DIGITALIZAÇÃO DE OBRAS DE ARTE:
DA REPRODUÇÃO À VISUALIZAÇÃO
São Paulo
2015
FERNANDA MARIA OLIVEIRA ARAUJO
DIGITALIZAÇÃO DE OBRAS DE ARTE:
da reprodução à visualização
Dissertação apresentada ao Programa de Pós- Graduação em Educação, Arte e História da Cultura da Universidade Presbiteriana Mackenzie, como requisito à obtenção de título de Mestre em Educação, Arte e História da Cultura.
ORIENTADORA: Prof
a. Dr
a. Jane de Almeida
São Paulo
2015
A658d Araujo, Fernanda Maria Oliveira
Digitalização de obras de arte: da reprodução à visualização / Fernanda Maria Oliveira Araujo – 2015.
133 f. : il. ; 30 cm.
Dissertação (Mestrado em Educação, Arte e História da Cultura) -‐ Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2015.
Referências bibliográficas: f. 120-‐125.
1. Digitalização de acervos 2. Imagens digitais 3. Coleções digitais I. Título
CDD 025.85
Dedico este trabalho aos meus amores Thiago Bianchi, Luke e Léia, meus companheiros de todas
as horas.
AGRADECIMENTOS
Aos meus pais Rubens e Heloisa, exemplo de honestidade, generosidade e respeito.
Aos meus irmãos, sobrinhos e agregados (que são como irmãos): Fá, Isa, Dani, João e Potó, Luiza, Matheus e Gabriel, Ricardo, Jr, Juliana e Talitha.
À minha orientadora Prof
a. Dr
a. Jane de Almeida, mente brilhante, incrivelmente dedicada, mais que uma orientadora, uma amiga e conselheira.
Ao Prof. Dr. Paulo César Garcez Marins que gentilmente aceitou fazer parte da banca e por horas tão valiosas dedicadas à leitura desta dissertação.
À Prof
a. Dr
a. Ingrid Hötte Ambrogi, brilhante, por seu apoio, carisma e dedicação.
À Prof
a. Dr
a. Silvana Seabra Hooper, um exemplo de elegância, por suas palavras de incentivo sempre tão bem colocadas.
À Prof
a. Dr
a. Denise Stringhini que valiosamente contribuiu ao desenvolvimento e consolidação desta dissertação.
Ao secretário Marlon D. Póvoas e ao coordenador Prof. Dr. Marcos Rizolli pelo apoio e disponibilidade.
Aos professores do Programa que contribuíram para o meu desenvolvimento como pesquisadora, especialmente Prof
a.Dr
a. Maria da Graça Mizukami, Prof
a.Dr
a. Regina Tancredi, Prof
a.Dr
a. Miriam Celeste, Prof
a.Dr
a. Petra Sanchez, Prof
a.Dr
a. Elcie Masini e Prof. Dr. Paulo Monteiro de Araujo.
Ao apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).
Ao Prof. Dr. Cícero Inácio da Silva pelas dicas sempre úteis.
Aos colegas de hoje e de ontem do Laboratório de Artes Cinemáticas e Visualização: Adriano Bisca, Wilson Ávilla, Vic, André Olson, Alfredo Luis Suppia, Prof
a. Dr
a. Mamélia, Luca Alverdi, Rogério Fratin, Patricia Gimenez, dentre outros.
Aos colegas de jornada acadêmica e amigos Breno Bitarello, Ana Carolina Moliterno e Paulo Mathias de Figueiredo Jr.
À Lizzy Jongma, data manager do Rijksmuseum que me inspirou e dedicou parte de seu tempo para me relatar sua experiência, sempre carismática e receptiva.
À minha treinadora e amiga Rosi Martinelli que no esporte me ensinou lições importantes para a vida.
Ao Dr. Carlos Mansur e Letícia Capriotti, meus guardiões.
..."A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê, já passaram-se 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado.
Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas.
Desta forma, eu digo: Não deixe de fazer algo que gosta, devido à falta de tempo, pois a única falta que terá, será desse tempo que infelizmente não voltará mais."
Mário Quintana
RESUMO
Esta dissertação propõe uma reflexão sobre a digitalização de acervos de obras de artes visuais, entendidos como coleções de objetos tradicionais da arte tais como pinturas, esculturas, gravuras e desenhos. A trajetória de digitalização desde a decisão da reprodução da obra de arte em um objeto digital à visualização dele em um ambiente virtual como a internet. Ao longo dos estudos observa-se que a digitalização de um acervo, independente de sua natureza, é mais que um processo técnico de conversão digital pois representa um processo estruturado e estratégico que impacta sistemicamente, funcionalmente e organizacionalmente a instituição que decide aderir às tecnologias digitais, ou seja, a digitalização de obras de artes visuais extrapola as questões inerentes à digitalização de documentos textuais praticados em bibliotecas, os objetos visuais (as obras de arte) com seus potenciais estéticos, devem ser pensados a partir de processos de reprodução e de visualização que considerem estes elementos, como através de interfaces esteticamente elaboradas que envolvam os usuários. Constata-se, ao final, que a transposição do papel da instituição museológica de “cuidadora” do patrimônio cultural da sociedade na qual está inserida para o de canal de democratização da informação e difusão do conhecimento mostra-se uma realidade, um caminho sem volta.
Palavras-chave: Digitalização de acervos, imagens digitais, coleções digitais
ABSTRACT
This dissertation proposes an analysis on the digitalization of visual artworks collections, understood as collections of traditional art’s objects such as paintings, sculptures, prints and drawings starting from the decision to reproduce this artwork in a digital object up to the final view on virtual environment as the internet. During the studies it is observed that a collection digitalization, regardless of its nature, is more than an ordinary digital conversion, requiring an structured process that impacts systemically, functionally and organizationally all levels of the institution that decides to adhere to digital technologies. Therefore, the artworks collections digitalization goes beyond the issues inherent to scan text documents widespread in libraries. The visual objects (artworks) with its aesthetic contextualization must be subject to reproduction and digitalization processes that consider its intrinsic elements and oriented interfaces to promote users experience. Eventually, the transposition of the museum institutions responsibility as cultural heritage curators of society to a relevant channel for the democratization of information and knowledge diffusion proves to be a reality, a new path with no return.
Keywords: Digitization, digital images, digital collections
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
I MAGEM 1 - III S EMINÁRIO I NTERNACIONAL A RQUIVOS DE M USEUS E P ESQUISA – H UMANIDADES E
I NTERFACES D IGITAIS (2013) 13
I MAGEM 2 - T ELA DA FICHA DE CATALOGAÇÃO DA OBRA S
ELF-P
ORTRAIT WITH THEC
OLOSSEUMR
OME16 I MAGEM 3 - P
ÁGINA DE APRESENTAÇÃO DA OBRAS
ELF-P
ORTRAIT WITH THEC
OLOSSEUMR
OME DISPONÍVELNA COLEÇÃO ONLINE DO
F
ITZW
ILLIAMM
USEUM. 17
I MAGEM 4 – E SCULTURAS DE A LBERTO G IACOMETTI APRESENTADAS EM ESCALA EM UMA GRADE COMUM E
INFORMAÇÕES BÁSICAS . 18
I MAGEM 5 - E SCULTURAS DE A LBERTO G IACOMETTI APRESENTADAS EM ESCALA EM UMA GRADE COMUM E
INFORMAÇÕES BÁSICAS . ( DESTAQUE ). 18
I MAGEM 6 - P LANO TÍPICO DE UMA PLANTA BAIXA DE UM MUSEU (S PENCER M USEUM OF A RT ) APRESENTADA
POR L EV M ANOVICH NO ENSAIO A T EORIA DOS N URBS . 19
I MAGEM 7 - D
IAGRAMA DAA
RTEM
ODERNA CRIADO PORB
ARR EM1935 20
I MAGEM 8 - A BORDAGEM HOLÍSTICA DA IMAGEM DIGITAL (M ANAGEMENT W HEEL FOR D IGITAL I MAGING
P ROGRAMAS ) 28
I MAGEM 9 - P LANEJAMENTO E STRATÉGICO 2014-2017 DO V AN G OGH M USEUM 31 I MAGEM 10 – P ÁGINA INICIAL DO NOVO SITE DO V AN G OGH M USEUM LANÇADO EM 2014 31 I MAGEM 11 - P ÁGINA P
LAN YOURV
ISIT DOV AN G OGH M USEUM ( DESTAQUE ÀS FOTOGRAFIAS DE VISITANTES )
32 I MAGEM 12 - I MAGEM DA OBRA T
HEP
OTATOE
ATERS“ BAIXADA ” DA COLEÇÃO DIGITAL DISPONÍVEL NO SITE DO
V AN G OGH M USEUM . 33
I MAGEM 13 – O DESENHO EM AQUARELA Y OUNG H ARE DE D ÜRER RARAMENTE EXPOSTA 35 I MAGEM 14 – R EFLEXOS NOS OLHOS DA Y OUNG H ARE (A LBRECHT D ÜRER ) PERCEPTÍVEIS ATRAVÉS DO Z OOM
DA OBRA EM ALTA RESOLUÇÃO DISPONIBILIZADA PELO G OOGLE A RT P ROJECT . 36 I MAGEM 15 – A OBRA N O W OMAN , N O C RY DE C HRIS O FILI DISPONÍVEL NO G OOGLE C ULTURAL I NSTITUTE .36
I MAGEM 16 – L ICENÇAS C REATIVE C OMMONS 40
I MAGEM 17 – C ADERNOS DE ESBOÇOS DE V ICENT V AN G OGH . 42
I MAGEM 18 - N
INETEENTH-C
ENTURYE
XHIBITIONP
ISTOLS EM DIFERENTES ÂNGULOS43
I MAGEM 19 – S TILL L IFE WITH C HECKED T ABLECLOTH , FRENTE . 44
I MAGEM 20 – S
TILLL
IFE WITHC
HECKEDT
ABLECLOTH, VERSO 44
I MAGEM 21 – V ALORES DE PIXELS COMBINADOS EM IMAGEM BITONAL 47
I MAGEM 22 - I MAGEM DE 2.400 PIXELS 48
I MAGEM 23 – A RQUIVO DE IMAGEM NÃO COMPACTADO 49
I MAGEM 24 - C ORES ADITIVAS RGB 52
I MAGEM 25 - C ORES SUBTRATIVAS CMYK 52
I MAGEM 26 - P ROFUNDIDADE DE BITS 53
I MAGEM 27 - M ETADADOS 55
I MAGEM 28 – O S DEZ MUSEUS MAIS VISITADOS EM 2011 SEGUNDO DADOS ESTATÍSTICOS DA PLATAFORMA
M
USEUM-A
NALYTICS. 64
I MAGEM 29 - O S DEZ WEBSITES DE MUSEUS MAIS VISITADOS EM 2011 64
I MAGEM 30 – E QUIPE DE PESQUISADORES DO M USEU DO P RADO 68
I MAGEM 31 - P ÁGINA PRINCIPAL DO SITE OFICIAL DO M USEU DO P RADO . 69
I MAGEM 32 - P ÁGINA PRINCIPAL DO SITE G OYA EN EL P RADO 70
I MAGEM 33 - V ISÃO PARCIAL DA PLANTA BAIXA DO M USEU DO P RADO 71
I MAGEM 34 – E SCULTURA A
POTEOSIS DEC
LAUDIO DA COLEÇÃO DIGITAL DOP RADO . 71 I MAGEM 35 – R ÉPLICA ( EM IMPRESSÃO 3D) DA OBRA L
AF
RAGUA DEV
ULCANO DEV ELASQUEZ . 72
I MAGEM 36 – P
LEASE,
TOUCH! 74
I MAGEM 37 – P RÉDIO P RINCIPAL DO M ETROPOLITAN M USEUM OF A RT 76
I MAGEM 38 - P ROFISSIONAL DO D EPARTAMENTO DE C ONSERVAÇÃO DE P APEL DO M ET EM ATIVIDADE . 77 I MAGEM 39 – E QUIPE DO M EDIA L AB NA H ACKATHON EM APRESENTAÇÃO DE DIGITALIZAÇÃO E IMPRESSÃO 3D
(J UNHO DE 2012) 78
I MAGEM 40 – T HE C OLLECTION O NLINE (A C OLEÇÃO O NLINE ) 78
I MAGEM 41 - C APTURA DA PÁGINA INICIAL DA C OLEÇÃO O NLINE EM 19 DE M ARÇO DE 2015 79 I MAGEM 42 - C APTURA DA PÁGINA INICIAL DA C OLEÇÃO O NLINE EM 26 DE M ARÇO DE 2015 79 I MAGEM 43 – I MAGEM DA COLEÇÃO DIGITAL DO M ET IDENTIFICADA PELA SIGLA OASC 80
I MAGEM 44 - M ET C OLLECTS 81
I MAGEM 45 – R ECENTE OBRA ADQUIRIDA PELO MET DISPONÍVEL NA SEÇÃO M ET C OLLECTS 81
I MAGEM 46 - O BRA APRESENTADA NA COLEÇÃO ONLINE 81
I MAGEM 47 - A PRESENTAÇÃO DA OBRA NO M ET C OLLECTS 82 I MAGEM 48 - E NTREVISTA COM O C URADOR DO D EPARTAMENTO DE A RTE A SIÁTICA 82
I MAGEM 49 – P ÁGINA INICIAL DO SITE DO M O MA 84
I MAGEM 50 – P ÁGINA INICIAL DA COLEÇÃO DIGITAL DO M O MA 84
I MAGEM 51 – O PÇÕES DE FILTRO PARA BUSCA NA COLEÇÃO DIGITAL DO M O MA 85
I MAGEM 52 – P ÁGINA DE APRESENTAÇÃO DA OBRA T
HED
UCHW
AVES DEJ ASPER J OHNS DA COLEÇÃO
DIGITAL DO M O MA 85
I MAGEM 53 – M O MA S TORE 86
I MAGEM 54 - W ILLIAM K ENTRIDGE – F IVE T HEMES (2010) 86
I MAGEM 55 – UBU AND THE PROCESSION 87
I MAGEM 56 – U BU T ELLS THE T RUTH (1996-1997) 88
I MAGEM 57 – M USEUS LIBERAM ACERVOS PARA DOWNLOAD 89
I MAGEM 58 – T ATUAGEM EM PAPEL FEITA DA COMPOSIÇÃO DE RECORTES DA OBRA S TILL L IFE F LOWERS IN A
G LASS V ASE 91
I MAGEM 59 – F ACHADA DO R IJKSMUSEUM , A MSTERDÃ (H OLANDA ) 92
I MAGEM 60 – P ÁGINA INICIAL DA COLEÇÃO DIGITAL DE V ERMEER (R IJKSMUSEUM ) 92
I MAGEM 61 - I MAGEM EM ALTA RESOLUÇÃO DISPONIBILIZADA VIA WEBTRANSFER . 93
I MAGEM 62 – B USCA POR COR E MATERIAL 94
I MAGEM 63 – O PÇÃO DE SALVAR ( COM OU SEM RECORTE ) UMA OBRA DA COLEÇÃO DIGITAL DO R IJKSMUSEUM
95
I MAGEM 64 – A RQUIVO BAIXADO DA COLEÇÃO DIGITAL DO R IJKSMUSEUM 95
I MAGEM 65 – R ECURSO M
AKE IT YOUR OWN DISPONIBILIZADO PELOR IJKSMUSEUM 96
I MAGEM 66 – C RIAÇÃO PREMIADA PELO R IJKSSTUDIO EM 2014. 97
I MAGEM 67 – E SQUEMA SIMPLIFICADO DA ESTRUTURA SISTÊMICA DO R IJKSMUSEUM 98
I MAGEM 68 - T HE P ROBLEM OF THE Y ELLOW M ILKMAID 101
I MAGEM 69 – P ÁGINA PRINCIPAL DO SITE DO M USEU DA P ESSOA 103
I MAGEM 70 – P ÁGINA P RINCIPAL DO M USEU A CASA DO O BJETO B RASILEIRO 103 I MAGEM 71 - C OMUNICADO PARA A IMPRESSA EMITIDO PELO M ETROPOLITAN M USEUM OF A RT NA OCASIÃO
DA “C OMPUTADORES E SUAS POTENCIAIS APLICAÇÕES EM MUSEUS ”. 109
I MAGEM 72 – C OMPARATIVO DO CENÁRIO MUSEOLÓGICO BRASILEIRO E CENÁRIO MUNDIAL EM RELAÇÃO AOS
AVANÇOS TECNOLÓGICOS . 112
I MAGEM 73 - A NUNCIO DA INAUGURAÇÃO DA HOMEPAGE DO M ET EM 1995. 113
I MAGEM 74 – A PRESENTAÇÃO VISUAL DAS COLEÇÕES DIGITAIS CATEGORIZADAS 118
LISTA DE TABELAS
T ABELA 1 – L ISTA DE INSTITUIÇÕES MUSEOLÓGICAS NACIONAIS E INTERNACIONAIS : 66 T ABELA 2 – A E VOLUÇÃO DA T ECNOLOGIA DA I NFORMAÇÃO E C OMUNICAÇÃO : AS INOVAÇÕES TECNOLÓGICAS ,
AS EMPRESAS DOMINANTES EM CADA PERÍODO E MODELOS DE NEGÓCIOS . 111
T ABELA 3 – C ATEGORIZAÇÃO DAS COLEÇÕES DIGITAIS 117
LISTA DE ABREVIATURAS
ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas ANSI American National Standards Institute AITF Art Infomation Task Force
DCA Digitizing Contemporary Art CCBB Centro Cultural Banco do Brasil
CDWA Categories for the Description of Works of Art
CNPq Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico IBM International Business Machines Corporation
IBRAM Instituto Brasileiro de Museus
FADGI Federal Agencies Digitalization Guidelines Initiative
FAPERJ Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro GRIPHOS Generalized Retrieval and Information Processing for Humanities Oriented Studies LSA Library Standards Alliance
MAC USP Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo MASP Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand
MCN Museum Computer Network MHN Museu Histórico Nacional MNBA Museu Nacional de Belas Artes
MoMA Museu de Arte Moderna de Nova Iorque
NHIR Sistema de Recuperação de Informação de História Natural NISO National Information Standards Organization
OASC Open Access for Scholarly Content
OEI Organização dos Estados Ibero-Americanos SCAM Sistema de Controle do Acervo Museológico SELGEM Self Generating Master
SIIRS Smithsonian Institution Information Retrieval System
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ... 13
CAPÍTULO 1 - DIGITALIZAÇÃO DE ACERVOS DE ARTES VISUAIS: DA REPRODUÇÃO À VISUALIZAÇÃO ... 27
1.1 Digitalização de acervos ... 27
1.2 Objetivos de digitalização ... 30
1.3 Direitos Autorais ... 37
1.4 Seleção ... 41
1.5 Análise ... 43
1.6 Preparação ... 45
1.7 Parâmetros de Qualidade ... 46
1.8 Metadados ... 54
1.9 Arquivamento ... 57
1.10 O acesso online ... 58
1.11 Recomendações e Melhores Práticas ... 59
CAPÍTULO 2 - COLEÇÕES DIGITAIS , O ACESSO SEM BARREIRAS ... 64
2.1 Museu Nacional do Prado ... 67
2.2 The Metropolian Museum of Art ... 76
2.3 MoMA ... 83
2.4 Rijksmuseum ... 88
CAPÍTULO 3 – UM PANORAMA BRASIL ... 102
3.1 Cenário museológico brasileiro ... 102
3.2 Um breve panorama internacional ... 108
REFERÊNCIAS ... 120
ANEXO ... 126
INTRODUÇÃO
A dissertação - Digitalização de obras de arte: da reprodução à visualização - teve seu título inspirado em um dos três eixos norteadores do III Seminário Internacional Arquivos de Museus e Pesquisa – Humanidades e Interfaces Digitais (imagem 1) que aconteceu na cidade de São Paulo nos dias 17 e 18 de setembro de 2013 no Sesc Consolação, quando, de acordo com a apresentação e programação da edição, especialistas brasileiros e de diversos países reuniram-se para:
[...] debater a apropriação e utilização de ferramentas e recursos digitais em museus e instituições culturais similares, cada vez mais necessários no cotidiano dos órgãos que preservam, pesquisam e disponibilizam acervos.
(SESC, 2013, [internet]).
Imagem 1 - III Seminário Internacional Arquivos de Museus e Pesquisa – Humanidades e Interfaces Digitais (2013)
Fonte: SESC (2013)
O Seminário, organizado pelo Grupo de Trabalho Arquivos de Museus e Pesquisa
1coordenado pela historiadora e curadora do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP) Prof
a. Dr
a. Ana Gonçalves Magalhães, foi estruturado segundo as frentes:
à SESC SP Arquivos de
Museus e Pesquisa Disponível em SESC SP http://www.sescsp.org.br/progr amacao/seminario/3017_III+S EMINARIO+INTERNACIONAL +ARQUIVOS+DE+MUSEUS+
E+PESQUISA acesso em 05 Abr.2015
1
O grupo de pesquisa Arquivos de Museus e Pesquisa
nasceu da reunião de profissionais da área de arquivologia, museologia, biblioteconomia,
conservação e curadoria de 12 instituições paulistanas, em 2010, para discussão do papel dos arquivos e das práticas de documentação dentro de instituições museológicas. Integram o GT: Coleções Palácios do Governo – Gabinete da Casa Civil, Fundação Bienal, Instituto de Estudos Brasileiros/USP, Museu de Arte Contemporânea/USP, Museu de Arte Moderna de São Paulo, Museu de Arte de São Paulo, Museu Paulista/USP, Pinacoteca do Estado de São Paulo e Serviço Social do Comércio – Sesc.
à Grupo de Trabalho
Arquivos de Museus e Pesquisa
Disponível em USP Digital https://uspdigital.usp.br/tych o/gruposPesquisaObter?cod igoGrupoPesquisa=0067608 7NIRY8K
acesso em 17 Abr. 2015
estratégias de comunicação em contextos digitais; acervos e coleções digitais: da reprodução do objeto à representação virtual;
sistemas de Informação e documentação: da estruturação do significado à estrutura da significação. (SESC, 2013, [internet]).
Dentre muitos assuntos abordados ao longo do Seminário - preocupações e tendências em normas de descrições arquivísticas, direitos autorais, integração de bases de dados, ambientes digitais, - a apresentação de Lizzy Jongma*, gestora de informações do museu Rijksmuseum sediado em Amsterdã (Holanda), intitulada “A arte da documentação, a coleção de informações do Rijksmuseum em um mundo aberto (conectado)”, foi a motivadora para os primeiros passos da pesquisa que consolidou-se nesta dissertação.
Na ocasião Lizzy Jongma compartilhou a experiência de digitalização do acervo do museu que por dez anos fechado para reforma (de 2003 a 2013) levou a instituição a procurar por novos meios para publicar, divulgar e compartilhar o acervo junto ao público. Após muitas experimentações com sistemas de computação, fotografia digital, implementação de estruturas de documentação e controle de qualidade, o resultado foi um dos maiores acervos digitais em alta resolução (mais de 200.000 obras de arte), acessível ao público e compartilhado com portais como o da biblioteca digital ARTstor
2, a Europeana
3e Fundação Wikimedia
4.
A experiência de digitalização do Rijksmuseum levou a algumas questões iniciais como: (1) A digitalização de acervos de obras de artes visuais entendidos como coleções de objetos tradicionais da arte tais como pinturas, esculturas, gravuras e desenhos dá-se de forma similar à digitalização de documentos textuais praticado em bibliotecas e arquivos? (2) Dá-se de forma processual em fases pré- estabelecidas e sequenciais? (3) Tem seu cerne na conversão digital e nos sistemas computacionais? (4) Implica em mudanças organizacionais e funcionais? Já a transformação da coleção digital do museu holandês em uma fonte de dados aberta, acessível para outros (público em geral) usarem, reusarem e se conectarem, trouxe à pesquisa o interesse investigatório (5) da transposição do papel da instituição museológica de “cuidadora” do patrimônio cultural sob sua guarda para o de “instrumento de democratização da
* LIzzy Jongma
Historiadora pela Universidade de Nijmegen (Países Baixos) e especialista em digitalização e apresentação online de patrimônio cultural. Gestora de dados do Departamento de Informação sobre as Coleções do Rijksmuseum, Amsterdã / Holanda.
2
ARTStor
Biblioteca digital com mais de 1,8 milhões de imagens em alta resolução de uma grande variedade de coleções de todo o mundo para o ensino e pesquisa. A fundação Andrew W, Mellon (Nova Iorque, EUA) criou o ARTstor no final da década de 1990.
à Disponível em ArtStor
http://www.artstor.org acesso em 17 Abr.2015.
3
Europeana
Portal na internet que atua como interface de milhões de livros, pinturas, filmes, objetos de museus, arquivos digitalizados na Europa Crida em 2008 pela Fundação Europena.
àDisponível em Europeana
http://www.europeana.eu/por tal/
acesso em 17 Abr.2015.
4
Wikimedia
Movimento global cuja missão é trazer conteúdo educacional gratuito ao mundo.
à Disponível em Wikimedia
https://www.wikimedia.org
acesso em 17 Abr.2015.
informação e difusão do conhecimento bem como (6) das possibilidades e rupturas na apresentação e visualização de seus acervos.
No decorrer da pesquisa observou-se que a digitalização de obras de artes visuais extrapola as questões inerentes à digitalização de documentos textuais, tanto na reprodutibilidade do objeto visual (a obra de arte) quanto na apresentação do objeto digital (a imagem digital) em ambiente virtual como a internet.
Segundo, o conhecido ensaio “A Obra de Arte na Era de sua Reprodutibilidade Técnica” (1936) de Walter Benjamin* “[...] a obra de arte sempre foi, por princípio, reprodutível...o que os homens fizeram sempre pode ser imitado por homens.” (BENJAMIN, 2014, p.13). Mas “[...] mesmo à mais perfeita reprodução falta um elemento: o aqui e agora da obra de arte – sua existência única no local onde se encontra”. (BENJAMIN, 2014, p. 17). Para o autor o que desaparece com a reprodutibilidade técnica é a aura da obra de arte, sua ocorrência única como “[...] em uma tarde de verão seguir os contornos de uma cordilheira no horizonte [...] isto é respirar a aura dessas montanhas ausente em uma reprodução fotográfica.”
(BENJAMIN, 2014, p. 29), mas pondera que a reprodução técnica pode colocar a cópia do original em situações que são intangíveis ao próprio original e na fotografia, por exemplo, acentuar aspectos do original acessíveis somente à lente.
A perda da aura da obra de arte com a reprodutibilidade técnica é um tema já muito debatido nas últimas décadas e não será foco do presente estudo mas sim os aspectos intangíveis ao original possíveis pela reprodução técnica, especialmente nos dias de hoje com os avanços das tecnologias digitais e possibilidades de visualização da informação.
Os objetos visuais, com seus potenciais estéticos, devem ser pensados a partir de processos de reprodução e de visualização que considerem estes elementos, como através de interfaces esteticamente elaboradas que envolvam os usuários, em particular as novas gerações, prontos para a inovação visual e à espera por rupturas na apresentação e visualização de dados.
* Walter Benjamin (1892 – 1940), ensaísta, crítico literário, filósofo e sociólogo alemão.
A Obra de Arte na Era de sua Reprodutibilidade
Técnica (1936)
Ao longo da pesquisa através da navegação em algumas coleções digitais de museus de artes visuais disponíveis na internet foi possível constatar que muitas das instituições museológicas, especialmente quando nas primeiras experiências com a tecnologia digital, apresentam os objetos digitais tão somente como são catalogados nos sistemas informacionais da instituição, na forma de um catálogo online, como é o caso da coleção digital do Museu Fitzwilliam, museu de arte e antiguidades da Universidade de Cambridge. Na imagem 2 tem-se a ficha catalográfica de uma obra da coleção do Museu Fitzwilliam. A imagem 3 logo a seguir apresenta a mesma obra na coleção digital disponível no site da instituição.
Imagem 2 - Tela da ficha de catalogação da obra
Self-Portrait with the Colosseum RomeFonte: Fitzwilliam Museum (2015)
imagem Identificação (controle interno do sistema
Dados da obra
Dados do autor
VISÃO ESQUEMÁTICA
Imagem 3 -
Página de apresentação da obra Self-Portrait with the Colosseum Rome disponível na coleção online do FitzWilliam Museum.Fonte: Fitzwilliam Museum (2015)
É possível observar na imagem 3 que a estrutura da ficha catalográfica é “transferida” para o ambiente virtual: uma imagem (thumbnail) da obra e informações básicas como autor, título, categoria, data de criação dentre outras.
Com ferramentas mais potentes e principalmente com o aumento da conexão (internet) em escolas e casas, os acervos têm migrado de sua simples possibilidade de armazenamento com uma interface amigável para possibilidades de conexões mais complexas e esteticamente pensadas.
Edward Tufte*, pioneiro em pesquisas no campo da visualização de dados, no livro Visual Explanation descreve estratégias
[...] para o adequado arranjo no espaço e no
à
Coleção digital do Fitzwilliam Museum Disponível em Fitzwilliam Museum
http://webapps.fitzmuseum.c am.ac.uk/explorer/index.php
?qu=ProductionSchool:britis h%20Colosseum&oid=1521 acesso em 08 Abr.2015.
imagem
Identificação (controle interno do sistema
Dados da obra
Dados do autor
VISÃO ESQUEMÁTICA
tempo de imagens, palavras e números - para a apresentação de informações sobre movimento, processo, mecanismo, causa e efeito. (TUFTE, 1997, p.10, tradução nossa).
Para Tufte, por exemplo, a “publicação de fotografias de obras de arte frequentemente falham na indicação dos tamanhos dos objetos originais” (TUFTE, 1997, p.17, tradução nossa). Para o autor as dimensões dos originais são reportados mas as escalas ficam sujeitas a conveniência e adequação ao layout de uma página ou tela de computador. Exemplifica como fator de escala constante o trabalho visual Thirteen Photographs: Alberto Giacometti and Sculptures do fotógrafo Herbert Matter* no qual as esculturas de Alberto Giacometti são apresentadas em escala em uma grade comum (imagem 4), com as informações títulos, datas e dimensões e visualização frente e verso nos itens 7, 8 e 9 (conforme imagens 5). O tamanho da visualização publicada por Herbert Matter é de 51 cm por 123 cm e as esculturas retratadas em 19% do tamanho das originais.
Imagem 4 – Esculturas de Alberto Giacometti apresentadas em escala em uma grade comum e informações básicas.
Fonte: Herbert Matter (1978)
Imagem 5 - Esculturas de Alberto Giacometti apresentadas em escala em uma grade comum e informações básicas. (destaque).
* Edward Tufte
Professor Emérito de ciência politica, estatística e ciência da computação na Universidade de Yale. É conhecido por seus escritos sobre design da informação e pioneiro no campo da visualização de dados.
Disponível em Edward Tufte http://www.edwardtufte.com/
tufte/ acesso em 26 Abr.2015.
Visual Explanations (1997)
* Herbert Matter (1907-1984)
foi um fotografo americano nascido na Suíça e designer gráfico conhecido pelo uso pioneiro de fotomontagem em arte comercial. Seu trabalho inovador e experimental ajudaram a moldar o vocabulário de
design gráfico do século 20.à Disponível em Hebert
Matter / Giacometti
http://herbertmatter.org/welc ome/giacometti
acesso em 02 Mai 2015
Fonte: Herbert Matter (1978)
Para Lev Manovich* um dos principais teóricos da cultura digital da atualidade o uso da imagem digital “deve tirar proveito das possibilidades da tecnologia e romper com a organização de seus temas em categorias discretas” (MANOVICH, 2011, [internet]) como por exemplo das plantas baixas de museus (imagem 6).
Livros e museus dedicados à arte, design, mídia entre outras áreas culturais continuam a organizar os seus temas em um pequeno número de categorias discretas: períodos, escolas artísticas, ismos, movimentos culturais. Os capítulos de um livro ou as salas da maioria dos museus atuam como divisores materiais entre essas categorias. Dessa forma, um
“organismo” cultural que evolui continuamente é colocado à força em caixas artificiais. (MANOVICH, 2011, [internet]).
Imagem 6 - Plano típico de uma planta baixa de um museu (Spencer Museum of Art) apresentada por Lev Manovich no ensaio a Teoria dos Nurbs.
Fonte: Teoria dos Nurbs (2011)
* Lev Manovich
Pesquisador na área de novas mídias, mídias digitais, design e estudos do software (software studies).
à Disponível em
LevManovich http://manovich.net/
acesso em 02 Mai 2015
Teoria dos Nurbs (2011)
à Disponível em:
http://lab.softwarestudies.com/
2011/11/teoria-dos-nurbs.html
acesso em 08 Abr.2015
Segundo Manovich as disciplinas de humanidades, museus e outras instituições culturais geralmente apresentam a cultura em termos de períodos contidos neles mesmos, que têm os seus focos em períodos estáveis – mais que em transições entre eles. O diagrama da evolução da arte moderna (imagem 7) criado por Alfred H. Barr*, fundador do MoMA em Nova Iorque por ocasião da exibição Cubism and Abstract Art (1935) que
mesmo fazendo uso de categorias discretas em seus fundamentos trata-se de uma evolução frente às padronizadas linhas de tempo da história da arte e das plantas baixas de museus, já que representa um processo cultural usando um gráfico em 2D. (MANOVICH, 2011, [internet]).
Os nomes (escolas, artistas, locais) e tipo de arte são mapeados em uma grade de tempo (de 1890 a 1935), o tamanho dos nomes variam segundo relevância similar aos nomes de cidades em mapas, as setas representam os caminhos causais (sempre unidirecionais) e as cores indicam influencia interna (em preto) e influencias externas (em vermelho) no Cubismo e na Arte Abstrata.
Imagem 7 - Diagrama da Arte Moderna criado por Barr em 1935
Fonte: Alfred H. Barr (1936), MoMA
Atualmente há muitas técnicas de visualização disponíveis. A necessidade das sociedades modernas e da ciência de analisar e administrar quantidades de dados cada vez maiores popularizou técnicas como gráficos de barras, gráficos de dispersão, histogramas, mapas temáticos 2D, árvores hiperbólicas, mapas de árvores dentre outras.
No final dos 1990 eclodiram as visualizações artísticas, a arte baseada em dados. A visualização de dados é geralmente vista como uma ferramenta para apoiar o raciocínio analítico sendo a visualização artística a visualização de dados feita com a intenção de fazer arte. (VIEGAS ; WATTENBERG, 2007).
No artigo Museum Without Walls, Art History Without Names:
Visualization Methods for Humanities and Media Studies (2012), Lev
Museum Wihout Walls, Art History Without Names:
Visualization Methods For Humanities and Media Studies. (2012)
à Disponível em:http://manovich.net/content/04 -projects/073-museum- without-walls-art-history- without-names-visualization- methods-for-humanities-and- media-studies/71-article- 2012.pdf
acesso em 12 Mai 2015.
* Robert Darnton
Historiador cultural americano,
Professor da Universidade
Harvard e Diretor da Biblioteca
Universitária. Pioneiro no
campo da história do livro e
especialista na França século
18.
Manovich afirma que “a visualização artística difere da visualização utilizada na ciência, em empresas e meios de comunicação em massa que usam a visualização funcionalmente, como um designer com o objetivo de representar os relacionamentos de determinados dados oferecidos pelo cliente sem qualquer declaração independente sobre o fato ao contrario das visualizações artísticas que deliberadamente visam fazer tais declarações”(MANOVICH, 2012, [internet]).
Independente da técnica empregada é desafio das instituições museológicas adequar-se as tecnologias digitais e propor estratégias de visualização coerentes que acrescentem o potencial estético das obras, além da complexidade do pensamento curatorial que porventura as tenha organizado anteriormente além da habilidade de proporcionar experiências online aos visitantes e pesquisadores de coleções de museus.
Como bem colocado por Robert Darnton*, historiador cultural americano, em The Research Library in the Digital Age a informação está explodindo tão furiosamente ao nosso redor e a tecnologia da informação mudando em velocidade tão espantosa que estamos todos diante de um problema fundamental que é: como fazer para nos orientar nesse novo cenário.
[...] o que será das bibliotecas de pesquisas diante de maravilhas tecnológicas como o Google as bibliotecas que nos anos 1950 procurada por estudantes pareciam fortalezas (citadels) de aprendizagem, conhecimento empacotado entre capas duras [...] que se lê em silencio, sem ruídos, sem comida e perturbações [...].
(DARNTON, 2008, p.7, tradução nossa).
Hoje os estudantes fazem suas pesquisas em computadores em seus quartos, “[...] o conhecimento vem online, enquanto a biblioteca é uma fortaleza, a internet é um espaço aberto [...].”(DARNTON, 2008, p.8, tradução nossa).
Os museus, assim como as bibliotecas são fortalezas protegidas por
seus muros e salas restritas, guardiões do patrimônio cultural que
diante das tecnologias digitais e da internet podem se sentir
ameaçados. O uso das tecnologias digitais “[...] para ativar, envolver
e transformar o patrimônio cultural é acompanhado por mudanças
na cultura organizacional e na prática das instituições carregadas de
seu cuidado.” (CAMERON, 2010, p.35, tradução nossa).
[...] discussões contemporâneas sobre o impacto das tecnologias em museus tendem a assumir posições radicais entre o mundo virtual e o mundo material [...] o mundo material evidencia a passagem do tempo, os sinais de poder através da acumulação, autoridade, conhecimento e privilégio. O virtual, por outro lado, é imediato, superficial, temporário, popular e democrático.
(CAMERON, 2010, p. 36).
Perder a “autoridade institucional” pode levar os museus a preocupações e resistências, explicitadas ou não, às novas tecnologias em detrimento de novas associações democráticas em torno dos museus. Ao longo da pesquisa foi possível perceber aberturas até então inéditas entre grandes museus e que positivamente estão trazendo resultados muito satisfatórios como o caso do Rijksmuseum citado anteriormente.
Esta dissertação com o intuito de colaborar com pesquisadores que tratam do tema ou que, como membros do corpo técnico de museus de arte, enfrentam os desafios e complexidades da informatização e da digitalização de seus acervos, (1) pretende oferecer um texto de alcance interdisciplinar, acessível e compreensível a perfis profissionais variados como de arquivistas, técnicos de sistemas, curadores e corpo diretivo de instituições museológicas, (2) através da compilação de bibliografia sobre constituição de coleções digitais, (3) no sentido de contribuir com o debate de caminhos para a visualização e democratização de dados, inclusive no contexto brasileiro.
Para se obter os resultados esperados, a pesquisa foi dividida em 4 frentes de trabalho: (1) estudo bibliográfico e estudo de recomendações e melhores práticas de digitalização de acervos; (2) observação de coleções digitais disponíveis em ambiente virtual (internet), das interfaces visuais e de iniciativas inovadoras; (3) levantamento da trajetória de digitalização da coleção do Rijksmuseum, dos desafios aos resultados positivos; (4) levantamento do cenário museológico brasileiro em relação ao cenário da informatização da gestão e digitalização de acervos.
(1) No estudo bibliográfico, buscou-se referenciais teóricos da
digitalização de acervos em geral de autores como Howard Besser, estudioso de preservação digital, bibliotecas digitais e preservação de filmes e vídeos, profundamente envolvido no desenvolvimento de padrões como o Dublin Core (que visa descrever objetos digitais), e Anne Kenney e Oya Rieger autoras do livro Moving theory into practice:
digital imaging for libraries and archives publicado em 2000 que representa uma importante referencia para instituições que decidem digitalizar seus acervos. O projeto Digitising Contemporary Art (DCA)
5que aconteceu entre os anos 2011 e 2013 e teve como objetivo digitalizar objetos de arte contemporânea – período pós 1945 – de 12 países europeus e torná-los acessíveis ao público geral através da Europeana, apesar de direcionado à arte contemporânea foi importante referencial para o levantamento do processo de digitalização de obras de artes. O estudo de recomendações e melhores práticas para construção de coleções digitais deu-se através do documento A Framework of Guidance for Building Good Digital Collections, 3a edição publicado em 2007 pela National Information Standards Organization (NISO).
(2) A observação de coleções digitais disponíveis em ambiente virtual, especificamente a internet, deu-se através da navegação, via browser Safari versão 6.0.5 e Google Chrome versão 41.0.2272.118, segundo critérios da descoberta, do acesso e do uso. Juntamente da observação das coleções digitais foi realizado estudo das interfaces visuais adotadas e iniciativas inovadoras via tecnologia digital.
(3) O levantamento da trajetória de digitalização do Rijksmuseum deu-se através de entrevistas concedidas por Lizzy Jongma e publicações/apresentações relacionadas ao tema.
(4) E por fim, para contextualização do cenário museológico nacional foram utilizadas as publicações do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM).
5 O projeto Digitising Contemporary Art (DCA)
foi realizado por um centro com sede em Bruxelas especializado em patrimônio cultural digital e apoiado financeiramente pela Comissão Europeia. A meta do projeto foi a reprodução em alta qualidade de 26.921 obras de arte, entre pinturas, fotografias, esculturas, vídeos e inclusive instalações, além de 1.857 documentos contextuais, para
disponibilização no portal
Europeana. O DCA garante que todo o conteúdo disponível está isento do pagamento de direitos de propriedade.
à Disponível em:
http://www.digitisingcontempor aryart.eu/ acesso em 05 Abr.2015.
à National Information
Standards Organization (NISO) Disponível em:
http://www.niso.org/publication s/rp/framework3.pdf acesso em 05 Abr.2015.
àIBRAM
Disponível em:
http://www.museus.gov.br/
acesso em 26 Abr.2015.
Os websites de instituições museológicas e de comunidades da museologia dedicadas ao estudo de novas práticas especialmente relacionadas às tecnologias e inovações foram também fonte de pesquisa deste estudo, como as políticas de digitalização/arquivamento e inovações em grandes museus têm sido divulgadas por meio de documentos online, apresentações em seminários, congressos e conferências como Museums and the Web - conferência anual que reúne a comunidade de instituições museológicas, webmasters, educadores, curadores, bibliotecários, designers, gerentes, diretores, acadêmicos, consultores, programadores, analistas, editores, dentre outros para debates em torno de ideias inovadoras e aplicações exemplares de práticas digitais.
Contribuíram às reflexões das possibilidades de visualização em museus as pesquisas conduzidas por Lev Manovich e Edward Tufte, e às reflexões em torno do conhecimento e da democratização da informação os consagrados autores Peter Burke* e Robert Darnton.
A dissertação foi dividida em três capítulos e considerações finais.
Com a subdivisão dos capítulos buscou-se distribuir o estudo bibliográfico do processo de digitalização de acervos no Capítulo 1 nomeado “Digitalização de acervos de artes visuais: da reprodução da obra de arte à visualização do objeto digital”; as atividades de observação das coleções digitais no Capítulo 2 “Coleções digitais, o acesso sem barreiras” e por fim o levantamento do cenário museológico brasileiro em relação ao uso e aos avanços das tecnologias no Capítulo 3 intitulado “O Panorama Brasil”.
No decorrer da pesquisa e elaboração desta dissertação, Lizzy Jongma contribuiu abertamente através de entrevistas por e-mail e da rede social orientada a negócios LinkedIn
6com informações do projeto de digitalização da coleção do museu, cobrindo desde os aspectos técnicos do projeto aos impactos na instituição, bem como às decisões em relação aos caminhos da disponibilização do conteúdo digital ao grande público.
A princípio, o terceiro capítulo seria dedicado ao estudo de caso do Museu de Arte de São Paulo – o Masp. Por ocasião das mudanças na diretoria da instituição em outubro de 2014 não foi possível a
à Museums and the Web
Disponível em:
http://www.museumsandthewe b.com/welcome-to-
museumsandtheweb-com/
acesso em 06 Abr.2015.
* Peter Burke Professor e historiador britânico.
Autor de Uma História Social do Conhecimento: de Gutenberg a Diderot, Uma História Social do Conhecimento II: da Enciclopédia a Wikipédia.
6
Rede social orientada a negócios
à Disponível em:
https://www.linkedin.com
acesso em 17 Abr.2015.
realização do estudo.
A pesquisa e dissertação estabeleceu-se, portanto, no levantamento e análise do processo de digitalização de acervos de artes visuais, entendidos como coleções de objetos tradicionais da arte tais como pinturas, esculturas, gravuras e desenhos, não contemplando o acervo da arte contemporânea bem como outras tipologias de acervos tais como: antropologia e etnografia, arqueologia, ciências naturais e história natural, ciência e tecnologia, história, imagem e som, biblioteconômico, documental, arquivístico e virtual.
Consolidando-se então como principal objetivo da pesquisa o
levantamento do processo de digitalização de acervos de artes
visuais: desde a decisão da reprodução da obra em um objeto digital
a representação deste em ambiente virtual. A análise da trajetória da
digitalização de obras de arte em museus de artes visuais em um
percurso que foi da captura da obra até a sua visualização em uma
interface online, perpassou (1) pelo mapeamento das características
e problemáticas do processo de digitalização através do estudo de
melhores práticas e recomendações disponibilizadas por órgãos
dedicados ao desenvolvimento, manutenção e publicação de
padrões técnicos que fornecem uma visão geral de alguns dos
principais componentes e atividades envolvidas na criação de
coleções digitais, e (2) pela reflexão das práticas de arquivamento e
visualização e de ações de democratização da informação e do
acesso sem barreiras.
CAPÍTULO 1 - DIGITALIZAÇÃO DE ACERVOS DE ARTES VISUAIS: DA REPRODUÇÃO À VISUALIZAÇÃO
1.1 Digitalização de acervos
As tecnologias digitais e a crescente popularidade do acesso à rede de computadores irrevogavelmente mudou a paisagem da informação. Hoje, a World Wide
Websuporta mais sites do que a Biblioteca do Congresso guarda livros, e o número de usuários da rede rivaliza com o número de usuários da biblioteca e leitores de jornais juntos.
(KENNEY e RIEGER, 2000, p.13)
No cenário de bibliotecas e arquivos a digitalização é debatida há pelo menos 20 anos, algumas importantes e consolidadas referências que datam dos anos 1990 e 2000 integram a bibliografia da presente pesquisa como o livro Moving theory into practice: digital imaging for libraries and archives publicado em 2000 por Anne Kenney e Oya Rieger, que propõe-se a desvendar e orientar o processo de digitalização e estimular o pensamento crítico para adequado alinhamento às estratégias da instituição. As autoras são pesquisadoras associadas à Cornell Universisty Library. Kenney é conhecida internacionalmente por seu trabalho pioneiro no desenvolvimento de normas para digitalização de materiais de bibliotecas que foram adaptadas por organizações ao redor do mundo, como a biblioteca digital JSTOR (Schorlarly Journal Archive).
Segundo as autoras, idealmente as decisões sobre a digitalização de bibliotecas e arquivos começam com (1) cuidadosa reflexão sobre seu público-alvo, (2) ampla consulta a profissionais referência – bibliotecários, especialistas em preservação, especialistas em tecnologia da informação, (3) minuciosa avaliação das condições físicas dos itens candidatos à digitalização, (4) bem como enriquecida constituição informacional dos itens selecionados os tornando rapidamente recuperáveis em um banco de dados.
As autoras, ainda, defendem uma abordagem holística
7da imagem digital. Cada estágio na vida de um acervo digital afeta o que vem
à Biblioteca Digital JSTOR
Disponível em:
http://www.jstor.org/
acesso em 09 Mai. 2015
7 Holística significa totalidade,
considerar o todo levando em
consideração as partes e suas
inter-relações.
depois, por exemplo, as decisões na seleção podem afetar as decisões que regem a digitalização que por sua vez podem afetar a capacidade de processamento (sistêmico) e estratégias de preservação.
A imagem 8 abaixo mostra a natureza orgânica da imagem digital com suas interdependências conectando metas, recursos e processos.
Coleções e usuários estão no centro do desenvolvimento de programas de digitalização e irradiam a partir deles os recursos institucionais, incluindo pessoal (staff), finanças (funds), infraestrutura técnica e física (technical and physical infraestruture), que são elementos limitadores ou fomentadores da digitalização. O círculo externo representa os processos - desde a seleção dos objetos a serem digitalizados (selection) a digitalização propriamente dita (digitization), dos parâmetros de qualidade (quality control) aos componente sistêmicos (system building), do acesso (access) à gestão (management) e preservação do objeto digital (preservation).
Imagem 8 - Abordagem holística da imagem digital (Management Wheel for Digital Imaging Programas)
Fonte: KENNEY e RIEGER, 2000, p.18
Um projeto de digitalização de artes visuais demanda naturalmente, assim como o da digitalização de documentos textuais, (1) o “olhar”
reflexivo da instituição museológica às demandas e expectativas de
seu público alvo, (2) o envolvimento de profissionais de tecnologia da informação e o engajamento das equipes de arquivistas, curadores, historiadores, restauradores e de pessoas chave do corpo estratégico da instituição ao longo de todo o processo, (3) o cuidadoso estudo de todo o acervo da instituição especialmente no que diz respeito às condições físicas dos objetos a serem manuseados e (4) qualidade informacional a se consolidar computacionalmente em dados recuperáveis.
Projetos, de qualquer natureza, são delimitados, isto é, possuem início e fim definidos, são planejados, executados e controlados, realizados por pessoas e em geral com recursos limitados. Um projeto de digitalização não é diferente, demanda organização e planejamento por parte da instituição e especialmente visão da existência de um posterior ciclo de vida do produto do projeto – a imagem digital e a coleção digital online. O planejamento é crucial para o sucesso de qualquer projeto, inclusive os pequenos projetos (MINERVA, Planning, 2008, p.20).
Segundo Stuart D. Lee em Digital Imaging: A Practical Handbook, outra importante referência dos anos 2000 que trata da digitalização de bibliotecas e arquivos, as condições nas quais um projeto de digitalização é demandado influenciará diretamente na habilidade para controlar todos os processos subsequentes. Quando um projeto de digitalização de um acervo, seja ele de documentos textuais ou de artes visuais, surge em resposta a uma requisição externa, a digitalização, segundo o autor, é chamada de digitalização reativa - por exemplo uma demanda generalizada (sem objetivos específicos) ou restrita demais oriunda de um financiamento externo. Por outro lado, quando a iniciativa parte da própria instituição por razões diversas podendo ser acesso, preservação, fonte de renda (através da venda das imagens digitais), proporcionado à instituição controle do processo e liberdade para selecionar os itens mais coerentes com os objetivos do projeto e estratégias institucionais é chamada digitalização proativa. Mesmo no contexto da digitalização proativa, segundo o autor, o projeto não deixa de ser um desafio, há inúmeros cuidados como moldar o programa de digitalização às necessidades dos usuários e lidar com o cherry-picking
8, que significa concentrar- se somente em “produtos premiados” ao avaliar e selecionar itens de uma coleção.
à MINERVA é uma organização
da União Europeia dedicada a digitalização dos conteúdos culturais e científicos.
Disponível em:
http://www.minervaeurope.org/
acesso em 20 Abr.2015.
8 cherry-picking: a tradução
literal é a colheita das cerejas.
O termo é utilizado para
referir-se a escolhas seletivas,
criteriosas.
O cerne de um projeto de digitalização de documentos textuais e de um projeto de digitalização de obras de artes não difere. Os passos para um projeto de digitalização, independente da natureza do acervo, podem ser organizados em um fluxo de trabalho no qual uma fase preparatória anterior a conversão digital trata (1) dos objetivos da digitalização, (2) das condições de direitos autorais, (3) da seleção, (4) análise e (5) preparação dos objetos a serem digitalizados e (6) da definição dos parâmetros de qualidade do processo técnico da digitalização. Já a garantia de (7) conteúdo informacional adequado e satisfatório para que o objeto digital seja encontrável, confiável e completo perpassa todo o fluxo de trabalho.
Por fim, (8) o arquivamento, (9) a disponibilização online do conteúdo e (10) posteriores cuidados de manutenção demandam decisões atreladas aos objetivos da digitalização.
Os passos acima descritos serão tratados a seguir nas seções: 1.1 objetivos da digitalização, 1.2 direitos autorais, 1.3 seleção, 1.4 análise, 1.5 preparação, 1.6 parâmetros de qualidade, 1.7 metadados
9, 1.8 arquivamento, 1.9 acesso online.
O que se observa ao longo do presente estudo é que a digitalização de obras de arte extrapola as questões inerentes à digitalização de documentos textuais especialmente em dois aspectos: (1) na reprodutibilidade do objeto visual (a obra de arte) e (2) na visualização do objeto digital (a imagem digital) em ambiente virtual como a internet. Isto por que, diferentemente de documentos textuais em que a maior preocupação é a legibilidade do objeto, os objetos visuais com seus potenciais estéticos devem ser pensados a partir de processos de reprodução e de visualização que considerem estes elementos, como a exibição William Kentridge – Five Themes que será tratada no Capítulo 2, em que o movimento e a improvisação característicos da obra de Kentridge são levados para a interface apresentada pelo MoMA em seu website.
1.2 Objetivos de digitalização
Uma das primeiras ações da instituição que deseja digitalizar sua coleção é clarificar as razões para um projeto desta natureza. Como já
9
metadados serão tratados na
seção 1.7, clarificando o termo
por hora, metadados estão
diretamente ligados ao
conteúdo informacional de
cada obra de arte.
mencionado as motivações devem estar alinhadas às estratégias da instituição, isto é, alinhadas ao plano estratégico da instituição. O planejamento estratégico de um museu assim como de instituições de qualquer natureza, é um recurso gerencial de formulação de objetivos para seleção de programas de ação e execução levando em conta as condições internas e externas à instituição e seu crescimento e evolução esperados. Representa um guia para as políticas e atividades da instituição durante período estipulado.
Consta no Planejamento Estratégico - de 2014 a 2017 - do Van Gogh Museum (imagem 9) por exemplo, o desenvolvimento de uma nova estratégia web projetada para ajudar o museu a atingir um público mais amplo e melhorar a relação com o cliente, aspirando dobrar a quantidade atual de visitantes digitais até 2017.
Imagem 9 - Planejamento Estratégico 2014-2017 do Van Gogh Museum
Fonte: Van Gogh Museum (2014)
O Van Gogh Museum lançou o primeiro website em 1999, teve um sucessor em 2006, quando ultrapassado em funcionalidades, conteúdo e tecnologia já não refletia mais a identidade e missão da instituição, o museu lançou em agosto de 2014 segundo Plano Estratégico 2014 – 2017, o novo site redesenhado. A imagem 10 mostra a página inicial do novo site do Van Gogh Museum.
Imagem 10 – Página inicial do novo site do Van Gogh Museum lançado em 2014
Fonte: Van Gogh Museum (2014)
Segundo dados apresentados na Conferência Museums and the Web 2015, que aconteceu em Chicago (EUA) entre os dia 08 e 11 de abril, todos os anos o Van Gogh Museum atrai cerca de 1,5 milhões de visitantes, dos quais 85% vêm do exterior, e isso se reflete nas análise do site: o inglês é a configuração de idioma mais comum, seguido pelo holandês, italiano, português, francês, alemão e espanhol. Ainda, as análises mostraram que a maioria dos visitantes do site vêm ao local para planejar a visita (física) ao museu, ou estão à procura de informações sobre Vincent van Gogh e desejam visualizar suas obras.
Com base em levantamentos como o citado anteriormente o novo site foi reformulado para: apresentar ao visitante recursos eficientes para o planejamento da visita ao museu, e proporcionar completa narrativa sobre a vida e a obra Vincent van Gogh de forma visual e intuitiva. Os visitantes do site e seguidores em mídias sociais têm ajudado a decidir quais temas das histórias serão abordados no próximo período. Alguns dos temas já mapeados a serem desenvolvidas são:
o que inspirou Van Gogh, como Van Gogh inspirou outros artistas e quais os mitos que o cercam. O design do site agora reflete o design corporativo, que foi lançado em 2011, não só no que diz respeito ao tipo de letra e o uso da cor mas também no desenvolvimento de novas diretrizes para textos e fotografia, como por exemplo fotos de visitantes no museu e durante atividades que reflitam a identidade da marca do museu. A imagem 11 apresenta a página Plan your Visit do museu que faz uso das fotos do museu e seus visitantes.
Imagem 11 - Página Plan your Visit do Van Gogh Museum (destaque às fotografias de visitantes)
à Website do Van Gogh
Museum Disponível em:
http://www.vangoghmuseum.nl
/ acesso em 15 Mai. 2015
Fonte: Van Gogh Museum (2014)
A coleção é hoje amplamente acessível, com imagens em tela cheia que também podem ser “baixadas” (isto é, pode ser feito o download) e compartilhados nas redes sociais. A busca por obras estão também integradas as histórias, o que permite que os visitantes entrem, naveguem e aprendam sobre a coleção. Abaixo na imagem 12 , a obra The Potato Eaters “baixada” do site do museu.
Imagem 12 - Imagem da obra
The Potato Eaters “baixada” da coleção digitaldisponível no site do Van Gogh Museum.
Fonte: Van Gogh Museum (2014)
Após seis meses do lançamento do novo site (de agosto de 2014 a janeiro de 2015), foram apresentados na Conferencia Museums and the Web 2015, os seguintes resultados em comparação com o mesmo período do ano anterior (de agosto de 2013 a janeiro de 2014):
A visualização de páginas aumentou em 51,6%
à Plan Your Visit