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São Bernardo (Graciliano Ramos)

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Academic year: 2022

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1 Profª Daniella Luísa

Aula I

1. Leia o texto.

São Bernardo (Graciliano Ramos)

1 Nesse tempo eu não pensava mais nela, pensava em ganhar dinheiro.

2 De bicho na capação (falando com pouco ensino), esperneei nas unhas do Pereira, que me levou músculo e nervo, aquele malvado. Depois vinguei-me: hipotecou-me a propriedade e tomei-lhe tudo, deixei-o de tanga. Mas isso foi muito mais tarde.

3 A princípio o capital se desviava de mim, e persegui-o sem descanso, viajando pelo sertão, negociando com redes, gado, imagens, rosários, miudezas, ganhando aqui, perdendo ali, marchando no fiado, assinando letras, realizando operações embrulhadíssimas.

4 Sofri sede e fome, dormi na areia dos rios secos, briguei com gente que fala aos berros e efetuei transações comerciais de armas engatilhadas. Está um exemplo. O Dr. Sampaio comprou-me uma boiada, e na hora da onça beber água deu-me com o cotovelo, ficou palitando os dentes. Andei, virei, mexi, procurei empenhos e ele duro como beira de sino.

5 Chorei as minhas desgraças: tinha obrigações em penca, aquilo não era trato, e tal, enfim etc. O safado do velhaco, turuna, homem de facão grande no município dele, passou-me um esbregue. Não desanimei: escolhi uns rapazes em Cancalancó e quando o doutor ia para a fazenda, caí-lhe em cima, de supetão. Amarrei-o, meti-me com ele na capoeira, estraguei-lhe os couros nos espinhos dos mandacarus, quipás, alastrados e rabos-de-raposa.

6 — Vamos ver quem tem roupa na mochila. Agora eu lhe mostro com quantos paus se faz uma canoa.

7 O doutor, que ensinou rato a furar almotolia, sacudiu-me a justiça e a religião.

8 — Que justiça! Não há justiça nem há religião. O que há é que o senhor vai espichar aqui trinta contos e mais os juros de seis meses. Ou paga ou eu mando sangrá-lo devagarinho.

9 Dr. Sampaio escreveu um bilhete à família e entregou-me no mesmo dia trinta e seis contos e trezentos. Passei o recibo, agradeci e despedi-me:

— Obrigado, Deus o acrescente. Sinto muito ter-lhe causado incômodo. Adeus. E não me venha com a sua justiça, porque se vier, eu viro cachorro doido e o senhor morre na faca cega.

Disponível em: <http://www.livroclip.com.br/ferramenta/externo/colecao/sao_bernardo/livro.pdf>.Acesso em: 2 out. 2020.

O texto é marcado pela presença de metáforas, como em

a) “Naquele tempo eu não pensava mais nela, pensava em ganhar dinheiro.” (parágrafo 1) b) “Não desanimei: escolhi uns rapazes em Cancalancó” (parágrafo 5)

c) “E não me venha com a sua justiça, porque se vier, eu viro cachorro doido” (parágrafo 9) d) “Andei, virei, mexi, procurei empenhos e ele duro como beira de sino.” (parágrafo 4)

e) “Dr. Sampaio escreveu um bilhete à família e entregou-me no mesmo dia trinta e seis contos e trezentos.” (parágrafo 9)

2. Leia.

Psicanálise do açúcar

O açúcar cristal, ou açúcar de usina, mostra a mais instável das brancuras:

(2)

2 quem do Recife sabe direito o quanto,

e o pouco desse quanto, que ela dura.

Sabe o mínimo do pouco que o cristal se estabiliza cristal sobre o açúcar, por cima do fundo antigo, de mascavo, do mascavo barrento que se incuba;

e sabe que tudo pode romper o mínimo em que o cristal é capaz de censura:

pois o tal fundo mascavo logo aflora quer inverno ou verão mele o açúcar.

Só os banguês* que-ainda purgam ainda

o açúcar bruto com barro, de mistura;

a usina já não o purga: da infância, não de depois de adulto, ela o educa;

em enfermarias, com vácuos e turbinas, em mãos de metal de gente indústria, a usina o leva a sublimar em cristal o pardo do xarope: não o purga, cura.

Mas como a cana se cria ainda hoje, em mãos de barro de gente agricultura, o barrento da pré-infância logo aflora quer inverno ou verão mele o açúcar.

João Cabral de Melo Neto, A Educação pela Pedra.

* banguê: engenho de açúcar primitivo movido a força animal.

Observe o diagrama que mostra, de forma simplificada, o processo de fabricação do açúcar.

Disponível em https://sistemas.eel.usp.br/. Adaptado.

Considerando essas informações e seu conhecimento sobre separação de misturas e transformações químicas e físicas, no trecho grifado no poema, o termo sublimar é usado

a) corretamente para mostrar como do líquido (xarope) é extraído o cristal de açúcar através do processo de evaporação do sólido e secagem.

b) em um sentido amplo do processo, já que não corresponde ao que ocorre com o cristal de açúcar, e sim com o melaço, que se separa do xarope.

c) metaforicamente, já que ocorre a precipitação do açúcar com o cozimento do xarope, que é separado por centrifugação.

d) incorretamente, já que a obtenção do açúcar a partir do xarope é uma reação química direta que não necessita de processo de separação.

e) em seu sentido literal, já que o açúcar está na fase sólida, no xarope, e passa à fase vapor com o cozimento, formando então cristais de açúcar puro.

3. Observe com atenção.

Maniçoba, 19 de junho de 1911. Minha mãe: Aqui cheguei em paz e livramento, graças a Nosso Senhor Jesus Cristo. Isto aqui é bom como o diabo; acorda-se às cinco da manhã, leva-se o dia lendo, fumando, comendo e rezando; dorme-se às nove horas da noite. Uma vida de anjo. Quando chegar aí – está compreendendo? – hei de ter o corpo pesando 70 quilos e a alma leve de pecados, tão leve como vagons que levam material para a construção da estrada de ferro de Palmeira.

Graciliano Ramos DISCINI. Comunicação nos Textos.

São Paulo: Contexto, 2005, p.180.

Analise as seguintes afirmações:

I. O emprego do itálico, na primeira linha, sugere que a expressão “paz e livramento” é um neologismo.

II. Na expressão “Isto aqui é bom como o diabo”, encontra-se uma comparação paradoxal.

III. No trecho “Em uma vida de anjo”, identifica-se uma ironia.

IV. Em “e a alma leve de pecados, tão leve como vagons...” encontra-se uma metonímia.

É correto apenas o que se afirma em a) I e II.

b) II e III.

c) I, II e III.

(3)

3 d) II e IV.

e) III e IV.

4. Leia com bastante atenção.

A sensação de estar caindo constantemente em ratoeiras virtuais é grande após assistir ao documentário da Netflix “O Dilema das Redes”. Sua história gira em torno de diversos profissionais da área da tecnologia da informação que, nos últimos quinze anos, ajudaram na construção do que hoje é o Facebook, Twitter, Instagram, Google, Pinterest e Oracle. Com a direção de Jeff Orlowski, a estrutura tradicional é corrompida quando a narrativa passa ao espectador informações na forma de animação e de ficção, com uma história que ilustra os pontos de vista dos entrevistados. [...]

KLIMIUC. O Dilema das Redes (Netflix, 2020): mea culpa e medo da verdade. Cinema com Rapadura.

Disponível em: <https://cinemacomrapadura.com.br/>. Acesso em: 28 nov. 2020.

As redes sociais causam impactos reais nas interações humanas da contemporaneidade. Dessa forma, a construção no texto da metáfora “ratoeiras virtuais” está alicerçada em um

a) paradoxo em si, já que um objeto físico não conseguiria ser materializado na rede.

b) pensamento falacioso, pois os entrevistados desconhecem o tema a fundo.

c) raciocínio hiperbólico porque o documentário suaviza o impacto das redes no real.

d) tênue equilíbrio entre estímulo e recompensa que induz o usuário ao risco.

e) comparativo literal, que aborda como as redes ajudam na propagação de pestes.

Considere a crônica “Iniciativa”, de Carlos Drummond de Andrade para as questões 5 e 6.

É sina de minha amiga penar pela sorte do próximo, se bem que seja um penar jubiloso. Explico-me.

Todo sofrimento alheio a preocupa, e acende nela o facho da ação, que a torna feliz. Não distingue entre gente e bicho, quando tem de agir, mas como há inúmeras sociedades (com verbas) para o bem dos homens, e uma só, sem recursos, para o bem dos animais, é nesta última que gosta de militar. Os problemas aparecem-lhe em cardume, e parece que a escolhem de preferência a outras criaturas de menor sensibilidade e iniciativa. Os cães postam-se no seu caminho, e:

— Dona, me leva — murmuram-lhe os olhos surrados pela vida mas sempre meigos.

Outro dia o cão vinha pela rua, mancando, amarrado a um barbante e puxado por um bêbado pobre, mas tão bêbado como qualquer outro. Com o aperto do laço, o infeliz punha a alma pela boca. E o bêbado resmungava ameaças confusas. Minha amiga aproximou-se, com jeito.

— Não faça assim com o pobrezinho, que ele sufoca.

— Faço o que eu quero, ele é meu.

— Mas é proibido maltratar os animais.

— Eu não vou maltratar. Vou matar com duas navalhadas.

Minha amiga pulou como Ademar Ferreira da Silva1:

— Me dá esse cachorro.

— Dar, não dou, mas vendo.

Dez cruzeiros selaram o negócio, e, livre do barbante, o cachorro embarcou no carro de minha amiga.

Felizmente, anoitecia — e ela penetrou no apartamento, sem impugnação do porteiro. Que prodígios não faz para amortecer o latido dos hóspedes, lá dentro! (Uma vez, ante a reclamação do vizinho, explicou que era disco de jazz.) Já havia três cães instalados, não cabia mais. Tratou do bicho, chamou-lhe veterinário, curou- lhe a pata, deu-lhe vitamina e carinho. Só depois começou a providenciar uma casa de confiança para ele.

Seu método consiste numa conversa mole com a pessoa: tem cachorro em casa? Por que não tem mais?

Fugiu? Morreu de velho? (Se o cão fugiu, o dono não presta.) Conforme a ficha da pessoa, minha amiga lhe oferece o animal, ou não, e passa adiante.

Desta vez o escolhido foi José, contínuo de autarquia (não carece ser rico, mas bom, paciente, bem- humorado). José tem crianças, espaço cercado e vocação para dedicar-se. Minha amiga ofereceu-se para levar o cachorro ao longe subúrbio, José disse que não precisava, ela insistiu, ele idem. Afinal foram juntos, o carro subiu ladeira, desceu ladeira, e no alto do morro desvendou-se a triste casa de José, que não era casa cercada, era um corredor de cabeça de porco2, com cinco crianças, mulher e sogra de José empilhadas.

Minha amiga compreendeu. José era mais pobre do que o cachorro e sem um mínimo de dinheiro não se compra ar livre e espaço para brincar. Seria cruel dizer a José: “Volto com o cachorro”. Felizmente o animal salvou a situação, tentando morder um dos garotos que lhe fizera festa. Minha amiga iluminou-se:

“Está vendo, José? Ele não se acostuma. Vou te trazer outro, novinho”. José, desolado, aquiesceu. Minha amiga saiu voando para a cidade, entrou numa dessas casas onde se martirizam animais à venda, e resgatou o menor dos cachorrinhos recém-nascidos, que já penava numa jaula sem água e alimento, a um sol de fogo.

“Para este, qualquer coisa é negócio, e melhora a vida.” Levou-o rápido, para José, que o recebeu de alma embandeirada.

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4 Agora, minha amiga tem dois problemas: arranjar um dono para o cachorro do bêbado, e dar um jeito nos cinco filhos de José. Mas resolve, não tenham dúvida.

(70 historinhas, 2016.)

1 Ademar Ferreira da Silva: atleta brasileiro, primeiro bicampeão olímpico do país; conquistou as medalhas de ouro no salto triplo nos Jogos de Helsinque 1952 e de Melbourne 1956.

2 cabeça de porco: cortiço.

5. Verifica-se um aparente paradoxo entre os termos que compõem a expressão a) “sofrimento alheio” (1º parágrafo).

b) “olhos surrados” (2º parágrafo).

c) “penar jubiloso” (1º parágrafo).

d) “conversa mole” (11º parágrafo).

e) “ameaças confusas” (3º parágrafo).

6. O narrador recorre à personificação no trecho:

a) “Outro dia o cão vinha pela rua, mancando, amarrado a um barbante e puxado por um bêbado pobre, mas tão bêbado como qualquer outro.” (3º parágrafo)

b) “Tratou do bicho, chamou-lhe veterinário, curou-lhe a pata, deu-lhe vitamina e carinho.” (11º parágrafo)

c) “Agora, minha amiga tem dois problemas: arranjar um dono para o cachorro do bêbado, e dar um jeito nos cinco filhos de José.” (14º parágrafo)

d) “— Dona, me leva — murmuram-lhe os olhos surrados pela vida mas sempre meigos.” (2º parágrafo)

e) “Não distingue entre gente e bicho, quando tem de agir, mas como há inúmeras sociedades (com verbas) para o bem dos homens, e uma só, sem recursos, para o bem dos animais, é nesta última que gosta de militar.” (1º parágrafo)

7. Leia o trecho do conto- prefácio “Hipotrélico”, que integra o livro Tutameia, de João Guimarães Rosa.

Há o hipotrélico. O termo é novo, de impesquisada origem e ainda sem definição que lhe apanhe em todas as pétalas o significado. Sabe-se, só, que vem do bom português. Para a prática, tome-se hipotrélico querendo dizer: antipodático, sengraçante imprizido; ou, talvez, vice-dito: indivíduo pedante, importuno agudo, falto de respeito para com a opinião alheia. Sob mais que, tratando-se de palavra inventada, e, como adiante se verá, embirrando o hipotrélico em não tolerar neologismos, começa ele por se negar nominalmente a própria existência.

Somos todos, neste ponto, um tento ou cento hipotrélicos? Salvo o excepto, um neologismo contunde, confunde, quase ofende. Perspica-nos a inércia que soneja em cada canto do espírito, e que se refestela com os bons hábitos estadados. Se é que um não se assuste: saia todo-o-mundo a empinar vocábulos seus, e aonde é que se vai dar com a língua tida e herdada? Assenta-nos bem à modéstia achar que o novo não valerá o velho; ajusta-se à melhor prudência relegar o progresso no passado. [...]

Já outro, contudo, respeitável, é o caso — enfim — de “hipotrélico”, motivo e base desta fábula diversa, e que vem do bom português. O bom português, homem-de-bem e muitíssimo inteligente, mas que, quando ou quando, neologizava, segundo suas necessidades íntimas.

Ora, pois, numa roda, dizia ele, de algum sicrano, terceiro, ausente:

— E ele é muito hiputrélico...

Ao que, o indesejável maçante, não se contendo, emitiu o veto:

— Olhe, meu amigo, essa palavra não existe.

Parou o bom português, a olhá-lo, seu tanto perplexo:

— Como?!... Ora... Pois se eu a estou a dizer?

— É. Mas não existe.

Aí, o bom português, ainda meio enfigadado, mas no tom já feliz de descoberta, e apontando para o outro, peremptório:

— O senhor também é hiputrélico...

E ficou havendo.

(Tutameia, 1979.)

O efeito cômico do texto deriva, sobretudo, da ambiguidade da expressão a) “homem-de-bem”.

b) “bom português”.

c) “indesejável maçante”.

d) “necessidades íntimas”.

e) “indivíduo pedante”.

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5 8. Leia o trecho da peça A mais-valia vai acabar, seu Edgar, de Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha. A peça foi encenada em 1960 na arena da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Brasil e promoveu um amplo debate. A mobilização resultante desse debate desencadeou a criação do Centro Popular de Cultura (CPC).

Coro dos desgraçados: Trabalhamos noite e dia, dia e noite sem parar! Então de nada precisamos, se só precisamos trabalhar! Há mil anos sem parar! Fizemos as correntes que nos botaram nos pés, fizemos a Bastilha onde fomos morar, fizemos os canhões que vão nos apontar. Há mil anos sem parar! Não mandamos, não fugimos, não cheiramos, não matamos, não fingimos, não coçamos, não corremos, não deitamos, não sentamos: trabalhamos. Há mil anos sem parar! Ninguém sabe nosso nome, não conhecemos a espuma do mar, somos tristes e cansados. Há mil anos sem parar! Eu nunca ri — eu nunca ri — sempre trabalhei. Eu faço charutos e fumo bitucas, eu faço tecidos e ando pelado, eu faço vestido pra mulher, e nunca vi mulher desvestida. Há mil anos sem parar! Maria esqueceu de mim e foi morar com seu Joaquim. Há mil anos sem parar!

(Apito longo. Um cartaz aparece:“Dois minutos de descanso e lamba as unhas.”

Todos vão tentar sentar. Menos o Desgraçado 4 que fica de pé furioso.) Desgraçado 1: Ajuda-me aqui, Dois. Eu quero me dá uma sentadinha.

(Desgraçado 2 ri de tudo.)

Desgraçado 3: Senta. (Desgraçado 1 vai pôr a cabeça no chão.) De assim, não. Acho que não é com a cabeça não.

Desgraçado 1: Eu esqueci.

Desgraçado 3: A bunda, põe ela no chão. A perna é que eu não sei.

Desgraçado 2: A perna tira.

(Desgraçado 3 e Desgraçado 2 desistem de descobrir. Se atiram no chão.) Desgraçado 1: A perna dobra! (Senta. Satisfeito.)

Desgraçado 2: Quero ver levantar.

(Todos olham para Desgraçado 4,fazem sinais para que ele se sente.) Desgraçado 4: Não! Chega pra mim! Eu só trabalho, trabalho, trabalho… (Perde o fôlego.) Desgraçado 3: Eu te ajudo: trabalho, trabalho, trabalho...

Desgraçado 4: E tenho dois minutos de descanso? Nunca vi o sol, não tomei leite condensado, não canto na rua, esqueci do sentar, quando chega a hora de descansar, fico pensando na hora de trabalhar!

Chega!

Slide: Quem canta seus males espanta.

Desgraçado 1: (cantando) A paga vem depois que a gente morre! Você vira um anjo todo branco, rindo sempre da brancura, bebe leite em teta de nuvem, não tem mais fome, não tem saudade, pinta o céu de cor de felicidade!

(Peças do CPC, 2016. Adaptado.) Considerado no contexto, constitui exemplo de eufemismo o verbo sublinhado no trecho

a) “fizemos os canhões que vão nos apontar”.

b) “não conhecemos a espuma do mar”.

c) “Ninguém sabe nosso nome”.

d) “A paga vem depois que a gente morre”.

e) “fizemos a Bastilha onde fomos morar”.

(6)

6 9. Segundo Massaud Moisés, em seu Dicionário de Termos Literários, a figura de linguagem denominada hipálage “designa um expediente retórico mediante o qual uma palavra troca o lugar que logicamente ocuparia na sequência frásica por outro, junto de um termo ao qual se vincula gramaticalmente.”

Esse procedimento acima descrito só não ocorre na passagem:

a) “ao som do mar e à luz do céu profundo” (Joaquim Osório Duque Estrada) b) “Uma alvura de saia moveu-se no escuro” (Eça de Queirós)

c) “Ai, como essa moça é distraída, sabe-se lá se está vestida ou se dorme transparente.” (Chico Buarque)

d) “Mandados da Rainha, que abundantes / Mesas de altos manjares excelentes” (Camões)

e) “Já da morte o palor me cobre o rosto / Nos lábios meus o alento desfalece” (Álvares de Azevedo) 10. Leia o texto a seguir.

O leitor encontra, neste belo número da Revista Katálysis, um panorama rico, denso e qualificado do que vem ocorrendo no mundo do trabalho hoje, com seus traços de “continuidade” e “descontinuidade”, num período em que o capitalismo aprofundou ainda mais as penalizações que está impondo ao universo laborativo, onde o “novo” e o “velho” se (re)configuram a partir da nova Divisão Internacional do Trabalho (DIT), que se reestruturou nas últimas décadas.[...]

Se a Revolução Industrial, nos séculos XVIII e XIX, legou-nos um enorme processo de

“desantropomorfização do trabalho” (Lukács); se o século XX pode ser caracterizado pelo que Braverman definiu como sendo a “era da degradação do trabalho”, as últimas décadas do século passado e os inícios do atual vêm presenciando a generalização de “outras formas e modalidades de precarização”, [...] aquela responsável pela geração do cybertariado (Ursula Huws), uma nova força de trabalho global que mescla intensamente “informatização” com “informalização”.[...]

As consequências são fortes: nesta fase de desmanche, estamos presenciando o derretimento dos poucos laços de sociabilidade, [...] sem presenciarmos uma ampliação da vida dotada de sentido, nem

“dentro” e nem “fora” do trabalho. A vida se consolida, cada vez mais, como sendo desprovida de sentido no trabalho e, por outro lado, estranhada e fetichizada* também “fora” do trabalho, exaurindo-se no mundo sublimado do consumo (virtual ou real), ou na labuta incansável pelas qualificações de todo tipo, que são incentivadas como antídoto [...] para não perder o emprego daqueles que o têm.

É por isso que estamos presenciando uma desconstrução sem precedentes do trabalho em toda a era moderna, ampliando os diversos modos de ser da precarização e do desemprego estrutural. Resta para a “classe-que-vive-do-trabalho” oscilar, ao modo dos pêndulos, entre a busca de qualquer “labor” e a vivência do desemprego.

Este número especial da Revista Katálysis, dedicado às novas configurações do trabalho na sociedade capitalista, é uma contribuição efetiva para a linhagem crítica, atualizada e original, tanto pelos temas selecionados, quanto pela qualidade e competência dos colaboradores presentes, ajudando a descortinar tantos elementos que configuram a “nova morfologia do trabalho”, seus dilemas e desafios.

Ricardo Antunes, Editorial da Revista Katálysis, n.2, 2009.

<https://tinyurl.com/y6nchqmr> Acesso em: 19.10.2019. Adaptado.

* fetichizar: ação de admirar exageradamente, irrestritamente, incondicionalmente uma pessoa ou coisa.

Os termos destacados no texto são exemplos de paronomásia, figura sonora definida, segundo o Dicionário Houaiss de Língua Portuguesa, como “figura de linguagem que extrai expressividade da combinação de palavras que apresentam semelhança fônica, mas possuem sentidos diferentes”.

Assinale a alternativa em que o autor também utilizou a paronomásia na construção de seus versos.

a) Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos.

A vida inteira que podia ter sido e que não foi.

Tosse, tosse, tosse

(Manuel Bandeira) b) No azul do céu de metileno

A lua irônica Diurética

É uma gravura de sala de jantar.

(Carlos Drummond de Andrade) c) Não amei bastante meu semelhante,

Não catei o verme nem curei a sarna.

Só proferi algumas palavras,

(7)

7 Melodiosas, tarde, ao voltar da festa.

(Carlos Drummond de Andrade) d) Antes de tudo, a música preza

Portanto, o ímpar. Só cabe usar O que é mais vago e solúvel no ar Sem nada em si que pousa ou pesa.

(Paul Verlaine) e) E o amor sempre nessa toada:

Briga perdoa perdoa briga.

Não se deve xingar a vida, A gente vive, depois esquece.

Só o amor volta para brigar, Para perdoar,

Amor cachorro bandido trem.

(Carlos Drummond de Andrade)

Aula II

11. Leia com atenção.

Diverti-me imensamente com a história dos imbecis da web. Para quem não acompanhou, foi publicado em alguns jornais e também on-line que no curso de uma chamada lectio magistralis em Turim eu teria dito que a web está cheia de imbecis. É falso. A lectio era sobre um tema completamente diferente, mas isso mostra como as notícias circulam e se deformam entre os jornais e a web. A história dos imbecis surgiu numa conferência de imprensa durante a qual, respondendo a uma pergunta que não me lembro mais, fiz uma observação de puro bom senso. Admitindo que em 7 bilhões de habitantes exista uma taxa inevitável de imbecis, muitíssimos deles costumavam comunicar seus delírios aos íntimos ou aos amigos do bar – e assim suas opiniões permaneciam limitadas a um círculo restrito. Hoje uma parte consistente dessas pessoas tem a possibilidade de expressar as próprias opiniões nas redes sociais e, portanto, tais opiniões alcançam audiências altíssimas e se misturam com tantas outras ideias expressas por pessoas razoáveis. [...]

É justo que a rede permita que mesmo quem não diz coisas sensatas se expresse, mas o excesso de besteira congestiona as linhas. E algumas reações descompensadas que vi na internet confirmam minha razoabilíssima tese. Alguém chegou a dizer que, para mim, as opiniões de um tolo e aquelas de um ganhador do prêmio Nobel têm a mesma evidência e não demorou para que se difundisse viralmente uma inútil discussão sobre o fato de eu ter ou não recebido um prêmio Nobel – sem que ninguém consultasse sequer a Wikipédia.

(Umberto Eco – Os imbecis e a imprensa responsável, 2017.) Com base no texto de Eco, é correto afirmar:

a) A oração “foi publicado em alguns jornais” trata-se de uma oração sem sujeito.

b) A expressão “lectio magistralis” está destacada em itálico em virtude de seu emprego conotativo.

c) A expressão “no curso de” pode ser substituída pela preposição “durante”, mantendo paralelismo semântico.

d) O advérbio “viralmente” é uma figura de linguagem empregada para estabelecer um paradoxo.

e) A oração “É falso” deveria apresentar concordância nominal de gênero com o termo antecedente

“história dos imbecis”.

12. Leia o poema a seguir.

Tua memória, pasto de poesia, tua poesia, pasto dos vulgares, vão se engastando numa coisa fria a que tu chamas: vida, e seus pesares.

Mas, pesares de quê? perguntaria, se esse travo de angústia nos cantares, se o que dorme na base da elegia vai correndo e secando pelos ares, e nada resta, mesmo, do que escreves e te forçou ao exílio das palavras, senão contentamento de escrever,

(8)

8 enquanto o tempo, e suas formas breves

ou longas, que sutil interpretavas, se evapora no fundo do teu ser?

(Carlos Drummond de Andrade, Claro Enigma.)

Claro Enigma apresenta, por meio do lirismo reflexivo, o posicionamento do escritor perante a sua condição no mundo.

Considerando-o como representativo desse seu aspecto, o poema “Remissão”

a) traduz a melancolia e o recolhimento do eu lírico em face da sensação de incomunicabilidade com uma realidade indiferente à sua poesia.

b) revela uma perspectiva inconformada, mesclando-a, livre da indulgência dos anos anteriores, a um novo formalismo estético.

c) propõe, como reação do poeta à vulgaridade do mundo, uma poética capaz de interferir na realidade pelo viés nostálgico.

d) reflete a visão idealizada do trabalho do poeta e a consciência da perenidade da poesia, resistente à passagem do tempo.

e) realiza a transição do lirismo social para o lirismo metafísico, caracterizado pela adesão ao conforto espiritual e ao escapismo imaginativo.

13. Leia esta tirinha.

JOÃOS & JOANAS. A linguagem operando.

Disponível em: <http://joaosejoanas.com/636-a-linguagem-operando/>.

Acesso em: 12 set. 2019.

Na tirinha, o personagem reflete sobre o fato de que os textos representam recortes de outros no amplo campo da cultura, sendo continuamente postos em relação nos processos de produção e leitura.

Essa forma de operar a linguagem é denominada a) ambiguidade.

b) coerência.

c) intertextualidade.

d) coesão.

e) repetição.

14. Leia o seguinte trecho.

O inglês do Tarzan

Há dias, quando o ator Peter Fonda morreu, um veículo publicou uma declaração de sua irmã, Jane Fonda. Ela dizia estar arrasada com a morte de seu “irmãozinho de coração doce”. Não sou diabético, mas essa imagem pode ter alterado meu nível de glicose, e só um exercício intelectual me levou a concluir que Jane devia estar se referindo a seu “little sweetheart brother” — seu “irmãozinho querido” ou, amorosamente,

“namoradinho”.

Pérolas equivalentes, frequentes no noticiário, são “plant” (fábrica) por planta, “library” (biblioteca) por livraria, “argument” (discussão) por argumento, “appointment” (encontro) por apontamento e “realize”

(concluir) por realizar.

Os erros, hoje, vêm até nos melhores livros. “We’re in business” (agora vai ou vamos nessa) se tornou

“estamos no negócio”. “My gentleman friend” (o “coronel” ou o “senhor que me ajuda”) passou a ser “meu

(9)

9 cavalheiro amigo”. E “we were drinking buddies” (nós éramos colegas de copo) transmutou-se no hilário

“estávamos bebendo umas Buddies”.

Mas estamos avançando rumo à condição de 51º estado americano. A velha “vaquinha” tornou-se

“crowdfunding”. Aleatório é “randômico”. Gostar de alguém é “dar um match”. Estar a fim é “ter um crush”. E uma palavra já incorporada ao léxico, “delivery”, não se limita mais à entrega em domicílio da pizza pelo motoboy. Assim como em inglês, estendeu-se — em português — a cumprir ou deixar de cumprir alguma coisa: “Fulano era uma grande promessa, mas não entregou o que se esperava dele”.

Pela abundância de inglês em nossas placas, fachadas e camisetas, era como se o falássemos tão bem quanto os alemães. Que nada. Pela avaliação internacional, somos tão monoglotas quanto os russos.

[...]

CASTRO, Ruy. O inglês do Tarzan. Folha de S.Paulo. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/colunas/

ruycastro/2019/09/o-ingles-do-tarzan.shtml>. Acesso em: 18 set. 2019. (Fragmento) A forma como o autor aborda o tema e organiza as ideias é reveladora da intencionalidade comunicativa do texto, ou seja, evidencia as funções que a linguagem assume.

Nesse sentido, verifica-se que, na crônica, predomina a função

a) apelativa, pois o autor busca persuadir o leitor a mudar a forma como usa o idioma inglês.

b) emotiva, porque ocorre a expressão de um ponto de vista particular do autor sobre o tema.

c) metalinguística, já que o autor faz uma reflexão crítica sobre a própria linguagem ao longo do texto.

d) poética, pelo fato de o texto centrar-se no processo de estruturação das frases em inglês e português.

e) referencial, uma vez que há o objetivo de informar sobre casos reais de uso inadequado do inglês.

Leia o texto para responder às questões 15 e 16.

A explosão da solidão

1. Em 1973, o americano Robert King foi preso pela terceira vez. A polícia o levou para a cadeia de Nova Orleans, onde conheceu membros dos Panteras Negras: um grupo que misturava ativismo com violência. King se juntou a eles para exigir melhores condições carcerárias. Não conseguiu e foi transferido para a Penitenciária Estadual da Louisiana. Ao chegar, foi colocado na solitária – na qual passaria os 29 anos seguintes. Foram três décadas absurdamente sozinho. King só podia sair da cela de 2x2,5m uma hora por dia (quando ficava isolado numa gaiola sem poder se aproximar dos outros presos).

2. Em 2001, aos 59 anos, ele foi solto. Ao tentar se adaptar à vida em sociedade, descobriu que não conseguia reconhecer rostos, seguir rotas para ir a um lugar, e se tornou objeto de interesse da ciência: no ano passado, King foi convidado a contar sua história no congresso da Sociedade Americana de Neurociência. O caso dele é notável, pois nunca um ser humano havia-se submetido a um período de isolamento tão longo e sobrevivido com lucidez para contar como foi. A solitária, geralmente, enlouquece suas vítimas e há razões concretas para isso.

3. O isolamento prolongado tem efeitos neurológicos. Pode fazer muito mal. E não só para quem está trancafiado numa cela. Você já deve ter-se sentido solitário e sabe o quão desagradável isso é. A solidão pode ser objetiva, ou seja, derivada de um isolamento real, ou subjetiva, numa sensação criada pela mente (esse tipo de solidão se manifesta, por exemplo, quando nos sentimos sós, mesmo estando cercados de outras pessoas). Em ambos os casos, ela é um alerta do organismo para que busquemos a companhia de mais pessoas, e aumentemos, assim, nossa chance de sobrevivência. Isso era tão verdadeiro na Pré-História, quanto é no mundo de hoje. A novidade é que, por motivos ainda não elucidados, a solidão parece estar aumentando, a ponto de se tornar uma epidemia. Nos EUA, 76% das pessoas apresentam níveis moderados ou altos de solidão, segundo estudos da Universidade da Califórnia.

4. Na década de 1980, cada americano tinha em média 2,94 “amigos do peito”. Em 2011, a média nacional caiu para 2,03 amigos próximos. Na Inglaterra, 66% da população apresenta sintomas de solidão crônica.

5. Não há números a respeito no Brasil, mas os indicadores mais relevantes apontam na mesma direção.

Entre 2004 e 2014, o número anual de divórcio aumentou 250%. Entre 1991 e 2019, a quantidade de pessoas que moram sozinhas subiu 340%.

6. Em suma, a solidão é onipresente e está crescendo. O problema é que ela pode matar. Solitários têm 29% mais chances de sofrer de doenças cardíacas; 32% mais risco de ter um AVC. E são 200% mais propensos a desenvolver Alzheimer. Em mulheres solitárias, a reincidência de câncer de mama é 40% maior, e a propensão à letalidade chega a 60%. Quem já experimentou um grau elevado de solidão tem três vezes mais chances de cair em depressão. A solidão é mais letal que a obesidade e o alcoolismo e consegue ser tão nociva quanto o tabagismo.

(10)

10 7. De toda forma, segue aqui uma dica: pare e pense nos sentimentos que você tem em comum com as outras pessoas. A começar por este: elas, assim como você, estão se sentindo meio isoladas. Todo mundo anda meio solitário – e, exatamente por isso, você não está sozinho.

(Revista Super Interessante, n. 407. Set. 2019. Adaptado).

15. O texto aborda um tema menos divulgado, mas assenta sua argumentação em dados reais e estudos científicos. Concretamente, o Texto pretende:

a) recomendar a tolerância no convívio com outras pessoas, uma vez que o isolamento representa um risco para a saúde global de cada um.

b) apoiar os achados científicos conseguidos em laboratórios, em relação às causas de algumas doenças mais graves.

c) avisar a população urbana acerca dos riscos advindos da “falta de companhia‟, uma prática tão estranha aos olhares de novas culturas.

d) advertir os leitores dos males advindos do isolamento social, que atinge o mundo moderno e ameaça o seu bem-estar físico e psicológico.

e) exteriorizar uma crítica aos procedimentos carcerários americanos, que, seguramente, ferem o lado mais constitutivo de ser humano.

16. O texto atualiza informações de pesquisas científicas oriundas de setores universitários, com a pretensão de:

a) valorizar as pesquisas efetivadas em laboratórios das Universidades – embora sejam lentas, como esclarece o texto – por motivos ainda não elucidados.

b) confirmar, assim, a credibilidade atribuída à investigação obtida sob métodos objetivamente rigorosos e exatos.

c) advertir a população menos escolarizada de que a pesquisa acadêmica, em todos os níveis, pode ser favorável e relevante socialmente.

d) ratificar intuições populares de quem já experimentou níveis elevados ou moderados de situações de solidão.

e) aludir ao fato de que o conhecimento científico se propõe a explicar e a resolver, com exatidão e rigor, todas as questões que afetam a espécie humana.

17. Leia o seguinte trecho.

01 Mesmo que o homem conseguisse construir um computador que 02 fizesse tudo o que é normalmente atribuído a processos mentais 03 quando feito pelo homem, isso não implicaria que o homem nada 04 mais é do que uma máquina. Sem o programa correspondente 05 um computador nada pode fazer em relação à linguagem. É o 06 programa, e não as ferragens, que é responsável pela habilidade do 07 computador de simular um comportamento inteligente. Há aqueles 08 que sustentariam que o programa está para o computador como a 09 mente está para o cérebro, e que considerando o cérebro humano 10 vivo como um computador programado, de finalidades especiais, 11 podemos contornar, se não resolver, o problema tradicional mentecorpo. 12 Seja como for, temos que enfatizar que a inteligência artificial 13 é em si neutra e não agride nem a dignidade humana nem a liberdade 14 da vontade.

15 Muito da importância que damos à ciência cognitiva e à inteligência 16 artificial dependerá de nossa atitude face ao papel explanatório dos 17 modelos em ciência natural e social. Qualquer sucesso obtido na 18 simulação do processamento linguístico por computador tende a 19 aumentar a nossa compreensão da linguagem e da mente. Não é 20 certo, no entanto, se um dia será possível simular por computador 21 todos os processos mentais envolvidos na produção e compreensão 22 da linguagem.

Adaptado de John Lyons, em Lingua(gem) e Linguística, 1981.

Sobre o texto é correto afirmar que a função da linguagem predominante é a:

a) poética.

b) referencial.

c) metalinguística.

d) emotiva.

e) fática.

18. Observe.

“Para muita gente, o trabalho não começa às oito, começa aos oito”

(11)

11 O motivo para que tantas crianças brasileiras em idade escolar não frequentem a escola é o trabalho infantil. No Brasil, um milhão de meninos e meninas trocaram os estudos pelo trabalho. O UNICEF ajuda a levar essas crianças e adolescentes de volta às salas de aula. Mas, para isso, precisa de seu apoio.

Se você conhece algum caso de exploração do trabalho infantil, denuncie.

VEJA COMO AJUDAR NO SITE WWW.UNICEF.ORG.BR

Revista Pasta. São Paulo: Clube da Criação de São Paulo, n.2, p. 74, fev/mar 2006 Os gêneros discursivos são produzidos com um objetivo predominante. Para atingir tal objetivo, o emissor – quem produz tal gênero – utiliza-se de diferentes funções da linguagem para que seu interlocutor – a quem a mensagem é destinada – o compreenda. No exemplo, tem-se o gênero discursivo anúncio de uma campanha contra o trabalho infantil realizado pelo UNICEF.

Nele, há a presença predominante da função conativa da linguagem, pois o objetivo de sua mensagem é a) tratar sobre a própria linguagem e escolhas lexicais utilizadas.

b) persuadir o interlocutor, influenciando o seu comportamento e opinião.

c) estabelecer, manter ou interromper uma comunicação entre emissor e interlocutor.

d) realçar a expressão das emoções, atitudes e subjetividades do emissor em relação ao seu interlocutor.

e) transmitir informação específica sobre o tema do anúncio, o que caracteriza um caráter impessoal.

19. Leia o texto a seguir.

Sem o SUS, é a barbárie

O Brasil foi ousado ao levar assistência médica gratuita a toda a população

(Líbero/Folhapress)

“Sem o SUS, é a barbárie.” A frase não é minha, mas traduz o que penso. Foi dita por Gonzalo Vecina, da Faculdade de Saúde Pública da USP, um dos sanitaristas mais respeitados entre nós, numa mesa redonda sobre os rumos do SUS, na Fundação Fernando Henrique Cardoso.

Estou totalmente de acordo com ela, pela simples razão de que pratiquei medicina por 20 anos antes da existência do SUS.

Talvez você não saiba que, naquela época, só os brasileiros com carteira assinada tinham direito à assistência médica, pelo antigo INPS. Os demais pagavam pelo atendimento ou faziam fila na porta de meia dúzia de hospitais públicos espalhados pelo país ou dependiam da caridade alheia, concentrada nas santas casas de misericórdia e em algumas instituições religiosas.

Eram enquadrados na indigência social os trabalhadores informais, os do campo, os desempregados e as mulheres sem maridos com direito ao INPS. As crianças não tinham acesso a pediatras e recebiam uma ou outra vacina em campanhas bissextas organizadas nos centros urbanos, de preferência em períodos eleitorais.

(12)

12 Então, 30 anos atrás, um grupo de visionários ligados à esquerda do espectro político defendeu a ideia de que seria possível criar um sistema que oferecesse saúde gratuita a todos os brasileiros. Parecia divagação de sonhadores.

Ao saber que se movimentavam nos corredores do Parlamento, para convencer deputados e senadores da viabilidade do projeto, achei que levaríamos décadas até dispor de recursos financeiros para a implantação de políticas públicas com tal alcance.

Menosprezei a determinação, o compromisso com a justiça social e a capacidade de convencimento desses precursores. Em 1988, escrevemos na Constituição: “Saúde é direito do cidadão e dever do Estado”.

Por incrível que pareça, poucos brasileiros sabem que o Brasil é o único país com mais de 100 milhões de habitantes que ousou levar assistência médica gratuita a toda a população.

Falamos com admiração dos sistemas de saúde da Suécia, da Noruega, da Alemanha, do Reino Unido, sem lembrar que são países pequenos, organizados, ricos, com tradição de serviços de saúde pública instalados desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Sem menosprezá-los, garantir assistência médica a todos em lugares com essas características é brincadeira de criança perto do desafio de fazê-lo num país continental, com 210 milhões de habitantes, baixo nível educacional, pobreza, miséria e desigualdades regionais e sociais das dimensões das nossas.

Para a maioria dos brasileiros, infelizmente, a imagem do SUS é a do pronto-socorro com macas no corredor, gente sentada no chão e fila de doentes na porta. Tamanha carga de impostos para isso, reclamam todos.

Esquecem-se de que o SUS oferece gratuitamente o maior programa de vacinações e de transplantes de órgãos do mundo. Nosso programa de distribuição de medicamentos contra a Aids revolucionou o tratamento da doença nos cinco continentes. Não percebem que o resgate chamado para socorrer o acidentado é do SUS nem que a qualidade das transfusões de sangue nos hospitais de luxo é assegurada por ele.

Nossa Estratégia Saúde da Família, com agentes comunitários em equipes multiprofissionais que já atendem de casa em casa dois terços dos habitantes, é citada pelos técnicos da Organização Mundial da Saúde como um dos mais importantes do mundo.

Pouquíssimos têm consciência de que o SUS é, disparado, o maior e o mais democrático programa de distribuição de renda do país. Perto dele, o Bolsa Família não passa de pequena ajuda. Enquanto investimos no SUS cerca de R$ 270 bilhões anuais, o orçamento do Bolsa Família mal chega a 10% disso.

Os desafios são imensos. Ainda nem nos livramos das epidemias de doenças infecciosas e parasitárias e já enfrentamos os agravos que ameaçam a sobrevivência dos serviços de saúde pública dos países mais ricos: envelhecimento populacional, obesidade, hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares, câncer, degenerações neurológicas.

Ao SUS faltam recursos e gestão competente para investi-los de forma que não sejam desperdiçados, desviados pela corrupção ou para atender a interesses paroquiais e, sobretudo, continuidade administrativa.

Nos últimos dez anos tivemos 13 ministros da Saúde.

Apesar das dificuldades, estamos numa situação incomparável à de 30 anos atrás. Devemos defender o SUS e nos orgulhar da existência dele.

(VARELA,Drauzio.Disponível em:https://www1.folha.uol.com.br/colunas/drauziovarella/2019/08/sem-o-sus-e-a-barbarie.shtml.

Acesso em: 20 ago. 19. Adapt.).

O principal objetivo comunicativo do texto é

a) apelar para a persuasão do leitor acerca da indispensabilidade do SUS no cenário nacional.

b) corroborar a ideia que a maioria dos brasileiros tem sobre o Sistema Único de Saúde nacional.

c) criticar os problemas enfrentados pelo SUS, os quais acabam por ocultar em parte suas virtudes.

d) dissertar sobre as qualidades do sistema público de saúde do país em detrimento de seus defeitos.

e) narrar uma experiência pessoal de expectativas e frustrações em torno das políticas de saúde.

20. Leia atentamente o texto a seguir.

(13)

13

Disponível em: https://www.stoodi.com.br/blog/2016/03/04/6-charges-comentadas-para-voce-treinar-para-os-vestibulares/ acesso em 28-08-2019 Pode-se inferir que a tirinha tem como objetivo:

a) criticar as constantes reclamações dos indivíduos sobre os anos anteriores.

b) gerar reflexão sobre a anorexia entre os jovens brasileiros.

c) mostrar repúdio aos distúrbios alimentares.

d) endossar a ditadura da magreza no século XXI.

e) refutar a idolatria das jovens por corpos magros.

Aula III

21. Leia o texto:

Aborto, porte de armas e o presidente Donald Trump foram alguns dos assuntos que dominaram a primeira audiência de confirmação do juiz conservador Brett Kavanaugh para a Suprema Corte dos Estados Unidos, realizada em meio a protestos de ativistas e tentativas de adiamento do processo por parte de democratas.

Kavanaugh passará por mais dois dias de sabatina, na quarta e na quinta, e testemunhas contra e a favor do juiz devem ser ouvidas na sexta.

(Folha de S.Paulo, 04/09/2018) Segundo o Dicionário Aurélio (versão digital), a palavra sabatina possui as seguintes acepções:

1. Repetição, no sábado, das lições estudadas durante a semana.

2. Oração do sábado.

3. Tese que os estudantes de filosofia defendiam ao término de seu primeiro ano de curso.

4. Fig. Discussão, debate, questão.

Levando-se em conta que o vocábulo sabatina ganhou o valor semântico de "exame, prova ou questionamento (não necessariamente realizados num sábado) para o exercício de um cargo", pode-se afirmar que nesse caso ocorreu um(a):

a) metáfora, por ter havido uma comparação implícita.

b) catacrese, por ter havido um empréstimo de palavra.

c) metonímia, por ter ocorrido substituição de um termo por outro em relação de contiguidade.

d) pleonasmo, já que se repete a ideia de discussão ou debate.

e) elipse, uma vez que já está subentendida a ideia de prova.

22. Leia os seguintes trechos:

Romanceiro da Inconfidência Romance XXIV

Atrás de portas fechadas, à luz de velas acesas, brilham fardas e casacas, junto com batinas pretas.

5 E há finas mãos pensativas, entre galões, sedas, rendas, e há grossas mãos vigorosas, de unhas fortes, duras veias, e há mãos de púlpito e altares, 10 de Evangelhos, cruzes, bênçãos.

Uns são reinóis, uns, mazombos;

e pensam de mil maneiras;

mas citam Vergílio e Horácio,

e refletem, e argumentam, 15 falam de minas e impostos,

de lavras e de fazendas, de ministros e rainhas e das colônias inglesas.

Atrás de portas fechadas, 20 à luz de velas acesas,

uns sugerem, uns recusam, uns ouvem, uns aconselham.

Se a derrama for lançada, há levante, com certeza.

MEIRELES, Cecília. Romanceiro da Incon- fidência. Rio de Janeiro: Livros de Portugal, 1953. p.103-105. Fragmento.

O verso que apresenta o recurso semântico da metonímia para descrever os participantes da conjuração é a) “Atrás de portas fechadas” (v. 19)

b) “à luz de velas acesas” (v. 20)

(14)

14 c) “e pensam de mil maneiras” (v. 12)

d) “uns sugerem, uns recusam” (v. 21) e) “E há finas mãos pensativas” (v. 5)

23. Leia.

Sonetilho do falso Fernando Pessoa Onde nasci, morri.

Onde morri, existo.

E das peles que visto muitas há que não vi.

5 Sem mim como sem ti posso durar. Desisto de tudo quanto é misto e que odiei ou senti.

Nem Fausto nem Mefisto, 10 à deusa que se ri

deste nosso oaristo*, eis-me a dizer: assisto além, nenhum, aqui, mas não sou eu, nem isto.

Carlos Drummond de Andrade.

Claro Enigma.

*conversa íntima entre casais.

O oxímoro é uma “figura em que se combinam palavras de sentido oposto que parecem excluir‐se mutuamente, mas que, no contexto, reforçam a expressão” (HOUAISS, 2001). No poema “Sonetilho do falso Fernando Pessoa”, o emprego dessa figura de linguagem ocorre em:

a) “Onde morri, existo” (Ref. 2).

b) “E das peles que visto / muitas há que não vi” (Refs. 3-4).

c) “Desisto / de tudo quanto é misto / e que odiei ou senti” (Refs. 6-8).

d) “à deusa que se ri / deste nosso oaristo” (Refs. 10-11).

e) “mas não sou eu, nem isto” (Ref. 14).

24. Leia os dois textos seguintes:

Texto I

Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis; nada menos. Meu pai, logo que teve aragem dos onze contos, sobressaltou-se deveras; achou que o caso excedia as raias de um capricho juvenil.

– Dessa vez, disse ele, vais para Europa; vais cursar uma universidade, provavelmente Coimbra; quero-te para homem sério e não para arruador e gatuno. E como eu fizesse um gesto de espanto: — Gatuno, sim senhor; não é outra cousa um filho que me faz isto...

(Machado de Assis, Memóri- as Póstumas de Brás Cubas) Texto II

Ela deixou um bilhete, dizendo que ia sair fora

Levou meu coração, alguns CDs e o meu livro mais da hora Mas eu não sei qual a razão, não entendi por que ela foi embora E eu fiquei pensando em como foi e qual vai ser agora

É que pena, pra mim tava tão bom aqui

Com a nega mais teimosa e a mais linda que eu já vi Dividindo o edredom e o filminho na TV

Chocolate quente e meus olhar era só pro cê Mas cê não quis, eu era mó feliz e nem sabia Beijinho de caramelo que recheava meus dia

(Luccas Carlos, Bilhete 2.0 [fragmento].

Em: https://www.letras.mus.br) Na passagem do Texto I – Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis; nada menos. –, o autor faz uma associação insólita entre as expressões destacadas, o que causa certa estranheza ao leitor. No Texto II, esse mesmo recurso está presente na passagem:

a) “Levou meu coração, alguns CDs e o meu livro mais da hora”, reforçando que as perdas também recaíram em bens materiais.

(15)

15 b) “Dividindo o edredom e o filminho na TV”, marcando a relação de conforto e de proximidade que inspirava um amor aparentemente inabalável.

c) “E eu fiquei pensando em como foi e qual vai ser agora”, explicitando a sensação de desolação e confusão pela perda da mulher amada.

d) “Ela deixou um bilhete, dizendo que ia sair fora”, mostrando também o rompimento amoroso do casal, assim como no romance.

e) “Beijinho de caramelo que recheava meus dia”, sugerindo o sentimento do casal como algo doce que nem o rompimento será capaz de descaracterizar.

25. Leia o trecho a seguir.

Drogas e mortes

As taxas de homicídios dolosos e de mortes de trânsito no Brasil, é notório, situam o país entre os mais violentos do planeta. No ano passado, registraram-se quase 56 mil assassinatos intencionais, ou 27 por 100 mil habitantes. Em 2016, pelo dado mais recente, 38 mil vidas foram ceifadas em ruas e estradas nacionais, cerca de 19 por 100 mil.

Diante dessa carnificina cotidiana, deve-se exigir das autoridades nada menos que a busca de estratégias mais efetivas para a prevenção desses óbitos. Países desenvolvidos, já há algumas décadas, passaram a adotar com sucesso políticas públicas ancoradas em evidências empíricas. Nem sempre é o que ocorre por aqui, no entanto.

Tome-se o exemplo da associação entre a ingestão de álcool e o aumento da violência interpessoal (homicídios e agressões) e dos acidentes de trânsito. Embora a relação esteja bem estabelecida na literatura da área, praticamente inexistem no país dados sobre o consumo da substância pelas vítimas.

Estudo recente conduzido por pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP e noticiado por esta Folha jogou luz sobre tal questão na cidade de São Paulo.

Os pesquisadores analisaram amostras de sangue de 365 vítimas de crimes violentos. Constatou-se que, em 55% dos casos, havia traços de álcool ou outras drogas.

(Editorial. Folha de S.Paulo, 20.10.2018. Adaptado) Um dos recursos utilizados no editorial para convencimento do público em relação ao tema tratado é o emprego dos dados estatísticos. Outra estratégia é o uso de linguagem figurada que acentua a problemática, como na passagem:

a) Diante dessa carnificina cotidiana, deve-se exigir das autoridades nada menos que a busca de estratégias mais efetivas para a prevenção desses óbitos. (2º parágrafo)

b) Estudo recente conduzido por pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP e noticiado por esta Folha jogou luz sobre tal questão na cidade de São Paulo. (4º parágrafo)

c) Tome-se o exemplo da associação entre a ingestão de álcool e o aumento da violência interpessoal (homicídios e agressões) e dos acidentes de trânsito. (3o parágrafo)

d) As taxas de homicídios dolosos e de mortes de trânsito no Brasil, é notório, situam o país entre os mais violentos do planeta. (1º parágrafo)

e) Os pesquisadores analisaram amostras de sangue de 365 vítimas de crimes violentos. Constatou-se que, em 55% dos casos, havia traços de álcool ou outras drogas. (5º parágrafo)

26. Leia o trecho seguinte.

[...] A humanidade testemunha os primeiros momentos de uma nova era em que todo o relacionamento com a informação – e a realidade como um todo – mudará de maneira hoje inimaginável. A democracia, tal como se concebe hoje, dificilmente sobreviverá a essa transformação. Basta considerar duas grandes tendências. A primeira: apenas cerca de 50% da população mundial tem acesso à internet hoje.

Nos próximos anos, a outra metade, potencialmente ainda mais vulnerável a notícias falsas, também poderá participar do debate on-line. Por exemplo, muitos aplicativos populares no mundo em desenvolvimento concentram-se apenas em mensagens de voz, já que parcela considerável de seus usuários não sabe ler nem escrever, dificultando ainda mais a identificação de informações falsas. A segunda: o desenvolvimento de ferramentas baseadas em inteligência artificial, capazes de manipular ou fabricar vídeos, arquivos de áudio e fotos falsas – as chamadas deep fakes – ampliará consideravelmente a dificuldade de separar fato de ficção, o que fará as fake news de hoje parecerem brincadeira de criança. Daqui a alguns anos, um smartphone será suficiente para simular uma sequência de notícias, como as da CNN, por exemplo, na qual a perfeita imitação da voz de um apresentador famoso reportaria um golpe militar em Washington ou um anúncio da Casa Branca sobre uma guerra iminente, sem meio técnico para confirmar ou negar sua veracidade.[...]

(16)

16

Adaptado de https://brasil.elpais.

com/brasil/2018/08/06/opinion/

1533562312_266402.html.

Acesso em out. 2018.

As expressões “a primeira” e “a segunda”, destacadas no texto, cumprem função a) anafórica nos dois casos.

b) catafórica nos dois casos.

c) anafórica e catafórica, concomitantemente, nos dois casos.

d) anafórica no primeiro caso e catafórica no segundo caso.

e) catafórica no primeiro caso e anafórica no segundo caso.

27. Leia.

“Eles olharam um instante as velhas árvores da Quinta Imperial, por onde vinham atravessando.

Nunca as tinham contemplado; e, agora, parecia-lhes que jamais tinham pousado os olhos sobre árvores tão soberbas, tão belas, tão tranquilas e seguras de si, como aquelas que espalhavam sob os seus grandes ramos uma vasta sombra, deliciosa e macia. Pareciam que medravam sentindo-se em terra própria, delas, da qual nunca sairiam desalojadas a machado, para edificação de casebres; e esse sentimento lhes havia dado muita força de vegetar e uma ampla vontade de se expandirem. O solo sobre o qual cresciam era delas e agradeciam à terra estendendo muito os seus ramos, cerrando e tecendo a folhagem, para dar à boa mãe frescura e proteção contra a inclemência do sol.

As mangueiras eram as mais gratas; os ramos longos e cheios de folhas quase beijavam o chão. As jaqueiras espreguiçavam; os bambus se inclinavam, de um lado e doutro da aleia, e cobriam a terra com uma ogiva verde...”

Triste fim de Policarpo quaresma. Lima Barreto.

Quais as figuras de linguagem presentes no fragmento anterior?

a) Personificação, antítese, silepse.

b) Personificação, sinestesia, anáfora.

c) Anáfora, sinestesia, silepse.

d) Metonímia, hipérbole, eufemismo.

e) Hipérbole, eufemismo, sinestesia.

28. Leia os versos e a tirinha.

X. MAR PORTUGUÊS [...]

Valeu a pena? Tudo vale a pena Se a alma não é pequena.

Quem quer passar além do Bojador Tem que passar além da dor.

Deus ao mar o perigo e o abismo deu, Mas nele é que espelhou o céu.

PESSOA, Fernando. Mar Português.

In: Antologia Poética. Organização Walmir Ayala. Rio de Janeiro:

Nova Fronteira, 2014. p. 15.

Disponível em: <https://tirasdidaticas.

files.wordpress.com/2014/12/rato79.

(17)

17

jpg?w=640&h=215> Acesso em: 13 nov. 2018.

O sentido da tirinha é construído a partir da relação que estabelece com os famosos versos de Fernando Pessoa: “Tudo vale a pena / Se a alma não é pequena” (linhas 7-8). O modo como esses dois textos se relacionam é chamado de

a) paráfrase b) linearidade c) metalinguagem d) intencionalidade e) intertextualidade

29. Leia o texto.

01 — Mas o que é a língua? Para nós, ela não se confunde com a linguagem; 02 é somente uma parte determinada, essencial dela, indubitavelmente. 03 É, ao mesmo tempo, um produto social da faculdade de linguagem e 04 um conjunto de convenções necessárias, adotadas pelo corpo social 05 para permitir o exercício dessa faculdade nos indivíduos. Tomada 06 em seu todo, a linguagem é multiforme e heteróclita; o cavaleiro de 07 diferentes domínios, ao mesmo tempo física, fisiológica e psíquica, 08 ela pertence além disso ao domínio individual e ao domínio social; 09 não se deixa classificar em nenhuma categoria de fatos humanos, 10 pois não se sabe como inferir sua unidade.

11 A língua, ao contrário, é um todo por si e um princípio de 12 classificação. Desde que lhe demos o primeiro lugar entre os fatos 13 da linguagem, introduzimos uma ordem natural num conjunto que 14 não se presta a nenhuma outra classificação.

15 A esse princípio de classificação poder-se-ia objetar que o 16 exercício da linguagem repousa numa faculdade que nos é dada 17 pela Natureza, ao passo que a língua constitui algo adquirido e 18 convencional, que deveria subordinar-se ao instinto natural em vez 19 de adiantar-se a ele.

Ferdinand de Saussure, Curso de linguística geral Assinale a alternativa correta.

a) Conotação e figuras de linguagem, como metáfora e personificação, são marcas predominantes da linguagem empregada no texto.

b) O texto é construído a partir da exploração destacada das comparações, que permitem apreender os interesses argumentativos do autor.

c) Linguagem denotativa, em tom de efeito objetivo, caracteriza a construção textual.

d) A subjetividade marcadamente presente no texto é resultante da exploração conotativa de expressões indiciais da 1ª. pessoa do singular.

e) O recurso a diferentes referências a outros teóricos da área em discussão faz com que o texto possa ser caracterizado como um embate teórico de ideias.

30. Leia o trecho.

01 Um poeta dizia que o menino é pai do homem. Se isto é verdade, 02 vejamos alguns lineamentos do menino.

03 Desde os cinco anos merecera eu a alcunha de “menino diabo”; 04 e verdadeiramente não era outra coisa; fui dos malignos do meu 05 tempo, arguto, indiscreto, traquinas e voluntarioso. Por exemplo, um 06 dia quebrei a cabeça de uma escrava, porque me negara uma colher 07 de doce de coco que estava fazendo, e, não contente com o malefício, 08 deitei um punhado de cinza ao tacho, e, não satisfeito da travessura, 09 fui dizer à minha mãe que a escrava é que estragara o doce “por 10 pirraça”; e eu tinha apenas seis anos. [...]

Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas No trecho Um poeta dizia que o menino é pai do homem. Se isto é verdade, vejamos alguns lineamentos do menino (Refs. 01 e 02), podemos identificar uma relação de:

a) anacronismo.

b) intertextualidade.

c) paradoxo.

d) personificação.

e) negação.

Aula IV

(18)

18 31. Leia os trechos.

“A palma de umas de suas mãos doía. Tinha sofrido um corte, bem no meio, enquanto cortava o pernil para a patroa. Que coisa! Faca-laser corta até a vida!"

“Estavam todos armados com facas-laser que cortam até a vida. Quando o ônibus esvaziou, quando chegou a polícia, o corpo da mulher já estava todo dilacerado, todo pisoteado”.

Sobre os trechos acima podemos afirmar:

a) Ocorre uma metáfora em “Estavam todos armados com facas-laser que cortam até a vida”.

b) Ocorre uma catacrese em “Tinha sofrido um corte”.

c) Há a presença da figura de palavra: antítese.

d) Ocorre uma onomatopeia em “Quando o ônibus esvaziou, quando chegou a polícia, o corpo da mulher já estava todo dilacerado, todo pisoteado”.

e) Apresenta uma comparação em “Estavam todos armados com facas-laser”.

32. Leia os itens abaixo:

I. “A mulher baixou os olhos como que pedindo perdão”.

II. “Maria queria tanto dizer ao filho que o pai havia mandado um abraço, um beijo, um carinho”.

III. “Maria olhou saudosa e desesperada para o primeiro”.

IV. “Estavam todos armados com facas-laser que cortam até a vida”.

Assinale a alternativa em que o sentido conotativo está presente:

a) Apenas IV.

b) I e IV.

c) Apenas III.

d) I e II.

e) II e III.

33. Observe.

A figura de linguagem metonímia está presente no trecho:

a) “Ela poderia descansar um pouco, cochilar até a hora da descida”.

b) “Maria olhou saudosa e desesperada para o primeiro”.

c) “Era preciso mesmo ir se acostumando com a caminhada”.

d) “Maria viu, sem olhar, que era o pai do seu filho”.

e) “Daria para comprar também uma lata de Toddy”.

34. Leia a charge a seguir e responda à questão:

Disponível em: <https://www.

4oito.com.br/blog/ananda-figue- iredo/ post/celular-tablet-televisao -ou-seus-filhos-campanha-sobrene- gligencia- virtual-viraliza-na-regiao -782>. Acessado em: 06/08/2018 Sobre o termo “vibra” do texto acima é correto afirmar:

a) É usado sempre no sentido figurado, mesmo que não tenha o mesmo significado.

b) Quando se relaciona ao celular, é tratado no sentido próprio, ao passo que quando se refere à criança, tem sentido figurado.

c) É usado sempre no sentido próprio e tem o mesmo significado.

d) É usado sempre no sentido próprio, mesmo que não tenha o mesmo significado.

(19)

19 e) Quando se relaciona ao celular, é tratado no sentido figurado, ao passo que quando se refere à criança, tem sentido próprio.

35. Leia o poema.

ELA E EU Há flores de cores concentradas

Ondas queimam rochas com seu sal Vibrações do sol no pó da estrada Muita coisa, quase nada

Cataclismas, carnaval

Há muitos planetas habitados E o vazio da imensidão do céu Bem e mal e boca e mel E essa voz que Deus me deu Mas nada é igual a ela e eu

Trecho de uma canção de Caetano Veloso, cantada por Marina Lima no álbum Marina Lima, do ano de 1991.

Disponível em: https://www.

vagalume.com.br/marina-li- ma/ ela-e-eu.html>. Aces- sado em: 06/08/2018.

Assinale a alternativa em que encontramos um exemplo de antítese:

a) “Muita coisa, quase nada”.

b) “Há flores de cores concentradas”.

c) “Ondas queimam rochas com seu sal”.

d) “Mas nada é igual a ela e eu”.

e) “Vibrações do sol no pó da estrada”.

36. Leia.

RETRATO DO VÍCIO EM DROGAS Proteção versus Risco OS ESCUDOS

- envolvimento dos responsáveis e monitoramento

- inclusão social

- vivência em lugares seguros - ambiente escolar de qualidade - desenvolvimento neurológico (resiliência e controle emocional) AS AMEAÇAS

- traumas e adversidades na infância (abuso e negligência)

- disponibilidade de drogas - influência de colegas - busca por novas sensações

“E não adianta só focar em coibir a droga. É preciso atuar no entorno social das pessoas”, opina o pesquisador Victor Ribeiro Xavier Costa, da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba.

SAÚDE É VITAL. Set 2018. n. 433, p. 62. Adaptado.

O texto tem uma organização adequada ao propósito comunicativo de:

1) sintetizar ou resumir os tópicos principais referentes a um tema.

2) destacar os dois lados constituintes de um mesmo problema social.

3) divulgar, numa súmula, a opinião abalizada de um especialista-pesquisador.

4) ressaltar que o problema abordado transcende os espaços individuais.

5) mascarar a gravidade de um problema pelo uso de palavras metafóricas.

(20)

20 Estão corretas:

a) 1, 2, 3 e 4, apenas.

b) 1, 2, 3, 4 e 5.

c) 2, 3 e 4, apenas d) 3 e 4 apenas.

e) 1 e 5, apenas.

37. Analise a imagem e o texto da campanha.

(http://portalms.saude.gov.br/acoes -e-programas/vacinacao/vacine-se) As informações apresentadas permitem concluir corretamente que o objetivo do texto é

a) incentivar a vacinação contra a gripe, em especial para os praticantes de esportes, que têm de ficar protegidos, mantendo-se saudáveis para as competições.

b) mobilizar adultos e pessoas da terceira idade para que tenham consciência da importância da vacinação contra a gripe para as crianças.

c) promover celebridades nacionais que, assim como parte significativa da população, já foram aos postos de saúde e se vacinaram contra a gripe.

d) conscientizar a população acerca da importância da vacinação contra a gripe, principalmente dos grupos mais vulneráveis.

e) chamar a população em geral para que tome a vacina da gripe em um dos postos de saúde, o que pode ser feito durante qualquer época do ano.

38. Leia.

A palavra vernáculo caracteriza um modo de aprender as línguas: o aprendizado que se dá, por assimilação espontânea e inconsciente, no ambiente em que as pessoas são criadas. A vernáculo opõe-se tudo aquilo que é transmitido através da escola. Para exemplificar com fatos conhecidos, basta que o leitor brasileiro pense em formas verbais como eu farei e eu fizera, ou em construções como fá-lo-ei, dir-lhe-ia, tu o fizeste ou Ninguém lho negaria. A parte da população brasileira que as conhece chegou a elas pela escola, provavelmente através da leitura de textos literários bastante antigos, pois no Brasil de hoje é quase nula a chance de que essas formas ou construções sejam usadas de maneira espontânea.

(Rodolfo Ilari e Renato Basso. O por- tuguês da gente: a língua que estuda- mos, a língua que falamos)

No texto, a função da linguagem predominante é a

a) poética, por meio da qual se enfatiza a espontaneidade expressiva presente na língua do brasileiro, muitas vezes abandonada na escola.

b) apelativa, por meio da qual se induz o leitor à aprendizagem da língua com liberdade, porém sem utilidade prática para os usos cotidianos.

c) emotiva, por meio da qual se enaltece a forma intuitiva de se aprender a língua de forma mais produtiva, notadamente fora da escola.

d) informativa, por meio da qual se explica a língua em seus usos espontâneos, o que revela a necessidade de se oferecer estudo às crianças.

Referências

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