• Nenhum resultado encontrado

Rev. Estud. Fem. vol.14 número3

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2018

Share "Rev. Estud. Fem. vol.14 número3"

Copied!
2
0
0

Texto

(1)

Estudos Feministas, Florianópolis, 14(3): 272, setembro-dezembro/2006

819

R

RR

RResenhas

esenhas

esenhas

esenhas

esenhas

Mulheres e ciência: uma história necessária

Mulheres e ciência: uma história necessária

Mulheres e ciência: uma história necessária

Mulheres e ciência: uma história necessária

Mulheres e ciência: uma história necessária

Pioneiras da ciência no Brasil

.

Rio de Janeiro: SPBC, 2006. 47 p.

MELO, Hildete Pereira de; RODRIGUES,

Lígia Maria C. S.

Num momento em que aproximadamente 80% das bolsas de pesquisa no Brasil ainda são destinadas a homens – apesar da grande expansão do número de mulheres nos bancos universitários – a pergunta que continuamos a fazer é por que, alcançada a graduação, as mulheres não encontram estímulo para avançar no importante caminho da pesquisa científica.

Neste ano (2006), o Encontro Nacional “Pensando Gênero e Ciência”, promovido pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, possibilitou a abordagem de várias questões no sentido de perceber os limites que se colocam à chegada das mulheres ao topo de carreiras científicas nas mais diversas áreas, especialmente nas chamadas tecnológicas, onde o predomínio masculino se faz notar mais efetivamente.

Um dos livros lançados no encontro apresenta instigantes (embora resumidas) biografias de algumas das principais cientistas brasileiras, ou formadas no Brasil, nascidas em sua grande maioria na primeira metade do século XX. Estamos falando de Pioneiras da ciência no Brasil, de Hildete Pereira de Melo e Lígia Maria C. S. Rodrigues, editado em março pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

Outros livros, como O l abor atór i o de Pandora,1 da socióloga Fanny Tabak, discutem

a relação mulheres–ciência, apontando a importância vital da tecnologia para os países subdesenvolvidos e, ao lado disso, a pouca atuação feminina nessa área. Tabak aponta para a real possibilidade de maior desenvolvimento científico e tecnológico do chamado Terceiro Mundo com a inclusão da capacidade

intelectual das mulheres em atividades científicas. Além disso, o afastamento das áreas que decidem política e socialmente os destinos dos países as torna invisíveis na vida pública, como coadjuvantes dos atores de um plano maior, criado por homens e a eles destinado. E isso se dá em nível mundial.

O feminismo mudou a ciência?,2 da

norte-americana Londa Schiebinger, é outra obra de referência para o tema, apontando as transformações dos conteúdos de conhecimento pelo feminismo, além do papel das mulheres na ciência e as questões de gênero que permeiam o meio científico.

Hildete P. de Melo é doutora em Economia e professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), com uma consistente carreira iniciada em meio aos movimentos feministas do Brasil dos anos 1970. Lígia Maria C. S. Rodrigues dedica-se à Física, disciplina em que se doutorou, e segue na elaboração e prática de pesquisas para o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF); tem também participação histórica em grupos feministas.

Juntas, as autoras lançam-se à tarefa de propor novos desafios às mulheres que passam pelas universidades, mas ainda se encontram limitadas pelo ranço social que as quer ainda atirar ao domínio privado, atuando como uma “lei da gravidade” contra a qual se necessita lutar a cada dia. As mulheres que conseguem transcender as paredes da casa – seu lugar tradicionalmente construído – muitas vezes optam pelos chamados “trabalhos femininos”, longe dos postos de chefia e direção. As responsabilidades advindas das questões de gênero não são poucas e colocam-se como entraves ao desenvolvimento no campo profissional e científico.

(2)

820

Estudos Feministas, Florianópolis, 14(3): 819-841, setembro-dezembro/2006

Notamos a importância de um meio familiar propício ao avanço profissional das mulheres, quando os pais já haviam aberto caminhos que puderam levar à pesquisa, quando elas se uniram a companheiros cientistas ou quando tiveram educação provinda de outros países – com padrões diversos de pensamento e conduta adotados, entre os quais o incentivo às carreiras das filhas. Somados, esses casos compõem a maioria das biografias encontradas.

Esse curto apanhado nos possibilita refletir sobre as distinções na formação dessas mulheres e perceber que, para além das questões de gênero, a cultura também fazia parte dos fatores de exclusão das mulheres brasileiras da pesquisa científica naquele momento. Hoje outros fatores se fazem mais evidentes, como as questões sócio-econômicas, além da permanente divisão do trabalho por sexo, que ainda é bastante forte na nossa sociedade.

É interessante percebermos aonde a determinação e a continuidade nas pesquisas pode levar. O sucesso nas carreiras das cientistas escolhidas mostra que elas quebraram os “telhados de vidro” dentro das instituições para as quais trabalham ou trabalharam, e mesmo em suas vidas, com várias delas vencendo as barreiras do preconceito e afirmando-se no pioneirismo e na competência profissional.

O livro de Hildete Melo e Lígia Rodrigues contribui de maneira incisiva para essa discussão.

Alguns erros de grafia encontrados em Pioneiras

da ciência no Br as il certamente podem ser

desconsiderados diante da importância do trabalho como fonte de consulta e reflexão, para melhor entendermos os caminhos percorridos por essas mulheres pioneiras, modelos de atitude e coragem para as pesquisadoras que se formam e trabalham neste outro século, pleno de avanços tecnológicos e intelectuais, mas que mantém obstáculos estabelecidos pelo preconceito, que ainda representam pedras a serem removidas a talhadeiras e mãos.

São profundas as mudanças estruturais que se fazem necessárias à construção da igualdade, dentro e fora do campo científico. Então, mãos à obra.

Notas NotasNotas NotasNotas

1 TABAK, 2002. 2 SCHIEBINGER, 2001.

R RR

RReferências bibliográficaseferências bibliográficaseferências bibliográficaseferências bibliográficaseferências bibliográficas

SCHIEBINGER, Londa. O femi ni s mo mudou a

ciência? Trad. Raul Fiker. Bauru: EDUSC, 2001.

TABAK, Fanny. O laboratório de Pandora. Rio de Janeiro: Garamond, 2002.

Referências

Documentos relacionados

Patrícia Lessa estrutura o livro a partir de um roteiro que parte da discussão em torno da fotografia publicitária e da imagem como fonte de pesquisa, seguida de um histórico

Dessa forma, a novela romântica, ou também caracterizada por Jean Franco como romance rosa, tem como público- alvo mulheres de classe alta num processo de conciliação entre seu

Segundo a autora, refletir sobre essa relação é primordial para entender como a revista funcionou como recurso dentro da Segunda Onda do Feminismo.. apresentava, em cada edição,

Outra boa notícia para o campo dos estudos feministas e de gênero no Brasil é a reedição do Programa Mulher e Ciência, promovido pela Secretaria Especial de Políticas para as

Considerando os homossexuais a “última tribo romântica do mundo”, Mott afirma defender não apenas a aprovação imediata do projeto de lei que institui a PCR, mas também do

O feminino, tido como aquilo que se refere à mulher, sempre foi definido como algo negativo e passivo em nossa sociedade objetiva e dicotômica, enquanto o lugar dos homens, tido como

Como se percebe, temos uma Deledda sensível em relação aos mais diferentes aspectos que a vida lhe impõe, como o sofrimento pelo irmão alcoolizado, a morte de sua irmã Giovanna,

No entanto, ainda que este outro lado, até então inédito, trate principalmente dos acontecimentos na “vida pública” de Madeleine Pelletier, esta obra traz detalhes fundamentais,

The artificial wolf with the largest value of the objective function was selected as the head wolf, and the other artificial wolves were regarded as the detective wolves and walked away

6 - Results of ultrasonic measurements ultrasonic signal velocity of test specimens grouted with organosilicate based mixture labelled BK Material Velocity in grouted part [m/s]

42 THE CIVIL ENGINEERING JOURNAL 4-2019 --- DOI 10.14311/CEJ.2019.04.0042 521 TREATMENT OF LEVEL CONTROL NETWORK AFTER LONG TUNNEL The high-speed railway precision measurement

The Dark Target DT, the Deep Blue DB, and the merged algorithm DTB of the MODIS latest collection 6.1 Level 2 aerosol products MOD04_L2 were tested by comparing its results with the

44 THE CIVIL ENGINEERING JOURNAL 4-2019 --- DOI 10.14311/CEJ.2019.04.0044 536 𝑀𝑝𝑏= 𝑊𝑝𝑏× 𝑓𝑦 21 The equation of the plastic moment in the whole section of the H-shaped steel column

2 – Composite density as a function of the sand content for V-PET and R-PET Compressive strength Figure 3a-b shows the average compressive strength of V-PET and R-PET for the

Tab.5 - Internal force of radical cable at maximum load bearing capacity kN Steel 5129.3 CFRP 5131.7 CONCLUSION This study examines the most likely cause of structural failure

1 - Shows the analysis of material properties TIMBER - FRP INTERFACE: ANALYSIS OF MATERIAL PROPERTIES Categories Wood / Timber Epoxy Adhesives Positive features Negative