Public Disclosure Authorized. Public Disclosure Authorized. Public Disclosure Authorized. Public Disclosure Authorized

Texto

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Public Disclosure AuthorizedPublic Disclosure AuthorizedPublic Disclosure Authorized

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Santa Catarina: a Gestão de Riscos de Desastres no contexto do Planejamento Estratégico para o aumento da Resiliência a Perigos Naturais

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PERFIL DE RISCOS DE INUNDAÇÕS NO PLANEJAMENTO DA GESTÃO DE RISCOS DE DESASTRES EM SANTA CATARIN

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Santa Catarina: a Gestão de Riscos de Desastres no contexto do Planejamento Estratégico para o aumento da Resiliência a Perigos Naturais

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Santa Catarina: a Gestão de Riscos de Desastres no contexto do Planejamento Estratégico para o aumento da Resiliência a Perigos Naturai © 2016 O Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento / Associação

Internacional para o Desenvolvimento

The World Bank 1818 H Street NW Washington DC 20433 Telefone: 202-473-1000 Internet: www.worldbank.org

Este documento foi produzido pela equipe do Banco Mundial com contribuições exter- nas. As constatações, interpretações e conclusões expressas neste documento não neces- sariamente representam as posições do Banco Mundial, seus Diretores Executivos ou dos governos que representam.

O Banco Mundial não garante a precisão dos dados incluídos neste documento. As fron- teiras, cores, denominações e outras informações apresentadas em qualquer mapa deste trabalho não implicam qualquer opinião por parte do Banco Mundial sobre a situação legal de qualquer território ou o endosso ou aceitação de tais fronteiras.

Direitos e Permissões

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Santa Catarina: a Gestão de Riscos de Desastres no contexto do Planejamento Estratégico para o aumento da Resiliência a Perigos Naturais

AGRADECIMENTOS

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AGRADECIMENTO O presente relatório foi elaborado pela equipe liderada por Frederico Ferreira Pedroso

(especialista em GRD, GPSURR) e formada por Rashmin Gunasekera (especialista em GRD, GPSURR), Oscar Ishizawa (especialista sênior em GRD, GPSURR), Fernanda Senra De Moura (consultor de FSRD, GPSURR), Rafael Schadeck (consultor de GRD, GPSURR), Roque Alberto Sánchez Dalotto (consultor especializado em SIG, GPSURR), Mario Saraiva (consultor, GPSURR), Antonios Pomonis (consultor de FSRD, GPSURR), Maria Gaspari (consultor de FSRD, GPSURR), e pela empresa Ambiental Technical Solutions Ltd. (Consultoria de Modelagem de Inundações). Niels Holm-Nielsen (espe- cialista líder em GRD, GPSURR) deu orientações e comentários fundamentais para a elaboração deste estudo.

Dados e informações cedidos pelo Estado de Santa Catarina por meio da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável (SDS) e do Departamento de Adaptação à Mudança do Clima também deram uma grande contribuição.

A equipe agradece o trabalho dos revisores Joaquin Toro, Thadeu Abicalil e Josef Leitmann, bem como o financiamento do Programa de Integração da Gestão do Risco de Desastres em Países em Desenvolvimento do Banco Mundial-Japão, gerenciado pelo Fundo Global para a Redução de Desastres e Recuperação (GFDRR).

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Santa Catarina: a Gestão de Riscos de Desastres no contexto do Planejamento Estratégico para o aumento da Resiliência a Perigos Naturais

CONTEÚDO

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CONTEÚD

Agradecimentos 4

Siglas e Abreviações 8

Sumário Executivo 10

Parte I: PERFIL DE RISCOS DE INUNDAÇÕS NO PLANEJAMENTO DA GESTÃO DE RISCOs

DE DESASTRES EM SANTA CATARINA 12 1. Histórico de Desastres Naturais em Santa Catarina 14 1.1 Panorama Danos e Prejuízos Causados por Desastres Naturais no Estado 14 1.2 Capacidade de Resposta Financeira a Desastres em Anos Recentes 18 2. Base de Conhecimentos para o Planejamento de GRD em Santa Catarina 21 2.1 Modelagem de Suscetibilidade a Inundações e Potenciais Aplicações em Políticas Públicas 22 2.2 Modelos de Exposição e Vulnerabilidade 27 2.3 Modelo CAT e Potenciais Aplicações em Políticas Públicas 34 Parte II: PERFIL DE RISCOS DE DESASTRES DE SANTA CATARINA –

IMPLICAÇÕES PARA A FORMULAÇÃO DE POLÍTICAS E PROCESSOS DECISÓRIOS 44 1. Potenciais Implicações para o Planejamento no Estado de Santa Catarina 45

REFERÊNCIAS 50

Anexo 1: AVALIAÇÃO DE VULNERABILIDADE 52

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Santa Catarina: a Gestão de Riscos de Desastres no contexto do Planejamento Estratégico para o aumento da Resiliência a Perigos Naturais

SIGLAS E

ABREVIAÇÕES

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SIGLAS E ABREVIAÇÕE AMAX Máximo Diário Anual

CAT Catástrofe

CUB Custo Unitário Básico DSM Modelo Digital de Superfície DTM Modelo Digital de Terreno

FSRD Financiamento e Seguro de Risco de Desastres

GFDRR Fundo Global para a Redução de Desastres e a Recuperação (Global Facility for Disaster Reduction and Recovery)

GPSURR Prática Global Social, Urbana, Rural e Resiliência (Global Practice Social, Urban, Rural and Resilience)

GRD Gestão do Risco de Desastres

IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística PE Probabilidade de Excedência

PEA Probabilidade de Excedência Agregada PEO Probabilidade de Excedência de Ocorrências PMA Prejuízo Médio Anual

RMD Razão Média de Danos

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SUMÁRIO

EXECUTIVO

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SUMÁRIO EXECUTI Este relatório tem por objetivo ampliar a base de conhecimentos para permitir avanços na

Gestão de Risco de Desastres (GRD) em Santa Catarina por meio da identificação dos riscos de inundações, empoderando, assim, o governo estadual. A partir deste estudo, espera-se que suas instituições possam incluir práticas e informações de GRD em suas operações diárias e processos decisórios. Nesse contexto, o Banco Mundial e o Governo do Estado de Santa Catarina trabalharam em conjunto na concepção e desenvolvimento de um estudo inédito com o objetivo final de produzir um Modelo de Catástrofes (CAT) para o estado.

Seguindo um processo metodológico bem-estabelecido, a equipe desenvolveu uma série de atividades para produzir um modelo de catástrofes (CAT) abrangente composto por:

• Geração de um conjunto robusto de planos de informação geoespacial, usando bancos de dados estaduais e nacionais compilados em um único sistema de tec- nologia da informação;

• Desenvolvimento de modelos de exposição residenciais e não-residenciais para possibilitar a estimativa do valor das edificações e sua vulnerabilidade a eventos de inundação;

• Produção de um modelo estadual de inundações para distintos períodos de retorno, usando informações hidrometeorológicas históricas e modelos digitais de terreno e de superfície. Não foram usados cenários climáticos, já que os pres- supostos normalmente utilizados para defini-los tornariam a tentativa de mod- elagem matemática no contexto especifico do Modelo de Catástrofe (CAT) um tanto quanto imprecisa; e

• Derivação de um Modelo CAT, usando modelos de inundação, vulnerabilidade e exposição para produzir métricas gerais (por exemplo, Probabilidade de Ex- cedência Agregada [PEA], Probabilidade de Excedência de Ocorrências [PEO], Probabilidade de Excedência [PE] e Prejuízo Médio Anual [PMA]), visando apri- morar a compreensão do estado sobre sua exposição financeira e a exposição de seus ativos a perigos naturais.

A inovação e a detalhamento do estudo permitem uma série de potenciais aplicações para políticas públicas e decisões que podem aumentar a resiliência do estado aos desastres na- turais. A equipe acredita ser a primeira vez que um estudo deste tipo é realizado no Brasil, podendo ter aplicações diretas para um grande número de profissionais e instituições em Santa Catarina. Por último, para possibilitar a replicação do estudo em outros estados ou municípios do Brasil, a abordagem metodológica proposta baseou-se extensamente no censo nacional, bem como em dados hidrometeorológicos e informações espaciais de livre acesso.

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Santa Catarina: a Gestão de Riscos de Desastres no contexto do Planejamento Estratégico para o aumento da Resiliência a Perigos Naturais

PERFIL DE RISCOS DE INUNDAÇÕS NO PLANEJAMENTO DA GESTÃO DE RISCOS DE DESASTRES EM SANTA CATARINA

01 parte

“Desastres Naturais são a materialização do Risco de Perigos Naturais que, em última instância,

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PERFIL DE RISCOS DE INUNDAÇÕS NO PLANEJAMENTO DA GESTÃO DE RISCOS DE DESASTRES EM SANTA CATARIN Profundidade (m)

+1 0,8 - 1 0,6 - 0,8 0,4 - 0,6 0,2 - 0,4 0- 0,2

Mapadeinundaçãode Santa Catarina - períododeretornode 100 anoS

Mapas de inundações podem ser usados em conjunto com dados georeferenciados sobre diferentes bens e ativos, como redes viárias, plantas industriais, infraestrutura pública, bens imobiliários, entre outros.

A informação produzida pode ajudar a administração pública a priorizar intervenções e investimentos em GRD no território, ou a promover o desenvolvimento do setor privado em áreas menos expostas a perigos naturais, por exemplo.

rural

População 6.248.436*

área 95.734 km 2

1.000.523

16%

urbana

5.247.913

84%

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Santa Catarina: a Gestão de Riscos de Desastres no contexto do Planejamento Estratégico para o aumento da Resiliência a Perigos Naturais

1. HiStóriCode deSaStreS naturaiSeM Santa Catarina

1.1 Panorama Danose Prejuízos CausaDosPor Desastres naturaisno estaDo

Localizado na Região Sul do Brasil, o Estado de Santa Catarina possui um território de 95.346 km2 com uma população superior a 6 milhões. O estado está sujeito a uma ampla variedade de eventos naturais adversos: secas, inundações, enxurradas, granizo, movimentos de massa, vendavais, tornados e erosão costeira, além de ter sido atingido pelo Furacão Catarina, o único registrado no Brasil.

Inundações e secas são os eventos mais comuns, com a maioria das inundações ocorrendo no verão (dezembro a fevereiro), a estação mais chuvosa. Entre 1995 e 2014, os danos e prejuízos causados por desastres em Santa Catarina totalizaram R$ 17,6 bilhões (valores corrigidos para 2014), conforme reportado pelos municípios em 2.704 registros oficiais.

A média anual de registros no período foi de 135. No período de 20 anos considerado neste estudo, observaram-se picos anuais consideráveis no número de registros, refletindo eventos de maior magnitude, como os deslizamentos e inundações de novembro de 2008, a seca de 2004-2005, a inundação de 2014 no Vale do Itapocú, tempestades elétricas e granizo no Oeste e na serra em 2014, o Furacão Catarina em 2004 e inundações no Vale do Itajaí em setembro de 2011. A Tabela 1 apresenta dados específicos sobre esses eventos, com vistas a demonstrar a dimensão de seus impactos econômicos e sociais.

tabela 1. eventoSde deSaStreS naturaiSde Grande intenSidade na HiStória reCente

de Santa Catarina

Conforme apresentado na Tabela 1, a inundação de 2008 afetou aproximadamente 60 cidades e mais de 1,5 milhão de pessoas. Pelo menos 135 pessoas morreram, mais de 78.700 foram obrigadas a abandonar suas casas, 27.400 ficaram desabrigadas, 7.154 residências ficaram completamente destruídas (CEPED e UFSC, 2016) e 186.000 ficaram sem eletricidade du- rante várias semanas (BBC, 2008). O estado foi novamente inundado em setembro de 2011,

Furacão Catarina 2004

seca 2004 - 2005

Inundações no Vale do Itajaí 2008

Inundações de Setembro de 2011

$ Danos e Prejuízos

R$ 376.6 MI

R$ 1,763.1 Bi

R$ 4,684.2 BI

R$ 1,093.6 BI

R$ 327.4 MI

População afetada

47.963

1.235.590 1.528.230 935.517 123.262

- Danos em Residências

66.653

73.111 34.126 11.167 Inundações no Vale do Itapocú 2014

14 163 73 58 4 Municípios afetados

-

Desabrigados e Desalojados

18.756

122.135 201.338 17.942

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PERFIL DE RISCOS DE INUNDAÇÕS NO PLANEJAMENTO DA GESTÃO DE RISCOS DE DESASTRES EM SANTA CATARIN ocasião em que 6 pessoas morreram, 489.703 pessoas foram afetadas, 43.066 moradias foram

danificadas e os prejuízos públicos totalizaram R$ 112 milhões (CEPED UFSC 2016). Entre 1980 e 2011, houve outros 11 eventos de inundação de grande intensidade (Garcia et. al., 2011); os eventos recentes de 2014 (Smithsonian, 2014) e 2015 (Floodlist, 2015) sugerem que as inundações representam um perigo persistente e relevante no estado.

Os danos de prejuízos relacionados a inundações representam 81% do total reportados pelos municípios, que são também relacionadas a maior parte das perdas em infraestru- tura pública e unidade habitacionais, conforme ilustra a Figura 11.

FiGura 1. iMpaCtoS de inundaçõeS CoMparado CoM outroS eventoS de deSaStre na HiStória reCentede Santa Catarina2

Os municípios informaram prejuízos econômicos causados por inundações no valor de R$ 9,8 bilhões, com média anual de R$ 489 milhões. A Figura 2 apresenta os prejuízos eco- nômicos anuais relacionados às inundações. Dada a magnitude dos eventos de 2008, os danos e prejuízos nesse ano foram os mais significativos no período.

1 Esta porcentagem foi estabelecida em comparação com desastres naturais relatados, excluindo eventos de seca.

2 Estimativas do Banco Mundial Baseadas em Dados Oficiais Registros

62% Inundações 38% outros

84% Inundações 16% outros

81% Inundações 19% outros

21% outros 79% Inundações

47% Inundações 53% outros

92% Inundações 8% outros Unidades habitacionais destruídas

Danos e prejuízos

Total (R$)

(R$) (R$)

Danos habitacionais

Danos em unidades habitacionais

Danos em infraestrutura

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Santa Catarina: a Gestão de Riscos de Desastres no contexto do Planejamento Estratégico para o aumento da Resiliência a Perigos Naturais

FiGura 2. prejuízoS eConôMiCoS relaCionadoSa inundaçõeS3

Grandes eventos, como a inundação de Novembro de 2008, acarretam prejuízos financeiros eleva- dos para o governo e os impactos econômicos, embora não sejam fáceis de medir, são consideráveis.

Em 2008, por exemplo, o custo associado a um único evento representou aproximadamente 2,6%

do produto interno bruto do estado (Banco Mundial, 2013). O Porto de Itajaí, o maior da região, fi- cou sem funcionar durante várias semanas, causando prejuízos econômicos indiretos a toda região.

No intervalo de 20 anos sob análise, 95% dos municípios relataram prejuízos associados a eventos de inundação em, pelo menos, uma ocasião. Conforme a distribuição geográfica dos registros apresentados no Mapa 1, conclui-se que tais eventos têm maior incidência na região leste do estado.

Mapa 1. danoSe prejuízoS CauSadoSpor deSaStreS HidrolóGiCoS

3 Estimativas do Banco Mundial Baseadas em Dados Oficiais 5.000

4.000 3.000 2.000 1.000 0

489

média 95 96 97 98 99 00 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14

102 26 82 187 20 135 467

188 112 161 120 15 115 183 390 870 561 1.121 17

4.905

11 a 16 ocorrências 5 a 7 ocorrências 8 a 10 ocorrências 2 a 4 ocorrências menos de 2 ocorrências

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PERFIL DE RISCOS DE INUNDAÇÕS NO PLANEJAMENTO DA GESTÃO DE RISCOS DE DESASTRES EM SANTA CATARIN

PIB (2013) milHÕES R$

214.217

PIB e custos financeiros decorrentes de desastres naturais

$ $

$ $ $

$ $

$

$ $

$ $

R$ 17,6 bilhões em 20 anos

(1995 - 2014) devido a desastres naturais

0,4 %

Impactos

Econômicos

do pib

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Santa Catarina: a Gestão de Riscos de Desastres no contexto do Planejamento Estratégico para o aumento da Resiliência a Perigos Naturais

1.2 CaPaCiDaDeDe resPosta FinanCeiraa Desastresem anos reCentes

Considerando-se a dimensão dos danos e prejuízos incorridos pelo Estado de Santa Catarina é natural questionar se a capacidade atual de resposta financeira do estado é suficiente para financiar a resposta a desastres. Para investigar o assunto, foi desenvolvido um conjunto de indicadores fiscais relacionados a desastres em nível estadual e uma análise de lacunas de financiamento foi conduzida.

De 2009 a 2015, o desembolso de recursos para ações de resposta a desastres foi de, aproxi- madamente, R$400 milhões (Figura 4). Além do baixo nível de recursos disponíveis para a resposta a desastres, a Figura 3 mostra que boa parte dos recursos foi mobilizada por meio de créditos extraordinários, já que a alocação inicial de R$ 189 milhões foi bastante inferior à dotação final (R$ 593 milhões). Além disso, no que tange a execução orçamentária, os números sugerem que o principal gargalo está na capacidade de empenho do estado. Porém, se isso reflete dificuldades na negociação dos empenhos ou uma esperada falta de capacidade técnica para a efetivação dos desembolsos é uma pergunta cuja resposta vai além do escopo deste estudo e que pode ser investigada no futuro. Também vale ressaltar que, por outro lado, ao longo do tempo houve um aumento significativo na dotação inicial de recursos para a res- posta a desastres, tanto em termos absolutos quanto como na porcentagem da dotação final, sugerindo uma mudança em direção ao uso de fontes de financiamento ex ante (Figura 3).

FiGura 3. reSpoSta eStaduala deSaStreSeM Santa Catarina (r$, eMvaloreSCorrenteS)4

Quanto ao desempenho no desembolso de recursos, conforme observado, o volume desembolsado como porcentagem da dotação final caiu no período de 2012 a 2015, em comparação a 2009 a 2011 (Figura 4). Uma explicação para essa redução é que os eventos que atingiram o estado desde

4 Estimativas do Banco Mundial Baseadas em Dados Oficiais 2009

0 20.000.000 40.000.000 60.000.000 80.000.000 100.000.000 120.000.000 140.000.000 160.000.000 180.000.000

0 % 10%

20%

30%

40%

50%

60%

70%

80%

93% 90%

72%

15%

3% 5%

28%

1%

100%

2010 2011 2012 2013 2014 2015

Dotação inicial Dotação final

Dotação inicial como % da dotação final

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PERFIL DE RISCOS DE INUNDAÇÕS NO PLANEJAMENTO DA GESTÃO DE RISCOS DE DESASTRES EM SANTA CATARIN 2012 não foram tão graves quanto os de 2009 a 2011. Outros argumentos a favor dessa hipótese (a

título de especulação, devido à falta de evidências) poderiam ser a falta de instrumentos e processos específicos, ágeis e mais flexíveis, para facilitar a resposta a desastres quando operações especiais de reconstrução não são estabelecidas pelo governo do Estado.

FiGura 4. reSpoSta eStaduala deSaStreSeM Santa Catarina5

É importante observar que a presente nota inclui apenas o gasto de instituições estaduais. Ações de resposta a desastres executadas diretamente pelo Governo Federal (e não por meio de repasses para o estado) não fo- ram consideradas, devido à impossibilidade de desagregar-se a proporção de recursos de resposta a desastres (executados pelo Governo Federal) repassados a cada estado brasileiro. No entanto, em muitos casos são os ministérios que transferem os recursos financeiros de resposta para a secretaria estadual correspondente, que se torna a instituição encarregada pelo planejamento, execução e monitoramento dos programas de resposta a desastres. Assim, a execução desses recursos costuma ser incorporada ao orçamento estadual.

Existe ainda a possibilidade de que a metodologia utilizada para coleta dos dados fiscais não tenha conseguido identificar as linhas orçamentárias mais gerais que contêm projetos de resposta a desas- tres. Portanto, considerando as limitações impostas pelo tipo de dados fiscais disponíveis, as variáveis fiscais apresentadas nesta seção devem ser tomadas como aproximações e usadas como base para análises subsequentes e aprofundadas sobre o impacto dos desastres no orçamento estadual.

A próxima etapa consistiu em comparar os recursos disponíveis para a resposta a desastres aos danos e prejuízos do setor público para investigar até que ponto a falta de financiamento para ações de resposta a desastres configura um problema recorrente em Santa Catarina. Devido às limitações dos dados fiscais esta análise foi realizada somente para o período de 2009-20146.

5 Estimativas do Banco Mundial Baseadas em Dados Oficiais

6 Em 2009, foram criadas transferências obrigatórias para o enfrentamento de desastres (dotações orçamentárias);

isso aumentou a disponibilidade de dados e facilitou nossas análises.

00%

2009 0

20.000.000 40.000.000 60.000.000 80.000.000 100.000.000 120.000.000 140.000.000 160.000.000 180.000.000

0 % 10%20%

30%

40%

50%60%

70%

80%

90%

35%

64%

64%

54%

72% 71%

92% 1

2010 2011 2012 2013 2014 2015

Dotação final Liquidação

Liquidação como % da dotação final

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Santa Catarina: a Gestão de Riscos de Desastres no contexto do Planejamento Estratégico para o aumento da Resiliência a Perigos Naturais

FiGura 5. reSpoStaa deSaStreSeM Santa Catarina, potenCiaiS laCunaSde FinanCiaMento7

Conforme mostra a Figura 5, mesmo no cenário otimista em que apenas 30% de todos os danos e prejuízos são responsabilidade do estado, as lacunas de financiamento foram consideráveis nos anos recentes. Além disso, embora os números não mostrem uma falta de recursos para as ações de resposta em 2009, é importante notar que o estado sofreu inundações em novembro de 2008 e, portanto, boa parte da resposta ocorreu durante o exercício de 2009. Em outras palavras, considerando que os danos e prejuízos públicos contabilizaram mais de R$1 bilhão no final de 2008, o desembolso de R$120 milhões para responder ao desastre em 2009 ficou muito aquém do necessário.

Infelizmente, a ausência de dados fiscais detalhados referentes ao período anterior a 2009 impossibilitou a junção dos anos 2008 e 2009 para obter-se um quadro mais claro dos impactos fiscais das inundações de 2008. Mesmo assim, as lacunas de financiamento apre- sentadas anteriormente devem ser vistas como estimativas preliminares e, apesar das limi- tações, a informação disponível mostra claramente que as lacunas no financiamento da resposta a desastres são consideráveis, com potenciais impactos negativos no longo prazo.

7 Estimativas do Banco Mundial Baseadas em Dados Oficiais

2014

2013

2012

2011

2010

2009

0 100 200 300

116 55

110 98

294 110

214

482

50 24 25

46

400 500

Potencial lacuna de financiamento

R$ milhões (correntes)

Danos e Prejuízos do Setor Público (cenário otimista)

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PERFIL DE RISCOS DE INUNDAÇÕS NO PLANEJAMENTO DA GESTÃO DE RISCOS DE DESASTRES EM SANTA CATARIN 2.baSede ConHeCiMentoSparao planejaMentode Grd eM Santa Catarina

Conforme apresentado acima, o Estado de Santa Catarina está exposto a desastres na- turais recorrentes, entre os quais inundações têm papel de destaque. Conforme indicam os danos e prejuízos históricos, os efeitos econômicos de tais eventos são consideráveis, enquanto a capacidade de resposta financeira do estado permanece limitada. Embora o estado tenha apresentado um progresso significativo nas práticas de GRD ao longo dos anos, sendo inclusive uma referência para o país, ainda há espaço para melhorar conside- ravelmente a estratégia de GRD. Nesse contexto, embora os registros históricos discutidos acima sejam de grande valia para o planejamento, a adoção de uma abordagem com visão de futuro é fundamental para projetar e atualizar a estratégia de GRD com base nos seguintes pilares de ação: (a) identificação de riscos, (b) redução de riscos, (c) preparação, (d) proteção financeira e (e) recuperação resiliente.

Mantendo em mente a estrutura de GRD apresentada anteriormente, o presente estudo combina uma investigação dos padrões históricos de perigos naturais (e seus efeitos) em Santa Catarina com um modelo de risco de inundações CAT, com o objetivo de desen- volver uma uma base estadual de conhecimentos para um melhor planejamento de GRD.

A Figura 6 ilustra a metodologia proposta para o estudo, conforme a descrição a seguir:

• Etapa 1. Dados sobre desastres (cada município deve enviar um formulário informando os danos e prejuízos quando da ocorrência de um desastre) disponí- veis no Sistema Integrado de Informações sobre Desastres foram analisados para identificar os padrões de perdas por desastres no estado.

• Etapa 2. Dados geográficos do Estado de Santa Catarina foram coletados e ana- lisados para gerar planos de informação (camadas geoespaciais) para uma série de variáveis e desenvolver uma base de informação para todo o estudo.

• Etapa 3. Utilizando-se do Censo Nacional de 2010 como principal fonte de dados, foram criadas bases de informação residenciais e não-residenciais para produzir estimativas sobre a área construída, padrões e custos de construção.

• Etapa 4. Foi elaborado um modelo de inundações para o estado (para diferentes períodos de recorrência), usando dados hidrometeorológicos históricos, além de técnicas de modelagem hidrológica e hidráulica.

• Etapa 5. Um modelo de vulnerabilidade foi derivado dos modelos de exposição e inundações para estimar os danos físicos e, consequentemente, os impactos econômicos da ocorrência de eventos de inundação.

• Etapa 6. Foi gerado um Modelo CAT combinando os modelos de vulnerabilidade e inundações para produzir as curvas de PEA, PEO e PE e as métricas associadas.

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Santa Catarina: a Gestão de Riscos de Desastres no contexto do Planejamento Estratégico para o aumento da Resiliência a Perigos Naturais

FiGura 6. abordaGeM MetodolóGiCade ModelaGeM Cat

2.1 moDelagemDe susCetibiliDaDea inunDaçõese PotenCiais aPliCaçõesem PolítiCas PúbliCas Conforme apresentado na Figura 6, uma das etapas necessárias para a construção de um Modelo CAT é o desenvolvimento de um modelo de suscetibilidade que, neste estudo específico, definirá as áreas dos municípios de Santa Catarina suscetíveis a inundações com diferentes períodos de retorno e capazes de causar impactos sociais e econômicos.

Nesse contexto, o objetivo do modelo de suscetibilidade a inundações é produzir planos de informação de inundação em diversos níveis de desagregação geográfica (estadual, municipal e por setor censitário). Para atingir os resultados esperados, o modelo de sus- cetibilidade a inundações foi construído em quatro etapas principais:

• A primeira etapa consistiu em referenciar geograficamente, agregar, refinar e analisar os dados disponíveis para criar uma base de conhecimentos e conjuntos de dados de entrada, entre os quais citam-se os registros de precipitação (1991–2010), inundações históricas e da- dos fluviais com os atributos dos principais rios, afluentes, vias de drenagem e bacias hídricas.

• A segunda etapa foi focada no desenvolvimento de um modelo hidrológico. De forma ge- ral, o processo de modelagem hidrológica envolve o uso de várias técnicas ou conhecimento local para entender o comportamento do volume de água ao longo de eventos de inunda- ções e definir qual será a sua distribuição, em termos geográficos.

• A terceira etapa foi a realização da modelagem hidráulica, usando-se de modelos bidimen- sionais, que envolve a análise do escoamento sobre a superfície da planície de inundação.

• A quarta (e última) etapa centrou-se na aferição dos resultados obtidos, os quais são valida- dos considerando-se eventos históricos.

Durante a etapa de modelagem hidrológica, foi desenvolvida uma abordagem de alta complexidade para modelar a vazão dos rios usando modelos de escoamento da precipitação, com base na aborda- gem para a construção de modelos hidrológicos usada pela Agência Britânica do Meio Ambiente:

Hidrograma de Vazão. Tal método é considerado adequado para uso global e apropriado para o Brasil.

A descrição dos processos hidrológicos que servem de base para o método de precipitação-esco- amento foram aprimorados pelo processo analítico anteriormente descrito, incorporando me-

DSM & DtM gov. estadual

Fontes de dados base de dados

Modelagem de

vulnerabilidade Modelagem de risco de enchente

Sistema de informações geográficas Análise de dados geográficos

Camadas

temáticas de GIS projeção Modelagem de exposição

Relatórios de perdas e danos Modelagem de catástrofe

ibge censo 2010

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PERFIL DE RISCOS DE INUNDAÇÕS NO PLANEJAMENTO DA GESTÃO DE RISCOS DE DESASTRES EM SANTA CATARIN lhorias técnicas e aprimoramentos de cálculo. Utilizando-se deste método consegue-se prever o

escoamento de saída por meio da incorporação de planos de informação vetorial e valores de hidrogramas unitários para obter valores mais precisos do escoamento total, mostrando maior convergência sobre outros métodos hidrológicos.

O método utilizado leva em conta a interação entre o escoamento superficial direto (escoamento que ocorre quando o excesso de precipitação de uma chuva intensa flui sobre a superfície terrestre) e o escoamento de base (a parte da vazão que vem da soma do escoamento subterrâneo e do escoamento sub-superficial).

O modelo hidrológico consiste em três componentes principais. A Figura 7 mostra as conexões entre os componentes do modelo, junto com as variáveis de entrada e os parâmetros exigidos pelo mesmo. Além dos componentes principais, um modelo de umidade de solo baseado em dados diários foi utilizado para determinar o estado do solo no início de um evento de inunda- ção com base a longas séries de precipitação registrada.

HidroGraMade eSCoaMento totalparauM períodode retornode 1000 anoS

FiGura 7. reSuModo Modelode inundação 0

1.000 2.000 3.000 4.000

0 0.5 1.0 1.52.02.5 3.03.54.04.5 5.05.56.0 6.5 7.07.58.08.5 9.09.51010.51111.5 1212.51313.51414.5 1515.51616.51717.5 1818.51919.52020.5 2121.52222.52323.5

0 10 20 30 40

Rainfall (mm)

Time Intervals (hours)

flow (m³/s)

net rainfall

total rainfall total runoff direct runoff baseflow

precipitação

total escoamento

total escoamento

de base precipitação

líquida escoamento

superficial direto Intervalos de tempo (horas)

vao (m³/s)

Intervalos de tempo (horas)

Umidade inicial do solo C

ini

Precipitação total Precipitação líquida

Fluxo total Modelo de perdas

C

max

Modelo de rotas T

p

Escoamento de base

BF

0

Modelo de escoamento de base

(BR, BL)

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Santa Catarina: a Gestão de Riscos de Desastres no contexto do Planejamento Estratégico para o aumento da Resiliência a Perigos Naturais

A simulação de um evento de inundação usa o modelo de prejuízos para estimar a proporção do vo- lume total de precipitação, transformado-a em escoamento superficial direto. O escoamento direto é, então, propagado para o ponto de saída da bacia hidrográfica usando uma convolução do hidrograma unitário no modelo de propagação. Finalmente, o escoamento de base é somado ao escoamento direto para obter-se o escoamento total.

Como um exemplo dos produtos finais dos testes de modelagem de inundações, o Mapa 2 mostra a rede de drenagem da bacia em condições normais (embaixo) e durante uma inundação com período de retorno de 1.000 anos, conforme modelado. Além disso, embora os mapas apresentados neste relatório sejam ilustrativos da análise realizada, a resolução dos produtos originais é alta o suficiente para dar aos formuladores de políticas públicas informações detalhadas que podem ser úteis em várias atividades de planejamento. Assim, espera-se que os resultados deste estudo ajudem os formuladores de políticas e decisores a lidar melhor com a estrutura de GRD8 promovida pelo Banco Mundial em nível global e concertada com várias partes (como as Nações Unidas, governos nacionais e academia).

Mapa 2. redede drenaGeMda baCiade itajaí-açuSeM inundaçõeS (eMbaixo) eduranteuMa

inundaçãode 1.000 anoS (aCiMa)

8 Os pilares do Fundo Global para a Redução de Desastres e a Recuperação incluem (a) identificação de riscos, (b) redução de riscos, (c) prontidão ou preparação, (d) proteção financeira e (d) recuperação resiliente.

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PERFIL DE RISCOS DE INUNDAÇÕS NO PLANEJAMENTO DA GESTÃO DE RISCOS DE DESASTRES EM SANTA CATARIN Mapa 3. Mapade inundaçõeSCoM períodode retornode 20 anoSdo MuniCípiode GaSpar

Além disso, de uma perspectiva macro e estadual, os resultados obtidos para o estado de Santa Catarina mostram que até mesmo eventos frequentes com probabilidade anual de 20% estão associados a inundações relevantes, particularmente na região costeira.

Mapa 4. inundaçõeSCoM períodode retornode CinCo anoSno eStadode Santa Catarina Profundidade (M)

alta: 5

0 0,5 1 2

Km

baixa: 0

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Santa Catarina: a Gestão de Riscos de Desastres no contexto do Planejamento Estratégico para o aumento da Resiliência a Perigos Naturais

Com esse nível de resolução temática, a informação contida nos mapas de inundação poderia ser usada por instituições estaduais ou nacionais para priorizar investimentos em GRD no estado, bem como incentivar ou promover investimentos privados em áreas próprias para a edificação, em contra- partida a áreas expostas a perigos naturais, entre outros. De forma mais macro, em escalas maiores, mapas de inundação podem ser combinados com conjuntos de dados georeferenciados de ativos de vários tipos, como sistemas viários, usinas de produção, infraestruturas públicas, dente outros. Nesse sentido, os resultados deste estudo poderão ser uma ferramenta-chave para o aumento da resiliência do estado em diversos setores produtivos, atividades públicas e privadas e infraestrutura, entre outros.

2.2 moDelosDe exPosiçãoe VulnerabiliDaDe

Em última análise, o modelo de exposição proposto neste estudo visa a determinação do valor construído de edificações residenciais e não-residenciais. Dadas as semelhanças técnicas, é importante fazer uma distinção entre os conceitos de exposição e vulnerabilidade (veja o Quadro 1 para o conjunto completo de conceitos). Em linhas gerais, o simples fato de uma edificação estar localizada em uma área suscetível a inundações não implica que a unidade vá ser danificada caso ocorra um evento. O modelo de exposi- ção apenas investiga os custos de reparação ou reposição total das edificações expostas caso ocorra uma inundação, com base no material de construção predominante. Nesse sentido, o modelo centra-se nas características físicas do ativo e, neste estudo em particular, em edificações residenciais e não-residenciais.

Quadro 1: eStrutura ConCeitualde Grd

Perigo natural. Fenômenos naturais que, quando desencadeados, têm o potencial de causar efeitos negativos em uma localização geográfica específica, por um período de tempo determinado.

Vulnerabilidade de ativos ou infraestrutura. Condições físicas pré-existentes que podem ser afetadas pela ocorrência de um fenômeno natural e, portanto, ter efeitos negativos em processos, serviços e produção, entre outros.

Exposição. Uma condição geográfica intrínseca de um elemento, consideran- do-se sua localização e a possível extensão geográfica de um fenômeno natural.

Suscetibilidade. O ponto até o qual um perigo natural pode afe- tar um determinado local.

Risco de desastres. Prováveis prejuízos econômicos e impactos sociais que podem resultar da ocorrência de um fenômeno natural específi- co em dado período de tempo.

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PERFIL DE RISCOS DE INUNDAÇÕS NO PLANEJAMENTO DA GESTÃO DE RISCOS DE DESASTRES EM SANTA CATARIN O modelo de exposição foi construído buscando dois produtos principais: (a) exposição resi-

dencial e (b) exposição não-residencial. Dados amostrais de Censo Nacional de 2010 fornecem informações importantes sobre as características de cada domicílio, permitindo estimativas bastante precisas sobre os padrões, normas e custos de construção nas áreas de estudo. Por outro lado, dados sobre edificações não-residenciais no estado mostraram-se escassos. Para fazer fren- te à carência de dados, estimou-se o volume construído e a área por pavimentos não-residencial de cada setor censitário de Santa Catarina, além da vulnerabilidade física de cada padrão de construção. Em seguida, cada padrão foi referenciado ao seu custo de reposição (Figura 9).

FiGura 9. abordaGeM MetodolóGiCada ModelaGeMde expoSiçãoe vulnerabilidade

exPosição resiDenCial

O modelo de exposição exigiu uma base de dados sobre edificações residenciais. Para criar a base receptora, a área urbana foi extraída da base de dados local utilizando-se de informações sobre o uso do solo. Os dados foram comparados com o mapeamento aéreo e considerado o melhor conjunto disponível para representar concentrações de exposição.

Conforme mencionado anteriormente, para identificar os padrões de construção das edificações residenciais foram seguidas as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, e empregados dados do Censo Nacional de 2010. Em seguida os custos unitários dos princi- pais padrões de construção foram calculados de acordo como o indicador do Custo Unitário Básico (CUB) publicado mensalmente pelo Sindicato da Indústria de Construção Civil do Brasil. Processando os dados por meio de um Sistema de Informação Geográfica, os custos da reconstrução foram distribuídos por igual ao longo da área urbana de cada área de ponderação.

Dados

Exposição residencial

Criar da base de dados receptora

Calcular unidade básica de custo (UBC)

Calcular unidade básica de custo (UBC)

Identificar de padrões de construção para edificações residenciais

Dividir a região em grade de 1km2 e distribuir linearmente o custo de reconstrução

Modelagem e mapas de exposição Exposição não residencial

Análise da diferença entre DSM e DTM

Reunir os dados por categorias do censo

Subtrair o volume e a área por andar construído em regime residencial

Derivar estimativa do volume e da área por andar construídos em cada categoria do censo em Santa Catarina

Investigação sobre a susceptibilidade de estruturas não residenciais

Derivar o volume construído e a área por andar em cada categoria do censo Classificação e

peso de área no Censo (IBGE 2010)

DSM DTM

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Santa Catarina: a Gestão de Riscos de Desastres no contexto do Planejamento Estratégico para o aumento da Resiliência a Perigos Naturais

O processo revelou que o material de construção predominante de um grande número de resi- dências no Estado de Santa Catarina é a madeira (perto de 28% de todos os domicílios), material não incluído nos padrões básicos de construção. Para determinar o valor por metro quadrado desse padrão de construção (não especificado pelo Sindicato da Indústria de Construção Civil do Brasil), elaborou-se uma composição unitária com as características mais comuns das casas de madeira do estado, particularmente em áreas rurais. A análise revelou as seguintes constatações:

(a) área média do pavimento de 74,0 m2, (b) dois cômodos, (c) um banheiro e (d) uma garagem.

Assim, o custo total de construção de uma casa construída predominantemente com madeira foi estimado em R$ 62.217,41, representando um custo de R$ 840,78 por m2. 9

Para aumentar a precisão da análise de inundações, a região inteira foi dividida em células de 1 km2 e os custos de reconstrução foram distribuídos entre as células. De modo a derivar a proporção de cada célula “receptora” exposta a potenciais inundações, o mapa de inundação de 10,000 anos foi exportado e analisado espacialmente contra o mapa de exposição para definir a proporção de cada título exposto a potenciais inundações.

ValorDa Área ConstruíDa - PaDrão resiDenCial

Conforme descrito anteriormente, os domicílios foram classificados de acordo com os ma- teriais e as normas de construção, extraídos das variáveis disponíveis no Censo Nacional de 2010. Utilizando-se do número de cômodos em cada unidade habitacional, a área das edificações residenciais foi obtida por meio da seguinte equação:

RBFA = Dom x NMRooms x 17

Em que:

- NMRooms (pcs) =Número médio de cômodos por domicílio por área ponderada;

- Dom (unidades): número de unidades habitacionais por setor censitário e - RBFA (m2): Área construída total residencial por setor censitário.

Repetindo o processo para todos os setores censitários, obteve-se uma área construída residencial total de 198.749.558 m2. Uma vez estabelecida a área construída, o próximo passo foi determinar o valor da área construída das edificações residenciais. Está claro que a reposição ou reparação de qualquer edificação danificada está diretamente relacionada aos custos de construção (a Tabela 2 mostra o CUB relativo de diversos projetos-padrão).

9 Para calcular os valores, usamos as fichas de composição dos Custos e Índices Nacionais do Sistema de Pesquisa da Construção Civil.

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PERFIL DE RISCOS DE INUNDAÇÕS NO PLANEJAMENTO DA GESTÃO DE RISCOS DE DESASTRES EM SANTA CATARIN tabela 2. Cub relativode diverSoS projetoS-padrão

A área construída residencial total obtida para Santa Catarina foi de 198.749.558 m2. Multiplicando o ambiente construído pelo CUB de cada projeto-padrão, obteve-se um va- lor total de R$ 247 bilhões. O valor médio por metro quadrado foi, portanto, estimado em R$ 1.243,36 por m2. O Mapa 5 mostra o valor da exposição total de ativos por município.

Mapa 5. expoSiçãode ativoS reSidenCiaiSde Santa Catarina

1,306.46 1,553.53 1,899.37 1,395.14 1,159.13 1,293.32 1,533.79 840.78 1,453.79

390M to 490m

Exposição residencial, em milhões de R$

200M to 300m 300m to 390m 100m to 200m 0m to 100m

residencial unifamiliar padrão baixo

Tipo R$/M2

residencial multifamiliar padrão baixo residencial unifamiliar padrão alto

residencial multifamiliar padrão alto residencial unifamiliar padrão normal

residencial multifamiliar padrão médio residencial popular/projeto de interesse social

casas de madeira

CUB residencial médio

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Santa Catarina: a Gestão de Riscos de Desastres no contexto do Planejamento Estratégico para o aumento da Resiliência a Perigos Naturais

Exposição e Vulnerabilidade

Após pesquisar a vulnerabilidade de vários tipos de propriedades em Santa Catarina, uma série de curvas foi produzida comparando a Razão Média de Danos (RMD) à intensidade da inundação (pro- fundidade), permitindo, assim, uma parametrização dos portfólios de exposição para refletir as carac- terísticas dos ativos segurados.

O impacto de um perigo natural não é igual em todos os casos. Qualquer que seja o local, o impacto depende diretamente das características do ativo. Alguns tipos de construções são mais vulneráveis a inundações.

*Porcentagem do valor monetário total de reposição/reconstrução.

Vulnerabilidade de vários tipos de edificações

profundidade da água (metros)

prejuízo

0.0 0 0.2 0.4 0.6 0.8

1 Um pavimento dois pavimentos Três pavimentos

3.0 6.0

1.0 2.0 4.0 5.0 7.0

Nível d’água externo Direção da vazão

Valor Construído*

Apartamentos

casas de madeira

casas de alvenaria

12%

21%

67%

Área construída - Residencial

Apartamentos

casas de madeira

casas de alvenaria

12%

31%

57%

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PERFIL DE RISCOS DE INUNDAÇÕS NO PLANEJAMENTO DA GESTÃO DE RISCOS DE DESASTRES EM SANTA CATARIN exPosição não-resiDenCial

A estimativa do volume e área construída não-residencial foi realizada por setor censitário utilizando-se de dados do Modelo Digital do Terreno e Modelo Digital de Superfície de Santa Catarina, obtidos entre 2011 e 2013, associados ao Censo de agosto de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. A abordagem consistiu em derivar o volume e a área construída em cada setor censitário usando a diferença de alturas em cada uma das células, associar os dados em nível de setor censitário, subtrair o volume e a área construída da tipologia residencial (estimada com dados do Censo de 2010) e, finalmente, derivar o volume e a área construída da tipologia não residencial de cada setor censitário de Santa Catarina..

Inicialmente, realizou-se um estudo de viabilidade em uma parte da cidade de Florianópolis (7 áreas de ponderação contendo 143 setores censitários), onde a metodologia e várias hipóteses foram desenvolvidas e testadas. Em seguida, a metodologia descrita anteriormente foi aplicada em todos os setores censitários de Santa Catarina, o que foi possível em 10.029 (82%) do total de 12.227 setores censitários. Os setores censitários restantes não puderam ser analisados, seja devido a pro- blemas nos contornos das camadas de dados geográficos (shapefilesdas) das áreas de ponderação do IBGE (412 setores censitários), ou devido à indisponibilidade de dados de altura (1.786 setores censitários). Os 10.029 setores censitários analisados contêm 91% da população de Santa Catarina.

A etapa seguinte consistiu em investigar a suscetibilidade das estruturas não-residenciais do estado com um levantamento manual de 100 edificações em áreas urbanas, suburbanas e ru- rais usando o Google Street View®. A seleção das áreas de cada caso foi feita de forma aleatória em cidades representativas do estado. A análise objetivou a obtenção de dados quantitativos para apoiar ou refutar o pressuposto de uma divisão de 50/50 nos tipos de suscetibilidade.

Embora 100 propriedades representem um tamanho amostral relativamente pequeno em relação ao montante relevante de edificações do estado, a amostra foi considerada represen- tativa para uma avaliação inicial. Os resultados alcançados permaneceram estáveis quando o tamanho da amostra foi divido pela metade. Não foram realizadas outras amostragens após as 100 observações iniciais, já que os resultados não apresentaram variação significativa da pro- porção 50/50 para sugerir a necessidade de uma investigação mais aprofundada e o impacto nos resultados da modelagem de prejuízos seria mínima.

Todos as edificações selecionadas estavam localizadas em áreas dentro da mancha de inunda- ção do modelo e eram consideradas de risco, no mínimo, na ocorrência de uma inundação com período de retorno de 10.000 anos. Em cada localização, selecionou-se para a análise a primeira edificação não-residencial identificada ao entrar-se no Google Street View®. Subsequentemente, escolheu-se uma localização próxima e o processo foi repetido. As seguintes informações foram registradas para cada edificação não-residencial: (a) material de construção da fachada, (b) qua- lidade do acabamento interno e (c) número de pavimentos (1, 2 ou 3+).

Usando essas informações, a suscetibilidade das edificações não-residenciais foi definida como alta, média ou baixa (veja a Tabela 3). A decisão baseou-se na análise das características internas

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Santa Catarina: a Gestão de Riscos de Desastres no contexto do Planejamento Estratégico para o aumento da Resiliência a Perigos Naturais

(na medida do possível) e, em seguida, associada às curvas de vulnerabilidade mais adequadas.

A suscetibilidade dos materiais internos foi avaliada por referenciamento. Os únicos critérios confiáveis disponíveis para fazer a seleção eram (a) tipo de porta e (b) qualidade do acabamento interno. Aplicando esses critérios, a análise produziu os resultados apresentados na Tabela 3.

tabela 3. avaliaçãode SuSCetibilidadede ediFiCaçõeS não-reSidenCiaiS

Tendo produzido os modelos residenciais e não-residenciais e os mapas de áreas sus- cetíveis a inundações, o estudo passou à etapa de avaliação de vulnerabilidade. Como exemplo, o Mapa 6 mostra como os modelos de exposição (residencial e não-residencial) de Santa Catarina, combinados com os mapas de suscetibilidade a inundações, geram uma estimativa do valor dos ativos em risco de inundação no estado.

Mapa 6. expoSiçãode ativoSeM ÁreaS SuSCetíveiSa inundaçõeSeM Santa Catarina

R$ 0 - 10M

Exposição residencial e não residencial

SC profundidade fluvial 100 anos

R$ 20 - 30M R$ 10 - 20M R$ 30 - 40M

alta: 10m R$ 40M +

baixa: 0m

suscetibilidade

Baixa média Alta média

material da porta e qualidade do acabamento interno

porta de metal/vidro + baixa qualidade interna

porta de metal/vidro + alta qualidade interna

porta de madeira + alta qualidade interna

porta de madeira + baixa qualidade interna

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PERFIL DE RISCOS DE INUNDAÇÕS NO PLANEJAMENTO DA GESTÃO DE RISCOS DE DESASTRES EM SANTA CATARIN Considerar informações sobre a exposição de edificações a inundações é relevante, por

exemplo, para instituições encarregadas da definição de investimentos em infraestrutura para redução do risco de desastres, já que saber o valor e as características dos ativos localizados em áreas suscetíveis a inundações permite que os formuladores de políticas estejam mais bem informados sobre os beneficiários dessas intervenções e considerem os custos e efetividade antes de tomarem decisões sobre investimentos. Do ponto de vista do desenvolvimento social, o modelo de exposição pode ser útil para a caracterização de assentamentos expostos ao risco de inundações, bem como para a identificação de áreas críticas onde há domicílios expostos a eventos recorrentes (baixo período de retorno), permitindo a formulação de programas específicos para populações de baixa renda.

Embora os modelos de suscetibilidade e exposição bastem para indicar as áreas e ativos em risco, a determinação da proporção de danos como função da tipologia de construção e do tipo de evento adverso faz parte da análise de vulnerabilidade. Essa etapa é crucial, já que saber o nível de danos como função de um evento natural permite a adoção de medidas brandas ou mais in- cisivas na gestão do risco de desastres, podendo, assim, aumentar a resiliência social e econômica.

Vulnerabilidade, nesse contexto, é uma expressão da tendência de um elemento, ou de um conjunto de elementos, de sofrer danos físicos durante um evento de desastre. Permite a tradução da intensi- dade do perigo em um nível estimado de danos físicos com base na fragilidade do elemento ou do conjunto de elementos. O modelo combina informações sobre as etapas de modelagem de exposição e suscetibilidade a inundações para produzir um novo resultado: o provável custo médio de reparação ou reposição do ativo conforme a intensidade do evento - neste caso especifico, a altura da inundação.

Este estudo concentrou-se unicamente na vulnerabilidade estrutural das edificações e nos prejuízos financeiros associados a danos causados por eventos de inundações. Não foram considerados o conteúdo das edificações, o bem-estar de seus habitantes ou as consequências econômicas mais amplas decorrentes de fatores como a interrupção de atividades econômicas.

Conforme a prática habitual, presumiu-se que o impacto do perigo não seja igual em todos os casos. Qualquer que seja a localização, o impacto depende fortemente das características físicas do ativo. Além disso, alguns tipos de construções são mais vulneráveis a inundações como por exemplo, uma edificação de um único pavimento localizada em uma área mais baixa será mais afetada por um evento de inundação que uma edificação de vários pavimentos, com relação ao valor total do ativo. Por último, a estimativa de prejuízos feita por ferramentas de modelagem matemática é limitada, já que os modelos de inundação não conseguem prever o ângulo de impacto, a liberação de energia, ou a influência dos entulhos, entre outros fatores.

Pesquisas possibilitaram a determinação da vulnerabilidade de vários tipos de propriedades no Brasil e a produção das respectivas curvas de vulnerabilidade. Em seguida, foram geradas fun- ções de vulnerabilidade que descrevem a razão de prováveis danos a uma propriedade como porcentagem do custo total de restituição, o que indica a extensão dos danos e dos prejuízos associados aos diferentes níveis de intensidade de inundação. Em outras palavras, a curva de vul- nerabilidade descreve a relação entre a intensidade do evento e os danos que o evento pode causar.

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Santa Catarina: a Gestão de Riscos de Desastres no contexto do Planejamento Estratégico para o aumento da Resiliência a Perigos Naturais

O componente de vulnerabilidade consiste em uma série de curvas que relacionam a Razão Média de Danos (RMD) à medida de intensidade da inundação. A RMD é o custo médio de reparação dividido pelo valor de reposição. Para calcular a RMD utilizou-se a seguinte equação:

A intensidade de uma inundação está diretamente relacionada à profundidade da água. Os mo- delos usados neste estudo permitem 16 incrementos de intensidade de inundações (veja o Anexo 1 para mais detalhes sobre os parâmetros e a avaliação da vulnerabilidade). Em resumo, este estudo usou o método GeoScience Australia, que fornece um conjunto de 47 curvas de danos que cobrem várias combinações dos seguintes parâmetros das edificações:

• Destinação: residencial, industrial, outros

• Padrão de construção: pau-a-pique (taipa), concreto, vigas/estacas, aço e madeira

• Altura (pavimentos): 1, 2, 3, baixa, média, alta

• Elevação: não elevada, elevada, sem informação

• Suscetibilidade (do interior): não suscetível, pouco suscetível, suscetível, muito suscetível, sem informação

As curvas de danos dos diferentes padrões e características de construção, bem como o nível de sus- cetibilidade das edificações residenciais de Santa Catarina, foram elaborados conforme descrito an- teriormente. Apresenta-se no Anexo 1 todas as curvas de vulnerabilidade e informações detalhadas.

2.3 moDelo Cat e PotenCiais aPliCaçõesem PolítiCas PúbliCas

A etapa de modelagem do risco de danos a edificações usando o método CAT foi um processo fundamental para concluir a caracterização do risco de desastres de Santa Catarina. Nessa etapa final do estudo, os diversos produtos (modelos de suscetibilidade, exposição e vulnerabilidade) foram combinados e usados como insumos na modelagem CAT.

Nesse contexto, cada um dos modelos descritos anteriormente produziu informações para calcular-se o risco e os prejuízos financeiros associados aos diferentes eventos de inundação.

• Os dados do modelo de exposição trazem informações sobre a localização das edificações e o seu valor financeiro. Em outras palavras, o modelo produziu geolocalizações e o Custo Unitário Básico (CUB) foi obtido por meio da análise dos padrões de construção das edificações.

RMD = Custo Médio de Reparação

Custo de Reposição ou Valor Segurado

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PERFIL DE RISCOS DE INUNDAÇÕS NO PLANEJAMENTO DA GESTÃO DE RISCOS DE DESASTRES EM SANTA CATARIN

• O modelo de suscetibilidade fornece informações sobre os componentes centrais dos eventos de inundação, incluindo as características físicas do terreno.

• O modelo de vulnerabilidade ajuda a compreender a probabilidade de que uma edificação seja danificada (e o custo de reparação/reposição) em um local espe- cifico, dadas as condições de suscetibilidade e o perfil do evento. Essa relação é representada geograficamente por curvas de vulnerabilidade.

Apenas com base nos módulos descritos ainda não se tinha uma projeção de como os eventos de inundação poderiam causar danos em Santa Catarina. Para isso, foi utilizado o modelo de riscos CAT.

O Quadro 2 apresenta a terminologia adotada para interpretar os resultados de um Modelo CAT.

Quadro 2: terMinoloGiaSuSadaSparaoSreSultadoSdeModelaGeM Cat - A Probabilidade de Excedência Agregada (PEA) representa a proba- bilidade de que o custo total de todos os eventos de um ano reunidos supere determinado limite. Esses valores devem ser usados ao avaliar a relação do prejuízo bruto. Eventos de inundação de maior inten- sidade ocorrem (e são excedidos) com menor frequência – portanto, têm uma probabilidade anual menor.

- A Probabilidade de Excedência de Ocorrências (PEO) é a possibilidade de que o evento mais oneroso de um ano exceda certo limite. Tais númer- os são mais relevantes, por exemplo, para atividades de resseguro, mas foram incluídos a título de informação. Cabe notar que a PEA e a PEO referem-se a um prejuízo excedido, e não precisamente ao prejuízo em si.

A modelagem CAT favorece essa abordagem, já que ajuda a identificar possibilidades de conexão ou esgotamento, calcular os prejuízos esperados dentro de uma determinada faixa ou fornecer referências para fazer com- parações entre os riscos ao longo do tempo. Assim, o cálculo da probabili- dade de um prejuízo financeiro exato termina sendo de pouca relevância.

- A Curva de Probabilidade de Excedência (PE) informa a probabilidade de que um determinado prejuízo financeiro seja excedido, com base na PEA ou na PEO. Ela mostra a probabilidade de que os prejuízos anuais agregados (PEA) ou de um único evento (PEO) excedam uma quan- tia especifica. O Prejuízo Médio Anual (PMA) representa a média dos prejuízos anuais. É o valor médio da distribuição de PE de um prejuízo.

Representa o prejuízo projetado por ano, tomando-se a média de vários anos. Espera-se que o prejuízo para um período de retorno de um ano seja igualado ou excedido todo ano. Assim, sua PE é de 100%.

Imagem

Referências

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