Família e Amigos: dois grupos decisivos na formação da identidade do adolescente

Texto

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FAMILIA E AMIGOS:

dois grupos decisivos na formacao da

identidade do adolescente*

Ana Arlinda de Oliveira* *

RESUMO

A pesquisa tenciona compreender a convivialidade dos adolescentes em seus.gru/os: lirimdrio e secundario, Portanto, familia e escola. no cue resbei-ta a sexualidade. Buscou-se identif car elementos recorrentes como ideias, con-cepcoes, modos de agir entre outros.

Este artigo resulta da realizacao de um trabalho de pesquisa que teve como uni-verso de investigacao o cotidiano de doffs grupos de adolescentes que vivem em diferentes bairros de Cuiaba, capital de Mato Grosso, buscando compreender a sua convivialidade, e nesta, sua sexualidade e os possiveis nexos com a cultura de dois grupos sociais: a familia e a escola. Assim, tomou-se como base para o estudo a relacao do adolescente com sua fami-lia e grupos de alunos nos varios espacos fregtientados por estes, inclusive o escolar, tendo como objeto de analise a externalizacao da sua sexualidade nesses espacos.

A escolha da escola como local de pesquisa sobre adolescentes explica-se por ser este urn local onde, sistematicamente, mocas e rapazes se reunem cotidianamente. E ainda na escola que os grupos de amizade vao se formar, por ser este lugar onde o vivido em comum, apesar de obrigatorio, faz-se pela via do afetual e do ludico. A escola e a "praca publica" onde, alem dos conhecimentos sistematizados, circulam outros conhecimentos e situacoes trazidas de fora que permitem o viver e o sentir coletivo. 0 grupo familiar e o grupo primario no qual a pessoa vive e se desenvolve. E na estrutura familiar que esta a base da formacao cultural, social c psicol6gica do sujeito, pois c ela gue tern major determina4ao para oferecer urn modelo a ser seguido. Atraves da familia, a pessoa aprende

progressiva-* O presente artigo e parte integrante da dissertaSao de Mestrado em Educa4ao : " EI"RE 0 DITO E 0 VIVIDO : it sexualidade no cotidiano de dois grupos de escolares adolescentes " - Instituto de Educa^ao - UFMT - 1994

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lllcnte it conviver em sociedade, internalizando as normas do meio em que se desenvolve. jupo do .ullizadcs c fruto da escolha espont lnea e se forma a partir da necessidade de

esse sujcito deslocar-se do nuclco familiar, fato que o impulsiona para novo modo de vida,

para a critica acerca do que esta estabelecido pelo social.

Nesta Ease, o adolescente faz a tentativa de desvincular-se do ambiente familiar. Os pail da infancia, will os quaffs estabeleciam um tipo de identificacao, pois eles deter-IWILIvaun 0 lnodo de ser infantil, ja nao atendem as solicitacoes do adolescente que sente necessidade do difereuciar-SC into SOmente dos niembros do sua familia mas tambem das inlposicoes da cultura na dual cresceu. Arminda Aberastury' ahrma que o adolescente elabora tres lutos: o luto pela perda do corpo infantil, porque, ao modificar-se fisicamen-te, ere c obrigado a ver seu corpo diferenciando-se daquele que tinha na infancia; o luto pela pcrda da idcntidade c polo papel infantil, pois agora, corn as mudancas corporals, o papel infantil se contrapOe a nova identidade que se estrutura e ele se percebe diante de novas perspectivas psicologicas e socials; o luto pela perda dos pais da infancia, ja que os pais ideals passam agora a pals rears. Essas circunstanci.as afetam tanto os pais, Como os adolescentes, o que provoca mudancas no relacionamento familiar. Esse e um tempo de

n•

LU1II11l.VJ.

0 proposito deste trabalho fol o de esbocar um retrato instantaneo do cotidiano

presente atraves das observacoes dos adolescentes, porque como diz Michel Maffesoliz, tudo esta em processo e nao ha "verdades acabadas". Pensando assim , e que nao se pre-tende aqui dar a tudo por concluido, contentando-se em tocar de leve essa questao "afa-gando apenas os contornos" dette terra, dada a sua complexidade.

A pesquisa foi produzida tendo como orientacao o metodo etnografico, confor-mne proposto por Bogdan e Bikklen citados por Liidke e Andre :

- a pesquisa etnografica busca descrever de forma qualitativa o objeto de estudo, tendo o ambiente natural como sua fonte direta de dados e o pesquisador como seu principal instrumento;

- os significados que as pessoas dao ao seu cotidiano e o foco de atencao do pesqui-sador;

- it imersao do etndgrafo na situacao permite rever e aprofundar as questoes que sao colocadas na pesquisa;

- o pesquisador deve ser o realizador da pesquisa de campo, para que ele proprio possa ouvir a realidade dos participantes da pesquisa, tal como a percebem; - it aboidagunm etnogralica pole combinar varios mctodos de coleta dos dados.

Na SCgllenLla, aprescllta-sc a lnctodologla, a obse11'a(ao

d

ireta das atividades do rUpo

p

cS(lulsado:

' ABERASfURY, Arminda e KNOBEL, Mauricio. Adulescencia normal. Porto Alegre: Artes Medicas, 1981. p. 63 e passim.

' MAF FESSOLI, MMichel. 0 conhecimento comum : compedio de sociologia compreensiva. Sao Paulo : Brasiliense, 1988. p. 247. LUUI'I_, Mcnga. l'csyuisa cm educa^ao: abord a cns dualitativas. Sao Paulo: EPU, 1986.

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a) Entrevistas com os informantes para captar explicacoes e interpretacoes do clue acontece no grupo a clue pertencem:

b) Pode-se aittda tisar outros inetodos tais coma: hist(rias do vicla, anJilisc dc docti-mentos, fotograuas ...

c) Para a analise e iinterpretacio, procura-se identificar os clementos recorrentes, isto e, aquelas categorias com caracteristicas comuns que se relacionamn entre si: ideias, concepcbes, modos de sentir e agir.

O grupo pesquisado constituiu-se de cinquenta e doffs adolescentes - distribuidos cm dois colegios bem difercnciados quanto a clientela, organizacao c convivencia no anibi-to escolar: o Colegio Novo Atheneu, situado no bairro jardim Cuiaba e a EEPSG "Newanibi-ton Alfredo Aguiar", situada no bairro CPA IV. 0 Colegio Novo Atheneu tern ambiente bastan-te agradavel c, nas salas, poticos alunos. Abastan-tendendo alunos de bairros muito carenbastan-tes, oriun-dos de invasbes, o Colegio Newton Alfredo possui salas super lotadas e nas salas pesquisa-das estudani poucos adolescentes que trabalham durante o dia. A idade desses adolescen-tes situou-se tia faixa entre 12 e 17 anos e o grau de ensino da 8" serie do 10 grau ao 2° ano do 2° rau.

Os contatos com esses dois grupos foram feitos na sala de aula, no patio, na hora

dos intervalos e individualmente atraves de entrevistas gravadas. Nao houve nenhuma

apre-sentacao formal previa com os adolescentes, por isso a curiosidade em torno da presenca

de pessoa estranha ao meio foi bastante grande, inclusive por parte dos adultos.

Convivendo na pratica docente coin as escolas de Cuiaba, pode-se perceber o pouco conhecimento existents para lidar-se com pessoas nesta faixa de idacle e ainda a dificuldade de acesso ao estudo do tema por existirem poucas pesquisas voltadas para o conhecimento da adolescencia de Mato Grosso.

O de comum entre os jovens dos dois grupos foi a constatacao da pouco proximi-dade fisica com seus pais. Os adolescentes do Atheneu parecem ter menos conflitos coin sua familia, diferentemente dos que se apresentam nas casas dos jovens de Newton Alfre-do, sendo que, entre estes, menos da metade vivem com os dois genitores. 0 fator econo-mico parece cleterminar a instabilidade emocional intra-familiar no grupo do Newton Al-fredo. Em geral, Sala-se pouco ou quase nada sobre a vida amorosa dos pals. Apenas tuns poucos jovens do Atheneu conseguem manter um dialogo razoavel com seus pais sobre sexo. Pelas falas dos entrevistaclos do Atheneu, existe major afetuosidade entre esses e seus pais do que entre os do Newton Alfredo, dernonstrando que muitos fatos por eles descritos podeiil iiltcI Cr11 no iilodo como as fainiiias emocional e corporeamentc Sc relacionam nuin mesmo ambiente:

`'eles seal/1/-e ine deul111 111/1/to (ai/iiha...

I./F- 15 aiios - Atheneu)

"130 ga... senlJ)re inei1 p(Ii Punt (0111 1/111(1 descalp)a J))a 1)1itiu... des

J, ilgWi i e desCO) itain sin Cigna de ill/m". (J.O.A./F-17 anos - N.Alf.)

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LIMA E GOMF: S' assinl retrata it tactilidade das familias:

,Issin) coma existem familias nas quai.c ocorre uma grande gnarzti

dade de contato tdtil entre as pessoa s, existemfamilias, dentro de uma mesina

cudtura, nas pals o contato e mininto. Do mesmo rnodo existem cu.lturas inteiras

caracterizadas por um "noli me tangere" Como modo de vida e outras em que a

totalidade e de tat forma o modo de viver; er)t que abracos, caricias e beijos sao

laoconsta)des, (/III'/)MV o) /)ol!os Arlo-1atris i.sso/rarece e.strald)o t, e]nbara(oso".

0 toque, o carinlio entre os pals e entre os pais e os filhos, para muitos meninos do Atheneu, foi descrito como mais constantes do que para muitos do Newton Alfredo. A mae e, Para os entrevistados, a figura Inais requisitada e presente no seio familiar dos dois grupos. E ela quern exerce maior controle sobre a vida amorosa dos filhos, principalmente da menina. 0 pai e visto por eles como alguem "mais distante", "corn mais problemas", "mais serio". Como demonstra Badinter5 , a troca afetiva entre pessoas que convivem coti-dianamente faz diferenca, porque "nao ha amor sem algum desejo, e (...) a ausencia da faculdade de tocar, mimar on beijar e pouco propicia ao desenvolvimento do sentimento". A proximidade fisica e calorosa dos pais, dispensando cuidados, interessando-se pelo seu cotidiano, parece ser o que e mais importante esperam esses jovens de sua familia.

Ao contl-ario do Atheneu, em que varios tern conversa sobre namoro e sexo com seus pais, os meninos do Newton Alfredo, em sua maioria, nao tern else costume, confiando a discus-sao desses assuntos a outras pessoas. E comum entre os adolescentes, por sentirem vergonha, respeito on mesmo falta de abertura, nao terem com seus pais liberdade para conversar "certos assuntos". E inegavel a influencia da mae, mais que do pai, nesses momentos. As conversas em familias sobre a sexualidade giram em torno da prevencao das doencas e das consegiiencias da gravidez. Na familia, nao se fala em sexo como algo prazeroso. No ambiente de grande parte desses adolescentes, falta dialogo e afagos. Sobre o grazer sexual, estabelece-se o silencio.

"Vou sail:.. pegar u.mas mulheres... Mamrie fi.ca pertuba)ido... per saber.. nao e nada... e so alugacto".

(M.A.R. / F - 16 anos At.)

"Sou fechada com minha mae... Nao gosto de me abrir corn

nin-guem... E dificil con/iar nas /ressoa.s... Ela Pala p ro ev me abrir; 7110S Of nao n)e sin to lien)„

(R.O.S. / F - 16 anos N.Alf.)

Embora pouco is prendam os meninos, as tcntativas de segurar as meninas sao ainda muito fregiientes. Uma das maes, visando talvez preservar it filha, apregoa o trabalho como substituto das relacoes amorosas e as possiveis couscgtlcncias de tIIn namoro precoce:

a LIMA E GOMES , Icleia R . de. A escola como espaso e tempo de grazer : urea an:ilise proxemica. Tese (le Doutoramento. Paculdade de Educa4ao - Universidade Sao Paulo, 1992, p. 35.

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"... eta fola pro ell trahalltar muito... /era iiao Immoral. lama (torque /torso e)1,1(,T)-aWidar Carr rlninze ano.c ... ela 111nn drier leer

(B.E.R./F- 13anos-N.A.)

A fala delta adolescents faz lembrar, segundo FREUD apud MARCUSE6, que "a livre gratificacao das necessidades instintivas do homem e incompativel corn a sociedade civilizada: renuncia e dilacao na satisfacao constituem pre-requisitos de progresso" e mais, que a felicidade clas pessoas deve estar subordirrada <t disciplina para o trabalho Como "ocu-pacao integral". A esperanca das macs parece sera de que as filhas adiem por tempo indeter-minado o inicio da vida sexual. Quanto mais longe este momento, mais alivio sentem, a nao ser que a filha se case. Nesse caso, ha o desencargo de consciencia porque legalmente o casarnento impede uma possivel desonra familiar, pensamento este que ainda persiste entre os Pais. 0 mesmo pensamento nao ocorre corn relacao ao filho. Este incentivado desde muito cedo a urna vida sexual precoce sob pena de ser mal interpretado em sua masculinidade. Outras maes, sera muitas imposicoes, nos dois grupos, constantemente alertam os filhos para o perigo das doencas venereas e as filhas Para os perigos da gravidez corno se fossern coisas que ameacam separadamente os dois sexos. Em nenhurna fala dos adolescentes consta os pais alertando as frlhas corn relacao a doencas venereas e nern aos frlhos sobre urna possivel paternidade indesejavel. E de se notar que a mae e sempre, corno ficou demonstrado ao longo das entrevistas, a figura chave de urea determinada formacao sexual dos filhos:

"Minha mae fala... quando sic fzersexo... e pra preveuir; IIe?"

(J.O.A. / F - 17 anos - N. Alf.)

"Eta fala que guando etl for transar.. pra contar pra ela... que eperi-goso...pra eta it ao ginecologista comigo....se eu quiser ela nao vai segurar ... "

(C.R.I.S. / F. 16 anos At.)

"Eta fala assini, /rra tomar cctidado, nessa roisa de AIDS...

(S.E.R. / M - 17 anon - N. Alf.)

"Miuha mae peigunta... Voce e viugem ? ... Fico sent. jeito de tesjbon-der a quilo. "

(R.O.S. / 16 anos - N. Alf.)

Quando se trata da vida amorosa , grande parts dos adolescentes preferem confi-ar seas segredos a outras pessoas com quern tenham mais identificacao , o que pconfi-arece ter suporte na proximid idc, na comuiihao do scntir C pcusar. Sao os amigos, o irmao mais velho, urn parente , geralmente pessoas corn mais experiencia , raramente seus pail.

Na adolescencia , a lorinacao dos grupos de

a

inriz

ade

vai later a tralisica( do corr-trole que os pals da infancia exerciam sobre a vida dos f Thos , para a vida adulta e toda

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gama tic

responsabilidades que dela decorre. Dessa maneira, uma das marcas mais

signifi-cativas (

L

i adolescencia c o reunir-se. A

formacao

do grupo se deve a necessidade de parti-Thar ernocoes, "re-conhecei-se" enquanto "eu no outro". lanto a emociao desse cOletivo C

algo partilhado, que a isso se poderia perceber como, em MAFFESOLI', a agregacao a que

se adore por ideologia ou por necessidade de protecao.

Tendo como eixo movente a "socialidade",' , ou seja, o coletivo vivido pela partici-pacao e tactilidade, os grupos constroem seus habitos e maneiras de ser, proclamando suas paixoes. A socialidade, ou o vivido cm colnuln, e Lim cimcnto composto para proximidade, pelo afetual ou pelo emotional. E era que move a vida eni comunidade, repousando sobre a pluralidade, que assegura, desse modo, a riqueza e profundidade do viver coletivo. Na vida cotidiana dos grupos se realiza a socialidade corn suas micro-atitudes, suas criacoes miudas, situacoes efemeras em que acontece a circulacao dos afetos e das paixoes mesmo tendo, para isso, que enfrentar todas as contradicoes que decorrem das diferencas entre seus membros.

Segundo TEIXEIRA', e em funcao da proximidade, a partir da experiencia do ou-tro, que se forma o grupo, que se constitui pela pluralidade das trocas de palavras, de bens, de sexo e, por isso, sao considerados como elementos estruturantes da socialidade. Maffesoli fala de "proxemia"' °, ou seja, o estar junto, a proximidade fisica como a "substancia essential de toda a socialidade". Na ordem da proxemia, "a pessoa so existe na relacao com o outro"", porque existe proximidade, promiscuidade, "partilha amorosa do mesmo territorio, seja ele real ou simbolico" 1 2, entrecruzando relacoes, momentos e espacos na vida das pessoas. Esse sentimento de pertencer a urn grupo, de partilhar o mesmo espaco, por um tempo variavel de vida que favoreca a agregacao, o sentido em comum, o sair de si para entrar no "todo confusi-onal", que quer dizer, "a perda gradual do individuo no coletivo"' promove entre seus mem-bros a sensacao de abrigo e seguranca. LIMA e GOMES", interpretando Maffesoli, observa que:

"Seja nos grandes agrupamentos, seja nos pequenos, a partilha do espa;; o e fundamental e, nesses casos, quaisquer ajuntamentos tern sentido: tem sentido estar junto para a miisica, para o esporte, para a droga, para a religiao".

Os grupos de adolescentes preenchem certos espacos da cidade, fazendo assim o que Maffesoli chama de "festa dionisiaca" ern que lhes e permitido "essa mistura de palavras e situacoes que exprimem em tom maior, o cotidiano desejo de ser/estar jun-to"15. Seja nas pracas, nos barzinhos, nas esquinas, nas danceterias, na porta ou no patio da escola, todos sao espacos de "deambulacao" existential" 6, onde acontece o espetaculo,

MAFESSOLI , Michel . 0 coil hecimento comum , p. 224.

" 1d. A sombra de 1)ionisio. Rio de janeiro : Graal, 1985. p. 17.

"fFIXEIR A, NI. Cecilia Sanchez . SOcio-antropologia do cotidiano e educaS:uo: alguns aspc(tos da (luestao escolar. Sao I'aulo:

FEUSP, 1988. p. 171.

"'\1.AFi ESOLf, Alicl;cl. O tciiip (Lu (IiLu^ Rio rlc ^ans_ii, 1 ' 'l ;c Uitiv•crsit'ui:i, 1987. p. 193. " Ibid., p. 15.

Ibid., p. 24 e 25.

'' MAFFESOLI... op. cit ., nota 8, p.1 12.

LIMA e GOMES , Icleia Rodrigues de. A escola como espaSo e tempo de pi azer : uma antilise proxemica . op. cit. non 4, p. 12.

'' MAFFESOLI ... op. cit ., nota 8,1).112. ` Ibid., p. 112.

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"a teatralidade", em quc calla cena e importante, por minima quc seja, por mats comum que possa parccer.

Esses lugares quc Ma!icsoli chama de "rcgiocs abcrtas"' ' s<to locals ondc e possivcl dirigir-se aos outros, fazcr circular a palavra, o alinnento e a bebida, nao sozinho, mas beber junto, jogar conversa fora, falar de assuntos banais quc pontuam a vida do jovem no dia-a-dia. "E no c pelo coletivo que todos e cadet um se espandcm e esta expansao ai, da alento ao born estar Comum"' '. ltssa expallsao se manlfesta de maneira informal nesses grupos de aclolescertcs quc passarr ' scu nlclhor tempo vagando C explorando scu rurnclo"''', surgindo dai novas marciras de scr e viver: Agrcgar-sc vivido dos nlocos. E prcciso nao vivcr isolado, ter urn cirlento que faca a liga desse estar junto. E a comunidade quc se agrega, por senti-mentos cornuns, "pela cultura, pela comunicacao, pelo prazel; pela moda"" aparentemente impregnada de frivolidade e superficialidade. Esse comeco de compreensao da vida cotidia-na vat se desenvolver cotidia-na solidariedade do viver em grupo quando se e adolcscente.

0 vivido em comum dos adolescentes integra boa dose de cornunica4ao, truicao do presente e de incoerencia passional. Os adolescentes participant de outros grupos, porem a enfase e dada ao grupo de amizades que se reune para descobrir afinidades e diferencas, desco-brindo a major parte dos prazeres uns corn os outros, no tocal; no olhar; no sentil; no sofrel; no alegrar-se e ate mesmo nas diferencas pessoais que se dissolvem no coletivo do grupo. No pensar de Maffesoli, a caracterfstica essencial do grupo diz respeito a um "sentimento partilha-do" em que tudo contribui para sua manutencao, inclusive as dissensoes e as disfuncoes.

Nos grupos de jovens, nao ha somente o estarjunto parajogar conversa fora, mas tambern desejo de vivenciar ou sentir em comum que determina os ajuntamentoS. Viver sozinho para o adolescente nao faz sentido. Ele precisa repartir suas experiencias corn outros iguais "pois a pessoa so existe na relacao com o outro"='. 0 "encarceramento", que leva ao individualismo a que se refere Maffesoli, e para o adolescente algo insuportavel, porque vivendo um processo de afirmacao de sua personalidade, precisa socializar seus con-flitos e desafios e o faz com maior seguranca e espontaneidade no interior de seu grupo.

Nos dois grupos observados, o eu cede lugar ao nos, dando lugar ao coletivo e a circulacao do afeto que exprinne os fundamentos do grupo. E no e polo coletivo quc todos e cada tun se expandem e isso proporciona ao grupo o bem estar comum:

A mirlha tuibo... cada rem e como se fosse tipo irmao... a gente

(ha-ma tribo comp se fosse aa11a raca ".

(M.A.U./M-16 anos - At.)

"Uma jJesSOa 1C11e cor7l a outra , esSas ila0 SP 1(11!)140, eutao z)a ) formar

o gmrr/b de pessoas que .ce gostani ... se entendem ... pra discutir ... conversar " (D.E.B. / F - 1 5 anos - At.)

MAFFESOL. 1, up. cit., rota 10, p. 07. ° MAFFESOLI , op. cit., n(Ha S , p. I9.

"' MAFFESOLI , op. cit. , rota 10, p. 200.

""Ibid., p. 114. "' Ibid., p. 15.

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0 grupo ao se formal- promove ulna transfcrencia de afctos, em que "ha reducao na cnfasc da capacidade paterna c supervalorizacao da capacidade dos colegas"='`` Os pais pouco a pouco vao perdcndo o acesso ao mundo social do adolescente, pois este escapa sempre ao controle e as normas estabelecidas pela familia que o quer sob sua tutela. No grupo ele se sente entre pessoas que tern os mesmos problemas e isso the da forca Para indagar tudo o que e proposto pelos pais, indo em busca de sua autonomia , embora nern scmpre seja compreendido pelos adultos. 0 grupo proporciona novas experiencias e novas dcscobcrtas rclacionadas a vivencia juvenil:

"E uma, coisa importance.. porque voce sozinha e ruin... en .tdo tiles

td all pra to divertir... fazer campanha... tirar dicvida... jd que nao p osso

per-gu,nt(i Para ineus pais, entdo pergunto Para meus amigos ".

(E. L. I./F-16anos- N. Alf.)

"Fica conversando ... se divertindo corn outro... falando coisas

en-gracadas, porque fi car em casa, mu. itas veil, a gente nao tern libe7dade corn os Pais, ne... Assim de ficar conversando coisa de jovem... "

(J.U.R./M-16 anos - N. Alf.)

0 grupo "foge" do ambiente familiar e cria um outro onde todos possam exercer

a liberdade de expressao. A uniao dos componentes do grupo atraves das atividades

cotidi-anas vai demonstrar que essa comunidade e um corpo solidario.

Inumeros adolescentes borboleteiam por mais de um grupo, vivendo, ordenando e assumindo suas diferentes "mascaras", que na cena pode se apresentar como "uma cabe-leira extravagante ou colorida, uma tatuagem original, a reutilizacao de roupas fora de moda, ou ainda o conformismo de um estilo (...), ela subordina a pessoa a esta sociedade secreta que e o grupo afinitario escolhido"2 3. Em cada grupo que frequentam, os adoles-centes assumem as posturas daquele grupo, naquele momento, acomodando-se ou apro-priando-se dos valores que os definem. Dessa forma, vivera em cada grupo uma dinamica de "pertenca" e oportunidade de experimentar novas maneiras de ser ou novas mascaras:

"Eu tenho urn grupo de amigos que e todo certinho... " mau.ricinho"...

arrumadinho . Tenho outro 7nais 7elaxado, que nem eu ... so veste moleton ... cabelo

comprido... desses "7ieavy" da vida... tiles ndo tern nada a ver u7n corn o outro eu gosto de todos tiles"

(M.A.R./F-17 ands- At.)

0 namoro pole ser um dos motivos que contribuCn para que haja um afasta-mento do grupo de amigos:

22AUSUBEL, David et alli. Psicologia Educacional. Rio de Janeiro, Interamericana, 1980, p. 394. 23 MAFFESOLI, Michel. 0 Tempo das Tribos. p. 128.

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"Tai di ficil sair corn os amigos... To saindo ntais corn 1niuha 01nn017/do.

(F.A.B./M-17 anos - At.)

0 afastar-se do gi-upo pode estar ligado aos preconceitos contra a menina que come4a um relacionamento sexual:

"Mein grupo, eles nao sabem que eu... eles criticavam mulher que nao e nnais virgem. Entao fiquei com vergonha de contri ... eles comeca a incu ujeitai. Torque p0r mans que hair w1a liberal, who /scn ion ab.surdo. Alrio uamorado me dri conselhos... Ele disse qne nno c jpra ei jicar niuito anndaln-do... saiuanndaln-do... porque as pessoas vao notar a dijerenca ern riinnn... vai jalan' de

mien... e ele nao que isso ... Estou. afastada por mim mesma".

A comunhao de ideias une os componentes do grupo. Para os adolescentes dos

colegios , o mais importante para o grupo "e pensar da mesma forma" e "ter algo em comum ", algo como a ideia de "familia".

Atualmente, Enos estanos rnais juncos ainda... todos se unenn muito been, todos gostainos um do outgo... nc o so coma amigos ... was como familia... se sentinios da mesma familia".

E esse sentimento compartilhado de forma intensa, afetuosa, que concorre para

que os membros do grupo cheguem a sentir-se como "familia", a praticamente "excluir os

adultos e proteger-se a si mesmo contra a coercao que os adultos sao propensos a usar"°'.

0 grupo de amigos, por conta da energia que emana da interacao de seus componentes,

contagia qualquer "territorio" onde se faca presente.

"... onde a gente chega... a gente contagia o mundo!"

(K.A.F. / F - 16 anos N. Alf.)

A solidariedade e urna atitude comum nestes grupos "E justamente porque ha

solida-riedade organica, ajuda miitua e assistencia continua que se estabelece a circulacao do afeto"`''.

"... quando um fica doente,lca todo mundo la... enquanto n d o sara,

uiuguenn vai para sua Casa... somas rnnnito .solidarios...,,

(A.F.L.A. / F - 26 anos - At.)

"... quanndo u.nn precisa do outgo... /nor problerna economico empresta

dillheir0 ...

(E.D.U. / M- 16 anos - At.)

"'AUSUISEL, David F et aI, op. cit., rota 22, p. 396.

5TEIXEIRA, M. Cecilia Sanchez. Op. cit., nota 9, p. 188 explica com Maflesoli que a solidariedade oiganica so e possivel onde a personaliclade individual e absor ida no organismo cold lvo.

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Na ajuda, sob qualquer forma, importa solidarizar-se coin aquele que esta neces-sitado. Pode ser ajuda financeira oil companhia. A ajuda mfutua, sob diversas formas, e urn lever a que o grupo se obriga por f6rca do estreitamento dos lacos que os use.

Os lugares tregiientados por esses grupos variam conforme a situacao economica de suas familias. Esta e a diferenca. A alegria, o divertimento, o "estar junto corn", os entendiinentos e desentendimentos teen a mesma intensidade. E sempre nos finals de se-mana que os adolescentes buscam eucontrar-se, embora haja grupos formados na escola que se veenl todos os dias. Onde houver "agito", e la que vamos eucontrar lcgiocs de adolescentes, cada uni deles querendo deinonstrar ao mundo dos adultos um "Cu estou aqui, quern ser percebido!"

O contraste entre o "America" ou o "Get Up" no Coxipo e o "Ponto de Encontro" ems qualquer Lugar da cidade oil ainda o "Yes Bananas", na Morada da Serra, fica por costa do Pocier aquisitivo dos fre(luentadores. As primeiras sao casas de espetaculos caras, o quc nao impede nuns e outros lugares, que a musica, a bebida, a danca, as luzes, os encontros entre as pessoas acontecam com a mesma intensidade. Entre todos, o "Ponto de Encontro" e o mail diferenciado por ser ao ar livre e por congregar adolescentes das varias classes socials.

`A gente se junta no final de semana... vai na "Get

Uj) "... 'America "... ,,

(M.A.R./M - 17 anos - At)

"Encontra no sabado. f7amos ao clube "Ks Bananas"... "Ponto de Encontro" no CPA I... a gente danca... bebe... paquera

(R.O.D.M. - 15 - N.A10

"No Tres Barras ... no Centro Comunitdrio ... Tem baffle todo sdbado... "

(S.I.L./M -15 anos - N. Alf.)

Alguns grupos vivem diferentemente a festa desses encontros. Sao os que vao aos Shows de "Rock Pesado" onde a "miscelancia e total, o som da mocada fala das crises de relacionamento entre osjovens e a sociedade, injusticas e tudo mais que angustia os habi-tantes do planeta".`''' . Nao pode faltar a perambulacao pelos cemiterios, uma prova de fogo, um rito iniciatico para entrar no grupo. E o que contam alguns do grupo do Atheneu:

'A tribo vai a Shows de Rock na Casa Cuiabana... vai ao cemite-rio... so que eu nao gosto, nao... ten.ho medo ... 0 pessoalfica 14 dentio umas ties horns... bebe... bagunCa...na.o mexe em nada... vai mesma.. A genie fica no rua--111/m, 0)10 as se/)ulturas... 0 ccftti10rio da Picdade r nttrito a/)oikIdo... 0

pe.csoal 16 querendo it tto Paique Cuiaba... Patece /ilm o de terror..

(M.A.U./M- lbanos - At.)

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"Sou "heavy Barulers " urn estilo de fills/ca que c rrni "lraslr rock

/resado"... ludo que e/resado... ludo urr1esica de rreorte ... cenriterio... a ho-ma /(,I/(/ que 00 rvrra coisa di/erente... assornbrado.. espiritos ... vas, bate /ra/ro... term

urerrina que ate lrarlsa l(i derttro . E tij)o urn curriculo n osso ... tern que tci

pre-write no cerrrilerio... serriro n17o se cousidera `9reavti handers".

(F.L.A./M - 17 anos - At.)

Nas rcuillOCS ( Ilse OS grupOS p1'0111OVC111, a 11111sica C a Cxacerbacac das

pa

lxocs estao ens collstantc l cla4ao. A fantasia e a sensualidade liberam o corpo c pcrulitc111 it particao dos afetos no rocar entre uns e outros. A noite, a danca e a lnusica contribuenl Para a exaltacao da orgia. E j ustamente a noite, sempre presente na fala dos entrevistados, que pernlite con-lo diz Maffesoli , " Exacerbacao de todas as paixoes e a intensificacao dos exces-SOS ', oferecendo , ao Corpo e ao Cspirito, nlultiplas possibilidades de u111 viver intenso, dos muitos " corpus que se uneln em abra4os na escurinho "." Por isso, a noite para os jovens e sempre motivo de celebracao de festas , euforia e de toda ordem de transgressoes. No escurinho da boite, da prac.a, do cinema , nos caminhos notivagos , quern se ilnporta corn o perigo nesta idade?

Embora a busca de autonomia e de emancipacao se anunciem ao adolescente, tornem - no distinto e separado do nnuldo adulto por querer romper corn os lacos que o prendem desde a infancia a famflia, e, no entanto, dificil deixar o "ancoradouro emocio-nal211 , que o liga aos pals desde o nascinlento . Em nossa sociedade, transpor os portals para a vida adulta significa enfrentar ulna crise , a primeira de caster existencial , uin ronl-pinlento coin a infancia e a adaptacao para as responsabilidades da vida adulta. Zalvez por isso , a palavra " futuro" seja tao empregada pelosjovens quando falam do seu cotidiano.

Esses adolescentes estabelecem em seus pequenos grupos um processo de corres-pondencia , participacao e adesao ao " modus vivendi " que privilegia o corpo coletivo, ha-vendo neles mais permissividade que em qualquer outro lugar por onde se ande. No grupo de amizades ninguem e marginalizado , porque se o for, nao esta nele. No grupo-tribo, o adolescente sente que esta entre os que " vivem o nlesnlo nlonlento existencial ".-; ' O grupo teal a forca dos iguais , em que, segundo Tiba, cada urn perde a individualidade para ser um anoninlo no coletivo , onde os problemas pessoais sao tambenl os do grupo e "todos levant as dores de todos ":" , havendo unla universalizacao dos problemas , das aventuras, das desavencas , da afetividade e dos conlpromissos feitos em conjunto , que tern a impor-tancia de urn contrato onde as partes envolvidas selam urn pacto tenlporJu - io de estarem juntas , porquc juntas Sc fortalccem.

0 111olllenta11co "ro111pllnellto " Coln os pals C a collstru4ao de sua proprla

1denti-dade fazem corn clue o j ovens vivencie novas experiencias c novas descobertas, alas senlpre clll grrlpo 1ra11Sl^t1'lil "<llid0 lute no CSI-) a: c "fa11111iar " IlN troca dc sWI,, 111(_1S1110

NIAFFESOLI, :Nlichci. ASombia de Uionisio. p. 131. "" Ibid., loc. cit.

!"AUSUBEL , David et al. op. cit., rota 22 p. 396.

` rIBA, Puberdade e Adolescencia. nesenvolvimento Biopsico - social . S.P, Igora, 1996, p.58. " Ibid., p. 58.

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porque, apesar da influencia familiar, e no grupo de amigos que a libcrdade e a afetividade se lllanifestam de forma mars explicita.

Os resultaclos da pesquisa evidenciaram que:

• 0 contato afetuoso entre os membros da

familia

e vivenciado apenas por uns

poucos adolescentes. Ha

unta

distancia mantida, gcrando assim a

superficialida-de co111 que Os corpos SC tocanl. Quanto 111ais Se desenvolve a criallca, malOr Sc torna it distancia flslca entre cla c scus pals.

Na

adolcscciicla, CSSC distanClilincnt

0

Sc consolida, e o que se percebe atraves das falas dos entrevistados c exatantente

o desejo de serene acarillllados pelos pais tambem na adolescencia.

• Nas familias desses jovens, as conversas sobre a sexualidade nao fazem, conlu-mente, parte do dialogo entre pais e filhos. Sobre o prazer sexual estabelece-se o silencio. Fala-se aos jovens sonlente sobre as consegtiencias da sexualidade, mos-trando-se aperias os efeitos negativos.

• 0 adolescente tern vontade de dialogar sobre sua sexualidade, o que so se torna possivel captando-se sua estinla c confian4a. Os pais, por sua vez, nao buscam repensar as vela nes corn seus filhos agora adolescentes, sobre os quaffs se operant transformacoes ao nivel do corpo e das relacoes sociais.

• Os valores tabus, estereotipos sao passados, ainda, pelas geracoes anteriores a estes jovens, repetindo-se o conflito de geracoes, o que nao impede que estes facam a tentativa de quebrar os padroes estabelecidos pelo social. No enfrenta-mento das muitas restricoes sociais, os adolescentes dos Bois grupos buscam major fruicao para suas existencias, conseguindo, quando surge a oportunida-de, colocar uma "cunha" no interior das normas sociais, estabelecidas em dire-cao a uma autonomia, a expansao de sua sensibilidade e expressao de sua cor-poreidade.

ABSTRACT

The reseaarch intends to understand the adolescent's common-living iii theirprirnary and secoridarl' grouj)s, therefore, /ain ill and school, as far as the cexualitly is concerned. There was an attemlrt to identity aprlrealing elements such as ideas, concejptious and behaviour; among others.

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