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Construção, gestão e manutenção de espaços verdes: percurso profissional de 2005 a 2011

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Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

Construção, Gestão e Manutenção de Espaços Verdes

Percurso Profissional de 2005 a 2011

Liliana Celeste Roriz Leiras Ferreira

Orientador: Prof. Luís Miguel Martins

Mestrado em Engenharia Agronómica

(2)

“Quando a obra estiver concluída, o mérito real do trabalho consiste em ele não ser

notado pelo utente comum, e quanto mais isso for verdade, melhor”

(3)

A

GRADECIMENTOS

O primeiro agradecimento tem de ser ao Professor Luís Martins, além de me acompanhar na minha vida profissional, o seu apoio como Orientador foi fundamental para a conclusão deste trabalho. Houve vários momentos próximos à desistência, e sem a motivação que me transmitiu, teria mesmo abandonado o projeto.

Agradeço à família direta, pai, mana e mano, não somos propriamente uma família unida (exceto com a mana), mas contamos com o apoio uns dos outros.

À minha família adotiva, Blandina (Mãe Dina), Nana e Puma, por me aturarem mais de perto e estarem sempre prontas a receber-me de braços abertos (além dos petiscos maravilhosos).

À minha família indireta, tios e tias, primos e primas, e outros mais, que foram sempre dizendo “Anda Lili, acaba lá isso!”, “Está quase”, “Vai trabalhar”, parece que não, mas estes empurrões são uma ajuda e tanto.

Aos meus amigos Catarininhas, Cath, Ana, Soph, David´s, João, Boticas, Cristina…

A todas as pessoas que trabalharam comigo durante estes 7 anos. Todos, de uma forma ou de outra, passaram uma aprendizagem. Em especial às pessoas da Câmara do Porto, pois estão agora mais próximas e aguardam esta conclusão para não terem mais de ouvir falar disto. Ao Rui Afonso e Cristina Azurara pela partilha de informação.

À Dra. Gabriela Leite por todo o apoio, tanto como minha Diretora, como Professora e, muitas vezes como amiga.

(4)

ÍNDICE

GERAL

Agradecimentos ...i 

ÍNDICE GERAL ... ii 

ÍNDICE DE QUADROS ... iv 

ÍNDICE DE FIGURAS ... iv 

RESUMO ... vi 

ABSTRACT ... vii 

1.  INTRODUÇÃO ... 1 

2.  CONSTRUÇÃO E MANUTENÇÃO DE ESPAÇOS VERDES ... 3 

2.1.  Cobertura vegetal em relva ou prado ... 4 

2.1.1.  Seleção de espécies ... 5 

2.1.2.  Operações de Manutenção ... 6 

2.1.3.  Utilizações e constrangimentos ... 8 

2.2.  Cobertura vegetal com herbáceas e arbustivas ... 9 

2.2.1.  Seleção de espécies ... 10  2.2.2.  Operações de Manutenção ... 10  2.2.3.  Utilizações e constrangimentos ... 10  2.3.  Arvoredo ... 11  2.3.1.  Seleção de espécies ... 11  2.3.2.  Operações de Manutenção ... 12  2.3.3.  Utilizações e constrangimentos ... 15 

2.4.  Gestão de Espaços Verdes ... 17 

2.4.1.  Bases de dados ... 17 

2.4.2.  Sistemas de informação geográfica ... 18 

3.  CONSTRUÇÃO, MANUTENÇÃO E GESTÃO DE ESPAÇOS VERDES ... 20 

3.1.  Espaços Verdes de Pequena Dimensão ... 21 

3.1.1.  Paços de Ferreira ... 21 

3.1.2.  Lousada ... 24 

3.1.3.  Outras Obras ... 33 

3.2.  Espaços Verdes de Grande Dimensão ... 36 

3.2.1.  Bairros Municipais do Porto ... 36 

3.2.2.  Inventário de espaços verdes nos Bairros Municipais do Porto ... 42 

3.3.  Gestão de Espaços Públicos ... 48 

(5)

3.3.2.  Cemitérios do Porto ... 60  4.  PERCURSO PROFISSIONAL ... 62  4.1.  Formação Académica ... 62  4.2.  Formação Profissional ... 62  4.3.  Percurso Profissional ... 63  5.  CONCLUSÕES GERAIS ... 66  REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 68 

(6)

ÍNDICE

DE

QUADROS

Quadro 1. Designação e áreas de canteiros da cidade de Paços de Ferreira ... 22 

Quadro 2. Elementos de manutenção, adaptado do relatório Arbomap.net ® ... 37 

Quadro 3. Espécies mais relevantes, adaptado arbomap.net ... 39 

Quadro 4. Cemitério do Prado do Repouso: Exemplo dos conflitos das árvores com os jazigos, num universo de 242 situações ... 61 

ÍNDICE

DE

FIGURAS

Figura 1. Plantação de arbustos em canteiro de pequena dimensão (Porto, Escola Condominhas, 2009). ... 9 

Figura 2. Exemplo de deficiente espaçamento para desenvolvimento da raiz de um Populus nigra, que pode estar também relacionado com a má escolha da espécie para este local (Porto, Falcão Per, 2009). ... 12 

Figura 3. Tutor Âncora ... 13 

Figura 4. Tutor Proteção ... 14 

Figura 5. Canteiro com plantas anuais, Paços de Ferreira. 2007 ... 23 

Figura 6. À esquerda arvore 1 (tília) e à direita árvore 2 (Plátano-bastardo). ... 27 

Figura 7. Árvore nº 3 - Tília em alinhamento. ... 28 

Figura 8. Resistogramas das árvores 3, 4, 5 e 6. ... 29 

Figura 9. Árvore nº 5, para abate e árvores nº 6 e 7. ... 31 

Figura 10. À esquerda, rebentação de toiça de tília (árvore 7); à direita ligustro (árvore 8). ... 32 

Figura 11. Construção dos espaços verdes da quinta da Bandeirinha –Melres, 2005. ... 33 

Figura 12. Arrelvamento da Sta. Quitéria – Felgueiras, 2005. ... 34 

Figura 13. Construção dos espaços verdes envolventes à central de biocombustíveis – Aveiro, 2007. ... 35 

Figura 14. Construção dos espaços verdes do centro comercial Ferraraplaza – Paços de Ferreira, 2006 ... 36 

Figura 15. Bairro de Aldoar – antes e depois foco de insalubridade, Porto 2010. ... 38 

Figura 16. Cabeçalho da ficha de campo usada no inventário. ... 43 

Figura 17. Vista do programa do Bairro de Aldoar no programa Arbomap.net ... 46 

Figura 18. Seleção de uma árvore no aplicativo do Município de Madrid (Tecnigral, 2011). ... 47 

Figura 19. Organigrama da Divisão Municipal de Parques Urbanos. ... 48 

Figura 20. Planta Quinta do Côvelo. ... 50 

Figura 21. Planta Parque das Virtudes. ... 52 

(7)

Figura 23. Planta Palácio Cristal. ... 55  Figura 24. Planta do Parque da Cidade ... 57  Figura 25. Parque da Cidade, vista de caminhos e charca de água. ... 58 

(8)

RESUMO

Os espaços verdes têm uma importância cada vez maior na saúde e bem-estar da população humana. Devido a essa importância, é crescente a preocupação na construção, manutenção e gestão de estruturas verdes de boa qualidade. Tendo em conta a importância destes espaços há necessidade da sua adequada adaptação ao clima, funções do espaço, exigências dos utentes e manutenção sustentável.

A relevância dos espaços verdes levou a autora a enveredar por um percurso profissional no qual o seu papel foi ganhando relevo devido ao aumento gradual da sua área de atuação.

Numa primeira parte este trabalho faz uma análise dos estudos publicados sobre a utilização da vegetação e alguns dos constrangimentos relacionados com essa mesma utilização. Faz-se também uma abordagem às metodologias e importância da gestão dos espaços verdes.

Dos trabalhos desenvolvidos constata-se que é essencial uma boa gestão dos recursos humanos, sobretudo nas áreas de pequena dimensão administradas por empresas de pequena ou média dimensão.

Há uma necessidade premente de conversão de espaços formais, bastante exigentes em água, fitofármacos e mão-de-obra por áreas com manutenção mais sustentável.

A boa gestão dos resíduos urbanos é outra componente que contribui substancialmente para a melhor aceitação e uso pelos consumidores finais.

A gestão da informação dos espaços verdes com recurso a ferramentas informáticas – Arbomap.net ® é contributo importante para a obtenção de melhores resultados.

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ABSTRACT

Green spaces have an increasing importance in health and wellness of the human population. Because of this importance, there are a growing concern in the construction, maintenance and management of good quality green structures. Because of the importance of these spaces is necessary an adequate adaptation to climate, functions of space, requirements of users and maintaining sustainable.

The importance of green spaces has led the author to embark on a career in which his role was gaining importance due to the gradual increase in its area of operation.

In the first part of this work – state of the art - it was made an analysis of published studies on the use of vegetation and some of the constraints related to the same use. It is also an important approach to methodologies and management of green spaces.

The work carried out it appears that it is essential to good human resource management, especially in the areas of small businesses run by small or medium size.

There is an urgent need for conversion of the formal, very demanding in water, pesticides and human resources in more maintaining sustainable.

The proper management of municipal waste is another component that contributes substantially to the greater acceptance and use by consumers.

The information management of green spaces with the use of tools - Arbomap.net ® is a major contribution to achieving better results.

(10)

1. INTRODUÇÃO

Nas cidades, onde a população e os níveis de poluição não param de crescer, são cada vez mais as pessoas que recorrem aos espaços verdes e jardins, nos seus tempos de lazer. Esta procura para o bem-estar leva a que a segurança e boa gestão destes locais deva ser salvaguardada e deva ser mantida como uma importante prioridade (Lonsdale et

al., 1995). A construção, manutenção e gestão de espaços verdes são assim actividades

multifuncionais inerentes as características dinâmicas destas áreas. O clima muda, o espaço muda, o ambiente muda, mudam as políticas.

Para toda a dinâmica associada à gestão construção e manutenção de áreas verdes, é necessário que o responsável se reúna de um conjunto de competências e conhecimentos. Estes deverão estar, não só relacionados com os espaços e plantas no concreto, como também relacionados com o conhecimento do comportamento humano, importante no incentivo e gestão de conflitos.

O Planeamento de qualquer atividade, seja de construção, manutenção ou gestão, é assim uma prática que estará na base da eficácia a todos os níveis. O planeamento implica não só caracterizar o local, como também traçar objetivos tendo em conta as exigências dos utentes, conciliadas com apetências de qualidade, estética, imperativos técnicos e ainda os condicionalismos como as limitações de água ou de mão-de-obra (Ferreira, 2009).

É neste contexto que surge a presente dissertação que procura fazer uma análise retrospectiva de um percurso profissional vocacionado para a Construção, Manutenção e Gestão de Espaços Verdes. O percurso enceta um modelo de aprendizagem e responsabilidade crescentes que se procura demonstrar no relatório.

O estudo surge da necessidade de estruturar a experiência adquirida ao longo de 7 anos. Durante esse período, a experiência foi direcionada para uma melhor e mais abrangente prática sustentável a todos os níveis.

Mesmo tratando-se da análise de um caminho profissional, na dissertação tenta-se respeitar o modelo científico. A ordem cronológica foi a considerada mais consequente, referindo-se os pontos fortes e pontos sensíveis. Desse modo, os trabalhos desenvolvidos são assim evidenciados com a metodologia específica, havendo a consequente discussão dos resultados obtidos.

(11)

Esquematicamente na dissertação faz-se uma abordagem sobre a Construção, Manutenção e Gestão de Espaços Verdes (Cap. 2). Este capítulo é baseado em recolha de informação bibliográfica que permite o aumento do conhecimento e perceber se os resultados obtidos com as atividades desenvolvidas foram de encontro às especificações técnicas. Na revisão bibliográfica estudam-se as vantagens e constrangimentos de diferentes soluções de coberto vegetal (relva ou prado; herbáceas ou arbustivas; árvores). Abordam-se também alguns aspetos relacionados com as ferramentas informáticas de gestão destes espaços.

No Capítulo 3 apresentam-se os trabalhos desenvolvidos ao longo do percurso profissional, seguindo uma ordem cronológica. Aqui percebe-se que a complexidade das tarefas desenvolvidas tiveram um crescimento na complexidade, quer técnica quer na gestão dos espaços e dos recursos humanos. No item seguinte enumera-se a evolução profissional que foi sendo conseguida, fruto também de um esforço no sentido da melhoria dos conhecimentos e competências.

Nas conclusões finais (Cap. 5), faz-se uma análise global dos resultados obtidos ao longo da experiência profissional. É um ponto que ajuda à reflexão e apoio à melhoria do desempenho futuro.

(12)

2. CONSTRUÇÃO E MANUTENÇÃO DE ESPAÇOS

VERDES

Atualmente, a ideologia de espaço verde, difere muito das ideologias de há dois séculos atrás. No século XIX, o espaço verde era construído em pequenas áreas com tendência a zonas sobrantes e sem nenhum objetivo, projeto ou estudo de integração nas envolventes. Nesta época, os espaços verdes eram utilizados como locais de encontro, estadia ou de passeio público. Surge, com a industrialização das cidades, a necessidade de se criarem grandes áreas de espaço verde, que servissem de compensação à quantidade de poluição produzida. Nesta altura, projetam-se os maiores parques urbanos da Europa, inclusivamente, de Portugal. A partir do século XX, principalmente a partir da Segunda Guerra Mundial, após destruição em massa, pretendeu-se que estes locais de grande dimensão tivessem ligação aos interiores mais urbanos e cria-se o conceito de corredores verdes. Este conceito liga pequenos espaços recuperados, com criações novas e com os grandes “pulmões verdes”, (DGOT, 1992; Magalhães, 2001).

Na atualidade, as construções novas tendem a incluir, pelo menos um canteiro de jardim. Em Portugal, o Decreto-lei 555/99, de 16 de Dezembro, no Artigo 43º refere, por exemplo, que os projetos de loteamento têm de prever áreas destinadas a espaços verdes.

Segundo um estudo publicado em 2005, no Reino Unido, relativamente aos benefícios económicos dos espaços verdes, pode considerar-se que estes têm repercussões assinaláveis na saúde pública, quer a curto, quer a longo prazo. O estudo baseia-se numa previsão de redução da vida sedentária das populações reduzindo assim o número de mortes por enfartes do miocárdio, acidente vascular cerebral e cancro do cólon. Publica-se que há evidências de que a proximidade de espaços verdes contribui para o aumento da atividade física, reduzindo assim o número de obesos. A redução do sedentarismo poderia salvar cerca de 1063 vidas por ano no Reino Unido (Willis e Osman, 2005).

Outro trabalho, mas efetuado em Amesterdão, relaciona a proximidade de espaços verdes às zonas habitacionais com a saúde física e mental. O artigo publicado no Journal

Epidemiology Community Health, refere que a prevalência anual de 15 a 24 doenças

estudadas é menor quando num raio de 1 km do ambiente habitacional existem espaços verdes. A relação estabelecida tem mais significado para doenças como ansiedade e depressão. O estudo realça a existência de espaços verdes na proximidade das zonas habitacionais de pessoas com níveis económicos mais baixos, idosos e crianças, pois

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nestes casos, as atividades e contactos sociais são realizados na proximidade das suas casas, sendo que os benefícios para a saúde são mais relevantes (Maas et al., 2009).

Infelizmente, os benefícios para a saúde anteriormente descritos, são muito difíceis de quantificar monetariamente. Trata-se portanto bens intangíveis que não passíveis de ser transacionados. Contudo, deveria estar mais intrínseco na sociedade que é um benefício de todos e para todos.

São assim quase inumeráveis as referências aos benefícios dos espaços verdes para a vida humana. No entanto, apesar das características benéficas, são frequentes os constrangimentos de origem antropogénica. Por exemplo, no arvoredo, há condicionantes devido às intervenções de poda, má seleção das espécies e também as condicionantes devido às viaturas automóveis, pavimentos e outras obras de engenharia (Martins, 2008).

Os outros tipos de cobertura dos espaços verdes oferecem também diferentes desafios a toda a equipa de gestão e manutenção. Manter em bom estado e na melhor funcionalidade possível a vegetação, é pois uma luta diária que passa não só pelos conhecimentos técnicos que balizam as necessidades das plantas, como também pelos conhecimentos sociológicos para perceber os anseios dos cidadãos.

2.1. C

OBERTURA VEGETAL EM RELVA OU PRADO

Os cobertos vegetais em relva ou prado podem ter distintas funções, e, mediante este propósito, corresponderá a técnica de construção e manutenção mais apropriada. Além da função, os fatores climáticos devem ser devidamente analisados e considerados, principalmente na fase de construção. Por exemplo, temperaturas baixas podem impedir o desenvolvimento da instalação. A ausência de luz é outro fator limitante a ter em conta na seleção das espécies. A humidade, em excesso, facilita a proliferação de fungos e doenças, em défice, pode conduzir à morte do coberto vegetal. O vento, apesar de ser o fator menos estudado relativamente à sua influência no desenvolvimento vegetal em relva ou prado, tem relevante influência na temperatura e humidade (Merino e Miner, 1998).

O coberto vegetal em relva ou prado pode englobar três grandes grupos. Os relvados desportivos, utilizados por exemplo, na prática de futebol ou Golf. Os relvados ou prados com função ornamental, onde se incluem os pequenos jardins ou parques urbanos e, finalmente, prados de proteção a taludes, onde se integram, por exemplo, os taludes dos espaços verdes rodoviários (Roseta, 2007). A cada uma destas classificações corresponderão operações distintas de construção e manutenção.

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Os relvados desportivos requerem uma construção rigorosa, mais relevante nos campos de golf, pois atingem áreas de maior dimensão e rigor de manutenção. Devem ser considerados projetos de infraestruturas, nivelamento e sustentação das diferentes bases, sistemas de drenagem e sistema de rega. Este tipo de coberto vegetal deve ser resistente ao pisoteio e requer manutenção elevada (Cockerham et al 1993; USGA 2012).

Quando a função do coberto vegetal é ornamental, comparativamente aos de função desportiva, a construção não é tão exigente, mas devem ser sujeitos a algum cuidado, atendendo à sua manutenção regular. Podem requerer construção de infraestruturas para sistemas de rega automáticos ou recurso a pequenas regas sazonais, manuais, ou automáticas. Nos parques, podem existir relvados ou prados. Contudo, em grandes extensões, a construção deve ser pensada em função de redução de necessidade de manutenção. Por isso, presentemente, é mais comum a opção por prados na maior quantidade quanto possível.

A conceção de taludes tem um papel importante na construção das vias. A distribuição, integração ou tratamento dos taludes, determinam a aceitação social futura, bem como a ligação da infraestrutura rodoviária com o território. A fase de construção carece de projeto geotécnico e projeto paisagista. O produto deve ser a criação de espaços com continuidade de paisagem, onde os estímulos visuais reduzam o impacto da estrutura local com garantia de segurança aos utilizadores. A estratégia tende a visar a estabilização superficial de solos, prevenção a incêndios, conservação de fauna e flora autóctones (Robalo, 2009).

2.1.1. Seleção de espécies

A seleção de espécies depende da função da cobertura vegetal, das condições edafoclimáticas, das condições do solo e do local escolhido para a sua sementeira.

Em termos médios, a densidade de sementeira ronda as 30 a 40 gramas por metro quadrado. Pela robustez e adaptabilidade, as escolhas recaem maioritariamente nos géneros Festuca, Lolium, Poa e Agrostis. Pertencem ao tipo C3, i.e., plantas de climas frios. Apesar de muitas vezes serem considerados infestantes em relvados, os trevos (Trifolium spp.) têm vantagens em ser incorporado nestes espaços ornamentais devido à fixação de azoto (Roseta, 2007; Álvarez, 2006). No caso dos prados de proteção a taludes, pode-se aplicar também mistura com sementes de arbustivas como por exemplo Lavandula

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plantas C3, podem conduzir substancialmente à redução de consumos hídricos (Ferreira, 2009).

Consoante a tolerância à seca, à salinidade, ao pisoteio, à sombra, entre outros, reverterá a escolha da mistura mais indicada. Não é objetivo da presente monografia apresentar propostas concretas de misturas de sementes, pois o custo pode ser um fator de escolha. Empresas portuguesas que comercializam sementes, apresentam estudos bem estruturados sobre o assunto.

2.1.2. Operações de Manutenção

As necessidades de manutenção são ditadas pela função e utilização do coberto vegetal, pelo seu aspeto geral e, mediante o rigor pretendido, segundo análises de solo e de plantas.

A operação mais importante e onde recai maior impacto visual éa ceifa. No caso de cobertos vegetais para utilização desportiva, a ordem de importância das tarefas de manutenção são a ceifa, rega, fertilização e arejamentos. A ceifa promove o desenvolvimento do sistema radicular, afilhamento das plantas e consequente influencia na densidade, esta densidade facilita a homogeneidade controlando o crescimento de infestantes (Merino e Miner, 1998). Se o coberto vegetal se encontrar devidamente ceifado, a recolha de resíduos, por forma manter um aspeto cuidado, é facilitada.

A altura de corte deve ser definida em função da época do ano, da utilização do coberto vegetal e da espécie. Com temperaturas extremas, o corte deve ser mais alto para que a vegetação resista (Merino e Miner, 1998). No período estival, sem temperaturas extremas, os cortes podem ser mais baixos. Se houver recurso a regadio, o crescimento é potenciado e a necessidade de intervir aumentará. A ceifa nunca deve portanto atingir uma altura de corte muito reduzida em virtude das perdas substanciais do coberto vegetal.

Os resíduos de corte podem ser recolhidos ou espalhados sobre o coberto, em alternativa, a ceifa pode ser realizada com recurso a máquinas que permitam a reutilização/ mulchingreciclagem dos resíduos. Esta reutilização, além de facilitar a operação reduzindo custos de mão-de-obra e combustíveis, contribui para a incorporação de matéria orgânica com a consequente melhoria da estrutura do solo.

Para a ceifa podem ser utilizadas 2 tipos de máquinas, as rotativas ou as helicoidais. As rotativas são constituídas por lâminas que giram perpendicularmente ao crescimento da planta. As helicoidais são formadas por uma ou mais bobines com lâminas

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helicoidais, quantas mais facas, mais perfeito é o corte. As primeiras são mais rápidas e de fácil manutenção, as segundas fazem uma ceifa de melhor qualidade, logo mais indicadas para relvados desportivos de utilização intensa (Merino e Miner, 1998).

Em caso de necessidade de regas com alguma rotina, tornam-se mais indicados os sistemas de rega automáticos. As regas manuais têm custos elevados de mão-de-obra, havendo notoriamente, um maior consumo de água e maior percentagem de perdas. A rega por aspersão é utilizada para áreas de maior dimensão transversal e horizontalmente, as áreas mais estreitas, podem ser regadas com recurso a pulverizadores, estes últimos fazem uma melhor distribuição de água, pois a distribuição é fixa. De assinalar que excesso de humidade é propício a doenças. Há também a sub-irrigação, que não são mais que gotejadores enterrados no subsolo, são menos utilizados pelas dificuldades na manutenção, mas são os sistemas que apresentam menos perdas (Merino e Miner, 1998).

A fertilização influencia na qualidade do coberto vegetal, tanto na proporção aérea com subterrânea, cor, profundidade de enraizamento e ataque de pragas e doenças, influencia também na frequência de operações de manutenção e consequentemente, na contaminação de solos, água e atmosfera (Merino e Miner, 1998).

Cobertos vegetais com rega regular e em que há recolha dos resíduos de corte, apresentam, normalmente, necessidades de incorporação de macro e micronutrientes. As correções ao pH são também muitas vezes aconselháveis. Na ausência de análises de solo ou plantas, o aspeto visual é um importante indicador de eventuais necessidades. Esta observação é muito importante, pois as coberturas verdes com bom equilíbrio nutricional estão melhor defendidas de infestantes, de pragas e doenças (Merino e Miner, 1998) indica alguns sintomas destetáveis visualmente, por exemplo, amarelecimento das folhas, descoloração e podridão apical.

O uso e manutenção do coberto vegetal em prado ou relvado acumulam matéria morta, de certa forma impermeável, entre as plantas. O equilíbrio desta matéria orgânica morta, usualmente designada por thach, melhora a longevidade do coberto, a estrutura do solo, a infiltração de água e nutrientes. Nos relvados desportivos, é aconselhável a eliminação do “thatch”, que pode ser conseguido através da escarificação e ou aerificação, estas operações devem ser realizadas nas épocas de baixo crescimento. Na prática, a passagem da máquina ou equipamento para este fim, não faz mais do que pequenos rasgos ou orifícios junto à superfície, que arejam o solo e reduzem a manta morta acumulada (Merino e Miner, 1998). O planeamento desta operação pode ampliar o resultado pretendido, antes da intervenção. Deve ter-se o relvado ou prado bem nutrido e no caso de se pretender eliminação de infestantes, pode ser planeado um tratamento para

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esse propósito antecipadamente. Logo em seguida à escarificação, pode ser realizada uma ressementeira que funcionará como renovação do coberto vegetal. Logo após à escarificação, o aspeto visual não é o mais agradável, mas mais tarde, o resultado é inequivocamente, favorável.

Mesmo com o coberto vegetal de relva ou prado em bom estado, as pragas, doenças ou infestantes podem aparecer. Quando os métodos físicos não são suficientes para o combate, recorre-se a aplicação de produtos químicos.

O combate físico pode ser através da escolha de espécies e variedades adaptadas à zona, fertilização equilibrada, pode adquirir-se no mercado variedades melhoradas e, muito importante, uma boa gestão da água, água excesso facilita o aparecimento e propagação de doenças. Antes da aplicação de químicos é importante um diagnóstico preciso para que se escolha o produto com a substância ativa mais apropriada. Esta escolha traduz-se na eficácia de combate, redução de resíduos e toxicidade (Merino e Miner, 1998). A partir daí, as regras de segurança definidas pelos fabricantes devem ser cumpridas criteriosamente.

2.1.3. Utilizações e constrangimentos

O tipo de cobertura vegetal de relva ou prado é o mais utilizado em áreas de grande extensão, pois apresenta baixo custo de instalação e manutenção. A estética é favorável além de permitir uma rápida recolha de resíduos urbanos. Os relvados ou prados melhoram a infiltração e retenção de água, permitem retenção de matéria orgânica e nutrientes, regulam a temperatura do solo, controlam erosão de pequenas partículas, melhorando assim a estrutura do solo (Jordão, 2007).

Um grande constrangimento associado a este tipo de coberto vegetal, relaciona-se com os consumos de água. Prevê-se que o planeta disponha apenas de 1% de água potável, a preocupação não pode ser só com o custo da água, mas sim com o bem precioso que estamos a consumir (Ferreira, 2009). A substituição das áreas de relva e prado de regadio deviam iniciar o quanto antes, mesmo que o custo fosse muito mais elevado, pois água é fundamental à vida (Strecht et al., 2009). Alguns municípios iniciaram já este cuidado.

Bastos (2010) sugere que as áreas urbanas devem ser mistas, áreas relvadas e arborizas. Por si só, as zonas relvadas de grande dimensão não proporcionam conforto ao nível do clima envolvente, seja nos períodos estivais como invernais.

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2.2. C

OBERTURA VEGETAL COM HERBÁCEAS E ARBUSTIVAS

O coberto vegetal constituído unicamente por herbáceas e arbustivas é geralmente escolhido para pequenas áreas. O custo de aquisição de plantas é bastante mais elevado do que o custo de aquisição sementes, assim como instalar pequenas plantas em grandes áreas de solo difere muito de semear.

A localização deste coberto vegetal pode ter como objetivo a delimitação de canteiros, barreira de segurança, barreira a passagens pedonais ou outras passagens, aproveitamento de espaços de reduzida dimensão, enquadramento paisagístico e embelezamento (Figura 1).

Figura 1. Plantação de arbustos em canteiro de pequena dimensão (Porto, Escola Condominhas, 2009).

Para plantação de herbáceas e arbustivas é necessário definir o espaçamento, escolher o alinhamento, marcar o terreno e proceder à plantação. As covas podem ser abertas manualmente em função do tamanho de cada vaso, deve-se picar ligeiramente as paredes da cova para eliminação do calo de lavoura. Posteriormente retira-se a planta do vaso, podam-se as raízes para fomentar o enraizamento e planta-se. É geralmente aconselhável aplicar adubo e finalizar com rega.

Como recobrimento do solo, pode aplicar-se uma tela anti-infestantes ou uma cobertura - mulching, que pode ser orgânico (casca de pinheiro ou estilha de madeira) ou

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inertes, gravilha, godo, entre outros. O mulching, além de combater as infestantes de forma ecológica, vai aumentar a retenção de água e regular a temperatura do solo.

2.2.1. Seleção de espécies

Plantas herbáceas têm caule pouco consistente ou tenro, geralmente pouco espesso e de cor verde. Já nas arbustivas o caule é lenhoso ramificado desde a base e altura inferior a 5 metros (Samouco, 1998). Variando consoante as espécies, mas usualmente as arbustivas têm maior robustez comparativamente às espécies herbáceas.

A escolha da espécie pode recair por diversos critérios, como as condições edafo-climáticas, o igualar alinhamentos, as épocas de floração, gosto pessoal do projetista, e, finalmente, mas não menos importante, por critérios financeiros. Escolher espécies autóctones facilita a adaptação, e, normalmente é, economicamente vantajoso

2.2.2. Operações de Manutenção

As regas para este tipo de cobertura vegetal podem ser feitas manualmente ou com recurso a sistemas automáticos. Neste último caso, opta-se geralmente por sistemas de gotejadores.

A escolha de espécies autóctones reduz geralmente as necessidades hídricas. As necessidades de rega serão até à estabilização após a instalação e até que a planta fique adaptada (Costa et al., 2009).

O controlo de infestantes pode ser feito com recurso a sachas e mondas ou de forma química, com aplicação de herbicidas.

Anualmente, dependendo da análise de solo ou planta, pode ser necessário incorporar adubo que será determinado pela respetiva análise.

2.2.3. Utilizações e constrangimentos

O coberto vegetal em herbáceas ou arbustivas, em termos ambientais, é o mais vantajoso, não implica consumos de água tão elevados como as coberturas vegetais em relvado ou prado de regadio e não necessitam de aplicação de adubos e fertilizantes com tanta intensidade.

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As desvantagens deste tipo de cobertura recaem sobre o custo à construção e as necessidades de manutenção. Para que não se apliquem herbicidas, o controle de infestantes tem de ser realizado com recurso a mão-de-obra.

2.3. A

RVOREDO

O conceito de árvore, segundo Samouco (1998), diz-nos que é uma planta de caule lenhoso, tronco ramificado, mas sem ramos na parte inferior e com mais de 5 metros de altura depois de atingir o desenvolvimento normal.

Sabemos que as árvores são importantes e que devíamos valorizá-las, mas na verdade estão sempre no fundo de uma lista infinita de prioridades. Há uma relação bilateral entre os benefícios que os Homens causam às árvores e o que elas nos causam a nós (McPherson 1992).

As árvores urbanas, trazem benefícios imensuráveis quando se fala de saúde pública, mas também as questões lúdicas, pedagógicas e de valor patrimonial. Transformar os benefícios teóricos em valores numéricos, pode ser uma ferramenta poderosa de sensibilização, tanto para a gestão recorrente da manutenção do arvoredo, como para quem beneficia diretamente com a presença das árvores (Almeida, 2006; Gonçalves, 2010).

2.3.1. Seleção de espécies

A escolha de espécies arbóreas é um tema controverso. Se por um lado se pretende enquadramento paisagístico urbano, onde as árvores desempenham um papel fundamental, por outro lado, é difícil conseguir coabitação, principalmente em arruamentos e espaços habitacionais.

É importante que, para qualquer escolha, se tenha em conta o tamanho de um exemplar adulto.

Uma das primeiras condicionantes, e a mais importante a ter em conta, é o espaço disponível e envolvente à plantação e crescimento. Considerar o tamanho e cobertura da caldeira ou canteiro para desenvolvimento da raiz (Figura 2), a distância a edificados ou semáforos para o crescimento dos ramos, presença de infraestruturas de saneamento ou outras, disponibilidade de luz para realização da fotossíntese, acesso a água limitado ou excessivo, entre outros. O segundo ponto a ter em conta, são as condições

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edafo-climáticas de adaptabilidade de espécies, sendo que se deveria optar, preferencialmente, por plantas autóctones. Nesta fase, é indicado pensar nas questões de saúde pública, a proximidade a edificados ou zonas habitacionais, em determinadas fases do desenvolvimento normal do arvoredo, podem ser bastante prejudiciais à saúde. Posteriormente, consideram-se as questões estéticas e económicas.

Figura 2. Exemplo de deficiente espaçamento para desenvolvimento da raiz de um Populus nigra, que pode estar também relacionado com a má escolha da espécie para este local (Porto, Falcão Per, 2009).

2.3.2. Operações de Manutenção

A plantação de uma árvore é muito semelhante à plantação de um arbusto de grande dimensão. Na plantação, os cuidados mais importantes são a profundidade, dimensão e condições da cova de plantação. É usual plantar árvores com recurso a abertura de cova, não é a solução mais indicada, pois devia preparar-se uma cama de receção (Powell, 1994), no entanto é a prática mais recorrente. Para uma árvore de porte médio, perímetro à altura do peito (PAP) de 12 a 14 cm, a dimensão da cova deve ter cerca de 1 metro de profundidade por 1,5 metros da largura, dimensões ideais, o colo da árvore não pode ficar enterrado, as paredes da cova devem ser picadas.

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Nesta operação pode-se aplicar matéria orgânica e adubo. Após o enchimento da cova com terra vegetal, onde se procedeu a calcamentos em vários níveis, deve sempre ser feita a primeira rega, esta tarefa permite o aconchego de todos os elementos e melhorar sustentabilidade (Bernard et al., 2001).

Somente em caso de necessidade se deve proceder à tutoragem ou método de estabilização. Há diferentes opiniões sobre a forma de aplicação de tutores. Todavia há geralmente consenso no que respeita às necessidades de tutores. Podem referir-se as situações de ventos fortes, solos compactados, húmidos, superficiais; solos arenosos; ou encostas íngremes, plantações em raiz nua ou plantas desproporcionadas com risco de instabilidade. A tutoragem tem também vantagens para evitar ferimentos durante a manutenção, vandalismo ou de trânsito automóvel (Appleton et al., 2008).

Caso a sustentabilidade da árvore esteja salvaguardada, quer pela dimensão do exemplar, quer pelo local de plantação, não há necessidade de recorrer a tutoragem. Em zonas ventosas ou plantas mais débeis, pode haver necessidade de recorrer a tutor âncora (Figura 3), são tutores duplos ou triplos ligados ao exemplar arbóreo de forma a garantir a estabilidade.

Figura 3. Tutor Âncora

Quando a árvore é plantada em meio urbano, com carga elevada de tráfego, podem instalar-se tutores de proteção (Figura 4) em volta do exemplar, que podem estar ligados ou não a ele. Finalmente, nas árvores que não conseguem estabilização própria, deve instalar-se um tutor de suporte. Sempre que se optar por ligar o tutor à planta, esta deve ter folga suficiente para oscilar com o vento, caso contrário, crescerá em altura sem base de sustentação, assim como o pescoço das mulheres girafa.

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Figura 4. Tutor Proteção

A poda é uma importante operação de manutenção mas que nem sempre é consensual. Num ambiente natural, as árvores não necessitam de poda. Todavia, a poda pode enquadrar-se nas operações de maior rigor e cuidado de toda a manutenção em espaços verdes. Esta importância destaca-se pelo saber o que se pode, e como cortar. As podas, podem ser fontes de fungos e doenças, reduzir a longevidade e estabilidade da vida da árvore. Segundo Martins (2010), deve-se podar primeiro pela segurança, depois pela saúde e finalmente pela estética.

O corte perfeito é aquele que permite um bom calo de compartimentação. Como corte correto entende-se aquele que se situa no plano que vai desde a parte externa da ruga do ramo até à parte superior do colo do mesmo, e aquele em se obtém uma superfície de corte completamente uniforme. No caso de corte de ramos de grandes dimensões, este deve ser fracionado tanto quanto possível, de forma a evitar esgarçamentos (Michau, 1998) As intervenções de poda, preferencialmente, devem ser realizadas fora das épocas de movimento de seiva. O tipo de intervenção a realizar e a espécie a intervir, ditarão a melhor época de execução. As podas verdes, são mais fáceis de executar durante períodos em que a folha esteja no seu esplendor máximo, ou seja, entre Julho e Agosto, pois é mais visível o que pode ser cortado, além disso, podas fora do período de dormência podem conduzir a uma compartimentação mais rápida. As podas de ramos secos podem ser executadas em qualquer altura (Martins, 2010).

Podemos dividir as operações de poda em 3 grandes grupos, podas de formação, de limpeza e de rejuvenescimento ou redução de copa. Para qualquer um dos grupos, não se deve exceder eliminação de carga na proporção de 1/3 da altura total do exemplar, pois o rácio entre a altura da copa e a altura da árvore deve ser superior a 2/3 (Martins 2012).

As podas de formação, como a nomenclatura indica, são realizadas em árvores jovens para formação do seu futuro estado adulto. Esta intervenção, determina a estrutura para toda a vida útil do exemplar. A formação vai definir uma estrutura equilibrada

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determinada pela forma natural da espécie e todas as necessidades de intervenção futuras, logo, podemos dizer que será o tipo de poda mais importante. Em árvores ornamentais, de uma forma geral, não é benéfica a opção de subida de copa. A poda de formação será anual ou bienal consoante o crescimento e desenvolvimento da árvore.

A poda de manutenção é feita com o objetivo de proporcionar à planta adulta boas condições que favoreçam a sobrevivência das suas qualidades físicas e estéticas. Consiste na eliminação de ramos secos, arejamento do interior da copa, eliminação de ramos codominantes e controle de crescimento de copa. Para o controle de crescimento de copa, muitas vezes tem de se recorrer à realização de pequenos atarraques junto a ramos tira-seiva, em que este, deve ter uma proporção aproximada a 2/3 da porção que vamos cortar. No caso de exemplares debilitados, normalmente com idade avançada, que apresentem mau estado fitossanitário e algum risco de segurança, por vezes, é necessário recorrer a podas de rejuvenescimento ou redução de copa, que não é mais do que redução em altura e redução do peso total do exemplar. Nem todas as espécies toleram este tipo de podas, as espécies com fraca capacidade de compartimentação a ferimentos, por exemplo, não devem ser sujeitas a este tipo de intervenção. A operação, dependendo de cada caso, pode ser de forma a reduzir a copa na sua totalidade, reduzir apenas parte da copa, atarraque ou eliminação de ramos de grande dimensão. Estas podas devem ser feitas, preferencialmente, no período de repouso vegetativo.

2.3.3. Utilizações e constrangimentos

Uma relevante vantagem da existência de árvores no meio urbano está relacionada com a capacidade de absorção de dióxido de carbono transformando-o em oxigénio. Esta capacidade promove a redução da poluição, pois as folhas atuam como filtros de ar e de poeiras, com todas as vantagens já referidas para a saúde pública. Outras vantagens estão relacionadas com a absorção de ruído e enquadramento paisagístico, muitas vezes servindo as árvores como barreiras ao som e imagem.

Souch e Soutch (1993), no Indiana (EUA), comprovaram o arrefecimento do ar devido à presença de árvores. Verificaram no verão o arrefecimento entre 0,7ºC e 1,3ºC no início da tarde. Esta alteração é implicada tanto pela redução da temperatura como pelo aumento da humidade através da transpiração.

Maco et al. (2003) avaliaram os benefícios anuais das árvores de alinhamento em São Francisco. O valor monetário foi calculado com base na redução de consumos de eletricidade e gás natural, redução de emissões de dióxido de carbono na atmosfera,

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melhoria da qualidade do ar, redução do escoamento de águas pluviais. Os valores da propriedade e outros benefícios que a presença das árvores permite. Chegaram ao montante de sete milhões e meio de dólares anuais, devido à presença das 100.000 árvores na cidade.

Há pouca sensibilidade sobre a importância dos espaços verdes arborizados nas cidades. Podemos constatá-lo pelo número de solicitações e reclamações recebidas relativas à sombra, sujidade devida aos ramos e folhas nas ruas, veículos de transporte e telhados, humidade nas casas, falta de visibilidade, aparente risco de queda, falta de luz natural, atração de insetos, raizeiros demasiadamente desenvolvidos, entre outras, que muitas vezes resultam em pedidos de abate pouco ponderados. Revela-se assim a necessidade de uma política de sensibilização perante as comunidades, que poderia iniciar na formação das crianças, até às associações de moradores e gestores de condomínio.

As desvantagens associadas às questões de arvoredo, normalmente, assentam não na existência da árvore em si, mas da forma como foi escolhida e plantada.

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2.4. G

ESTÃO DE

E

SPAÇOS

V

ERDES

À semelhança de outras atividades, a gestão de espaços verdes aderiu às novas tecnologias, e sendo assim, passou a ter disponíveis diversos programas informáticos no âmbito de inventários, gestão e valorização das árvores.

De entre estes programas, os mais difundidos são de gestão pois permitem trabalhar com grande quantidades de informação, necessárias para uma correta condução das árvores nas cidades, parques ou jardins. Programas deste género encontram-se largamente difundidos na Europa, Estados Unidos e Japão, sendo especialmente usados para a gestão de árvores de alinhamento. No nosso país, começam-se a dar os primeiros passos para a utilização destas ferramentas.

Estes programas apresentam uma construção semelhante, sendo essencialmente compostos por duas componentes: uma relativa ao armazenamento da informação referente às árvores; e uma outra responsável pelo registo relativo à posição geográfica. Uma correta ligação entre estas componentes, aliada à atualização permanente, permite uma gestão eficiente e integrada do património arbóreo.

2.4.1. Bases de dados

Durante os anos 60 surgem as primeiras bases de dados, embora só comecem a ser utilizadas e vulgarizadas, para a gestão e armazenamento de informação, durante os anos 70. Este intervalo deveu-se essencialmente aos modelos aplicados nas primeiras bases de dados, que as tornavam muito difíceis de utilizar e pouco práticas. A partir dos anos 80, os novos programas começaram a assentar em modelos relacionais, apresentando uma linguagem simples e bastante eficiente, tendo por base a teoria matemática dos conjuntos. Contudo, é apenas nos anos 90 que estes sistemas se tornam importantes ferramentas no apoio à decisão, sendo largamente utilizados em diversas áreas, realizando-se investimentos constantes em testes para a que fossem criados produtos mais maduros (Pereira, 1998).

Uma base de dados tem por finalidade registar, atualizar, manter e disponibilizar a informação relevante, para a atividade de uma organização. Há, fundamentalmente, dois componentes numa base de dados:

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i. A estrutura física e lógica, através da qual a informação é organizada;

ii. O sistema de gestão, que assegura a gestão da informação.

Ao utilizar-se uma base de dados, o primeiro passo é o armazenamento de informação, mas também deve existir a possibilidade de consultar e manipular os dados, da forma mais adequada e sempre que se considere necessário.

Segundo Magalhães (2002), as bases de dados que existem podem ser classificadas em cinco tipos diferentes, com base no sistema de organização da informação:

i. Tabular ou ficheiros simples;

ii. Hierárquica;

iii. Em rede;

iv. Orientada a objetos;

v. Relacional, sendo este modelo o de maior aceitação e divulgação no mercado.

2.4.2. Sistemas de informação geográfica

As definições relativas ao Sistema Informação Geográfica (SIG) são várias e cada uma delas, dá ênfase a diferentes aspetos da utilização dos sistemas, não existindo nenhuma que possa ser considerada como universal.

Carvalho (1996) define o SIG como um sistema que contém um conjunto de informações georreferenciadas e armazenadas em suporte informático, as quais podem ser associadas a uma base de dados, produzir mapas, tornando possível a formulação de questões sobre as relações entre os dados introduzidos, testar modelos e servir de apoio à decisão dos assuntos com eles relacionados.

Já Burrough (1988) afirma que um SIG usa ferramentas para reunir, introduzir (no computador), armazenar, recuperar, transformar e cartografar dados espaciais sobre o mundo real para um conjunto particular de objetivos.

Sendra (1992) define o SIG como um tipo especializado de base de dados, que se caracteriza pela capacidade de manusear dados geográficos, i.e., espacialmente referenciados, os quais se podem representar graficamente como imagens. Ou como, um sistema de suportes físicos, programas e procedimentos elaborados para facilitar a

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obtenção, gestão, manipulação, análise, modelação, representação e saída de dados espacialmente referenciados, para resolver problemas complexos de planificação e gestão.

Um SIG pode ainda ser definido como um sistema de informação, concebido para trabalhar com dados referenciados através de coordenadas geográficas.

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3. CONSTRUÇÃO, MANUTENÇÃO E GESTÃO DE

ESPAÇOS VERDES

A experiência profissional da autora deste Relatório, ao nível da Construção, Manutenção e Gestão de Espaços Verdes pode dividir-se em 3 grandes áreas.

i. Envolvimento ao longo de 3 anos na Construção, Manutenção e Gestão de Espaços Verdes, de área inferior a 5 ha na empresa Cunha Soares e Filhos, S.A. (2005-2007). Nestas áreas, destacaríamos a manutenção das áreas verdes da cidade de Paços de Ferreira, estudos de arvoredo de áreas privadas, na qual é apresentada como exemplo, a Quinta da Tapada, em Lousada e algumas construções de espaços verdes como a Quinta da Bandeirinha em Melres, Arrelvamento de Sta. Quitéria em Felgueiras, jardins da central de biocombustíveis em Aveiro e espaços verdes do centro comercial Ferrara Plaza em Paços de Ferreira.

ii. Experiência ao longo de 3 anos na manutenção e requalificação de áreas de grande dimensão como os Bairros Municipais do Porto, na empresa Vibeiras – Sociedade Comercial de Plantas, S.A. (2008-2011).

iii. A gestão da Divisão Municipal de Parques Urbanos da Câmara Municipal do Porto, onde se incluem todos os parques urbanos da cidade e os dois cemitérios municipais.

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3.1. E

SPAÇOS

V

ERDES DE

P

EQUENA

D

IMENSÃO

3.1.1. Paços de Ferreira

Material e Métodos

Localizada a norte do País, distrito do Porto e uma população de 56.340 habitantes. É conhecida pela capital do móvel, e como tal, tem sofrido com a industrialização local, nomeadamente com a construção de grandes fábricas, como sendo o IKEA.

A cidade de Paços de Ferreira apresenta como área de espaços verdes cerca de 15.000 m2, dos quais 13.500 m2, correspondem a área de prado ou relvado. As áreas verdes mais formais apresentam canteiros com arbustivas e herbáceas. Os jardins apresentam maior extensão de coberto vegetal em regadio (Quadro 1).

A manutenção das áreas verdes esteve a nosso cargo, liderando uma equipa formada por 1 técnico, 1 encarregado e 3 jardineiros. Utilizaram-se para esta área 3 máquinas corta-relva de recolha marca Honda com motor Briggs Stratton, 1 escarificador Kubota, 2 apara-sebes Sthill, 3 moto-roçadouras Kubota, 1 moto-serra Sthill e 2 sopradores Sthill, conjuntamente a ferramenta diversa.

Os trabalhos executados foram maioritariamente de manutenção, tendo como tarefas mais relevantes as ceifas, sachas, mondas e podas de herbáceas e arbustivas, podas de alguns exemplares arbóreos, retanchas, regas com manutenção e reposição de material de sistema de rega.

Com a aproximação do Outono, iniciava-se o planeamento das escarificações a todos os relvados, esta operação debilita os relvados e não deve ser feita com temperaturas muito baixas nem com muita humidade no solo. As adubações eram programadas para que uma se realizasse cerca de um mês antes das escarificações. Sucedia-se a aplicação de fitofármacos para controlo de infestantes, e cerca de uma semana de depois, tinham inicio as escarificações com ressementeira. Os resultados eram amplamente notórios na Primavera que perduravam durante todo o ano.

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Quadro 1. Designação e áreas de canteiros da cidade de Paços de Ferreira

Designação canteiros Nº do jardim Área m2

Canteiros exclusivos de herbáceas ou arbustivas (m2)

Separador das roseiras 1 260 260

Parque 2 2120 Canteiro do BES 3 190 Canteiro dos CTT 4 170 Tribunal 5 107 Câmara 6 537 Grémio 7 110

Canteiro Padre Jallay 8 400

Separador pavilhão desportivo 9 241 241

Pavilhão desportivo 10 691 GNR 11 162 Cerradura 12 2227 Rotunda do Modelo 13 600 António 14 170 Biblioteca - frente 15 79 Rotunda da Câmara 16 2 Igreja 17 689 Canteiro de Agaphantos 18 34 34 Biblioteca- traseiras 19 528 Entre Biblioteca 20 270 270 Rotunda do Radar 21 350 Espaço internet 22 8 Roseiras 23 1015 Rotunda Ferradura 24 1100 Rotunda de Ferreira 25 491 Centro de Saúde 26 600

Rotunda e canteiros - Futebol 27 690

Rotunda do prédio 28 150 150

Cemitério 29 340

Cemitério 2 30 70

Meixomil 31 663 663

TOTAL 15 064 1 618

A segunda operação de maior impacto neste projeto, eram as plantações das anuais, substituídas 2 vezes por ano (Figura 5). A cada Outono e Primavera, todas as plantas anuais eram eliminadas paulatinamente, e substituídas pelas espécies adaptadas às estações seguintes. A organização das restantes tarefas de manutenção era fundamental para que se pudesse evitar o reforço de mão-de-obra, quase sempre, obrigatório.

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Figura 5. Canteiro com plantas anuais, Paços de Ferreira. 2007

Em simultâneo ao projeto de manutenção das áreas verdes da Cidade de Paços de Ferreira, alguns projetos de jardins foram analisados, orçamentados e executados.

Discussão dos Resultados

Os bons resultados incluem o cumprimento das margens de lucro previstas em reorçamento, práticas ambientalmente sustentáveis e, melhoria contínua na segurança e higiene no trabalho.

Nos espaços verdes da cidade de Paços de Ferreira, a substituição bianual das plantas de época, revelou ser prejudicial aos resultados pretendidos. O custo de aquisição das plantas anuais, o custo da mão-de-obra disponibilizada para esta tarefa, consumos de água e desperdício de material vegetal, levaram a amplas discussões no sentido de substituir as áreas destinadas a estas plantas por plantas bianuais, arbustivas, ou mesmo relvado, contudo, não sortiram efeito, e à passagem a cada Outono e Primavera, todas as plantas eram substituídas, às vezes, ainda em boas condições.

O coberto vegetal era em grande parte em relva e prado de regadio. As regas diárias estivais, ceifas semanais com recolha de resíduos, obrigavam, para esta altura do ano, à aplicação de adubos com grande frequência. Após vários ensaios e análises de solo, optou-se por aplicar adubos de libertação lenta com vista à redução de contaminação ambiental e redução de custos, contudo, concluímos que os adubos de libertação lenta com melhores resultados, são desfavoráveis economicamente, prejudicando assim, as

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expectativas ambicionadas. Magalhães (2009), num ensaio de aplicação de adubos de libertação controlada concluiu que, dos fertilizantes usados no seu estudo, o que melhor controle apresentou na libertação do azoto, era também o economicamente menos vantajoso.

A prévia organização à tarefa da escarificação, bem como o finalizar da tarefa com ressementeira, demonstraram resultados muito eficazes, além do aspeto visual, durante os 3 anos de atividade, não houve necessidade a tratamentos de doenças nos relvados.

Numa análise global dos resultados, pode-se afirmar que os objetivos foram cumpridos com sucesso. O que se pretendia eram os espaços verdes com bom aspeto visual, incutir alguns cuidados ambientais sem descuidar a margem de lucro prevista aquando de orçamento. Os resultados de impacto visual foram os esperados com aumento da margem de lucro prevista.

3.1.2. Lousada

Material e Métodos

A Quinta da Tapada, em Lousada, tem à sua gestão inúmeras árvores que por vezes necessitam de um cuidado mais rigoroso. Neste estudo foram avaliadas 8 árvores com a colaboração do Professor Doutor Luís Miguel Martins, docente da UTAD.

As árvores sujeitas a esta avaliação fazem parte do património histórico da Quinta da Tapada (Lousada), contribuindo para a valorização estética e ambiental de uma área particularmente nobre da propriedade.

A avaliação efetuou-se em 29 de Setembro de 2006, considerando-se na proposta de intervenção a utilização do espaço, a importância da manutenção destes exemplares face ao seu valor patrimonial, o seu enquadramento paisagístico e valorização das infraestruturas envolventes. Deu-se todavia, particular realce à estabilidade das árvores, pois importa minimizar o perigo para pessoas e bens (Martins, 2006).

Na avaliação de sanidade recorreu-se ao método VTA, vulgarmente conhecido no Reino Unido por Visual Tree Assessment. O método é baseado na biomecânica da árvore e tem como princípio o axioma da tensão constante. Assim, quando uma planta é afetada por um fator externo ao seu crescimento normal, ela tende a reequilibrar-se com a formação de material adicional e/ou de compartimentação. Basicamente, estas respostas

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da árvore consistem no principal alvo de observação e interpretação da sua vitalidade e segurança.

Numa primeira fase faz-se uma inspeção global, visando a deteção de sintomas ou sinais, associados à vitalidade da árvore e biomecânicos, que se prendem com a estabilidade e segurança da mesma. Os aspetos mais críticos puderam ser reavaliados visualmente, ou recorrendo a equipamentos não destrutivos, de auxílio ao diagnóstico (maço de borracha, Resistógrafo, Verruma de Pressler).

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Discussão dos Resultados

Dada a dimensão das árvores recomendou-se a intervenção por métodos cirúrgicos, através de equipas especializadas neste trabalho. A escalada das árvores por cordas é preferível à intervenção com apoio de escadas. As escadas não oferecem segurança nem permitem chegar a todas as zonas da copa.

A intervenção deverá cingir-se ao corte de ramos secos e partidos para possibilitar a entrada de mais luz na copa. A simples remoção deste material ou com cancros (poda sanitária), melhora também a saúde das árvores pois reduzem-se os pontos críticos de contágio.

A ligeira redução da altura e volume das copas é favorável em árvores idosas, por ajudar a reequilibrar a parte aérea e radicular.

Nas intervenções não podem deixar-se tocos para evitar podridões, devendo pois existir o cuidado de retirar ramos tira-seiva. A poda deve ser feita durante o repouso vegetativo.

Árvore 1 - Tília tomentosa

A tília observada apresenta sintomas de dieback (morte de cima para baixo), desfolha precoce e diversos ramos secos. Pela observação da inserção dos ramos (a um pouco mais de 2 m de altura), verificou-se que não apresenta sinais de fungos patogénicos. O solo tem boa drenagem mas há alguma compactação provocada pelo estacionamento de viaturas (Figura 6).

Proposta de Intervenção

Embora a condição do estacionamento seja antiga, deve ser reduzida de futuro. Efetivamente, à medida que a idade da árvore avança a sua capacidade de formação de novas raízes e defesa contra a asfixia vai diminuindo.

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(38)

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(39)

Árvore 4 - Tília tomentosa

Esta tília além dos sintomas de dieback, tem muitos fetos e ramos ladrões. Ou seja, são indicadores da grande dificuldade da árvore se defender contra parasitas.

A extensão da podridão do tronco é superior a 40 cm, tendo sido demonstrada pela leitura com o resistógrafo.

Proposta de Intervenção

A condição de perigosidade desta árvore, a dificuldade de recuperação da copa e a podridão interna provocada por fungos da ordem Polyporales justifica o seu abate.

Árvore 5 - Tília tomentosa

Observados sintomas evidentes de dieback e muitos fetos e ramos ladrões. São sinais indicadores da grande dificuldade da árvore se defender contra parasitas.

A árvore não apresenta segurança para o lado do salão de festas. Há três ramos orientados a Norte que não oferecem estabilidade. Isso foi confirmado através de precursão. A condição interna do tronco pelo resistógrafo, revelou algumas fragilidades no cerne.

Proposta de Intervenção

A recuperação desta árvore através da poda é muito difícil, não sendo nesta fase possível alterar a conformação dos ramos codominantes. Além disso, a intervenção é muito delicada devido à proximidade do edifício. Atendendo às razões referidas e à perigosidade da árvore, justifica-se o seu abate.

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Figura 9. Árvore nº 5, para abate e árvores nº 6 e 7.

Árvore 6 - Tília tomentosa

Tília bastante fragilizada, com rebentação emergente em todos os ramos. Há um elevado número de ramos secos que necessitam de ser removidos.

Proposta de Intervenção

A zona de inserção dos ramos e de codominância deve ser acompanhada.

Árvore 7 -Tília tomentosa

Esta tília foi cortada e houve muita rebentação de toiça.

Proposta de Intervenção

Deixar apenas 2-3 varas direitas e no ano seguinte selecionar a melhor. 5

6 7

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Figura 10. À esquerda, rebentação de toiça de tília (árvore 7); à direita ligustro (árvore 8).

Poda sanitária, retirando apenas o material morto ou afetado. Atender também à fertilização.

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3.1.3. Outras Obras

Na área da construção de novas áreas verdes, referimos a Quinta da Bandeirinha em Melres, Enumeramos por exemplo, a construção e manutenção dos espaços verdes da Quinta da Bandeirinha em Melres, arrelvamento de Sta. Quitéria em Felgueiras, jardins da central de biocombustíveis em Aveiro e espaços verdes do centro comercial Ferrara Plaza em Paços de Ferreira.

A Quinta da Bandeirinha em Melres (Figura 11) incluiu nos seus trabalhos de construção, movimentos de terra, com colocação, espalhamento e despedrega, projeto e construção de sistema de rega, plantação de árvores e sementeira de relva. Aquando do orçamento, definiu-se estrategicamente incluir manutenção até ao 2º corte do relvado, sendo esta uma forma de justificar o preço e garantir ao cliente um acompanhamento que garanta alguma estabilidade no coberto vegetal.

A maior dificuldade desta obra foi na plantação de árvores em caldeira, as covas eram de pequena dimensão e muito compactadas. Apesar disso, findo 2 anos, não havia qualquer perda. Esta obra resultou de uma sub-contratação por uma empresa de construção civil e obras públicas. Após esta execução, a empresa continuou a consultar a Cunha Soares para orçamentos para construção de espaços verdes.

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(Figura monta estava mão-d trabalh foi o va obra fi realizo arbust instala negativ lucro, m Em Dezem a 12). A ob da e as árv a concluída. e-obra exte Deparamo hos, ocorrer andalismo, cou concluí Na Centra ou o projeto os e aplicam Apesar de ações da e vo na marg mas inferior mbro 2006, bra incluía a vores já pla . A área era erna acomp o-nos com ram período durante a n ída em 4 dia Figura 12 al de Bioco o de rede mos relva e e ser uma empresa au gem de luc r ao previst , executam apenas a a ntadas, ass a de cerca d anhada pel condiçõe os de aguac noite havia as. 2. Arrelvamen ombustíveis de rega, m em tapete (F a obra de umentaram cro prevista o. mos o arrelv aplicação de sim como a de 1 km por lo encarreg s metereo ceiros em fo roubos de to da Sta. Qu s em Aveir montamos o Figura 13). reduzida o prazo a em orçam vamento de e tapete de a colocação r 2 metros d ado da emp ológicas ad orma de ne relva e mat itéria – Felgue ro, em parc o sistema d dimensão, de execuç mento, cons e Sta. Quité e relva, a re do mobiliá de largura e presa. dversas, n eve. A outra terial de reg eiras, 2005. ceria com de rega, pla a distânc ão causan seguiu-se m éria em Fe ede de rega ário urbano e teve se re um dos d a grande dif ga. Apesar uma empre antamos ár ia entre e do algum manter mar elgueiras a estava também ecorrer a dias de ficuldade disso, a esa que rvores e la e as impacto rgem de

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Fig verdes de reg semen de relv mão-d aplicar orçam necess muitos facilida seguin gura 13. Cons Relativam s do centro a, fornecim nteiras de re va tapete. A e-obra exte Os maiore r e nivelar, o ento. Com sidade de s outros o q ade. Conse ntes à const strução dos es ente às ob comercial mento, coloc elva, semen A localizaçã erna, melho es constran o desenvolv a proximi se avançar que conduz eguimos an trução. spaços verdes bras de co FerraraPlaz cação e mo nteira de pr ão desta ob rando signi gimentos fo ver destes t idade da d r com os t ziu a algun gariar a ma s envolventes onstrução, za em Paço delação de rado de seq bra, permitiu ficativamen oram a qua trabalhos d data de in trabalhos d ns danos, fe anutenção à central de b destacamo os de Ferre terras vege queiro e pra u a sua con nte os result antidade de eterminaria auguração e espaços elizmente, dos espaç biocombustíve os a execu ira (Figura etais, planta ado florido nstrução co tados econó e terra vege am o bom o do centro verdes se todos repa ços verdes eis – Aveiro, 2 ução dos 14). Incluír ações de a e, ainda, a om recurso ómicos. etal a dispo u mau resu o comercial em a conclu rados com durante os 007. espaços am rede rvoredo, plicação a pouca nibilizar, ultado do , houve usão de alguma s 2 anos

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Figura 14. Construção dos espaços verdes do centro comercial Ferraraplaza – Paços de Ferreira, 2006

3.2. E

SPAÇOS

V

ERDES DE

G

RANDE

D

IMENSÃO

3.2.1. Bairros Municipais do Porto

Inclui-se na listagem dos Bairros Municipais, 52 zonas de edificado no município do Porto. Apesar de se designarem bairros municipais, nem todos são de gestão municipal, mas os espaços verdes são da responsabilidade da instituição.

Os Bairros Municipais considerados são Torres Vermelhas, Rainha D. Leonor, Pasteleira Sul, Pasteleira Velha, Pasteleira Nova, Condominhas, Pinheiro Torres Lordelo do Ouro e Mouteira, Bessa Leite, Aleixo, Fernão Magalhães, S. Roque, Policia e Cerco do Porto, Falcão per, Falcão e Falcão Novo, S. Vicente Paulo, Monte da Bela, Lagarteiro, Antas, Machado Vaz, Contumil, Pio XII, Outeiro, Novo de Paranhos, Agra do Amial, Amial Novo, Leonardo Coimbra, S.Tomé, Carriçal, Azenha, Bom Pastor, Vale Formoso, Carvalhido, Monte de S. João, Francos, Francos verde, Amial, Regado, Sta. Luzia, St. Eugénio, Viso, Viso per, Ramalde do meio, Ramalde, Campinas, Previdência, Pereiró, José Régio, Fonte da Moura, Leão VIII e Aldoar.

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Material e Métodos

Os espaços verdes dos Bairros Municipais da Cidade do Porto abrangem uma área de cerca de 800.000 m2, com 12.000 exemplares arbóreos (Quadro 2).

Quadro 2. Elementos de manutenção, adaptado do relatório Arbomap.net ®

Elementos superficiais:

N.º Total Comprimento total (m) Área total (m²)

Maciço de flor 51 - 1.533,26 Prado natural 39 - 5.903,77 Prado espontâneo 2.770 - 562.411,00 Massas Arbustivas 2.254 - 32.018,96 Terra 1.232 - 93.410,45 Relvado 439 - 94.389,11 Elementos Lineares:

N.º Total Comprimento total (m) Área total (m²)

Sebes 2.367 35.711,61 -

Posições:

N.º Total Comprimento total

(m) Área total (m²)

Árvores 12.574 - -

Arbusto 5.132 - -

O projeto englobou intervenção em todos os espaços durante um período de 3 anos, a regularidade de manutenção foi ditada pelas necessidades de intervenção. Os trabalhos eram compostos, dentro das operações de manutenção, por, ceifas, sachas, monda, podas e retanchas de herbáceas e arbustivas, podas e abates de árvores, aplicação de herbicida nos caminhos pedonais.

Relativamente a operações de construção, realizaram-se sementeiras de prado de sequeiro, aplicação de tapete de relva, plantação de herbáceas, arbustos e árvores e delimitação de áreas de estacionamento. Incluiu-se neste projeto de manutenção a atualização do inventário arbóreo existente, sendo que o histórico de base abrangia cerca de 6.000 exemplares.

O maior desafio deste projeto foi conseguir manter os espaços diariamente limpos, isentos de resíduos ou possíveis focos de deposição, muitos deles, fontes de insalubridade (Figura 15). A cobertura vegetal de prado, não podia ultrapassar os 10 a 20 cm de altura,

Imagem

Figura 1. Plantação de arbustos em canteiro de pequena dimensão (Porto, Escola Condominhas, 2009)
Figura 2. Exemplo de deficiente espaçamento para desenvolvimento da raiz de um Populus nigra, que pode  estar também relacionado com a má escolha da espécie para este local (Porto, Falcão Per, 2009)
Figura 4. Tutor Proteção
Figura 5. Canteiro com plantas anuais, Paços de Ferreira. 2007
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Referências

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