East Timor Agriculture Network and Virtual Library
Rede agrícola e biblioteca virtual de Timor LesteDocumento:TA044 VARIABILIDADE DAS CHUVAS EM TIMOR
Author: Manuel Alberto Lopes da costa Alves Date: 1973
Published by: SERVIÇO METEOROLÓGICO DE TIMOR
Summary
Variability of Rainfall in East Timor
This is study on the annual variability of rainfall in East
Timor, done using average, standard deviation and the coefficient
of variation.
Two maps of presented: one of equal rainfall variability and
another of the areas with equal rainfall. A table is also provided
with the number of years of observations, average rainfall, standard
deviation and the coefficient of variability.
The stud y of rainfall variability is important for farmers,
specially as it influences the planting time. If there is a great
variability in the first rains, then farmers might want to postpone
planting.
The authors conclude that the variability is generally highe r
in areas with lower average rainfall.
Resumo
Este é o estudo da variabilidade anual das chuvas em
Timor-Leste, feito utilizando a média, “desvio padrão” e o
“coeficiente de variabilidade”.
São apresentadas suas mapas: uma da variabilidade das
chuvas e outra das áreas com igual precipitação (chuva). Também é
apresentada uma tabela com o número de anos de observação,
chuvada média, “desvio padrão” e o “coeficiente de variabilidade”.
O estudo da variabilidade das chuvas é muito importante
para os agricultores, especialmente porque influência a época das
sementeiras. Se existir uma grande variabilidade nas primeiras
chuvas, então os agricultores talvez queiram atrasar a plantação.
Os autores concluem que a variabilidade é geralmente
maior nas áreas com menores chuvas.
Rezumu
VARIABILIDADE BA UDAN BEN IHA TIMOR
Resumo ida ne’e hanesan estudo id ba variabilidade husi
udan ben iha Timor -Leste, nebe halo hodi utiliza media ba “desvio
padrão” no “coeficiente de variabilidade”.
Ida nebe aprenta iha ninia mapa: variabilidade ida ba udan
no seluk tan ba fatin sira nebe maka udan ben hanesan. Nune mos
aprenta iha tabela ida ho numero ba tinan hirak nebe halo
observasaun ba media husi udan ben ba “desvio padrão” no
“coeficiente de variabilidade”.
Estudo ba variabilidade husi udan nian importante tebes ba
agrikultore sira tamba iha influensia iha tempo ba ai musan nian.
Bainhira iha variabilidade nebe maka boot tebes iha udan ba dal
uluk entaun agrikultores sira bele halo sira nia plantasuan tarde
oituan.
Autores halo konklusaun ida katak variabilidade boot liu iha
fatin sira nebe apresenta udan ben oituan deit.
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This is a project of the University of Évora, made possible through a grant from the USAID, East Timor. info: [email protected]
SERVIÇO METEOROLÓGICO DE TIMOR
VARIABILIDADE DAS CHUVAS EM TIMOR
P o r
Manuel Alberto Lopes da costa Alves Chefe do S. M. T. Díli, Junho 1973
Manuel Alberto Lopes da Costa Alves
Í N D I C E
Pág.
1 — Introdução ... 3
2 — Os Coeficientes de variação ... 3
3 — A variabilidade das chuvas em Timor ... 4
4 — 0 Factor releva ... 6
5 — Quadro I ... 7
6 — Carta de linhas de igual coeficiente da variabilidade 8 7 — Carta de isoietas da precipitação média anual ... 9
1 - INTRODUÇÃO
0 Presente trabalho é complemento de um outro publicado em Maio - "Distribuição da precipitação em Timor" - e destina-se a especificar certas características do que l ê parâmetro meteorológico. Além disso, integra-se na intenção de representar climatologicamente a Província e, assim, pôr à disposição dos utilizadores da informação meteorológica dados actualizados e funcionais.
Segue-se aqui, também, em certos aspectos, o esquema usado em 1957
pelo Eng. José Maria da Rosa, antigo chefe do S.M.T., para analisar a variabilidade das
chuvas.
0 Grande óbice residiu na reduzida dimensão do q u a dro do pessoal técnico do Serviço que, de uma maneira geral, não permite grandes incursões fora do trabalho de rotina. Nessa medida, as operações prolongaram-se morosamente por Março, Abril e Maio havendo a registar a colaboração dos observadores Vasco Menezes e Afonso Gonçalves que realizaram uma parte (pequena, pelos motivos apontados) dos cálculos e a do ajudante de observador Jorge Remédios no aspecto gráfico. Pequenos lapsos existentes serão facilmente detectados pelo leitor. Por exemplo, o que na c a r ta das linhas de igual coeficiente de variação coloca Atsabe onde devia estar Maubisse e aquele que, na mesma carta, a linha de 20%, que abrange o planalto de Baucau, um pouco a sul do aeroporto quando devia levá-la levemente a norte.
A carta referente à precipitação média anual foi construída com base em valores diferentes dos utilizados na publicação "O Clima de Portugal", fascículo XII, dedicado a Timor. Não podíamos, obviamente, entrar com uma quantidade média anual formada a partir das médias mensais. Além disso, manipulámos somente os valores apurados desde a criação do S.M.T. Esse conjunto de circunstâncias explica algumas diferenças entre os dados que apresentámos e os que a publicação referida, por sua vez, contém. No entanto, as discrepâncias mais significativas referem--se a estabelecimento que possuíam, à data da saída da que lá publicação, poucos anos de funcionamento.
2 - OS COEFICIENTES DE VARIAÇÃO
0 Tratamento estatístico das precipitações anuais vai permitir-nos conhecer a posição do valor médio numa série de observações; o cálculo dos coeficientes de
Manuel Alberto Lopes da Costa Alves
variação dará uma ideia da dispersão dos valores registados em relação a esse valor central. Irá, por conseguinte, demonstrar a sua representatividade. Altos coeficientes corresponderão a grande dispersão. Nesse caso, a média não cai numa zona de apertado povoamento; grande parte dos valores apresenta desvios consideráveis para o valor central. Nessa altura, a esperança desse valor é pequena acontecendo, antes, a recolha de quantidades que lhe são muito superiores ou muito inferiores. Em contrapartida, baixos coeficientes de variação indicam haver a esperar valores próximos da média e permitem defini-la como representativa.
É isso, aliás, que está implícito na formulação matemática doa parâmetros invocados e que, talvez, interesse afixar.
A) - A média aritmética R
O valor central mais simples e o mais adoptado. Uma série de n valores Rl, R2 ,
… Rn terá como média
∑
==
n i iR
n
R
11
Obter-se-à dividindo o somatório das quantidades anuais da precipitação pelo número de anos de observações.
B)- O Desvio padrão sR
Utiliza a média como valor central e especifica – se coro sendo a média dos quadrados dos desvios do valor médio para os valores observados.
SR=
∑
=−
n iR
Ri
n
1 2)
(
/
1
C) – 0 Coeficiente de variação vRÉ a seguinte relação entre o desvio padrão e a média aritmética
R
s
V
RR
=
Apresenta – lo – emos sob a forma percentual
100
*
R
S
V
R R=
3 – A VARIABILIDADE DAS CHUVAS EM TIMOR
Como vimos, o coeficiente de variação de um determinado parâmetro atesta a representatividade do seu valor médio. A sua aplicação a precipitação anual
em Timor complementa necessariamente o estudo do comportamento desse indicador clima tol6gico, embora com uma eficácia relativa. Seria de grande utilidade aproximar o mesmo esquema de cálculo e de análise preferentemente aos regimes sazonais ou, mesmo às observações. Desse modo, seria possível tratar com séries insertas em r e g i - m e análogo o que no caso de Timor se torna fundamental dada a multiplicidade micro climático e a duração variável da estação das chuvas de região para região. Além disso, nunca é demais invocar estrutura fisiográfica da ilha e os condicionalismos que impõe à circulação geral atmosférica, a actuação das monções,
das zonas de convergência e dos campos de acção.
Fizemos uma pequena sondagem calculando os coeficientes de variação para cada uma das épocas chuvosas. e seca dos seguinte 10 pontos: D í 1 i , Baucau, Aileu, Fatu – Bessi, Maliana, Turiscai, Laclúbar, Loré, Atsabe e Hatu – Builico. Mais adiante apresentaremos os seus resultados. Regista – se a diminuta expressão do ensaio. De qualquer maneira, são possíveis e algumas conclusões acerca da variabilidade da precipitação média durante as estações chuvosa e seca perante a variabilidade da precipitação média anual.
O exame das expressões atrás mencionadas permite concluir que valores baixos dos coeficientes de variação correlacionam pequenos desvios padrão e elevados valores
da precipitação média anual. Pequenos desvios padrão exigem valores baixos para o
radicando
n
R
R
n i i∑
= 1 2)
_
(
O que se traduz em diferenças Ri – R pequenas, portanto grande
concertação das quantidades anuais em torno do respectivo valor médio. Por conseguinte, existe, em geral, uma correlação inversa entre os valores médios da precipitação e os coeficientes de variação o que implica que a variabilidade tenda a ser maior onde as quantidades de precipitação recolhidas sejam menores.
Cumprem genericamente estas condições as zonas montanhosas da metade oeste da província e os seus prolongamentos para leste. Concretamente, as regiões Ermera – Fatu-Bessi – Serra de Maubara e Lete-foho – Atsabe – Ainaro, O triângulo Laclubar – Turiscai – Soibada, O planal to de Baucau, os montes Laritame, Mundo
Manuel Alberto Lopes da Costa Alves
perdido e matabia e a região de Luro.São zonas cujo valor médio da precipitação anual se estabelece entra 2000 e 2500 mm, com excepção da linha Baucau-Venilale-Ossú-Viqueque e a serra de Maubara onde se recolhem valores a 2000 mm.
No entanto, nem todas as áreas com precipitação anual dessa ordem têm o mesmo comportamento Maliana – Lolotoi, Same – Hato Builico e Lospalos são pontos onde os altos valores médios têm a função de amortecer a grande dispersão dos valores anuais observados.
Por outro lado, e fácil correlacionar baixos valores da precipitação média anual com altos, coeficientes de variação. Toda a costa norte (Subão, Manatuto, Laga-Laivai-Lautém) e certos prolongamentos para sul (Remexio-AilauwMaubisse-Same) e a costa sul: especialmente as zonas Lospalos, sueste de Barique, Zumalai-Foho-sm-Suai estão neste caso.
De uma maneira geral, a variabilidade do valor médio anual acompanha a variabilidade do valor sazonal chuvoso. Por conseguinte, as baixas variabilidade detectadas ficam a dever-se, fundamentalmente a estação das chuvas, período em que, naturalmente, se recolhem as grandes quantidades anuais de precipitação e as menores dispersões em relação aos valores m6dios.0 cálculo do coeficiente de variação aplicado aos semestre chuvoso conduz a valores da mesma ordem de grandeza dos encontrados para o coeficiente de variação da quantidade média anual de precipitação. Em contrapartida, os apurados para o semestre seco revelara-se muito altos.
Uma breve sondagem aplicada a 10 pontos da rede fluviométrica deu os seguintes resultados:
Estações Sc Mc (mm) Dp (mm) Cv Ss Ps Dp (
Aileu Nov-Abr 1455 573 39 Mai-Out 253 210 83
Atsabe 1779 323 18 226 158 70
Baucau Dez-Mai 1130 239 21 Jun-nov 188 172 91
Díli 670 130 19 206 177 86
Fatu-bessi Nov-Abr 2477 381 15 Mai-Out 444 264 59
Hato-Builico Dez-Mai 1860 510 27 Jun-Nov 401 246 61
Laclubar Nov-Abr 1856 512 28 Mai-Out 344 190 55
Loré Jan-Jun 1342 275 21 Jul-Dez 347 233 67
Maliana Nov-Abr 1856 512 28 Mai-Out 264 196 74
Turiscai Daz-Mai 1629 360 22 Jun-Nov 366 201 55
Sc = Semestre chuvoso. Mc = Precipitação
Em Atsabe, Díli, Fatu-Bessi, Laclúbar, Lore e Maliana o coeficiente de variação calculado para o semestre chuvoso ó menor do que o calculado para o ano. Neste caso a série anual contribui para uma maior dispersão do valor sazonal; este valer tem por consequência maior representatividade do que o anual, conclusão que comporta um certo
significado já que, no caso de Timor, interessa fundamentalmente uma estação pluviosa de pequena variabilidade. Os aproveitamentos hidro-agricolas podem e dentro fazer-se com outra eficácia e racionalidade. Note-se, no entanto, que os exemplos apresentados congregam pontos com algumas diferenças na variabilidade (15% em Fatu--Bessi a 28% em Maliana, no semestre chuvoso; o coeficiente de variação anual é respectivamente 21% e 33%). A quantidade da precipitação bastante elevada da 9poca das chuvas de Fato-Besi (2.477 mm) e responsável pelo baixo valor da sua variabilidade sazonal.
Em contrapartida, a baixa variabilidade verificada em Laclubar (16%) relativamente a distribuição dos 1603 mm da sua época chuvosa e uma prova categórica da grande regularidade das chuvas na área.Com este valor médio presente no denominador da expressão matemática já citada o baixo coeficiente de variação provém fundamentalmente da contribuição de um somató-rio de pequenas diferenças dos valores semestrais para a sua média (Ri - R) o qual implica grande concentração das quantidades observadas em torno do valor central).
Em Aileu, Baucau, Hato-Builico e Turiscai o coeficiente de variação calculado para o
semestre chuvoso é maior do que
o calculado para o ano. Nestas casotas quantidades de precipitação ocorrida durante o semestre seco contribuem para uma diminuição do coeficiente de variação relativo ao semestre chuvoso.
Os cálculos efectuados para o semestre seco assinalam coeficientes de variação muito elevados, oscilando entre 55% em Laclúbar e Turiscai e 91% em Baucau. Estes valores exprimem a existência de uma época pluviosa mais prolongada para os pontos de menor
coeficiente de variação onde se sente o peso da regularidade da acção de certas situações
sinópticas. Toda a parte leste, a costa sul e certas zonas montanhosas centrais, região onde a duração da época pluviosa igual ou superior a 7 meses, estão neste caso.
3 - FACTOR RELEVO
É do conhecimento geral que o factor relevo impõe comportamentos forçados as massas de ar que atravessam uma região. No caso de Timor a sua acção processa-se através de uma ordem complexa de situações e efeitos. Trate-se de uma ilha muito acidentada que oferece formas diversas de resistência circulação dominante.
Assim, o ar húmido forçado a elevar-se ao longo da encosta exposta ao vento, expande-se acrobaticamente, arrefece e pode atingir o nível de condensação. Nessa altura verifica-se a passagem ao estado liquido do vapor de água que contém podendo uma parte dessa quantidade de meio condensado precipitar. Torremos, por conseguinte, na face de barlavento, formações nebulosas de tipo cu multiforme com bases relativamente baixas. Ataúro comprova perfeitamente o que disse. A observação do comportamento dos sistemas nebulosos persistentes sobre a ilha induz alguns resultados mais.
Manuel Alberto Lopes da Costa Alves
Se tiver ocorrido precipitação na encosta exposta acção do vento, a altura da base das nuvens na vertente de sotavento será maior do que a da de barlavento.0 efeito será tanto mais intenso quanto maior for a quantidade de precipitação, a elevação da montanha e a velocidade do vento.
Por outro lado, há perturbações introduzidas na repartição das temperaturas. A encosta de barlavento fica a temperatura inferior a de sotavento e a humidade, da massa de ar baixa consi-deravelmente após ter franqueado a crista.
Este fenómeno geralmente designado por "efeito Foehn" e permite explicar a razão por que uma cadeia montanhosa forma geralmente um limite nítido entre os climas das duas regiões que separa. Se atendermos às situações de simples acção de um regime dominante em cada estação podemos sintonizar diferenças substanciais no comportamento dos parâmetros meteorológicos e distinguir microclimas entre as regiões expostas ao vento, as definidas da sua acção e a plataforma plana que cerca a monte. Ataúro, Wetter, o Tata-Mai-Lau, o MateBian, o Mundo Perdido, etc. são poucos exemplos dos muitos que por ai abundam para aprovar este esquema.
No entanto, é extraordinariamente difícil estabelecer modelos simples de comportamento das massas de ar sujeitas e acção do relevo. Sobretudo na metade oeste da Província onde o enrugamento intenso da crusta impõe extrema comparticipação dos efeitos provocados na massa de ar, originando-se, de uma maneira geral, uma extensa mancha nebulosa cobrindo toda a zona montanhosa com eficácia fluviométrica acumulada aqui e atenuada além. Trata-se, pois de um jogo muito complicado.
Naturalmente, a tentativa de fixar um esquema acerca da variabilidade da precipitação reflecte essas dificuldades.