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Prasna Upanishad: uma síntese-reprodução 1

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Academic year: 2021

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Prasna Upanishad: uma síntese-reprodução

1

OM... Possamos nós, Ó deuses, ouvir com os nossos ouvidos o que é auspicioso. Possamos nós, Ó adoráveis deuses, ver com os nossos olhos o que é bom! Possamos nós, com membros e corpos fortalecidos, cantar louvores e desfrutar a vida que nos foi dada por Prajapati! OM... Paz! Paz! Paz! [Invocação inicial da Prasna Upanishad] 2

a) Introdução de Shankaracharya OM. Saudações ao Supremo Atman!

O objetivo desta Upanishad é estudar, de forma mais elaborada, os conhecimentos expostos de forma simplificada na Mundaka Upanishad.

As perguntas e respostas formuladas entre os rishis 3e que aparecem de forma anedótica são os objetivos do louvável Vidya, o âmago do Conhecimento das Upanishads. Essa forma de Conhecimento assim referida pode ser adquirida apenas por aqueles que residem na casa dos seus instrutores durante um ano, praticando brahmacharya e outras

austeridades.

Essa forma de ensinamento pode ser transmitida por mestres semelhantes a Pippalada 4, que conquistaram a onisciência. Não é qualquer pessoa que está preparada para receber ou ministrar essa forma superior de Conhecimento.

b) O que a Prasna Upanishad ensina sobre: 5

1. A identidade entre Atman [alma individual] e Brahman [Alma Universal-Deus]. “Sauryayani ... indagou ao mestre Pippalada: “Mestre, ... Desperto, dormindo ou sonhando, quem está consciente nos três estados?”” [Prasna 4, 1].

“Pippalada respondeu: “... Quando um homem não ouve, não vê, não cheira, não escuta, não saboreia, não toca, não tem prazer ou não fala, então ele dorme”” [Prasna 4, 2].

1

Síntese-reprodução do Capítulo 6, Prasna Upanishad, combinada com a parte pertinente contida no Capítulo 11, intitulado “O que ensinam as Upanishads”, do livro As Upanishad, de Carlos Alberto Tinôco, publicado em São Paulo, pela IBRASA, em 1996. De responsabilidade de Sarvananda Deva.

2

Observar que é a mesma Invocação da Mundaka Upanishad.

3

Meditadores das florestas da Índia, mestres espirituais da sociedade védica. Foram eles os verdadeiros elaboradores da literatura védica mais profunda e significativa, e não os brâhmanes, segundo alguns estudiosos [Tinôco, p. 341 do “As Upanishads”].

4

O sábio da Prasna Upanishad. Tinôco registra a que esta Upanishad representa um diálogo [prosa orientadora e reveladora] entre o mestre espiritual e os seus discípulos: Sukesha, Satyakama, Sauryayani, Kousalya, Vaidarbhi e Kabhandi, os quais, se pressupõe, praticaram austeridades durante um ano para estarem aptos para receberem o ensinamento.

5

Ao invés de reproduzir o texto integral da Prasna Upanishad, este sintetizador optou pela citação de versos vinculados aos tópicos do Capítulo 11 do livro de Tinôco. Vide nota de roda pé n.°1. Para cada tópico citar-se-á apenas um verso ou um conjunto de versos seqüenciados, apesar da indicação ampla, em regra, de Tinôco com vários versos e/ou conjunto de versos seqüenciados. A escolha recaiu exatamente naqueles que este sintetizador-reprodutor entende ser neste momento o mais representativo por facilidade de entendimento.

(2)

[Mas,] “Verdadeiramente, é o Atman quem vê, ouve, fala, cheira, saboreia, pensa, sabe e age. Ele é o Purusha. Ele está estabelecido no Supremo. Ele é o imperecível Atman” [Prasna 4, 9]. 6

2. As qualidades de Atman [Purusha]/Brahman [Imanência, transcendência, infinitude, eternidade, bem-aventurança, poder absoluto de criar, governar e extinguir o cosmo, etc].

“... Sukesha ... [pergunta ao preceptor] Pippalada: “... Onde está essa pessoa [de dezesseis partes]?”” [Prasna 6, 1].

“Pippalada respondeu: “Meu jovem, dentro deste corpo habita Purusha, que é a pessoa de dezesseis partes”” [Prasna 6, 2].

“O próprio Purusha respondeu: “Se, ao criar, penetro na minha criação, o que lá existe para me prender a ela? O que existe lá para eu abandonar quando for embora, ou para

permanecer dentro, quando lá fico?” [Prasna 6, 3].

“Assim refletindo, Purusha criou o Prana. Dele, criou a fé, e desta o éter, o ar, o fogo, a água, a terra, os órgãos, a mente e o alimento. Deste último, criou o vigor, a austeridade, os Vedas, os sacrifícios rituais e todos os mundos. Nos mundos, criou nomes” [Prasna 6, 4].

3. A possibilidade de se poder conhecer Brahman, Atman [ou Purusha], através do Yoga e sobre a impossibilidade de se conhecer Brahman, Atman [ou Purusha], através dos sentidos corpóreos, da racionalidade, do estudo dos textos védicos, da prática de rituais e sacrifício. 7

“... [o] homem sábio, meditando sobre o som OM [AUM], atinge o entendimento deste mundo através dos versos Rik [representados pela letra A]; atinge o entendimento do mundo intermediário através dos versos Yajur [representados pela letra U]; e atinge o entendimento do mundo superior, através dos versos Sama [representados pela letra M]. através da sílaba OM [AUM], ele atinge a tranqüilidade, permanecendo livre da

decrepitude, da morte, do medo, estabelecendo-se no mais elevado estado de felicidade” [Prasna 5, 7].

“Os fluentes rios que correm para o mar perdem suas identidades ao se dissolverem nele, de modo que não se pode falar sobre os rios quando se observa apenas o oceano. Portanto, quando os dezesseis elementos criados por Purusha retornam e desaparecem nele,

perdendo suas identidades como coisas separadas, então, pode-se falar apenas sobre Purusha...” [Prasna 6, 5].

6

O destaque dos versos Prasna [4, 1-2] é sugestão do sintetizador-reprodutor, com os quais, frente ao Prasna [4, 9], se estabelece que Brahman está no comando de tudo, porque permeia tudo, oferecendo o portal para a fórmula tântrica de percepção esotérica espiritual.

7

Apesar deTinôco não ter selecionado nenhum verso para este tópico, este sintetizador-reprodutor o fez, destacando o Prasna [5, 7,] considerando que a meditação [Darhana] é o estágio do Yoga Sutras de Patanjali, que proporciona o Samadhi, a união que realiza o mais elevado estado de felicidade. De igual forma destacou o Prasna [6, 5] para demonstrar que não se pode conhecer Brahman, Atman [ou Purusha], através dos sentidos corpóreos, considerando a analogia metafórica entre os rios, que convergem para o oceano, e as dezesseis partes, que é uma criação de Purusha, na qual está imerso, até a liberação.

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4. A mente [origem, estrutura, relação com o Atman] e sobre os estados da consciência.

“Do Atman nasce o Prana. Como um homem e sua sombra, Atman e Prana são inseparáveis. Através da atividade da mente, o Prana penetra no corpo” [Prasna 3, 3]. “Sauryayani ... indagou ao mestre Pippalada: “Mestre, quando o corpo de um homem dorme, quem dorme nele, quem está desperto e quem está sonhando quando o homem sonha...?”” [Prasna 4, 1].

“Pippalada respondeu: “... Nessa condição [quando um homem dorme] apenas Udana não dorme no corpo...”” [Prasna 4, 2-3].

“Samana distribui igualmente as duas oblações, isto é, a inspiração e expiração. A mente é como aquele que pratica o ritual; Udana é o fruto do sacrifício, porque conduz o que realiza o sacrifício todos os dias, em sono profundo, para Brahman” [Prasna 4, 4]. “Quando sonha, a mente assume experiências gloriosas. Revive suas ações passadas, podendo reviver qualquer coisa que tenha vivenciado, nesta ou em outras existências. Revive também o que não foi vivenciado pelo corpo, vendo e ouvindo, aproveitando ou não aproveitando tanto o real como o irreal. No sonho, a mente percebe tudo, sendo ela mesma tudo” [Prasna 4, 5].

“Quando Jiva [alma encarnada limitada pelo Upadhi] é subordinado pela ausência de luz, ele não sonha; nesse instante, no corpo, ele alcança a felicidade” [Prasna 4, 6].

5. O Prana [energia vital] e suas variações [Apana, Vyana, Samana, Udana]. “... Vaidarbhi ... indagou ao guru: “Mestre, quantos são os fatores deste corpo e quantos deles se manifestam através do corpo? Qual deles é superior?”” [Prasna 2, 1].

“O Prana, a energia primordial, ... [disse interferindo na resposta de Pippalada]: “Não vos enganeis [se direcionando ao éter, ao ar, ao fogo, à água, à terra, à fala, à mente, ao olho e ao ouvido]. Apenas eu, ao me dividir cinco vezes, mantenho o corpo unido e o sustento”” [Prasna 2, 3]. 8

“... Kousalya ... [pergunta] ao mestre Pippalada: “Mestre, de que nasce esse Prana? Como entra no corpo? Após de dividir, como fica ele no corpo e como existe fora do corpo?”” [Prasna 3, 1].

“Pippalada respondeu: ... Do Atman nasce o Prana. Como um homem e sua sombra, Atman e Prana são inseparáveis. Através de atividades da mente, o Prana penetra no corpo” [Prasna 3, 3].

“Como um rei usa subalternos para comandar seu palácio, dizendo: “Cumpram as regras deste reino”, assim, o Prana usa outras formas de si mesmo, cada uma delas em seus respectivos locais. Prana associa a si mesmo quatro tipos de Prana, sendo cada um delas,

8

Observar que neste verso a resposta dada por Pippalada, o mestre espiritual que conhece Brahman, se confunde com a manifestação da energia vital, oferecendo uma percepção esotérica.

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parte da matriz de onde saíram. A cada um deles é atribuída uma função diferente” [Prasna 3, 4].

“Prana propriamente dito, habita o olho, o ouvido, a boca e o nariz. Apana, o segundo Prana, governa os órgãos de excreção e os reprodutores. Samana, o terceiro Prana, está localizado na região umbilical e comanda e digestão e a assimilação dos alimentos” [Prasna 3, 5].

“O Atman reside no coração, de onde partem cento e um nadis; de cada um deles, partem uma centena de ramos e de cada um deles se origina setenta e dois mil outros nadis ainda menores. Em todos eles se move o quarto Prana, denominado Vyana” [Prasna 3, 6]. “Udana, o quinto Prana, é aquele que conduz o homem virtuoso para um nascimento mais elevado e o homem cheio de vícios e paixões, para um nascimento inferior. O homem possuidor de qualidades boas e más, Udana conduz ao renascimento no mundo dos homens” [Prasna 3, 7].

6. A sílaba sagrada OM [AUM], que representa Brahman.

“Satyakama ... perguntou ...: “Venerável Senhor, se alguém medita na sílaba OM durante toda a sua vida, que mundo ganhará, verdadeiramente, através desse meio?”” [Prasna 5, 1]. “Mestre Pappalada replicou: “Ó Satyakama, a sílaba OM (AUM) é o Supremo Brahman [Nirguna] e também o outro Brahman [Saguna]. Verdadeiramente, aquele que conhece isso, os dois aspectos de Brahman alcançará”” [Prasna 5, 2].

“Se ele medita sobre a letra A [da sílaba AUM] e sendo iluminado por isso, após a morte retornará imediatamente a este mundo. Os versos Rik o conduzirão ao mundo dos homens. Pela prática de austeridade, castidade e fé, ele adquire grandezas” [Prasna 5, 3].

“Se meditar sobre a segunda letra [U], ele alcança a mente e será levado para o alto pelos versos Yajus, que o farão alcançar o espaço intermediário, o Plano da Lua. Após desfrutar das grandes glórias do Plano da Luz, retornará novamente à terra” [Prasna 5, 4].

“Entretanto, se ele meditar no Elevado Purusha através das três letras [AUM], se unirá ao fulgente sol. Como a serpente que se liberta da sua pele no momento oportuno, assim ele se torna liberto do pecado. Ele será elevado ao Plano de Brahmam pelos versos Sama. A partir dessa condição ele se torna o Supremo Purusha, mais elevado que o mais alto, permeando todos os seres” [Prasna 5, 5]. 9

[Assim] “As três letras da sílaba OM [ou AUM], encaradas separadamente, são coisas inferiores. Encaradas juntas, meditando-se sobre a Realidade e usadas como propriedades na vigília, no sonho e no sono profundo, o buscador da verdade não tremerá” [Prasna 5, 6]. [Portanto] “Esse homem sábio, meditando sobre o som OM [AUM], atinge o entendimento deste mundo...; atinge o entendimento do mundo intermediário...; e atinge o entendimento do Mundo Superior... Através da sílaba OM [AUM], ele atinge a tranqüilidade,

9

Este sintetizador-reprodutor se arrisca a sugerir que o poder do Surya Namaskar [Saudação ao Sol] meditando em OM representa uma prática poderosíssima.

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permanecendo livre da decrepitude, da morte, do medo, estabelecendo-se no mais elevado estado de felicidade” [Prasna 5, 7].

7. A importância do papel do Guru [Mestre espiritual], na libertação dos discípulos [Moksha, Kaivalya].

“Pippalada disse aos discípulos: “Em verdade, eu conheço o Supremo Brahman; nada é maior do Ele”” [Prasna 6, 7)].

“Saudando o Mestre, os discípulos disseram: “Ó senhor, vós como um pai, nos levastes para além dos limites da ignorância. Saudações aos grandes Rishis! Saudações aos grandes Rishis”” [Prasna 6, 8)].

8. Os Gunas. 10

9. Os diversos corpos que “revestem” o Atman [upadhis] e a fisiologia mística [chakras, nadis e relação entre os Pranas e os órgãos sensoriais].

“... Vaidarbhi ... indagou ao seu guru: “Mestre, quantos são os fatores [poderes] deste corpo e quantos deles se manifestam através do corpo? Qual deles é superior?”” [Prasna 2, 1].

“Pippalada respondeu: “Eles são: éter, ar, fogo, água, terra, fala, mente, olho e ouvido. Todos estes, uma vez, manifestaram orgulhosamente seus poderes, dizendo: “Nós mantemos unidos este corpo e o sustentamos””” [Prasna 2, 2].

“O Prana, a energia primordial que comanda todos eles, interferiu dizendo: “Não vos enganeis. Apenas eu, ao me dividir cinco vezes, mantenho o corpo unido e o sustento”” [Prasna 2, 3].

“Os outros poderes do corpo, ouvindo o Prana falar, não acreditaram nas suas palavras. O Prana, para justificar sua afirmação, fingiu que sairia do corpo. Mas, ao se levantar aparentando sair, os poderes do corpo perceberam que se o Prana saísse, eles também teriam que partir; porém, quando Prana sentou novamente os poderes retornaram aos seus respectivos locais...” [Prasna 2, 4].

“Convencidos da verdade das palavras do Prana, os poderes do corpo disseram: “Prana queima como o fogo, brilha como o sol, chove como as nuvens, sopra como o vento; como Indra, governa os deuses”” [Prasna 2, 5].

“Satisfeitos com a importância vital do Prana, os órgãos dos sentidos disseram a ele: “Ó Prana, vós sois Prajapati... Vós sois o princípio dinâmico verdadeiro por detrás dos órgãos dos sentidos... Vós sois o Supremo Senhor. Nós somos aqueles que fazem sacrifícios para vós... Vós sois nosso verdadeiro pai. Ó Prana, vós que habitais no ouvido, na fala, nos olhos e penetrais as mentes, proporcionais alegrias para todos nós!. Ó nobre Senhor,

10

Tinôco não selecionou verso para este tópico, o que pressupõe que esta Upanishad nada aborda sobre os Gunas.

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protegei a todos, como fazem todas as mães. Dai-nos inteligência, saúde e propseridade”” [Prasna 2, 7-8-9-11-12-13]. 11

10. O Karama e o Samsara [ciclo de morte-renascimento].

“... Kabhandi ... aproximou-se de Pippalada e formulou a seguinte questão: “Venerável Senhor, como [é que as criaturas existem em vigília]?”” [Prasna 1, 3]. 12

“Pippalada respondeu: ... “Na verdade, o ano é Prajapati e há dois caminhos a seres seguidos: o do sul e o do norte. Aqueles que realizam rituais e se envolvem com atos piedosos esperando recompensas futuras, alcançam o Mundo Lunar, seguem o caminho do sul. Estes, verdadeiramente, retornam a este mundo novamente. Entretanto, os chefes de família que aspiram à progenitura e estão ligados ao mundo material, seguem o caminho do sul, voltado para o sol”” [Prasna (1, 4; 9)].

“Mas, aqueles que perseguem o Conhecimento, que estão em abstinência e fé, alcançam o portão do sol pelo solístico norte. Esse é o supremo caminho para o qual não há retorno...” [Prasna 1, 10)]. 13

11. Avidya [ignorância] e Maya [ilusão que o mundo produz através dos sentidos]. “Om! Sukesha ... Satyakama ... Sauryayni ... Kousalya ... Vaidarbhi ... [e] ... Kabhandi, devotos e buscadores da verdade interior, humildemente aproximaram-se do sábio Pippalada para ouvi-lo sobre assuntos referentes a Brahman. Pippalada disse: “Praticai austeridades, temperança e fé por um ano. Formulai, então, as perguntas que desejardes. Se souber, responderei”” [Prasna (1,1-2)].

[Seguida a orientação; feitas e respondidas as questões]... 14 12. A gênese do universo, do mundo e do ser humano.

“... Kabhandi ... aproximou-se de Pippalada e formulou a seguinte questão: “Venerável Senhor, como foi que todas as criaturas começaram a existir?”” [Prasna 1, 3].

“Pippalada respondeu: “Prajapati, o Senhor dos seres, após meditar, criou o sol [Prana], a energia primordial e a lua [Rayi], a doadora da forma, desejando que eles, que são macho e fêmea, produzissem as diversas criaturas”” [Prasna (1, 4)]. 15

c) Comentários 16

11

Não à toa, pode-se agora ratificar a importância dos exercícios de Pranayama [práticas respiratórias] para a saúde física e espiritual.

12

Pergunta adaptada pelo sintetizador-reprodutor. A pergunta original é: “Venerável Senhor, como foi que todas as criaturas começaram a existir?”.

13

Tinôco não selecionou esse verso que foi destacado pelo sintetizador-reprodutor para focar o caminho da liberação [Norte] em contraposição ao ciclo de nascimento-morte [Sul].

14

Releia os versos selecionados para o tópico 7. Esse trocadilho é de responsabilidade do sintetizador-reprodutor para demonstrar que o desejo de construir um caminho espiritual e a própria espiritualidade em si junto a um verdadeiro Mestre pode levar o buscador ao conhecimento discriminativo. Tinoco, como demanda o tópico, sugeriu apenas o verso Prasna [6, 8].

15

Adicionalmente, releia os versos destacados no tópico 2.

16

(7)

Esta Upanishad possui como tema central, a questão do Prana, a energia vital segundo o pensamento védico. O autor desce a detalhes, chegando a especificar as divisões dessa energia e as funções de cada uma delas. É o seu mais importante aspecto.

Cada um dos Prasnas [questões capitulares formuladas pelos discípulos ao mestre] está associado logicamente com o seguinte. Com precisão nos termos empregados, a verdade espiritual emerge do texto, levando o leitor do grosseiro ao sutil.

O Prasna 1 comenta sobre a criação dos seres vivos. A criação inteira, sutil e grosseira, é uma projeção do Prana. Como conseqüência, o Prasna 2 descreve o Prana como a força vital existente nos seres vivos, cujos órgãos são por ele mantidos e estão a ele

subordinados. Por sua vez, o Prasna 3 discute a origem do Prana, sendo este produzido pelo Atman, através do poder do Karma. Em seqüência, o Prasna 4 comenta sobre os estados de consciência, conhecidos como vigília, sonho e sono sem sonho. 17 Durante todos estes três estados, o corpo é mantido pela Prana. Os órgãos dos sentidos recebem

impressões do meio externo 18 e influenciam a mente, de modo que esta passa a produzir imagens durante o sonho. No sono sem sonho, a mente não produz imagens, permanecendo ligada à bem-aventurança do Atman. Já o Prasna 5 trata da sílaba OM, também

denominada AUM, como possuindo dois significados: o conhecimento inferior e o Conhecimento Superior. Meditando no OM, o buscador da verdade pode atingir a

Liberação final. Finalmente, o Prasna 6 discute os dezesseis aspectos de Purusha. Através da ignorância [avidya], Purusha cativo no corpo material manifesta-se como o ser humano, mergulhado na sua própria criação.

d) Ilustração Adicional 19

Tinôco chama a atenção para o fato de que as Upanishads Mundaka e Prasna possuem ensinamentos interdependentes. Na realidade, Shankaracharya informa que a Prasna Upanishad ensina de forma mais elaborada o que expõe a Mundaka Upanishad.

O objetivo desta ilustração adicional foi encontrar determinado ensinamento onde se possa constatar essa complementaridade. Para tanto, foram selecionados os ensinamentos sobre as qualidades do Atman destacados nas duas sínteses-reproduções.

Assim, se, por um lado, na Mundaka Upanishad, em seu verso [1,8], o autor afirma que Brahman se expande por meio da austeridade, fazendo surgiu a matéria primordial; desta o Prana, que por sua vez, faz surgiu a mente, e desta, surgiram os cinco primeiros elementos,

17

Segundo a Mandukya Upanishad, o silêncio, designado por Turiya, é o quarto estado de consciência. Os quatro estados reunidos formam o conjunto total global do Atman-Brahman dado pela sílaba OM. Vejamos o que diz seu último verso, o de número 12: “Turya é o quarto estado cujo campo de definição é destituído de som e sem partes, não está relacionado a nada [talvez aqui haja inteira equivalência com o conceito budista do Vazio Luminoso]; é a cessação dos fenômenos; é impronunciável; é o repouso último de todas as manifestações diferenciadas, é pacífico e bem-aventurado, não-dual. OM (AUM) é verdadeiramente o Atman. Quem sabe isto, une o seu Ser com o Atman – sim, quem sabe isto”. Ver Tinôco às páginas 212 e 214 do livro “As Upanishads”.

18

Pode-se supor que seja durante a vigília, sobretudo. Vale dizer, durante os sem-número de existências [Atman encarnado] pertinente ao ciclo de nascimento-morte-nascimento. A cessação dessas impressões, durante determinada existência mediante adoção de métodos de salvação, liberação e/ou iluminação é que oportuniza a salvação do Filho Crístico ao Deus Pai, a realização da igualdade Brahman-Atman e/ou o despertar do estado búdico/Vazio Luminoso.

19

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as palavras, a ação e a ordem total, por outro lado, na Prasna Upanishad,em seu verso [6, 3], o autor diz, através do próprio Purusha, que este, além de criar, penetrou na minha criação.

Esse confronto, além de demonstrar a complementaridade, sinaliza a complexidade que caracteriza os ensinamentos das duas Upanishads em tela, pois não se trata apenas de criar, mas de permear a própria criação, determinando o jogo cósmico, cujos gols devem ser aplaudidos ou celebrados com as salvações/liberações/iluminações dos seres

conscientes/sencientes quando estes se estabelecem no caminho espiritual. Ressalte-se que esses gols podem dar-se pela ação da Graça Divina.

O grande problema é o erro tático-estratégico da humanidade na medida em que, conforme sugere W. Y. Evans-Wentz, no seu prefácio à terceira edição de 1955 do livro por ele organizado e intitulado “O Livro Tibetano dos Mortos”, publicado pela Editora Pensamento, em São Paulo, em 2008, desperdiça, nas coisas triviais deste mundo, do planeta Terra, a oportunidade suprema oferecida pelo nascimento. Pois que perdida a oportunidade de realizar a salvação/liberação/iluminação, a criatura se mantêm no ciclo infindável de nascimento-morte.

Hodiernamente, essa oportunidade é subtraída, em grande medida, pela natureza do estado moderno/sistema capitalista que explora os grandes cinco venenos [orgulho; avareza; raiva; inveja; ignorância] que obscurecem a mente, mantendo-a na ignorância, esta o principal deles 20. Falo especialmente da avareza que alimenta a competição e, por conseguinte a acumulação. Na verdade, deveríamos estar buscando uma organização social que

praticasse a doação e a devoção ao invés da acumulação. Mas, por outro lado, não devemos ter aversão a esse processo, pois deve ser o tempo próprio do jogo divino. No momento oportuno, a inflexão será inexorável.

Essa inexorabilidade oportunizará a perspectiva de uma integração da humanidade liberada/salva/iluminada. Nesse além espaço-tempo, o universo manifesto em toda a sua infinitude estará contraído ou extinto em seu Vazio Luminoso, em Brahman, em Deus. Quando então, após infindáveis novas eras, outra derivação reiniciará uma nova partida, dando seqüência ao jogo cósmico. A inflexão, por sua vez, pode estar sendo construída com um novo marco civilizatório sob a égide da sustentabilidade, estruturada em capital consciente, tecnologia limpa e consumo inteligente, o início de um longo caminho para a prática da solidariedade econômica, superada a competição entre indivíduos, firmas e países. Talvez até mesmo superada as concepções de firma e país.

Nessa nova era insondável pela cognição, talvez os seres tenham superado a, como diz Terry Eagleton ao apresentar o livro “Jesus Cristo: os evangelhos”, publicado pela Zahar, no Rio de Janeiro, neste 2009, recalcitrante condição humana expressa pela perversidade do desejo humano, pelo predomínio da idolatria e da ilusão, pelo escândalo do sofrimento, pela tediosa persistência da opressão e da injustiça, pela escassez da virtude pública, pela insolência do poder, pela fragilidade da bondade e pelo formidável poder do apetite e do interesse egoísta. Certamente tal condição de existência deve ser possível em algum espaço-tempo atual e em paralelo ao planeta Terra entre seres de composição sutil, onde o grosseiro estruturado pelos sentidos humanos, especialmente do corpo, da fala e da mente, estejam refinados e purificados.

20

Essa idéia foi sugerida por Clarice Strauss, num diálogo breve, mas muitíssimo interessante, realizado no Centro Budista Khadro Ling, em Três Coroas, Rio Grande do Sul, no início de setembro deste 2009.

(9)

Talvez nessa nova era não haja sofrimento e dor tão conhecida dos seres conscientes/sencientes.

A citação da perspectiva cristã e budista a partir de um exercício hindu representa uma prática à tolerância enquanto fio condutor da equanimidade, pois que todos nós, em vigília, estamos imersos no oceano samsárico. Portanto, carentes de salvação, de liberação, de iluminação. Assim, todos precisam reencontrar a verdadeira Luz, que ilumina [Brahman] e habita [Atman] todo homem que vem a este mundo, conforme anunciou Jesus através de João [I; 9], para a promover a dissipação das trevas da ignorância, conforme ensinou Budha.

Referências

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