REVISTA DE DIREITO INTERNACIONAL
BRAZILIAN JOURNAL OF INTERNATIONAL LAW
Editores responsáveis por essa edição:
Editores gerais:
Marcelo Dias Varella, Nitish Monebhurrun Editor especial
Priscila Pereira de Andrade
Revista de Direito Internacional
Brazilian Journal of International Law Brasília v. 13 n. 3 p. 1 - 538 dez 2016
ISSN 2237-1036
REVISTA DE DIREITO INTERNACIONAL BRASILIAN JOURNAL OF INTERNATIONAL LAW Programa de Mestrado e Doutorado em Direito Centro Universitário de Brasília
Reitor
Getúlio Américo Moreira Lopes
Presidente do Conselho Editorial do UniCEUB Elizabeth Regina Lopes Manzur
Diretor do ICPD
João Herculino de Souza Lopes Filho
Coordenador do Programa de Mestrado e Doutorado e Editor Marcelo Dias Varella
Linha editorial
A Revista de Direito Internacional (RDI) foi criada como instrumento de vinculação de trabalhos acadêmicos relacionados a temáticas tra- tadas pelo Direito Internacional Público e Privado. A revista é sucessora da Revista Prismas, que foi dividida em dois periódicos (junto com Revista Brasileira de Políticas Públicas), em virtude da quantidade de submissão de artigos e procura. Na busca pelo desenvolvimento e construção de visões críticas a respeito do Direito Internacional, a RDI possui sua linha editorial dividida em dois eixos:
1. Proteção internacional da pessoa humana: abrange questões referentes ao direito internacional ambiental, direito humanitário, inter- nacionalização do direito, além de pesquisas sobre a evolução do direito dos tratados como forma de expansão do direito internacional contemporâneo.
2. Direito Internacional Econômico: abrange questões referentes aos sistemas regionais de integração, direito internacional econômico e financeiro e solução de controvérsias comerciais e financeiras. A RDI busca incentivar a pesquisa e divulgação de trabalhos relacionados as disciplinas voltadas para o estudo do Direito Internacional publicando artigos, resenhas e ensaios inéditos. A revista está aberta às mais diversas abordagens teóricas e metodológicas impulsionando a divulgação, o estudo e a prática do Direito Internacional.
Editor Gerente
Marcelo D. Varella, Centro Universitário de Brasília, Programa de Mestrado e Doutorado em Direito, Brasília/DF, Brasil Editor Adjunto
Nitish Monebhurrun, Centro Universitário de Brasília, Revista de Direito Internacional, Brasília/DF, Brasil Comitê editorial
Antonio Gomes Moreira Maués, Universidade Federal do Pará Cláudia Lima Marques, Universidade Federal do Rio Grande do Sul José Augusto Fontoura Costa, Universidade de São Paulo Julia Motte Baumvol, Université d’Evry Val d’Essonne
Nádia de Araújo, Pontíficia Universidade Católica do Rio de Janeiro Sandrine Maljean-Dubois, Universidade Aix-Marseille, França Carolina Olarte Bacares, Universidade Javeriana, Colômbia
Layout capa
Departamento de Comunicação / ACC UniCEUB Diagramação
S2 Books Disponível em:
www.rdi.uniceub.br Circulação
Acesso aberto e gratuito
Matérias assinadas são de exclusiva responsabilidade dos autores.
Citação parcial permitida com referência à fonte.
Revista de Direito Internacional / Centro Universitário de Brasília, Programa de Mestrado e Doutorado em Direito, volume 13, número 3 - . Brasília : UniCEUB, 2011- .
Quadrimestral.
ISSN 2237-1036
Disponível também on-line: http://www.rdi.uniceub.br/
Continuação de: Revista Prismas: Direito, Políticas Públicas e Mundialização. Programa de Mestrado em Direito do UniCEUB.
1. Direito Internacional. 2. Políticas Públicas. 3. Mundialização. I. Programa de Mestrado em Direito do UniCEUB. II. Centro Universitário de Brasília.
CDU 34(05)
Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Reitor João Herculino
Endereço para Permuta Biblioteca Reitor João Herculino SEPN 707/907 Campus do UniCEUB Cep 70790-075 Brasília-DF Fone: 61 3966-1349
e-mail: [email protected]
Sumário
C
rôniCas daatualidadedo direitointernaCional... 2
Michelle Lucas Cardoso Balbino, Sarah Dayanna Lacerda Martins Lima e Katherine Limonge Crônica 1: Diretiva europeia de proteção dos segredos de negócios contra a aquisição, utilização e divulgação ilegais: incoerências jurídicas encontradas ... 2
Crônica 2: A crise migratória na Europa e a declaração UE - Turquia sobre refugiados ... 7
Crônica 3: A lista negra do conselho de direitos humanos: a atividade das empresas nos territórios ocupados após a resolução da ONU ...12
i. d
ossiêt
emátiCo: d
ireitot
ransnaCional...15
e
ditorial:
O Direito Transnacional - Circulação de normas e relações jurídicas transnacionais ...16Priscila Pereira de Andrade
a
emergênCiado direitotransnaCionalambiental...18
Priscila Pereira de Andrade 1. Introdução ...19
2. A contribuição da noção de «direito transnacional» para a proteção jurídica do meio ambiente .. 20
3. A constatação de uma realidade normativa diversificada e híbrida para a proteção do meio ambien- te ... 22
3.1. Legislações nacionais e regionais para proteção do meio ambiente com efeitos extraterritoriais ... 22
3.2. Normas internacionais privadas para proteção do meio ambiente ... 23
3.3. Contratos internacionais privados para proteção do meio ambiente ... 24
4. Considerações finais ... 25
Referências bibliográficas ... 25
d
esafíosyrespuestastransnaCionalesfrentealosCrímenes ambientales...30
Rosmerlin Estupiñan-Silva 1. Introducción ...31
2. La consolidación de los medios de lucha estatales ... 32
2.1. Protección constitucional ... 33
2.2. Respuesta administrativa ... 35
2.3. Jurisdicción penal... 36
3. La transnacionalización de los medios de lucha ... 40
3.1. Vicisitudes internacionales ... 40
3.2. Desafíos estatales ... 43
3.3. Horizontes transnacionales ... 45
d
ireitotransnaCionalemudançasClimátiCas...50
Géraud de Lassus Saint-Geniès 1. Introdução ... 50
2. A identificação das normas climáticas internacionais do direito privado ... 52
2.1. As normas relativas à certificação ... 52
2.1. As normas relativas ao cálculo das emissões de gases do efeito estufa (GEE) e à divulgação de informa- ções sobre as emissões de GEE ... 54
2.3. As normas relativas ao comércio dos direitos de emissão ... 54
2.4. As normas relativas aos compromissos voluntários ... 55
3. A coerência das normas climáticas internacionais do direito privado ... 56
4. A autonomia das normas climáticas internacionais do direito privado ... 57
5. Considerações finais ... 59
Referências bibliográficas ... 60
e
speCiesenmovimiento:
laC
onvenCiónsobreelC
omerCioi
nternaCionaldee
speCiesa
menazadasdef
auna yf
loras
ilvestresComoespaCio de“
enCuentro”
dedisCursos,
aCtoresyestrategiaseneldereChoambientaltrasnaCional...63
María Valeria Berros e Dabel Leandro Franco 1. Introducción. ... 64
2. Observar el campo jurídico desde el entrelazamiento de discursos, estrategias y actores: una pers- pectiva posible. ... 65
3. Estrategias de articulación entre discursos y actores en la estructura y funcionamiento de la CI- TES. ... 66
4. Reflexiones finales. ... 69
Bibliografía ... 69
Normativas, informes y documentos consultados ... 70
e
lCaráCter transnaCionaldels
istemaComunitariodeeCogestion« e
Co-m
anage-
mentanda
udits
Cheme» (emas)
dentrode laue
ymás alládesusfronteras...72
Adélie Pomade 1. ¿La transnacionalidad de EMAS facilitado por el Reglamento de 2009? ... 74
2. ¿Una transnacionalidad eficaz en la UE y fuera de sus fronteras?... 75
Bibliografía ... 77
o
ConCeitodeCondutaempresarialresponsávelàluzdosordenamentos jurídiCosbrasileiro
,
internaCionaletransnaCional...81
Gabriel Webber Ziero 1. Introdução ... 82
2. Direito transnacional: um conceito em construção ... 83
3. Direito transnacional em movimento ... 85
4. Breve nota acerca do conceito de conduta empresarial responsável ... 86
5. Interações do direito brasileiro com as ordens internacional e transnacional à luz do conceito de conduta empresarial responsável ... 88
6. Conduta empresarial responsável e interação normativa no contexto da produção de soja ... 90
7. Considerações finais ... 92
Referências bibliográficas ... 92
a
rbitragemnodireitotributáriointernaCionalenodireitointernaCionaldos in-
vestimentos:
umamanifestaçãodo direitotransnaCional...96
Vivian Daniele Rocha Gabriel 1. Introdução ... 97
2. Direito Transnacional ... 98
3. Direito tributário internacional e solução de controvérsias ...100
3.1. Conflitos no Direito Tributário Internacional ... 100
3.2. Métodos de Solução de Controvérsias no Direito Tributário Internacional ... 102
4+ Solução de controvérsias sobre investimentos ...104
5. Brasil e sua tradição de resistência à arbitragem tributária e de investimentos ...107
5.1. A Resistência Brasileira à Arbitragem de Investimentos ... 107
5.2. Arbitragem de Direito Tributário Internacional no Brasil ... 109
5.3. Arbitragem Tributária Internacional e de Investimentos para o Brasil ... 111
6. Considerações finais ...113
Referências bibliográficas ...114
o
direitotributáriosobumaperspeCtivatransnaCional... 117
Franciele de Simas Estrela Borges 1. Introdução ... 117
2. Otimização, harmonização e concorrência fiscal: guerra de interesses tributários ...118
3. A transnacionalização do direito tributário ... 121
4. Considerações finais ...122
Referências Bibliográficas ...123
a
sC
araCterístiCasdod
ireitot
ransnaCionalComom
etodologia: a
nálisesoboenfo-
quedos
a
speCtosp
roCessuaisdaa
rbitragem... 126
Flávia Foz Mange 1. Introdução ...127
2. Direito transnacional: voltando as origens de Jessup e caracterizando o conceito adotado ...128
2.1. O direito transnacional para Jessup e sua caracterização ... 129
2.2. O direito transnacional na arbitragem ... 132
3. Os aspectos processuais da arbitragem: exemplo de direito transnacional ...134
3.1. Característica 1: é um método não tradicional ... 135
3.2. Característica 2: é um método que considera normas estatais e não estatais ... 136
3.3. Características 3 e 4: É um método dinâmico, que não é estático, mas que é normativo ... 137
3.4. Exemplos de fontes normativas para além das normas estatais e de direito internacional público que re- gem procedimentos arbitrais ...139
3.4.1. Os regulamentos de arbitragem ...139
3.4.2. Soft laws sobre produção de provas ... 140
3.4.3. Soft laws sobre conflito de interesses ... 140
4. Considerações finais ...141
Referências bibliográficas ...142
o
direitotransnaCional(“
globallaw”)
eaCrisedeparadigma doestado-
Centrismo:
é possívelConCeberumaordemjurídiCatransnaCional? ...146
Luiza Nogueira Barbosa e Valesca Raizer Borges Moschen 1. Introdução ...147
2. O nacionalismo metodológico e a crise de paradigma do estado-centrismo: estado e direito devem ser tratados como sinônimos? ...148
3. O direito global sem estado e a teoria do pluralismo jurídico transnacional ...151
4. Direito transnacional e a tentativa de formulação de critérios de aferição próprios ...154
5. Considerações finais ...157
Referências bibliográficas ...157
t
ransporte aéreoedireitotransnaCional:
daConvergênCiaàuniformidade...160
Mickael R. Viglino 1. Introdução ... 161
2. A Organização da Aviação Civil Internacional e a estruturação do transporte aéreo internacional .... 162
2.1. A produção normativa extensa da Comissão de Navegação Aérea ... 163
2.2. Publicidade das normas e acesso ao direito ... 165
3. A Convenção da Cidade do Cabo e a garantia internacional dos interesses financeiros ...166
3.1. Uma tentativa de desnacionalizar o tratamento das garantias internacionais. ... 167
3.2. Uma revolução de veludo ...168
4. A IATA e a (não tão) soft regulamentação do transporte aéreo ...170
4.1. A constatação da realidade da atividade normativa da IATA ... 170
4.2. O sistema uniformizado de gestão da capacidade aeroportuária ... 171
5. Considerações finais ...172
Referências bibliográficas ...174
o
utrosa
rtigos... 175
o f
undom
onetárioi
nternaCionaleaproteçãodosdireitoshumanos:
umaanálise doprograma deCresCimentoereduçãodapobrezanoh
aiti...177
Pablo Henrique Hubner de Lanna Costa e Carlos Alberto Simões de Tomaz 1. Introdução ...178
2. A relação entre o FMI e os direitos humanos ...179
2.1. Modalidades de empréstimo do fundo ... 180
3. O programa de crescimento e redução da pobreza ...180
3.1. As dimensões da pobreza ...181
3.2. A implementação do programa de crescimento e redução da pobreza ... 181
3.3. Críticas ao modelo de redução da pobreza ... 182
4. A República do Haiti e a implementação do plano de crescimento e redução da pobreza ...182
4.1. O plano interino de crescimento e redução da pobreza... 183
4.2 Setores prioritários para a redução da pobreza ... 183
4.2.1. Agricultura ...183
4.2.2. Indústria ...184
4.2.3. Estradas ...184
4.2.4. Meio ambiente ...184
4.3. Análise do plano pleno de crescimento e redução da pobreza (PPCRP) ... 184
4.3.1. Primeiro pilar: vetores de crescimento ... 185
4.3.2. Segundo pilar: desenvolvimento humano ... 186
4.3.3. Terceiro pilar: governança democrática ... 186
4.4. Atualização da implantação do plano pleno de crescimento e redução da pobreza ... 187
4.4.1. Pilar um: vetores de crescimento... 187
4.4.2. Pilar dois: desenvolvimento humano ... 188
4.4.3. Terceiro pilar: governança democrática ... 188
5. Considerações finais ...188
Referências bibliográficas ...189
u
mestranhononinho? p
adrõesprivadosnoa
Cordodeb
arreirast
éCniCasaoC
o-
mérCioda
omC ...192
Michelle Ratton Sanchez Badin e Marina Yoshimi Takitani 1. Introdução ...193
2. Como o estranho entra no ninho: do Acordo TBT aos casos EC-Sardines e US-Tuna II ...193
2.1. O reconhecimento pelas regras da OMC ... 193
2.2. Os contenciosos na OMC e suas divergências de interpretação ... 194
3. Por que o consenso se torna central? Representação e processo decisório ...197
3.1. OMC: filiação e processo decisório ...197
3.2. ISO/IEC: membros e processo decisório... 199
4. Pontos críticos na comparação entre OMC e a ISO/IEC sob os dois prismas de análise ... 202
4.1. Membros ...203
4.2. Procedimento decisório ...204
5. Considerações finais ... 205
Anexo 1: Países Membros da OMC ... 206
Anexo 2: Países Membros da ISO ... 206
Anexo 3: Países Membros da IEC ... 207
Referências bibliográficas ... 207
o
sbenefíCios tributáriosdo programai
novar-a
utoeosprinCípiosdan
açãom
aisf
a-
voreCidaedot
ratamenton
aCional:
umaanálisedos argumentosdosp
ainéisatual-
menteemCursoContraob
rasilnoó
rgãodes
oluçãodeC
ontrovérsiasdaomC . 211
Eric Moraes Castro e Silva 1. Introdução ...2122. Benefícios tributários do Inovar-Auto: Previsão e Requisitos ...213
3. Princípio da Nação Mais Favorecida: Inovar-Auto e o art. I do GATT ...216
4. Princípio do Tratamento Nacional: Inovar-Auto e o art. III, § 2º, primeira sentença, do GATT .221 5. Princípio do Tratamento Nacional: o Inovar-Auto e o art. III, § 4º do GATT ... 226
6. Princípio do Tratamento Nacional: o Inovar-Auto e o art. III, § 5º do GATT ... 229
7. Considerações finais ...231
Referências bibliográficas ...231
a
eradahumanidade:
reflexõesparaahistóriadodireitointernaCional...236
Henrique Weil Afonso 1. Introdução ... 237
2. O Antropoceno: a era da humanidade e a desestabilização do conhecimento histórico ... 239
2.1. Antropoceno e história: primeiras impressões ... 241
3. História do direito internacional: anacronismo e contextualismo sob as condicionalidades do antro-
poceno ... 244
3.1. O passado e seus sentidos para o direito internacional ... 245
3.2. Metodologias historiográficas em diálogo ... 248
4. Visões do futuro na história: a experiência do antropoceno e o horizonte do direito ... 250
4.1. Uma defesa do anacronismo histórico ... 250
4.2. Contexto histórico e incerteza no Direito Internacional ... 253
4.3. Distopia: horizontes da teleologia histórica no Antropoceno ... 254
5. Considerações finais ... 258
Referências bibliográficas ... 259
Agradecimento ... 262
p
reCedentesvinCulantesnose
stadosu
nidosdaa
mériCaenodireitobrasileiro:
um estudoComparado...264
Patrícia Perrone Campos Mello 1. Introdução ... 265
2. O teor vinculante dos precedentes nos sistemas em exame ... 269
2.1. A ratio decidendi no direito norte-americano ... 269
2.2. A tese vinculante nos precedentes judiciais brasileiros ... 271
3. O processo decisório gerador de precedentes nos dois sistemas ... 274
3.1. O processo decisório da Suprema Corte norte-americana ... 274
3.2. O processo decisório do Supremo Tribunal Federal ... 276
4. O conteúdo não vinculante dos precedentes nos dois sistemas ... 278
4.1. Os obiter dicta no direito norte-americano ... 278
4.2. Os obiter dicta no sistema brasileiro ...279
5. Considerações finais ...281
Referências bibliográficas ... 283
Agradecimento ... 285
i
ldirittoambientaleseCondol’
ottiCadeldirittoCostituzionale positivoelares-
ponsabilitàperdanniall’
ambienteneldirittoComunitario:
lostatodell’
artedel dirittoambientaleCostituzionaleeComunitario...287
Elcio Nacur Rezende 1. Introduzione ... 288
2. La correlazione tra il diritto costituzionale e il diritto ambientale ... 288
2.1. L’Ambiente nelle Costituzioni Europee ... 290
2.2. L’Ambiente nelle Costituzioni dell’America del Sud ... 293
2.3. L’Ambiente nelle Costituzioni dell’America Centrale e del Nord ... 294
2.4. L’Ambiente nelle Costituzioni dell’Africa ... 295
2.5. L’Ambiente nelle Costituzioni dell’Asia ... 296
2.6. L’Ambiente nelle Costituzioni dell’Oceania ... 298
3. Responsabilità per danni all’ambiente nel diriito comunitario ... 299
4. Conclusioni ... 302
Riferimenti ... 303
d
adesConsideraçãodapersonalidadejurídiCanasrelaçõesConsumeiristasbrasileiras:
análiseàluzdasteoriasClássiCas...307
Daniel Amin Ferraz e Marcus Vinicius Silveira de Sá 1. Introdução ... 308
2. A desconsideração da personalidade jurídica ... 309
2.1. A origem da disregard doctrine no direito norte-americano ... 309
2.2. Teorias clássicas explicativas da desconsideração ... 310
2.2.1. Teoria subjetiva ...310
2.2.2. Teoria objetiva ...311
2.2.2.1. Teoria da aplicação das normas ...311
2.2.3. Teoria Negativista ...311
3. A desconsideração nas relações consumeristas brasileiras ...312
3.2. As teorias brasileiras “maior” e “menor” da desconsideração ... 313
4. Considerações finais ...314
Referências bibliográficas ...316
a
nalysisofadvantagesanddisadvantagesof forumspresCribedundertheunClos
andstatepraCtiCe:
thewayaheadfori
ndia... 319
Vinai Kumar Singh 1. Introduction ...319
2. Background and forums of dispute settlement under the UNCLOS ... 320
3. Analysis of Advantages and Disadvantages of Forums Prescribed under the UNCLOS and State Practice ... 322
3.1. Option 1: Arbitration under Annex. VII ... 322
3.2. Option 2: The International Court of Justice... 325
3.3. Option 3: The International Tribunal for the Law of the Sea (ITLOS) ... 326
3.4. Option 4: Special Arbitration under Annex VIII ... 328
4. Maritime Delimitation ... 329
4.1. India and the Commission on the Limits of Continental Shelf ... 329
4.2. Conciliation Commission under Annex V of the UNCLOS and Overlapping Continental Shelf ... 330
4.3. Maritime Delimitation and Choice of Forums: India ... 330
5. Declarations of States Parties Relating to Settlement of Disputes in Accordance with Article 298 (Optio-
nal Exceptions to the Applicability of Part XV, Section II of the Convention): State Practice ... 331
5.1. EEZ and Possible Approach by India ... 333
5.2. Relevancy of Declarations made by States ... 333
6. Conclusion ... 334
References ... 335
d
ogovernoporleisàgovernançapornúmeros:
breveanálisedot
radeins
erviCea
greement(tisa) ...338
Jânia Maria Lopes Saldanha, Rafaela da Cruz Mello e Têmis Limberger 1. Introdução ... 339
2. Da incompletude das ideias: estética do caos e a fragilização do governo por leis ... 340
2.1. O reino da lei na tradição moderna ocidental e o sonho da harmonia pelo cálculo ... 340
2.2. A estética do caos e o panorama transnacional no direito. ... 343
3. Da força da realidade: TISA e a governança por números. ... 346
3.1. Legislação “programação” e os efeitos da governança por números. ... 346
3.2. TISA como demonstração da força das coisas e da realidade de uma governança por números ... 349
4. Considerações finais ... 352
Referências bibliográficas ... 352
a
sdiretivaseuropeiasComo normareguladoradodireitoadministrativoglobal..356
Alice Rocha da Silva e Ruth Maria Pereira dos Santos 1. Introdução ... 357
2. Regulação normativa a partir do direito administrativo global ... 359
2.1. Conceitos de Direito Administrativo Global ... 359
2.2. Órgãos regulatórios com vocação administrativa global ... 361
2.3. Fontes do direito administrativo global ... 363
3. O caráter transnacional das diretivas europeias no plano do direito administrativo global ... 364
3.1. A interação entre o Direito da União Europeia e o Direito Administrativo Global: diretivas europeias como padrão normativo ...364
3.2. A regulação global por meio do Parlamento Europeu e do Conselho da União Europeia ... 366
3.3. As diretivas europeias como fonte normativa do direito administrativo global ... 367
4. A influência das diretivas europeias no direito administrativo global: confisco de medicamentos genéricos versus o respeito dos direitos de propriedade intelectual ... 369
5. Considerações finais ...371
Referências bibliográficas ... 372
o
desenvolvimento dapolítiCaagríColaComumdau
niãoe
uropeia...375
Tatiana de A. F. R. Cardoso Squeff 1. Introdução ... 376
2. A agricultura como política integracionista da União Europeia ... 376
3. A importância inicial do setor agrícola no âmbito comunitário: a garantia da segurança alimentar ...378
4. A política agrícola comum frente aos novos arranjos socioeconômicos regionais e mundiais: entre a conservação e a reestruturação ...381
5. Considerações finais ... 385
Referências bibliográficas ... 386
a
imunidadedejurisdição dasorganizaçõesinternaCionaisfaCeaodireitodeaCessoà justiça... 391
Fernanda Araújo Kallás e Caetano 1. Introdução ... 392
2. A harmonização entre a imunidade das organizações internacionais e o direito de acesso à justiça .393 3. Relativização da imunidade das organizações internacionais na falta de vias alternativas efetivas para a solução das controvérsias ... 395
3.1. A relativização da imunidade de jurisdição ... 395
3.2. A relativização da imunidade de execução ... 396
4. Manutenção das imunidades das organizações internacionais das quais o estado do foro é membro, mesmo diante da ausência de vias alternativas para a solução de controvérsias ... 397
4.1. O ônus suportado pelo Estado do foro pela manutenção das imunidades das organizações das quais ele é membro na falta de vias alternativas para a solução de controvérsias ... 399
4.2. Análise do julgamento dos Recursos Extraordinários 578543/MT e 597368/MT proferidos em maio de 2014 ...399
5. Considerações finais ... 402
Referências bibliográficas ... 402
o
direitointernaCionalentreodeverétiCoeaaçãopolítiCa: o
sfundamentosdeum deverdeCooperaçãointernaCionalnafilosofiapolítiCadei
mmanuelK
ant...405
Ademar Junior Pozzatti 1. Introdução ... 406
2. A cooperação entre a razão teórica e razão prática: do dever ético à ação política ... 406
2.1. Direito e Moral em Kant ...407
2.2 Imperativo categórico e dignidade humana ... 409
3. Do dever das pessoas ao dever dos Estados: uma transposição possível? ...410
4. Além do direito estatal e do direito internacional, um direito cosmopolita ...412
5. Um dever de cooperação internacional na atualidade? Releituras contemporâneas do projeto kan- tiano ...416
6. Considerações finais ... 420
Referências bibliográficas ...421
e
xtensãoefragmentaçãonoContextodajurisdiçãopenalinternaCional...423
Marcus Vinícius Xavier de Oliveira 1. Considerações iniciais sobre o conceito de jurisdição no Direito Internacional ... 423
2. Breve percurso sobre o desenvolvimento da jurisdição penal internacional ... 428
3. Jurisdição penal internacional: entre extensão e fragmentação ... 433
4. Considerações finais ... 439
Referências bibliográficas ... 439
Decisões Judiciais ... 442
a
definiçãojurídiCada“
Comunidade” ...444
Nitish Monebhurrun, Michelle Lucas Cardoso Balbino, Fernanda Castelo Branco Araujo, Othon Pantoja, Maíra Bogo Bruno e Cândida Dettenborn Nóbrega 1. Introdução ... 445
2. A autoidentificação como critério principal de definição da ‘comunidade’ ... 445
2.1. Um critério presente no direito brasileiro ... 446
2.1.1. Um critério visível nos textos normativos ... 446
2.1.2. Um critério confirmado pela jurisprudência nacional ... 447
2.2. Um critério constatado no Direito Internacional ... 449
2.2.1. Um critério identificado nos textos normativos internacionais ... 450
2.2.2. Um critério confirmado pela jurisprudência internacional ... 450
3. A aplicação do teste da autoidentificação para confirmar a existência de uma ‘comunidade’ ...451
3.1. Os critérios de especialidade para comprovar a existência de uma comunidade ... 451
3.1.1. Os critérios de especialidade no Direito brasileiro ... 451
3.1.2. Os critérios de especialidade no Direito Internacional ... 456
3.2. Os critérios de vulnerabilidade para confirmar a existência de uma comunidade ... 457
3.2.1. Os critérios de vulnerabilidade no Direito brasileiro ... 457
3.2.2. Os critérios de vulnerabilidade no Direito Internacional ... 460
4. Considerações finais ... 462
Referências bibliográficas ... 462
I. Textos normativos ...462
II. Jurisprudência ...463
III. Doutrina e Relatórios ...470
C
omparatives
tudyonC
hinesel
oCall
egislationofs
CienCeandt
eChnologyp
ro-
gress
...473
LI Xiaoming e LI Yihan 1. Introduction ... 473
2. Comparative analysis of key provisions in local legislation of science and technology progress 475 2.1. Comparative Analysis of General Provisions ... 475
2.1.1. Legislative purpose. ...475
2.1.2. Government and administrative departments’ responsibility scope. ... 475
2.1.3. System of examination and assessment. ... 476
2.2. Scientific and Technological Researching Development and Application ... 476
2.2.1. Development of modern agriculture ... 477
2.2.2. Founding of technology public service system ... 477
2.2.3. Industrialization cooperated with researching and learning ... 477
2.3. The Subjects Engaged in Scientific and Technological Progress Activities ... 478
2.4. Safeguard Measures ...479
2.4.1. Capital investment safeguard measures ... 479
2.4.2. Other safeguard measures vary both in number and forms. ... 480
2.5. The legal liability ...480
2.6. Supplementary ...481
3. Proposals on revising local legislations of science and technology progress ...481
3.1. Clarify the formulated ways of thinking ... 481
3.2. Select formulate-drafting body carefully ... 482
3.3. Standardize the expression of clauses ... 482
3.4. Build specific institutions ...482
3.5. Focus ...483
4. Conclusion ... 483
o
Controle penaldo tráfiCode pessoas:
ConstruçãojurídiCa,
interaçõesorganizaCio-
naiseCooperaçãointernaCional...485
Bruno Amaral Machado e Priscilla Brito Silva Vieira 1. Introdução ... 486
2. A Criminalização do Tráfico Internacional de Pessoas: Evolução Histórica ... 488
3. O Protocolo de Palermo e a Definição de Tráfico de Seres Humanos ... 490
4. Mecanismos de Controle Penal do Tráfico de Pessoas: Interações Organizacionais e os Desafios da Cooperação Internacional ... 492
5. O Controle Penal do Tráfico de Seres Humanos no Brasil ... 495
6. Considerações finais ... 498
Referências bibliográficas ... 499
Documentos e Relatórios Oficiais ... 502
Notícias ... 503
d
esativismojudiCial:
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ederal...505
Francisco Rezek e Israel Paulino Referências bibliográficas ...512
a
deCisãonorte-
ameriCana doC
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novos paradigmasparaaproteçãopaten-
táriadoCódigogenétiCohumanoebioteCnologia...514
José Carlos Vaz e Dias e Clarisse De La Cerda 1. Introdução ...515
2. Apropriação Proprietária de Produtos da Biotecnologia: Desenvolvimentos e Restrições Legais ... 516
2.1. A necessidade de proteção às criações intelectuais ... 516
2.2. Questionamentos Sobre Patentabilidade de Seres Vivos ... 518
2.3. Moralidade e Patenteamento das Invenções Biotecnológicas ... 519
2.4. Aspectos Gerais do Caso Chakrabarty – Nova Vida para as Patentes de Organismos ... 520
3. A Contribuição do Caso Myriad ao Patenteamento de Invenções Biotecnológicas ...521
4. Materiais Genéticos e o Impacto da Decisão do Caso Myriad no Patenteamento de Invenções Tec- nológicas ... 525
5. Proteção Intelectual da Biotecnologia na Legislação Brasileira: O Homem Brincando de Deus ou Reserva de Mercado para os Empresários em Biotecnologia ... 527
6. Considerações finais ... 533
Referências bibliográficas ... 534
n
ormase
ditoriais...536
Envio dos trabalhos: ...537
www.rdi.uniceub.br ... 538
Crônicas da atualidade do direito internacional
Michelle Lucas Cardoso Balbino Sarah Dayanna Lacerda Martins Lima Katherine Limonge
doi: 10.5102/rdi.v13i3.4244
Crônicas da atualidade do direito internacional
Michelle Lucas Cardoso Balbino*
Sarah Dayanna Lacerda Martins Lima**
Katherine Limonge***
C
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iretivaeuropeiaDeproteçãoDossegreDosDe negóCiosContraaaquisição,
utilizaçãoeDivulgaçãoilegais:
inCoerênCiasjuríDiCasenContraDas
1. i
ntroDuçãoA globalização representa um dos fatores que mais diferenciam a socie- dade na atualidade e transformam as interações entre os atores envolvidos, principalmente no campo econômico. A globalização econômica possibili- tou uma expansão no alcance territorial dos negócios realizados, que agora são feitos de forma global. Ao lado de desenvolvimentos recentes como o aumento da externalização, a expansão das cadeias de abastecimento e o uso acrescido de tecnologias da informação/comunicação, a globalização contribui para uma intensificação do mercado internacional. Ressalta-se que mesmo as empresas nacionais de pequeno e médio porte possuem possi- bilidades desses desenvolvimentos recentes e ampliam sua capacidade de participar do mercado internacional.1
Essa grande expansão das áreas de comércio internacional repercute, di- retamente, na necessidade de inovação das empresas e, por consequência, amplia a cada dia o Direito Internacional dos Investimentos2. Um dos focos desse ramo do direito internacional está diretamente atrelado à exposição das atividades empresariais inovadoras às práticas desonestas, como apro- priação indevida de segredos de negócios (roubo, cópia não autorizada, es- pionagem econômica ou violação de requisitos de confidencialidade3).
Vale considerar que já existem institutos de direitos de propriedade in- telectual4 que constituem um dos meios para a proteção dos resultados de inovação e a proteção do acesso e da exploração de conhecimentos valiosos para a entidade que não sejam do conhecimento geral. Contudo, todas as
1 VARELLA, Marcelo Dias. Internacionalização do direito: direito internacional, globalização e complexidade. Brasília: UniCEUB, 2013.
2 Ramo específico do Direito Internacional, tendo como base, as definições de conteúdo político e econômico que envolve o poder dos Estados para regular os fluxos de capitais, o escopo de proteção que os Estados devem ou podem garantir aos investidores e as con- tradições inevitáveis entre os interesses gerais frequentemente afetados pelos investimentos estrangeiros e os direitos reconhecidos aos investidores (RIBEIRO, 2014).
3 A Diretiva de Proteção dos Segredos Comerciais da União Europeia define essas formas de apropriação indevida de segredos comerciais.
* Professora e Coordenadora do curso de Di- reito da FACTU.
** Doutoranda em Direito pela Universidade de Coimbra - UC; Mestre em Políticas Públicas pela Universidade Estadual do Ceará – UECE;
Bacharel em Direito e especialista em Direito Internacional pela Universidade de Fortaleza – Unifor; Professora de Direito do Centro Universitário Estácio do Ceará. E-mail: sarahli- [email protected]
*** Mestranda em Direito pelo Centro uni- versitário de Brasília
BALBINO, Michelle Lucas Cardoso; LIMA, Sarah Dayanna Lacerda Martins; LIMONGE, Katherine. Crônicas da atualidade do direito internacional. Revista de Direito Internacional, Brasília, v. 13, n. 3, 2016 p. 2-15
empresas, independentemente da sua dimensão5, valo- rizam, também, os segredos de negócios, tanto como as patentes e outras modalidades de direitos de proprie- dade intelectual. Esses segredos de negócios, conside- rados valiosos know-how6 e informações empresariais, são confidenciais e, para viabilizar os investimentos, é necessário que permaneçam confidenciais.
Quando ocorre a aquisição, utilização ou divulgação ilegais de um segredo de negócios, ocorre, também, um comprometimento na capacidade de o titular legítimo do segredo de negócios obter retornos de pioneiro de- correntes dos seus esforços relacionados com a inova- ção. Tal fator pode prejudicar o Direito Internacional dos Investimentos e com isso prejudicar a iniciativa inovadora das empresas. Afinal de contas, as empresas utilizam a confidencialidade como um instrumento de gestão da competitividade empresarial e da inovação na investigação.
Nesse quadro, observa-se que os segredos de negó- cios são uma das formas mais utilizadas pelas empresas para proteção da criação intelectual e do know-how ino- vador. Contudo, a proteção jurídica desse instituto era reduzida até a definição de uma nova norma instituída este ano pela União Europeia. Trata-se da Diretiva re- lativa à Proteção dos Segredos de Negócios, engloban- do know-how e informações comerciais confidenciais contra a sua aquisição, utilização e divulgação ilegais, aprovada em 14 de abril de 2016 pelo Parlamento Eu- ropeu. Porém, essa Diretiva representa um dos docu- mentos mais criticados por jornalistas e organizações de proteção aos consumidores, tendo em vista as restrições impostas a concorrência comercial e a divulgação de in- formações (liberdade de comunicação social).
Cabe considerar que referida Diretiva normatizou a noção de informação confidencial, já prevista no art. 39 do Acordo sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio (Agreement on Trade-Related Aspects of Intellectual Property Rights – TRIPS)7. A ata final que incorpora os Resultados da
5 Para a Diretiva Europeia de Proteção dos Segredos Comerci- ais as pequenas e médias empresas (PME) valorizam ainda mais os segredos comerciais, pois possuem, ainda, mais dependentes deles.
6 Que representa um conjunto variado de informações que es- tão além dos conhecimentos tecnológicos (fórmulas secretas, infor- mações, tecnologias, técnicas ou procedimentos) e abarcam dados comerciais tais como informações sobre os clientes e os fornece- dores, planos de negócios e estudos e estratégias de mercado ad- quiridos pela empresa para ter vantagens competitivas.
7 Referido acordo foi assinado em 1994, durante o encerramento
Rodada Uruguai de Negociações Comerciais Multilate- rais do GATT foi promulgada no Brasil pelo Decreto n.º 1.355, de 30 de dezembro de 19948. O art. 39 do acordo TRIPS aponta para a necessidade de proteção de informação confidencial, assegurando a proteção efetiva contra a competição desleal, como disposto no art. 10bis da Convenção de Paris para a Proteção da Propriedade Industrial9. A Convenção de Paris proíbe, em particular, qualquer ato susceptível de criar confu- são, por qualquer meio que seja, com o estabelecimento, produtos ou atividades industriais ou comerciais de um concorrente; alegações falsas, no exercício do comércio para desacreditar o estabelecimento, produtos ou ativi- dades industriais ou comerciais de um concorrente; e, por fim, as indicações ou alegações, o uso, na vida co- mercial pode induzir o público em erro sobre a nature- za, modo de fabricação, características, adequação para o emprego ou a quantidade dos produtos.
O próprio art. 39 do acordo TRIPS já apontava que tanto as pessoas físicas como jurídicas poderiam evitar que “informação legalmente sob seu controle seja di- vulgada, adquirida ou usada por terceiros, sem seu con- sentimento, de maneira contrária a práticas comerciais honestas”10.
Assim, o objetivo da Diretiva está no bom funcio- namento do mercado interno (uniforme) em matéria de investigação e inovação relativa à proteção de know- -how e de informações comerciais confidenciais (se- gredos de negócios) contra a sua aquisição, utilização e divulgação ilegais.
Muito se criticou em relação à adoção da nomen- clatura “know-how” em virtude e não existir “qualquer
da Rodada Uruguai de Negociações Comerciais Multilaterais do GATT, momento em que se criou a Organização Mundial do Co- mércio (OMC).
8 BRASIL. Decreto n. 1.355, de 30 de dezembro de 1994. Promulga a ata final que incorpora os resultados da rodada Uruguai de nego- ciações comerciais multilaterais do GATT. Disponível em: <http://
www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/antigos/d1355.htm>.
Acesso em: 14 jul. 2016.
9 Referida Convenção, assinada em 1967, define a necessidade de proteção eficaz contra a concorrência desleal é obrigação de todos os países signatários. Ademais, define que os atos de concorrência desleal são aqueles contrários às práticas honestas em matéria indus- trial ou comercial.
10 BRASIL. Decreto n. 1.355, de 30 de dezembro de 1994. Promulga a ata final que incorpora os resultados da rodada Uruguai de nego- ciações comerciais multilaterais do GATT. Disponível em: <http://
www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/antigos/d1355.htm>.
Acesso em: 14 jul. 2016.
BALBINO, Michelle Lucas Cardoso; LIMA, Sarah Dayanna Lacerda Martins; LIMONGE, Katherine. Crônicas da atualidade do direito internacional. Revista de Direito Internacional, Brasília, v. 13, n. 3, 2016 p. 2-15
significado autônomo e a sua utilização só contribuirá para acentuar a confusão terminológica em torno dos segredos de negócio”. Neste aspecto, muitos aponta- vam, inclusive, que referido termo deveria ser ignora- do11. Contudo, deve-se ressaltar que referido termo foi descrito no texto final da Diretiva, apenas, nas conside- rações iniciais. Em relação ao texto normativo (artigos e parágrafos), tal nomenclatura não foi utilizada12.
Outra questão que merece consideração é a expres- são segredo comercial existente na versão portuguesa da Diretiva. Alguns doutrinadores apontam que a expres- são “segredo comercial” não deveria ser empregada, em face do direito brasileiro (considerando a noção jurídica de comércio no Brasil). Deveriam ter considerado a ex- pressão “segredo de negócio”, sendo apontado inclusive que deve estar sujeita a uma interpretação teleológica13 caso a transposição não seja corretamente feita14. Diante desses fatos, na presente crônica, será utilizado o termo
“segredo de negócio” e não “segredo comercial”.
Assim, observa-se que o objetivo apresentado pela Diretiva é a busca de facilidades na aplicação uniforme das medidas, dos procedimentos e das vias de reparação sobre o tema nos países que compõem a União Euro- peia (uniformização), a fim de evitar apropriação inde- vida de segredos de negócios. Ou seja, uma definição homogênea dos segredos de negócios, sem restringir o objeto a proteger contra apropriação indevida. Contu- do, tal Diretiva vem sendo muito criticada e todas as críticas encontradas vão na contramão do objetivo geral da Diretiva, qual seja, a uniformização da atuação por todos os Estados-Membros.
Em relação aos principais pontos criticados ao lon- go das propostas e relatórios emitidos nos últimos anos, bem como aos textos finais aprovados, a liberdade de expressão e de informação (1) (que abrange a liberdade e o pluralismo dos meios de comunicação social) e a au-
11 SILVA, Nuno Sousa e. A proposta de directiva em matéria de seg- redos de negócio: uma primeira leitura. 2014. Disponível em: <http://
ssrn.com/abstract=2459545 or http://dx.doi.org/10.2139/
ssrn.2459545>. Acesso em: 01 jul. 2016.
12 Apesar do termo existente no texto do Relatório da Diretiva, este não constante no texto normativo final da Diretiva Europeia, estando mencionado apenas nas considerações iniciais para a ex- ecução e no título dado a mesma.
13 A interpretação teleológica, também, é conhecida por interpre- tação lógica.
14 SILVA, Nuno Sousa e. A proposta de directiva em matéria de segre- dos de negócio: uma primeira leitura. 2014. Disponível em: <http://
ssrn.com/abstract=2459545 or http://dx.doi.org/10.2139/
ssrn.2459545>. Acesso em: 01 jul. 2016.
sência de ações uniformes ao longo da Diretiva (2) (dei- xando uma abertura no texto normativo para atuação dos Estados-Membros) representam pontos que devem ser discutidos.
2. a
liberDaDeDeexpressão/
informaçãoeaabrangênCiaDopluralismoDosmeiosDe ComuniCaçãosoCial
:
inCertezajuríDiCaeoônusDeprova
Um dos principais temas discutidos ao longo de toda a trajetória de elaboração dessa Diretiva foi a ga- rantia do exercício, não limitado, do direito à liberdade de expressão e de informação, que abrange a liberdade e o pluralismo dos meios de comunicação social, confor- me aponta o art. 11 da Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia (1). Uma possível limitação desse di- reito causou entre os jornalistas e associações de mídia da Europa grande preocupação, em particular no que diz respeito ao jornalismo de investigação e à proteção das fontes jornalísticas. Na discussão desse tema, é im- portante considerar dois pontos: a incerteza jurídica da aplicação final das garantias previstas pela Diretiva (1.1) e a necessidade de ônus de prova por parte do denun- ciante e jornalistas (1.2).
Vários jornalistas15 apontam que existe incerteza ju- rídica sobre a aplicabilidade dessa Diretiva em relação à proteção da liberdade de expressão (1.1). Tal incerte- za poderia criar um efeito inibidor sobre os jornalistas, pois esse efeito estaria atrelado à necessidade de verifi- car/assegurar que as intenções do denunciante (fontes jornalísticas) realmente cumpriram os requisitos da Di- retiva, antes de usar as informações (segredos de negó- cios) como sendo de interesse público 16.
Após longas discussões e pareceres apresentados pelas partes interessadas, inclusive pela Comissão do Mercado Interno e da Proteção dos Consumidores, foi incluída, na versão final da Diretiva, a garantia exercício do direito à liberdade de expressão e de informação. A
15 Cabe destacar as reportagens feitas por: RSF (2016); DAMGE (2016); VAUDANO; DAMGE (2016) e RFJ (2016).
16 REPORTERS SANS FRONTIERES. Adoption de la directive sur le secret des affaires: le journalisme d’investigation doit être sauvegardé.
2016. Disponível em: <https://rsf.org/fr/actualites/adoption-de- la-directive-sur-le-secret-des-affaires-le-journalisme-dinvestigation- doit-etre>. Acesso em: 14 jul. 2016.
BALBINO, Michelle Lucas Cardoso; LIMA, Sarah Dayanna Lacerda Martins; LIMONGE, Katherine. Crônicas da atualidade do direito internacional. Revista de Direito Internacional, Brasília, v. 13, n. 3, 2016 p. 2-15
primeira versão da Diretiva não considerava nenhuma forma de proteção à liberdade de informação, sendo considerada uma afronta ao art. 11 da Carta dos Direi- tos Fundamentais da União Europeia.
Em que pese a inclusão no texto final aprovado pelo Parlamento Europeu, das garantias descritas acima, muitas preocupações ainda perduram no meio jorna- lístico, principalmente frente as incertezas jurídicas do texto apresentado, pois as exceções previstas na alínea
“a” do art. 5 da Diretiva17, que considera o exercício da liberdade de expressão e de informação, não são cla- ras e nem objetivas. Sua aplicação depende do modo de aplicação da Diretiva por cada Estado-Membro. Assim, não existe uma forma já padronizada de como aplicar o texto genérico descrito pela Diretiva18. Portanto, a Di- retiva torna-se um texto genérico com necessidade de definição de ações de cada país para sua aplicação, o que coloca as associações de mídia em alerta em rela- ção à transposição da Diretiva Europeia para as normas nacionais dos Estados-Membros, a fim de se certificar de que não está a ser aplicado de forma abusiva e sem respeito a liberdade de imprensa e da atividade dos de- nunciantes19. Esse problema direciona ao próximo item objeto de discussão dessa crônica, a não uniformização das medidas pela Diretiva (2.1).
Outro ponto que merece ser considerado é em re- lação à garantia de ausência de riscos a jornalistas e de- nunciantes quando da divulgação de informações sobre a empresa (1.2), pois, conforme apontado pelos jor- nalistas, os denunciantes são deixados, potencialmen- te, desprotegido, uma vez que existe a necessidade de provar que a divulgação de informações foi feita com a finalidade de proteger o interesse público geral (art. 5º,
17 “Os Estados-Membros asseguram que um pedido de aplicação das medidas, dos procedimentos e das vias de reparação previstos na presente diretiva seja indeferido caso a alegada aquisição, utilização ou divulgação do segredo comercial tenha sido realizada numa das seguintes circunstâncias: a) Para exercer o direito à liberdade de ex- pressão e de informação, consagrado na Carta, incluindo o respeito pela liberdade e pelo pluralismo dos meios de comunicação social [...]”.
18 REPORTERS SANS FRONTIERES. Adoption de la directive sur le secret des affaires: le journalisme d’investigation doit être sauvegardé.
2016. Disponível em: <https://rsf.org/fr/actualites/adoption-de- la-directive-sur-le-secret-des-affaires-le-journalisme-dinvestigation- doit-etre>. Acesso em: 14 jul. 2016.
19 REPORTERS SANS FRONTIERES. Adoption of the trade se- crets directive by the european parliament: investigative journalism must be guaranteed. 2016. Disponível em: <http://europeanjournalists.
org/blog/2016/04/14/adoption-of-the-trade-secrets-directive-by- the-european-parliament-investigative-journalism-must-be-guaran- teed/>. Acesso em: 14 jul. 2016.
“b” da Diretiva)20.
Observa-se que a Diretiva deixa claro que o ônus da prova cabe a quem alega, ou seja, ao denunciante (inclusive ao jornalista) e não às empresas. Muitos alegam que refe- rido ponto deixa o denunciante desprotegido, pois apenas cinco Estados-Membros da União Europeia dispõem de legislação abrangente sobre a proteção dos denunciantes (França, Reino Unido, Luxemburgo, Romênia e Eslovê- nia). Em contraposição, após discussão sobre esse ponto, a Comissão considerou que o disposto no art. 5º da Dire- tiva é amplamente suficiente, pois não há necessidade de uma Diretiva para proteger os denunciantes21.
Acreditam, ainda, que a proteção dos denunciantes deveria ter sido objeto de Diretiva específica. Assim, a discussão maior gira em torno da proteção do denun- ciante, que, conforme definição da Diretiva, tem o ônus da prova e nenhuma garantia. Alguns desejava que a definição da proteção do denunciante deveria ter sido adotada ao mesmo tempo que a Diretiva relativa ao si- gilo comercial, para garantir a manutenção do equilíbrio (empresa versus interesse público/denunciante)22.
Observa-se que tanto a incerteza jurídica como o ônus de prova representam pontos de inibição para que ocorram denúncias que visam proteger o interesse pú- blico geral nos casos de segredos de negócios. A Di- retiva tentou regulamentar a questão a nível europeu, contudo, como não apontou ações de proteção ao de- nunciante (definindo reais limites), manteve a incerteza de atuação dos Estados-Membros, inviabilizando a real operacionalização da norma de forma uniforme.
O Parlamento perdeu uma ótima oportunidade para definir diretrizes e limites para atuação do denunciante em sede dos segredos de negócios. Tal fato deve-se a grande pressão realizada pelas empresas23. Assim, achou
20 REPORTERS SANS FRONTIERES. Adoption de la directive sur le secret des affaires: le journalisme d’investigation doit être sauvegardé.
2016. Disponível em: <https://rsf.org/fr/actualites/adoption-de- la-directive-sur-le-secret-des-affaires-le-journalisme-dinvestigation- doit-etre>. Acesso em: 14 jul. 2016.
21 DAMGE, Mathilde. Dossier secret des affaires-adoption par le parle- ment européen dun texte protégeant le secret des affaires. 2016. Disponível em: <https://jscheffer81.wordpress.com/dossier-secret-des-affair- es-adoption-par-le-parlement-europeen-dun-texte-protegeant-le- secret-des-affaires/>. Acesso em: 14 jul. 2016.
22 VAUDANO, Maxime; DAMGE, Mathilde. Ce qu’il faut savoir de la directive sur le secret des affaires. 2016. Disponível em: <http://
www.lemonde.fr/les-decodeurs/article/2016/04/19/ce-qu-il-faut- savoir-de-la-directive-sur-le-secret-des-affaires_4904548_4355770.
html#1kUhtsEAuVIx9uSZ.99>. Acesso em: 14 jul. 2016.
23 O que pode ser observado quando da análise do Parecer elabo-