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PRAXIS DE ENFERMAGEM NO PRÉ-NATAL DE BAIXO RISCO

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PRAXIS DE ENFERMAGEM NO PRÉ-NATAL DE BAIXO RISCO

REIS, Meillyne Alves dos 1 FERREIRA, Tatiana Caexeta 2 PEREIRA, Gabrielle Gomes Andrade 3 SOUSA, Lígia Sadalla Vaz de 4

Resumo

OBJETIVO: analisar a atuação do enfermeiro na assistência pré-natal (PN). METODOLOGIA: revisão integrativa da literatura de artigos publicados na Biblioteca Virtual de Saúde (BVS) nas bases de dados:

Literatura Latino Americana do Caribe em Ciências em Saúde (LILACS), Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (Medline) e Base de Dados de Enfermagem (BDENF), publicados de 2008-2017.

RESULTADOS: Foram incluídos 11 artigos neste estudo. De seu conteúdo emergiram três categorias fundamentais: assistência PN - conceito, diretrizes do Ministério da Saúde e protocolos assistenciais; atuação do enfermeiro no PN - ferramentas utilizadas, fragilidade e potencialidades no atendimento; e o olhar da gestante sobre a atuação do enfermeiro no PN. O atuação do enfermeiro está de acordo com a lei do Exercício Profissional da Enfermagem, demonstrando ações como: consulta de enfermagem PN de baixo risco, plano de assistência individualizado priorizando as necessidades das gestantes, intervenções de enfermagem, incluindo educação em saúde e encaminhamento a serviços de referências. CONCLUSÃO:

Conclui-se que apesar dos problemas do Sistema de Saúde, o enfermeiro tem enfrentado desafios e superado empecilhos comuns durante a assistência pré-natal, pois as gestantes consideram muito bom o atendimento do enfermeiro, caracterizando o trabalho deste profissional de suma importância para a promoção e prevenção da saúde do binômio materno-fetal.

Palavras-Chave: Cuidado Pré-natal. Cuidados de Enfermagem. Equipe de assistência ao paciente.

NURSE'S PRAXIS IN THE LOW RISK PREGNANT ASSISTANCE

Abstract

OBJECTIVE: This to analyze the nurse's role in prenatal care (PN). METHODOLOGY: The methodology that encompasses this study is focused in the integrative review of the literature composed of articles published by the Virtual Health Library (VHL) and available in full and original text in the databases: Latin American Caribbean Literature in Health Sciences (LILACS), Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (Medline) and Nursing Database (BDENF), in the period between 2008-2017. RESULTS: Eleven articles were included in this study. From its content emerged three fundamental categories: PN - concept assistance, Ministry of Health guidelines and assistance protocols; nurses' performance in PN - tools used, fragility and potential in care; and the gaze of the pregnant woman about the nurses' performance in PN. The nurses' performance is in accordance with the Nursing Professional Exercise law, demonstrating actions such as: low- risk PN nursing consultation, individualized care plan prioritizing the needs of pregnant women, nursing interventions, including health education and referral to services of references. CONCLUSION: It is concluded that despite the problems of the Health System, the nurse has faced challenges and overcome common obstacles during the prenatal care, since the pregnant women consider the nurse's care very good, characterizing the work of this professional of paramount importance for the promotion and prevention of maternal-fetal binomial health.

1 Enfermeira, Mestre em Atenção à Saúde. Professora Adjunta do Centro Universitário de Anápolis, UniEVANGÉLICA, Anápolis -GO, Brasil. E-mail:[email protected]

2 Enfermeira, Especialista em Unidade de Terapia Intensiva. Professora Adjunta do Centro Universitário de Anápolis, UniEVANGÉLICA, Anápolis -GO, Brasil. E-mail:[email protected]

3 Discente do Curso de graduação em Enfermagem do Centro Universitário de Anápolis, UniEVANGÉLICA, Anápolis-GO, Brasil. E-mail:

[email protected]

4 Discente do Curso de graduação em Enfermagem do Centro Universitário de Anápolis, UniEVANGÉLICA, Anápolis -GO, Brasil. E-mail:

[email protected]

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Keywords: Prenatal care. Nursing care. Patient Care Team.

INTRODUÇÃO

A assistência ao pré-natal (PN) tem por finalidade identificar, tratar ou controlar patologias;

prevenir complicações nas gestações ou parto, assegurando a boa saúde materna; promover o bom desenvolvimento fetal; reduzir os índices de morbidade e mortalidade materna e fetal; e, preparar a mulher para o exercício da maternidade. Nesse sentido as ações de saúde devem ter uma cobertura total voltada para a população-alvo do campo de abrangência da unidade de saúde, garantindo no mínimo 6 (seis) consultas com a continuação do atendimento, avaliação e controle de conflitos sobre a saúde materna e perinatal (BRASIL, 2012). Deste modo a assistência pré-natal deve ser integral oferecendo a atenção necessária para as gestantes, levando em conta a consultas de PN serão mensais nos primeiros sete meses, quinzenais no oitavo mês e semanais no nono mês (FRANCISQUINI et al., 2010; BRASIL, 2012).

Considerando a importância da assistência do pré-natal para a saúde da gestante, o instrumento normativo que regula a atuação do enfermeiro é regida pelo Decreto nº 94.406/87, que regulamenta a Lei nº 7.498/86, que dispõe sobre as atividades de consulta de enfermagem e prestação de assistência à mulher durante a gestação, parto, puerpério e ao recém-nascido (FRANCISQUINI et. al., 2010).

O enfermeiro possui papel relevante em todos os níveis da assistência no PN, ele precisa mostrar-se à população a grande necessidade do acompanhamento da gestação na promoção da saúde, prevenção e tratamento de distúrbios, não só durante, mas também no pós-gravidez, mantendo a gestante informada de todos os serviços disponíveis, e contribuindo de modo significativo à redução da morbidade e a mortalidade materna e perinatal, além de diminuir a prematuridade (GUARIENTO, 2011). Nesse sentindo o estudo objetivou descrever a atuação do enfermeiro na assistência PN.

METODOLOGIA

Foi realizada uma revisão integrativa da literatura. Este tipo de estudo possibilita de

maneira sistemática e ordenada, a reunião e sintetização de resultados de pesquisas sobre um

delimitado assunto contribuindo para o aprofundamento do conhecimento do tema investigado

(MENDES et al., 2008). O espaço amostral deste estudo é composto de artigos publicados em meios

eletrônicos. A busca foi realizada na Biblioteca Virtual de Saúde (BVS): Literatura Latino-Americana

e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Medical Literature Analysis and Retrieval

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System Online (Medline) e na Base de Dados em Enfermagem (BDENF). Para busca dos artigos foram utilizados os Descritores em Ciências da Saúde (DECS): “Cuidado Pré-natal and Enfermagem”, “Assistência Pré-natal and Enfermagem”, “Pré-natal and Equipe interdisciplinar de Saúde”, “Assistência Antenatal and Enfermagem”. Foram excluídos os artigos que não respondiam a pergunta desta Revisão Integrativa da Literatura. Para análise adotou-se os seguintes passos: a) identificação do tema e elaboração da questão de pesquisa, b) estabelecimento de critérios para inclusão e exclusão de estudos/ amostragem ou busca na literatura, c) definição das informações a serem extraídas dos estudos selecionados/categorização dos estudos d) avaliação dos estudos incluídos na revisão integrativa, e) interpretação dos resultados, e apresentação da revisão/síntese do conhecimento (MENDES et al., 2008).

Os artigos selecionados para inclusão neste estudo foram identificados com códigos para facilitar sintetização dos resultados. Os códigos são representados pela letra “A” seguida do número cardinal, exemplo: A1, A2 sequencialmente. Quanto ao desenho metodológico, os artigos foram distribuídos/classificados por: código, autor/ano, periódico, título na íntegra, classificados por níveis de evidências, conforme Agência de Cuidados de Saúde e Qualidade (ACSQ) dos Estados Unidos da América (WEST et al., 2002). Os dados foram apresentados em quadros sinópticos.

RESULTADOS

Foram incluídos 11 artigos na presente revisão integrativa da literatura. O percurso de busca, a seleção e a inclusão dos artigos estão descritos na Tabela 1. A distribuição de artigos sobre a atuação do enfermeiro no pré-natal de baixo risco por autor/ano, periódico e nível de evidência científica estão apresentados nos quadros 1 e 2.

Tabela 1 Distribuição de artigos selecionados segundo Descritores em C iências da Saúde, na Biblioteca Virtual de Saúde, bases de dados Lilacs, Medline e BDENF, publicados entre 2008-2017.

Descritores em ciências da saúde (DeCS) Artigos Artigos Artigos Artigos Selecionados duplicados excluídos incluídos

Cuidado Pré-natal and Enfermagem 69 0 20 02

Assistência Pré-natal and Cuidado de 04

Enfermagem and Equipe interdisciplinar de 169 32 43

Saúde

Pré-natal and Assistência de Enfermagem and

118 57 10 04

Equipe Multiprofissional

Assistência Antenatal and Enfermagem and

31 20 06 01

Equipe de Saúde

406 387 109 79 11

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Fonte: Biblioteca virtual em saúde, 2018.

Quadro 1 Distribuição de artigos segundo a atuação do enfermeiro no pré-natal de baixo risco, autor/ano e periódico.

Código Autor/ano Periódico

A1 GUIMARÃES; LEITE; SANTOS; KOWAL; SOUZA; Revista Brasileira Enfermagem ARAUJO; ALZENIR, 2008.

A2 SUCCI, et al., 2008. Revista Latino Americana Enfermagem

A3 MIRANDA; FERNANDES, 2010. Revista Enfermagem UERJ

A4 DUARTE; BORGES; DE ARRUDA, 2011. Revista Enfermagem Centro Oeste Mineiro

A5 PEIXOTO et al., 2011. Revista Enfermagem UERJ

A6 VIEIRA; BOCK; ZOCCHE and PESSOTA, 2011. Texto Contexto Enfermagem, Florianópolis

A7 GUERREIRO, et al., 2012. REME – Revista Mineira Enfermagem

A8 DUARTE; MAMEDE, 2013. Ciencia y EnfermerIa XIX

A9 ALVES et al., 2014. Revista Enfermagem UERJ

A10 CARDOSO et al,. 2016. J. res.: fundam. Care (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro)

A11 DE BORTOLI et al., 2017. J. res.: fundam. Care (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro)

Fonte: elaborado pelos revisores.

Quadro 2 Distribuição de artigos segundo a atuação do enfermeiro no pré-natal de baixo risco, título na íntegra e nível de evidência científica.

Código Título Nível de

evidência A1 Qualidade da atenção ao pré-natal na Qualidade da atenção ao pré-natal na Estratégia Saúde IV

da Família em Sobral, Ceará Estratégia Saúde da Família em Sobral, Ceara.

A2 Avaliação da assistência pré-natal em unidades básicas do município de São Paulo. IV

A3 Assistência pré-natal: estudo de três indicadores. IV

A4 Ações de enfermagem na educação em saúde no pré-natal: relato de experiência de um projeto V de extensão da universidade federal do Mato Grosso

A5 O pré-natal na atenção primária: o ponto de partida para reorganização da assistência IV obstétrica.

A6 Percepção das puérperas sobre a assistência prestada pela Equipe de saúde no pré-natal IV A7 O cuidado pré-natal na atenção básica de saúde sob o olhar de gestantes e enfermeiros IV A8 Ações do pré-natal realizadas pela equipe de Enfermagem na atenção primária à saúde, Cuiabá IV A9 Aplicação de tecnologia leve no pré-natal: um enfoque na percepção das gestantes. IV A10 Percepção de gestantes sobre a organização do serviço/assistência em um pré-natal de baixo IV

risco de Recife.

A11 Fatores que possibilitam a atuação do enfermeiro na atenção pré-natal IV Fonte: elaborado pelos revisores.

A partir da análise dos artigos emergiram categorias: a assistência pré-natal: conceito, diretrizes do

Ministério da Saúde e protocolos assistenciais; a atuação do enfermeiro no pré-natal: ferramentas utilizadas, fragilidade e

potencialidades no atendimento e o olhar da gestante sobre a atuação do enfermeiro no pré-natal. No quadro 3 as

categorias estão distribuída por fontes

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Quadro 3 Distribuição de artigos segundo as categorias de análise

Categorias Autores/ano

A assistência pré-natal: conceito, VIEIRA; BOCK; ZOCCHE and PESSOTA, 2011./ GUERREIRO, et al., diretrizes do Ministério da Saúde e 2012./ ALVES et al., 2014./ CARDOSO et al,. 2016./ DE BORTOLI et al., protocolos assistenciais 2017.

GUIMARÃES; LEITE; SANTOS; KOWAL; SOUZA; ARAUJO; ALZENIR, A atuação do enfermeiro no pré- 2008./ DUARTE; BORGES; DE ARRUDA, 2011./ VIEIRA; BOCK;

natal:ferramentasutilizadas, ZOCCHE and PESSOTA, 2011./ GUERREIRO, et al., 2012./ DUARTE;

fragilidade e potencialidades no MAMEDE, 2013./ ALVES et al., 2014./ DE BORTOLI et al., 2017.

atendimento

VIEIRA; BOCK; ZOCCHE and PESSOTA, 2011./ DUARTE; BORGES; DE O olhar da gestante sobre a ARRUDA, 2011./ GUERREIRO, et al., 2012./ CARDOSO et al,. 2016./ DE atuação do enfermeiro no pré-natal BORTOLI et al., 2017.

Fonte: Elaborado pelos revisores.

Alguns estudos encontraram resultados positivos da aplicabilidade de tecnologias leves junto aos grupos de apoio à gestante, conforme descrito no quadro 4.

Quadro 4 Distribuição dos artigos, segundo tecnologias leves usadas pelo enfermeiro no apoio à gestantes.

Código Ferramentas usadas pelo profissional Recurso usados Nível de

enfermeiro evidência

A4 Oficinas interativas nas quais abordavam Computadores, datashow, aparelho de V conteúdos de caráter informativo educativo (p. 280) som, cartazes e textos informativos

A9 Utilização da atividade educativa: As gestantes Formulário, jogo, roleta, envelope e VI foram divididas em grupos e mediante sorteio, o gravuras.

jogo foi iniciado. A equipe escolhida girava a roleta que determinava uma temática e respondia a uma das perguntas do envelope específico para tal assunto (p.650)

A8 Atividades de educação em saúde, ocorreram na O estudo não trás a especificação de VI sala de espera e uma na sala de reuniões em qual material foi utilizado.

forma de palestras (p.125)

A1 Ações de educação em saúde: as gestantes Material informativo. IV recebem algumas informações por meio de

palestras enquanto esperam atendimento (p. 599).

Fonte: Elaborado pelos revisores.

Acolhimento com escuta qualificada foram utilizadas pelos enfermeiros com êxito e reconhecimento pelas gestantes:

Empatia que o profissional deve ter com sua cliente para que essa se sinta acolhida (...) Por meio da escuta, da conversa, do olhar, do toque e, a partir de então, as dúvidas são esclarecidas (GUERREIRO, et al., 2012. p.317).

Acolhimento no estabelecimento do vínculo e na adesão da gestante ao acompanhamento pré- natal (...) Mantém sempre um tom de voz suave e olhando nos olhos da gestante ao abordá-la;

(...) Recebe a gestante com postura acolhedora, chamando-a pelo nome (DE BORTOLI et al., 2017, p.981).

[...] as dinâmicas promoveram maior aproximação entre as gestantes, possibilitando o vínculo de confiança, diminuindo a timidez e favorecendo o esclarecimento das dúvidas (DUARTE;

BORGES; DE ARRUDA, 2011.p.281).

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[...] o acolhimento e humanização é de vital importância para a qualidade de assistência prestada à mulher (VIEIRA; BOCK; ZOCCHE;PESSOTA, 2011. p.259).

O atendimento humanizado e o fácil acesso à consulta foram considerados pela maioria das usuárias como os elementos positivos do atendimento (GUERREIRO, et al., 2012 p.321).

Duarte e Mamede (2013) mostram que a fata de autonomia dos enfermeiros constitui uma importante fragilidade enfrentada no atendimento pré-natal:

Necessidade da (re)definição, padronização e avaliação das ações desenvolvidas pela equipe de enfermagem em Cuiabá-MT, o que, evidentemente, propiciara o fortalecimento da assistência prestada as mulheres grávidas e, com isso, a melhoria na assistência pré-natal (p.127)

Ultrassonografia [...] no município de Cuiabá os enfermeiros não são habilitados a solicitar tal exame (p. 122) [...] A prescrição de medicamentos por enfermeiros em Cuiabá-MT ainda não esta claramente definida e, diante de queixa clinica, a maioria dos enfermeiros encaminha a gestante para avaliação e conduta medica. (p. 123) [...] Não ha padronização quanto aos exames que devem ser requisitados as gestantes, cada profissional orientam-se por referenciais que vão desde o Manual do Pré-natal do Ministério da Saúde as experiências adquiridas durante a formação profissional. (p.125)

Observa-se também a satisfação com pontos favoráveis ao atendimento pelo enfermeiro durante o pré-natal:

De um modo geral, observamos, através das entrevistas, que as gestantes tiveram boa percepção do acompanhamento no pré-natal, evidenciada pelo número de consultas realizadas e pelas conversas informais na sala de espera, compartilhando com as demais o conhecimento recebido nas consultas (VIEIRA; BOCK; ZOCCHE;PESSOTA, 2011. p. 258)

Quando perguntado sobre o grau de satisfação dessas gestantes no que se refere ao acolhimento, à organização/estrutura do serviço, à assistência prestada pelos profissionais e ao tempo para realização de exames, foi identificado que a maioria delas possuía alto índice de satisfação (CARDOSO et al,. 2016. p.5023)

DISCUSSÃO

Pré-Natal: pressupostos conceituais, marco normativo e protocolos assistenciais.

O PN é o acompanhamento necessário para toda gestante, a fim de cultivar a integridade das condições de saúde da mãe e do bebê e tem por objetivo principal a atenção à saúde, desde o início da gestação, garantindo no fim da gestação, o nascimento de um bebê saudável e a segurança do bem-estar materno e neonatal (DE BORTOLI et al., 2017; PEIXOTO et al., 2011).

Desde o surgimento do Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher (PAISM), em

1985, o Ministério da Saúde (MS) vem elaborando manuais técnicos de assistência ginecológica,

PN, gestação de alto risco, e guia prático para assistência ao parto normal, período puerperal e

aleitamento materno (AM), juntamente a essas publicações, os serviços de saúde também

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receberam recursos materiais para realização dos procedimentos por eles preconizados (GUERREIRO et al., 2012.; ALVES et al., 2014; BRASIL, 2012).

Em 2000 a Portaria/GM nº 569 do MS, formaliza a criação do Programa de Humanização no Pré-natal e nascimento (PHPN) visando adequar uma gestação benéfica para a gestante e o feto com atendimento de qualidade, fácil acesso e cobertura total (VIEIRA, BOCK, ZOCCHE, PESSOTA, 2011; ALVES et al., 2014). Por este ato normativo, o MS recomenda que o acompanhamento PN de baixo risco deva ser feito na Unidade Básica (UBS) da abrangência da gestante e que as ações sejam realizada pela equipe multiprofissional incluindo o enfermeiro (ALVES et al., 2014; DE BORTOLI et al., 2017.).

O MS preconiza a utilização de protocolos para melhorar o desempenho das atribuições dos profissionais envolvidos no PN. Esses protocolos são considerados instrumentos efetivos para organização e regulamentação da atuação do enfermeiro, com foco em proporcionar maior segurança às condutas e estabelecer uma pratica voltada ao cuidado integral da mulher (DE BORTOLI et al., 2017; VIEIRA, BOCK, ZOCCHE, PESSOTA, 2011).

É importante ressaltar que a construção destes protocolos estão embasadas nos pressupostos normativos do MS, manuais, normas técnicas, considerados documentos norteadores, visando sempre suprir às necessidades da gestante e do bebê de acordo com a realidade local da população. Importa sublinhar, também, o papel do enfermeiro na construção destes protocolos bem como de sua periódica revisão e atualização, incidindo positivamente à saúde da gestante e do feto (DE BORTOLI et al., 2017; VIEIRA, BOCK, ZOCCHE, PESSOTA, 2011).

De acordo com a lei do Exercício Profissional da Enfermagem, o enfermeiro deve elaborar o plano de assistência de enfermagem durante a consulta PN de baixo risco priorizando sempre as necessidades das gestantes, estabelecendo intervenções, fornecendo orientações e encaminhando ao serviços de referências e buscar sempre capacitação para a valorização do seu trabalho prestado (VIEIRA, BOCK, ZOCCHE, PESSOTA, 2011).

A atuação do enfermeiro no pré-natal: ferramentas, fragilidade e potencialidades no atendimento.

O atendimento PN necessita ser qualificado e humanizado. Pode ser conseguido por meio da inclusão de condutas acolhedoras que garantam a qualidade e promovam o vínculo entre a mulher e o profissional (DUARTE, BORGES, DE ARRUDA, 2011; GUERREIRO et al., 2012; DE BORTOLI et al., 2017). Estas condutas são requisitos de extrema importância para a humanização e acompanhamento da assistência às gestantes no serviço de atenção ao PN, por informar e orientar

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a saúde da gestante e do bebê (PEIXOTO et al., 2011.; GUERREIRO et al., 2012; DE BORTOLI et al., 2017).

No ato da realização das atividades de promoção à saúde o profissional de saúde deve atuar como facilitador e promover e fomentar a troca de experiências e discussões entre as gestantes, procurando priorizar as relações afetivas e as trocas de informações do parto e pôs parto entre elas, evitando o uso de palestra, pois na maioria das vezes não problematizar os temas relacionados ao período perinatal pode dificultar no entendimento da linguagem utilizada (GUIMARÃES, LEITE, SANTOS, KOWAL, SOUZA, ARAUJO, ALZENIR, 2008; DUARTE, BORGES, DE ARRUDA, 2011;

DUARTE, MAMEDE, 2013; ALVES et al., 2014).

Uma das estratégias adotadas pelo SUS é o acolhimento, que tem o intuito de estabelecer um vínculo de confiança, qualificar a assistência e ampliar as relações humanas entre o usuário e profissional. O acolhimento é essencial na atenção PN, pois promove a adesão ao serviço de saúde, favorece a continuidade do acompanhamento e do cuidado á gestante (DE BORTOLI et al., 2017).

Nessa mesma linha de raciocínio os autores, previamente descritos, evidenciaram em seus estudos a aplicabilidade de ferramentas de tecnologia leve que obtiveram sucesso junto aos seus grupos de apoio à gestante

Contudo, é a disponibilidade de recursos e a organização da rotina de atendimento que classifica a qualidade da assistência, e um dos pontos de fraqueza do PN corresponde à deficiência do fornecimento adequado de resultados que acarretaram a detecção tardia de complicações durante a gestação, além da ansiedade e a percepção de abandono gerada pela falta de referência e contra referência visto que é feito a desvinculação da assistência recebida e a unidade não tem informações da continuidade do amparo prestado a gestante (VIEIRA; BOCK; ZOCCHE; PESSOTA, 2011; DUARTE, MAMEDE, 2013; ALVES et al., 2014),

A percepção da gestante sobre a práxis do enfermeiro no âmbito do PN.

Evidências textuais analisadas ao longo deste trabalho demonstram que as gestantes

percebem o acolhimento e a realização de dinâmicas educativas em grupo realizadas pelo

enfermeiro, como algo extremamente positivo pois promove maior aproximação delas com os

profissionais (PEIXOTO et al., 2011). A troca de experiências é vista por elas como uma

oportunidade de evitar erros cometidos na última gestação ou de receber novas instruções (VIEIRA,

BOCK, ZOCCHE, PESSOTA, 2011; GUERREIRO et al., 2012). O MS afirma que práticas

acolhedoras proporcionam a identificação das principais vulnerabilidades das gestantes levando em

consideração seu contexto social, assim como a criação de vínculo de confiança entre o profissional

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e a gestante, além sua institucionalização com o equipamento de saúde, permitindo uma maior aceitação e continuidade dessas mulheres no serviço (BRASIL, 2012)

As gestantes consideram como positivo o fácil acesso as consultas, mas citaram ainda algumas dificuldades quanto a demora dos exames solicitados, a limitação do enfermeiro na solicitação de alguns exames, a necessidades de realizar o ultrassom em outro local, interferindo diretamente na qualidade do PN (CARDOSO et al., 2016; DE BORTOLI et al., 2017).

Outro remarque que deve ser sublinhado enfoca a decisão da gestante em realizar o acompanhamento no PN com enfermeiro. Isto é associado à empatia e proximidade que elas mantém com o profissional. Neste sentido elas afirmam que necessitam se sentir seguras, acolhidas, e receber informações claras para prosseguir com a assistência, para isso releva alguns fatores como: disponibilidade de acesso ao serviço, oferta de exame confirmatório, e a qualidade da assistência auxiliam diretamente nessa decisão (VIEIRA; BOCK; ZOCCHE; PESSOTA, 2011;

CARDOSO et al., 2016).

CONCLUSÃO

O enfermeiro enfrenta algumas dificuldades e desafios durante o acompanhamento na assistência PN, no entanto, ainda que ocorram algumas limitações durante as consultas, as gestantes consideram satisfatório o atendimento recebido pelo enfermeiro. Isto caracteriza o trabalho desses profissionais como de importância, especialmente quando considerado o enfoque da promoção e prevenção da saúde do binômio gestante-feto. O enfermeiro assume relevante papel ao desenvolver um bom trabalho, especialmente com ações que sejam capazes de contribuir para redução da taxa de morbidade e mortalidade materna e fetal, e que reflita na elevação da qualidade da assistência PN.

REFERÊNCIAS

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Brasília: Ministério da Saúde, 2012.

CARDOSO, M. D. et al. Percepção de gestantes sobre a organização do serviço/assistência em um pré-natal de baixo risco de Recife Perceptions of pregnant women about the organization of the

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Referências

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