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CURITIBA 2017

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CURITIBA 2017

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ

THIAGO DE OLIVEIRA RIBEIRO

A IDENTIDADE PARANAENSE IMPRESSA NAS CALÇADAS EM PETIT- PAVÉ DE CURITIBA E SEU POTENCIAL TURÍSTICO

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CURITIBA 2017

THIAGO DE OLIVEIRA RIBEIRO

A IDENTIDADE PARANAENSE IMPRESSA NAS CALÇADAS EM PETIT- PAVÉ DE CURITIBA E SEU POTENCIAL TURÍSTICO

Projeto de Planejamento e Gestão em Turismo apresentado como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Turismo, do curso de Turismo, do Setor de Ciências Humanas, da Universidade Federal do Paraná.

Orientador: Profa. Dra. Letícia Bartoszeck Nitsche.

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LISTA DE ILUSTRAÇÕES

FIGURA 1 – O SEMEADOR, DE ZACO PARANÁ...20

FIGURA 2 – AMOR ETERNO, DE ZACO PARANÁ ...21

FIGURA 3 – TIPOS DE CALÇAMENTO DA REGIÃO CENTRAL ...23

FIGURA 4 – ÁREA DELIMITADA PARA ANÁLISE... 23

FIGURA 5 – CALÇAMENTO DA PRAÇA JOÃO CÂNDIDO COM MOTIVAÇÃO PARANISTA... 24

FIGURA 6 – CALÇAMENTO DA PRAÇA JOÃO CÂNDIDO COM MOTIVAÇÃO PARANISTA... 25

FIGURA 7 – CALÇAMENTO DA PRAÇA JOÃO CÂNDIDO COM MOTIVAÇÃO INDÍGENA... 26

FIGURA 8 – CALÇAMENTO DA PRAÇA JOÃO CÂNDIDO COM MOTIVAÇÃO INDÍGENA... 26

FIGURA 9 – CALÇAMENTO DA PRAÇA GARIBALDI COM MOTIVAÇÃO PORTUGUESA... 27

FIGURA 10 – PÉ-DE-MOLEQUE, NA RUA MATEUS LEME... 28

FIGURA 11 – MATACÃO, NA RUA MATEUS LEME... 28

FIGURA 12 – ART NOUVEAU, PRAÇA GARIBALDI... 30

FIGURA 13 – ART DÉCO, PRAÇA GARIBALDI... 31

FIGURA 14 – CONSERVAÇÃO DA PRAÇA TIRADENTES... 39

FIGURA 15 – CONSERVAÇÃO DO LARGO DA ORDEM... 40

FIGURA 16 – CONSERVAÇÃO DA PRAÇA GARIBALDI... 40

FIGURA 17 – CONSERVAÇÃO DA PRAÇA JOÃO CÂNDIDO... 41

FIGURA 18 – SINALIZAÇÃO EM REFERÊNCIA ÀS CALÇADAS EM PETIT- PAVÉ... 42

FIGURA 19 – TIPO DE ARTE ENCONTRADA... 43

FIGURA 20 – DESLOCAMENTO PARA CONHECER OUTRAS CALÇADAS... 44

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FIGURA 21 – TELA INICIAL DO APLICATIVO... 55

FIGURA 22 – ÍCONE DA INTRODUÇÃO... 56

FIGURA 23 – MAPA GPS DO APLICATIVO... 57

FIGURA 24 – ABA DESENHOS... 58

FIGURA 25 – ABA DESENHOS PRAÇA GARIBALDI... 59

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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO…...……... 5

2 MARCO TEÓRICO………...………...……...…… 8

2.1 DO TURISMO CULTURAL AO TURISMO NO MEIO URBANO: UMA CONTEXTUALIZAÇÃO DAS CALÇADAS... 8

2.1.1 O TURISMO CULTURAL....………... 8

2.1.2 O TURISMO CULTURAL NO MEIO URBANO E O PETIT-PAVÉ NAS CALÇADAS DE CURITIBA... 13

2.2 O CONTEXTO HISTÓRICO PARANAENSE COMO TEMA RETRATADO NAS CALÇADAS DE CURITIBA... 15

2.2.1 PARANISMO... 18

2.3 DELIMITAÇÃO DA ÁREA PESQUISADA... 21

2.4 TEMAS RETRATADOS NAS CALÇADAS DELIMITADAS... 24

2.4.1 PARANISTA... 24

2.4.2 INDÍGENA... 25

2.4.3 PORTUGUESA... 27

2.4.4 ART NOUVEAU... 29

2.4.5 ART DÉCO... 30

2.5 INTERPRETAR PARA PRESERVAR... 32

3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS... 35

4. ANÁLISE DOS RESULTADOS DA PESQUISA... 38

5 PROJETO DE TURISMO: TURISMO NAS CALÇADAS DE CURITIBA... 51

5.1 DESCRIÇÃO DO PROJETO... 51

5.2 EXECUÇÃO DO PROJETO... 52

5.2.1 ETAPAS PARA A EXECUÇÃO DO PROJETO... 52

5.2.2 DESCRIÇÃO DOS RECURSOS HUMANOS ENVOLVIDOS EM CADA ETAPA... 53

5.2.3 DESCRIÇÃO DO ORÇAMENTO E DOS DESEMBOLSOS POR ETAPA... 53

5.2.4 AVALIAÇÃO DO RETORNO DO INVESTIMENTO... 54

5.3 ARTE GRÁFICA DO APLICATIVO... 54

5.3.1 LAYOUT DO APLICATIVO... 54

5.3.2 TEXTOS E ÁUDIOS SUGERIDOS PARA O APLICATIVO... 59

6. CRONOGRAMA DE EXECUÇÃO DO PROJETO DE TURISMO... 63

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7. CONSIDERAÇÕES FINAIS... 64 REFERÊNCIAS... 66 APÊNDICE I – PESQUISA DE CAMPO... 70 APÊNDICE II – FORMULÁRIO DE AVALIAÇÃO DA ÁREA

DELIMITADA... 71 APÊNDICE III... 75 ANEXO – IMAGEM DO FOLDER CURTA CURITIBA A PÉ... 78

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1. I NTRODUÇÃO

A atividade turística é um fenômeno humano que se relaciona a viagens com idas a locais além da sua região de residência habitual, de forma temporária (IGNARRA, 2013), por diversos motivos, como lazer, descanso, religioso, negócios e saúde, não havendo atividade remunerada. (BARRETO, 2008). Em complemento ao termo “turismo”, Santos (2010) diz que a palavra vem do francês “tourisme” e

“touriste”, e adiciona que:

O turismo constitui-se fundamentalmente como um conjunto de técnicas baseadas em princípios científicos com o objetivo de prestar uma série de serviços a pessoas que intencionam aproveitar o tempo livre para viajar, denominadas turistas ou excursionistas. Esse tempo disponível para o lazer, fins de semana, férias, feriados prolongados, termina por incentivar um grande número de pessoas a aderir ao turismo como uma necessidade vital para a qualidade de vida. (SANTOS, 2010, p. 13)

O turismo proporciona benefícios cujo alcance vai além da percepção do turista, sendo apreciados por aqueles que analisam a atividade em um contexto mais abrangente. Nessa direção, a definição de turismo por De La Torre (1992, p.19, apud BARRETO, 2008, p. 13) apresenta, ao seu final, a dimensão da atividade:

O turismo é um fenômeno social que consiste no deslocamento voluntário e temporário de indivíduos ou grupos de pessoas que, fundamentalmente por motivos de recreação, descanso, cultura ou saúde, saem do seu local de residência habitual para outro, no qual não exercem nenhuma atividade lucrativa nem remunerada, gerando múltiplas inter-relações de importância social, econômica e cultural.

A partir desse contexto, a cidade de Curitiba contribui para o desenvolvimento do turismo nacional, uma vez que possui órgãos gestores do turismo, produtos específicos e serviços elaborados para atender a demanda turística. Dentre os diversos patrimônios da cidade, estão as calçadas históricas em petit-pavé que registram momentos de sua história através de seus desenhos e da arte da calcetaria além de contribuírem para o fortalecimento da identidade paranaense. As marcas que representam essa identidade, ao longo da história, estão expressas nos costumes, nas vestimentas, na origem familiar, nas artes, nos transportes, na arquitetura, entre outros, e, com o tempo, algumas dessas manifestações podem cair no esquecimento e perder sua importância turística, mesmo com o convívio diário. Sendo assim, o objeto de estudo deste Projeto de Planejamento e Gestão em Turismo são as

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calçadas históricas em petit-pavé de Curitiba. A análise ocorrerá a partir do destaque de seu potencial turístico, com atenção particular a determinada área – praça Tiradentes, Largo da Ordem, praça Garibaldi e praça João Cândido – que será recortada para análise aproximada, a fim de que se verifique a possibilidade de utilizar as calçadas como atrativo turístico, fomentando o turismo histórico e cultural em Curitiba.

As calçadas de Curitiba têm valor funcional, histórico e para o turismo, porém, no último caso, as atividades existentes nas mesmas parecem não extrair todo o seu potencial turístico e, aparentemente, há um descaso quanto à sua manutenção física e em relação aos elementos turísticos de apoio (placas, painéis, etc.) que fazem referência a elas, pois são inexistentes. Surgiu, assim, a partir destas suposições, o seguinte problema: as calçadas em petit-pavé estão sendo aproveitadas como atrativo turístico? Este trabalho, portanto, pretende verificar duas hipóteses: 1. a de que o potencial turístico das calçadas não está sendo explorado e 2. a de que os turistas da cidade de Curitiba não conhecem as motivações e a representatividade dos desenhos das calçadas históricas em petit-pavé.

Uma visita ao local mencionado foi realizada para averiguar as condições físicas, para fazer os registros das calçadas e observar o relacionamento com os atrativos do entorno no trecho determinado previamente. E , por último, foram aplicados questionários aos turistas, abordando os transeuntes da área delimitada e considerando apenas os que se apresentaram como turistas. A intenção desta seleção de entrevistados foi descobrir suas opiniões sobre a conservação das calçadas do local determinado, se perceberam sinalização referente às calçadas das áreas determinadas e o nível de conhecimento destes sobre as motivações encontradas nas calçadas em petit-pavé – esses dados fornecerão base para análise de possibilidade de aproveitamento turístico das calçadas. O questionário aplicado se encontra no campo “Apêndices”.

O objetivo geral do trabalho é identificar o potencial turístico das calçadas históricas em petit-pavé, tendo em vista a sua preservação material e a valorização dos símbolos paranaenses. Portanto, foram elaborados os seguintes objetivos específicos:

1. Investigar a origem dos desenhos encontrados nas calçadas selecionadas de petit-pavé de Curitiba;

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2. Verificar o estado de conservação das calçadas delimitadas pela pesquisa;

3. Identificar a relação das calçadas com atrativos turísticos em seu entorno;

4. Elaborar uma proposta que valorize o turismo aliado a identidade paranaense, dando ênfase à importância histórica das calçadas.

Após a análise dos dados pesquisados, foi elaborada uma proposta para desenvolver o potencial turístico das calçadas históricas em petit-pavé. A proposta se caracteriza em um aplicativo para celulares do tipo smartphone, chamado “Calçadas de Curitiba”, que pode ser acessado pelo celular e que fornecerá informações turísticas sobre as calçadas em petit-pavé dos seguintes locais: Praça Tiradentes, Largo da Ordem, Praça Garibaldi e Praça João Cândido. O conteúdo do aplicativo se apresenta em ícones, onde cada ícone reunirá informações das calçadas e dos atrativos de cada um dos locais, com imagem, texto e áudio, em um total de seis ícones.

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2. MARCO TEÓRICO

Primeiramente, será apresentada uma contextualização das calçadas em petit-pavé dentro do segmento do turismo cultural, relacionando-o ao turismo urbano;

será tratado ainda da definição do que é cultura e sua ligação com o turismo; será feita, inclusive, uma análise do vínculo entre a história de um povo à identidade e à cultura. A definição do turismo cultural se faz necessária para que se compreenda o contexto do objeto de estudo e suas características, além das influências que este segmento gera na organização do turismo. Após, serão feitas considerações sobre o turismo urbano e sua ambientação em relação ao turismo cultural e suas características específicas. No tópico seguinte serão apresentadas as tipologias de desenhos das calçadas e também será enfatizado o contexto histórico paranaense como tema retratado nas calçadas, destacando o movimento paranista, e terminará com um tópico sobre a importância da interpretação das calçadas para sua preservação .

2.1 DO TURISMO CULTURAL AO TURISMO NO MEIO URBANO:

UMA CONTEXTUALIZAÇÃO DAS CALÇADAS.

2.1.1 O TURISMO CULTURAL

As calçadas, pelos seus registros e motivações, estão contidas no contexto do Turismo Cultural e se torna necessário conhecer este segmento para compreender melhor a utilização das calçadas em um contexto turístico. A palavra “cultura” é utilizada para representar os diversos conhecimentos humanos adquiridos ao longo do tempo e por diferentes motivações; ela se faz intimista ao mesmo tempo em que se relaciona a grandes grupos e retrata a sabedoria e fazeres de grandes povos.

(MENESES, 2006). Desse modo, os aprendizados e todo conhecimento que um povo possui estão muito próximos à história de sua comunidade, que por sua vez se configura na base de sua cultura e representa o pilar para a construção e manutenção de sua identidade. (MENESES, 2006). A identidade tem na memória o meio pelo qual suas características são concebidas e transformadas ao longo do tempo – ela está unida à história em uma relação íntima, conforme apresentam Pereira e Freire (2002, p. 125):

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[...]a memória é, portanto, um elemento constitutivo da identidade, tanto coletiva quanto individual, e elemento importante para o reconhecimento e a valorização de indivíduos ou grupos, agindo para reforçar sua auto-estima

Para Souza (2008), cultura é toda produção do homem originada no espaço em que vive, onde se entende que o crescimento e o desenvolvimento da cultura são a expansão do homem e do entendimento que ele tem a respeito de si próprio e sobre os que o cercam. A cultura, “abordada em sua perspectiva histórica, é um fenômeno ou uma prática social que revela como os humanos se relacionam formando uma complexa teia de relações sociais”. (SOUZA, 2008, p. 158).

Essa formação da identidade é feita por indivíduos distintos e é um ato dinâmico, em que existe uma relação contínua entre o que se vive e aprende e o que se vive e transmite a outro. (OLIVEIRA, [201-]). Pollak (1992, p. 201) corrobora essa dinamicidade quando diz que a memória é “um fenômeno construído coletivamente e submetido a flutuações, transformações, mudanças constantes”. Pode ser percebida, portanto, a afinidade entre a história e a concepção da identidade de um povo, que constrói seus traços e comportamentos e que é considerada, por conseguinte, sua cultura. Diante disso, torna-se claro a existência de uma memória individual, considerando sua diversidade de percepções, e outra coletiva, composta pelas memórias individuais diversas – mas baseada em um consenso de aceitação do grupo. Em concordância, Pollak (1992, p. 204, grifo do autor) diz:

[...]podemos, portanto, dizer que a memória é um elemento constituinte do sentimento de identidade, tanto individual como coletiva, na medida em que ela é também um fator extremamente importante do sentimento de continuidade e de coerência de uma pessoa ou de um grupo em sua construção em si [...] A construção da identidade é um fenômeno que se produz em referência aos outros, em referência aos critérios de aceitabilidade, de admissibilidade, de credibilidade, e que se faz por meio de negociação direta com outros.

Em complemento sobre a proximidade da história à identidade e à cultura de um povo, Pereira e Freire (2002) informam que, nas últimas décadas do século XX, o mundo se interessou pela história de maneira geral e que as motivações que estimularam esse despertar são a rapidez com que as sociedades têm experimentado transformações, ocasionadas pela globalização e revolução tecnológica, e, como consequência, o abalo sobre a construção da identidade, coletiva ou individual. Os autores continuam relatando que o resultado dessas rápidas mudanças é a sensação

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de perda do que o passado significa, de que se está perdendo a origem (raiz), culminando na busca do passado para restabelecer a identidade.

Por conseguinte, fica entendido que o segmento do Turismo Cultural tem como material de trabalho o patrimônio cultural de uma sociedade e o artigo 216, da Constituição Federal (BRASIL, 1988), define o que é patrimônio cultural:

Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem:

I – as formas de expressão;

II – os modos de criar, fazer e viver;

III – as criações científicas, artísticas e tecnológicas;

IV – as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais;

V – os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico.

O Ministério do Turismo (2006, p. 13), na sua publicação intitulada Marcos Conceituais na segmentação do Turismo, apresenta o seguinte conceito:

[...] turismo cultural compreende as atividades turísticas relacionadas à vivência do conjunto de elementos significativos do patrimônio histórico e cultural e dos eventos culturais, valorizando e promovendo os bens materiais e imateriais da cultura.

Aqui, é abordado o conceito de bens materiais e imateriais, sendo de natureza material, por exemplo, sítios arqueológicos, e imaterial, como as formas de expressão e habilidades. (MINISTÉRIO DO TURISMO, 2013).

A cultura, para Köhler e Durand (2007, p. 187), é o produto da soma das atividades expressas nas artes e cultura, sendo materiais ou imateriais, e também se refere à maneira de viver de uma comunidade. O turismo cultural pode ser delimitado

“a partir da demanda (motivos, percepções e experiências de viagem)”. (KÖHLER;

DURAND, 2007, p. 187) e da “oferta (consumo de atrações previamente classificadas como culturais)”. (KÖHLER; DURAND, 2007, p. 187). No primeiro caso, as definições dependem de cada turista: suas expectativas, sua bagagem em viagens, suas experiências anteriores – é a partir do turista que o turismo vai ser classificado como cultural. Segundo os autores, essa visão variada de categorização dificulta a padronização do que pode ser ou não turismo cultural, mas tem como ponto positiva possibilidade de ter interpretações variadas para o mesmo atrativo. O que move o

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visitante para um atrativo cultural é a vontade de vivenciar o local através de uma visita a algum patrimônio construído ou mesmo a simples observação de comportamento das pessoas locais. (KÖHLER; DURAND, 2007). No segundo caso, na classificação do turismo cultural a partir da oferta, as bases das definições se apresentam a partir das ofertas tidas previamente como culturais (centros históricos, museus, festivais); nota-se, que são as ofertas pré-estabelecidas como culturais que vão determinar se certo atrativo é cultural. (KÖHLER; DURAND, 2007).

A teoria do turismo cultural não apresenta toda a organização e logística envolvida para a realização desse segmento, mas há diversas atividades necessárias para se montar a estrutura da atividade e proporcionar essa interação com os turistas.

Essa coordenação pode ser compreendida através da análise dos serviços possíveis de serem utilizados pelos turistas numa viagem, e assim melhorar a compreensão sobre a abrangência das atividades envolvidas.

Essas atividades, por sua vez, estão inseridas em todo o processo pelo qual o turista passa durante a aquisição de um serviço ou produto turístico: hospedagem, transporte, alimentação, entretenimento, entre outros. (MINISTÉRIO DO TURISMO, 2010). As estruturas do ambiente e dos serviços oferecidos são planejadas de acordo com o segmento do turismo, no caso, o cultural, podendo ser incorporadas características culturais locais nos equipamentos e serviços ofertados, utilizando- se dos elementos culturais para promover o empreendimento e desenvolver produtos: especialização na gastronomia local, equipamentos caracterizados com particularidades regionais, etc. (MINISTÉRIO DO TURISMO, 2010).

Sabendo-se das ações das organizações que concorrem para a realização do turismo cultural, compreende-se os tipos de turismo cultural que são encontrados.

Esses tipos de turismo estão incluídos no turismo cultural, mas classificados em campos de interesse mais específico. Dentre os tipos de turismo cultural, há o Turismo Cívico, que ocorre pelos deslocamentos estimulados pela ciência de atrativos, pela oportunidade de rememorar um acontecimento e pelo envolvimento em eventos cívicos (MINISTÉRIO DO TURISMO, 2010). Nesse caso, o turista se sente atraído por construções ou obras, ou mesmo ações – no caso de eventos cívicos -, que os levam a momentos históricos referentes a pátria e, no contato com esse tipo de destino, passa a compreender o contexto daquele acontecimento, as motivações, detalhes de suas particularidades.

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Dentro do turismo cultural é encontrado também o Turismo Religioso, que se caracteriza pela movimentação turística para a prática religiosa em eventos ou espaços dedicados a tal. Os consumidores deste tipo de turismo podem participar de retiros religiosos, romarias, visitas a construções religiosas, com o objetivo de manter sua fé e a prática religiosa. (MAIO, 2004). Há o Turismo Étnico, que envolve experiências com o modo de vida de um determinado grupo étnico que se destaca pela sua cultura, raça, modo distinto de viver em relação a outros grupos.

Destacam-se as comunidades indígenas, quilombolas, entre outros. Os turistas que consomem o Turismo Étnico têm por finalidade vivenciar essas tradições e se introduzir em seu modo de se expressar, de se comportar, aproximando-se da comunidade para sentir seu estilo de vida e expressões culturais. (MINISTÉRIO DO TURISMO, 2010).

Além disso, pode-se citar ainda o Turismo Gastronômico, que se apresenta como um tipo de turismo cultural em que o visitante tem por motivação de viagem experimentar a culinária de outro local. Para atender essa demanda, o destino oferta sua gastronomia por meio de eventos gastronômicos, visitação, criação de roteiros, bares, restaurantes, etc. Esse tipo de turismo foca na oferta da produção da gastronomia local, em que se ressalta a sua origem da e todos seus estágios através da história da comunidade. (MINISTÉRIO DO TURISMO, 2010). A técnica de preparo da gastronomia é diversificada entre os diversos povos, com diversas raízes e formas de fazer, muitas vezes, o mesmo prato; é essa diferença e técnicas íntimas que atraem um visitante a viajar com o único ou principal objetivo de consumir determinado prato de determinado lugar, pela maneira como é produzido, pela sua história, pela sua representatividade para um povo ou mesmo para fins sociais.

Esses tipos de turismo cultural foram levantados com a intenção de mostrar a diversidade de patrimônios que podem compor o turismo cultural. Após os dados da definição do turismo cultural, dos tipos de turismo e do que pode ser considerado cultura, não se torna errôneo afirmar que qualquer produção humana que representa as ações de um povo, tradições, representações, construções e seus costumes é cultura e pode ser incorporado ao turismo cultural. Dentre os espaços em que o turismo cultural se desenvolve, destaca- se o espaço urbano, e é nesse espaço da cidade que se ambienta o objeto de estudo deste trabalho: as calçadas históricas em petit-pavé de Curitiba.

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2.1.2 O TURISMO CULTURAL NO MEIO URBANO E O PETIT-PAVÉ NAS CALÇADAS DE CURITIBA.

O turismo urbano se destaca por ser um tipo de turismo que é ligado ao turismo em geral e não estar conectado a determinado segmento do turismo, mas que se diferencia pela sua ambientação, pelo tipo de espaço onde ocorre o qual proporciona seu uso por mais de um segmento. Caracteriza-se pelo planejamento e consumo turístico da área urbana de uma cidade, podendo ter como patrimônio a ser explorado a arquitetura, parques, construções históricas, museus, entre outros de importância cultural local – é a união do turismo, o ambiente de uma cidade e sua cultura. (PEREIRA, 2016). O turismo ambientado na cidade se une às linhas cultural e social (UENO; LIMA, 2015), por serem encontrados nestes locais expressões humanas que refletem a cultura de um povo e seus comportamentos sociais (além desse viés histórico-social, os frequentadores locais convivem entre si e com os turistas, logo, é um ambiente social). Pode ser acrescentado a essa linha de pensamento das autoras o conceito histórico, pois em locais urbanos é comum encontrar diversos patrimônios históricos.

Sobre o turismo urbano, Roscoche (2012, p.1) afirma que “hoje, grande parte da atividade turística acontece em grandes centros urbanos de todo o mundo [...] os destinos mais visitados no mundo estão na Europa e tem o seu patrimônio cultural como principal motivação de atração”. A cidade é um importante local de base para os turistas, mesmo que a razão da visita seja a um atrativo natural, por causa de sua infraestrutura para o turismo (ROSCOCHE, 2012).

No presente trabalho, o objeto de estudo se encontra no meio urbano e qualquer pessoa que caminha na região central da cidade de Curitiba e esteja atenta ao percurso irá notar os desenhos feitos nas calçadas e podem questionar sobre a origem de tais registros – são registros feitos com o mesmo material que compõe as próprias calçadas: o petit-pavé. As pessoas utilizam-se das calçadas e ruas diariamente para ir a lugares diversos e, talvez por as considerar algo trivial, podem não perceber o que alí está gravado – ou mesmo se há algo marcado. Liccardo, Piekarz e Salamuni (2008, p. 65), falando sobre o Largo da Ordem e a respeito da falta de sintonia entre transeunte e calçada, dizem que “o calçamento não costuma chamar a atenção das pessoas, apesar delas passarem todos os dias sobre as pedras e sentirem a viva sensação de história que se respira neste lugar”. No entanto,

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a rua e a calçada são mais importantes do que se pode imaginar: Dias, Silva e Pereira (2012, p. 51) dizem que “as calçadas são lugares de encontros e convivência, espaços de diversas ações sociais, culturais e políticas”. É possível, portanto, notar a abrangência do uso das calçadas, que vão desde usos particulares a encontros públicos – vai além de servir simplesmente como passadiço para pedestres.

Vasconcelos (2006, p. 15) complementa afirmando que:

[...] a rua é o segundo nível das relações sociais, que começam na família e prosseguem na vizinhança. A calçada, ou passeio, é a primeira porta de entrada do mundo exterior para o familiar. A calçada não pode ser encarada de maneira menos favorecida que o imóvel edificado de valor cultural, são também representativas no que se refere ao planejamento urbano, ao tratamento do espaço urbano.

Aqui, a autora levanta a importância do tratamento adequado das calçadas em relação aos outros componentes do espaço urbano, no que diz respeito ao planejamento desse espaço; portanto, antes mesmo de se questionar o valor das calçadas de Curitiba pelas suas imagens registradas, deve-se atentar ao seu valor funcional e suas diversas outras utilidades. Ainda segundo a autora, a mesma afirma que os artistas do Movimento Paranista faziam uso das calçadas de Curitiba para manifestações artísticas, e que as calçadas da cidade interpretam a “importância de uma época e registram valor estético genuíno”. (VASCONCELOS, 2006, p. 15).

Cabe, ainda, diferenciar as palavras “calçada” e “passeio” que muitas vezes são utilizadas como sinônimos: segundo o Código de Trânsito Brasileiro (BRASIL, 1997), calçada é “parte da via, normalmente segregada e em nível diferente, não destinada à circulação de veículos, reservada ao trânsito de pedestres e, quando possível, à implantação de mobiliário urbano, sinalização, vegetação e outros fins” e passeio é “parte da calçada ou da pista de rolamento, neste último caso, separada por pintura ou elemento físico separador, livre de interferências, destinada à circulação exclusiva de pedestres e, excepcionalmente, de ciclistas”. Essa diferenciação é importante para saber exatamente do que se trata quando forem usados os termos calçada ou passeio.

O material que compõe as calçadas de Curitiba em que há os registros históricos é o petit-pavé em preto e branco. Liccardo, Piekarz e Salamuni (2008) dizem que o petit-pavé é chamado de mosaico português; Vasconcelos (2006, p. 23) fala que o nome é francês e é conhecido por mosaico português ou pedras

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portuguesas e esse tipo de calçamento, “surgido em Portugal no século XIX […] foi introduzido no Brasil no começo do século XX, quando muitos artistas do velho continente foram para as colônias e ex-colônias”. Nesse período, a técnica do petit- pavé se iniciou em Manaus - AM e Rio de Janeiro - RJ – o desenho que fica em torno do Teatro Amazonas, em Manaus, foi feito no ano de 1900, seguido por Copacabana, poucos anos depois. (O GLOBO, 2016). Em Curitiba, a técnica surgiu na década de XX, com a chegada de portugueses especialistas, conforme diz Vasconcelos (2006), citando Rafael Greca, pois foi da família dele a primeira empreiteira a pavimentar as ruas e calçadas da cidade. Sobre as dimensões, o mosaico português é uma pequena pedra (em torno de 3 a 5 cm de espessura), composta de calcário e basalto (PETÍ PAVÉ, 2016), que requer técnica para se trabalhar com ela e:

[...]para se ter uma ideia da complexidade do petit-pavé, eis aqui alguns números: cada m² bem feito precisa de 250 a 300 pedras, além da mistura de areia com cimento para dar a base. Isso resulta em mais ou menos 11 m² de calçada em um dia de trabalho. (DOMAKOSKI, 2016).

Após as considerações gerais sobre o petit-pavé, é necessário identificar as motivações dos desenhos encontrados nas calçadas e, para compreender quais influências tiveram os desenhos, é preciso voltar às origens do Paraná e saber qual foi o contexto que atuou para que determinados desenhos fossem escolhidos a fim de simbolizar a identidade de Curitiba.

2.2 O CONTEXTO HISTÓRICO PARANAENSE COMO TEMA RETRATADO NAS CALÇADAS DE CURITIBA

O território paranaense pertencia à 5ª Comarca de São Paulo até o ano de 1853, quando foi emancipado (PRIORI et al, 2012) - Curitiba foi fundada em 1693 e passou à condição de capital junto com a emancipação do estado. (BAHL; BONFIM, 2012). O primeiro povo a habitar as terras paranaenses foram os índios e, logo depois, os portugueses vieram se beneficiar dos bens do país. Nessa época, havia uma ampla área do Paraná que era desocupada, embora já houvessem índios, e que foi usada como justificativa pelos governantes para que os imigrantes fossem trazidos ao estado. (SZYCHOWSKI, 2012). A respeito disso, Polinarski (2008, p. 11) diz que:

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[...] assim como as outras províncias, o Paraná buscava ocupar os grandes vazios demográficos existentes em seu território e favorecer uma agricultura de abastecimento. [...] os interessados na vinda desses imigrantes argumentavam que a região Sul do Brasil era mais favorável, por conta do seu clima ameno, se comparado com as outras regiões, assemelhando-se assim ao ambiente europeu.

A vinda desses imigrantes foi reforçada pelo fim do tráfico de escravos oriundos da África, conforme explica SZYCHOWSKI (2012, p. 3):

[...] com a proibição do tráfico de escravos africanos, em meados do século XIX, a elite cafeeira paulista passou a sofrer com a falta de força de trabalho nas lavouras de café. Então, solucionou-se o problema com a substituição do tráfico externo pelo interno, através da compra de mão de obra escrava de outras províncias do Brasil. Essa transferência de mão de obra em massa, concentrada e direcionada aos latifúndios exportadores de café de São Paulo, deu origem a uma carestia de trabalhadores rurais em vários pontos do país, inclusive no Paraná. Diante dessa realidade, os imigrantes passaram então a ser vistos como a solução para esse problema.

Já no cenário de Curitiba, em 1875, houve uma onda imigratória que atingiu a cidade, por política pública ocorrida na administração de Adolfo Lamenha Lins, que compreendia a formação de núcleos coloniais circunvizinhos às regiões mais ocupadas – esses imigrantes eram alemães (voltados ao comércio), poloneses, ucranianos, italianos, entre outros (estes voltados às atividades de agricultura), e também outros de outras regiões do país. (VASCONCELOS, 2006). Essa composição cultural estabelecida no território paranaense era heterogênea e com diversas origens, cada uma com suas particularidades, tradições e tipos de comportamento. As diferenças dos imigrantes somadas aos atributos naturais da região formaram a base, à época, da característica dos paranaenses: um estado de exceção (pela sua diversidade de povos e aspectos da natureza), onde a dissemelhança pela raça e meio físico era normal na concepção de identidade, no século XIX. (PEREIRA, 1998).

Toda essa avidez na busca de identidade para os paranaenses se deu na emancipação do Estado e na liberdade decorrente do fim da monarquia (a República instituída estava envolta numa ideia nova de nação, numa ideia positivista) e, numa nuance deste cenário, Pereira (1998) cita a ideia de “imigrante ideal” - que consiste no tipo alemão, de olhos azuis e loiro – construída para marcar a identidade paranaense num momento inicial que, contudo, perdeu sua eficiência representativa, ocasionando a carência de uma identidade nova (PEREIRA, 1998). Sobre a

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concepção de imigrante ideal, Colatusso (2004, p. 15) traz o conceito de

“branqueamento” da população que se instaurou e diz que:

[...] as elites promoveram a entrada do colono estrangeiro, que era interpretado como portador de uma receita para o progresso. A introdução do imigrante branco, livre, pacífico e trabalhador, representava uma maneira de ajudar a apurar e branquear a raça brasileira e o trabalho.

Esse fervor do regionalismo foi incentivado pela emancipação do Estado, pelo fim da monarquia e introdução da I República, cujo pensamento positivista sobre a nova forma de governo (a monarquia era relacionada pelos republicanos ao atraso) e a consequente delegação da responsabilidade administrativa do Paraná à província fizeram com que tivesse mais liberdade e pudesse ser elaborado algo que representasse o povo. Junto a isso, contribuiu o entusiasmo da cultura em Curitiba, por causa do impulso na economia da erva mate, a partir de onde surgiram diversos artistas locais. (PEREIRA, 1998). Sobre a economia da erva mate, Nadolny (2014, p.10) diz que:

[...] a economia do Paraná, durante o século XIX e começo do século XX baseou- se na produção e exportação da erva-mate que abrangia as regiões do oeste e sul do estado. Com a Guerra do Paraguai, a Argentina precisou de um substituto para importar erva-mate e isto impulsionou a produção e exportação de erva-mate para o grande mercado consumidor que era a Argentina. Foi um dos ciclos econômicos mais importantes do estado, pois desencadeou o surgimento de fábricas e comércios ligados direta e indiretamente ao mercado ervateiro [...] Houve também o início da industrialização do Paraná, feito pelos engenhos de erva-mate e devido à mecanização do processo, desagrega-se o sistema escravista no Paraná.

Desenvolveu-se a navegação a vapor para escoamento da produção até os engenhos, que trouxe desenvolvimento para as cidades onde os vapores passavam e a construção da ferrovia Curitiba-Paranaguá, motivada pelo escoamento da produção de mate até o porto para exportação.

Vê-se, aqui, como a erva mate foi importante para a economia do Paraná e para o moral regional, evidenciado pela excitação cultural pela qual Curitiba passou (PEREIRA, 1998), contribuindo para o pensamento positivista em voga. Esse novo pensamento se valia da ideia de modernidade, e também da construção da imagem, por isso o autor continua afirmando que a população passa a considerar o padrão europeu de sociabilidade para si.

É preciso perpassar pelo contexto histórico e por todas as transformações pelas quais passaram os paranaenses para se entender suas ações e movimentos a respeito da construção da identidade do estado. Dentro desse contexto retratado,

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uma visão diferente, portanto, sobre a legitimação da personalidade do Paraná, se desenvolve: a partir da questão cultural. É preciso criar no povo um sentimento de pertencimento à terra, e é em meio a esse pensamento que é introduzido o Paranismo, responsável pela criação e desenvolvimento da identidade cultural do Paraná.

2.2.1 PARANISMO

O Paranismo foi motivado no contexto histórico exposto, idealizado e desenvolvido por Romário Martins e intelectuais que concordavam com o pensamento positivista da época e pretendiam através da arte criar a imagem do paranaense. O termo “Paranismo” foi introduzido por Domingos Nascimentos, em 1906, embora por vezes atribuído a Romário Martins; contudo, Romário o estabeleceu de forma oficial em 1927, através de uma mensagem que foi enviada ao Centro Paranista (ele foi o fundador deste Centro), e esse ano foi o início do movimento, terminando em 1930. (BUENO, 2009).

A intenção do movimento era destacar o Paraná do restante do país ao mesmo tempo em que englobava toda a população diversa encontrada no estado, e a estratégia para realçar a imagem do estado e atingir o imaginário da população para que o movimento tivesse apoio de seus moradores era mostrar as características locais e a simbologia dos recursos naturais singulares: onde se destacam a araucária, a pinha, o pinhão, o clima regional típico que lembra o clima europeu e o índio. (BUENO, 2009). Uma das maneiras de apresentação desses traços paranaenses foi através do meio visual, como quadros, esculturas, desenhos nas calçadas, revistas e textos – destaque para a revista “Ilustração Paranaense”, criada pelo fotógrafo João Batista Groff, que foi uma das principais divulgadoras dos ideais paranistas e durou com força o mesmo tempo que o Movimento (VASCONCELOS, 2006). O Paranismo foi um movimento pautado no ideal de modernidade, progresso e valorização regional, e era um movimento de intelectuais.

Mas como definir o paranista, considerando a diversidade dos povos à época? Citado por vários autores que discorrem sobre o Paranismo, Romário Martins, em sua mensagem ao Centro Paranista, em 1927, sugere o que é ser paranista:

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Paranista é todo aquele que tem pelo Paraná uma afeição sincera, e que notavelmente a demonstra em qualquer manifestação de atividade digna, útil à coletividade paranaense. [...] Paranista é aquele que em terras do Paraná lavrou um campo, cadeou uma floresta, lançou uma ponte, construiu uma máquina, dirigiu uma fábrica, compôs uma estrofe, pintou um quadro, esculpiu uma estátua, redigiu uma lei liberal, praticou a bondade, iluminou um cérebro, evitou uma injustiça, educou um sentimento, reformou um perverso, escreveu um livro, plantou uma árvore. (MARTINS, 1927, p.

2, apud CAMARGO, 2007, p. 157)

Dentre os colaboradores do movimento se destacam Romário Martins (escritor), Lange de Morretes, Zaco Paraná e João Turin (artistas plásticos). Romário Martins nasceu em 1874, no dia 8 de dezembro, e trabalhou em jornais como ajudante no campo da tipografia e como redator. Desde que era jovem manifestava interesse pela história e, por tal, o governo paranaense o encarregou de pesquisar sobre a história do Paraná. Ele foi, por 25 anos, diretor do Museu Paranaense e até deputado estadual, e foi dele a criação da bandeira e do brasão do estado, das armas e brasão de Curitiba e a proposta da data de nascimento de Curitiba. (CEI, 2013). Romário publicou diversas obras, como Fatos e Tradições Paranaenses (1896) e História do Paraná (1899), que se tornou a obra que destacou Romário no grupo de historiadores. (IURKIV, 2002).

Sobre o artista Frederico Lange de Morretes, cabe ressaltar que ele foi cientista e artista plástico e nasceu em maio de 1892, no litoral paranaense, na cidade de Morretes. Filho de Rudolph Lange, teve como mentor e incentivador o pintor Alfredo Andersen, que sugeriu que ele fosse estudar artes na Europa. (SALTURI, 2007). Lange, em relação às suas obras no Paranismo, teve como grande preocupação a estilização geométrica do pinheiro, da pinha e do pinhão, sendo os motivos muito utilizados em suas telas, na revista Ilustração Paranaense e servido de estímulo para os desenhos feitos nas calçadas de Curitiba – Salturi (2007, p. 32) diz que “serviram de inspiração para o projeto gráfico das calçadas de Curitiba que seria implantado anos mais tarde, em março de 1949”.

João Turin descende de agricultores de Veneza e nasceu em setembro de 1880; ele possuía diversas habilidades, dentre as quais torneiro, ferreiro, entalhador de madeira (fez surgir a vocação para escultura) e trabalhos com argila. M orou por um período na Europa e teve uma escultura, a “No Exílio”, exposta no Salão de Paris, recebendo menção honrosa. Executou bustos de bronze de personalidades curitibanas e tem nas suas esculturas de tigres a marca registrada em diversos lugares do Brasil (VASCO, [201-]). Outro artista que se destacou foi João Zaco

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Paraná que é polonês, nascido em 1884, e que veio para o Brasil três anos depois junto com a família. Zaco estudou artes e morou em Paris e Bruxelas, onde fez o curso de escultor e especialização em pintura. Teve seus trabalhos apresentados em diversas exposições internacionais e foi membro do Conselho Nacional de Belas Artes. Seus trabalhos mais conhecidos são as esculturas “O Semeador” (1923 - figura 1) e “Amor Eterno” (1907 - figura 2); além disso, foi professor de modelagem. (VASCO, [201-]).

FIGURA 1 - O SEMEADOR, DE ZACO PARANÁ.

FONTE: Flávio Antônio Ortolan (2016).

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FIGURA 2 – AMOR ETERNO, DE ZACO PARANÁ

FONTE: Flávio Antônio Ortolan (2015).

Salturi (2007) afirma que as calçadas de Curitiba eram compostas de pedras, no início, e, em 1919, houve a definição pela Prefeitura de como seria o calçamento efetivo da cidade. O autor diz que foi Romário Martins que recomendou o prefeito da época, Moreira Garcez, a empregar os desenhos indígenas nas calçadas – o próprio Romário selecionou os desenhos escolhidos. O autor ainda complementa, dizendo que alguns dos desenhos de motivação paranista encontrados nas calçadas datam de 1949 e que são apenas inspirados nos desenhos originais:

algumas rosáceas encontradas nas calçadas estão sem os detalhes laterais, não configurando exatamente os originais.

2.3 DELIMITAÇÃO DA ÁREA PESQUISADA

O Paranismo foi, então, um dos motivos utilizados nas calçadas de Curitiba para apresentar a história do estado e de seu povo, da sua identidade e dos elementos que o caracterizam, e se revela através dos desenhos dos pinhões e pinheiros, inspirados na arte criada por Lange de Morretes, que são encontrados em diversas calçadas do centro da cidade e do bairro São Francisco (figura 3). O petit-

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pavé é identificado em distintas partes da região central da cidade, conforme pode ser visto no mapa do IPPUC.

Foi escolhido um recorte desse mapa (figura 4) para analisar a situação física das calçadas e compreender melhor a importância de sua preservação e valorização para o turismo, além de possibilitar a verificação do que pode ser feito para destacar mais sua existência e inseri-los no turismo da região. Essa área delimitada é composta pela Praça Tiradentes, Largo da Ordem, Praça Garibaldi e Praça João Cândido e, nesses locais, foram encontrados vários desenhos com motivações diversas, levando em consideração que esse espaço delimitado faz parte de uma região de grande movimento turístico do centro da cidade de Curitiba: o Setor Histórico, que, por sua vez, é composto pelo Largo da Ordem, Praça Coronel Enéas, Praça Garibaldi, Rua Dr. Kellers e bairro São Francisco. A área delimitada é constituída pela praça Tiradentes, o Largo da Ordem, a Praça Garibaldi e, mais acima, a Praça João Cândido.

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FIGURA 3 - TIPOS DE CALÇAMENTO DA REGIÃO CENTRAL - IPPUC (1997).

FONTE: Livro Calçadas de Curitiba, Preservar é Preciso (2006).

FIGURA 4 - ÁREA DELIMITADA PARA ANÁLISE.

FONTE: Mapa da altimetria da cidade de Curitiba, Google (2017)

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2.4 TEMAS RETRATADOS NAS CALÇADAS DELIMITADAS

2.4.1 PARANISTA

Os desenhos de motivação paranista encontrados nas calçadas, dentro da região delimitada, são os pinheiros, pinhas, pinhões e a rosácea. Essas motivações são as mais constatadas nas calçadas da região central e, na área estabelecida, são vistas principalmente nas calçadas externas da praça João Cândido (figuras 5 e 6).

FIGURA 5 - CALÇAMENTO DA PRAÇA JOÃO CÂNDIDO COM MOTIVAÇÃO PARANISTA.

FONTE: O autor (2017).

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FIGURA 6 - CALÇAMENTO DA PRAÇA JOÃO CÂNDIDO COM MOTIVAÇÃO PARANISTA.

.

FONTE: O autor (2017).

2.4.2 INDÍGENA

Desenvolvidos no mesmo contexto paranista, desenhos inspirados na cultura indígena são vistos também nas calçadas (figuras 7 e 8). O Movimento Paranista se apossa de motivos indígenas porque esses foram considerados os primeiros a povoarem as terras paranaenses e eram destaque na revista Ilustração Paranaense, que apresentava desenhos e textos publicados sobre os índios; no contexto dessas manifestações regionalistas, o Movimento se utiliza da temática indígena para criar a identidade paranaense e este destaque também é representado nas calçadas de Curitiba.

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FIGURA 7 - CALÇAMENTO DA PRAÇA JOÃO CÂNDIDO COM MOTIVAÇÃO INDÍGENA.

FONTE: O autor (2017).

FIGURA 8 - CALÇAMENTO DA PRAÇA JOÃO CÂNDIDO COM MOTIVAÇÃO INDÍGENA

FONTE: O autor (2017)

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2.4.3 PORTUGUESA

A Influência portuguesa também é vista nas calçadas (figura 9): a própria técnica do petit-pavé e seu material são originários do país europeu e se somam aos desenhos com motivações portuguesas e as ruas com outros tipos de calçamentos do período colonial português, como, por exemplo, o pé-de-moleque e o matacão (figuras 10 e 11) - deste último, só há um único exemplar que se encontra na rua Mateus Leme, no bairro São Francisco.

FIGURA 9 - CALÇAMENTO DA PRAÇA GARIBALDI COM MOTIVAÇÃO PORTUGUESA.

FONTE: O autor (2017)

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FIGURA 10 - PÉ-DE-MOLEQUE, NA RUA MATEUS LEME.

FONTE: O autor (2017)

FIGURA 11 – MATACÃO, NA RUA MATEUS LEME.

FONTE: O autor (2017)

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2.4.4 ART NOUVEAU

O art nouveau se faz presente também nos desenhos das calçadas. Esse estilo é conhecido como modernista ou nova arte:

[...] foi um movimento internacional desenvolvido em países da Europa e nos Estados Unidos entre o final da década de 1880 e a Primeira Guerra Mundial, com o objetivo de criar uma arte moderna em resposta ao revivalismo histórico exaltado pela era vitoriana, e eliminar as distinções entre as belas-artes e as artes aplicadas. (PISSETTI; SOUZA, 2011, p. 18).

O movimento Art Nouveau é tido como antiacadêmico e modernista e é conhecido por outros nomes, como Jugenstil, na Alemanha; Modern Style, na Inglaterra; e Style Liberty, na Itália. (BASSALO, 2008). O estilo pretende se desligar da temática histórica e não dar continuidade ao passado, conforme queriam os acadêmicos da época. A ideia era criar um estilo moderno, inovador, que valorizasse o presente artisticamente. A Art Nouveau se utiliza de temática referente à natureza (figura 12), misturando flora e fauna, com traços estilísticos curvilíneos, ondulados, que inspira leveza, juventude e agilidade. (BASSALO, 2008). O autor ainda afirma que:

O aproveitamento temático da natureza, por sua intensa e ardente vitalidade, é feito de maneira especial e constitui a linha mestra do estilo. Os artistas misturaram a flora e a fauna aquática e terrestre para que, fundidas e confundidas, produzissem certos efeitos expressivos, tais como a mobilidade, a flexibilidade e a fragilidade. Sabiam que a natureza ignorava as formas retilíneas, simétricas, o que tornava seus elementos suscetíveis de se transformar em composições decorativas e adaptadas a um objeto, conforme o que pretendiam evidenciar. (BASSALO, 2008, p. 22).

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FIGURA 12 – ART NOUVEAU, PRAÇA GARIBALDI.

FONTE: O autor (2017)

2.4.5 ART DÉCO

Caminhando pelas calçadas históricas de Curitiba é possível encontrar motivações da Art Déco (figura 13). Originada na Europa em 1920, veio para o Brasil e se expressou intensamente entre 1930 e 1940, tendo expressão até a década de

1950. Esse estilo é mais simples que o Art Nouveau, embora se perceba alguma influência; difere-se por se basear em formas geométricas (retas, quadrados, círculo). (VASCONCELOS, 2006).

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FIGURA 13 - ART DÉCO, PRAÇA GARIBALDI.

FONTE: O autor (2017)

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2.5 INTERPRETAR PARA PRESERVAR

Qualquer elemento que seja de importância para um povo requer um cuidado para que seja preservado. Com as calçadas não é diferente, e uma das formas de preservá-las e valorizá-las é através da interpretação do patrimônio, para que haja um “relacionamento” entre visitante e visitado. A interpretação do patrimônio é um processo que necessita de um conjunto de ações para torná-lo eficiente. Como dizem Murta e Goodey (2002, p. 13), “interpretar é um ato de comunicação” e interpretar um patrimônio “é o processo de acrescentar valor à experiência do visitante, por meio do fornecimento de informações e representações que realcem a história e as características culturais e ambientais de um lugar”. Sem a interpretação, o processo de conhecimento por parte do turista não será adequado.

No desenvolvimento de qualquer área turística, as primeiras preocupações são a respeito da hospedagem existente no local, os meios de acesso, a gastronomia a desenvolver, o lazer, etc. A maneira como será o contato do turista com a oferta turística local, o deslumbramento que ele terá com o atrativo, supõe-se que será automática e o turista se encantará por si só. (MURTA; ALBANO, 2002). Dessa maneira, não se dá a devida atenção às informações a serem transmitidas sobre o lugar, a sua história e seus habitantes, sendo que há diversas possibilidades para melhorar a experiência do visitante: aguçar a curiosidade, o olhar e provocar o turista a descobrir o que o lugar tem de interessante. (MURTA; ALBANO, 2002).

Uma interpretação de qualidade mexe com o turista, o envolve, não sendo para ele o que leu ou descobriu apenas informações sobre determinado lugar e povo:

passa de mera informação para significado. Murta e Goodey (2002, p. 14) ressaltam bem a dimensão do que é a interpretação quando dizem que “mais que informar, interpretar é revelar significados, é provocar emoções, é estimular a curiosidade, é entreter e inspirar novas atitudes no visitante, é proporcionar uma experiência inesquecível com qualidade”. As calçadas, nesse sentido, fazem parte de um contexto cultural e histórico e a sua interpretação é essencial para desdobrar seus significados, alcançar os visitantes, e colocá-los em um ambiente singular, gerando maior destaque para as mesmas no cenário turístico de Curitiba.

O desenvolvimento do turismo em um destino tem por grande foco a atenção a vinda de turistas, pelo fato destes gerarem diversos benefícios para o local. No entanto, o público interno (a própria comunidade), não pode ser esquecido; ele deve

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ter conhecimento de seus atrativos, se envolver e se inteirar do que sua comunidade tem de importante para o turismo, e dar importância ao seu patrimônio, pois ele faz o papel de mantenedor e divulgador de seus atrativos locais. Os organizadores do turismo precisam estimular a comunidade a conhecer sua história e, sobre isso, Murta e Albano (2002, p. 11) dizem que:

[...] uma comunidade que não conhece a si mesma dificilmente poderá comunicar a importância de seu patrimônio, seja na interação com os visitantes, seja na sensibilização das operadoras [...] Deve também levar os moradores a (re)descobrir novas formas de olhar e apreciar seu lugar, de forma a desenvolver entre eles atitudes preservacionistas.

Segundo o Projeto de Pesquisa de Demanda Turística (2012), do Instituto Municipal de Turismo de Curitiba, no ano de 2012, 26,4% dos turistas e 10,1% dos excursionistas que vieram à cidade, tiveram como motivação da viagem a visita a parentes ou amigos; na pesquisa realizada, no mesmo ano e também pelo Instituto Municipal do Turismo, sobre o fluxo turístico na feira do Largo da Ordem, 33,8% dos turistas e excursionistas tiveram como motivação da viagem a visita a parentes ou amigos. Esses dados mostram que porcentagem considerável dos turistas vem para Curitiba e visita a feira do Largo da Ordem e tem por motivação o encontro com parentes ou amigos. Essas informações importam porque, em primeiro lugar, a área delimitada para análise das calçadas se encontra em Curitiba, e, em segundo lugar, porque a maior parte desta área se encontra nos espaços ocupados pela feira; ou seja, esses visitantes vão caminhar obrigatoriamente sobre as calçadas da área selecionada – e isso é importante porque é um público considerável a focar no desenvolvimento de ações que deem destaque turístico para as calçadas.

Além disso, essas informações sugerem a probabilidade de haver divulgação boca a boca mais intensa entre os visitantes e os parentes ou amigos visitados, pela suposta chance desses moradores locais conhecerem os atrativos da cidade e pela proximidade entre eles. Para demonstrar a importância dessa modalidade de divulgação, Machado e Gosling (2010), sobre a imagem do destino turístico Ouro Preto - MG na divulgação boca a boca, fizeram um estudo com 343 pessoas e verificaram que o principal meio de informação da cidade de Ouro Preto foi esta citada, com 52% dos respondentes afirmando essa relação.

As calçadas históricas de Curitiba protegem e expõe registros de estilos de arte diferentes e de contextos históricos tão profundos que apenas uma pequena

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placa, como algumas encontradas, em visita prévia, referentes ao período de criação da Linha Pinhão/Pegadas da Memória, com poucas palavras, não consegue expressar a grandiosidade daquelas calçadas e as histórias que elas guardam. Elas têm um potencial turístico imenso por manter um patrimônio histórico e cultural em si, além de servir de acesso para outros diversos atrativos e pontos importantes de Curitiba.

Dessa forma, o trabalho pretende fazer uma análise in loco das condições em que as calçadas selecionadas se encontram e de sua relação com os atrativos que as permeiam para, junto com o levantamento bibliográfico, sugerir ações para ressaltar mais o seu uso e sua importância para o turismo, além de atingir o objetivo geral proposto, que é valorizar as calçadas históricas de Curitiba através do Turismo.

(37)

3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Com a finalidade de atingir o objetivo do trabalho, este estudo será desenvolvido em uma abordagem de pesquisa exploratória e de caráter qualitativo.

Neves, a respeito da pesquisa qualitativa, diz que:

[...] dela faz parte a obtenção de dados descritivos mediante contato direto e interativo do pesquisador com a situação objeto de estudo [...] Compreende um conjunto de diferentes técnicas interpretativas que visam a descrever e a decodificar os componentes de um sistema complexo de significados”.

(Neves, 1996, p.1)

A pesquisa exploratória tem o objetivo de se relacionar mais profundamente com o problema levantado pelo pesquisador, para que se tenha um conhecimento maior acerca do objeto de estudo (Gil, 2002). A pesquisa bibliográfica significa que as informações a respeito do trabalho foram coletadas de materiais que já existem, como livros e artigos. Por meio do uso da contribuição de outros autores, o trabalho ganha uma cobertura maior e diminui o trabalho de verificação do pesquisador (Gil, 2002).

Com a finalidade de colher material para a averiguação das hipóteses e posterior alcance dos objetivos propostos, foi realizado um questionário com turistas que passaram na Praça Garibaldi. Foram considerados turistas para este questionário os transeuntes que não residiam na cidade de Curitiba e Região Metropolitana, e a pesquisa foi aplicada pelo autor do trabalho. O pesquisador abordou o pedestre e, estando ele na condição de turista e sendo voluntário para responder o questionário, realizou as perguntas e o próprio pesquisador preencheu as respostas do turista. Inicialmente, a intenção foi aplicar 30 questionários para avaliar qual o conhecimento da população em relação às calçadas; opinião sobre a conservação das calçadas da área delimitada; se perceberam sinalização que faça referência às calçadas em petit-pavé; se reconhecem os símbolos e seus significados; e se se deslocariam para conhecer outras calçadas em diferentes pontos da cidade. O resultado colhido serviu de base para desenvolver ações para tornar mais eficiente a imagem das calçadas no cenário turístico – a ferramenta de coleta de dados está no apêndice 1.

Tendo como propósito avaliar suas condições físicas e visualizar o objeto de estudo para melhor compreender sua importância histórica e cultural, junto de seu

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potencial turístico, percorreu-se a área delimitada para análise in loco a fim de buscar respostas para as hipóteses levantadas. Esta análise se valerá da observação como técnica de coleta de dados porque é tida como método investigativo, visto que

“constitui elemento fundamental para a pesquisa […] [e] desempenha papel imprescindível no processo de pesquisa. É, todavia, na fase de coleta de dados que o seu papel se torna mais evidente”. (GIL, 2008, p. 100).

A observação tem a função de reunir os conhecimentos requeridos pela utilização dos sentidos e tem como benefício a investigação direta do objeto de estudo; assim, é possível diminuir as suposições que podem ocorrer em uma análise feita não diretamente. (DENCKER, 1998). Podendo ser sistemática (estruturada) ou assistemática (não-estruturada), o tipo de observação vai depender do tipo de pesquisa, que, no caso, será utilizada a observação não-estruturada que é característica dos trabalhos qualitativos. (DENCKER, 1998). O trabalho se aproveitará deste método pela necessidade de se entrelaçar as informações teóricas com as calçadas observadas, para verificar seu estado de conservação, se há sinalização turística que faça referência às calçadas, levantar os tipos de arte encontrados na área delimitada, analisar a relação dessas calçadas com os atrativos do entorno e visualizar oportunidades de melhoria que surgirem durante a observação. A verificação da conservação tem por finalidade levantar pontos a melhorar das calçadas, os quais atualmente prejudicam seu uso e interpretação e pontos positivos que favoreçam a experiência do turista; pretendeu-se verificar também se havia sinalização turística que fizesse referência às calçadas, pois o fornecimento de

“[...] informações por meio da sinalização contribui de forma fundamental para a difusão do conhecimento dos atrativos, melhora o aproveitamento da visita no ponto turístico e desenvolvimento da atividade turística”. (GUEDES;

LEÃO, 2007, p. 2).

O propósito dessa verificação é, caso não haja sinalização com referência às calçadas, sugerir propostas de sinalização para facilitar a interpretação das mesmas.

O levantamento dos tipos de arte encontradas nas calçadas delimitadas se faz necessário para caracterizar o objeto de estudo e compreender suas motivações; a análise da relação dessas calçadas com os atrativos do entorno tem por objetivo

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verificar a possibilidade de aproveitamento das calçadas como atrativo turístico em conjunto com atrativos do entorno.

A partir dessas pesquisas, foram encontradas algumas atividades já desenvolvidas na cidade e voltadas para o turismo: a “Linha Pinhão: pegadas da memória” percorre um antigo roteiro a pé, criado em comemoração aos 300 anos da cidade de Curitiba, que passa por 51 pontos importantes da cidade – porém, este se encontra defasado e aparentemente inativo; há o guia “Curta Curitiba a pé”, elaborado pelo Instituto Municipal de Turismo de Curitiba, que sugere dois tipos de roteiros para o turista conhecer a cidade a pé; e o “Curitiba Free Walking”, passeio gratuito, promovido por bacharéis de Gestão do Turismo e Hospitalidade, que percorre o centro histórico de Curitiba. Torna-se necessário que se faça esses roteiros com o objetivo de avaliar qual a participação das calçadas (se são mencionadas, se há alguma referência, se há alguma dinâmica, etc) nessas atividades já existentes que permitam sua contemplação. Para cada atividade será feita uma ficha de análise, que se encontram no apêndice III.

Com base nesses levantamentos, serão relacionados os pontos positivos e negativos e sugeridas ações para melhorar a interpretação das calçadas através dessas atividades e, assim, atingir o objetivo geral do trabalho. Os resultados e as propostas obtidas, ao final do trabalho, referentes a área de pesquisa delimitada servirão de base para ações em outras áreas em que as calçadas históricas em petit- pavé são encontradas.

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4. ANÁLISE DOS RESULTADOS DA PESQUISA

No dia 6 de agosto de 2017 foi realizada a pesquisa de campo com a finalidade de alcançar respostas para o problema do trabalho, para as hipóteses levantadas e para parte dos objetivos específicos. O problema do trabalho está no seguinte questionamento: as calçadas em petit-pavé estão sendo aproveitadas como atrativo turístico? O trabalho pretende verificar duas hipóteses: a de que o potencial turístico das calçadas históricas em petit-pavé de Curitiba não está sendo explorado e a de que os turistas da cidade de Curitiba não conhecem as motivações e a representatividade dos desenhos das calçadas históricas em petit-pavé.

Neste dia, foi aplicado o questionário com turistas que passaram na Praça Garibaldi. Foram considerados turistas para este questionário os transeuntes que não tinham residência na cidade de Curitiba e Região Metropolitana, e a pesquisa foi aplicada pelo autor do trabalho. O pesquisador abordou os pedestres e, estando eles na condição de turista e sendo voluntários para responder o questionário, realizou as perguntas. No total, 30 questionários foram preenchidos para avaliar qual o conhecimento da população em relação às calçadas: opinião sobre a conservação das calçadas da área delimitada, se perceberam sinalização que faça referência às calçadas em petit-pavé, se reconheciam os símbolos e seus significados e se se deslocariam para conhecer outras calçadas em diferentes pontos da cidade.

A pesquisa destinada aos turistas foi composta de 5 questões. A primeira, foi a respeito da procedência do turista, na qual se observou que a maior parte dos turistas entrevistados era do estado de São Paulo (8), seguido dos turistas do estado do Paraná (4) e, em sequência, Bahia (3), Santa Catarina (3), Rio Grande do Sul (3), Rio de Janeiro (2), Minas Gerais (2), Distrito Federal (1), Pará (1), Mato Grosso do Sul (1), Ceará (1) e Alagoas (1). A segunda questão foi sobre como o turista classifica a conservação das calçadas em petit-pavé do centro histórico, considerando a Praça Tiradentes, o Largo da Ordem, a Praça Garibaldi e a Praça João Cândido. Para esta classificação, o turista escolheu, para cada praça apresentada, entre as opções “ruim”,

“regular”, “bom”, “muito bom”, “ótimo” e “não sabe” – este último foi considerado no caso do entrevistado não ter passado pela praça ou não ter percebido os detalhes das calçadas. A praça Tiradentes teve a seguinte classificação: 7% dos entrevistados classificaram a praça como “ruim”; 13% dos entrevistados classificaram como

“regular”; 70% dos entrevistados classificaram a praça como “bom”; 7% dos

(41)

entrevistados classificaram como “muito bom”; 3% não souberam responder e nenhum dos respondentes classificou como “ótimo”. A análise dessa questão mostra que o calçamento em petit-pavé da Praça Tiradentes agrada a maior parte dos turistas, porém 20% dos entrevistados classificaram como ruim/regular, que representa um número considerável de pessoas.

FIGURA 14 – CONSERVAÇÃO DA PRAÇA TIRADENTES

FONTE: O autor (2017).

O Largo da Ordem apresentou os seguintes números: 3% dos entrevistados classificaram como “ruim”; 37% dos entrevistados classificaram o Largo como

“regular”; 54% dos entrevistados classificaram como “bom”; 3% dos entrevistados classificaram como “muito bom”; 3% não souberam responder e nenhum dos respondentes classificou como “ótimo”. Percebe-se que a avaliação positiva diminuiu em relação ao Largo da Ordem. Isso é importante e requer atenção pois o Largo é uma área que concentra turistas e reúne pontos históricos importantes para o turismo da cidade.

RUIM 7%

REGULAR 13%

BOM 70%

MUITO BOM 7%

ÓTIMO 0%

NÃO SABE

3%

Pça Tiradentes

RUIM REGULAR BOM MUITO BOM ÓTIMO NÃO SABE

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