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Impacto do modelo Edulab nas estratégias de ensino implementadas num agrupamento de escolas

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DIGITAL TECHNOLOGIES

&

FUTURE SCHOOL

Atas do IV Congresso Internacional TIC e Educação 2016

(artigos selecionados)

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Digital Technologies & Future School

Atas do IV Congresso Internacional TIC

e Educação 2016

Em homenagem ao professor SEYMOUR PAPERT

Artigos selecionados

     

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Lisboa, Portugal | 8 – 9 – 10 de Setembro de 2016

Organizadores:  

Neuza Pedro, Ana Pedro, João Filipe Matos, João Piedade, Magda Fonte

INSTITUTO DE EDUCAÇÃO

UNIVERSIDADE DE LISBOA

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Atas do IV Congresso Internacional das

TIC na Educação

                                       

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63 - IMPACTO DO MODELO EDULAB NAS ESTRATÉGIAS DE ENSINO

IMPLEMENTADAS NUM AGRUPAMENTO DE ESCOLAS

THE EDULAB MODEL IMPACT ON THE TEACHING STRATEGIES IMPLEMENTED IN A SCHOOL GROUPING

Ana Oliveira1 e Lúcia Pombo2

1Centro de Investigação “Didática e Tecnologia na Formação de Formadores”,

Departamento de Educação e Psicologia, Universidade de Aveiro, Portugal,

[email protected]

2 Centro de Investigação “Didática e Tecnologia na Formação de Formadores”,

Departamento de Educação e Psicologia, Universidade de Aveiro, Portugal, [email protected]

Resumo: A investigação que se apresenta insere-se no projeto de doutoramento em Multimédia em Educação de uma das autoras, estando articulada com o projeto AGIRE (Apoio à Gestão Integrada da Rede Escolar), uma colaboração entre a Universidade de Aveiro, o consórcio E-Xample e o Agrupamento de Escolas de Gafanha da Nazaré, com vista à implementação do projeto EduLabs. Este projeto constitui uma iniciativa piloto a nível nacional que procura promover a inovação em educação. Para além do apetrechamento tecnológico de salas de aula, o modelo EduLab prevê a formação e o acompanhamento dos docentes, como forma de incentivo à implementação de estratégias de ensino inovadoras.

Neste artigo pretende-se avaliar o impacto do modelo EduLab nas estratégias de ensino implementadas pelos docentes do Agrupamento de Escolas envolvido, no ano letivo 2014/2015. Com esse intuito, recolheram-se dados através de inquéritos por questionário aos docentes, grelhas de registo de aulas e relatórios reflexivos da oficina de formação, frequentada pelos docentes envolvidos.

Verifica-se que a implementação do modelo EduLab conduziu a um aumento da frequência com que os docentes recorrem à utilização das tecnologias, tanto em contexto de sala de aula, como para a preparação das atividades. Essencialmente, a utilização das tecnologias na sala de aula está associada à resolução de propostas de trabalho, atividades de pesquisa e exposição de conteúdos pelo professor. Os docentes reconhecem potencialidades no uso das tecnologias, salientando o facto de permitirem a implementação de estratégias de ensino diversificadas e inovadoras. No entanto, os docentes apontam alguns obstáculos à utilização das tecnologias em contexto educativo, que podem tornar a implementação dessas estratégias menos frequente, nomeadamente, a inexistência ou mau funcionamento dos recursos, a sobrecarga de trabalho dos docentes, o tempo necessário à preparação de aulas e o número de alunos por turma.

Palavras-chave: Modelo EduLab, estratégias de ensino, impacto, inovação.

Abstract: The current research is part of a doctoral project in Multimedia in Education held by one of the authors, and with articulation with the AGIRE project (School Network Integrated Management Support Project), which comprise a collaboration between the University of Aveiro, the E-Xample consortium and the School Grouping of Gafanha da Nazaré, where the EduLabs project was implemented. This project is

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a pilot initiative at a national level that intends to promote innovation in education. In addition to the technological equipment of classrooms, the EduLab model foresees the training teachers and monitoring the process as a way of promoting the implementation of innovative teaching strategies.

This paper aims to evaluate the impact of EduLab model in the teaching strategies implemented by teachers of the involved School Grouping, during the 2014/2015 school year. To achieve that goal, data were collected by a questionnaire applied by the teachers, lessons registration grids and reflective reports of the training workshop attended by the teachers involved.

It appears that the EduLab model implementation led to an increase of frequency in which teachers resort to use technologies, both in classroom context as in the preparation of activities. Essentially, the use of technologies in classroom is linked to the resolution of work proposals, research activities and contents exposed by the teacher. Teachers recognize potential in the use of technologies, highlighting the fact that they enable the implementation of diverse and innovative teaching strategies. However, teachers point out some obstacles to the use of technologies in educational context that can make less frequent the implementation of those strategies, in particular, the absence or failure of resources, the workload of teachers, and the time needed to prepare lessons and the number of students per class.

Keywords: EduLab model, teaching strategies, impact, innovation.

1. INTRODUÇÃO

O presente artigo insere-se no projeto de doutoramento em Multimédia em Educação da Universidade de Aveiro da primeira autora, sendo a segunda sua orientadora. Por sua vez, este projeto está integrado no projeto AGIRE (Apoio à Gestão Integrada da Rede Escolar), uma colaboração entre o consórcio E-Xample, que reúne vinte e seis empresas da área do ensino e aprendizagem, a Universidade de Aveiro e o Agrupamento de Escolas de Gafanha da Nazaré (AEGN), onde foi criado um dos dez ecossistemas educativos experimentais, designados por EduLabs, implementados a nível nacional no ano letivo 2014/2015.

Os EduLabs, ou laboratórios de educação, constituem salas de aula equipadas com diversos recursos tecnológicos, nomeadamente, computador, projetor e quadro interativo, onde tanto os alunos como os docentes dispõem de tablets com os respetivos manuais escolares digitais integrados, Recursos Educativos Digitais (RED) e software de e-learning e gestão da sala de aula, Mythware (Figura 1). Com estes recursos, o modelo EduLab,para além de procurar dar resposta às necessidades e interesses das novas gerações, visa o desenvolvimento da literacia digital, bem como de saberes e competências de todos os envolvidos.

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Figura 1. O modelo EduLab (retirado de E-Xample, 2014).

O modelo EduLab procura proporcionar um processo de ensino e de aprendizagem dinâmico e mais eficiente, a partir da utilização das tecnologias e do envolvimento de professores, alunos e encarregados de educação. Para além do apetrechamento tecnológico, o modelo EduLab prevê a formação e o acompanhamento pedagógico dos docentes, como forma de incentivo à utilização integrada, pedagógica e motivadora das tecnologias e à adoção de práticas de ensino inovadoras com recurso a estas ferramentas. O facto de não descurar a formação e o acompanhamento dos docentes, como aconteceu com alguns projetos e iniciativas de incentivo à integração das tecnologias na educação já implementados, vai ao encontro do defendido por Horta (2013), que afirma que a formação assume um papel fundamental para que os professores utilizem as tecnologias em contexto educativo. Nesse sentido, os docentes envolvidos neste projeto frequentaram um curso de formação centrado em questões mais tecnológicas, de 15 horas, sobre a utilização e potencialidades educativas da tecnologia disponível, e uma oficina de formação, com 64 horas, focada em questões mais pedagógicas, abordando estratégias adequadas a este contexto (Carlos, Pombo, & Loureiro, 2014).

O modelo EduLab procura promover a inovação em educação, não só pelas próprias ferramentas tecnológicas que disponibiliza, mas também, pelo incentivo aos docentes para a implementação de práticas de ensino inovadoras com recurso às tecnologias, como a metodologia de flipped classroom, a aprendizagem colaborativa e o ensino por pesquisa (Pombo, Carlos, & Loureiro, 2015), que se apresentam, sucintamente, em seguida.

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A metodologia de flipped classroom carateriza-se por uma inversão das tarefas usualmente feitas na sala de aula e em casa. Assim, as atividades que “tradicionalmente” são realizadas na aula, como a exposição de um tema, passam a ser realizadas em casa, a partir de um vídeo ou de outro recurso criado e disponibilizado pelo professor. Por outro lado, as atividades que geralmente são realizadas em casa, como a consolidação desse tema, passam a constituir o trabalho na sala de aula. A inversão de tarefas pressupõe também, uma inversão do papel do professor, que deixa de se assumir como transmissor de conhecimentos para passar a orientar os alunos na “aquisição” desses conhecimentos. Na sala de aula, privilegia-se o trabalho colaborativo, a resolução de problemas e o debate sobre os assuntos explorados em casa pelos alunos (Bergmann, Overmyer, & Wilie, 2011; Bergmann & Sams, 2012; Tucker, 2012).

A aprendizagem colaborativa carateriza-se pela participação ativa dos alunos na concretização de uma tarefa coletiva, onde está patente a negociação, a interação, a autonomia e a reflexão (Meirinhos & Osório, 2006), em que os envolvidos adquirem e partilham experiências e conhecimentos (Zhu, 2012).

A metodologia de ensino por pesquisa visa a construção de conceitos, competências, atitudes e valores onde o aluno tem um papel ativo na sua aprendizagem. Nesta metodologia, o professor surge como um organizador de processos de partilha, de interação e de reflexão, procurando o envolvimento dos alunos (Cachapuz, Praia, & Jorge, 2002).

Esta investigação realizou-se no AEGN, onde estiveram envolvidos treze docentes de várias áreas disciplinares e cinco turmas dos três ciclos de ensino. Neste artigo pretende-se avaliar o impacto do modelo EduLab, nas estratégias de ensino implementadas pelos docentes, nomeadamente, se este modelo contribuiu para a adoção de práticas de ensino inovadoras com recurso a tecnologias.

Em seguida, apresenta-se a metodologia adotada, com destaque para os instrumentos de recolha de dados considerados, os resultados do estudo e as respetivas conclusões.

2. METODOLOGIA

Esta investigação, de natureza mista, assenta na metodologia de estudo de caso, uma vez que procura estudar, em profundidade, um fenómeno no seu contexto natural, explorando-o e descrevendo-o (Yin, 2010). Esta é, segundo Lessard-Hébert, Goyette e Boutin (2010), a metodologia de investigação mais aberta, mais real e, por isso, menos

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manipulável, que envolve a descrição detalhada e completa de uma entidade bem definida, procurando compreender o “como” e os “porquês” dessa entidade (Ponte, 2006).

De forma a avaliar o impacto do modelo EduLab nas estratégias de ensino implementadas pelos docentes, envolvidos no projeto, optou-se por recorrer a um leque diversificado de instrumentos de recolha de dados, de forma a obter um conjunto mais abrangente de informações que, após análise, podem corroborar um mesmo fenómeno (Yin, 2010), nomeadamente, inquéritos por questionário administrados aos docentes, grelhas de registo de aulas (

https://docs.google.com/forms/d/1H_iRn2w-0hSI8vyBTdSJDlfx8vDdzGyPp8x8GeTluSQ/viewform) e relatórios reflexivos dos

docentes (https://www.dropbox.com/s/0mafj2gug17kpxm/Relatorioreflexivo.pdf?dl=0), elaborados no âmbito da oficina de formação.

A aplicação dos inquéritos por questionário ocorreu em dois momentos: antes da implementação do projeto piloto e um ano após o seu início. No inquérito por questionário inicial

(https://docs.google.com/forms/d/1LuhOLhxWu5Q3C75TYAzg3wpP1PCT1B65Te26k6

cXKK4/viewform), pretendeu-se caraterizar os treze docentes do AEGN, integrados no projeto EduLabs, conhecer o grau de familiaridade na realização de tarefas envolvendo as tecnologias e a respetiva aplicação na preparação e concretização das atividades letivas. Pretendeu-se, ainda, identificar as perceções dos docentes sobre o contributo das tecnologias no processo de ensino e aprendizagem, bem como alguns obstáculos à implementação de estratégias de ensino que recorrem à tecnologia.

No inquérito por questionário aplicado no final do primeiro ano de implementação do projeto (http://goo.gl/forms/9SdjS5Duvs), pretendeu-se identificar a frequência com que os docentes recorrem às tecnologias na preparação das suas atividades e na respetiva aplicação em contexto de sala de aula. Pretendeu-se, ainda, conhecer a perspetiva dos docentes sobre o impacto da utilização das tecnologias no processo de ensino e de aprendizagem, identificar obstáculos à utilização das tecnologias e à implementação de estratégias de ensino inovadoras na sala de aula e avaliar o contributo do projeto EduLabs na utilização das tecnologias pelos docentes. Este questionário foi preenchido por onze dos treze docentes envolvidos, inicialmente, no projeto.

Ao longo do ano letivo 2014/2015 foram preenchidas quarenta e seis grelhas de registo de aulas de turmas do segundo, quinto e oitavo anos. Estas visavam, sobretudo, identificar as estratégias e os recursos adotados nas aulas, bem como os objetivos associados à utilização desses recursos, e refletir sobre o impacto que a utilização das

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tecnologias tinha nos alunos, no professor, na aprendizagem e na gestão da própria aula.

Os dados recolhidos através da técnica de inquérito e de observação foram complementados com os relatórios reflexivos dos professores, um instrumento de reflexão final da oficina de formação, frequentada pelos docentes integrados no projeto.

De salientar que dos treze docentes que iniciaram o projeto e, consequentemente, a oficina de formação, apenas doze o fizeram ao longo de todo o ano letivo, tendo elaborado o respetivo relatório reflexivo. Há também, a registar a saída de uma docente do AEGN no ano letivo 2015/2016, motivo pelo qual só se regista o preenchimento de onze inquéritos por questionário finais.

Considerou-se relevante analisar também, o posicionamento dos docentes na “Technology Integration Matrix” (TIM) (Kemler, Welsh, & Papke, 2011), que ocorreu em dois momentos distintos: no início da oficina de formação, através da realização de um trabalho autónomo, e no final da mesma, aquando da elaboração do relatório reflexivo da oficina de formação. A TIM constitui uma ferramenta que descreve e avalia os níveis de integração da tecnologia no currículo (iniciação, adoção, adaptação, infusão e transformação), em função de diferentes ambientes de aprendizagem (ativo, colaborativo, construtivo, autêntico e orientado a objetivos).

Os dados recolhidos através dos inquéritos por questionário (inicial e final) e através das grelhas de registo de aulas, pela sua natureza quantitativa, foram alvo de tratamento estatístico. Por sua vez, os dados recolhidos através dos relatórios reflexivos do professor, dada a sua natureza essencialmente qualitativa, foram tratados através de análise de conteúdo. Os resultados são apresentados no capítulo seguinte.

3. RESULTADOS

Comecemos por caraterizar, de forma breve, os docentes envolvidos no projeto e que colaboraram na recolha dos dados apresentados. Dos docentes integrados inicialmente no projeto, 92% têm idade superior a quarenta anos e 77% lecionam há mais de vinte e um anos. Os conhecimentos ao nível da utilização das tecnologias foram adquiridos, maioritariamente, em ações de formação contínua, relacionadas com a área (85%), através de autoformação (77%) e com apoio de familiares e amigos (62%). A maior parte dos docentes afirma dominar as ferramentas do Microsoft Office, ter facilidade em efetuar o download de ficheiros, pesquisar na Internet e comunicar à distância. Há, no entanto, algumas “tarefas digitais”, nas quais os docentes reconhecem ter maiores dificuldades, nomeadamente, a criação e dinamização de wikis, ebooks e

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blogues, bem como o desenho e tratamento de imagens e a produção de podcasts e

videocasts (Gráfico 1).

Gráfico 1. Domínio de ferramentas tecnológicas.

A implementação do modelo EduLab pressupõe que os docentes se apropriem da tecnologia, utilizando-a como uma ferramenta potenciadora de aprendizagens na sala de aula, mas também, como um instrumento de trabalho útil na preparação das suas atividades letivas. Após a implementação do projeto, ao nível da preparação de aulas, verifica-se um aumento da frequência com que os docentes pesquisam informação na Internet, consultam RED online, elaboram propostas de trabalho para os alunos em suporte digital, desenvolvem recursos para o quadro interativo e disponibilizam recursos em plataformas digitais (Tabela 1). Devido aos arredondamentos, a soma das frequências relativas de algumas linhas da Tabela 1, aparentemente, não perfaz os 100%, havendo um desvio máximo de 1%.

8% 38% 23% 8% 46% 100% 100% 92% 100% 85% 100% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Produção de podcasts/videocasts Desenho e tratamento de imagens Criação de ebooks Criação/dinamização de wikis Criação/dinamização de blogues Comunicação à distância Pesquisa na Internet Download de ficheiros da Internet Funcionalidades do Microsoft Office Power Point Funcionalidades do Microsoft Office Excel Funcionalidades do Microsoft Office Word

Nunca < 1 vez por mês 1 a 3 vezes por mês 1 vez por semana > 1 vez por semana

Antes Após Antes Após Antes Após Antes Após Antes Após

Pesquisar Informação na

Internet 0% 0% 0% 0% 8% 9% 23% 9% 69% 82% Consultar RED online 0% 0% 0% 0% 8% 9% 23% 0% 69% 91% Elaborar propostas de

trabalho para os alunos 0% 0% 8% 0% 15% 18% 38% 36% 38% 46% Realizar apresentações

para os alunos 0% 0% 8% 9% 23% 18% 23% 55% 46% 18% Preparar a avaliação dos

alunos 0% 9% 8% 0% 31% 46% 31% 36% 31% 9% Desenvolver recursos

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Tabela 1. Frequência de utilização das tecnologias na preparação de aulas (antes e após a implementação do projeto).

Após a implementação do projeto EduLabs, 82% dos docentes refere que, em contexto de sala de aula, os recursos tecnológicos foram utilizados de forma mais frequente pelos alunos, sobretudo o processador de texto, o editor de apresentações, os manuais digitais, o software educativo, a Internet e os quadros interativos. Efetivamente, os docentes reconhecem que uma das mudanças que o modelo EduLab suscitou, nas suas práticas letivas, foi uma melhor gestão dos recursos disponíveis, de forma que o aluno tivesse um papel mais ativo, e não de mero espetador, e o professor, um papel de orientador e mediador dos alunos no processo de utilização das tecnologias.

Na fase de implementação do projeto, verifica-se que os objetivos de utilização das tecnologias na sala de aula são diversificados, destacando-se, no entanto, como objetivos mais frequentes, a resolução de fichas e propostas de trabalho pelos alunos (em suporte digital), a exposição pelo professor e a realização de atividades de pesquisa (Gráfico 2).

Gráfico 2. Objetivos de utilização das tecnologias.

Associado aos objetivos de utilização das tecnologias, apresentados no Gráfico 2, regista-se a implementação das estratégias de ensino inovadoras que são preconizadas no modelo EduLab e que foram abordadas na oficina de formação, nomeadamente, a metodologia de flipped classroom em dez aulas observadas (22%) e o ensino por

0 2 5 5 5 6 8 11 16 28 0 5 10 15 20 25 30 Envolvimento dos EE Revisão de conteúdos Observação/técnicas experimentais Avaliação Apresentação de conteúdos pelos alunos Produção de conteúdos Comunicação Pesquisa Exposição (professor) Resolução de ficha/proposta de trabalho

NÚMERO DE AULAS

Desenvolver RED 31% 18% 31% 46% 31% 18% 0% 18% 8% 0% Disponibilizar recursos

em plataformas digitais 31% 0% 23% 27% 15% 36% 23% 18% 8% 18% Trabalhar de forma

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pesquisa em onze aulas (24%). Também, o trabalho colaborativo foi promovido em dezoito aulas observadas (39%), havendo, no entanto, um número superior de aulas (vinte e três) em que a modalidade de trabalho individual foi privilegiada (50%).

Os recursos tecnológicos disponibilizados a alunos e professores no contexto do EduLab são uma das mais-valias que todos os docentes reconhecem para o sucesso do projeto. O facto de todos os alunos possuírem um tablet (em casa e na escola), manuais digitais e acesso a uma plataforma de recursos educativos digitais, contribuiu para uma utilização muito frequente das tecnologias na sala de aula e para a implementação de estratégias que recorrem a tecnologias. Para além destes recursos, regista-se, na sala de aula, uma utilização frequente do computador, do projetor, do quadro interativo (utilizado de forma, efetivamente, interativa), de apresentações, de guiões/propostas de trabalho em suporte digital e do software Mythware, como forma de comunicação, partilha e avaliação (Gráfico 3).

Gráfico 3. Recursos tecnológicos utilizados.

A utilização crescente dos recursos tecnológicos e a implementação de estratégias de ensino que recorrem a tecnologias na sala de aula é o reflexo da perceção que os docentes têm sobre o impacto das tecnologias no processo de ensino. Todos os docentes concordam que as tecnologias promovem a interdisciplinaridade, incentivam a implementação de estratégias diversificadas e apoiam o desenvolvimento de estratégias de ensino inovadoras. A generalidade dos docentes (82%) afirma que as tecnologias promovem aulas mais dinâmicas e todos discordam que a sua utilização prejudique a boa prossecução das atividades. A maioria dos docentes (92%) afirma não

1 2 2 2 2 3 4 6 7 8 9 13 14 15 18 21 28 37 41 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 Email Editor de apresentações Editor de imagem Textos Google Maps Internet Editor de vídeo GeoGebra Vídeos RED Processador de texto Apresentações Quadro interativo Manual Digital Guião/proposta de trabalho (em suporte digital) Mythware Projetor Tablet Computador

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considerar que o recurso às tecnologias nas práticas letivas torne o ensino menos eficiente, no entanto, não são unânimes em afirmar que os recursos tecnológicos permitam uma melhor gestão do tempo das aulas e que exijam menos tempo para a exploração dos conteúdos (Gráfico 4).

Gráfico 4. Perceção dos docentes sobre o impacto das tecnologias no ensino. No que concerne à implementação de estratégias de ensino inovadoras, a maioria dos docentes (91%) salienta que a implementação da metodologia de flipped classroom tem vantagens: promove a autonomia dos alunos e uma aprendizagem mais ativa e responsável; respeita o ritmo de aprendizagem e de trabalho dos alunos; e permite uma melhor gestão do tempo da aula. No entanto, 46% dos docentes afirma que não implementa esta metodologia de forma mais frequente por não encontrar recursos de qualidade para a sua área disciplinar.

Os docentes reconhecem as potencialidades do trabalho colaborativo, nomeadamente, o facto de permitir o desenvolvimento de competências transversais e uma aprendizagem mais ativa. No entanto, há a salientar o facto de 36% dos docentes afirmar que os alunos do ensino básico não sabem trabalhar de forma colaborativa, aspeto que condiciona a implementação mais frequente desta modalidade de trabalho e de aprendizagem.

Relativamente à estratégia de ensino por pesquisa, verifica-se que 36% dos docentes considera que os alunos têm muitas dificuldades em efetuar pesquisas e 45% afirma que os alunos não retêm a informação pesquisada.

Nos seus relatórios reflexivos, os docentes associam o impacto positivo das estratégias de ensino com recurso a tecnologias ao efeito que estas têm sobre os alunos. Ao permitirem aulas mais interativas, dinâmicas e atrativas, as aulas em que são utilizados os recursos tecnológicos fazem com que os alunos estejam mais motivados, interessados e participativos. No entanto, os docentes apontam alguns

9% 27% 46% 64% 9% 73% 27% 46% 18% 36% 9% 91% 18% 36% 18% 64% 27% 9% 82% 64% 18% 9% 0% 20% 40% 60% 80% 100%

Requerem menos tempo para a exploração dos conteúdos Promovem aulas mais dinâmicas Prejudicam a boa prossecução das atividades Permitem uma melhor gestão do tempo das aulas Tornam o ensino menos eficiente Promovem a interdisciplinaridade Apoiam o desenvolvimento de estratégias inovadoras Incentivam a adoção de estratégias diversificadas

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obstáculos para uma utilização mais frequente das tecnologias na sala de aula, que podem também, influenciar o impacto que estas têm sobre as estratégias de ensino implementadas.

Todos os docentes salientam que a inexistência de recursos tecnológicos ou o seu mau funcionamento são fatores que comprometem a sua utilização em contexto educativo. Para além disso, 73% dos docentes considera que o número médio de alunos por turma é um obstáculo à implementação de estratégias de ensino que recorrem a tecnologias, contudo, apenas 36% considera que a heterogeneidade das turmas ou a falta de experiência dos alunos com as tecnologias é um obstáculo à sua utilização. Para 82% dos docentes, a falta de tempo é, também, um fator que pode influenciar a utilização frequente das tecnologias na sala de aula, no entanto, a necessidade de preparação dos alunos para os exames e a duração das aulas (de 50 minutos no AEGN) não são considerados obstáculos à implementação de estratégias de ensino que recorrem a tecnologias (Gráfico 5).

Gráfico 5. Obstáculos à implementação de estratégias de ensino com tecnologias. Para além destes obstáculos, há outros que merecem especial atenção e que estão relacionados com os docentes e as tarefas que a sua profissão envolve. A maioria dos docentes (91%) considera como obstáculos, o tempo necessário à preparação de aulas onde são implementadas estratégias de ensino com recurso a tecnologias, a falta de experiência dos professores na sua utilização, a necessidade de formação frequente por parte dos docentes e o grau de confiança que lhes é exigido para uma melhor utilização, são fatores que podem conduzir a uma menor frequência de uso destas ferramentas na sala de aula. Também, a sobrecarga de trabalho que os docentes sentem atualmente é, para 82% dos docentes, uma dificuldade à implementação frequente de estratégias de ensino com recurso a tecnologias. No entanto, os docentes

9% 9% 9% 9% 18% 9% 64% 9% 64% 55% 55% 9% 46% 27% 46% 27% 27% 27% 55% 36% 27% 27% 36% 18% 9% 18% 9% 73% 73% 0% 20% 40% 60% 80% 100%

Duração das aulas Falta de tempo Necessidade de preparação dos alunos para exames Falta de experiência dos alunos Heterogeneidade da turma Número de alunos por turma Especificidade da área disciplinar Mau funcionamento dos recursos Inexistência de recursos

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não consideram que o trabalho acrescido que a utilização das tecnologias lhes exige conduza à sua desmotivação (Gráfico 6).

Gráfico 6. Obstáculos (inerentes ao professor) à implementação de estratégias com tecnologias.

Apesar das dificuldades e dos obstáculos apontados, o reconhecimento do impacto que a implementação de estratégias com recurso a tecnologias tem no processo de ensino, fez com que os docentes envolvidos no projeto EduLabs promovessem algumas mudanças na sua prática letiva, ao longo do primeiro ano do projeto, e que pretendem também, valorizar no futuro. A frequência da oficina de formação permitiu, segundo os docentes, o reconhecimento de algumas potencialidades dos recursos tecnológicos, uma melhor gestão e otimização destes recursos e a “aprendizagem” de novas (e inovadoras) metodologias e estratégias de ensino, que recorrem a tecnologias, como a metodologia de flipped classroom e o trabalho colaborativo. Para além disso, os docentes salientam que o modelo EduLab desencadeou mudanças no papel do aluno, que passa a ser mais ativo na utilização das tecnologias, e do professor, que se assume como orientador e mediador no processo aprendizagem.

O impacto do modelo EduLab nas estratégias de ensino implementadas pelos docentes reflete-se no seu posicionamento na “Technology Integration Matrix” (TIM) (Kemler, Welsh, & Papke, 2011), como se relata em seguida.

Num ambiente de aprendizagem ativo, em que os alunos estão empenhados em usar a tecnologia e não apenas a receber informação dela, verifica-se que, inicialmente, os docentes se posicionavam, maioritariamente, nos níveis de iniciação e adoção. No final, os docentes posicionam-se, essencialmente, nos níveis de adaptação e infusão, o que reflete uma maior autonomia do aluno na utilização ativa da tecnologia (Tabela 2). Nos ambientes de aprendizagem colaborativo e construtivo, verifica-se, também, uma ligeira evolução, já que, inicialmente, os docentes se posicionavam, maioritariamente, no nível de adoção, passando, na fase final, para o nível de adaptação. Esta evolução

18% 9% 64% 9% 9% 9% 9% 9% 18% 64% 27% 46% 64% 64% 27% 64% 46% 27% 18% 0% 20% 40% 60% 80% 100%

Desmotivação (pelo trabalho que requerem) Exigência de um grau de confiança elevado Necessidade de formação frequente Falta de experiência Tempo exigido para preparação de aulas Sobrecarga de trabalho

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evidencia que os docentes começam a criar oportunidades para que os alunos utilizem a tecnologia para trabalhar de forma colaborativa e para construir e compreender conceitos. No que diz respeito ao ambiente de aprendizagem autêntico, em que os alunos usam as ferramentas tecnológicas para relacionar e trabalhar as aprendizagens de forma articulada e contextualizada com a realidade, verifica-se uma evolução do nível de adoção para os níveis de adaptação e infusão (Tabela 2). Esta evolução reflete a preocupação dos docentes em contemplar estratégias de ensino e atividades que relacionem as aprendizagens com o mundo exterior, fazendo uso das ferramentas tecnológicas. Por fim, no que concerne ao ambiente de aprendizagem orientado a objetivos, em que os alunos usam as ferramentas tecnológicas para definir metas, planear as atividades, monitorizar o seu progresso e avaliar os resultados, regista-se um posicionamento inicial, sobretudo, nos níveis de iniciação e adoção. Na fase final do ano piloto, há docentes que se posicionam no nível de adoção, no entanto, há a registar alguns docentes que se posicionam nos níveis de adaptação e infusão (Tabela 2). Devido aos arredondamentos, a soma das frequências relativas de algumas linhas da Tabela 1, aparentemente, não perfaz os 100%, havendo um desvio máximo de 1%.

Níveis de integração da tecnologia no currículo

Iniciação Adoção Adaptação Infusão Transformação

Antes Após Antes Após Antes Após Antes Após Antes Após

Carate

rísticas do ambiente de aprendizagem

Ativo 25% 0% 50% 17% 17% 42% 8% 42% 0% 0% Colaborativo 8% 0% 83% 8% 8% 67% 0% 17% 0% 8% Construtivo 0% 0% 92% 8% 8% 67% 0% 25% 0% 0% Autêntico 8% 0% 83% 8% 8% 50% 0% 33% 0% 8% Orientado a objetivos 42% 0% 50% 42% 17% 33% 0% 25% 0% 0%

Tabela 2. Integração da tecnologia na prática letiva dos docentes, de acordo com a TIM, antes e após a implementação do projeto.

Em termos globais, a Tabela 2 demonstra uma clara evolução do nível de adoção para os níveis de adaptação e infusão, nos diferentes ambientes de aprendizagem, o que, em parte, reflete um impacto positivo do modelo EduLab nas estratégias de ensino implementadas e na prática letiva dos docentes.

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4. CONCLUSÕES

O modelo EduLab pretende assumir-se como um novo modelo de ensino, pensado em conjunto com professores e alunos, que ambiciona testar novas tecnologias, em termos de usabilidade, eficácia e potencial transformador do processo de ensino e de aprendizagem.

Os resultados obtidos nesta investigação permitem afirmar que a implementação do modelo EduLab no AEGN contribuiu para uma mudança nas práticas letivas dos docentes, no que concerne à utilização dos recursos tecnológicos, tanto na preparação das atividades como na respetiva aplicação na sala de aula. Em ambos os contextos, verifica-se um aumento da frequência com que os docentes recorrem às tecnologias e realizam “tarefas digitais”.

Os docentes salientam que o modelo EduLab desencadeou mudanças no papel do aluno, que passa a ser mais ativo na utilização das tecnologias, e do professor, que se assume como orientador e mediador no processo de utilização dessas tecnologias e, consequentemente, da aprendizagem. Este aspeto reflete-se no posicionamento dos docentes na TIM (Kemler, Welsh, & Papke, 2011). Quando comparado o posicionamento inicial e final dos docentes neste instrumento, denota-se uma clara evolução do nível de adoção para os níveis de adaptação e infusão, nos diferentes ambientes de aprendizagem (ativo, colaborativo, construtivo, autêntico e orientado a objetivos).

Os docentes do AEGN envolvidos no projeto EduLabs concordam que as tecnologias promovem a interdisciplinaridade e permitem aulas mais interativas, dinâmicas e atrativas para os alunos. Para além disso, incentivam a implementação de estratégias diversificadas e apoiam o desenvolvimento de estratégias de ensino inovadoras, como a metodologia de flipped classroom, o ensino por pesquisa e o trabalho colaborativo. Os docentes reconhecem potencialidades nestas estratégias de ensino inovadoras, que foram focadas na oficina de formação e implementadas em algumas aulas. Contudo, enunciam alguns obstáculos que podem contribuir para a implementação menos frequente de estratégias de ensino inovadoras com recurso a tecnologias, nomeadamente, a inexistência ou mau funcionamento dos recursos, a sobrecarga de trabalho dos docentes, o tempo necessário à preparação de aulas e o número de alunos por turma.

Em suma, perante os resultados, pode concluir-se que a implementação do modelo EduLab tem um impacto positivo nas estratégias de ensino implementadas e na prática letiva dos docentes, através de uma melhor gestão dos recursos disponíveis, conduzindo à promoção de um maior número de oportunidades para que os alunos

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colaborem e tenham um papel ativo na sua aprendizagem, através da utilização das tecnologias.

5. AGRADECIMENTOS

Este artigo foi desenvolvido no âmbito da bolsa de doutoramento da primeira autora (SFRH/BD/103477/2014), financiada pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia e pelo Fundo Social Europeu.

6. REFERÊNCIAS

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