NAYARA MÔNIA FIELTZ COMPORTAMENTO PERCENTUAL D MULHERES P

Texto

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COMPORTAMENTO PERCENTUAL D

MULHERES P

iplina de sito parcial fa tu ra em Biológicas,

CURITIBA 2001

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COMPORTAMENTO DOS COMPONENTES DE FORÇA, FLEXIBILIDADE, PERCENTUAL DE GORDURA E ÍNDICE DE MASSA CORPORAL, EM

MULHERES PRATICANTES DE EXERCÍCIOS FÍSICOS REGULARES

Monografia apresentada à disciplina de Seminário de Monografia como requisito parcial à conclusão do Curso de Licenciatura em Educação Física, Setor de Ciências Biológicas, Universidade Federal do Paraná.

Orientadora: Prof. Ms. Neiva Leite

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LISTA DE TABELAS... iü

LISTA DE QUADROS... iv

RESUMO...v

1. INTRODUÇÃO... 1

2. REVISÃO DE LITERATURA...3

2.1. Condicionamento Físico... 4

2.1.1. Componente de Força...8

2.1.1.1. Fatores que influenciam a força... 9

2.1.1.2. Considerações do treinamento de força... 13

2.1.2. Flexibilidade... 16

2.2. Princípios do Condicionamento Físico... 21

2.2.1. Princípio da individualidade biológica... 21

2.2.2. Princípio da adaptação... 22

2.2.3. Princípio da sobrecarga... 22

2.2.4. Princípio da especificidade... 22

2.2.5. Princípio da continuidade... 23

2.2.6. Princípio da interdependência - volume e intensidade... 23

2.2.7. Princípio da reversibilidade... 23

2.3. Avaliação Física... 24

2.3.1. Composição corporal...27

3. METODOLOGIA... 31

3.1. Critérios para amostragem... 31

3.2.Procedimentos de avaliação... 31

3.3. Programa de condicionamento... 33

4. APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS... 35

5. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS... 37

6. CONCLUSÃO... 39

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS... 41

ANEXOS... 43

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Tabela 1 - Médias e Desvios Padrões das variáveis de força máxima de prensão manual direita e esquerda, flexibilidade no banco de Wells direita e esquerda, entre a 1a, 2a e 3a avaliações... 35 Tabela 2 - Médias e Desvios Padrões das variáveis de circunferências de

braço direito relaxado (BDR), contraído (BDC), esquerdo relaxado (BER), contraído (BEC), diferenças entre relaxado e contraído (R/C) e antebraço esquerdo e direito, entre a 1a, 2a e 3a avaliações...36 Tabela 3 - Médias e Desvios Padrões das variáveis de peso, estatura, IMC,

Percentual de Gordura, entre a 1a, 2a e 3a avaliações... 36

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Quadro 1 - Valores de Referência para o Teste de Sentar e Alcançar para Mulheres (Adaptado de ACSM, 19 95 )...20 Quadro 2 - Fatores de Risco para Doença Coronariana... 27 Quadro 3 - Equações utilizadas para cálculo de % G ord... 33

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Muitas mulheres hoje, buscam a prática de exercícios físicos para a redução de peso corporal ou por motivos estéticos, mesmo aquelas que não têm essa necessidade comprovada. E ainda, a maioria desconhece a importância do aumento de força, flexibilidade e diminuição do percentual de gordura corporal (%Gord), ignorando que estes componentes contribuem substancialmente para a integridade do sistema morfo-funcional, relacionado à saúde. Este trabalho refere-se a um estudo longitudinal retrospectivo, tendo como objetivo: analisar o comportamento dos componentes de força, flexibilidade, %Gord e índice de Massa Corporal (IMC), justamente pelo fato de existirem poucos estudos dirigidos ao sexo feminino com relação a este assunto. A amostra é composta por um grupo de 55 mulheres com idade entre 18 e 50 anos, alunas de uma academia de Curitiba, que realizaram as avaliações entre os anos de 1998 e 2000, onde mantiveram uma continuidade em seus programas de condicionamento físico e realizaram suas avaliações periodicamente. O %Gord foi calculado pela fórmula de SIRI (1961), a partir do resultado da densidade corporal obtido através do protocolo de GUEDES e GUEDES (1998). Foi utilizado um dinamômetro manual para obtenção da força máxima de preensão manual. A flexibilidade foi mensurada utilizando-se o Banco de Wells. Foi constatado que no período de 8 meses (em média), houve uma diminuição significativa do %Gord, uma equiparação dos lados Direito e Esquerdo quanto às circunferências de braço e antebraço, assim como, um aumento da força manual, flexibilidade individual e ainda, foi constatado que o IMC não foi um bom parâmetro de modificação.

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1.1 PROBLEMA

Atualmente a maioria das pessoas busca a prática de exercícios físicos para a redução de peso corporal ou simplesmente por motivos estéticos, mesmo aquelas que não têm estas necessidades comprovadamente.

Objetivos estes que levam inúmeras mulheres à prática de exercícios físicos, sem muitas vezes saber de seus benefícios para a saúde, assim como, a maioria desconhece a importância do aumento de força, flexibilidade e diminuição do percentual de gordura corporal, buscando simplesmente a redução de peso e melhoria estética, desconhecendo ou ignorando os mecanismos para o bom funcionamento do corpo humano.

1.2 JUSTIFICATIVA

Em virtude do quadro atual, onde se vê um aumento significativo de pessoas sedentárias e mal informadas sobre os benefícios dos exercícios físicos, deve-se buscar subsídios para que programas de condicionamento físico tornem-se eficazes, assim como, mostrar as possibilidades de melhoria proporcionadas.

As capacidades de força, flexibilidade e de controle do peso corporal, contribuem substancialmente para a integridade do sistema morfo-funcional, relacionado à saúde. De acordo com esta informação as valências de força, flexibilidade, percentual de gordura e índice de Massa Corporal (IMC), são dados importantes e bastante utilizados para estabelecer parâmetros para a condição física do indivíduo, e muitas vezes não é estabelecida a importância em fazer sua mensuração.

Sendo assim, é de fundamental importância que estes componentes estejam presentes neste trabalho, visto que, o que se busca é o conhecimento sobre seu comportamento em um grupo composto somente por mulheres em virtude de haver um grande crescimento do número de praticantes de exercícios físicos do sexo feminino, assim como, as respostas quanto à melhoria e comportamento da

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flexibilidade, percentual de gordura e força, na maior parte dos casos, vêm sendo baseadas em resultados que os homens apresentaram em outros estudos, já que estes eram os principais envolvidos com a prática de exercícios físicos em academias.

1.3 OBJETIVOS

1. Analisar os resultados obtidos em avaliações realizadas com um grupo de mulheres.

2. Observar se os períodos em que ocorreram as avaliações foram os ideais para obter dados significativos.

3. Verificar se os dados obtidos foram suficientes para estabelecer objetivos do programa de condicionamento ao qual as avaliadas estavam sendo submetidas.

4. Comparar todos estes dados com literatura específica.

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Segundo FILARDO e LEITE (2001), a prática de exercícios físicos tem como objetivo mais frequente a redução de peso corporal, mesmo para aqueles que não têm essa necessidade comprovada. Outro objetivo que leva inúmeras pessoas à esta prática, é a estética.

A obesidade, a hipertensão, o diabetes, as taxas plasmáticas de colesterol e os triglicerídeos anormais, são fatores de risco para doenças crônico-degenerativas, e merecem atenção para a prática de exercícios, mesmo esta exercendo benefícios para as pessoas que apresentem alguma destas condições clínicas.

Os mesmos autores ressaltaram que devido ao desenvolvimento que o mundo atual vêm mostrando, a obesidade, juntamente com o sedentarismo estão crescendo cada vez mais, em virtude disto e sabendo-se que a participação efetiva em programas de exercícios físicos, promove a redução de peso corporal - além de outros benefícios, devido ao gasto calórico que exerce, é recomendada a prática de exercícios.

O treinamento de força, segundo FLECK e KRAEMER (1999), tornou-se uma das formas mais conhecidas de exercício, tanto para o condicionamento de atletas como para melhorar a forma física de não atletas. E um número crescente de academias, escolas e universidades com recursos para o treinamento com pesos confirma a popularidade desta forma de condicionamento físico.

NUNOMURA et al. (1997), realizaram uma pesquisa que revela que 25%

dos participantes das aulas em academias desistem por acharem os horários destas, inadequados às suas necessidades (principal motivo), 14% por acharem o nível das aulas muito fraco; os autores ainda relataram um nível de resistência à mudança de comportamento muito alto destes participantes, fazendo com que o insucesso destes programas aconteça naturalmente.

Desta maneira, de acordo com o que foi descrito por FILARDO e LEITE (2001), fica nítido que a maioria das pessoas não consegue seguir com disciplina um programa de condicionamento, o que dificulta, além do trabalho do profissional em prescrever exercícios sem saber ao certo quanto será o tempo real de treinamento

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do indivíduo, como a resposta que esta pessoa terá, em virtude do tempo e do não cumprimento ao período ideal de exercícios.

Para melhor entendimento sobre o assunto, esta revisão foi dividida em:

Condicionamento Físico; Princípios do Condicionamento Físico; Avaliação Física, onde será abordada a atividade física em relação ao desenvolvimento das capacidades físicas de força e flexibilidade, assim como, o comportamento da composição corporal do sexo feminino.

2.1.CONDICIONAMENTO FÍSICO

A capacidade de prolongar esforços de alta intensidade é um dos efeitos mais marcantes do treinamento com pesos, ressaltado por SANTARÉM (1997). O aprimoramento desta qualidade de aptidão ocorre em função da maior capacidade contrátil e principalmente metabólica dos músculos treinados com pesos. As repetições acima de dez e abaixo de vinte parecem ser as mais eficientes para estimular a resistência anaeróbia. Os intervalos de descanso costumam ficar entre um e dois minutos. Esta faixa de repetições, principalmente quando realizadas com intervalos curtos, constituem uma das mais extenuantes formas de treinamento físico, com níveis de lactato sanguíneo próximos de 27 mmol/l.

O mesmo autor, ressaltou um aspecto importante do treinamento com pesos, para qualquer objetivo, que os bons resultados são efeitos da super compensação, que se espera ocorrer no final da fase de recuperação pós-treino.

Para tanto é necessário que o desgaste dos exercícios (catabolismo) possa ser superado em magnitude pela capacidade de recuperação do organismo (anabolismo). Com um treinamento menos exaustivo, adequado ao biotipo individual, é possível obter progressos apenas contando com a capacidade anabólica natural da pessoa.

Segundo os estudos de SMITH (1982), citado por WEINECK (1999), mesmo um programa mínimo de exercícios gerais, já é o suficiente para aumentar o percentual de sais minerais nos ossos - sendo válido até mesmo para pessoas de

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90 anos. Os resultados desta medida profilática indicam aumento da estabilidade dos ossos e redução da suscetibilidade a fraturas devido a acidentes cotidianos.

BENN et al (1996), citados por SANTARÉM (1997), determinaram que alguns minutos de caminhada em esteira com leve inclinação induz maior "stress"

cardio-circulatório do que o treinamento com pesos com sobrecarga para hipertrofia (no caso 75 % da carga máxima).

Em função de sua segurança e das qualidades de aptidão que desenvolve, os exercícios com pesos têm sido utilizados com sucesso na profilaxia de incapacidade em idosos, de acordo com EVANS (1996) e em reabilitação cardíaca, conforme o que descreveram VERRIL e RIBISL (1996).

GUEDES e GUEDES (1995), fizeram uma analogia com a prescrição de fármacos ou de dietas alimentares, a prescrição de exercícios físicos, sendo este um processo mediante o qual são recomendados ao indivíduo, esforços físicos que, ao serem executados de maneira sistemática e individualizada, deverão provocar as adaptações desejadas em seu organismo. Para que um programa tenha êxito, torna- se necessário planejar, organizar, prescrever e orientar os estímulos físicos observando certos pressupostos básicos.

No que diz respeito à qualidade de vida e à profilaxia de doenças, de acordo com o que descreveu SANTARÉM (1997), recentes trabalhos modificaram substancialmente e sem dúvidas, alguns conceitos anteriores. A força e a flexibilidade foram identificadas como as qualidades de aptidão mais importantes para a qualidade de vida das pessoas, mesmo do ponto de vista da homeostase hemodinâmica. Esta condição pode ser entendida como a capacidade de realizar com segurança e conforto os esforços comuns da vida diária.

Apoiados em revisão da literatura, o "American College of Sports Medicine"

e os "Centers for Disease Control and Prevention" dos Estados Unidos da América do Norte, divulgaram novas recomendações sobre atividade física para populações, conforme descrito por PATE et al. (1995). Está explicitado no texto desse documento que a antiga recomendação de 20 à 60 minutos de atividade contínua, com frequência cardíaca entre 60 e 90% da FC máxima, três ou mais dias por semana, embora necessária para levar à uma melhor capacidade aeróbia, não é necessária para estimular a saúde das pessoas, de acordo com o que afirmou SANTARÉM

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(1997), e ainda, os efeitos salutares são da mesma ordem de grandeza mesmo quando a atividade física é interrompida, e sem a manutenção de uma frequência cardíaca alvo. Isto se aplica diretamente aos exercícios com pesos, ao trabalho braçal, e muitas atividades do cotidiano e de lazer.

Segundo GUEDES e GUEDES (1995), programas de exercícios físicos deverão envolver todos os componentes voltados à dimensão funcional-motora, que são: resistência cardiorrespiratória, força/resistência muscular e flexibilidade, e dessa forma interferir favoravelmente nas dimensões morfológica, fisiológica e comportamental da atividade física relacionada à saúde.

Os efeitos salutares da atividade física, hoje se sabe, que são independentes de sistematização de execução, e independentes também do tipo de aptidão física estimulada, conforme o que foi ressaltado por SANTARÉM (1997).

Exemplificando, exercícios que desenvolvem a força ou outras qualidades de aptidão, estimulam a saúde geral e cardiovascular tanto quanto os exercícios que desenvolvem a capacidade aeróbia. Saúde cardiovascular não pode ser confundida com aptidão cardiovascular.

O mesmo autor destacou que o parâmetro de atividade física que se identificou como o mais relacionado com os efeitos salutares foi o gasto calórico. As novas recomendações preconizam um mínimo de atividade diária equivalente a 200 kcal, independentemente do tipo de metabolismo energético e outros fatores.

Também é reconhecida a importância do desenvolvimento da força e da flexibilidade para a qualidade de vida, principalmente no caso de pessoas idosas.

Segundo POWERS e HOWLEY (2000), a atividade física constitui a parte mais variável do gasto energético, representando de 5 a 40% do consumo energético diário, dependendo das atividades diárias do indivíduo.

Os mesmos autores descreveram que as respostas gerais das mulheres ao exercício e ao treinamento são essencialmente as mesmas descritas para os homens, exceto quanto à termorregulação dos exercícios, que é moderadamente comprometida nas mulheres durante a fase lútea do ciclo menstrual.

Considerando o procedimento mais eficaz para provocar impacto positivo no controle de peso corporal, GUEDES e GUEDES (1998), consideraram que as rotinas de exercícios físicos devem envolver a utilização de grandes grupos musculares e

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que possam ativar todo o sistema orgânico de oxigenação, sendo que os exercícios que se prestam a esta finalidade são os chamados aeróbicos, que de forma particular incluem esforços de média e longa duração, de caráter dinâmico, em ritmo constante e de intensidade moderada.

De maneira geral, a eficácia dos exercícios aeróbicos está diretamente relacionada à demanda energética total induzida pelo trabalho muscular, associada à adequada combinação de frequência, intensidade e duração dos esforços físicos.

Como exemplos típicos de exercícios físicos que podem ser realizados de maneira aeróbica, encontram-se: a caminhada, a corrida, o ciclismo e a natação, e ainda a hidroginástica, a dança e determinadas modalidades desportivas, podem ser praticadas com predominância aeróbica.

As recomendações básicas para exercícios aeróbios, feitas por estes mesmos autores, foram: frequência semanal de 3 (três) a 5 (cinco) sessões, em dias alternados quando possível; intensidade de 50 a 80% da frequência cardíaca de reserva; duração de 15 a 60 minutos de atividade contínua a cada sessão; com atividade de caminhada, corrida, ciclismo ou natação, exercícios que envolvem grandes grupos musculares.

De acordo com o que foi descrito por WEINECK (1999), o treinamento da flexibilidade pode ser diário e ainda, com 2 (duas) sessões. Os músculos encurtados voltam ao seu estado normal, quando são executados pelo menos 3 (três) vezes por semana, exercícios de alongamento. E de um modo geral, são necessárias 6 (seis) semanas de treinamento de alongamento, para que o indivíduo atinja sua flexibilidade ideal após uma pausa.

O mesmo autor destacou que, logo após a execução de uma única sessão de treinamento de força, a capacidade de alongamento do músculo treinado fica reduzida em 5 (cinco) a 13% (treze por cento) num período de até 48h após o treinamento. Se um treinamento de força for associado a um de flexibilidade, observa-se uma melhora considerável da capacidade de alongamento, melhora esta que perdura até 48h após o mesmo.

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2.1.1. Componente de Força

Força, segundo o que descreveu SHARKEY (1998), é a força máxima que pode ser exercida numa única contração voluntária. Sendo importante em três situações: quando sua ocupação exige; em certos esportes; e para aqueles acima de 60 anos de idade.

A força diminui à medida que envelhecemos, mais ou menos depois dos 55 aos 60 anos o declínio torna-se mais rápido. Ao longo da vida necessitamos de alguma força para atividades diárias como: trocar pneu furado, acelerar uma caminhada, erguer e carregar crianças; e para evitar lesões.

O mesmo autor reportou que a ausência de aptidão muscular leva à falta de atividade, que incita a perda de força e assim por diante, num círculo vicioso. A maioria das pessoas possui mais força do que são capazes de demonstrar. Pessoas destreinadas inibem a plena expressão de força. As inibições estão no cérebro e em receptores musculares inibitórios. Um efeito de treinamento é reduzir as inibições e permitir uma expressão mais plena da força disponível.

BARBANTI (1979), citado por MARINS e GIANNICHI (1998), definiu força como a capacidade de exercer tensão muscular contra uma resistência, envolvendo fatores mecânicos e fisiológicos, que determinam a força em algum movimento particular.

Outra definição de força foi descrita por OLIVEIRA e GALLGHER (1997), que definiram-na como uma habilidade complexa utilizada na execução de movimentos contra a contra resistências externas, sendo um importante componente da aptidão física e nos programas de condicionamento.

Um treinamento de força bem planejado e executado de forma consistente, segundo o que sugeriram FLECK e KRAEMER (1999), pode produzir os seguintes benefícios: aumento de força, aumento do tamanho dos músculos, melhor desempenho desportivo, crescimento de massa livre de gordura e diminuição da gordura corporal.

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2.1.1.1 Fatores que Influenciam a Força

Os fatores que influenciam a força, de acordo com SHARKEY (1998), são:

as inibições; área de circunferência ou transversal; número de fibras contráteis e seu estado contrátil (comprimento, fadiga); sistema de alavanca óssea; idade; gênero e tipo de fibra.

O mesmo autor, explicou que a partir dos 12-14 anos de idade os meninos tem mais força que as meninas. A diferença é devido ao aumento, no sexo masculino, do hormônio testosterona na puberdade que é um hormônio indutor de crescimento. As mulheres jovens apresentam a média de porcentagem de gordura corporal duas vezes maior que a dos homens. Se analisarmos a força por unidade de peso corporal magro (peso corporal - peso de gordura) as mulheres tem as pernas mais fortes e os braços 30% abaixo dos valores dos homens.

O músculo esquelético realiza três funções importantes, de acordo com o que descreveram POWERS e HOWLEY (2000), sendo elas: a geração de força para a locomoção e respiração; a geração de força para a sustentação postural; e a produção de calor durante períodos de exposição ao frio.

Quando na infância, meninos e meninas têm uma equiparação de força, segundo o que destacou WEINECK (1999), mas com o decorrer da idade há um rápido aumento de força nos meninos, e as meninas demonstram um pequeno aumento, atingindo seu máximo entre 20 e 30 anos de idade, a partir da qual decresce progressivamente.

FUKUNAGA (1976), citado por WEINECK (1999), descreveu que a diferença entre a força de rapazes e moças reside na maior secreção do hormônio sexual testosterona nos rapazes, hormônio responsável pelo anabolismo de proteínas: a secção transversal da fibra muscular de mulheres é 75% da secção observada na de homens. Em função de apresentarem menor conteúdo protéico e maior percentual lipídico (o dobro de uma fibra muscular masculina), a força mobilizada pela fibra muscular em mulheres é menor.

A força de uma mulher adulta pode atingir até 2/3 da força de um homem, conforme o que descreveu WEINECK (1999), referindo-se entretanto, somente à musculatura esquelética das extremidades, sobretudo às fibras de contração rápida,

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mas não à musculatura do tronco ou às fibras de contração lenta, que não apresentam diferenças em função do sexo.

A capacidade contrátil dos músculos é reconhecidamente muito estimulada pelos exercícios resistidos, de acordo com o que ressaltou SANTARÉM (1997). Tal efeito se deve não apenas à proliferação das miofibrilas, mas também ao aprimoramento da capacidade de recrutamento de unidades motoras para contração simultânea. Este efeito de treinamento da coordenação neuromuscular explica o aumento de força observado na ausência de hipertrofia, como é o caso de crianças e das fases iniciais do treinamento ou retreinamento em adultos.

O mesmo autor descreveu que o treinamento típico para aumento de força enfatiza a sobrecarga tensional, com pouca ênfase na sobrecarga metabólica. Assim sendo, caracteriza-se pela utilização de pesos elevados em baixas repetições, geralmente entre três e cinco. Cargas máximas para uma única repetição são evitadas em treinamento, mesmo no caso de levantadores de peso, devido ao risco considerável de lesões. Os intervalos de descanso entre séries costumam ficar entre três e cinco minutos. O treinamento habitual para hipertrofia, que associa sobrecarga tensional com metabólica, também estimula considerável aumento da força. Esse treinamento é frequentemente realizado com repetições entre seis e doze, e

intervalos de descanso entre um e dois minutos.

O aumento de força muscular pode ser conseguido por meio de sobrecarga progressiva utilizando-se o exercício isométrico, isotônico ou o isocinético, conforme o que foi definido por POWERS e HOWLEY (2000), sendo que, os treinamentos isotônico ou isocinético parecem ser preferíveis no desenvolvimento de ganhos de força, uma vez que os ganhos de força com exercícios isométricos somente ocorrem em determinados ângulos articulares mantidos durante sua realização.

O tamanho do músculo e força andam juntos, tanto para homens, quanto para mulheres, segundo o que foi apontado por SHARKEY (1998), mas o homem médio é maior do que a mulher média. A maioria dos estudos indica uma força de 4 a 6 kg/cm2 de circunferência do músculo, independente de gênero. Para estimar a circunferência muscular no braço, deve-se medir a gordura subcutânea e também o tamanho ósseo, considerando que eles serão parte da circunferência total. Todos os

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outros elementos estando iguais, o músculo maior é o mais forte, mas não necessariamente o mais bem sucedido no trabalho ou esporte.

0 mesmo autor ressaltou que a força atinge o auge por volta dos 20 anos e diminui lentamente até os 60 anos ou mais. A partir daí o declínio acelera, mas não necessariamente, quando a força é usada, dificilmente diminui totalmente.

O principal fator que contribui para o desempenho atlético, conforme o que descreveu COSSENZA (2000), é o componente de força, e este está relacionado ao tamanho do músculo, sendo o grau de hipertrofia um aspecto importante para as mulheres que praticam musculação.

O mesmo autor ressaltou que não existe diferença histológica entre o tecido muscular esquelético do homem e da mulher, portanto, com treinamento adequado durante um período satisfatório, é possível produzir hipertrofia nas mulheres. E o grau de hipertrofia dependerá do objetivo, estrutura de treinamento e o mais importante, dos fatores genéticos.

WILMORE (1974), citado por FLECK e KRAEMER (1999), ressaltou que o tamanho do corpo pode explicar em parte as diferenças em força muscular entre os gêneros, e que 1 repetição máxima (RM) do supino das mulheres é 37% do supino dos homens. Se o supino é expresso relativamente ao peso ou à massa corporal magra, as mulheres são 46% e 55% respectivamente, tão fortes quanto os homens.

A força isométrica máxima das mulheres no movimento de pressão de pernas é de 73% da força dos homens, mas se a força é expressa relativamente ao peso ou à massa corporal magra, as mulheres são 92% e 106% tão fortes como os homens.

Estes dados, conforme o que concluíram FLECK e KRAEMER (1999), indicam que a força muscular da parte superior do corpo das mulheres é menor do que a dos homens, tanto em valores absolutos como relativamente ao peso total do corpo ou à massa corporal magra. Quando a força das pernas, no entanto, é expressa relativamente ao peso corporal, as diferenças de força entre os gêneros são em grande parte reduzidas e quando é expressa relativamente à massa corporal magra, as mulheres na verdade podem ser mais fortes do que os homens.

Os mesmos autores ressaltaram que outros dados reforçam as noções de que a força muscular da parte inferior do corpo, mas não a da parte superior, é igual

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nos homens e mulheres quando expressa relativamente ao peso corporal ou à massa corporal magra.

FALKEL et al (1985), citados por FLECK e KRAEMER (1999), relataram que o pico de torque isocinético concêntrico das mulheres a 30°/s para a extensão do cotovelo, extensão do joelho e flexão do joelho, mas não para a flexão do cotovelo, é igual ao dos homens quando expresso relativamente à massa corporal magra.

Para que haja sucesso no treinamento de força, buscando qualquer um dos objetivos que ele oferece, de acordo com FLECK e KRAEMER (1999), deve-se considerar os seguintes princípios: ações musculares voluntárias máximas, Intensidade, volume de treinamento, periodização e sobrecarga progressiva.

A efetividade de um tipo específico de modalidade de força ou sistema de treinamento depende de seu uso correto dentro da prescrição total de exercícios, ou seja, o sistema de treinamento deve exercer um efeito de estímulo para o músculo, que se relaciona ao princípio da sobrecarga.

Os mesmos autores destacaram que, tendo como exemplo o trabalho de fortalecimento da coxa, exercícios multiarticulares como monoarticulares aumentam

a força dos grupos musculares da parte anterior como posterior desta região.

As fibras musculares são divididas em dois tipos, de acordo com as definições realizadas por SHARKEY (1998): fibra de contração lenta e fibra de contração rápida. As fibras de contração rápida são maiores e capazes de exercer mais força, já as de contração lenta, são menores, porém possuem mais resistência a exercícios de longa duração.

O mesmo autor ressaltou a divisão das nomenclaturas de força, sendo elas:

a força dinâmica também chamada de força isotônica, definida como peso máximo que pode ser levantado uma vez, ou seja, a medida de força na parte mais difícil do levantamento, geralmente o início. O levantamento de peso com aparelhos ou pesos avulsos é a forma comum de treinamento isotônico. Força estática, também conhecida por força isométrica, como especifica para o ângulo em que foi treinada;

sua medida é alcançada quando uma pessoa exerce força máxima contra um objeto imóvel. Força isocinética explicada como movimento a uma velocidade fixa. E esta é medida com um aparelho eletrônico ou hidráulico, que permite mostrar a produção da força através da amplitude do movimento.

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Devido ao fato de WEINECK (1999) entender que a força pode ser influenciada por vários fatores, este autor definiu-a no contexto de suas manifestações, deste modo, subdividiu-a sob dois aspectos: o da força geral e o da força específica. Sendo a primeira relacionada ao trabalho geral dos grupos musculares e a Segunda, direcionada para determinada modalidade desportiva, e neste caso estará combinada com outros fatores para otimização do desempenho.

A primeira subdivisão de força que este autor sugere, é a de Força Máxima, Força Rápida e Resistência de Força. Como definiu Força Máxima como sendo “a maior força disponível, que o sistema neuromuscular pode mobilizar através de uma contração máxima voluntária”, será esta fonte de estudo em vista de que é este tipo de força que está presente neste trabalho.

O mesmo autor ressaltou que: "A força máxima depende dos seguintes componentes: das estrias transversais dos músculos (linhas Z); da coordenação inter-muscular (coordenação entre músculos que atuam como agonistas em um mesmo movimento, que trabalham juntos num mesmo movimento); da coordenação intra-muscular (coordenação dentro músculo). Melhorando qualquer um destes componentes, é possível melhorar a força máxima."

2.1.1.2. Considerações do Treinamento de Força

Os grandes aumentos de força no período inicial de 2 (duas) a 4 (quatro) semanas de treinamento, em indivíduos não treinados, existem principalmente pelas adaptações neuromusculares, conforme o que foi discutido por COSSENZA (2000).

WELLS (1978), citado por FLECK e KRAEMER (1999), acreditava que as adaptações das mulheres ao treinamento de força são menores do que a dos homens e que, portanto, as mulheres se beneficiam menos desse treinamento do que os homens. Mas FIAKKINEN et al. (1989), e HAKKINEN (1993), colocaram que algumas evidências iniciais indicam que os ganhos de força das mulheres podem alcançar um platô depois de 3 (três) a 5 (cinco) meses de treinamento e podem não progredir tanto como os dos homens após esse período. Esta diferença pode ser mais pronunciada na parte superior do corpo, onde a massa muscular absoluta das mulheres é menor do que a dos homens.

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Um estudo realizado por CURETON, citado por COSSENZA (2000), demonstrou através de tomografia computadorizada que existe um aumento absoluto na área de seção transversa do músculo dos homens, mas em termos relativos, ou seja, que o percentual de mudança é semelhante, homens e mulheres tendo o mesmo tipo de treinamento, hipertrofiam de maneira relativamente similar.

O treinamento de força associado à flexibilidade é muito significativo em função de desempenhos motores e de saúde, conforme o que destacou WEINECK (1999), pois acredita-se que 70% (setenta por cento) dos casos de acidentes com pessoas idosas podem ser atribuídos a uma redução de sua capacidade de coordenação e de atividades como andar, correr e saltar. E ainda, o fortalecimento de grupos musculares das costas e da barriga, previne problemas posturais precoces e suas consequências.

O mesmo autor descreveu que um treinamento geral de força, também previne a osteoporose, doença de incidência frequente na meia-idade. Onde a perda de sais minerais dos ossos em homens não treinados, a partir dos 50 anos é de 0,4% ao ano, e em mulheres a partir de 30 a 35 anos é de 0,75% por ano, aumentando para 2 a 3 % quando atingem 70 anos.

Os exercícios resistidos são geralmente realizados com pesos, justificando a expressão genérica "treinamento com pesos", de acordo com as definições realizadas por SANTARÉM (1997), não se tratando de uma modalidade esportiva, mas de uma forma de preparação física, utilizada por atletas em geral, e também em terapêutica, reabilitação, estímulo à saúde, estética e lazer. Atualmente o termo

"musculação" costuma ser utilizado para designar o treinamento com pesos.

Estes exercícios podem ser considerados muito seguros, mesmo para pessoas idosas e debilitadas. O treinamento bem orientado ocorre com exercícios isotônicos, evitando-se a apnéia, e com as cargas adequadas à força do praticante, permitindo várias repetições antes da fadiga muscular. Não apenas as cargas, e consequentemente as repetições, são adequadas à condição física da pessoa, mas também a amplitude dos movimentos, os intervalos de descanso, o número de séries e de exercícios, e a frequência das sessões.

O mesmo autor descreveu que os movimentos são relativamente lentos e cadenciados, sem acelerações ou desacelerações violentas. O corpo permanece em

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posições anatômicas e confortáveis durante os exercícios, sem a possibilidade de desequilíbrios, quedas e torções. Como em toda forma de atividade física, a pressão arterial se eleva também nos exercícios resistidos, mas dentro de limites seguros, mesmo com cargas elevadas, desde que não se realizem contrações isométricas em apnéia. Devido ao caráter interrompido do treinamento, a frequência cardíaca eleva- se em níveis discretos. O resultado é um duplo produto de baixo risco cardíaco.

Deve ser lembrado que o aumento de pressão arterial melhora a oferta de oxigênio para o miocárdio, enquanto que a elevação da frequência cardíaca aumenta o consumo.

KRAEMER, GORDON et al, (1991), citados por FLECK e KRAEMER (1999), explicaram que a secreção de hormônios a partir do treinamento é diferente para os homens e para as mulheres. O platô no ganho de força das mulheres pode representar uma troca das estratégias fisiológicas (neural ou hipertrófica) que o corpo utiliza para adaptar os resultados em ganhos de força muscular. Por outro lado, poderia representar um tipo de exaustão, porque o treinamento periodizado até hoje não foi utilizado nos estudos com mulheres.

BROW e WILMORE, citados por COSSENZA (2000), realizaram uma pesquisa no período de 6 (seis) meses com uma amostra contendo 5 (cinco) indivíduos, dos quais 3 (três) já tinham experiência com musculação, concluindo que o efeito da musculação nas mulheres gera um ganho de força com pouca hipertrofia muscular ou nenhuma.

O mesmo autor relatou outras pesquisas do mesmo gênero, realizadas em períodos de 9 (nove) semanas a 4 (quatro) meses (HÄKKINEN; O'SHEA e WAGNER; MAYHEW e GROSS; WILMORE), não obtiveram resultados significativos quanto ao ganho de hipertrofia muscular.

A força de contração de cada unidade motora isoladamente, conforme o que relatou WEINECK (1999), não representa melhoras substanciais, mas a utilização da força máxima concêntrica e excêntrica melhora a curto prazo, dando um aumento de força devido à melhora da coordenação intra-muscular.

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2.1.2. Flexibilidade

Flexibilidade, de acordo com o que definiu WEINECK (1999), é a capacidade e a característica de um indivíduo em executar movimentos de grande amplitude, ou sob forças externas, ou que requeiram a movimentação de muitas articulações.

Conforme a descrição realizada por ACHOUR Jr (1996), a flexibilidade é reconhecida como um importante componente da aptidão física relacionada à saúde e no desempenho atlético, destacando sua importância dentro de um programa de exercícios físicos.

PÉRUSSE & BOUCHARD (1988), foram citados por ACHOUR (1996), como autores do único estudo encontrado na Literatura, tratando da flexibilidade em relação à herança genética, onde estimaram a transmissibilidade genética para flexibilidade na flexão da coluna de 0,48 em uma pesquisa com 13804 indivíduos canadenses de 7 a 69 anos de idade no ano de 1981.

Um desenvolvimento ideal da flexibilidade leva a uma maior elasticidade, mobilidade e capacidade de alongamento dos músculos, ligamentos e tendões, conforme destacado por WEINECK (1999), isto contribui para o aumento da tolerância à carga e para a profilaxia de lesões.

Através do alongamento pode-se evitar que os músculos sobrecarregados por desenvolverem grande força ou velocidade, sofram um encurtamento e todas as consequências negativas deste.

O mesmo autor descreveu que após o treinamento de força e de velocidade, principalmente, a musculatura apresenta uma grande tensão que é desfavorável para a recuperação, por esta razão devem haver exercícios de alongamento, que favoreçam o processo de recuperação e ainda a regeneração da musculatura.

Segundo POWERS e HOWLEY (2000), a perda da flexibilidade pode acarretar uma redução da eficiência do movimento e aumentar as chances de lesão, por essa razão são recomendados exercícios regulares de alongamento, para aumentar a flexibilidade, e consequentemente, reduzir as chances de lesão, talvez otimizando a eficiência do movimento.

Embora outras articulações possam demonstrar diferentes resultados na flexibilidade, ACHOUR Jr (1996), ressaltou que deve-se reconhecer que é muito

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importante estudar esta região anatômica em benefício da saúde e para o desempenho atlético.

O mesmo autor descreveu que a transmissão genética na flexibilidade pode aparecer com amplitudes diferentes em articulações bilaterais de um membro de pessoas da mesma família e na própria pessoa. Em bases gerais o sexo feminino é mais flexível que o masculino.

Conforme o que descreveu WEINECK (1999), por um lado, a capacidade de alongamento da musculatura é determinada pela resistência ao alongamento exercida pela fibra muscular e pelo tônus muscular, e por outro lado, pela capacidade de relaxamento da musculatura. E ainda, a flexibilidade é consideravelmente influenciada pela resistência das fáscias musculares, tendões e cápsulas articulares.

O mesmo autor destacou que um grande tônus muscular e uma reduzida capacidade de relaxamento constituem resistência para o alongamento do músculo, limitando sua flexibilidade. Sendo importante saber que o fuso muscular tem além da função de manutenção do tônus muscular, a função de proteção do músculo de uma distensão demasiadamente forte.

A flexibilidade aumenta da infância até o princípio da adolescência e diminui ao longo da vida, de acordo com o que foi definido por HOMER & MACKINTOSH (1992), e ainda, com o crescimento e desenvolvimento, os músculos e tendões tornam-se mais rígidos, os ossos calcificam-se ficando mais densos, resultando em perda de flexibilidade.

A maior quantidade de estrógeno no sexo feminino, segundo o que descreveu ACHOUR Jr (1996), também é responsável pelo menor desenvolvimento da massa muscular e maior acúmulo de água e polissacarídeos do que o sexo masculino, minimizando o atrito entre as fibras, fazendo com que as mulheres tenham as melhores condições de flexibilidade.

Fatores como sexo e idade são secundários no desenvolvimento da flexibilidade, em particular se entra em jogo a saúde, pois em todas as idades é possível desenvolver a flexibilidade e um dos aspectos de redução precoce da flexibilidade é a diminuição de atividade física com o aumento da idade.

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As estruturas que interferem na flexibilidade são: ossos, músculos, tendões, ligamentos e cápsulas articulares. O tecido elástico do tendão tem por função conservar a energia para manter o tônus durante o relaxamento e provê a defesa contra a força excessiva, ajudando a restaurar sua extensão normal.

O mesmo autor descreveu que com o desuso, o tendão torna-se excessivamente rígido, e não consegue dissipar a energia com eficiência.

Contrariamente, se o músculo é conectado a um tendão muito alongado pode conduzir a um fraco sistema de suporte. Por isso, pode-se concluir que o tendão não deve ser muito rígido, perdendo suas características elásticas, nem muito maleável, deformando excessivamente os componentes plásticos. Possuindo características similares ao tendão, o ligamento também não pode ser excessivamente rígido, caso contrário, pode provocar lesão intrínseca, correlacionada com o mau alinhamento.

JOHNSON e NELSON (1969), citados por MARINS e GIANNICHI (1998), definiram flexibilidade como a habilidade de mover o corpo e suas partes, dentro de seus limites máximos, sem causar danos às articulações e músculos envolvidos.

Tendões, ligamentos e fáscias apresentam uma redução do número de células, redução de mucopolissacarídeos, de fibras elásticas e perda de água em função da idade, conforme o que ressaltou COTTA (1978), o que acarreta em perda da capacidade de síntese das células, perda do funcionamento mecânico do tecido elástico e aumento de resistência ao alongamento. Portanto o treinamento da flexibilidade é importantíssimo para retardar sua perda fisiológica em função da idade.

A elasticidade e a capacidade de alongamento da musculatura, assim como de ligamentos e tendões, de acordo com WEINECK (1999), é maior em pessoas do sexo feminino, este fato pode ser explicado em função das diferenças hormonais, onde o alto nível de estrógeno observado em mulheres leva por um lado à retenção de água, e por outro à grande quantidade de tecido adiposo e menor massa magra do que a observada em homens. A flexibilidade é o único requisito motor que atinge o seu valor máximo já na transição entre a infância e a adolescência, decrescendo logo em seguida.

ACHOUR Jr (1996), descreveu que a concentração excessiva de colágeno acarreta à resistência durante o alongamento, e ela é maior nos músculos

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profundos, tendo uma predominância de fibras de contração lenta nestes músculos.

Os músculos profundos responsáveis pela conservação da postura, por estas características, apresentam maiores condições de se encurtar.

O exercício de alongamento com fraca e moderada tensão, afasta as ligações das moléculas de colágeno, provocando a deformação dos tecidos, e assim, desenvolvendo a flexibilidade. As duas características mais importantes da proteína de colágeno consistem em muita força e pouca extensibilidade, originárias da forte ligação cruzada, formada pelos aminoácidos hidroxiprolina e prolina mantendo o feixe de colágeno mais resistente ao alongamento.

O mesmo autor destacou que a integridade do sistema morfo-funcional relacionado com a saúde, depende das capacidades de força, resistência aeróbica, flexibilidade e de controle de peso corporal.

A flexibilidade foi dividida por WEINECK (1999) em: geral, específica, ativa, passiva e estática. Onde a geral caracteriza-se pela grande extensão dos principais sistemas articulares (ombros, quadris e coluna vertebral). A flexibilidade específica refere-se a determinadas articulações. A ativa é a maior amplitude conseguida em uma articulação, pela contração dos agonistas e relaxamento dos antagonistas, consequentemente. A passiva é a maior amplitude articular conseguida com o auxílio de forças externas, sendo portanto, maior que a ativa. Por fim, a flexibilidade estática é a manutenção de um estado de alongamento por um determinado período de tempo.

Um componente elementar para aí boa execução de movimentos sob os aspectos qualitativos e quantitativos, é a flexibilidade e com seu aumento os exercícios podem ser executados com maior amplitude, maior força, mais rapidamente, mais facilmente, com maior fluência e de modo eficaz. Sendo que, se a flexibilidade for desenvolvida adequadamente, aumenta o espectro de movimentos técnicos específicos e acelera o processo de aprendizado motor.

O mesmo autor destacou que o aumento da flexibilidade contribui para a capacidade de força, pois o percurso de aceleração do movimento é maior, visto que, a resistência é menor e um maior número de fibras musculares sofrem alongamento. E ainda, músculos não alongados e com pequena capacidade de alongamento têm menor força.

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A utilização de goniómetros para o propósito de medida da flexibilidade voltada à prescrição e à orientação de exercícios físicos apresenta uma série de limitações metodológicas, de acordo com GUEDES e GUEDES (1998), o que favorece, neste caso, o emprego dos procedimentos lineares. A técnica indireta mais frequentemente descrita é a flexão à frente, na posição sentada, procurando alcançar com as mãos a maior distância possível em relação à posição inicial, também denominada de “sentar e alcançar”.

O teste de “sentar-e-alcançar” de Wells é considerado um teste linear que se caracteriza por expressar seus resultados em uma escala de distância, tipicamente em centímetros ou polegadas, conforme destacaram MARINS e GIANNICHI (1998), onde seu objetivo é o de mensurar a flexibilidade do quadril, dorso e músculos posteriores dos membros inferiores.

Como para a mensuração do componente de flexibilidade, foi realizado o teste do banco de Wells, a seguir encontra-se o Quadro 01, demonstrativo de seus valores de referência, com os quais este estudo foi baseado.

Quadro 01: Valores de Referência para o Teste de Sentar e Alcançar para Mulheres (Adaptado de ACSM, 1995)

Idade (anos)

Distância Alcançada no Teste (cm)

Baixa Intermediária Elevada Muito Elevada

2 0 - 2 9 <33 3 3 - 4 4 41 - 5 5 >55

3 0 - 3 9 <30 3 0 - 3 7 3 8 - 5 2 >52

4 0 - 4 9 <28 2 8 - 3 5 3 6 - 4 9 >49

5 0 - 5 9 <25 2 5 - 3 2 3 3 - 4 7 >47

>60 <23 2 3 - 2 9 3 0 - 4 5 >45

Fonte: GUEDES e GUEDES, 1998

ACHOUR Jr (1996), destacou que a flexibilidade é fundamental nas atividades profissionais e nas tarefas diárias e sua redução acompanhada do envelhecimento, pode acarretar a perda total da independência dos movimentos já no início de idade avançada, e de modo mais sério, no início da década dos 80 anos. Os músculos encurtados tendem a se tornar cada vez mais encurtados, ao

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realizarem movimentos de amplitude limitada. As consequências são percebidas na postura correta, e se o equilíbrio corporal for perturbado, pode originar lesão e dor muscular. O músculo encurtado por muito tempo provoca a calcificação próxima às articulações, o que favorece a osteoartrite.

O mesmo autor salientou que realizar somente exercícios de força, ocasiona o desequilíbrio muscular, por outro lado, exercícios exclusivamente de alongamento, podem tornar os grupos músculo-articulares já flexíveis, predispostos a lesões.

Então, deve-se observar o controle entre estes exercícios, sem que uma das variáveis interfira negativamente na outra.

2.2. PRINCÍPIOS DO CONDICIONAMENTO FÍSICO 2.2.1 Princípio da Individualidade Biológica

Uma definição para este princípio foi realizada por BARBANTI (1997), onde descreveu que cada indivíduo possui características próprias, ou seja, ao comparar duas pessoas que esteticamente são parecidas (alta, baixa, gorda, magra, forte, fraca,...), pode-se pensar que as duas têm as mesmas capacidades, que podem ser aplicados os mesmos exercícios, ou ser praticada a mesma modalidade desportiva por ambas, mas do contrário, uma pode ser completamente diferente da outra, não apenas sob o aspecto psicológico, mas principalmente fisiologicamente.

Antes de tomar qualquer atitude para fazer um programa de treinamento, deve-se conhecer as características individuais de cada um, e isso é conseguido através de testes, onde determinam a condição física e as potencialidades da pessoa em questão. Sabendo os pontos fracos e fortes de um atleta, é possível melhorar seu desempenho e consequentemente seus resultados em determinada modalidade.

O mesmo autor descreveu que quando se trata de um grupo que irá treinar junto, deve-se dividi-lo em grupos homogêneos, ou seja, de indivíduos com características semelhantes, para que o treinamento surta efeito para todos.

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2.2.2 Princípio da Adaptação

Segundo TUBINO (1993), o stress está diretamente ligado ao princípio da adaptação, pois com base em orientação de diversos autores, estímulos muito fortes causam danos no organismo humano. Isto significa que, um indivíduo que tem uma mudança repentina na sua prática desportiva, sendo caracterizada por estímulos aos quais o indivíduo não está adaptado, apresenta assim, alterações fisiológicas.

O mesmo autor destacou que, deve-se fazer um treinamento para adaptação do organismo do indivíduo, para que ele esteja nas condições ideais exigidas pela modalidade, para dar continuidade ao programa de treinamento.

2.2.3 Princípio da Sobrecarga

Também chamado Princípio da Progressão Gradual, este, refere-se ao processo de aumento de cargas, de acordo com a principal fonte energética utilizada para a realização de determinada atividade, onde deve desenvolvê-la mais do que as outras fontes, estabelecendo um período de recuperação, uma fase de assimilação compensatória e um novo aumento da carga, ou seja, para cada indivíduo existe um período de recuperação, uma adaptação ao estímulo e consequente compensação fisiológica, estabelecendo assim o período para um novo aumento de carga, de acordo com BARBANTI (1997).

O mesmo autor ressaltou que para trazer bons resultados, são necessários controles periódicos dos efeitos da sobrecarga para o indivíduo, caso contrário, pode estar ocasionando prejuízos para seu organismo e consequentemente no seu desempenho.

2.2.4 Princípio da Especificidade

Para atingir um objetivo na atividade, deve-se ter em mente qual a sua especificidade, ou seja, qual a fonte energética mais requisitada para a realização desta atividade. Conforme GUEDES e GUEDES (1998), assim, pode-se organizar

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um programa que desenvolva o sistema, ou os sistemas energéticos utilizados predominantemente durante a realização da modalidade em questão.

2.2.5 Princípio da Continuidade

Para que não haja uma queda no desempenho de um atleta, tem de mantê- lo dentro de um padrão de condicionamento, para que sua recuperação após um período de intervalo entre duas temporadas de competição seja rápida e não prejudique as fases do treinamento. Segundo BARBANTI (1997), isso é conseguido com a prática de uma outra modalidade pelo atleta, para que ele não pare completamente no período sem competições - período de transição.

2.2.6 Princípio da Interdependência - Volume e Intensidade

Neste caso, volume representa a quantidade de trabalho a ser realizado pelo atleta, de acordo com a modalidade que pratica, e a intensidade é a qualificação deste mesmo trabalho, ou seja, o volume e a intensidade para um atleta de atletismo recebem nomenclaturas diferentes do que um indivíduo que pratica halterofilismo, obviamente porque um halterofilista não terá que aumentar sua velocidade na corrida para erguer 100 kg de peso, conforme BARBANTI (1997).

O mesmo autor ressaltou que ao aumentar a intensidade, deve-se diminuir o volume, e vice-versa, pois as alterações fisiológicas conseguidas são muito mais significativas seguindo este princípio do que simplesmente aumentar os dois, o que acarretaria num decréscimo do desempenho deste atleta, pois ele precisaria de um período de recuperação que atrapalharia o treinamento e também, causaria danos fisiológicos onde o indivíduo não atingiria o desempenho desejado.

2.2.7. Princípio da Reversibilidade

O princípio da reversibilidade assegura que os benefícios alcançados com o envolvimento em rotinas de exercícios físicos direcionados ao controle do peso corporal são de natureza transitória e reversível. Conforme o que foi descrito por

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GUEDES e GUEDES (1998), as adaptações metabólicas e funcionais induzidas pelos exercícios físicos tendem a retornar aos estados iniciais, após a paralisação ou até mesmo as interrupções temporárias dos programas prescritos.

As vantagens que os exercícios físicos podem trazer ao controle do peso corporal são até certo ponto, extremamente reversíveis, ou seja, indivíduos estariam beneficiando-se destas vantagens apenas enquanto permanecem ativos. Ao voltarem a adotar estilo de vida sedentário, os níveis alcançados enquanto ativos se deteriorariam paulatinamente, surgindo a possibilidade de comprometer o melhor controle do peso corporal, semelhante ao que acontece com indivíduos sedentários.

O mesmo autor destacou ainda que, dependendo das características dos esforços físicos prescritos e orientados, existem adaptações alcançadas com a prática de exercícios físicos que, após sua interrupção, permaneceriam mais tempo que outras. Os exercícios de média a longa duração e baixa intensidade têm efeito mais prolongado sobre o organismo, enquanto que os de intensidade mais elevada e de menor duração têm efeito mais imediato.

2.3. AVALIAÇÃO FÍSICA

A Avaliação Física prévia e atualizada periodicamente é o elemento essencial na prescrição de programas de exercícios físicos, segundo GUEDES e GUEDES (1998). Com os resultados em mãos, obtém-se as reais condições do indivíduo, promovendo ajuste aos estímulos oferecidos e procurando atingir o objetivo traçado pelo indivíduo.

É importante que se obtenha o conhecimento da situação global do indivíduo, pois na formação de qualquer grupo, é possível que se encontrem variações individuais quanto aos aspectos fisiológicos, psicológicos e culturais, que justifiquem uma atitude personalizada ao praticar esforços físicos. Além da idade e do sexo, essas variações são atribuídas ao estado de saúde, hábitos de vida e experiências quanto à prática de exercícios físicos e consequentemente os níveis de aptidão física.

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Os mesmos autores descreveram que a falta de avaliação física prévia pode ocasionar o estabelecimento de esforços físicos inadequados, desgastes funcionais e orgânicos, induzindo à uma fadiga psicológica e física excessiva, a graves lesões ortopédicas e ao risco de precipitação de acidentes cardiovasculares.

Uma das medidas de composição corporal, adotada universalmente, é o índice de Massa Corporal (IMC), que é a relação entre o peso corporal em quilogramas (kg) e a altura em metro ao quadrado (m2). Esse índice de composição corporal é facilmente calculado e existem orientações sobre a obesidade relacionadas a valores de 27,8 para homens e 27,3 para mulheres. No entanto, conforme o que ressaltaram POWERS e HOWLEY (2000), foram emitidas preocupações sobre as recomendações nas quais a “faixa saudável” do IMC é listada como sendo de 19 a 25 para indivíduos de 19 a 35 anos de idade e de 21 a 27 para aqueles com mais de 35 anos, independentemente do sexo. Alguns acreditam que o valor superior é muito generoso, levando em conta ao fato dele estar associado com maiores taxas de morbidade e de mortalidade.

Um dos principais problemas associados a tabelas de peso/altura e de IMC é que não existe uma forma de saber se a pessoa possui uma grande massa muscular, ou se ela é simplesmente obesa. É evidente que há necessidade de diferenciar o peso excessivo de gordura, e para isso existem vários métodos, sendo:

Diluição de Isótopos; Absorção de Fótons; Potássio 40; Pesagem Hidrostática;

Absortometria Radiológica de Dupla Energia (DEXA); Interactância de Raios Infravermelhos (NIR); Radiografia; Ultra-sonografia; Ressonância Magnética (NMR);

Condutividade Elétrica Total (TOBEC); Bioimpedância Elétrica (BIA); Espessura de Dobras Cutâneas.

Os mesmos autores indicaram que uma tabela de peso/altura e o IMC podem indicar “excesso de peso” em relação a um peso médio, mas não fornecem informações quantitativas sobre a composição do peso em termos de massa gorda e massa isenta de gordura.

KATCH e MCARDLE (1996), descreveram que as tabelas de peso/altura são referências estatísticas baseadas na variação média da massa corporal de indivíduos cujo índice de mortalidade é o mais baixo embargo das causas específicas de morte ou de estado de saúde (morbidade) antes da morte.

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Os mesmos autores destacaram que durante os últimos 50 anos, muitos processos laboratoriais têm sido desenvolvidos para análise dos componentes estruturais do corpo humano. Algumas técnicas consomem muito tempo e necessitam de equipamentos sofisticados, enquanto que outras são bastante simples e baratas.

Os três principais componentes estruturais do corpo humano são os músculos, os ossos e a gordura. Pelo fato de existirem acentuadas diferenças sexuais na composição corporal, KATCH e MCARDLE (1996) citam o conceito proposto pelo Dr. Behnke do Homem de Referência e a Mulher de Referência, que são modelos teóricos baseados nas dimensões físicas médias, obtidas de medições detalhadas de milhares de indivíduos submetidos a pesquisas de avaliação antropométrica e nutricional.

MARINS e GIANNICHI (1998), definiram avaliação física como sendo o processo que determina a importância ou o valor da informação coletada, onde classifica os testandos, reflete o progresso, indica se os objetivos estão ou não, sendo atingidos, indica se o sistema de ensino está sendo satisfatório, além de outros resultados que se queira ter com a avaliação, o que dependerá do seu propósito, comparando os resultados com algum padrão.

Como a Educação Física visa o desenvolvimento, ou aperfeiçoamento, do indivíduo em sua totalidade, isto é, nos aspectos biológicos, psíquicos e sociais, não se pode deixar de lado que para poder medir e avaliar o indivíduo como um todo, e para determinar se os objetivos estão ou não, sendo alcançados, diferentes métodos e recursos para se obter as informações, ou seja, técnicas e instrumentos de avaliação devem ser empregados.

Os mesmos autores destacaram a importância em fazer uma avaliação inicial e final, para que os métodos e materiais empregados sejam conhecidos, para poderem ser avaliados, onde os testes, medidas e avaliação irão possibilitarão profissional a elaboração de um programa que atenda às necessidades de cada aluno.

A avaliação física tem como objetivo, de acordo com GUEDES & GUEDES (1998), auxiliar a prescrição e orientação de programas de exercícios físicos direcionados à promoção da saúde, dando condições ao profissional da área de

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exercícios físicos a atuar com maior segurança e confiabilidade, e assim tentar atingir as necessidades do praticante.

Segundo POLLOCK et al (1993), para determinação do potencial de risco, é importante detectar se os fatores de riscos são primários ou secundários (Quadro 02). E os exercícios físicos sem supervisão médica direta, somente devem ser executados por aqueles indivíduos que não apresentam alto risco potencial.

Os mesmos autores descreveram que quando a pessoa apresenta um fator de risco primário é considerada sob potencial de risco moderado, mas a presença de dois a três fatores de risco primários significa alto risco potencial. Na presença de um ou dois fatores de risco secundários o indivíduo é colocado numa categoria de baixo a moderado risco potencial, já na presença de três ou mais destes fatores, classifica o indivíduo em alto risco para o desenvolvimento de coronariopatias.

Quadro 02: Fatores de Risco para Doença Coronariana Fatores de Risco

Primários Alteráveis

Fatores de Risco Secundários

Alteráveis Inalteráveis

Hipertensão Lipídios Sanguíneos

Tabagismo

Diabetes Idade

Estresse Sexo

Inatividade física Hereditariedade Obesidade

Fonte: POLLOCK et al (1993)

2.3.1. Composição Corporal

KATCH e MCARDLE (1996), dividiram a gordura corporal em dois tipos:

essencial e armazenada. Sendo que a gordura essencial constitui a gordura armazenada na medula dos ossos, assim como, no coração, pulmões, fígado, baço, rins, intestino, músculos e em técnica do sistema nervoso central, ricos em lipídios.

Tal gordura é necessária para o funcionamento fisiológico normal.

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Na mulher a gordura essencial inclui também, o conteúdo de gordura sexual específica. Não se sabe com certeza se essa gordura é normalmente utilizada pelo organismo ou se serve como reserva. As glândulas mamárias e a região pélvica, são, provavelmente, os principais pontos de localização dessa gordura essencial, apesar de sua quantidade específica não ser conhecida.

Os mesmos autores descreveram que a gordura armazenada, consiste na gordura que se acumula no tecido adiposo. Esta reserva nutricional inclui o tecido gorduroso que protege vários órgãos internos, bem como o grande volume de gordura subcutânea. Embora a distribuição proporcional de gordura armazenada seja semelhante nos homens e nas mulheres (12% da massa corporal nos homens e 15% das mulheres), a quantidade total de gordura essencial nas mulheres é três vezes maior que nos homens. Sendo esta gordura adicional, biologicamente importante para a gestação e outras funções relacionadas aos hormônios.

A avaliação da composição corporal tem o objetivo de determinar principalmente o percentual de gordura corporal do indivíduo, segundo GUEDES e GUEDES (1998), pois se estiver longe do valor considerado normal (para mulheres entre 20 e 25%), pode trazer prejuízos para a saúde do indivíduo, tais como:

disfunções hormonais, metabólicas, etc.

Quanto à utilização das tabelas de peso/altura e IMC, POWERS e HOWLEY (2000), descreveram que um dos maiores problemas é que não existe uma forma de saber se a pessoa possui uma grande massa muscular ou se simplesmente ela é obesa. Ê evidente que há necessidade de diferenciar o peso excessivo da gordura excessiva e esse objetivo é possível com outras formas de mensuração, como por exemplo, espessuras de dobras cutâneas.

Cientistas desenvolvem equações que predizem a densidade corporal a partir de um conjunto de mensurações de dobras cutâneas, sendo que este método baseia-se na observação de que, em qualquer população, certa fração de gordura corporal total, localiza-se logo abaixo da pele e, se for possível obter uma amostra representativa desta gordura, a gordura corporal total pode ser predita. Geralmente, estas equações são obtidas com dados comparativos entre resultados de pesagem hidrostática em determinado grupo, e mensuração de várias dobras cutâneas destes

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indivíduos, determinando qual conjunto de dobras cutâneas prediz mais precisamente a densidade corporal determinada pela pesagem hidrostática.

Os mesmos autores sugeriram como faixa ideal de gordura corporal, entre 15 e 25%, para mulheres adultas, sendo de 25 a 30% considerado moderadamente elevado, de 30 a 35% elevado e maior que 35% muito elevado, aumentando o risco de diabetes, cardiopatias e hipertensão.

O limite mínimo de massa corporal magro da mulher, chamado de peso mínimo, inclui de 12 a 14% de gordura essencial, conforme KATCH e MCARDLE (1996), sendo aproximadamente 48,2 kg (dados de estudos, que levaram à mulher de referência). Em geral, os níveis de gordura corporal nas mulheres magras não são inferiores a 12% da massa corporal. Isto provavelmente representa o limite mínimo de gordura da maioria das mulheres em bom estado de saúde.

Segundo POWERS e HOWLEY (2000), a composição corporal pode ser mensurada através dos seguintes componentes: água corporal (Diluição de Isótopos e Bioimpedância Elétrica); densidade óssea (Absortometria Radiológica de Dupla Energia e Absorção de Fótons); massa corporal magra (Potássio 40); densidade corporal (Pesagem Hidrostática); espessura de vários tecidos (Ultra-sonografia, Radiografia e Espessura de Dobras Cutâneas).

As medidas realizadas através da técnica de Espessura de Dobras Cutâneas levam a uma estimativa da gordura corporal total, realizada a partir da mensuração da gordura subcutânea. São realizadas algumas mensurações de dobras cutâneas e os valores obtidos são utilizados em equações para o cálculo da Densidade Corporal.

Os mesmos autores destacaram que a gordura corporal recomendada para os homens é de 10 a 20% e para as mulheres é de 15 a 25%. Existindo uma preocupação a respeito da obesidade e da anorexia para aqueles indivíduos com valores superiores e inferiores, respectivamente.

Um estudo comparando mulheres magras, normais e obesas, foi destacado por KATCH e MCARDLE (1996), onde as mulheres magras tinham um teor de gordura corporal relativamente baixo - 18,2%, as normais 25% e no grupo das obesas 32% de gordura corporal, onde não foram encontradas diferenças nas compleições físicas de dimensões médias dos três grupos. Isto significa que o nível

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Referências

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