Equipamento modular para o controlo
automático de pequenos aproveitamentos
hidroeléctricos
re umo
o equipamento usado para automatização de pequenos aproveitamen-•
tos hidroeléctricos, deve ser simples, seguro e nor ..
malizado tanto quanto possível. Este artigo des- creve a aplicação de um microcomputador e de um conjunto de equipa- mento modular para a automatização de peque- nos aproveitamentos hi-
droeléctricos de fio de agua...
o uso de equipamento normali- zado na construção de pequenos aproveitamentos hidroeléctricos é muito vantajoso sob o ponto de vista técnico e económico. Nos ú1timos anos tem-se feito um es- forço para o fabrico de turbinas e geradores normalizados. Contudo.
as pesquisas têm-se centrado no desenvolvimento de um sistema normalizado para automatização e controlo das pequenas centrais hldroeléctricas. Este equipamento deve ser simples seguro e fácil de aplicar para os diferentes tipos de aproveitamento.
Em Espanha, a Hidroeléctrica Espanhola tem desenvolvido uma série de equipamento modular com vista a satisfação dos requesitos re- feridos. O sistema citado baseia-se num microcomputador com con-
trolo automático por grupo (tur- bina-gerador) .
Outros equipamentos são incluí- dos no sistema de automatização, tais como: quadros das fontes auxi- liares de c.a. e C.C.; protecção do
HIDROELECTRICIDADE
António do Carmo Pereira Pinto
Eng. Elect. (I.S.T.)
Electricidade de Portugal EDP
gerador: quadros de protecção de linha e do transformador de po- t{:ncia; painéis de equipamento;
detectores e sistema periférico do grupo turbina-gerador.
O microcomputador desenvol- vido pela Hidroeléctrica Espanhola foi adaptado à automatização de três pequenos aproveitamentos hi- droeléct ricos de fio de água com 1 ou 2 grupos por central com con- trolo remoto.
As características do Equipa- mento Electromecânico são:
• turbina kaplan de eixo verti- cal com distribuidor fixo e pás da roda móveis;
• gerador de indução e multipli- cador de velocidade;
• uma comporta de admissão;
• um transformador de potên- cia e uma bateria de conden-
sadores.
As figuras 1 e 2 representam.
respectivamente, um corte transver- sal do grupo e o esquema unifilar
summary
T he equipment used [or lhe a u tom a I i o n 01 small hydro power plants must be sim ple, reliable and as standordized as possible. This article des- cribes lhe application 01 a microcomputer and an
assembly 01 modular equipment for the auto- matic controlai small
run-oj-river plants.
de um dos três aprovei tamentos referidos da Hidroeléctrica Espa- nhola.
Características
do microcomputador
O microcomputador é constituí- do essencialmente por 3 blocos:
• Bloco da Fonte de Alimenta- çao-
Neste bloco a tensão da corrente contínua da bateria.
por exemplo de ]25 V c.c., é transformado em tensões adaptáveis a alimentação de detectores. CPU, monitor e Impressora.•
• Unidade Central de Processa- mento (CPU)
Este bloco controla o grupo turbina-gerador, processa a
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Fig. 1 - Secção transv ersal do grupo
informação para depois a apre- sentar no monitor e na impres- sora e inclui um quadro para con trolo do grupo.
centralizar todas as ligações que faz com os seus periféricos.
O hardware principal do micro- computador tem sido adaptado às condições de operação existentes na Central. Aquelas condições são di- ferentes das aplicações convencio- nais. Assim os quesitos considera- dos sao:
• Monitor e Impressora
Estes periféricos dão toda a informaçao do estado do grupo
turbina-gerador.
• Nível de isolamento Adicionalmente, o microcompu-
tador é provido das seguintes uni- dades de processamento e contro- lo dos sinais de entrada e saída:
O microcomputador deve ser capaz de suportar sobre-
tensões durante o seu funcio- namento, Deve ser conside- rado o seguinte isolamento:
1 kV, 1 minuto, 50 Hz para ensaio de isolamento à tensão
industrial e 5 k V para ensaio à onda de choque de acordo com a publicação da CEI 255-5.
• MuItiplexor
Esta unidade faz a amos- tragem periódica dos sinais e a sua agulhagem para as uni- dades de informação que o operador pretender.
• Relés auxiliares para comando de saída
• Fonte de tensão
Estes relés asseguram o iso- lamento galvânico nas saídas e fazem operar o disjuntor,
bombas e válvulas solen6ides.
O microcomputador deve ser capaz de operar com exac- tidão quando a fonte de tensão varia + 100(0 - 15 0'0 do va-
lor nominal. Deve ainda ope- rar corn exactidão quando a fonte de alimentação é inter- rompida durante um curto
o microcomputador é adaptado a uma mesa usada também para
ELECTRICIDADE - N, 272 - NO\ E.\fBRO 1990
intervalo de tempo. Este inter- valo de tempo é cerca de 35 rns para um dos aproveita- mentos referidos da Hidroe- léctrica Espanhola,
Se a tensão for interrom- pida durante muito tempo, algumas precauções devem ser tomadas para assegurar o
disparo do disjuntor e o fecho da comporta, Assim, todo o
equipamento de controlo tem sido feito de tal 1110do que quando a tensão da fonte de energia desaparece, o disjun- tor dispara, a comporta fecha, as bombas param, etc
Linha 20 kV
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Fig. 2 - Esquema de princípio, Insta- laçâo de duas unidades por central. A central está ligada a uma rede de ?o kV
t - Transformador de serviços auxilio- res
2 - Serviços auxiliares 3 - Disjuntor
~ - Transformador de potência 5 - Bateria de condensadores 6 - Geradores assíncronos
371
• Perturbações de alta frequên- ela•
Tensões transitórias de curta duração geradas por qualquer modificaçao rápida da rede não devem 'Ínfluenciar as operações do microcompu- tador de acordo com a publi- cação 255-4 da CEI. As entra- das e as saídas são classifica- das em classe I I, no caso de serem digitais e da classe I I I para as restantes entradas e saídas.
Para entradas analógicas são adaptados alguns filtros.
• Protecção
o microcomputador deve ser protegido contra qualquer curto circuito e contra
\ ersão de polaridade.
a m-.
Auto-teste e diagnóstico do micro- computador
o grupo turbina-gerador dev e parar a qualquer acontecimento de falha do microcomputador. Esta segurança intrínseca é efectuada por um watchdog. Por outro lado, o software deve ser fácil e adap- tado para diferentes tipos de apro- veitamentos. quer sejam equipados com geradores síncronos ou com geradores de indução, com ou sem bateria de condensadores, e para diversos tipos de lubrificaçao das chumaceiras.
Funções executadas pelo microcom- putador
o computador controla o con-
junto turbina-gerador. Nenhum outro equipamento convencional ou relé é fornecido que possa contro- lar o grupo se o microcomputador falhar. O controlo inclui:
• Sequênoias desenvolvidas do arranque e paragem.
372
• Comando e controlo automá- tico de todo o sistema do gru- po (funções de regulação, sis- temas de lubrificação das chu- maceiras, sistema de ventila- ção, etc.).
• Protecções da turbina c gera- dor. incluindo as funções de disparo dos próprios relés.
• A compilação, processamento e imagem de toda a informa- ção do grupo.
As funções referidas são porme- norizadas a seguir.
Sequências do arranque e paragem
Quando o microcomputador re- cebe o comando de arranque do grupo. automaticamente dá um conveniente comando às várias par- tes do Equipamento e executa as ordens necessárias até o gerador ser ligado à rede. O grupo pode arran- car localmente.
Do mesmo modo o microcompu- tador pára o grupo se recebe um comando local ou remoto.
Complementarmente o microcorn- pu tador pode ser parado se o nível
da água for demasiado baixo ou se houver defeito na rede ou no grupo.
Sistemas de comando e controlo automático do gerador
O esquema de princfpio está re- presentado na figura 3. O micro- computador executa todas as fun- ções de regulação e controlo indi- cadas a seguir.
Nível de regulação
Quando é seleccionado este modo de operação o microcomputador põe as pás da roda, o distribuidor ou a comporta em determinada
posição, de acordo com o caudal
c conserva o nível da água para aquele ponto.
O detector de nível colocado no canal dá a informação de nível ao microcomputador. O ciclo de regulação é bastante longo para ser sensível a oscilacões.J
Valor da potência
Quando esta grandeza for selec- cionada o microcomputador con-
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serva em posiçao estacionarra a po- sição das pás, o distribuidor ou a posição da comporta, conforme os casos relativamente aquele pon- to de equilíbrio. Este valor pode ser introduzido por comando local ou remoto. Este modo de operação é seleccionado quando existe mais de uma unidade na mesma central.
Sistema de manobra da comporta
No sistema da figura 3, em que há uma turbina kaplan com pás móveis, a comporta não é usada para regulação.
Neste caso ela deve estar inteira- mente aberta quando o grupo está a rodar e estar fechada quando houver algum disparo.
O microcomputador controla a comporta em tempo real. Se quan- do o grupo rodar a comporta de-
cair, o microcomputador dá ordem ao sistema de levantamento. Quan- do a comporta reabrir o microcom- putador pára com o sistema de le- vantamento. Se a comporta decair
e o sistema de levantamento da mesma falhar. o microcomputador ordena a paragem do grupo.
Sistema de pressurização de óleo O sistema de pressurização do óleo da figura 3 providencia a
pressão de comando do servomotor ra roda, do servomotor da com- porta e dos macacos de frenagem.
O microcomputador comanda as bombas e válvulas correspondentes.
ELECTRICID.4DE - N." 272 - NOVEMBRO 1990
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Fig. 3 - Esquema de princípio e sistema de controlo
Linha a traço-traço: comandos dados pelo computador
Linha a traço-ponto: sinais enviados pelos detectores para o computador
1 - Detector de nível
2 - Detector de posição da comporta de admissão
3 - Válvulas solenoides para comando da comporta
4 - Válvulas solenoides e servomotores para comando das pás da roda
5 - Termostatos e relés de pressão 6 - Termostatos e relés de pressão
Arrefecimento do óleo
Se a temperatura do óleo for demasiado alta o microcomputador arranca com o sistema de arrefeci- mento. Se a temperatura for dema- siado baixa o microcomputador li- ga as resistências de aquecimento que estão dentro do tanque de óleo.
Lubrificação das chumaceiras
A lubrificação das chumaceiras é feita com uma bomba que é con-
trolada pelo microcomputador de acordo com a velocidade do grupo.
7 - Detector de precisão das pás da roda
8 - Detectores de temperatura e de circulação de óleo
9 - Freio
10-Detector de temperatura do gerador 11 - Detector de velocidade do gerador 12 - Relés de pressao
13 - Relés de protecção electrica
Interligação com a unidade remota
Uma rede de transmissão de si- nais é fornecida para a instalação da unidade remota.
O microcomputador recebe da unidade remota os sinais que pre- cisa para o controlo da instalação.
Do mesmo modo o microcompu- tador aceita comandos da unidade remota.
Protecção da turbina e gerador
O microcomputador protege o grupo de acordo com os sinais que
recebe dos diferentes detectores:
transdutores de pressão, termo U)- tos, detector de velocidade. detec- tor de nível ou posição da com- porta, etc.
Complementarmente são usados relés convencionais de protecção para salvaguardar o gerador. r sro é para evitar alguma redução da capacidade de processo do micro- computador. c tambem por razões de segurança para detectar ra pida- mente algum defeito eléctrico que o microcomputador não tenha de- tectado.
Quando ocorre um defeito o mi- crocomputador recebe o sinal do relé ou detector correspondente.
ELf.CTRICIDADE -1\'." 272 - NO\lEJ\lBRO 1990 373
Assinatura anual (11 números) em 1991
Envie cheque ou vale de correio dirigido a
EDEL, Lda., Rua Dona Estefânia, 48 - 3.0 Esq. -1000 Lisboa
Então envia a ordem de disparo ao disjuntor e pára o grupo de
acordo com a sequência de arran- que e pa ragern.
Medidas
o microcomputador recebe, dos terminais dos transformadores de medida. os sinais do valor da cor- rente e da tensão. O microcompu- tador processa aqueles sinais e 1110S- tra em imagern os \ alores da cor- rente, tensão potência de saída e factor de potência.
Informações
O microcomputador dá informa- ção de dois modos acerca do grupo gerador: imagens no monitor e es- crita na impressora.
A impressora imprime cronolo- gicamente todos os alarmes, para- gens, arranques e disparos do gru- po. Quando o papel da impressora termina a informacãoJ é mernori- zada em rnernóri as com alimenta-
ção independente (tipo RAM).
374
o monitor contém 10 páginas
com a informação de alarmes, es- tado do grupo gerador incluindo as temperaturas das churnacciras. de- tector de velocidade, nível da água, posição da comporta, etc.. medidas de tensão, corrente, potência e fac- tor de potência do gerador; e valo- res de posição dos parâmetros de operaçao.-
'Outras funções
No caso do gerador síncrono, o microcomputador pode ser usado
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para a smcroruzaçao automanca corn a rede.
Após a sincronização o compu- tador pode controlar a tensão do gerador.
Detectores, equipamentos de interface e outros
sistemas
As características requeridas para os detectores e sistemas auxi- liares incluídas na automatização do sistema para pequenos aprovei- tamentos são:
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• Precisão.
• Imunidade.
• Baixa sensibilidade aos níveis de mistura, vibração e per-
turbação de alta frequência nas centrais hidroeléctricas.
• Adaptação para trabalhar em associação com o microcompu- tador (neste caso evita-se o equipamento de interface).
• Baixa manutencão._.
Conclusões
Os sistemas controlados por um sistema modular desenvolvido para pequenos aproveitamentos hidro- eléctricos inclui: comportas t turbi- nas com pás móveis: geradores de indução; multiplicador de veloci- dade; sistemas de turbina e gerador (lubrificação, regulação, ventilação, etc.): disjuntores, transformadores de potência: fontes auxiliares (d.c.
c a.c.) e bateria de condensadores.
Os projectistas têm tentado de- senvolver o sistema adequado para fácil aplicação nas pequenas cen- trais hidroeléctricas. •
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