselhamento de MNSRM, deve garantir a segurança do utente e que este receba toda a informação indispensável à correta utilização dos medicamentos, para promover o sucesso da farmacoterapia e o uso racional do medicamento. Deve ainda mostrar a sua total disponibilidade, proporcionando um aconselhamento personalizado, com uma linguagem clara, objetiva e adequada, tendo em conta o nível sociocultural do utente. Se este se fizer acompanhar de uma receita médica, o farmacêutico deve validá-la, interpretá-la e avaliá-la (pontos 6.1. e 6.2.) e, sempre que for oportuno deve ainda reforçar a informação oral com informação escrita [10]. Todos estes processos revelam a importância do farmacêutico enquanto detentor de conhecimento e transmissor de informação.

Recentemente uma nova atualização no software SIFARMA® 2000, denominada “Verificação”, surge na reta final do atendimento, e permite ao farmacêutico confirmar que os códigos de barras da receita são coincidentes com os códigos de barras dos medicamentos que estão a ser dispensados. Este novo atalho permite acabar com a dispensa errada de medicação, com consequentes prejuizos tanto para a farmácia como para o utente.

A dispensa de medicamentos é executada pelo software SIFARMA® 2000; selecionando-se o menu “Atendimento” e, de selecionando-seguida, a tecla F2 ou F3, caso selecionando-seja uma venda selecionando-sem ou com comparticipação, respetivamente. Numa dispensa com comparticipação, introduzem-se os códigos de barras presentes na receita por leitura ótica e, em seguida, seleciona-se o plano de comparticipação mencionado na receita. Após o registo dos medicamentos e término da venda, são impressos os produtos comparticipados no verso da receita, que deve ser assinada pelo utente confirmando, assim, que lhe foram cedidos os medicamentos e que exerceu, ou não, o seu direito de opção na escolha dos medicamentos, se aplicável. Posteriormente, cabe ao farmacêutico responsável por este processo de aviamento, assinar, datar e carimbar a receita no verso.

Caso o utente não se faça acompanhar de uma receita médica e tenha algum problema que possa ser solucionado sem recorrer ao médico, o seu farmacêutico deve debruçar a sua atenção em perceber a sintomatologia e questionar o utente de toda a medicação que já toma, de modo a resolver o seu problema com sucesso na farmacoterapia, promovendo sempre o uso racional do medicamento. É ainda possível fazer-se uma venda suspensa, quando se trata de doentes crónicos que no momento não tenham receita médica e que posteriormente a trazem, sendo emitido um comprovativo de venda suspensa, que deve apresentado quando se fizerem apresentar da receita.

Desde cedo que, durante o meu estágio, me foi dada oportunidade de acompanhar a minha orientadora nos seus atendimentos, e com ela pude aprender todo este processo e como agir em variadíssimas situações de aconselhamento.

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6.4. Dispensa e controlo de medicamentos psicotrópicos e estupefacientes

Os medicamentos psicotrópicos e estupefacientes apresentam propriedades muito específicas pelo facto de atuarem ao nível do sistema nervoso central e são, na maioria das vezes, indicados para doenças psiquiátricas, dor oncológica e dor crónica. Uma vez que possuem ação no sistema nervoso central, a sua margem terapêutica é estreita, e por isso facilmente provocam dependência física e psíquica e alterações comportamentais e de consciência. Uma vez que apresentam um perfil de dependência em que são muitas vezes usados como drogas de abuso, são alvo de legislação específica que tem como objetivo fazer um controlo rigoroso do consumo destas substâncias. Os medicamentos sujeitos a esta legislação apresentam-se discriminados no Decreto-lei nº 15/93 de 22 de janeiro [11]. A dispensa destes medicamentos só pode ser feita mediante a apresentação de uma receita médica, que, como já referido anteriormente, não pode conter mais nenhum tipo de medicamento [19, 20].

Durante o aviamento de receitas com estes produtos, é solicitado ao farmacêutico um preenchimento obrigatório de um formulário, no qual constam os dados do doente, médico prescritor e ainda do adquirente da medicação.

Após a finalização da venda, o sistema informático emite duas cópias do documento de psicotrópicos ou estupefacientes, que deverão ser anexadas, junto de uma cópia da receita e arquivadas com os registos de entradas/saídas destes produtos durante, pelo menos, 3 anos [20].

O INFARMED, como entidade que fiscaliza todo o circuito inerente a estes medicamentos, obriga a que lhe seja enviado a listagem de todas as receitas aviadas e a cópia de todas as receitas manuais deste tipo de medicamentos até ao oitavo dia de cada mês [20].

Ao longo do estágio, tive a oportunidade de assistir e participar na venda de substâncias psicotrópicas e estupefacientes e ainda participar na organização de todos os documentos inerentes a este processo.

6.5. Medicamentos genéricos e preços de referência

O Sistema de Preços de Referência é o novo Sistema de Comparticipação do Estado no preço dos medicamentos, no âmbito do Serviço Nacional de Saúde, e aplica-se apenas a alguns grupos de medicamentos que apresentam a mesma composição qualitativa e quantitativa em substâncias ativas, FF, dosagem e via de administração para os quais existe pelo menos um medicamento genérico no mercado. Os medicamentos nestas condições encontram-se agrupados em GH [21]. Desta forma, quando se inclui um medicamento num GH, este fica sujeito a aplicação do sistema de preços de referência. O preço de referência para cada GH corresponde à média dos 5 medicamentos com PVP mais baixo desse grupo, sejam genéricos ou de marca [21]. É sobre o Preço de Referência que o Estado comparticipa, e sobre o qual se calcula o encargo para o utente.

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Os medicamentos presentes em cada GH são trimestralmente atualizados e publicados pelo INFARMED [22]. É dever do farmacêutico alertar o utente para as possíveis oscilações de preço dos medicamentos, e ainda os deve informar sobre as alternativas mais baratas, caso existam.

6.6. Comparticipação de medicamentos

Os sistemas de comparticipação de medicamentos surgiram com o a necessidade de melhorar o acesso à medicação por parte da população, em particular àquela que possui menos recursos económicos [22]. Existem diversas entidades comparticipadoras, contudo a que abrange um maior número de utentes é o Serviço Nacional de Saúde (SNS), que contém dois regimes de comparticipação: o Regime Geral e o Regime Especial.

As comparticipações do regime geral pelo SNS variam consoante diferentes escalões, de acordo com a legislação atual, o Decreto-lei nº 106-A/2010 de 1 de outubro, que faz alterações ao Decreto lei nº 48-A/2010 de 13 de maio [22, 23]:

• Escalão A – 90% do PVP de comparticipação; • Escalão B – 69% do PVP de comparticipação; • Escalão C – 37% do PVP de comparticipação; • Escalão D – 15% do PVP de comparticipação.

Os medicamentos incluídos em cada um destes escalões são definidos pela Portaria nº 1474/2004 de 21 de dezembro [24].

Nas receitas dos utentes abrangidos pelo regime geral consta a letra “O”. Por outro lado, para os portadores de regime especial vem a letra “R” ou as letras “RO”.

O Regime Especial, em que o beneficiário usufrui de uma maior percentagem de comparticipação, inclui pensionistas e utentes portadores de determinadas patologias, como psoríase, dor crónica ou doença de Alzheimer. Neste regime, o médico prescritor deve mencionar despacho referente à patologia específica para que o utente usufrua do regime especial de comparticipação [22]. Cada despacho obedece a legislação própria e o valor da comparticipação pelo SNS é variável [22]. Para um pensionista cujo rendimento total anual não exceda 14 vezes o salário mínimo nacional pode usufruir de uma comparticipação acrescida em 5% nos medicamentos do Escalão A e de 15% nos dos restantes escalões. Caso o utente que cumpra estas condições opte por um dos 5 medicamentos mais baratos do respetivo GH, a comparticipação é de 100% em todos os escalões [22]. Para além do SNS, existem outras entidade que comparticipam em simultâneo (complementaridade) um determinado grupo de utentes, isto é; utentes que por terem seguradoras (por exemplo, Medis®, Multicare®), por pertencerem aos correios de Portugal ou Serviços de Assistência Médico Social (SAMS), como é o caso dos bancários, usufruem em simutâneo de dois organismos, do regime Geral ou Especial do SNS e ainda da outra entidade à

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qual pertencem [25].

Quanto aos doentes diabéticos, estes usufruem de um regime especial nos produtos para o autocontrolo da doença, que têm um valor fixado pela Portaria nº 364/2010 de 23 de junho. Enquanto que a comparticipação de tiras-teste é de 85%, as agulhas, lancetas e seringas são comparticipadas pelo SNS em 100% [25].

Ao longo do estágio fui tendo contato com os diversos planos de comparticipação, não só durante conferência do receituário bem como no atendimento ao público.

6.7. Direito de opção do utente

Atualmente a lesgislação em vigor permite que o utente possa optar pelo medicamento prescrito dentro do GH correspondente. Por isso, cabe ao farmacêutico informar o utente quando existem alternativas e disponibilizar três medicamentos desse GH dos cinco mais baratos do mercado [20]. Através da sua assinatura no verso da receita, o utente pode, ou não, confirmar o seu direito de opção.

6.8. Aconselhamento farmacêutico

Como já foi referido anteriormente, o farmacêutico deve prestar o devido aconselhamento, fornecendo toda a informação necessária à correta utilização dos medicamentos dispensados e fomentar o uso racional do medicamento.

Quando algum cliente recorre à farmácia para tentar solucionar algum problema, o farmacêutico pode aconselhar medidas não farmacológicas e/ou indicar um MNSRM ou produtos de venda livre, com o objetivo de resolver um problema menor ou de aliviar a sintomatologia. Também lhe compete oferecer outros serviços de cuidados farmacêuticos, como o seguimento farmacoterapêutico e a educação para a saúde. De acordo com as BPF, para a avaliação da situação, o farmacêutico deve recolher o máximo de informação, realizando uma entrevista ao utente acerca da sintomatologia, duração, medicamentos que toma e possível relação com uma doença pré-existente. Caso se trate de uma situação mais grave, o farmacêutico deve reencaminhar o doente para o médico [10].

Para mim, a parte mais desafiante do estágio foi, indubitavelmente, contactar com a realidade do aconselhamento farmacêutico. Verifiquei que, na maioria das vezes, a farmácia e o farmacêutico são o primeiro espaço/profissional de saúde a quem o utente recorre quando necessita de cuidados de saúde de forma acessível e confiável.

6.9. Implementação da nova receita eletrónica

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a Glint e as Farmácias Portuguesas tem como objetivo transformar as receitas em papel em prescrições que possam ser acedidas na farmácia através do cartão de cidadão do utente [26, 27]. Desde que iniciei o meu estágio, em janeiro, verifiquei que a adesão a este novo modelo foi sendo gradual e progressiva. No entanto, ainda é possível dispensar medicamentos através do método anterior, estando as duas modalidades em funcionamento. O sistema, contudo, ainda apresenta algumas falhas, como o facto haver certos produtos cuja comparticipação não seja aplicada e, também, o facto de ainda ser muito demorado no processamento da receita.

Com o este novo modelo, o utente apresenta na farmácia uma “guia do utente” que possui um código de barras a ser lido pelo software e que, de imediato, gera a receita no ecrã. Este mesmo código também é apresentado, muitas das vezes, através de uma mensagem no telemóvel do utente. Futuramente, espera-se que o processo seja mais simples, através do cartão de cidadão do utente com a introdução de um código no software SIFARMA® 2000.

Ao fazer o registo dos medicamentos, o programa informático faz a verificação dos produtos e confirma se estão de acordo com a prescrição. Uma das grandes vantagens desta inovação, além do fator ambiental de poupança de papel, prende-se com o facto de evitar erros na dispensa e verificar automaticamente o PV da receita. Verifica-se bastante útil para o farmacêutico porque adiciona automaticamente o plano de comparticipação, eventuais diplomas, e as exceções técnicas, caso existam. Os processos de faturação e conferência de receituário tornam-se processos menos morosos, visto que as receitas são imediatamente classificadas como validadas (desde que a dispensa tenha sido correta) ou não validadas (se ocorreu algum erro na dispensa) pelo sistema informático. As receitas validadas são agrupadas no lote eletrónico criado para o efeito (lote 99), enquanto as não validadas vão para o lote 98.

7. Conferência de receituário e faturação

Como já foi referido, existe um sistema de comparticipações de receituário por várias entidades, que permitem ao utente pagar menos e estas mesmas entidades asseguram, mais tarde, o pagamento à farmácia.

Na equipa da FMP há duas farmacêuticas responsáveis pela conferência de receituário, que verificam: se os medicamentos dispensados são os mesmos que os prescritos na receita, se o dispensado está abrangido pelo Código Nacional de Prescrição Eletrónica de Medicamentos, se a seleção do organismo de comparticipação foi o correto, se a receita se encontra dentro do PV, se está devidamente assinada pelo médico, e se o verso da receita está carimbado, datado e assinado pelo farmacêutico responsável pela dispensa dos medicamentos.

Após o fim do mês, cabe à farmácia organizar o seu receituário, fechar os lotes e faturá-los, para assim os enviar no dia 5 do mês seguinte.

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Para a entrega do receituário, este deve ser devidamente organizado em lotes, sendo que cada lote deve ser constituído por 30 receitas do mesmo tipo, excluindo o lote das receitas remanescentes desse mesmo tipo. As receitas são separadas por organismo de comparticipação e ordenadas de acordo com o número de lote. Todas as receitas terão de ser datadas, assinadas (utente e farmacêutico) e carimbadas.

Os lotes comparticipados pelo SNS (e respetivos verbetes de identificação, relação de resumo de lotes e fatura mensal) são enviados para o Centro de Conferência de Faturas e os comparticipados pelas outras entidades são enviados para a Associação Nacional de Farmácias que se encarrega de os distribuir pelos organismos a que pertencem.

Posteriormente, as entidades competentes reembolsam a farmácia no valor da comparticipação de cada receita, caso estejam corretas.

O pagamento do valor das comparticipações é adiantado pela FINANFARMA que, mais tarde, recebe da Administração Regional de Saúde do Norte [28]. Caso haja irregularidades nas receitas que foram enviadas para validação, estas são devolvidas à farmácia e devidamente justificadas relativamente ao motivo da devolução. Há a possibilidade de corrigir as receitas no mês atual e tornar a enviar para a entidade. Quando há devolução de receitas, é emitida uma nota de crédito que é enviada juntamente com os documentos de faturação do mês seguinte [28].

Na FMP, todos os processos referidos relacionados com a faturação são auxiliados pelas funcionalidades do sistema informático SIFARMA® 2000.

Após o tempo inicial de adaptação à farmácia, ao longo do estágio tive a oportunidade de aprender e ajudar os restantes funcionários na conferência e correção de receitas, o que permitiu adquirir mais competências através do contacto com as receitas médicas, com as prescrições de medicamentos e também com as entidades que os comparticipam.

8. Medicamentos manipulados

Segundo a Portaria n.º 594/2004, de 2 de junho, considera-se medicamento manipulado (MM) qualquer fórmula magistral ou preparado oficinal preparado e dispensado sob a responsabilidade de um farmacêutico.

Os manipulados permitem uma adaptação do medicamento de modo a obter-se uma terapêutica personalizada, sendo por isso uma alternativa aos medicamentos industrializados quando existe intolerância a excipientes, quando se pretende uma associação de substâncias ativas não comercializada, quando há dificuldade de deglutição, entre outros motivos. Cabe ao farmacêutico responsável pela preparação do medicamento manipulado, garantir a qualidade do mesmo e verificar a sua segurança, no que concerne às doses da(s) substância(s) ativa(s) e à existência de interações que ponham em causa a ação do medicamento ou a segurança do utente. Para que esta informação esteja acessível a todos os utilizadores, o Infarmed actualiza

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mensalmente e publica, nesta área, as listagens dos medicamentos cujos pedidos de registo foram deferidos; indeferidos por não assegurarem os requisitos exigidos na legislação aplicável; cancelados a pedido do requerente; ou cuja comercialização esteja suspensa. Uma farmácia para poder preparar medicamentos manipulados, necessita de ter um laboratório com condições adequadas, quer em termos de espaço físico, como de equipamento e matérias-primas [29]. Contudo, como já referido anterioramente, uma vez que a FMP existe há mais de meio século, a sua construção não teve por base a referida normativa legal, mas sim a que se encontrava em vigor aquando da sua construção. Em relação ao material mínimo que o laboratório de uma farmácia comunitária é obrigada a ter está pormenorizadamente detalhado na Portaria nº 1500/2004 de 7 de dezembro .

É no laboratório da FMP que a farmacêutica responsável executa todos os passos de manipulação, desde a preparação até ao acondicionamento, rotulagem, documentação obrigatória (quer das matérias primas utilizadas, quer do MM) e o controlo destes medicamentos [29]. Na FMP, a manipulação segue as boas práticas de preparação de medicamentos manipulados. As matérias-primas consumíveis, quando chegam do fornecedor, vêm acompanhadas de um boletim de análise, que é guardado juntamente com a restante documentação destes produtos e arquivado no laboratório da FMP. Assim como os medicamentos, também as matérias-primas têm de ser armazenadas em condições de conservação adequadas, respeitando o descrito na respetiva monografia e devidamente acondicionadas e rotuladas, de modo a evitar erros ou contaminações cruzadas e assegurar a qualidade e a segurança dos MM preparados na farmácia. Sempre que há movimentos das matérias-primas, são registadas todas as entradas e saídas de produto [30].

No final da preparação de um MM é-lhe atribuído um número de lote, colocado o rótulo, contendo o PV, condições de conservação, posologia, entre outras informações relevantes para o utente, e é preenchida uma ficha de preparação. O preço final é calculado de acordo com o disposto na Portaria nº 769/2004, de 1 de julho.

9. Outros cuidados de saúde prestados na farmácia

Aos clientes da FMP são-lhe proporcionados uma vasta gama de serviços que a farmácia dispõe. Assim, estes dirigem-se à farmácia não só para a compra de medicamentos, mas também para usufruírem dos restantes cuidados farmacêuticos em prol da sua saúde e bem-estar.

O utente encontra disponível na farmácia programas que visam o controlo de parâmetros inerentes aos cuidados preventivos, como por exemplo: controlo da sua pressão arterial, contolo de glicemia, controlo do seu peso, altura e índice de massa corporal e dos seus valores sanguíneos de colesterol total e triglicerídeos.

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estejam fora do Plano Nacional de Vacinação, cumprindo as normas de segurança. Todos estes cuidados de saúde prestados são devidamente acompanhados por um farmacêutico, que oferece um aconselhamento personalizado a cada situação, de forma a promover a saúde. É de notar que o controlo de glicemia, pressão arterial e peso são parâmetros gratuitos, e desta forma, há um número bastante acrescido de pessoas que frequentam diariamente a FMP para o controlo destes parâmetros.

Na FMP estão constamente expostos materiais educacionais para a gestão da saúde, programas de promoção da saúde e prevenção da doença adaptáveis a uma vasta gama de populações e grupos etários.

A FMP também participa no Sistema Integrado de Recolha de Embalagens e Medicamentos fora de uso, patrocinado pela Valormed, que visa a reciclagem.

Desde o início do meu estágio que acompanhei alguns funcionários da FMP na prestação de todos estes serviçoes e no aconselhamento inerente aos utentes, principalmente nas determinações bioquímicas e no controlo da pressão arterial, sendo que, passei gradualmente a fazê-lo de forma autónoma. A FMP dispõe de profissionais com conhecimentos especializados na área da segurança e eficácia dos medicamentos e que promovem constantemente o uso racional do medicamento.

10. Formações

 

Durante todo o período de estágio pude presenciar que são inúmeras as vezes que delegados de informação médica visitam a FMP. Muitas vezes fomos visitados por representantes das marcas, a fim de nos facultarem formações e informações adicionais de produtos já existentes ou ainda apresentarem novos produtos.

Estas formações têm como objetivo apresentar os seus produtos em detalhe, esclarecer dúvidas e fornecer informações para que seja feito um aconselhamento personalizado e adequado visando uma melhoria não só na satisfação do cliente mas também no número de vendas. Uma vez que tive a oportunidade de contactar diretamente com os responsáveis de formação aquando da visita à farmácia, não tive necessidade de me deslocar até eles quando davam formações pontuais. Foi-me dada toda a liberdade de os questionar, após os ouvir, sempre que fizeram visitas à farmácia. Sempre disponibilizaram todo o tempo necessário a fim de me apresentarem todo o seu portfólio, desde a informação técnica à experimentação de todos os produtos na própria pele, de modo a avaliar o perfil de absorvância, cheiro e textura do produto.

Referências

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