UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”
AVM FACULDADE INTEGRADA
DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM NO 1º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL
Por: Aline de Araujo Queiroz de Souza
Orientadora Prof. Solange Monteiro
Rio de Janeiro 2013
DOCUMENTO PROTEGIDO PELA LEI DE DIREITO AUTORAL
UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”
AVM FACULDADE INTEGRADA
DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM NO 1º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL
Apresentação de monografia à AVM Faculdade Integrada como requisito parcial para obtenção do grau de especialista em Psicopedagogia Institucional Por: Aline de Araujo Queiroz de Souza
AGRADECIMENTOS
A Deus, meus pais, esposo, irmã, familiares, amigos e a minha orientadora que torceram por mim, me incentivando a cada dia crescer profissionalmente.
DEDICATÓRIA
Dedico esse trabalho aos meus pais, esposo, irmã, familiares, amigos e ao meu bebê que virá ao mundo daqui a seis meses.
RESUMO
O presente estudo aborda sobre a importância da Interação entre Escola e Família no Processo Pedagógico para uma educação de qualidade, sobre as atuações dos profissionais em educação e o que eles tem feito para que ocorra essa interação e sobre sugestões para que ambas as partes, tanto a escola quanto a família, alcancem um objetivo em comum, de proporcionar as crianças uma educação de qualidade. Objetivando realizar uma abordagem histórica, para melhor entender as mudanças ocorridas nessas duas instituições, verificando o que as fizeram se afastar uma da outra. Também será investigado a influência desta parceria como contribuição na melhoria da qualidade de ensino, podendo assim propor atuações para que as escolas e famílias possam apoiar uma à outra na educação das crianças. A afetividade, ou seja, o vínculo entre o professor e o aluno também será abordado, pois está totalmente inserido no ambiente escolar e não é menos importante que a educação do corpo e da mente. Pois, sabe-se que as interações afetivas existentes entre professor e aluno são de suma importância para o desenvolvimento e construção do conhecimento. A relação da cognição e afetividade no contexto escolar estão intimamente interligadas ao desempenho escolar do educando. Nesta perspectiva observa-se que é nas Séries Iniciais que o Professor-Pedagogo deve proporcionar os vínculos afetivos entre a escola, professores e alunos. E, para finalizar o estudo, será investigado também as dificuldades de aprendizagem acarretadas através de distúrbios neurológicos.
METODOLOGIA
A metodologia utilizada foi à pesquisa bibliográfica, buscando reunir algumas abordagens significativas e refletir sobre autores contribuintes com o tema.
O trabalho abrange o contexto escolar, com o objetivo de identificar os possíveis fatores causadores das dificuldades de aprendizagem das crianças no 1º ano do ensino fundamental no ambiente escolar.
A Metodologia a ser trabalhada é do tipo qualitativa de cunho bibliográfico e descritiva, que visa o levantamento de dados na literatura e a caracterização dos ambientes escolares dentro do padrão de ensino- aprendizagem a partir de uma pesquisa de revisão bibliográfica. Dessa forma, essa metodologia foi estruturada evidenciando três tipos de fatores que podem causar danos na aprendizagem no ambiente escolar, como: ausência da participação da família, vínculo entre professor e aluno, transtornos específicos apresentados que dificultam a aprendizagem e principais distúrbios da aprendizagem.
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO 08
CAPÍTULO I
AUSÊNCIA DA PARTICIPAÇÃO DA FAMÍLIA 09
CAPÍTULO II
VÍNCULO ENTRE PROFESSOR E ALUNO 12
CAPÍTULO III
TRANSTORNOS ESPECÍFICOS APRESENTADOS QUE 18 DIFICULTAM A APRENDIZAGEM
CAPÍTULO IV
PRINCIPAIS DISTÚRBIOS DA APRENDIZAGEM 21
CONCLUSÃO 30
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 33
ÍNDICE 35
INTRODUÇÃO
As dificuldades de aprendizagem quase sempre se apresentam associadas a problemas de outra natureza, principalmente comportamentais e emocionais.
A ausência da família no ambiente escolar, o vínculo afetivo entre professor e aluno no processo de ensino e aprendizagem e a própria falta de estímulo por parte dos alunos podem acarretar essas dificuldades.
Nos conselhos de classe das escolas, os professores das séries iniciais vem apresentando sempre essas discussões e dúvidas sobre esse processo inicial com os alunos. Eles observam que a aquisição de determinados conteúdos abordados no cotidiano em sala de aula, principalmente a leitura, escrita, interpretação e cálculo são os enfrentados com maiores dificuldades.
Eles também contestam que a educação que deveria vim de casa, nos dias atuais está sendo trabalhada somente na escola, onde professores tem que interromper suas aulas na maioria das vezes para chamar atenção da indisciplina em sala de aula. E com isso, aquelas crianças que querem realmente aprender acabam perdendo o estímulo, porque o professor não consegue avançar com os conteúdos.
A ausência da participação da família muita das vezes atrapalha no desenvolvimento da criança, pois o aluno chega à casa e não tem o apoio necessário nas atividades que são aprendidas em aula. Isso faz com que a criança perca o interesse pela vida escolar.
Mas temos também que observar que a falta de interesse também pode ser algum transtorno específico apresentado na criança, por isso, professores e pais devem sempre observar as atitudes e hábitos das crianças para poder detectar algo que esteja atrapalhando em seu aprendizado.
Por isso, analisar e identificar as possíveis e principais causas das dificuldades de aprendizagens apresentadas pelos alunos é um dos principais objetivos neste trabalho. Estabelecendo métodos novos para o processo de ensino e aprendizagem e investigando e estimulando a participação da família nesse processo.
CAPÍTULO I
AUSÊNCIA DA PARTICIPAÇÃO DA FAMÍLIA
Nos dias atuais, percebemos que a escola reclama da ausência da família para acompanhar a criança no seu desenvolvimento escolar, da falta de limites dos pais aos filhos e da dificuldade de transmitir uma boa educação. E não há presente maior para os pais do que assistir ao desdobramento da personalidade dos filhos, ver sua beleza brilhar no mundo e saber que sua contribuição é essencial.
A participação dos pais na aprendizagem escolar é necessária e um exemplo é que, antes a família era cúmplice da escola; hoje, é promotora de seus erros e falhas. Quem é o maior prejudicado? O aluno.
Hoje, se não houver maturidade e visão pedagógica por parte da escola, as reuniões com os pais viram arenas, onde a escola fica na defensiva e os pais fazem sua catarse de erros pedagógicos e parentais do passado. E o aluno continua sendo o mais prejudicado.
Escola e Família esquecem que essa vida é uma passagem e que nosso papel só se enriquece se temos como objetivo compartilhar, dividir e contribuir para que outros vivam melhor, principalmente aqueles com quem convivemos e amamos.
Sempre acredito que o mais forte e amadurecido abrirá a porta da liberdade e da conscientização. Acredito que a Escola pode dar o primeiro passo, pela própria base de formação da qual é portadora.
Sabemos que os pais exercem extrema influência, mais do que eles próprios imaginam. Educar demanda uma grande responsabilidade. "A educação começa no berço", dizem. Na verdade, a educação começa ainda no útero.
Sabe-se através de pesquisas recentes que a criança ouve "ruídos" do mundo externo e sabe distinguir a voz do pai e da mãe. Sendo assim, no berço, começa a aprender as relações interpessoais. Por vários motivos (falta de
tempo por ambos terem que trabalhar), os pais colocam seus filhos cada vez mais cedo na escola e delegam seu papel de primeiro educador à escola.
No livro do Paulo Freire "Professora sim, Tia não", Paulo Freire tenta resgatar o verdadeiro papel da escola. Ser Professor (a) é muito mais do que ser babá ou substituto dos pais. Educar é muito mais que ensinar boas maneiras, ler e escrever. É criar consciência crítica e formar um cidadão em cada um de seus alunos.
A participação dos pais na educação dos filhos deve ser constante e consciente. Avida familiar e escolar se completa.
Torna-se necessária a parceria de todos para o bem-estar do educando.
Cuidar e educar envolve estudo, dedicação, cooperação, cumplicidade e, principalmente, amor de todos os responsáveis pelo processo, que é dinâmico e está sempre em evolução.
Os pais e educadores não podem perder de vista que, apesar das transformações pelas quais passa a família, esta continua sendo a primeira fonte de influência no comportamento, nas emoções e na ética da criança.
Nunca na escola se discutiu tanto quanto hoje assuntos como falta de limites, desrespeito na sala de aula e desmotivação dos alunos. Nunca se observou tantos professores cansados e muitas vezes, doentes física e mentalmente. Nunca os sentimentos de impotência e frustração estiveram tão marcantemente presentes na vida escolar. Por essa razão, dentro das escolas as discussões que procuram compreender esse quadro tão complexo e, muitas vezes, caótico, no qual a educação se encontra mergulhada, são cada vez mais freqüentes. Professores debatem formas de tentar superar todas essas dificuldades e conflitos, pois percebem que se nada for feito em breve não se conseguirá mais ensinar e educar.
Entretanto, observa-se que, até o momento, essas discussões vêm sendo realizadas apenas dentro do âmbito da escola, basicamente envolvendo direções, coordenações e grupos de professores. Em outras palavras, a escola vem, gradativamente, assumindo a maior parte da responsabilidade pelas situações de conflito que nela são observadas.
No entanto é de suma importância a participação da família na vida escolar dos alunos, uma vez que a família participa no processo de ensino
aprendizagem. A contribuição da família beneficia tanto o aluno quanto a escola e os próprios professores, pois em sala de aula nem sempre o aluno assimila todo conteúdo passado; então o mesmo necessita da contribuição da família.
A família, sendo à base de uma formação completa do indivíduo, tendo papel decisivo na formação de caráter, deve ter participação direta na educação das crianças. É fundamental que aconteça essa parceria entre escola e família, e que juntos possam alcançar o objetivo em comum, de formar cidadãos que saibam como viverem no mundo atual. Percebe-se que no atual momento em que vive a educação, a falta de envolvimento, participação, apoio e limites das famílias para com as crianças, torna impossível uma educação de qualidade.
Historicamente, até o século XIX, havia uma separação das tarefas da família e da escola: a escola cuidava do que se chamava “instrução”, ou seja, a transmissão dos conhecimentos/conteúdos da educação formal e a família se dedicava à educação informal: o que podia-se definir como o ensinamento de valores, atitudes e hábitos. No mundo moderno, a educação passa também a ser objeto de atenção das famílias, que, apesar de se preocuparem com a qualidade do ensino, transferem à escola competências que deveriam ser suas tão somente. Não vêem a escola como segunda etapa da educação, mas criam nela toda a expectativa de que será responsável, a vida toda, pela educação de seus filhos. E, em muitas vezes, esquecem de fazer sua parte (FREITAS,2011,p.20).
Conforme Jardim, (2006) a relação escola e família vêm sendo muito discutida nos últimos tempos. A grande dúvida é saber os limites entre os deveres da família e os da escola. Como se sabe, não é a escola e sim a família que proporciona as primeiras experiências educacionais à criança.
A família é o berço da formação de regras, princípios e valores, outras instituições assim como a escola, possuem também papel muito importante nesta formação moral, a escola se organizando de forma democrática, oportunizando uma vivência cidadã. Dessa forma, promovem o nascimento, crescimento do respeito mútuo e o desenvolvimento da autonomia, ingrediente para formação moral (SANDI,2008, p.34).
CAPÍTULO II
VÍNCULO ENTRE PROFESSOR E ALUNO
A interação professor-aluno ultrapassa os limites profissionais e escolares, pois é uma relação que envolve sentimentos e deixa marcas para toda a vida. Observamos que a relação professor-aluno, deve sempre buscar a afetividade e a comunicação entre ambos, como base e forma de construção do conhecimento e do aspecto emocional.
A dimensão do ensino e da aprendizagem em sala de aula é marcada por um tipo especial de relação, a qual envolve o professor e aluno na mediação e apropriação do saber. É importante enfatizarmos essa posição do professor na relação: trata-se de um mediador e não de um detentor do saber.
Ser professor não se constitui em uma simples tarefa de transmissão de conhecimento, pois vai mais além e também consiste em despertar no aluno valores e sentimentos como o amor ao próximo, o respeito, entre outros. Como destaca RODRIGUES (1997), o educador não é simplesmente um repassador de conhecimentos para seus alunos, pois o seu papel é bem mais amplo, porque ultrapassa uma simples transmissão de conhecimentos. Dentro da sala de aula, o que se verifica na maioria das vezes é o estabelecimento de regras disciplinares no modo arbitrário. Além disso, pode-se perceber a não explicitação dessas regras e para serem cumpridas o aluno sofre pressões com base em ameaças e punições, isso notamos que pode acarretar e provocar reações negativas, ou de resistência e indisciplina por parte dos alunos.
Segundo GADOTTI (1999, p. 2), “o educador para pôr em prática o diálogo, não deve colocar-se na posição de detentor do saber, deve antes, colocar-se na posição de quem não sabe tudo, reconhecendo que mesmo um analfabeto é portador do conhecimento mais importante: o da vida”.
O aprender se torna mais interessante quando o aluno se sente competente pelas atitudes e métodos de motivação em sala de aula. O prazer pelo aprender não é uma atividade que surge espontaneamente nos alunos,
pois, não é uma tarefa que cumprem com satisfação, sendo em alguns casos encarada como obrigação. Para que isto possa ser mais bem desenvolvido, o professor deve despertar a curiosidade dos alunos, acompanhando suas ações no desenrolar das atividades em sala de aula.
O trabalho do professor em sala de aula e seu relacionamento com os alunos são influenciados e expressos pela relação que ele tem com a sociedade e com cultura. ABREU e et al (1990, p.115), afirmam que “é o modo de agir do professor em sala de aula, mais do que suas características de personalidade que colabora para uma adequada aprendizagem dos alunos;
fundamenta-se numa determinada concepção do papel do professor, que por sua vez reflete valores e padrões da sociedade”.
FREIRE (1996, p.96), enfatiza que as características do professor que envolve afetivamente seus alunos afirmando que:
O bom professor é o que consegue, enquanto fala trazer o aluno até a intimidade do movimento do seu pensamento. Sua aula é assim um desafio e não uma cantiga de ninar. Seus alunos cansam, não dormem. Cansam porque acompanham as idas e vindas de seu pensamento, surpreendem suas pausas, suas dúvidas, suas incertezas.
Quanto à influência do professor na história pessoal do aluno o mesmo autor enfatiza:
“[...] o professor autoritário, o professor licencioso, o professor competente, sério, o professor incompetente, irresponsável, o professor amoroso da vida e das gentes, o professor mal- amado, sempre com raiva do mundo e das pessoas, frio, burocrático, racionalista, nenhum deles passa pelos alunos sem deixar sua marca”. (FREIRE, 1996,p.96)
2.1. Relação professor-aluno segundo Vygotsky
Segundo Vygotsky, a relação educador-educando não deve ser uma relação de imposição, mas sim, uma relação de cooperação, de respeito e de crescimento. O aluno deve ser considerado como um sujeito interativo e ativo no seu processo de construção de conhecimento. Assumindo o educador um papel fundamental nesse processo, como um indivíduo mais experiente. Por essa razão cabe ao professor considerar também, o que o aluno já sabe, sua bagagem cultural e intelectual, para a construção da aprendizagem.
O professor e os colegas formam um conjunto de mediadores da cultura que possibilita progressos no desenvolvimento da criança. Nessa perspectiva, não cabe analisar somente a relação professor-aluno, mas também a relação aluno-aluno. Para Vygotsky, a construção do conhecimento se dará coletivamente, portanto, sem ignorar a ação intrapsíquica do sujeito.
Assim, Vygotsky conceituou o desenvolvimento intelectual de cada pessoa em dois níveis: um real e um potencial. O real é aquele já adquirido ou formado, que determina o que a criança já é capaz de fazer por si própria porque já tem um conhecimento consolidado. Por exemplo, se domina a adição esse é um nível de desenvolvimento. O potencial é quando a criança ainda não aprendeu tal assunto, mas está próximo de aprender, e isso se dará principalmente com a ajuda de outras pessoas. Por exemplo, quando ele já sabe somar, está bem próximo de fazer uma multiplicação simples, precisa apenas de um "empurrão".
Vai ser na distância desses dois níveis que estará um dos principais conceitos de Vygotsky: as zonas de desenvolvimento proximal, que é definido por ele como:
(...) A distância entre o nível de desenvolvimento que se costuma determinar através da solução independente de problemas, e o nível de desenvolvimento potencial, determinando através da solução de problemas sob a orientação de um adulto ou de companheiros mais capazes.
Esse conceito abre uma nova perspectiva a prática pedagógica colocando a busca do conhecimento e não de respostas corretas. Ao educador, restitui seu papel fundamental na aprendizagem, afinal, para o aluno construir novos conhecimentos precisa-se de alguém que os ajude, eles não os farão sozinhos. Assim, cabe ao professor ver seus alunos sob outra perspectiva, bem como o trabalho conjunto entre colegas, que favorece também a ação do outro na ZDP (zona de desenvolvimento proximal). Vygotsky acreditava que a noção de ZDP já se fazia presente no bom senso do professor quando este elaborava suas aulas.
O professor seria o suporte, ou "andaime", para que a aprendizagem do educando a um conhecimento novo seja satisfatória. Para isso, o professor tem
que interferir na ZDP do aluno, utilizando alguma metodologia, e para Vygotky, essa se dava através da linguagem. Baseado nisso, dois autores Newman, Griffin & Cole, desenvolveram essa ideia. Para eles era através do diálogo do professor com o aluno que a ZDP se desenvolve na sala de aula. Com um esquema I-R-F (iniciação – resposta – feedback), que o professor "dando pistas" para o aluno iniciava o processo, assim o aluno teria uma resposta e o professor dava o feedback a essa resposta.
Nessa perspectiva, a educação não fica à espera do desenvolvimento intelectual da criança. Ao contrário, sua função é levar o aluno adiante, pois quanto mais ele aprende, mais se desenvolve mentalmente. Segundo Vygotsky, essa demanda por desenvolvimento é característica das crianças. Se elas próprias fazem da brincadeira um exercício de ser o que ainda não são, o professor que se contenta com o que elas já sabem é dispensável.
2.2. Relação professor-aluno segundo Piaget
Segundo Piaget, a aprendizagem do estudante será significativa quando esse for um sujeito ativo. Isso se dará quando a criança receber informações relativas ao objeto de estudo para organizar suas atividades e agir sobre elas. Geralmente os professores “jogam” somente os símbolos falados e escritos para os alunos, alegando a falta de tempo. Para Piaget esse tempo utilizado apenas para a verbalização do professor é um tempo perdido, e se gastá-lo permitindo que os alunos usem a abordagem tentativa e erro, esse tempo gasto a mais, será na verdade um ganho.
O modelo tradicional de intervenção do professor consiste em explicar como resolver os problemas e dizer “está certo” ou “está errado”. Isso está contra a teoria da psicologia genética de Piaget, que coloca a importância da observação do professor sobre o aluno. Uma observação criteriosa, para ver o momento de desenvolvimento que a criança está vivendo, assim saber que atividade cognitiva aquele aluno estará apto a investigar. O professor será o incentivador, o encorajador para a iniciativa própria do estudante.
Coloca-se também a importância da espontaneidade da criança. Muitas vezes o professor se mostra tão preocupado em ensinar que não têm paciência suficiente para esperar que as crianças aprendam. Dificilmente aguardam as respostas dos educandos, e perdem a oportunidade de acompanhar a estrutura de raciocínio espontânea de seus alunos. Com a concepção das respostas
“certas” e sem o incentivo para pesquisa pessoal o estudante acaba por ter sua atividade dirigida e canalizada, podendo até dizer moldada pelo método de ensino tradicional. Por isso Piaget fixa tanto essa ideia da espontaneidade do aluno; porém, essa espontaneidade muitas vezes é distorcida em sua interpretação. Se um professor deixar a criança sem planejar sua atividade, achando que essa aprenderá sozinha, erroneamente estará aplicando o que Piaget diz.
Ainda a respeito da relação professor-aluno, Piaget coloca que essa relação tem que ser baseada no diálogo mais fecundo, onde os “erros” dos estudantes passam a ser vistos como integrantes do processo de aprendizagem. Isso se dá porque à medida que o aluno “erra” o professor consegue ver o que já se está sabendo e o que ainda deve ser ensinado.
Segundo Emilia Ferreiro e Ana Teberosky são esses “erros construtivos” que podem diferir das respostas corretas, mas não impedem que as crianças cheguem a ela.
Piaget ainda reforça que o aprender não se reduz à memorização, mas sim ao raciocínio lógico, compreensão e reflexão. Diferentemente de Vygotsky, Piaget coloca que o aprendizado é individual. Será construído na cabeça do sujeito a partir das estruturas mentais que ele possui. Voltando a relação professor-aluno, Piaget a coloca baseada na cooperação de ambos. Assim, será através do debate e discussão entre iguais que o processo do desenvolvimento cognitivo se dará; e o professor assumindo o papel apenas de instigador e provocador, mantendo o clima de cooperação. As consequências serão à descentralização, à socialização, à construção de um conhecimento racional e dinâmico dos alunos. Dessa forma, a produção das crianças passa a fazer parte do processo de ensino e aprendizagem, buscando compreender o significado do processo e não só o produto.
2.3. Relação professor-aluno segundo Wallon
Henry Wallon, dedicou grande parte da sua vida estudando e tentando demonstrar as relações existentes entre as dimensões afetivas, cognitivas e motoras no desenvolvimento humano. O autor diferencia os termos afetividade e emoção, que muitas vezes são utilizados como sinônimos. As emoções, para Wallon (1989), são reações organizadas que se manifestam sob o comando do sistema nervoso central. Para este pesquisador, as emoções são estados subjetivos, mas com componentes orgânicos, sendo, portanto, sempre acompanhadas de alterações biológicas como aceleração dos batimentos cardíacos, mudanças no ritmo da respiração, secura na boca, mudança na resposta galvânica da pele, dentre outras. Frequentemente, também provocam alterações na mímica facial, na postura e na topografia dos gestos.
Para WALLON (1982) as teorias têm base mecanicista e são de difícil compreensão. Ele as vê como reações incoerentes e tumultuadas e também destaca o poder ativador que tem as emoções, consideradas por ele positivas.
Além disso, o autor afirma que a sociedade intervém no desenvolvimento psíquico da criança, pois a criança depende por muito tempo de seus semelhantes adultos. Por exemplo, o recém-nascido não consegue diferenciar- se do outro nem mesmo no plano corporal. Essa diferenciação começa no primeiro ano de vida pela interação com os objetos e seu próprio corpo. É essa a construção do eu corporal que dá condição a formação do eu psíquico chamado por Wallon de estágio personalista.
CAPÍTULO III
TRANSTORNOS ESPECÍFICOS APRESENTADOS QUE DIFICULTAM A APRENDIZAGEM
Nos dias atuais, nós professores, nos deparamos com diferentes dificuldades nos alunos no ambiente escolar e com isso, procuramos meios que nos oriente para um melhor resultado dessa aprendizagem. Por isso, o professor precisa está acompanhado de um profissional- psicopedagogo que o ajude a detectar qual a dificuldade apresentada pelo aluno e assim ambos os profissionais trabalharem juntos e serem co-responsáveis pelo processo de conhecimento e avaliação das dificuldades dos alunos.
É importante que todos os envolvidos no processo educativo estejam atentos a essas dificuldades, observando se são momentâneas ou se persistem há algum tempo.
As dificuldades podem advir de fatores orgânicos ou mesmo emocionais e é importante que sejam descobertas a fim de auxiliar o desenvolvimento do processo educativo, percebendo se estão associadas à preguiça, cansaço, sono, tristeza, agitação, desordem, dentre outros, considerados fatores que também desmotivam o aprendizado.
A criança que vêm de uma família onde a maioria das pessoas é alfabetizada consequentemente ela terá mais facilidade nesse processo, pois já em casa ela tem contato com a escrita, através de livros de histórias que são contadas a ela ou simplesmente ao verem seus pais manusearem jornais e revistas, elas saberão a importância que a escrita e a leitura tem para a vida na sociedade. A necessidade de ler e escrever não será da mesma forma para todas as crianças, pois as mesmas vêm de meios e estímulos diferentes.
Durante o processo de alfabetização que vai até o final do 3º ano muitas dificuldades de aprendizagem podem ser supridas se o professor possui domínio no seu método de alfabetização e consegue suprir com as necessidades de seus alunos.
Ao trabalhar com uma criança que apresenta dificuldade o educador deve prestar atenção à sua fala, visto que, a criança escreverá como pronuncia as palavras, às vezes, o aluno apresenta dificuldade na escrita e o professor nem percebeu que ela não consegue pronunciar algumas letras, vindo a transcrever errado a palavra.
O educador precisa motivar seu aluno que apresenta algum tipo de dificuldade, trazendo atividades diferenciadas que façam com que ele se interesse pelo assunto e posteriormente supere sua dificuldade e possa estar se desenvolvendo no seu ritmo próprio de aprendizagem. É importante que no processo ensino/aprendizagem o mestre fique atento a vários aspectos que podem estar influenciando o desempenho do aluno.
É observando esses aspectos que o educador poderá ajudar seu educando a se desenvolver sabendo então lidar com as situações do seu cotidiano. É importante que o professor não rotule esse aluno perante os demais com frases desmotivadoras, que possam bloquear o desenvolvimento e vir assim aumentar o seu déficit de aprendizagem. A relação professor/aluno é de suma importância para dizer se o aluno vai bem ou não, também é nessa interação que o aluno encontrará o suporte necessário para o seu desenvolvimento.
Durante o processo de alfabetização é normal à criança apresentar dificuldades. Porém, quando o professor utiliza-se de diferentes estratégias e metodologias e as dificuldades não são superadas pode ser algum distúrbio que o aluno esteja apresentando, daí será preciso diagnosticar e acompanhar mais de perto para obter êxito no processo de ensino-aprendizagem.
As crianças portadoras de distúrbio de aprendizagem não são incapazes de aprender, pois os distúrbios não é uma deficiência irreversível, mas uma forma de imaturidade que requer atenção e métodos de ensino apropriados. Os distúrbios de aprendizagem não devem ser confundidos com deficiência mental.
Considera-se que uma criança tenha distúrbio de aprendizagem quando:
a) Não apresenta um desempenho compatível com sua idade quando lhe são fornecidas experiências de aprendizagem apropriadas;
b) Apresenta discrepância entre seu desempenho e sua habilidade intelectual em uma ou mais das seguintes áreas; expressão oral e escrita, compreensão de ordens orais, habilidades de leitura e compreensão e cálculo e raciocínio matemático.
CAPÍTULO IV
PRINCIPAIS DISTÚRBIOS DE APRENDIZAGEM
Em se tratando dos tipos de dificuldades podem-se citar várias, pois nas salas de aulas encontram-se alunos com diferentes capacidades de conhecimentos e de cultura. Alunos que apresentam algum distúrbio de aprendizagem necessitam de atividades diversificadas e mais tempo para construir seu conhecimento.
Entre os tipos de distúrbios de aprendizagem pode-se citar:
• Dislexia;
• Disgrafia;
• Discalculia e;
• Dislalia
4.1. Dislexia
A dislexia não é uma doença, é um distúrbio de aprendizagem congênito que interfere de forma significativa na integração dos símbolos linguísticos e perceptivos. Acomete mais o sexo masculino que o feminino, numa proporção de 3 para 1 (ALMEIDA, s/d).
Caracteriza-se por uma dificuldade na área da leitura, escrita e soletração. A dislexia costuma ser identificada nas salas de aula durante a alfabetização, sendo comum provocar uma defasagem inicial de aprendizado.
A dislexia é mais frequentemente caracterizada por dificuldade na aprendizagem da decodificação das palavras. Pessoas disléxicas apresentam dificuldades na associação do som à letra (o princípio do alfabeto); também costumam trocar letras, por exemplo, b com d, ou mesmo escrevê-las na ordem inversa, por exemplo, "ovóv" para vovó. A dislexia, contudo, é um problema visual, envolvendo o processamento da escrita no cérebro, sendo comum também confundir a direita com a esquerda no sentido espacial.
Contudo a dislexia e as desordens do déficit de atenção e hiperatividade não estão correlacionados com problemas de desenvolvimento.
Esse transtorno de aprendizagem é um dos grandes obstáculos nas salas de aulas brasileiras que impedem o pleno desenvolvimento da leitura e da escrita de milhares de crianças que estão em fase de alfabetização. Mas, é necessário chamar atenção, que nem todas as crianças que apresentam dificuldades na leitura e escrita, são disléxicas, em muitos casos é a deficiência da própria escola.
A escola desempenha um papel fundamental no trabalho com os alunos que apresentam dificuldades de linguagem e escrita, tendo em vista que é no ambiente escolar que os sinais da dislexia começam a ser percebidos, pois é o local onde a leitura e a escrita são permanentemente utilizadas e, sobretudo, valorizadas.
Não é necessário que alunos disléxicos fiquem em classe especial.
Alunos disléxicos têm muito a oferecer para os colegas e muito a receber deles. Essa troca de humores e de saberes, além de afetos, competências e habilidades só faz crescer a amizade, a cooperação e a solidariedade.
Como a dislexia é genética e hereditária, se a criança possuir pais ou outros parentes disléxicos quanto mais cedo for realizado o diagnóstico melhor para os pais, à escola e à própria criança. A criança poderá passar pelo processo de avaliação realizada por uma equipe multidisciplinar especializada, mas se não houver passado pelo processo de alfabetização o diagnóstico será apenas de uma "criança de risco". Quando identificado o problema de rendimento escolar ou sintomas isolados, que podem ser percebidos na escola ou mesmo em casa, deve se procurar ajuda especializada.
À escola cabe o papel de orientar os professores, cuidar da atualização e aperfeiçoamento, fornecendo assistência pedagógica, biblioteca, recursos e materiais necessários, procurando ainda não superlotar as classes, para permitir o atendimento às diferenças individuais dos alunos. Também orientar os pais, a respeito desses problemas, através de palestras, filmes e discussões com especialistas.
Aos pais, cabe conhecer e compreender os distúrbios que seu filho pode apresentar, aceitando e seguindo orientações de algum especialista. Participar
das reuniões escolares, onde pode acompanhar a evolução ou não do filho. Em casa é importante seu acompanhamento nas lições, supervisionando os hábitos de higiene e disciplina nos estudos, garantindo assim afetividade e um bom desenvolvimento tanto em casa quanto na escola.
4.2. Disgrafia
A disgrafia é um distúrbio específico de aprendizagem. As crianças que são disgráficas, muitas vezes, são negligenciadas em sala de aula, pois, não houve diagnóstico e também não houve intervenção. Muitas vezes são consideradas desleixadas, por não capricharem nas letras ou preguiçosas, por não fazerem as cópias adequadamente e ainda podem apresentar problemas de ordem emocional, usando a escrita para chamar a atenção para seus problemas, ou até mesmo um modo de expressar falta de desejo no processo de aprendizagem.
Portanto a disgrafia é um distúrbio funcional, que afeta a fluidez, forma, qualidade ou significado da escrita, podendo ser definida como a principal dificuldade da escrita manual. É considerada como uma falha durante o processo de desenvolvimento ou da aquisição da escrita.
Ciasca (1994) relata dois tipos de disgrafia: disléxica e caligráfica (ou motora).
Disgrafia disléxica: é caracterizada pela alteração simbólica da escrita, possui, omissão de letras, sílabas e palavras; há confusão de letras com sons semelhantes; inversão ou transposição da ordem das sílabas, invenção de palavras; há uma agregação de letras e sílabas; possui uma união ou separação indevida de sílabas, palavras ou letras.
Disgrafia caligráfica ou motora: se caracteriza por afetar a forma das letras e a qualidade da escrita, porém, não afeta a simbolização da escrita, se refere às alterações na forma e tamanho das letras e espaçamento irregular (nas palavras, entre as palavras e entre as linhas) possui inclinação defeituosa entre palavras e linhas, alterações na ligação entre as letras; pressão
excessiva na escrita; alteração na direção das curvaturas e alterações tônico- posturais da criança.
A disgrafia não é algo adquirido quando criança, porém ocorrem de duas maneiras: a disgrafia pura ocorre ainda durante a gestação e já nasce com a criança, ela não é adquirida A disgrafia pode ocorrer em adultos também, mas somente quando ocorre uma lesão, como um derrame, que pode comprometer a coordenação motora de mãos e braços. Entende-se que a disgrafia afeta em geral crianças em idade de alfabetização. Até as três primeiras séries é normal que as crianças façam confusões ortográficas, pois os sons e palavras impostas ainda não são dominados por elas. Para tanto, é preciso cuidado e atenção, caso ainda aconteça essas trocas ortográficas com o tempo.
A escola e todo corpo docente, em especifico educador, exercem um papel primordial no ensino- aprendizagem.Quando a criança apresenta dificuldades de aprendizagem é muito comum conflitos entre pais e professores. Todavia, é necessário que pais e professores devam estar juntos para trabalhar no auxilio do desenvolvimento da criança. Pois, pais e professores tem uma tarefa muito importante na identificação desse problema nas crianças disgráficas.
Ainda assim é lamentável, pois alunos que não apresentam rendimento escolar são ignorados por outras crianças e até mesmo por seus professores.
Nesse caso, é muito importante o papel do professor, pois ele deve ministrar bem essa situação, de maneira que não haja descriminação, propondo brincadeiras que ajude na socialização e atividades em grupo para que todas as crianças percebam seu papel social. Deve também evitar que essas crianças que apresentam essas dificuldades, não se sintam menosprezadas e retraídas, pelo contrário, mostrar a elas seus aspectos positivos e do que elas são capazes.
Promover a socialização destas crianças disgráficas requer paciência e compromisso, de maneira que não haja discriminação tanto pelos colegas quanto pelos próprios educadores.
4.3. Discalculia
A discalculia é uma má formação neurológica que provoca transtornos na aprendizagem de tudo o que se relaciona a números, como fazer operações matemáticas, fazer classificações, dificuldade em entender os conceitos matemáticos, a aplicação da matemática no cotidiano e na sequenciação numérica. Acredita-se que a causa dessa má formação pode ser genética, neurobiológica ou epidemiológica.
Normalmente, crianças e qualquer outra pessoa que possui tal distúrbio apresentam sinais como dificuldade com tabuadas, ordens numéricas, dificuldades em posicionar os números em folha de papel, dificuldade em somar, subtrair, multiplicar e dividir, dificuldade em memorizar cálculos e fórmulas, dificuldade em distinguir os símbolos matemáticos e dificuldade em compreender os termos utilizados.
Para que o professor consiga detectar a discalculia em seu aluno é imprescindível que ele esteja atento à trajetória da aprendizagem desse aluno, principalmente quando ele apresentar símbolos matemáticos malformados, demonstrar incapacidade de operar com quantidades numéricas, não reconhecer os sinais das operações, apresentar dificuldades na leitura de números e não conseguir localizar espacialmente a multiplicação e a divisão.
Caso o transtorno não seja reconhecido a tempo, pode comprometer o desenvolvimento escolar da criança, que com medo de enfrentar novas experiências de aprendizagem adota comportamentos inadequados, tornando- se agressiva, apática ou desinteressada.
Ao deparar-se com alunos com déficit de aprendizado, o professor precisa dispensar maior atenção para poder identificar as dificuldades apresentadas. No caso da matemática, é um pouco mais difícil dizer se é um déficit ou um distúrbio, uma vez que a matemática é considerada uma das disciplinas mais complicadas para o entendimento do aluno.
Um indicador muito simples das possíveis dificuldades com números é a inabilidade de contar para trás, de dois em dois números ou de três em três, ressaltando que os discalcúlicos têm dificuldade na compreensão da ordem e da estrutura numérica.
Outro fator é a falta de compreensão do valor da posição no sistema numérico. A confusão nessa área é frequentemente disfarçada nos primeiros anos, pois as crianças aprendem as regras apropriadas para somar e subtrair e pode utilizá-las se apresentadas de forma especial (diretas), e são mecanicamente
aprendidas. Se essa colocação é mudada, ou se é necessário usar o conhecimento dos números, a pessoa geralmente necessita de flexibilidade para utilizar seu conhecimento de outra maneira, o que torna sua dificuldade de compreensão visível, assim como tarefas como agrupar e reagrupar números, lembrar qual número vem antes ou depois e repetição de algarismos devido à falta de atenção.
O que também se observa são as dificuldades em seguir muitas ordens simultaneamente, além de problemas com a coordenação motora fina (pintar, desenhar, amarrar, costurar etc), problemas com a coordenação motora grossa (falta de habilidade nos esportes e o descuido ocasionando a frequente queda de objetos da carteira escolar).
Além disso, a resistência às atividades que exigem leitura e escrita é outro aspecto a ser considerado, ressaltando que o discalcúlico pode ter dificuldades na leitura e na escrita e resiste, também, a atividades em grupo por não gostar de se expôr. Geralmente escreve pouco e suas respostas às questões que lhes são formuladas resumem-se a “sim” ou “não”, devido ao medo de errar. Manifesta um sentimento fortíssimo de menos-valia, que acontece por se sentir acuado em relação à classe.
Os pesquisadores Johnson e Myklebust (1983) baseiam seus estudos em uma classificação com seis tipos de discalculia elaborada por um pesquisador citado como Kosc que definiu a discalculia em seis subtipos:
a) Discalculia Verbal – dificuldade para nomear as quantidades matemáticas, os números, os termos, os símbolos e as relações;
b) Discalculia Practognóstica – dificuldade para enumerar, comparar e manipular objetos reais ou em imagens, matematicamente;
c) Discalculia Léxica – dificuldades na leitura de símbolos matemáticos;
d) Discalculia Gráfica – dificuldades na escrita de símbolos matemáticos;
e) Discalculia Ideognóstica – dificuldades em fazer operações mentais e na compreensão de conceitos matemáticos e;
f) Discalculia Operacional – dificuldades na execução de operações e cálculos numéricos.
4.4. Dislalia
A Dislalia é a má formação da articulação de fonemas, dos sons da fala.
Não é um problema de ordem neurológica, mas de ordem funcional, referente à forma como estes sons são emitidos, este som alterado pode se manifestar de diversas formas, havendo distorções, sons muito próximos mas diferentes do real ; omissão, ato em que se deixa de pronunciar algum fonema da palavra;
transposições na ordem de apresentação dos fonemas (dizer mánica em vez de máquina, por exemplo); e, por fim, acréscimos de sons. Estas alterações mais comuns caracterizam uma dislalia.
A dislalia pode ser fonética, quando o problema se apresenta somente na alteração constante de fonemas mas a criança conhece o significado da palavra, ou fonológica, quando a criança simplesmente não ordena de modo estável os sons de sua fala. Para evitar tais problemas, a Fonoaudiologia deve ser também preventiva.
A maioria das pessoas ainda não tem o hábito de fazer uma avaliação fonoaudiológica preventiva, nos primeiros anos de vida, como ocorre no que diz respeito à Pediatria. Mas eu penso que se deve estar atento também à saúde da voz, da fala e da audição, e acompanhar este desenvolvimento, principalmente quando se pretende expor a criança a uma aprendizagem formal, na idade certa.
Muitos fatores, podem influir para que dislalias venham a surgir: crianças que usam a chupeta por muito tempo, ou que mamam na mamadeira por tempo prolongado, ou mesmo aquelas que mamam pouco tempo no peito terminam por alterar as funções de mastigação, respiração e amamentação.
Estas crianças podem apresentar um quadro de dislalia. Embora não se possa dizer que haja uma relação direta, é inegável que tais crianças acabem apresentando flacidez muscular e postura de língua indevida, o que pode
ocasionar dislalia. Sendo assim, a dislalia pode ser prevenida por mães bem orientadas durante a amamentação e o pré-natal.
O tratamento da dislalia varia de acordo com a necessidade de cada criança. Em primeiro lugar, é feita uma avaliação após um contato com a família, e faz-se um levantamento histórico da criança para, só depois, iniciar o trabalho com a percepção dos sons que ela não executa. Existem crianças que têm dificuldade de perceber auditivamente os sons. O fonoaudiólogo deve, então, usar recursos corporais e visuais para chegar ao seu objetivo. Outras crianças apresentam línguas hipotônicas (flácidas), o que às vezes chega a ocasionar alterações na arcada dentária. Ou ainda, mostram falhas na pronúncia de certos fonemas devido à postura e respiração deficientes. Para cada criança, tem-se um procedimento diferente, mas, em geral, o fonoaudiólogo atua, na terapia, sobre a falha e a dificuldade, usando, de preferência, meios lúdicos para ampliar a possibilidade de utilização dos sons, até que a criança se sinta segura.
A Dislalia é muito variada. Existem Dislalias funcionais, orgânicas, ou audiógenas:
a) Dislalia FuncionaI- Ponto e modo de articulação do fonema incorretos. A criança não sabe mudar a posição da língua e dos lábios. É muito freqüente em caçulas, porque eles tendem a conservar as formas de articulação infantis muitas vezes pôr terem uma posição importante na família e não necessitarem de muito esforço para serem compreendidas. As perturbações de ordem funcional podem ser oriundas de imitação ou alterações emocionais ou fatores hereditários.
b) Dislalia Orgânica- Dificuldade para articular determinados fonemas por problemas orgânicos. Quando apresentam alterações nos neurônios cerebrais, ou alguma má formação ou anomalias nos órgãos da fala, como:
defeitos na arcada dentária, lábio leporino, freio da língua curto e língua de tamanho acima do normal.
Outras crianças apresentam línguas hipotônicas (flácidas), o que às vezes chega a ocasionar alterações na arcada dentária. Ou ainda, mostram falhas na pronúncia de certos fonemas devido a postura e respiração deficiente.
c) Dislalia Audiógena- Dificuldade por problemas auditivos. A criança se sente incapaz de pronunciar corretamente os fonemas porque não ouve bem. Em alguns casos é necessário que as crianças utilizem próteses.
Durante a alfabetização, a criança pode ou não levar o seu desvio oral para a grafia, o desvio fonológico não é pré-condição de uma alteração de leitura e escrita, embora não seja aconselhável chegar nessa fase escolar com o padrão de linguagem fora do normal.
Para cada criança, tem-se um procedimento diferente de terapia para dislalia, mas, em geral, para o fonoaudiólogo atuar, na terapia, sobre a falha e a dificuldade, usando, de preferência meios lúdicos para ampliar a possibilidade de utilização dos sons.
Devemos agir da seguinte maneira com os dislálicos:
• Repetir somente a palavra correta para que a criança não fixe a forma errada que acabou de pronunciar.
• É importante que o adulto articule bem as palavras, fazendo com que a criança perceba claramente todos os fonemas.
• Assim que perceber alterações na fala de um aluno, o professor deve evitar criar constrangimentos em sala de aula ou chamar a atenção para o fato.
• O ato da fala é um ato motor elaborado, portanto, os professores devem trocar informações com os educadores esportivos e professores de Educação Física, que normalmente observam o desenvolvimento psicomotor das crianças.
• O ideal é que a criança faça uma avaliação fonoaudiológica antes de iniciar a alfabetização, além de exames auditivos e oftalmológicos.
CONCLUSÃO
Durante a realização da pesquisa, pude perceber que a relação escola e família é imprescindível para que ocorra uma educação de qualidade.
É necessário que as famílias criem o hábito de participar da vida escolar das crianças, que perceba a importância de se relacionar com a escola na busca de um objetivo em comum, “educação de qualidade para as crianças”.
Por outro lado, a escola deve ser a responsável por criar meios de aproximação com as famílias e a comunidade, orientando e mostrando que educar não é papel exclusivo das escolas, é papel de todos. Todos juntos lutando por uma melhor educação.
Nessa análise não podemos desconsiderar o fato de que os professores tendem a culpar a família, pela falta de seu envolvimento, quando os alunos vão mal, ou apresentam problemas em sua aprendizagem. Não obstante, os professores tenham razão quando afirmam que a participação da família na vida escolar do filho é muito importante para uma melhor aprendizagem, é papel da escola buscar uma prática pedagógica, na qual o aluno possa atribuir significado aos conteúdos ensinados, “pois são os professores os especialistas em educação” (JARDIM, 2006, p.80). Portanto, culpar a família pelas dificuldades de aprendizagem do aluno, acaba afastando-as ainda mais da escola.
É fundamental e importante uma mudança nas atitudes dos pais e professores, o importante não é encontrar um culpado pelas situações ocorridas nas escolas, mas sim buscar juntas soluções para tais situações problemáticas. A escola como detentora dos conhecimentos, métodos e técnicas de ensino, deve ter a iniciativa de aproximar família e escola, envolvendo-as em atividades realizadas na escola como comemorações, palestras, confraternizações com toda comunidade e orientando-as sobre a importância de um trabalho de parceria.
Esta não é uma tarefa fácil, mas não impossível, pois ter uma educação de qualidade com o apoio das famílias e comunidade é um sonho, que para virar realidade é preciso agir.
Também podemos observar que para na prática pedagógica, as teorias de Wallon, Piaget, Vygotsky e outros autores, contêm elementos comuns que são indispensáveis para o desenvolvimento da aprendizagem. Em Wallon, identificamos a necessidade de que o professor veja seus alunos com mais atenção, para entender suas condutas e não fazer julgamentos precipitados.
Em Piaget, entendemos que o professor deve estar antes de tudo, comprometido com a educação, com o conhecimento, de forma a contribuir com a formação da pessoa, do desenvolvimento da sua personalidade, como participante do grupo social em que vive. E em Vygotsky, o professor tem que ser um mediador e considerar a “bagagem” que a criança já traz consigo, para que o aluno se interaja de maneira cooperativa na construção da sua aprendizagem.
Enfim, fica evidente a importância que tem para nós, educadores, o conhecimento da afetividade, quer seja através das emoções, da força motora das ações ou do desejo e da transferência, para o melhor desenvolvimento da aprendizagem do aluno e, consequentemente, para uma melhor relação entre este e o professor.
A escola, portanto, deve voltar-se para a qualidade das suas relações, valorizando o desenvolvimento afetivo, social e não apenas cognitivos como elementos fundamentais no desenvolvimento da criança como um todo.
Ao nos depararmos com quadros de crianças com distúrbios de aprendizagem, nos surge a preocupação em que nós professores podemos contribuir para que esse aluno, mesmo diante de suas dificuldades possa aprender? A esse questionamento refletimos sobre o papel da escola e a inter- relação com a família.
Consideremos que o papel da escola deveria ser o de desenvolver o potencial de cada um, respeitando as características individuais do aluno e sempre procurando reforçar os pontos fracos e auxiliando na superação dos pontos fracos, evitando dessa forma que as dificuldades que as crianças
possuem não sejam motivos para serem excluídas no processo de aprendizagem e muito menos possam ser rotuladas ou discriminadas.
Outro fator que muito colabora no papel da escola, é a família, pois permite a troca de experiências entre pais e professores. É muito importante que haja uma integração entre os ambientes (escola e família) para se compor o quadro de uma forma real e objetiva. Tanto os pais quanto os professores precisam entender que as dificuldades que a criança possua não é culpa de ninguém, e que se tiver um trabalho em conjunto todos serão beneficiados, principalmente a criança.
Temos que ter em mente que não há criança que não aprenda, o que ocorre é que algumas aprendem de modo mais rápido, outras não, mas sem sombras de dúvida, chega-se a conclusão que independentemente da via neurológica utilizada, o sucesso escolar de crianças com distúrbios de aprendizagem possa ser uma associação de fatores que envolvam ambiente adequado + estímulo+ motivação + organismo, possibilitando que o professor na sua árdua tarefa de lidar com as mais diferentes adversidades saiba que antes de tudo, ser necessário saber avaliar, distinguir e principalmente querer mudar, respeitando cada criança em seu estado de desenvolvimento.
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
BOSSA, N. A. Dificuldades de aprendizagem. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000.
FONSECA, Victor da; Uma introdução as dificuldades de aprendizagem, Editorial Notícias Lisboa; 1999.
FONSECA, Victor 1999; Insucesso escolar, Âncora editora Lisboa – Portugal.
FRANK, Robert. A vida secreta da criança com dislexia. São Paulo: M.
Books, 2003.
FREITAS,Ione Campos. disponíve em http://democracianaescola.blogspot.com.
GARCIA, J. N. Manual de dificuldades de aprendizagem. Porto Alegre:
ArtMed,1998.
GRANDO, Regina Célia. O jogo e a matemática no contexto da sala de aula. São Paulo: Paulus, 2004.
JARDIM, A. P. Relação entre Família e Escola: Proposta de Ação no Processo Ensino Aprendizagem. Presidente Prudente: Unoeste, 2006.
JOHNSON, D.J.; MYKLEBUST, H.R. Distúrbios de aprendizagem: princípios e práticas educacionais. São Paulo: Pioneira, 1983.
KALOUSTIAN, S. M. (org.) Família Brasileira, a Base de Tudo. São Paulo:
Cortez; Brasília, DF: UNICEF, 1988.
MORAIS, Antônio Manoel Pamploma. Distúrbios de Aprendizagem: uma abordagem psicopedagógica. 3ª. ed. São Paulo: Edicon, 1992;
OLIVEIRA, J.H.Barros de; Oliveira M.Barros 1996 Psicologia da Educação Escolar II Professor-Ensino; Livraria Almeida-Coimbra Portugal.
PAROLIN, Isabel. Relação Família e Escola: Revista atividades e experiências. Positivo, 2008.
PIAGET, J. Para onde vai a Educação. Rio de Janeiro: Jose Olympio, 1972- 2000
PIAGET, Jean. Seis estudos de psicologia. Tradução de Maria Alice M.
D’Amorim e Paulo S. L. Silva. Rio de janeiro: Editora Florence – Universitária Ltd.,1987;
SANTANA, Patrícia Maria. O Valor do Afeto na Relação Professor-aluno, 2007.
TIBA, Içami. Quem ama educa. São Paulo: Gente, 2002.
VYGOTSKY apud GOMES. A formação Social da mente: O desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. [S.l.]: São Paulo, Martins Fontes, 1989. p. 97.
VYGOTSKY, L. S. Pensamento e Linguagem. Rio de Janeiro: Martins Fontes, 1998.
WALLON, Henri. As origens do pensamento na criança. São Paulo: Manole, 1989.
WALLON, Henri. Do ato a pensamento – ensaio de psicologia comparada.
Tradução de J. Seabra Dinis. Lisboa: Morais Editores, 1979.
ÍNDICE
FOLHA DE ROSTO 02
AGRADECIMENTO 03
DEDICATÓRIA 04
RESUMO 05
METODOLOGIA 06
SUMÁRIO 07
INTRODUÇÃO 08
CAPÍTULO I
AUSÊNCIA DA PARTICIPAÇÃO DA FAMÍLIA 09
CAPÍTULO II
VÍNCULO ENTRE PROFESSOR E ALUNO 12
2.1. RELAÇÃO PROFESSOR-ALUNO SEGUNDO VYGOTSKY 13 2.2. RELAÇÃO PROFESSOR-ALUNO SEGUNDO PIAGET 15 2.3. RELAÇÃO PROFESSOR-ALUNO SEGUNDO WALLON 17 CAPÍTULO III
TRANSTORNOS ESPECÍFICOS APRESENTADOS QUE 18 DIFICULTAM A APRENDIZAGEM
CAPÍTULOIV
PRINCIPAIS DISTÚRBIOS DA APRENDIZAGEM 21
4.1. DISLEXIA 21
4.2. DISGRAFIA 23
4.3. DISCALCULIA 25
4.4. DISLALIA 27
CONCLUSÃO 30
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 33
ÍNDICE 35