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Cad. Saúde Pública vol.27 número9

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Academic year: 2018

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1664

Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 27(9):1664-1665, set, 2011

EDITORIAL

Usuários de cocaína (UC) apresentam inúmeros agravos à saúde, como as infecções pelo HIV, hepatite B (HBV ), hepatite C (HCV ) e sífilis, cujas taxas de prevalência são superiores às da população geral.

Considerando a marcada redução do número de UC que injetam, principalmente na América do Sul, o papel de outros fatores deve ser cuidadosamente avaliado no entendi-mento da dinâmica das infecções pelo HBV e HCV, para elucidar ações de saúde públi-ca objetivando reduzir a difusão destes patógenos. A exposição parenteral é fundamental, sendo amplamente documentada na literatura. Não obstante, parte substancial dessas in-fecções não apresenta história de exposição parenteral, sendo impreciso o papel de fatores como as contaminações com material não esterilizado, uso compartilhado de utensílios para cheirar ou fumar cocaína e sexo desprotegido.

Recentemente, na Argentina e Uruguai, achados consistentes se encaixam sugerindo que o HBV associa-se à transmissão via contato sexual desprotegido e que o compartilha-mento de canudos é relevante na possível disseminação do HCV entre UC não injetáveis com destaque, nesta última, para as interações de possíveis redes sociais com UC injetá-veis e/ou pessoas que vivem com HIV/AIDS.

Entretanto, a epidemiologia dessas infecções entre UC continua incompletamente elu-cidada, sugerindo que ademais ao modelo de risco individual, dever-se-á pensar em um modelo que vá além, incluindo abordagens microssociais, macrossociais e estruturais.

Dentro desta perspectiva podemos elencar: (1) globalização: deslocamento do consu-mo de usuários injetáveis ruconsu-mo a estratos sociais mais numerosos representados pelos não injetáveis e disponibilização da cocaína e derivados em termos continentais; (2) desigual-dades: contribuição desproporcional de segmentos socialmente vulneráveis da popula-ção na disseminapopula-ção de infecções; (3) fragilidade institucional: intervenções modestas em estratégias de prevenção, incluindo redução de riscos e disponibilização de imunização, aconselhamento ou tratamento; (4) redes sociais: intensas inter-relações de contatos po-tencialmente de risco, traduzidas ou não em interações efetivas de risco, colocando em situação de exposição um indivíduo infectado e um ou mais indivíduos suscetíveis; (5) ur-banização acelerada: resultando em contextos urbanos com intensificação e potencializa-ção de todos os fatores acima acompanhados de sobrecarga generalizada dos sistemas de atenção aos usuários de droga, seja do ponto de vista da saúde, seja da assistência social e do sistema de justiça penal.

Considerando que a interconectividade entre globalização, urbanização e difusão das doenças infecciosas não é nova, como elucidado pela pandemia da AIDS, um dos exem-plos mais impressionantes da convergência da mobilidade das populações, urbanização e interface inter-humana, o que está faltando?

Os modelos analíticos mais comumente aplicados em saúde pública limitam nossas possibilidades de inferência sobre a determinação do comportamento de saúde por mul-tifatores, provavelmente relacionados, entre os diferentes níveis de influência (indivíduos, redes sociais, vizinhança, governos). Modelagem dinâmica como sistemas complexos po-dem ser úteis, permitindo a adoção de uma abordagem epipo-demiológica social no compor-tamento de saúde e do uso de drogas, em particular, fornecendo um modelo integrado que permite incorporar fatores em múltiplos níveis de influência. A partir da conciliação de di-ferentes métodos e níveis de investigação, respostas advirão permitindo um entendimento aprofundado da dinâmica das redes sociais e suas multi-interconectividades.

Hepatites virais e vulnerabilidade em usuários de cocaína na

América do Sul

Waleska Teixeira Caiaffa

Observatório de Saúde Urbana de Belo Horizonte, Universidade

Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, Brasil.

[email protected]

Diana Rossi

Intercambios Asociación Civil, Buenos Aires, Argentina.

Referências

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