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Tatiane Alves

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FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DO MUNICÍPIO DE ASSIS – FEMA INSTITUTO MUNICIPAL DE ENSINO SUPERIOR DE ASSIS – IMESA

Coordenadoria de Jornalismo

Tatiane Alves

A extenção da rádio na web

Assis

2009

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FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DO MUNICÍPIO DE ASSIS – FEMA INSTITUTO MUNICIPAL DE ENSINO SUPERIOR DE ASSIS – IMESA

Coordenadoria de Jornalismo

Tatiane Alves

A extenção da rádio na web

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Coordenadoria de Jornalismo da Fundação Educacional do Município de Assis – FEMA e do Instituto Municipal de Ensino Superior de Assis – IMESA como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Jornalismo.

Orientadora: Prof.ª Dr.ª Alcioni Galdino Vieira

ASSIS 2009

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BANCA EXAMINADORA

_________________________________________

Presidente e Orientadora: Prof.ª Dr.ª Alcioni Galdino vieira

__________________________________________

Examinador: Prof. Ms. David Valverde

____________________________________________

Examinador: Prof.ª Ms. Maria Lídia de Maio Bignoto

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DEDICATÓRIA

Quatro anos de aprendizagem e novos amigos, mas está chegando ao fim um período único em minha vida, onde sonhos tornaram-se realidade. As conversas com os amigos, as aulas, os professores ficarão guardados para sempre na minha memória e no meu coração.

Dedico este trabalho aos amigos de verdade, em especialaos meus pais Florisa e Lourenço que sempre estiveramdo meu lado, ao meu irmão Antonio e a minha filha Giovanna.

Também ao amigo Valdir que em todas as horas esteve do meu lado lado me apoiando e me ajudando.

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AGRADECIMENTOS

Agradeço em primeiro lugar a Deus, pelo termino deste trabalho, pois foi ele ele quem me deu força para realizá-lo. À professora Alcione Galdino Vieira, pela atenção e dedicação que sempre demostrou. O professor David Lucio de Arruda Valverde e a professora Maria Lídia de Maio Bignotto pela colaboração no trabalho. E todos os professores do curso de jornalismo que sempre me apoiaram e contribuiram paraminha formação.

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RESUMO

A rádio pela Internet é uma nova plataforma para uma nova rádio: a Web Rádio. Ela oferece a emissoras e ouvintes a possibilidade de romper as barreiras de tempo e espaço, adicionando também interatividade e novas oportunidades de comunicação.

O ouvinte/internauta é protagonista de um novo conceito de feedback radiofônico.

Dessa forma, este trabalho analisa as características da transmissão radiofônica online e perspectivas para a área da Comunicação Social em rede.

Palavras-chave: Web Rádio, Jornalismo; Comunicação.

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ABSTRACT

The Internet radio is a new platform for a new Radio: Web Radio. It gives broadcasters and listeners the possibility break the barriers of time and space, adding also interactivity and new opportunities for communication. The listener / surfer is the protagonist a new concept of feedback radio. Thus, this paper analyzes the characteristics the radio broadcast and online prospects for the area Social Communication Network.

Keywords: Web Radio; Journalism; Communication.

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO... 09

CAPÍTULO 1 A HISTÓRIA DO RÁDIO... 12

1.1 A História do Rádio no Brasil... 13

1.2 Os anos dourados do Rádio... 17

1.3 A chegada da televisão... 19

1.4 O rádio e o ouvinte... 20

CAPÍTULO 2 A EXPLOSÃO DA INTERNET... 23

CAPÍTULO 3 HISTÓRICO DO RÁDIO NA WEB... 27

CAPÍTULO 4 CARACTERÍSTICAS DA WEB RÁDIO... 34

4.1 O perfil do novo ouvinte... 34

4.2 Transmissões de som pela Internet... 36

4.3 Transmissões em webcasting... 38

4.4 Tipos de Web Rádio... 39

4.5 As vantagens da união entre os meios... 42

4.6 As programações via Web... 43

4.7 O futuro do rádio... 44

CAPÍTULO 5 AS TRANSMISSÕES ESPORTIVAS ATRAVÉS DA INTERNET... 46

CONCLUSÃO... 50

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS... 52

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ANEXO: GLOSSÁRIO DE TERMOS DA WEB RÁDIO... 54

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No Brasil, o rádio já existe há mais de 80 anos desde sua primeira transmissão em 1922, no Rio de Janeiro. A partir daí toda a grande trajetória do veículo esteve marcada por uma grande expansão tanto em termos territoriais como no sentido de relevância social e tecnológica.

Acompanhando as tendências mundiais, em 1996 um grupo liderado por José Carlos Arco Verde, e também com o auxilio de Renato Lins que já tinha um programa de rádio em Recife, decidiu fazer um programa de rádio exclusivo para a Web. O grupo lançou a Manguetronic Net Rádio, difundida pelo endereço www.manguetronic.com.br. Foi o primeiro programa de rádio da América Latina desenvolvido para a Rede.

Com a expansão de serviços de acesso à Internet, incluindo tecnologias como wireless (Internet sem fio), uma nova mídia começa a se configurar. Muitos a denominam hipermídia, uma espécie de meio de comunicação híbrido, que congrega transmissões de rádio, TV, cinema, páginas Web, entre outros. Esse novo formato da comunicação midiática contemporânea chega de forma contundente às residências, aos ambientes de trabalho e aos ambientes públicos de acesso à Rede.

Qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo, pode acessar a sua rádio preferida, mesmo aonde as ondas não chegam, basta que a transmissão seja também disponibilizada via Internet.

As emissoras de rádio que não se atualizarem certamente ficarão cada vez mais enfraquecidas no mercado. Além disso, qualquer cidadão pode ter a sua própria rádio na Web, a partir de agora não importa mais se está localizada no interior do Amazonas ou na Grande São Paulo, as rádios utilizarão o mesmo ciberespaço, ou seja, a mesma plataforma tecnológica.

A Rede Mundial de Computadores oferece cada vez mais ao rádio outras características que ele não tinha condições físicas de ter e que eram exclusivas de outros meios de comunicação. Com isso, a forma de recepção radiofônica muda substancialmente. Na realidade, a Web constrói uma comunicação diferente das já existentes, exatamente por situar os veículos de comunicação em um espaço híbrido e multimidiático.

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Existem muitas dúvidas e incertezas no que se refere às características da Web Rádio e sua configuração no âmbito da hipermídia e da cibercultura. Assim, torna-se necessário desenvolver um estudo mais aprofundado sobre seus modos de funcionamento e sua relação com as atividades jornalísticas, por meio de levantamento teórico, com o intuito de analisar quais são as tendências desse novo campo da comunicação digital.

Parte-se dos seguintes questionamentos: Quais as características principais de uma Web Rádio? Esse novo veículo de comunicação mantém em sua estrutura os elementos essenciais do rádio? Como se configura a forma de recepção radiofônica, as mudanças são substanciais nesse sentido? Quais as implicações e o impacto para a atividade jornalística?

Este trabalho objetiva realizar um estudo da Web Rádio, por meio da análise das diferenças e peculiaridades desse novo veículo de comunicação. Trata-se de um assunto pouco explorado, por ser um fenômeno recente e que tem muito para ser estudado.

Por meio deste trabalho monográfico pretende-se, ainda:

• Gerar bibliografia sobre o assunto.

• Promover o debate em torno da composição de um corpus teórico e metodológico nos estudos de comunicação nos novos meios.

• Discutir a problemática da comunicação do ponto de vista das novas tecnologias, da intensificação do fluxo de informações e seu impacto na atividade jornalística.

• Identificar elementos para uma avaliação do formato de Web Rádio e suas perspectivas e possibilidades de no contexto da comunicação contemporânea.

• Debater a relação entre a expansão da comunicação de massa para o ciberespaço.

• Avaliar as possibilidades das novas tecnologias potencializarem avanços na área de Comunicação Social.

Diante do crescimento vertiginoso da Web, tornam-se urgentes e inadiáveis as reflexões sobre comunicação e jornalismo na Internet. Muitas pesquisas começam a surgir nesse sentido, especialmente no que se refere à Web Rádio.

Entretanto, são raros os trabalhos que refletem sobre as especificidades desse novo veículo híbrido de comunicação e sua interferência nas atividades jornalísticas diante do novo contexto tecnológico. O que torna este projeto relevante, pois

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contribuirá para o avanço na busca de conceitos em jornalismo concatenados com as necessidades do mercado atual.

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CAPÍTULO 1

A HISTÓRIA DO RÁDIO

No ano de 1863, James Clerck Maxwell, professor de física experimental, na cidade de Cambradge na Inglaterra, demonstrou teoricamente a provável existência das ondas eletromagnéticas, mas ainda não havia a constatação prática. O físico alemão, nascido em Humburgo, Henrich Rudolph Hertz ficou muito impressionado com essa revelação do físico inglês e dedicou anos de estudo nesta teoria. Em 1887, Hertz descobriu o princípio da propagação radiofônica, as ondas que no principio se chamavam “quilociclos” passaram a ser denominas “ondas hertzianas”

ou “quilohertz” (DORIA; MARINHO, 2006, p. 49).

Em 1883, Thomas A. Edison, inventor americano, se dedicava à lâmpada elétrica sua maior invenção. Seu amigo John Ambrose Fleming percebeu que aquele invento, um filamento dentro de um tubo a vácuo, poderia ter mais utilidade do que somente a iluminação. Após uma década, já em 1893, Fleming desenvolveu válvula a vácuo, de dois eletrodos ou diodo composta de placa e filamento, sua principal função era conduzir correntes elétricas somente em uma única direção (BUGAY;

ULBRICHT, 2000, p.24).

Em 1895, o italiano Guglielmo Marconi teve a idéia de transmitir sinais à distância, se aprofundando nos estudos sobre as ondas hertzianas, dois anos depois, descobriu o princípio do funcionamento da antena e, consequentemente, como enviar mensagens pelo espaço. Marconi provou a possibilidade de transmitir sinais pelo telégrafo sem fio. Foi quando surgiu a radiotelegrafia. No início, o rádio foi confundido com uma telegrafia sem fio, já que naquele tempo não se imaginava a possibilidade de mensagens faladas através do espaço.

Já no Brasil, em 1892, o Padre Landell de Moura realizava experimentos e descobertas tão importantes quanto os de outros estudiosos do resto do mundo.

Padre Landell utilizava uma válvula amplificadora inventada e fabricada por ele. Com três eletrodos, ele recebeu e transmitiu palavras humanas pelo espaço. Mas as invenções de Landell não foram levadas a sério nem pelo Governo, nem pela população, sendo, inclusive, muitas vezes considerado um louco.

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Em 1902, Edwin H. Armstrong, um engenheiro americano, construiu o primeiro circuito eletrônico que era capaz de oscilar de modo permanente. Foi quando se desenvolveu a técnica da modulação por amplitude AM. Nessa época houve um crescente uso da válvula, o que acarretou seu desenvolvimento. Com isso, dois anos depois, o norte-americano Lee de Forest inventou a válvula tríodo, acrescentando um terceiro elemento, a grade. Com o emprego dessa válvula, na noite de Natal de 1906, Lee Forest e Reginald Aubrey Fessenden conseguiram irradiar em Bran Rock, Massaschusetts, nos Estados Unidos, números de canto e solos de violinos. Em Paris, no ano de 1908, Forest transmitiu um sinal sonoro da torre Eiffel, que conseguiu ser capitado em Marselha, a 700 quilômetros de distância. Mas Forest foi além, criou o primeiro jornal falado norte-americano, irradiado a partir de sua estação experimental de Highbridge, em Nova York (COSTELLA, 2001, p, 166).

A radiodifusão começa a se difundir com o início da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Com isso, os governos dos países beligerantes tornaram estatal a utilização das ondas hertzianas e as experiências com radiotelefonia, concentrando- se em finalidades militares. Com a guerra, houve uma proibição aberta da rádio transmissão para o público, mas as pesquisas incentivadas pela guerra revelaram- se úteis para a radiodifusão, pois a soma de conhecimento que ficou armazenada facilitou muito as estações radiofônicas no pós-guerra (COSTELLA, 2001, p, 166).

Em seis de novembro de 1919, houve a primeira emissão privada na Holanda, no mesmo ano também nos Estados Unidos. Em 15 de junho de 1920, começaram as transmissões na Inglaterra, na França em 1921, na Bélgica em 1923, na Itália em 1924, na Alemanha em 1926, no Japão em 1926, na Argentina em 1920. Já no Brasil, a história do rádio começa em 1922 (COSTELLA, 200, p 167).

1.1 A História do Rádio no Brasil

No Brasil, o rádio, só conhecido antes por amadores, torna-se de conhecimento do público em 1922, quando no Rio de Janeiro houve uma grande exposição internacional em comemoração ao Centenário da Independência. No

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pavilhão dos Estados Unidos, a Westinghouse apresentou uma emissora, e seu transmissor de 500 watts foi instalado no alto do Corcovado (localizado no Parque Nacinal da Tijuca-Rio de Janeiro). Com um prefixo de SPC, fez transmissões de músicas e locuções, captadas por 80 receptores importados só para essa ocasião e distribuídos no local do evento e em vários locais do Rio de Janeiro, com o auxilio de auto-falantes. Algumas pessoas da sociedade também receberam o aparelho para poderem ouvir de suas residências o discurso do Presidente Epitácio Pessoa, no dia sete de setembro de 1922, também as óperas durante as semanas seguintes no Teatro Municipal do Rio de Janeiro (COSTELLA, 2001, p, 177).

A população ficou estática com a novidade, mas não podemos dizer que esse foi o marco da radiodifusão brasileira, foi apenas um evento da feira, faltou um incentivo para continuar, quando terminou a exposição também terminaram as transmissões (COSTELLA, 2001, p, 177).

Em 1923, mais precisamente em 20 de abril, foi criada a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. A emissora começou com o prefixo PRA_A e depois passou para PRA_2, sua primeira cede foi na Academia Brasileira de Ciências, pois seus fundadores Edgard Roquete Pinto, antropólogo, e Henry Morize, nascido na França, mas naturalizado brasileiro, professor de Física e diretor do Observatório Nacional de Astronomia, eram homens da ciência. Por isso, era fácil de compreender o motivo de a Rádio Sociedade ser educativa e ter por objetivo “Levar a cada canto um pouco de educação, de ensino e de alegria”. Uma nova era na humanidade, conforme idealizava Roquete Pinto, uma sala de aula em qualquer lugar onde houvesse um aparelho de rádio (COSTELLA, 2001, p, 177).

A Rádio Sociedade do Rio de Janeiro no começo utilizou um dos dois transmissores Western Electric, que o Governo Federal importou para os serviços de telegráficos. A programação dessa rádio ainda não era definida, de manhã havia o Jornal da Manha e mais três noticiários durante o dia e em meio a eles havia ainda uma programação de músicas eruditas e palestras de caráter cultural. Em 1936, a rádio foi estatizada, a PRA-2 passou a se chamar Rádio Ministério da Educação, mantendo o mesmo objetivo que Roquete Pinto havia dado: “Trabalhar pela cultura dos que vivem em nossa Terra e pelo progresso do Brasil” (COSTELLA, 2001, p, 178).

Depois da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, vieram muitas outras rádios, Em seus nomes sempre havia a palavra “clube” e “sociedade”. Em 1923 surge a

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Rádio Clube de Pernambuco, no Recife, a Rádio Educadora Paulista, em São Paulo, a Rádio Clube do Paraná, em Curitiba. No ano seguinte as rádios continuaram a surgir, a Rádio Clube do Brasil, no Rio de Janeiro, Rádio Clube de Ribeirão Preto no interior de São Paulo, e muitas outras pelo país. Em 1925, o impulso das rádios continuou com a Rádio São Paulo e a Rádio Record, além de muitas outras (COSTELLA, 2001, p, 179).

De 1925 a 1927, a situação das transmissões ainda era amadora e de condições precárias. Além desses fatores, a proposta dos idealizadores de transformar o veículo em um meio de difusão da educação e da cultura encontrou alguns obstáculos. Havia poucos aparelhos receptores, o número de fabricantes era escasso e com isso o preço do rádio era muito elevado. Outro fator que dificultava o rádio de ser um veículo de massa era a taxa cobrada pelas Rádios Sociedades, para que os ouvintes pudessem receber a programação, essa taxa era chamada de sócio-contribuinte. Ainda havia outras exigências que dificultavam o acesso ao rádio, como taxas que deveriam ser pagas ao Governo, mandar confeccionar a planta com o esquema do receptor e preencher formulários. As rádios nessa época não viviam de publicidade, pois os anúncios eram proibidos por lei. As emissoras se mantinham das contribuições de seus associados e de doações de entidades privadas. As rádios ainda não eram um negócio, não se estruturavam como empresas no aspecto comercial (FERRARETTO, 2007, p, 98).

Até a década de 1930, as programações das rádios eram de caráter erudito, pois somente as classes sociais mais elevadas tinham acesso aos aparelhos. As transmissões eram de curta duração, com largos intervalos entre as emissões e o trabalho dos profissionais era gratuito. Alguns até pagavam para trabalhar nas emissoras. A partir dessa década, começaram a surgir os programas, principalmente esportivos e humorísticos. É nesse período que surgem também as críticas jornalísticas, que comentavam sobre as músicas e programas veiculados.

Em 1931, foi autorizada pela legislação a veiculação de publicidade comercial, com isso a rádio mudou seu aspecto de educativo e passou a ser de interesse mercantil. Mas essa transformação rápida não ocorreu de modo brusco e também não atingiu todas as rádios. O rádio também passou a ser um importante veículo político e foi utilizado nas campanhas de Júlio Prestes e Getúlio Vargas, além de acompanhar todo o processo de deposição de Washington Luiz. A Rádio Record de São Paulo desempenhou um importante papel durante a Revolução

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Constitucionalista de 1932 e, na voz de Nicolau Tuma, chegou a ser chamada de

“voz da revolução” (COSTELLA, 2001, p, 180).

A partir da Revolução 1930 no Brasil, houve muitas mudanças significativas, principalmente da indústria. A radiodifusão crescia na mesma medida que o comércio, colaborando, inclusive, com esse crescimento industrial, pois chegou em um momento de transição de um Brasil rural para um Brasil urbano. Nesse período, as rádios também precisaram se transformar, não podiam mais viver no improviso administrativo e nem sem ter horários para a programação. Com isso, a rádio passou a ter programas em horários definidos, houve uma grande contratação de profissionais que vieram de outras áreas, as músicas clássicas deram lugar à música popular e com isso vieram os primeiros ídolos populares da rádio, como Carmem Miranda, Orlando Silva, Mario Reis entre outros (COSTELLA, 2001, p, 181).

Em meio a todas essas transformações, o norte-americano Edwin Armstrong inventou, em 1933, um novo sistema de rádio, a Modulação por Freqüência, hoje mais conhecida como FM. Esta freqüência é imune às interferências atmosféricas, transmite sinais de alta qualidade, mas seu alcance é limitado, por isso contribuiu ainda mais para a regionalização do rádio.

Em 1935, no governo de Getúlio Vargas, entrou no ar pela primeira vez a

“Voz do Brasil”. Nos primeiros 25 anos, o programa divulgava os atos do Poder Executivo. Em 1962, o Congresso Nacional passou a fazer parte do noticiário.

Desde 1938 até os dias atuais, a transmissão do programa, em rede nacional, por todas as emissoras do país é obrigatória.

Em meio a todos esses acontecimentos e às dificuldades já citadas, a radiodifusão se consolidou como meio de comunicação. No dia nove de junho de 1933, foi fundada a Associação Brasileira de Rádio (ABR), com o objetivo de confrontar a estrutura que existia e que controlava o funcionamento das rádios. Esse período de adaptação é considerado a primeira fase do rádio no Brasil, que inclui o período de 1925 a 1934.

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1.2 Os anos dourados do Rádio

A consolidação do rádio aconteceu na segunda fase, no período entre 1935 a 1955. As décadas de 1930 e 1940 foram os chamados anos dourados do rádio, período em que o veículo ocupou posição hegemônica na mídia, não só como meio de informação, mas, sobretudo, de propaganda e entretenimento. Nessa época o rádio foi considerado a oitava arte, com muitos recursos econômicos e desenvolveu como nunca as suas potencialidades, como centro das atenções de artistas e intelectuais. Um dos fatores que contribuiu para esta situação foi a introdução do rádio de válvulas, substituindo o de galena. Essa novidade barateou os custos de produção dos aparelhos e possibilitou a popularização e maior alcance de público ouvinte. As programações refletiam um novo estilo de vida. A popularização do rádio se deu com a permissão de Getúlio Vargas para inserir a propaganda no ar.

Em 1935, a Rádio Kosmos criou o primeiro programa de auditório, com transmissões e participação do público ao vivo. Todas essas inovações marcaram o ano de 1936, mais exato no dia 12 de setembro, a inauguração da Rádio Nacional, no Rio de Janeiro. Ela representa nessa época um marco de maturidade do rádio como um veículo de comunicação de massa. A Rádio Nacional tinha um diretor- geral, oito divisões especializadas que formavam um conselho administrativo e se empenhavam em produzir programas para atrair o público. Ela era equipada com transmissores de 25kw e 50kw para ondas médias e dois de 50kw para ondas curtas. A Rádio Nacional cobria todo o Brasil e alcançava a América do Norte, a Europa e a África. Por ter toda essa potência, passou a ser exemplo para outras rádios, dentre elas a Rádio Tupi e a Rádio Bandeirantes de São Paulo, a Rádio Tupi do Rio de Janeiro e um pouco mais tarde a Rádio Difusora de São Paulo (COSTELLA, 2001, p, 185).

Também em 1941, mais precisamente no dia cinco de junho, às dez e meia da manhã, a Nacional lançou sob o anúncio de Aurélio Andrade a primeira radionovela. O folhetim Em busca da felicidade, de Leandro Blanco com adaptação de Gilberto Martins, ficou no ar por dois anos e marcou novos rumos, pois abriu os horizontes para negócios e oportunidades artísticas. As radionovelas atraíam a população e transformaram-se em uma importante arma na luta pela audiência.

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Desacostumado com esse tipo de programa, o público confundia ficção com realidade. As mulheres, na época, eram apaixonadas pelos personagens de rádio.

O merchandising surgiu com as radionovelas. A primeira apresentação do folhetim citado aconteceu com o patrocínio do Creme Dental Colgate. Hoje em dia é comum a prática do merchandising, tanto no rádio como na televisão.

No dia 13 de maio de 1942, Auricélio Penteado criou o IBOPE (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística). Os jornais e emissoras de rádio usavam uma popularidade que não existia para atrair os anunciantes. Daí a iniciativa de criar uma pesquisa que realmente mostrasse quem liderava a audiência. Assim, as empresas não poderiam utilizar apenas seus interesses para conquistar novos investidores. A Rádio Bandeirantes foi a primeira a encomendar a pesquisa e ficou em primeiro lugar no IBOPE de São Paulo.

A transmissão de partidas de futebol também foi uma grande aposta das emissoras. Em 1938, as rádios Cruzeiro do Sul do Rio de Janeiro, PRD-2, Cruzeiro do Sul de São Paulo, PRD-6 e Clube de Santos, PRB-H, convidadas pela Rádio Clube do Brasil do Rio de Janeiro, PRA-3, realizaram a primeira transmissão esportiva em rede nacional: o Campeonato Mundial de Futebol, realizado em Marselha, na França.

As letras PR, existentes no nome de todas as emissoras criadas, significavam

“Prefixo”. Na medida em que recebiam as concessões para poderem operar, alinhavam-se por ordem alfabética. Anos mais tarde, a sigla “PR” foi extinta, cedendo lugar a “ZY”, nova denominação que passou a classificar esses veículos, independentemente da data da sua fundação.

Em 1942 é lançado o impresso do Anuário da Imprensa Brasileira do D.I.P (Departamento de Imprensa e Propaganda), divulgando que no Brasil nessa década de quarenta já existiam mais de 75 emissoras de rádio. Com isso, elas começam a sentir o peso da concorrência e nas cidades maiores onde havia mais de uma emissora, elas começam a ter que lutar para conseguir novos patrocinadores comerciais e manter os antigos. Mas para isso acontecer, as emissoras tiveram que alcançar o maior número de ouvintes possível. E nessa luta pelos ouvintes, as rádios precisaram se popularizar cada vez mais. Saiu de cena o rádio-teatro, que cedeu lugar à novela seriada, a música popular deslanchou e desbancou definitivamente a erudita, a locução sóbria deu espaço à locução empolgada e vibrante, o jornalismo

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elitizado foi substituído pela linguagem mais popular. Assim o rádio deixou de ser elitizado, voltando-se ao grande público (COSTELLA, 2001, p, 185).

Nessa etapa da radiodifusão brasileira, apareceu o radiojornalismo. Com o desenvolvimento das emissoras e a intensa utilização da publicidade, as empresas jornalísticas da época, começaram a enxergar no rádio uma possibilidade de integração. Com a eclosão da II Guerra Mundial(1939-1945), as estações passaram a investir no “Rádio-Jornalismo” e foi aí que o Império Chateaubriand começou a ganhar forças. Dessa forma, as emissoras deixaram de ser “sociedades” e ganharam um caráter empresarial, onde o poder econômico era quem comandava a audiência.

1.3 A chegada da televisão

Chega a década de 1950 e com ela a televisão no Brasil, e o rádio passa por momentos delicados. Uma mudança que alterou todo o cenário da comunicação. O Brasil foi um dos cinco primeiros países do mundo a ter televisão e o primeiro da América Latina. A chegada da TV teve um efeito avassalador para o rádio.

Profissionais, programas e fontes de financiamento foram transferidos em massa para o novo veículo, a tal ponto que o rádio parecia ter chegado ao fim. Muitos estudiosos temeram que a TV “matasse” o rádio, com a chegada da imagem. Além da transferência dos profissionais do antigo para o novo meio, as programações radiofônicas também eram copiadas. Ou seja, sem o rádio a televisão precisaria de muito mais tempo para se adaptar ao gosto popular.

O que fez com que o rádio alterasse mais uma vez o seu curso, pois a TV entrando e tomando para si o grande público. Para sobreviver, o rádio foi obrigado a se especializar. Nos grandes centos as emissoras de rádio passaram a dividir o grande público entre si, cada um voltando uma programação para determinado tipo de público. Algumas para o esporte, outras para o jornalismo, outras ainda para o público feminino e assim por diante. Já nas cidades menores onde existiam poucas ou mesmo uma única emissora, outra forma de especialização ocorreu, não conseguindo concorrer com a televisão nos assuntos gerais, passou a transmitir

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apenas assuntos locais e regionais. E assim o rádio conseguiu sobreviver à TV. Na década de 1970, 10 milhões de domicílios brasileiros tinham rádio, já em 1999 eram cerca de 40 milhões de aparelhos, o que significa 90% de lares brasileiros com aparelhos (COSTELLA, 2001, p, 186).

Com a invenção dos aparelhos portáteis, baseados em transistores, uma invenção de John Bardeen, Walter Brattain e William Chockley patenteada em 1947, o rádio passou a acompanhar os brasileiros aonde quer que fossem, pois os aparelhos pequenos e compactos podiam ser levados a qualquer lugar. Hoje o rádio no Brasil é um veículo que continua muito vivo e em pleno funcionamento, por meio das mais de 3.000 emissoras espalhadas por todo o país (COSTELLA, 2001, p, 186).

1.4 O rádio e o ouvinte

O radio sempre esteve e sempre vai estar em permanente contato com o ouvinte, levando-o a participar ativamente na construção da programação, seja compartilhando idéias e experiências pessoais, fazendo críticas ou dando sugestões, é uma realidade que está presente nas rádios do país, sejam elas AMs ou FMs. Ele deixou de ser apenas uma caixinha de música e está cada vez mais presente no cotidiano das pessoas. Juntamente com a televisão, chega ao final do século como veículo de maior penetração nas camadas populares que compõem o universo de seus ouvintes. As transmissões das emissoras brasileiras atingem mais de 90% da população, que mantém o hábito diário das audições radiofônicas. Um costume que pode alcançar, em média, de duas a três horas diárias e que mantém o ouvinte sintonizado na estação de sua preferência. Em cada dez brasileiros nove ouvem rádio.

Não é recente a necessidade de contato com o público. A interatividade sempre foi uma preocupação constante nos diferentes meios de comunicação e o rádio procurou, ao longo de sua história, explorar isso ao máximo. As pessoas que trabalham no rádio têm se preocupado em manter uma relação de proximidade com

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o público ouvinte, entendendo que o papel do ouvinte não é somente o de ouvir, mas o de também participar.

O mais importante é a relação de cumplicidade do ouvinte com o locutor, que o aproxima ainda mais da emissora, incentivando-o a interagir, a opinar, a tornar audível todos os seus anseios. O locutor é o intermediário entre o ouvinte e a resposta à sua reivindicação. As principais características do rádio é a mobilidade, o fácil acesso, o baixo custo, a oralidade, a programação diversificada, um público variado, tornam de grande importância a interatividade com os ouvintes. Isso porque pessoas distintas recebem a mesma mensagem ao mesmo tempo, podendo interpretá-las de diferentes formas.

Em relação à oralidade , o rádio leva grande vantagem sobe este aspecto pois ele desperta a emoção no ouvinte, permitindo-o criar imagens, mexendo com a imaginação. Para isso, é importante que a mensagem seja atrativa e interessante para aquele que irá escutá-la.

O rádio torna-se também o único meio de comunicação a ser o amigo de todas as horas, o companheiro em qualquer ocasião. O “calor humano” através da participação dos ouvintes é uma constante nas rádios. Seja através do jornalismo, da prestação de serviço ou de entretenimento, o rádio mantém uma relação íntima com seu ouvinte. Para isso, são variadas as ferramentas que o rádio disponibiliza para a interação com o público. E ele pode participar de seu programa favorito seja através de cartas, via telefone, ou até mesmo, ir pessoalmente à emissora. Ele também pode interagir através das caixas postais, onde têm a possibilidade de gravar mensagens, sugestões e pedidos, tendo seu recado veiculado.

E agora com a internet, tem-se à disposição uma outra ferramenta que pode ampliar as possibilidades de contato e interação entre locutor e ouvinte. Estes têm a opção de se comunicar com o programa preferido, através de e-mails, chat’s, blog’s, Orkut e MSN Messenger.

Um diferencial usado pelas rádios e uma forte aliada para superar a concorrência com os outros meios de comunicação, e também entre o próprio meio entre o próprio meio é a interação com a população, buscando conseguir cada vez mais ouvintes. Para se fazer entender e atingir o seu público-alvo é importante que cada emissora conheça o perfil do ouvinte que a ela está sintonizado.

Nesse contexto, é importante falar sobre a segmentação do rádio, que mostra a pluralidade cultural existente no nosso país e que aproxima o ouvinte do rádio. O

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ouvinte de rádio pode optar por programações diversas, e a escolha faz parte de um processo de segmentação e identificação do público com o programa.

As rádios FM se caracterizam por um estilo de predominância musical. Seu público é, na maioria das emissoras, composto basicamente de jovens. Esses se interagem com a programação pedindo música do seu artista favorito, participando de promoções e até mesmo trocando idéias com os locutores. Nas rádios AM, a participação do público é mais voltada, de uma maneira geral, por um público mais adulto, não ignorando, portanto, também a participação de jovens. As AMs, ainda hoje em sua maioria, são emissoras mais voltadas para o jornalismo informativo, para a prestação de serviço e para o entretenimento.

Muito importante é notar que o público não quer somente escutar passivamente a sua emissora favorita. Ele quer ser um ouvinte ativo, participante, tornar-se parte da programação.

Tanto as rádios AMs como as FMs não medem esforços para conquistarem um número cada vez maior e variado de participação do público em seus programas. Especializam-se e buscam satisfazer cada vez mais o gosto do seu público ouvinte. Nota-se, portanto, a importância da ligação existente entre o ouvinte e o locutor, das emissoras e seus programas incentivarem a interatividade entre ambos e também das rádios estarem sempre antenadas às necessidades dos ouvintes, permanecendo em constante atualização, inovação e evolução aproveitando dos aparatos tecnológicos que vão surgindo, como no caso desse trabalho, da internet, e continuarem presentes no gosto popular e no dia-a-dia de cada um.

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CAPÍTULO 2

A EXPLOSÃO DA INTERNET

No começo, os computadores eram aparelhos isolados, específicos, limitados ao ambiente de trabalho. Com o decorrer do tempo os computadores passaram a se comunicar por meio de redes. “Tornaram-se usuários do telefones e, por extensão, dos satélites, das ondas de rádio, de toda a imensa malha que se espalhou pelo mundo, interligando os continentes, permitindo a troca de informação à velocidade da eletricidade” (COSTELLA, 2001, p, 226).

Essa fusão entre telecomunicação e informática recebeu o nome de telemática. Esta nada mais é do que o conjunto de técnicas e serviços que associam a telecomunicação e a informática. Representa uma verdadeira revolução, fruto de vários fatores históricos, um deles o progresso tecnológico e o mais importante o desdobramento do cenário econômico mundial. O cenário econômico auxiliou para o barateamento das telecomunicações, pois uma ligação internacional de um minuto em 1930 custava 80 dólares, em 1990 passou para apenas 1 dólar. Além do fator custo, um cabo telefônico intercontinental, em 1960, transmitia apenas 138 ligações simultâneas, enquanto hoje um cabo de fibra ótica opera um milhão e meio de ligações simultâneas. Isto se explica em grande parte pela evolução tecnológica, mas esse barateamento realmente só ocorre quando o consumo acompanha a produção (COSTELLA, 2001, p, 227).

A internacionalização do comércio, em escala mundial, se caracteriza por interferências profundas e de dimensão astronômica. Uma crise em um determinado local pode afetar outros locais do outro lado do planeta, com uma rapidez, pois o fluxo financeiro global movimenta trilhões de dólares ao dia. Um capital que muda de mão em mão e vai muito além do papel-moeda. Trata-se do grande valor dos impulsos binários que compõem as redes eletrônicas transmitidas de um computador para outro, muitas vezes separados por quilômetros e quilômetros de distância. “O comercio contemporâneo se mistura com a telemática, e a expansão das trocas só tem sentido possível porque conta com a eficiência da telemática para administrá-la. Boas comunicações, eficientes e baratas, são indispensáveis para manter viva a economia global” (COSTELLA, 2001, p, 231).

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O forte crescimento das operações comerciais é o que fortalece a economia das empresas do setor de telecomunicações, as duas andam de mãos dadas e isso aumenta o consumo, o serviço e a procura por equipamentos. E é nesse meio de redes mundiais de telecomunicação que aparece a maior delas: a Internet.

A Internet teve sua criação e seu desenvolvimento nas ultimas três décadas do século XX, por consequência de fusão singular e estratégica do governo militar, grande cooperação cientifica, iniciativa tecnológica e inovação contra cultural. Teve sua origem em uma das mais inovadoras instituições de pesquisa do mundo a Agencia de Projeto de Pesquisa Avançada (ARPA) do Departamento de Defesa dos Estados Unidos.

Quando lançaram o primeiro Sputnik, em meados da década de 1950, assustou os centros de alta tecnologia dos Estados Unidos, a ARPA ousou em inúmeras experiências tecnológicas, algumas que chegaram a mudar a história da tecnologia foi então que anunciaram a chegada da Era da Informação em grande escala.

Uma dessas estratégias, que desenvolvia um conceito criado Paul Baran na Rand Corporation em 1960-4, foi criar um sistema de comunicação invulnerável a ataques nucleares. Com base na tecnologia de comunicação da troca de pacotes, o sistema tornava a rede independente de centros de comando e controle, para que a mensagem procurasse suas próprias rotas ao longo da rede, sendo remontada para voltar a ter sentido coerente em qualquer ponto da rede (CASTELLS,1999, p. 82).

ARPANET foi a primeira rede de computadores, e recebeu esse nome para homenagear seu mais poderoso patrocinador. Ela entrou em funcionamento em 1º de setembro de 1969. Esta rede era distribuída em quatro universidades:

Universidade da Califórnia, Stanford Research Institute, Universidade de Santa Barbara e Universidade de Utah. Só estavam abertas aos centros de pesquisas que colaboravam com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos, mas isso não durou muito, pois os cientistas começaram a usar para se comunicar entre si e até criaram uma rede de mensagens de ficção cientifica.

Depois de algum tempo ficou difícil de separar as pesquisas voltadas para fins militares das comunicações cientificas e das conversas pessoais. Assim em 1983 a rede foi aberta a todos os cientistas de diversas disciplinas, houve também a divisão entre o APANET que foi direcionado a fins científicos e o surgimento do MILNET que ficou direcionado a fins militares. Nesta mesma década a National Science

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Foundation também se desenvolveu na criação de outra rede cientifica, a CSNET com a colaboração da IBM e também criaram a BITNE, mas todas usavam a APANET como suporte do sistema de comunicação.

Foi então que a Rede se formou e durante a década de 1980 se chamava ARPA-INTERNET, só depois passou a se chamar Interne, mas ainda sustentado pelo Departamento de Defesa e operado pela National Science Foundation.

Tendo-se tornado tecnologicamente obsoleta depois de mais de vinte anos de serviço, a ARPANET encerrou as atividades em 28 de fevereiro de 1990.

Em seguida a NSFNET, operava pela National Science Foundation assumiu o posto de espinha dorsal da Internet. Contudo, as pressões comerciais, o crescimento de redes de empresas privadas e de redes de cooperativas sem fins lucrativos levaram ao encerramento dessa ultima espinha dorsal operada pelo governo em abril de 1995, prenunciando a privatização total da Internet, quando inúmeras ramificações comerciais das redes regionais da NSF uniram forças para formar acordos colaborativos entre redes privadas (CASTELLS,1999, p. 83).

Quando a Internet se privatizou não havia mais ninguém que pudesse controlar e nem supervisionar, muitos mecanismos e instituições improvisados que foram criados durante o desenvolvimento da Internet assumiram alguma responsabilidade informal pela coordenação das configurações técnicas e pelos contratos de endereços da Internet.

Com o crescimento das redes foi preciso aprimorar a tecnologia das transmissões. A ARPANET utilizava links de 56.000 Gigabits por segundo em 1987, as linhas já transmitiam em 1,5 milhões de bits por segundo. Em 1992 a NSFNET, umas das redes que utilizava a Internet como suporte, operava com uma velocidade de 45 milhões de bits por segundo de capacidade isto significa 5.000 mensagens por segundo.

Passando para a década de 1980, as redes foram se ampliando e novos serviços acrescentados. Em 1989, em Genebra na Suíça, foi criado o marco mais importante da Internet: a World Wide Web ou simplesmente WWW. Esta ampliou a Internet não só para as instituições, mas também para as pessoas comuns, tornando-se disponível ao grande público a partir de 1991. Com ela, interligaram-se milhares de redes internas, criando um tráfego mundial de informações trocadas por meio de computadores. Em 1993, 90.000 usuários já acessavam a Internet, norte- americanos em sua maioria. No mundo todo foram criados provedores de acesso para que particulares pudessem participar da rede. Trata-se de empresas que

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promovem a conexão entre o computador, os usuários e o mundo internáutico (COSTELLA, 2001, p, 232).

O acesso à Internet chegou ao Brasil no início de 1990 por meio da RNP – Rede Nacional de Pesquisa, que interligou as principais instituições de educação do País. Na ocasião havia apenas uma operadora, a Embratel. Em 1996 foi extinto o monopólio e com isto multiplicaram-se os provedores de acesso à Internet. No final desse mesmo ano já se calculava que o Brasil possuía em torno de 300.000 internautas e cerca de 500 provedores. No mundo todo eram mais de 50 milhões de usuários, um crescimento espantoso para um período de menos de cinco anos. Só para se ter uma ideia, a eletricidade demorou 46 anos e o automóvel 55 anos para chegar a números parecidos (COSTELLA, 2001, p, 233).

Os números não pararam de crescer, no primeiro trimestre de 2000 já existiam mais de 300 milhões de internautas no mundo, e em julho desse mesmo ano o número de páginas Web disponíveis na rede chegava a dois milhões. Em pesquisa feita pelo IBOPE em maio de 2000, estimava-se que o Brasil tinha cerca de 4,8 milhões de assinantes de provedores e cerca de sete milhões de internautas, pois muitas linhas eram compartilhadas. Por outro lado, constatou-se que o número de provedores de acesso no país havia diminuído, reduzindo para menos de 300, com destaque para a UOL(Universo Online), com mais de 700.000 assinantes naquele período. Esse crescimento se deu pelo barateamento dos produtos de informática, pois se tornou fácil a aquisição de computadores para a maioria das pessoas.

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CAPÍTULO 3

HISTÓRICO DO RÁDIO NA WEB

No século XX, os meios de comunicação sofreram grandes transformações.

Apesar de tantas outras mudanças que já haviam acontecido, nenhuma foi tão ampla quanto à provocada pela Web. Com o tempo, o computador foi se aprimorando e se consolidando cada vez mais, tornando-se um meio de comunicação diferente dos já existentes. Transformou-se em mais do que uma máquina de dados, passou a reunir todos os outros veículos de comunicação em exclusiva e poderosa hipermídia. Através dela é possível assistir televisão, ouvir rádio, realizar transações comerciais, comunicar-se com pessoas, entre tantas outras coisas. Esse fenômeno é chamado de convergência de mídias.

Pode-se dizer que a televisão, que fundiu imagem e áudio em um único aparelho, foi uma das precursoras desse fenômeno da convergência de mídias. Mas no caso da hipermídia digital, conectada em rede, a amplitude de possibilidades é infinitamente maior. Trata-se de um sistema muito diferente da TV, especialmente por sua especificidade de ser um meio interativo.

O rádio, como qualquer outro veículo de comunicação, também se adequou para a Web. Certamente essa mudança não foi de forma abrupta, com ruptura, ela está acontecendo de maneira gradual. Uma das grandes inovações da transmissão do rádio via Internet é a possibilidade de qualquer pessoa pode montar sua própria rádio na rede. Com esse tipo de mídia, os controles nacionais tendem a desaparecer. Nem o Estado, nem os anunciantes e nem a elite podem impedir uma programação. Quem vai escolher o que escutar é o ouvinte internauta, ele procurará o diferencial. As rádios na Web vão desenvolver a concorrência entre elas, pois a tecnologia as equipara, não importando onde elas estejam, caem as fronteiras nacionais e o rádio se globaliza, já que com um clique no mouse o ouvinte internauta pode escutar um programa de rádio em qualquer lugar do mundo.

Outra característica muito importante dessa nova forma de ouvir rádio é a interatividade. “É verdade que o rádio nasceu interativo”, conforme afirma Barbeiro (2001, p. 36). Mas dessa vez a interatividade do ouvinte influencia diretamente no conteúdo da programação. Com essa nova realidade, o rádio caminha para ser

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inteiramente transmitido via Web. Mais cedo ou mais tarde todos os meios de comunicação passarão a integrar a hipermídia digital.

O rádio terá muitas oportunidades dentro da Web, pois teoricamente vai haver tantas emissoras quanto o número de pessoas conectadas à rede, com isso a possibilidade de democratização desse meio será enorme. “O espectro da radiodifusão, hoje na mão do Estado, perderá sua importância. Para abrir uma rádio na Internet não é preciso pedir licença a ninguém: está aberta a todos” (BARBERO, 2001, p. 37).

Os ouvintes internautas não querem mais uma rádio transmissora de programas de áudio, eles buscam uma grande quantidade de serviços.

Não há registros precisos de quando houve as primeiras transmissões de rádio pela Internet, isso se deve principalmente pelo fato de que a Internet é um meio de comunicação que não dispõe de um centro único, permitindo que seus usuários realizem experiências sem que haja um controle das transmissões.

Acredita-se que no Brasil as primeiras rádios criadas exclusivamente para a Internet surgiu com os integrantes do movimento Mangue Beat. O programa recebeu o nome de Manguetronic, que estreou em abril de 1996, com o objetivo de incorporar elementos da internet à programação radiofônica.

Manguetronic conseguiu ficar no ar durante todos estes anos apesar de ter mudado de endereço eletrônico (URL – Uniform Resource Locato, ou, em português, Localizador de Recurso Universal) e passe por freqüentes transformações e atualizações.

A primeira rádio brasileira 100% virtual, 24 horas por dia no ar, só foi aparecer em 1998. A Rádio Totem surgiu com a proposta de ser um portal de rádio, oferecendo várias emissoras musicais, segmentadas em ritmos.

Em 2001, a emissora chegou a operar com 11 canais diferentes, além de oferecer videoclipes, entrevistas e promoções aos internautas. Mas o projeto não sobreviveu e o portal saiu do ar (SOUZA, 2004, p, 290).

No ano de 1996 as primeiras rádios com existência dial começaram a migrar para a rede. Entre as rádios jornalísticas, a Rádio Itatiaia, de Minas Gerais, que ainda reivindica o título de primeira a vincular seu sinal também pela rede. A Jovem Pan AM e a Bandeirantes AM, também iniciaram neste mesmo ano as suas transmissões via internet. Em 1997, a CBN AM e a Eldorado AM também migraram para a Web.

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Essa migração foi documentada pela imprensa brasileira.(...) registra que já em 1996 a grande imprensa abordava o assunto: a Folha de São Paulo enfocou o tema pela primeira vez em seu Caderno de Informática, na edição de 18 de setembro de 1996, com o sugestivo título de “Rede permite até ouvir rádio”. O mesmo jornal no primeiro semestre do ano seguinte (1997) abordou a questão em três matérias: “ As ondas do rádio ecoam na internet”(13 de fevereiro), “Som e vídeo fazem pazes com a rede” (17 de abril) e “Rádio entra na onda da internet (SOUZA, 2004, p, 291)

No ano de 2000, já havia 3.500 rádios online em todo o mundo e no Brasil já eram cerca de 150, na sua maioria eram versão web rádio de AM e FM e só 12%

delas transmitiam apenas pela rede.

Em 2003 já eram 620 emissoras de rádio entre on-line, off-line, Net Rádios, e elas a exemplo de outros sites deixam de funcionar num tempo muito curto, mas a cada dia surgem outros ou reformulam sua atuação na Web.

Em 2009 já são 16.000 web rádios espalhadas por todo o Brasil, segundo o site Rádios ao vivo. Elas se dividem em todos os gêneros e gostos.

As rádios dentro da Web podem ser tão diversificadas quanto a internet. Na Rede pode-se encontrar de tudo rádios especializadas, jukeboxes, programações de arquivos, programas infantis, entre outros. Para o site sobreviver a tantos outros ele desenvolve sua própria proposta, experimenta novas propostas de áudio, papel desempenhado principalmente pelos sites ligados a companhia de desenvolvimento tecnológico para a Internet, responsável pela criação dos novos softwares de transmissão e recepção de áudio.

Há inúmeras razões para esse sucesso. A primeira dela é justamente o desenvolvimento tecnológico, com a evolução dos softwares de transmissão/recepção. A disseminação desses programas deveu-se à estratégia das empresas de franquear o software para os usuários que pretendiam sintonizar as rádios, cobrando apenas das emissoras. A melhoria dos computadores e de seus recursos de hardware e o próprio aprimoramento dos softwares de transmissão/recepção também inspiram essa expansão. Isso porque, no início, a qualidade de recepção era muito ruim, situação que foi praticamente resolvida com a evolução tecnológica dos últimos anos. Hoje a qualidade de recepção, dependendo do equipamento, é praticamente a de um CD (SOUZA, 2004, p, 292-293).

Esse avanço se dá em virtude da evolução tecnológica no som analógico pelo digital, nos produtos de áudio como nas telecomunicações, incluindo a substituição das linhas telefônicas. As mudanças nas rádios começaram com a evolução na reprodução do som com a substituição dos toca-discos depois pelas fitas e depois

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pelo CD, apos estas evoluções vieram a gravação e edição com o MD (Mini Disc), computadores e softwares e agora com o processo de transmissão com a introdução do DAB ou Digital Audio Broadcasting. E nas conexões de internet de todo País vem melhorando cada vez mais com a substituição das linhas telefônicas analógicas por linhas digitais.

A tecnologia streaming ou fluxo contínuo foi um dos principais fatores para o desenvolvimento da internet, pois veio para solucionar um dos problemas mais graves dos usuários de mídia digital no computador, o tempo de espera para completar um download. O streaming, na prática, é quando o usuário pode acompanhar o conteúdo durante o download se processa, pois essa tecnologia permite baixar o arquivo por partes, exibindo as já recebidas enquanto continua fazendo o download.

A Usina do Som, da empresa do Grupo Abril, criada em 19 de março de 2000, quer ser reconhecida como a primeira a ter usado esta tecnologia. Ela é um portal com vários canais de programação musical radiofônica entre outros recursos. O site recebe por mês 140 mil visitantes diferentes e tem 2,5 milhões de usuários cadastrados e a Usina do Som apresenta por mês em média 200 milhões de page views.

As tecnologias vêm se desenvolvendo e superando problemas chegando ao oferecer som similar ao do CD e por outro lado é dependente da capacidade e da velocidade de transmissões de dados das linhas telefônicas. Os sistemas de transmissões de dados por banda larga no Brasil vêm crescendo cada vez mais.

Mesmo que a grande maioria ainda dependa de linhas telefônicas tradicionais.

O desenvolvimento tecnológico não é o único responsável pela expansão do rádio na rede. O sucesso é derivado de vários fatores, dentre eles, a possibilidade de quebrar as barreiras de alcance das emissoras tradicionais. Com isso a junção do rádio e da internet, dois meios de comunicação tão distintos está relacionada à possibilidade de alcance e captação de novos públicos, antes excluídos pelos limites geográficos.

Esse novo público, antes inacessível geograficamente é importante para as emissoras que seguem uma programação voltada a um determinado público segmentado, podem ser reduzidos localmente, mas não globalmente. Uma programação absolutamente segmentada de uma rádio web tem a possibilidade de reunir pequenos grupos espalhados geograficamente, em uma comunidade virtual.

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No Brasil, ainda a maioria das Web Rádios não tem uma estratégia efetiva de negócios na internet, no Maximo o que tem sido explorado é a união entre a operação on-line e a rádio tradicional, com a venda de publicidade, sem que se haja um projeto especifico.

O caminho principalmente para as rádios musicais parece ser a do e- commerce, com a venda direta ou link para a venda de CDs com as músicas que estão sendo executadas. Por enquanto, a prática é mais comum entre as emissoras que só existem pela internet, principalmente a que são ligadas a um selo ou gravadora. Para se ter uma idéia, enquanto apenas 2% das emissoras on-line não exclusivamente virtuais oferecem este recurso em seu site, 7,8% das Net Rádios utilizam e-commerce (SOUZA, 2004, p, 297).

O rádio é um meio de comunicação fortemente local, e com as novas tecnologias no mercado radiofônico, as emissoras locais vão sobreviver. Embora pareça contradição em se tratar de internet uma mídia global, a afirmação tem fundamento, afirma as emissoras que passaram sua programação do dial para a rede com base na grande procura de informações por pessoas que migraram ou imigraram da região na web rádio locais de sua cidade natal. Por exemplo, na Rádio Itatiaia, a pessoa que se conectar vai poder consultar um arquivo com os principais gols do campeonato mineiro sempre com um enfoque maior no Cruzeiro e Atlético, os maiores times mineiros. E ainda há uma pagina de registros de ouvintes que se encontram fora do País, que as Web Rádios utilizam para mapear sua audiência.

Essa união de políticas globais e programações locais, que foi denominada de glocal, é mais um dos fatores de sucesso da migração do rádio para a internet e da dissolução da pretensa oposição entre os meios: o rádio, ancião dos meios eletrônicos, fortemente regional, e a internet, ícone de modernidade e da comunicação global (SOUZA, 2004, p, 298).

A Internet é denominada como uma mídia que permite a comunicação individual, revolucionando o conceito de comunicação de massa, pois permite que uma pessoa ou um grupo possa disponibilizar seus conhecimentos na Rede. Com isso, as pessoas deixam de serem consumidores para serem geradores de informação. E a rádio dial que depende de uma autorização governamental com as concessões, é mais comemorada, pois na rede elas têm livre acesso sem depender das autorizações e muitas rádios que desapareceram no dial migraram para a Internet.

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As características mais comuns entre os dois tipos de rádio é a interatividade, o que aparece como uma das maiores vantagens da Internet.

O rádio entre os meios de comunicação tradicionais é o mais interativo, permitindo que o público participe e se identifique com a sua emissora preferida, mas este se tornou um meio bidirecional de comunicação em função da exploração comercial e quem de tem o controle é o emissor. Com isto o ouvinte ficou limitado a participações de pedidos musicais, perguntas ou recados lidos no ar.

E na Internet, a interatividade adquire escalas mundiais, a caracterizando como uma indústria da interatividade, pois diferente do rádio o receptor tem um papel mais ativo, ele é quem escolhe a sua rota de navegação, opinando e também como produtor de conteúdo, isto muda significativamente o esquema tradicional de emissor, mensagem, meio e receptor.

O próprio processo de navegação se dá em função do receptor, que é quem vai determinar o caminho a seguir dentro de um site ou a seqüência de sites que está visitando. È ele quem determina também quais informações quer receber e em que ordem. Com isso, temos uma participação ativa do receptor que passa a ser um usuário (SOUZA, 2004, p, 300).

No que se refere a interatividade as web rádios tem se inovado pouco, os programas continuam a usar apenas participações do publico para pedidos musicais. Perguntas em debates entre outros, somente as Net Rádios que não têm vínculo fora da Rede é que apresentam mais recursos como chat, enquete, fóruns entre outros.

O rádio e a Internet têm como último fator determinante de seu sucesso a recepção. Entre os quatro tipos de recepção, três estão relacionados à possibilidade de execução paralela de outras atividades. A ambiental é quando o ouvinte escuta o rádio como fundo e desempenha outra atividade, a de companhia é quando a atenção do ouvinte é interrompida por outra atividade; e na de atenção concentrada é quando o ouvinte está concentrado em outra atividade e a interrompe para prestar a atenção na mensagem radiofônica, e na internet esta é uma vantagem. Com isso a rádio leva vantagem sobre outros meios de comunicações impressos e visuais, pois eles exigem maior concentração e não permitem atividades paralelas.

A Rádio Web disponibiliza em seu site a on-dedemand, ou seja, programação de arquivos como matérias, trechos de gravações ou programas que podem ser acessados pelos ciberouvintes. Com isso os ouvintes podem acessar seus

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programas favoritos a qualquer hora, e ainda mais o internauta pode ver de novo seu programa e saber se deixou passar algum detalhe na primeira vez que assistiu.

Por isso tudo, entende-se que a internet e o rádio fizeram uma junção perfeita com o resultado da somatória de uma variedade de fatores.

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CAPÍTULO 4

CARACTERÍSTICAS DA WEB RÁDIO

Na Web as rádios são divididas de três formas: a primeira é aquela rádio que já existe dentro de uma transmissão via Freqüência Modulada e é adaptada para a Rede. A segunda forma são as rádios criadas especificamente para a Internet. A terceira forma é aquela que usa arquivos de áudio, com acesso a vários canais de música, mas que não possuem as características de rádio, não veiculam vinhetas, não existe a voz de um locutor e outros fatores que caracterizam uma programação de rádio.

Comercialmente, convencionou-se chamar de Net Rádio ou Web Rádio, não só as emissoras, mas também as várias formas de experiências de áudio na Web, baseadas em raízes técnicas e estéticas. Como a princípio não houve preocupação em se diferenciar os serviços, praticamente todo áudio na rede passou a ser denominado “rádio na internet”, o que acabou colocando sob a mesma definição produtos e serviços muito diferentes.

Algumas emissoras de rádio convencionais mantêm na Web apenas uma homepage, sem áudio, com informações gerais sobre a emissora. É uma estratégia utilizada para dar mais visibilidade e, portanto, uma forma de publicidade. A rede Transamérica foi a primeira a entrar na Rede Mundial de Computadores, em abril de 1996. Já o primeiro programa de rádio da América Latina desenvolvido especialmente para a Web foi o Manguetronic Net Rádio. Criado em abril de 1996 por Renato Lins, que fazia o programa de rádio Caetés FM de Recife, e José Carlos Arco Verde, um dos idealizadores do site Mangue Bit, o programa saiu do ar em 2003 por falta de recursos.

4.1 O perfil do novo ouvinte

Geralmente os ouvintes de web rádios, são pessoas que possuem acesso a internet banda larga e passaram horas conectadas em casa ou no trabalho. E que

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também possuam computadores com velocidade e capacidade para transmitir as programações oferecidas.

Hoje 49% dos internautas pertencem a classe A e B, 40% a classe C e 11% a D e E segundo o site Mídia Dados. De acordo com Pierre Levy (1999, p. 46), os usuários do ciberespaço são em sua maioria pessoas jovens, com diploma universitário, vivendo em cidades, estudantes, professores, pesquisadores.

O conceito de ouvinte na Web Rádio é substituído por usuário, que é o mesmo termo usado por pessoas que navegam pela rede. Neste sistema o usuário toma o lugar de simples ouvinte e torna-se parte indispensável do processo pois toda a programação é influenciada por eles.

Nas Web Rádios os ouvintes deixam de ser um receptor passivo e passam a ser participativos pois eles podem opinar e até mesmo interferir nas programações diárias através de chats, e-mail, que chegam instantaneamente, com sugestões de pautas, criticas e pedidos. As Web Rádios também tem uma vantagem que o usuário pode escolher o quer ouvir no momento de sua preferência, pois as programações ficam disponíveis para repetições.

Com uma rádio na Internet o internauta é, ao mesmo tempo, operador de áudio, editor chefe, repórter, editor de reportagem, ancora, programador, etc. O conteúdo pode ser de qualquer espécie, o que mostra um avanço na capitalização da difusão de noticias (BARBEIRO, 2003 p. 47).

O ouvinte da Web tem um fator muito importante na Web Rádio que além de ouvir ele pode ver, este é um grande atrativo na rádio dentro da internet a união entre o áudio e o visual. Os sites das rádios mantêm a atenção dos internautas através dos textos, fotos, animações e outros.

O Ibope lançou um estudo especial e mostrou que cerca de 33% dos internautas do Brasil ouvem rádio pela Internet, percentual superior a países como a França, Alemanha e Reino Unido.

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4.2 Transmissões de som pela Internet

O áudio emitido pelos computadores é digital. Os sinais digitais são considerados superiores aos analógicos, por possuírem um controle de erro mais simples para a transmissão e recepção de mensagens, e perdas de sinal praticamente nulas.

O som da Web Rádio, teoricamente, é de alta qualidade, mas existe um problema: o fato da transmissão depender da conexão do usuário. A Rádio Web é transmitida via fibra ótica e depende de várias conexões para chegar ao ouvinte. O som sai do servidor por Banda Larga na Internet, e passa para as conexões de cada usuário. Se o ouvinte em questão tiver uma conexão baixa, isso interferirá na qualidade da transmissão. No caso das rádios convencionais, a transmissão é feita via freqüências moduladas com alcance limitado, no entanto, não depende da conexão do usuário

Na Internet as transmissões de áudio começaram a se desenvolver na década de 1990 tendo características próprias, seguindo as possibilidades dadas pela disponibilização online, possibilitadas pelas novas tecnologias de transmissão de dados, que podem aliar não só o áudio, mas também textos ou imagens.

Através dessas novas tecnologias possibilitam-se transmissões para grupos ou só para um indivíduo e também a transformação de um usuário comum em difusor de conteúdo, o que pode ser observado facilmente em várias transmissões ocorridas pela Internet. Outro ponto de mudança é a multiplicidade de oferta ocorrida graças a disponibilização de diferentes tipos de processos e produtos. Isso tudo é possibilitado pela digitalização dos dados, a qual permite a transferência de conteúdo através da rede mundial de computadores. Essa transferência é pautada na transmissão em streaming ou através do download, em que cada uma dessas tecnologias propicia formatos próprios, com diferentes produtos.

Por download compreende-se o formato de transmissão em que há a possibilidade de descarregar-se um arquivo em um computador, ou seja, a possibilidade que propicia a transferência de dados de um computador remoto para outro computador. Possui dois processos de transmissão: o download propriamente dito e o broadcasting, o que, grosso modo, pode ser simplificado como a união do

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