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Rev. Assoc. Med. Bras. vol.47 número4

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Academic year: 2018

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Rev Ass Med Brasil 2001; 47(4): 269-95

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Clínica Cirúrgica Clínica Cirúrgica Clínica Cirúrgica Clínica Cirúrgica Clínica Cirúrgica

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Com o passar dos anos, o tratamento do doente grave, internado em unidades de terapia intensiva, passou a ser um desafio progressivamente mais complexo. Um ver-dadeiro pesadelo, em algumas circunstânci-as. De fato, a UTI é o berço de uma nova espécie humana, o Homo sapiens intensi-vensis, que possui uma fisiologia própria e mal compreendida, resultado da somatória de vários fatores, entre os quais destacam-se a idade avançada, a predestacam-sença de doenças crônicas, o uso de fármacos os mais varia-dos e, particularmente, os imensos investi-mentos terapêuticos que mantêm vivos se-res humanos que, até há poucos anos, fatalmente morreriam. Toda a estrutura funcional de nossa espécie, que demorou milhões de anos para solidificar-se através de um lentíssimo processo de seleção natu-ral, é atropelada por síndromes desconhe-cidas até há poucos anos. É a síndrome da insuficiência de múltiplos órgãos e sistemas, a síndrome da resposta inflamatória sistêmi-ca, a síndrome séptisistêmi-ca, para mencionar ape-nas as mais comumente mencionadas. Dentro deste novo mundo, no qual existe grande perigo de se perder o rumo em virtude das dificuldades geradas pelo voca-bulário repleto de neologismos complexos e mal definidos, é comum que o médico fique desorientado quando submetido a as-saltos de produtos farmacológicos recente-mente lançados ou de avanços tecnológicos de última geração. Vou comentar, breve-mente, um assunto que me parece de gran-de importância: a chamada “Síndrome

Ero-siva Devida ao Estresse” ou SEDE, entidade que, durante muitos anos, constituiu-se em uma das grandes preocupações de todos os que cuidavam de doentes críticos. Embora descritas há vários anos em determinados grupos de doentes, notadamente nos gran-des queimados e nas vítimas de traumatis-mos cranianos, as lesões agudas da mucosa gástrica relacionadas ao estresse foram de-vidamente catalogadas apenas nos anos 703. Conhecem-se, hoje, suas característi-cas morfológicaracterísti-cas, sua localização preferen-cial e, pelo menos em parte, sua história natural. Acredita-se que sua gênese se deva muito mais à redução da resistência da mucosa pela falta de nutrientes e de oxigê-nio, do que à ação do pH, seja ele ácido ou alcalino. Embora quando sangram costu-mem resultar, habitualmente, em perdas insignificantes, sabe-se que elas podem exteriorizar-se através de hemorragia volu-mosa e que, quando isto ocorre, as taxas de mortalidade aumentam1. Tudo indica, en-tretanto, que sangramentos significativos são raros, e possivelmente ocorrem em não mais de 1% a 2% por cento dos casos2. Principalmente, sabe-se que a única forma eficaz de preveni-las e de tratá-las é pelo controle das causas determinantes, habitu-almente hipóxia, hipoperfusão e infecção. O fato é que, nos primórdios da terapia intensiva, há apenas algumas décadas, as hemorragias digestivas altas por lesões agu-das da mucosa gástrica eram freqüentes e não raramente fatais. Sua etiopatogenia era mal compreendida. Estes fatos geraram uma verdadeira neurose de prevenção far-macológica. Como conseqüência, antiáci-dos inicialmente e depois bloqueadores H2 e inibidores da bomba de prótons foram sendo adotados, através dos anos, como itens obrigatórios da prescrição de qualquer

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de revermos nossa conduta particularmen-te porque, se mal não faz ao doenparticularmen-te, o que é questionável, seguramente resulta em elevação desnecessária dos custos.

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Referências

1. Beejay U, Eolfe MM. Acute gastroin-testinal bleeding in the intensive care unit.

The gastroenterologist´s perspective. Gas-troenterol. Clin North Am 2000, 29: 275-307.

2. Cook DJ, Witt LG, Cook RJ. et al. Stress ulcer prophylaxis in the critically ill: A meta-analysis. Am. J. Med. 1991, 91(5):519-27. 3. Lucas CE, Sugawa C, Riddle J, Rec-tor F, Rosenberg B, Walt J. Natural history and surgical dilemma of

es-tresse gastric bleeding. Arch Surg 1971; 102:266-73.

Referências

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