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Ciênc. saúde coletiva vol.17 número9

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Academic year: 2018

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L Violências e acidentes, um desafio ao Sistema Único de Saúde

Este número temático de Ciência & Saúde Coletiva apresenta uma série de estudos e análises sobre

violência e seu impacto na saúde. As causas externas, acidentes e violências, constituem um importante problema de saúde pública, resultando em lesões físicas, mortes, transtornos psicológicos e sequelas, além de elevados custos sociais e econômicos. No Brasil estas são a terceira causa de morte no país com 143.256 óbitos em 2010 e a primeira causa de morte na faixa etária de um a 39 anos. As lesões e mortes no trânsito causaram 42.844 óbitos em 2010, vitimando predominantemente homens e jovens. Pela primei-ra vez as mortes por condutores de motocicleta, ultprimei-rapassaprimei-ram os óbitos por condutores de automóveis e pedestres. Os homicídios por sua vez resultaram em 52.260 óbitos, mostrando a tragédia cotidiana e a necessidade de desenvolver politicas de promoção da saúde e da cultura de paz.

Este número apresenta um panorama das violências no país, sobretudo as domésticas, que passaram a ser reveladas a partir da notificação compulsória de violência, que integra o sistema de Vigilância de Violências e Acidentes (VIVA), implantado em 2006 pela Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (MS). O VIVA tornou-se um importante instrumento para conhecer a magnitude, a distribui-ção e a tendência destes eventos. Os dados aqui analisados advêm dos dois componentes: VIVA Inqué-rito, realizado periodicamente nas portas de entrada de emergências e VIVA Contínuo, realizado por meio da notificação das violências doméstica, sexual e outras interpessoais ou autoprovocadas em servi-ços de saúde e registrados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). Os artigos aqui apresentados mostram análises sobre atendimentos relacionados às violências e acidentes em crian-ças, adolescentes, adultos e idosos, além de análises sobre mortalidade.

O MS incluiu a prevenção de violências e acidentes na sua agenda, responsabilizando-se não apenas pela assistência e reabilitação das vítimas, mas também pela promoção à saúde, prevenção e vigilância de violências e acidentes. Dentre as iniciativas, destacam-se a publicação, em 2001, da Política Nacional de Redução da Morbimortalidade por Acidentes e Violências, em 2006 a Política Nacional de Promoção da Saúde, a Rede Nacional de Núcleos de Prevenção das Violências e Promoção da Saúde, implantada em 2004 pelo MS. Esta Rede atualmente conta com cerca de 800 entes federados em todo o país e tem desenvolvido ações de vigilância, prevenção de violências, de promoção da saúde, articulando com redes de atenção e proteção às pessoas em situação de violências. Destaca-se ainda o Projeto de Redução da Mor-bimortalidade por Acidentes de Trânsito implantado em 2002 e o Projeto Vida no Trânsito; este último faz parte de uma iniciativa mundial denominada Segurança no Trânsito em Dez Países (RS-10) e foi implan-tado em cinco capitais em 2010 e expandido para todas as demais capitais em 2011. Outra iniciativa envolve a parceria entre o Ministério da Saúde, e o Centro Latino Americano de Estudos de Violência e Saúde Jorge Careli (Claves/ENSP/Fiocruz) que possibilitou a terceira edição do Curso a Distancia de prevenção de violências. Estas iniciativas têm fortalecido a prioridade do tema no contexto do SUS.

Espera-se que essa coletânea possa contribuir para a melhor compreensão do impacto da violência na saúde, além de despertar a reflexão, a discussão e a aproximação com a complexidade do fenômeno das violências, que abarca diversas tipologias e naturezas. Com isto espera-se que o mesmo contribua com a elaboração de estratégias efetivas a serem executadas pelo setor saúde em articulações com os demais setores no enfretamento das violências, multiplicando-se ações que promovam a saúde e a cultura da paz e que garantam a não violação de direitos!

Referências

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