DICLOFENAC: perfil de utilização, efeitos secundários e interações medicamentosas

Texto

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Ciências da Saúde

DICLOFENAC: perfil de utilização, efeitos

secundários e interações medicamentosas

Experiência Profissionalizante na vertente de Farmácia

Comunitária e Investigação

Simone Coelho Belizário

Relatório de estágio para obtenção do Grau de Mestre em

Ciências Farmacêuticas

(Ciclo de Estudos Integrado)

Orientador: Professor Doutor Samuel Martins Silvestre

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“Nunca ninguém se perdeu. Tudo é verdade e caminho.”

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Agradecimentos

Ao meu orientador na componente de investigação, Professor Doutor Samuel Silvestre, pela disponibilidade e amabilidade demonstradas ao aceitar orientar-me neste projeto, pelas ideias e sugestões dadas e, acima de tudo, pelos ensinamentos transmitidos ao longo de todo o meu percurso no Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas.

Ao meu orientador de estágio, Dr. João Paiva, pela constante simpatia, paciência e compreensão, assim como pelo empenho demonstrado para que retirasse do estágio o máximo proveito possível.

À Dra. Tânia e à Dra. Diana, não só pelos conhecimentos transmitidos, como também pela amizade demonstrada. Foram fundamentais neste processo final de aprendizagem.

À Cristina e ao Pepe, pela forma como me receberam e acolheram, fazendo-me sentir em casa.

À minha mãe, por ser um pilar na minha vida. Por nunca deixar de acreditar em mim e nas minhas capacidades, pelo amor com que sempre me criou e por todas as condições que me proporcionou para que fosse bem sucedida. Por me guiar diariamente.

Ao meu pai, pela preciosa ajuda e constante motivação.

Ao meu irmão, por ser simplesmente o melhor. Pela amizade, carinho e preocupação, demonstrados sempre de uma forma tão singela. Por todo o orgulho que me faz sentir.

Aos meus avós, tios e restante família, pelo amor e união com que vivem, pelos valores que demonstram, pela ternura com que preenchem os meus dias e pelo orgulho que sei que depositam em mim.

À Pris, pela amizade tão única, construída desde o primeiro dia da faculdade e cimentada ao longo de todos estes anos.

À Teresa, ao Carlos e ao Paulo, pela amizade verdadeira que sei que o tempo não apagará. Ao Filipe, companheiro de todos os momentos, por tudo o que representa na minha vida. Pela ajuda imprescindível e irrepreensível. Pela entrega, paciência e dedicação constantes. Por me trazer a paz e o equilíbrio de que necessito. Por todo o amor que me dá e por iluminar ainda mais os meus dias.

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Resumo

O presente trabalho encontra-se dividido em duas partes distintas. A primeira parte corresponde ao Capítulo I e descreve o estágio realizado em Farmácia Comunitária, ao passo que a segunda, Capítulo II, expõe o trabalho de investigação relativo ao fármaco diclofenac.

Capítulo I: A Farmácia Comunitária é um espaço que assume uma enorme importância na dispensa de medicamentos, cabendo ao Farmacêutico a execução da sua atividade com o máximo empenho e rigor, já que, por se assumir como o último contacto do utente com um profissional de saúde antes da toma da medicação, é inevitável que este retenha os seus conselhos, indicações e recomendações. O relatório de estágio tem por objetivo relatar os conhecimentos adquiridos assim como as atividades desenvolvidas durante o estágio curricular, destacando, sempre que possível, a importância do ato farmacêutico. O estágio curricular decorreu na Farmácia Modelar, situada na freguesia do Teixoso, concelho da Covilhã, entre 23 de janeiro a 2 de junho de 2017.

Capítulo II: Os anti-inflamatórios não esteróides correspondem a um grupo de fármacos amplamente utilizados no mundo inteiro, estimando-se que, em Portugal, cerca de 800 000 pessoas façam uso, por dia, de pelo menos um medicamento desta classe, o que equivale cerca de 8% da população. De todos os fármacos pertencentes a esta família, o diclofenac é o mais prescrito a nível mundial, sendo também um dos anti-inflamatórios que mais preocupações levanta no que diz respeito aos seus efeitos colaterais. O objetivo primário desta investigação foi a avaliação do perfil de utilização do diclofenac, bem como dos seus efeitos secundários e possíveis interações medicamentosas. Para tal, foram aplicados questionários individuais a utentes de 8 Farmácias Comunitárias da Região Centro de Portugal. Os dados foram recolhidos continuamente ao longo de dois meses, julho e agosto de 2017, sendo posteriormente tratados estatisticamente com auxílio do software informático IBM SPSS Statistics 23®. A amostra foi constituída por 116 participantes, com idades

compreendidas entre os 18 e os 95 anos, dos quais 82 (70,7%) eram homens. A maior parte dos inquiridos afirmou ter tomado conhecimento do medicamento contendo diclofenac por indicação do Médico ou por aconselhamento do Farmacêutico, com a principal finalidade de aliviar dores musculares ou reumáticas, mencionada por 101 inquiridos. Os tratamentos decorreram essencialmente por períodos de 1 a 3 dias (49,1%), com frequências de administração de 1 a 3 tomas diárias (72,4%). Dos 116 inquiridos, 11 tinham tomado concomitantemente medicação passível de causar interações com o medicamento em estudo. Por fim, verificou-se que 31 inquiridos (26,7%) referiram efeitos secundários à toma do medicamento, predominando as dores de estômago (23 utentes). De um modo geral, concluiu-se que houve um uso irresponsável do medicamento por parte de alguns utentes, nomeadamente por aqueles que administraram dosagens elevadas várias vezes ao dia.

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Palavras-chave

Farmácia Comunitária, anti-inflamatórios não esteróides, diclofenac, efeitos adversos, interações medicamentosas.

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Abstract

The present study is divided into two different parts: the first one relates to Chapter I and describes the done in Community Pharmacy. The second one, Chapter II, describes the investigation on anti-inflammatory drug diclofenac.

Chapter I: Community Pharmacy plays an important role, regarding the dispensing of medicine, having the pharmacist to perform his activity with a strict rigour since he/she is the ultimate contact of the patient with a health professional before taking the medication. The patient will, inevitably, accept his advice, indications and recommendations. The training report has the aim of exposing the acquired knowledge as well as theactivities performed during the curricular training, enhancing, whenever possible, the importance of the pharmaceutical action. The practical training took place in Farmácia Modelar, located in the parish of Teixoso, municipality of Covilhã, between the 23rd of January to the 2nd of June

2017.

Chapter II: Nonsteroidal anti-inflammatory drugs are part of a group of pharmaceutical drugs, widely used in the world. It is estimated that in Portugal, about 800 000 people use, at least, one medicine of this category daily, which means 8% of the population. Of all the pharmaceutical drugs encompassed in this category, diclofenac is the most prescribed in the world and, at the same time, is also one which poses more preoccupations, concerning its pharmacotherapeutic effects. The main aim of this investigation was the assessment of the usage pattern of diclofenac, its side effects and possible drug interactions. To achieve this, individual questionnaires were applied to users of 8 different Community Pharmacies in the central region of Portugal. The data has been continuously collected over the months of July and August of 2017 and was later handled, statistically, with the help of the software IBM SPSS Statistics 23®. The sample consisted of

116 respondents, aged between 18 and 95 years old, from which 82 (70,7%) were men. The majority of people who participated in the survey stated that they got to know about the medicine containing diclofenac when their doctor prescribed it or by following the advice of the pharmacist in order to alleviate muscular or rheumatic pains. The treatments were essentially for periods of 1 to 3 days (49,1%), with up to three daily intakes (72,4%). 11 out of the 116 respondents had taken concomitant medication that could cause drug interactions. Finally, it was found that 31 respondents (26,7%) reported side effects, mainly stomach pain (23 users). In general, it was concluded that there was an irresponsible use of diclofenac by some users, particularly by those who who administered high dosages several times a day.

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Keywords

Community Pharmacy, nonsteroidal anti-inflammatory drugs, diclofenac, side effects, drug interactions.

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Índice

Capítulo I – Farmácia Comunitária

1. Introdução ... 1

2. Organização da Farmácia ... 2

2.1. Recursos humanos ... 2

2.2. Instalações e equipamentos ... 3

2.3. Recursos Informáticos ... 6

3. Informação e documentação científica ... 7

4. Medicamentos e outros produtos de saúde ... 7

4.1. Sistemas de classificação mais utilizados em FC ... 7

4.2. Definição de conceitos ... 8

4.3. Gamas de produtos disponíveis na farmácia ... 10

4.4. Verificação da existência de qualquer medicamento ou produto de saúde e sua localização nas instalações da farmácia ... 11

5. Aprovisionamento e armazenamento ... 11

5.1. Critérios para a seleção de um fornecedor/armazenista ... 11

5.2. Critérios na aquisição dos diferentes medicamentos e produtos de saúde ... 12

5.3. Critérios de armazenamento ... 12

5.4. Encomendas e devoluções ... 13

5.5. Margens legais e comercialização de preços... 14

5.6. Controlo de prazos de validade ... 15

6. Interação Farmacêutico-Utente-Medicamento ... 15

6.1. Aspetos éticos, deontológicos e técnicos ... 15

6.2. Farmacovigilância ... 16

6.3. Reencaminhamento de medicamentos fora de uso ... 17

7. Dispensa de Medicamentos ... 17

7.1. Prescrições médicas ... 17

7.2. Utilização da aplicação informática na dispensa de medicamentos... 20

7.3. Regimes de comparticipação ... 20

7.4. Requisitos legais em vigor relativos à dispensa de medicamentos psicotrópicos/estupefacientes ... 22

7.5. Dispensa de produtos ao abrigo de protocolos ... 22

7.6. Enquadramento legislativo relativo à dispensa de genéricos ... 23

8. Automedicação ... 24

8.1. Distinção entre MSRM e MNSRM ... 24

8.2. Quadros sintomáticos que exigem cuidados médicos ... 25

8.3. Quadros que podem ser abordados com medidas não farmacológicas ... 25

8.4. Indicação farmacêutica de um MNSRM... 26

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9. Aconselhamento e dispensa de outros produtos de saúde ... 27

9.1. Produtos dermocosméticos e de higiene ... 28

9.2. Produtos dietéticos para alimentação especial ... 29

9.3. Produtos dietéticos infantis ... 29

9.4. Fitoterapia e suplementos nutricionais (nutracêuticos) ... 30

9.5. Medicamentos e produtos de uso veterinário ... 32

9.6. Dispositivos médicos ... 32

10. Outros cuidados de saúde prestados na Farmácia ... 33

10.1. Cuidados Farmacêuticos ... 33

10.2. Outros serviços disponibilizados ... 36

11. Preparação de medicamentos ... 37

12. Contabilidade e gestão ... 39

12.1. Processamento de receituário ... 39

12.2. Documentos contabilísticos ... 40

12.3. Definição de conceitos ... 41

13. Outras atividades desenvolvidas ... 41

14. Conclusão ... 42 Bibliografia ... 43 Capítulo II - Investigação 1. Introdução ... 47 1.1. Processo inflamatório ... 48 1.2. Dor e febre ... 52

1.3. Anti-inflamatórios não esteróides ... 53

1.3.1. COX-1 e COX-2 ... 53

1.3.2. Farmacologia dos AINE’s ... 54

1.3.3. Diclofenac ... 58

2. Justificação do tema ... 64

3. Objetivos ... 66

4. Material e métodos ... 67

4.1. Tipo de estudo e critérios de seleção da amostra ... 67

4.2. Análise dos dados ... 68

4.3. População em estudo ... 68

5. Resultados ... 69

5.1. Análise estatística descritiva ... 69

5.2. Análise estatística inferencial ... 81

6. Discussão dos resultados ... 86

7. Limitações do estudo ... 90

8. Conclusão e perspetivas futuras ... 91

Bibliografia ... 92

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Lista de Figuras

Figura 1 – Estrutura química do ácido araquidónico 48

Figura 2 – Cascata simplificada do ácido araquidónico 49

Figura 3 – Biossíntese das prostaglandinas a partir do ácido araquidónico 50

Figura 4 – Biossíntese de tromboxanos e prostaciclina 51

Figura 5 – Biossíntese dos leucotrienos 52

Figura 6 – Estrutura química do diclofenac 59

Figura 7 – Metabolismo do diclofenac 60

Figura 8 – Distribuição da amostra populacional relativamente ao sexo 69 Figura 9 – Distribuição da amostra populacional de acordo com a faixa etária 70 Figura 10 – Distribuição da amostra populacional por sexo em função da faixa etária 70 Figura 11 – Distribuição da amostra populacional relativamente às habilitações literárias 71 Figura 12 – Distribuição da amostra populacional relativamente à situação profissional 71 Figura 13 – Distribuição da amostra populacional reativamente à forma de conhecimento

do medicamento contendo diclofenac 72

Figura 14 – Distribuição da amostra populacional relativamente à finalidade para a qual

foi consumido o medicamento contendo diclofenac 72

Figura 15 – Distribuição da amostra populacional relativamente à toma de medicamento

prévios ao medicamento contendo diclofenac 73

Figura 16 – Distribuição da amostra populacional relativamente à duração do tratamento

com o medicamento contendo diclofenac 74

Figura 17 – Distribuição da amostra populacional em função da frequência diária de

administração do medicamento contendo diclofenac 75

Figura 18 – Distribuição da amostra populacional de acordo com a ocorrência de efeitos indesejáveis decorrentes da toma do medicamento contendo diclofenac 77 Figura 19 – Distribuição da amostra populacional quanto ao feedback dado ao médico ou farmacêutico relativamente ao(s) efeito(s) adverso(s) experimentado(s) 78 Figura 20 – Distribuição da amostra populacional relativamente à toma de outros medicamentos durante o tratamento com o medicamento contendo diclofenac 79 Figura 21 – Distribuição da amostra populacional relativamente à toma de medicamentos passíveis de causar interações medicamentosas com o medicamento

contendo diclofenac 79

Figura 22 – Medicamentos referidos pelos utentes passíveis de causar interações

medicamentosas com o medicamento contendo diclofenac 79

Figura 23 – Distribuição da amostra populacional quanto à existência de doenças

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Lista de Tabelas

Tabela 1 – Valores de referência para o IMC 34

Tabela 2 - Definições e classificações dos níveis de pressão arterial 34

Tabela 3 - Valores de referência para a glicémia 35

Tabela 4 - Valores de referência para colesterol total e triglicéridos 36

Tabela 5 - Valores de referência para o ácido úrico 36

Tabela 6 – Medicamentos contendo diclofenac, na sua forma oral, atualmente

disponíveis no mercado português 62

Tabela 7 – Medicamentos prévios indicados pelos inquiridos 74 Tabela 8 – Distribuição da amostra populacional de acordo com a dosagem

administrada do medicamento contendo diclofenac 75

Tabela 9 – Relação entre a dosagem do medicamento contendo diclofenac e a

frequência diária de administração 76

Tabela 10 – Efeitos indesejáveis indicados pelos inquiridos 77 Tabela 11 – Patologias crónicas indicadas pelos inquiridos 80 Tabela 12 – Distribuição da amostra populacional relativamente ao desenvolvimento

ou não de efeitos indesejáveis em função da duração do tratamento com o

medicamento contendo diclofenac e respetivo teste do Qui-quadrado 82 Tabela 13 – Distribuição da amostra populacional relativamente ao desenvolvimento

ou não de efeitos indesejáveis por períodos inferiores ou superiores a 7 dias 82 Tabela 14 – Distribuição da amostra populacional relativamente ao desenvolvimento

ou não de efeitos indesejáveis em função da dosagem administrada do medicamento

contendo diclofenac e respetivo teste do Qui-quadrado 83

Tabela 15 – Distribuição da amostra populacional relativamente ao desenvolvimento

ou não de efeitos indesejáveis com dosagens inferiores ou superiores a 75 mg 84 Tabela 16 – Distribuição da amostra populacional relativamente ao desenvolvimento

ou não de efeitos indesejáveis em função da frequência diária de administração do

medicamento contendo diclofenac e respetivo teste do Qui-quadrado 84 Tabela 17 – Distribuição da amostra populacional relativamente ao desenvolvimento

ou não de feitos indesejáveis em função da existência de medicação concomitante e

respetivo teste do Qui-Quadrado 85

Tabela 18 – Distribuição da amostra populacional relativamente ao desenvolvimento ou não de efeitos indesejáveis em função da existência de doenças crónicas e

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Lista de Acrónimos

AA Ácido Araquidónico

AIM Autorização de Introdução no Mercado AINE Anti-Inflamatório Não Esteróide

ARA Antagonista dos Recetores da Angiotensina II ATC Do inglês “Anatomical Therapeutic Chemical Code” CCF Centro de Conferência de Faturas

CE Comunidade Europeia

CEDIME Centro de Divulgação do Medicamento CEFAR Centro de Estudos e Avaliação em Saúde CETMED Centro Tecnológico do Medicamento CIM Centro de Informação do Medicamento

COX Cicloxigenase

COX-1 Cicloxigenase-1 COX-2 Cicloxigenase-2 COX-3 Cicloxigenase 3

DCI Denominação Comum Internacional FGP Formulário Galénico Português FP Farmacopeia Portuguesa

HPETE Ácido Hidroxiperóxidoeicosatetraenóico HTA Hipertensão Arterial

IECA Inibidor da Enzima de Conversão da Angiotensina I IMC Índice de Massa Corporal

INFARMED Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, I.P. IRC Imposto sobre o Rendimento de pessoas Coletivas

IRS Imposto sobre o Rendimento de pessoas Singulares ISRS Inibidor Seletivo da Recaptação de Serotonina IVA Imposto sobre o Valor Acrescentado

LEF Laboratório de Estudos Farmacêuticos

LT Leucotrieno LTA4 Leucotrieno A4 LTB4 Leucotrieno B4 LTC4 Leucotrieno C4 LTD4 Leucotrieno D4 LTE4 Leucotrieno E4 LTF4 Leucotrieno F4

MNSRM Medicamento Não Sujeito a Receita Médica MSRM Medicamento Sujeito a Receita Médica OMS Organização Mundial de Saúde

OTC Do inglês “Over the Counter” PAD Pressão Arterial Diastólica PAS Pressão Arterial Sistólica

PG Prostaglandina

PGD2 Prostaglandina D2

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PGF2α Prostaglandina F2α PGG2 Prostaglandina G2 PGH2 Prostaglandina H2 PGI2 Prostaciclina PLA2 Fosfolipase A2 PLC Fosfolipase C

PVF Preço de Venda à Farmácia PVP Preço de Venda ao Público RAM Reação Adversa Medicamentosa

RCM Resumo das Características do Medicamento RSP Receita Sem Papel

SNC Sistema Nervoso Central

SNF Sistema Nacional de Farmacovigilância SNS Serviço Nacional de Saúde

TXA2 Tromboxano A2

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Capítulo I – Farmácia Comunitária

1. Introdução

A Farmácia é um estabelecimento de saúde privado e de interesse público, cujo objetivo primordial assenta na dispensa de medicamentos em condições passíveis de minimizar o risco associado ao seu uso, permitindo a avaliação dos resultados clínicos dos medicamentos e contribuindo consequentemente para uma redução na morbi-mortalidade associada a estes, a qual provoca danos não só sociais, como também económicos. Assumindo-se tendencialmente como o último contacto entre o utente e um profissional de saúde antes da toma do medicamento, o farmacêutico revela tem um papel fulcral na melhoria da qualidade de vida da população, devendo munir-se de todos os conhecimentos, aptidões e ferramentas que possui, colocando o doente como centro da sua atividade.(1)

Surge, assim, o conceito de Cuidados Farmacêuticos, um conjunto de processos clínicos que vão muito além da dispensa de medicamentos e que visam uma constante melhoria do estado de saúde da população. Como tal, além da cedência e indicação de medicamentos ou produtos de saúde, cabe ao farmacêutico a prestação de outros cuidados e serviços de saúde, como testes rápidos para medição de diversos parâmetros bioquímicos, o seguimento farmacoterapêutico do utente ou o possível encaminhamento deste ao médico. A revisão da terapêutica, a educação para a saúde, a farmacovigilância bem como a promoção do uso racional do medicamento são aspetos igualmente importantes, que não devem ser esquecidos.(1)

É objetivo deste relatório sumariar o estágio curricular decorrido na Farmácia Modelar, situada na freguesia do Teixoso, concelho da Covilhã, durante o período de 23 de janeiro a 2 de junho de 2017, ao nível dos conhecimentos adquiridos, serviços prestados e demais atividades em que se manifeste importante o papel do farmacêutico. Este estágio foi orientado pelo Dr. João Miguel Guerra Paiva, Diretor-Técnico da farmácia em questão.

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2. Organização da Farmácia

2.1. Recursos humanos

Composição do quadro pessoal da farmácia:

Diretor-Técnico/Farmacêutico: Dr. João Miguel Guerra Paiva Farmacêutico-Adjunto: Dr.ª Diana Marinho Lopes

Farmacêutico: Dr.ª Tânia Sofia Silva Correia

Técnicos de Farmácia: José Paiva e Cristina Carrilho Paiva Contabilista: Sr. Álvaro Mingote

Funções de cada um dos seus elementos:

O Diretor-Técnico é quem se responsabiliza pelos atos farmacêuticos praticados na Farmácia. Assim, este assegura que são prestados esclarecimentos aos utentes sobre o modo de utilização dos medicamentos e que é fomentado o seu uso racional. Garante também que os medicamentos sujeitos a receita médica (MSRM) apenas são dispensados a utentes que não apresentem a referida receita em casos de força maior e devidamente justificados. Assegura que os medicamentos e outros produtos são fornecidos em bom estado de conservação. Adicionalmente, certifica-se de que a farmácia se encontra em condições de adequada higiene e segurança e que dispõe de um aprovisionamento suficiente de medicamentos. Deve também apelar ao permanente asseio e higiene do pessoal que trabalha na farmácia. Por fim, cabe-lhe averiguar a execução das regras deontológicas da atividade farmacêutica, verificando também o cumprimento dos princípios e deveres previstos na legislação reguladora da atividade farmacêutica.(2)

Importa referir que o Diretor-Técnico pode ser coadjuvado por farmacêuticos, técnicos de farmácia e pessoal devidamente habilitado, sob a sua direção e responsabilidade. Nas suas ausências e impedimentos (por exemplo, em período de férias), a farmácia deve dispor de um outro farmacêutico que o substitua, razão pela qual se justifica que todas as farmácias devam integrar nas suas equipas um mínimo de dois farmacêuticos.(2)

Por sua vez, os farmacêuticos têm como responsabilidade primária a saúde e o bem-estar do doente e do cidadão em geral, promovendo o direito a um tratamento com qualidade, eficácia e segurança. Cabe-lhes o aconselhamento sobre o uso racional dos medicamentos e a monitorização dos doentes, entre outras atividades no âmbito dos cuidados farmacêuticos. É importante que sejam definidas as atividades específicas exclusivas dos farmacêuticos, a saber: contacto com outros profissionais de saúde; controlo de psicotrópicos e estupefacientes; cedência de medicamentos; seguimento farmacoterapêutico; contacto com os centros de informação dos medicamentos; gestão da formação dos colaboradores e

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gestão das reclamações. Estes profissionais devem assegurar sempre a máxima qualidade dos serviços que prestam. Para tal, é fundamental que se mantenham informados, seja a nível científico, ético ou legal, de forma a assumir um nível de competência adequado à prestação de uma prática eficiente. É obrigação profissional a formação contínua, passando esta pela frequência de cursos de formação científica e técnica, simpósios, congressos, encontros profissionais e científicos, sessões clínicas internas da farmácia e ainda a leitura de publicações que contribuam para a sua atualização profissional e reforço das suas competências. Qualquer atividade que apresente relevância curricular deve ser registada, garantindo um curriculum vitae permanentemente atualizado. A frequência de cursos de auditoria deve ser vista como uma forma de evolução profissional, na medida em que permite aos farmacêuticos aplicar os conhecimentos adquiridos na avaliação das suas próprias atividades profissionais. Por último, os farmacêuticos devem ainda supervisionar, verificar e avaliar as tarefas delegadas no pessoal de apoio, intervindo sempre que necessário, e garantir que este possui formação atualizada para as tarefas que desempenha.(1)

Quanto aos técnicos de farmácia, estes desempenham funções importantes como o atendimento ao público, a receção de encomendas, a verificação dos prazos de validade, entre outras.

Por último, o contabilista tem à sua responsabilidade a organização e gestão da documentação, sendo fundamental na área financeira.

2.2. Instalações e equipamentos

Espaço físico da farmácia e divisões funcionais:

As farmácias devem possuir instalações adequadas, de modo a garantir quer a segurança, conservação e preparação de medicamentos, quer a acessibilidade, comodidade e privacidade dos utentes e do respetivo pessoal.(2) Assim, requer-se uma área útil com no

mínimo 95 m2, e que apresente, obrigatória e separadamente, as seguintes divisões:(3)

a) Sala de atendimento ao público com, pelo menos, 50 m2;

b) Armazém com, pelo menos, 25 m2;

c) Laboratório com, pelo menos, 8 m2;

d) Instalações sanitárias com, pelo menos, 5 m2;

e) Gabinete de atendimento personalizado, exclusivo para a prestação dos serviços, e com, pelo menos, 7 m2.

Facultativamente, podem ainda dispor de outras divisões, como sejam: gabinete da direção-técnica, zona de recolhimento ou quarto, área técnica de informática e economato. Estas áreas devem acrescer ao mínimo previsto de 95 m2.(3)

A Farmácia Modelar cumpre os requisitos supracitados, possuindo como áreas funcionais as que se seguem:

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• Área de atendimento ao público – aqui encontram-se os medicamentos não sujeitos a receita médica (MNSRM), demais produtos de dermocosmética, puericultura e higiene oral, bem como produtos de uso veterinário não sujeitos a receita médico-veterinária e alguns MSRM de marca comercial, fora do alcance dos utentes e em armários com portas semi-opacas. Também existe um medidor de pressão arterial, um aparelho digital automático para medição dos parâmetros antropométricos (Altura, Peso e Índice de Massa Corporal) e ainda câmaras de videovigilância, colocadas em locais estratégicos, de forma a criar uma visão de toda esta zona da farmácia;

• Área de armazenamento – zona dividida em duas partes, uma onde estão disponíveis todos os medicamentos genéricos em stock, organizados alfabeticamente, e outra onde se encontram as soluções orais, inaladores e preparações para supensão oral e saquetas. Existe também uma área de prateleiras onde estão armazenados medicamentos com grandes stocks;

• Back office - é onde se realiza a receção e o processamento das encomendas, as devoluções e as comunicações com os fornecedores/armazenistas. É também nesta zona que se encontra o material de penso, os restantes produtos e medicamentos de uso veterinário e o frigorífico, que armazena os medicamentos que requerem conservação a uma temperatura entre 2º e 8ºC;

• Laboratório – local onde são produzidos os medicamentos manipulados e se armazenam as matérias-primas. Está equipado com lavatório, exaustor, balanças, material de existência obrigatória no laboratório e pedra para manipulação. Possui uma janela de grandes dimensões para o exterior, que pode ser aberta em caso de acidente ou libertação não controlada de gases ou aerossóis durante a manipulação de produtos;

• Gabinete de atendimento personalizado - local com acesso controlado, onde são prestados cuidados de saúde, a saber: medição do colesterol total, triglicéridos, glicémia e ácido úrico. É aqui que são armazenados os psicotrópicos e estupefacientes, num armário destinado unicamente a este fim;

• Casa de banho;

• Gabinete da Direção-Técnica/escritório, reservado às questões burocráticas, no qual se encontram os demais registos, assim como toda a bibliografia necessária. Aqui, é ainda possível assistir, em tempo real, às filmagens geradas pelas câmaras

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Foi no logo do primeiro dia de estágio que me foram apresentadas todas as divisões funcionais da farmácia, sendo que foi no decorrer deste que fui percebendo concretamente o que existe e se faz em cada uma delas.

Elementos interiores e exteriores da farmácia:

A Farmácia Modelar cumpre os requisitos das Boas Práticas Farmacêuticas para a Farmácia Comunitária, encontrando-se instalada ao nível da rua e não expondo qualquer obstáculo à entrada dos doentes. A poucos metros, pode ver-se uma placa identificativa com a palavra “Farmácia”, sendo que na sua entrada se visualiza uma cruz verde luminosa, também identificativa do estabelecimento. Ainda na zona exterior, é indicado o nome da farmácia, do Diretor-Técnico, bem como as informações referentes ao seu horário de funcionamento (dias úteis: 9:00-13:00 | 14:30-20:00; sábados: 9:00-13:00; domingos: 10:00-13:00). Tem disponível para consulta as farmácias de serviço, assim como as pessoas de contacto em caso de necessidade de abertura da farmácia fora do horário de funcionamento. Importa destacar que a fachada da farmácia se encontra sempre limpa e em boas condições de conservação.(1)

No que diz respeito ao interior da farmácia, denota-se um ambiente profissional e calmo, propício a uma comunicação ótima com os utentes. Os próprios balcões de atendimento não apresentam qualquer obstáculo que condicione a comunicação/visualização entre o farmacêutico e o utente, estando colocados de forma a permitir a privacidade deste último. Também o gabinete de atendimento personalizado possui condições que garantem um diálogo confidencial e asseguram a privacidade necessária.

Ainda na sala de atendimento ao público são disponibilizadas cadeiras, para que o utente e/ou acompanhante possa(m) aguardar ou, se necessário, ser atendido(s) sentado(s). Esta zona encontra-se adequadamente iluminada e ventilada, dispondo de superfícies de trabalho, prateleiras e armários lisos, laváveis e em material adequado. Em todos os balcões de atendimento estão divulgadas as prioridades (grávidas, idosos, pessoas com deficiência ou pais com crianças de idade reduzida) e os os serviços farmacêuticos prestados pela farmácia com os seus respetivos preços. A proibição de fumar e de entrada de animais (exceto cães-guia) está claramente expressa, bem como a existência de livro de reclamações. Observa-se ainda uma placa com o nome da farmácia e do Diretor-Técnico e o respetivo alvará. É de referir que toda a equipa se encontra devidamente identificada, através do uso um cartão com o nome e título profissional.(1)

Quer o gabinete de atendimento especializado, quer o laboratório dispõem igualmente de superfícies de trabalho lisas e material adequado. Todo o material de medição de parâmetros bioquímicos se apresenta em condições de utilização.(1)

Por fim, a farmácia possui ainda extintores e diversos sinalizadores (ex: saída, quadro elétrico, etc), cumprindo todas as normas de segurança exigidas.

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Equipamentos gerais e específicos:

As farmácias devem possuir todo o equipamento necessário à sua atividade, sendo que este se deve encontrar em bom estado de funcionamento e cumprir com o desempenho requerido. É o Diretor-Técnico que garante a existência deste equipamento, garantindo igualmente que ele está aprovado, segue um plano de manutenção e, quando necessário, é submetido a um plano de calibração que demonstre o seu funcionamento adequado através da evidência do cumprimento dos critérios de aceitação definidos.(1)

Como equipamentos gerais, a Farmácia Modelar dispõe de balcões de atendimento, armários, mesas, cadeiras, bancos, escadotes e todo o material informático fundamental ao bom funcionamento.

Relativamente aos equipamentos específicos, a farmácia cumpre novamente os requisitos para as Boas Práticas Farmacêuticas, sendo de destacar todo o material que ao laboratório diz respeito (pedra-mármore, balanças de precisão, espátulas, materiais de vidro, plástico e porcelana, entre outros) e também farmacopeias, formulários e documentação oficial concordante com a legislação em vigor. A farmácia encontra-se ainda equipada com um frigorífico que permite armazenar medicamentos a temperatura adequada e controlada. A monitorização da temperatura e humidade deste aparelho, bem como da restante farmácia, é garantida por equipamentos específicos, denominados termohigrómetros.

2.3. Recursos Informáticos

A Farmácia Modelar encontra-se informatizada com cinco computadores de serviço, estando um deles fundamentalmente direcionado para a receção e gestão de encomendas, enquanto os restantes se designam ao atendimento ao público. Adicionalmente, existe o servidor, powerbanks e impressoras.

Todos os computadores estão conectados a um sistema de leitura ótica, a impressoras, ao multibanco e a etiquetadoras, tal como à impressora fiscal. O software utilizado é o Sifarma 2000. Esta ferramenta é utilizada por 90% das Farmácias Comunitárias em Portugal(4), pois possui inúmeras vantagens: proporciona um atendimento seguro e de

elevada qualidade; facilita a gestão de stocks, já que a entrada das encomendas e a saída dos produtos são atualizadas continua e imediatamente; possibilita o controlo dos prazos de validade; permite consultar, a qualquer momento, informação atualizada e fidedigna sobre os medicamentos. Acrescentam-se utilidades como efetuar vendas suspensas e/ou a crédito, criar encomendas, gerar devoluções, executar e consultar a faturação, consultar fichas de clientes e o histórico/tendências de compra, entre outras. Acoplado ao Sifarma, disponibilizam-se outros softwares de gestão importantes, tais como o Sifarma.Gest. Para aceder ao programa, cada operador dispõe de um código pessoal e de uma senha, tendo o

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3. Informação e documentação científica

Os constantes desenvolvimentos na ciência, aliados a uma população cada vez mais curiosa relativamente ao seu estado de saúde, instigam o farmacêutico a uma permanente atualização dos seus conhecimentos, de forma a conseguir responder a qualquer dúvida que surja por parte dos utentes. Para tal, este deve ter acesso às mais diversas fontes de informação respeitantes às indicações terapêuticas, mecanismos de ação, interações farmacológicas, efeitos adversos, posologias ou quaisquer precauções relativas aos medicamentos, e consultá-las sempre que necessário, assegurando assim uma prática farmacêutica eficaz e de confiança.

São de existência obrigatória na biblioteca (física ou informatizada) da farmácia o Prontuário Terapêutico, os Resumos das Características do Medicamento (RCM), o Formulário Galénico Português (FGP), a Farmacopeia Portuguesa (FP) e respetivos anexos. Pode ainda ter o Simposium Terapêutico, o Simposium Veterinário, o Manual das Boas Práticas Farmacêuticas para a Farmácia Comunitária, entre outros. Periodicamente, a farmácia recebe também catálogos de produtos comerciais, fluxogramas de aconselhamento farmacêutico, bem como jornais e revistas informativas para os utentes, como a Revista Saúda ou A Família Portuguesa.

Para além das fontes de informação acima referidas, existem, exteriormente à Farmácia, os seguintes centros de documentação e informação: Centro de Divulgação do Medicamento (CEDIME), Centro de Informação de Medicamento (CIM), Centro de Estudos e Avaliação em Saúde (CEFAR), Centro Tecnológico do Medicamento (CETMED), Laboratório de Estudos Farmacêuticos (LEF) e o próprio INFARMED (Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, I.P.).

Durante o período em que decorreu o estágio, tive a possibilidade de consultar, quando assim entendesse, qualquer um dos documentos existentes na farmácia. Saliento o interesse das revistas distribuídas aos utentes, pois a sua linguagem simples e acessível tornava-se uma mais-valia na interação com estes e até no aconselhamento de alguns produtos de saúde.

4. Medicamentos e outros produtos de saúde

4.1. Sistemas de classificação mais utilizados em FC

Classificação ATC (Anatomical Therapeutic Chemical Code):

Trata-se de uma classificação adotada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que divide os fármacos em diferentes grupos e subgrupos, consoante o órgão ou sistema de órgãos

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em que eles atuam, bem como as suas propriedades químicas, farmacológicas e terapêuticas.(5)

Classificação Farmacoterapêutica:

Classifica os fármacos de acordo com a sua ação terapêutica, encontrando-se em conformidade com a classificação ATC adotada pela OMS, o que facilita o manuseamento de ambas pelos profissionais de saúde.(6)

Classificação por forma farmacêutica:

De acordo com esta classificação, os fármacos são categorizados segundo o estado final em que as substâncias ativas ou excipientes se apresentam depois de submetidas às operações farmacêuticas necessárias, de modo a facilitar a sua administração e a permitir o maior efeito terapêutico desejado.(7)

Na Farmácia Modelar, os medicamentos encontram-se distribuídos conforme a sua forma farmacêutica, havendo diversos armários: preparações retais/vaginais, preparações tópicas, inaladores, entre outros.

4.2. Definição de conceitos

Medicamento:

“Toda a substância ou associação de substâncias apresentada como possuindo propriedades curativas ou preventivas de doenças em seres humanos ou dos seus sintomas ou que possa ser utilizada ou administrada no ser humano com vista a estabelecer um diagnóstico médico ou, exercendo uma ação farmacológica, imunológica ou metabólica, a restaurar, corrigir ou modificar funções fisiológicas.”(7)

Medicamento genérico:

“Medicamento com a mesma composição qualitativa e quantitativa em substâncias ativas, a mesma forma farmacêutica e cuja bioequivalência com o medicamento de referência haja sido demonstrada por estudos de biodisponibilidade apropriados.”(7)

Substância psicotrópica:

“Substância que atua sobre as funções e o comportamento psíquicos, qualquer que seja o tipo de efeito exercido (depressor, estimulante ou desviante).”(8)

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Estupefaciente:

“Substância tóxica, natural ou sintética, que atua nos centros nervosos e cujo uso mais ou menos prolongado provoca perturbações graves da personalidade, um deterioração física e psíquica progressiva, com habituação e toxicomania.”(8)

Medicamento homeopático:

“Medicamento obtido a partir de substâncias denominadas stocks ou matérias-primas homeopáticas, de acordo com um processo de fabrico descrito na farmacopeia europeia ou, na sua falta, em farmacopeia utilizada de modo oficial num Estado membro, e que pode conter vários princípios.”(7)

Medicamento à base de plantas:

“Qualquer medicamento que tenha exclusivamente como substâncias ativas uma ou mais substâncias derivadas de plantas, uma ou mais preparações à base de plantas ou uma ou mais substâncias derivadas de plantas em associação com uma ou mais preparações à base de plantas.”(7)

Fórmula magistral:

“Qualquer medicamento preparado numa farmácia de oficina ou serviço farmacêutico hospitalar, segundo uma receita médica e destinado a um doente determinado.”(7)

Preparado oficinal:

“Qualquer medicamento preparado segundo as indicações compendiais de uma farmacopeia ou de um formulário oficial, numa farmácia de oficina ou em serviços farmacêuticos hospitalares, destinado a ser dispensado diretamente aos doentes assistidos por essa farmácia ou serviço.”(7)

Medicamento veterinário:

“Toda a substância, ou associação de substâncias, apresentada como possuindo propriedades curativas ou preventivas de doenças em animais ou dos seus sintomas, ou que possa ser utilizada ou administrada no animal com vista a estabelecer um diagnóstico médico-veterinário ou, exercendo uma ação farmacológica, imunológica ou metabólica, a restaurar, corrigir ou modificar funções fisiológicas.”(9)

Produto de uso veterinário:

“Substância ou mistura de substâncias destinadas quer aos animais, para tratamento ou prevenção das doenças e dos seus sintomas, maneio zootécnico, promoção do bem-estar e estado higio-sanitário, correção ou modificação das funções orgânicas ou para diagnóstico médico, quer às instalações dos animais e ambiente que os rodeia ou a atividades relacionadas com estes ou com os produtos de origem animal.”(10)

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Produto cosmético:

“Qualquer substância ou mistura destinada a ser posta em contacto com as diversas partes superficiais do corpo humano, designadamente epiderme, sistemas piloso e capilar, unhas, lábios e órgãos genitais externos, ou com os dentes e as mucosas bucais, com a finalidade de, exclusiva ou principalmente, os limpar, perfumar, modificar o seu aspeto, proteger, manter em bom estado ou de corrigir os odores corporais.”(11)

Dispositivo médico:

“Qualquer instrumento, aparelho, equipamento, software, material ou artigo utilizado isoladamente ou em combinação, incluindo o software destinado pelo seu fabricante a ser utilizado especificamente para fins de diagnóstico ou terapêuticos e que seja necessário para o bom funcionamento do dispositivo médico, cujo principal efeito pretendido no corpo humano não seja alcançado por meios farmacológicos, imunológicos ou metabólicos, embora a sua função possa ser apoiada por esses meios, destinado pelo fabricante a ser utilizado em seres humanos para fins de: i) diagnóstico, prevenção, controlo, tratamento ou atenuação de uma doença; ii) diagnóstico, controlo, tratamento, atenuação ou compensação de uma lesão ou de uma deficiência; iii) estudo, substituição ou alteração da anatomia ou de um processo fisiológico; iv) controlo da conceção.”(12)

4.3. Gamas de produtos disponíveis na farmácia

A Farmácia Modelar disponibiliza várias formas farmacêuticas aos utentes, de acordo com as prescrições médicas ou as necessidades evidenciadas.

De entre as várias formas farmacêuticas, as mais presentes são as sólidas, ou seja, comprimidos e cápsulas. De forma mais detalhada, referem-se os medicamentos psicotrópicos e estupefacientes (armazenados num armário especial e de acesso restrito), preparações oficinais e magistrais (preparadas obrigatoriamente no laboratório), medicamentos homeopáticos, produtos fitoterapêuticos ou à base de plantas, produtos para alimentação especial, medicamentos e produtos de uso veterinário e dispositivos médicos. Os produtos dermocosméticos que estão acessíveis ao público compreendem marcas comerciais como

Aveeno®, Avéne®, Bioderma®, Chicco®, D’Aveia®, Ducray®, Isdin®, La Roche Posay®, Mustela®,

Uriage® e Vichy®. Dentro dos produtos de puericultura, evidenciam-se alguns dermocosmésticos, bem como chupetas, biberões, dispositivos para o cuidado materno e do bebé e ainda leites de substituição.

Nos primeiros dias de estágio foi-me apresentada a maior parte dos medicamentos e produtos existentes na farmácia e a sua distribuição. Contudo, foi no decorrer do estágio que fui fixando os locais em que estes se encontravam, bem como o fim a que se destinavam, mediante alguma pesquisa bibliográfica ou esclarecimentos dos farmacêuticos que me

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4.4. Verificação da existência de qualquer medicamento ou produto de saúde

e sua localização nas instalações da farmácia

Por vezes, é necessário averiguar se um dado medicamento ou produto de saúde está disponível na farmácia e, se sim, qual a sua localização. Para tal, pode recorrer-se ao sistema informático, verificando assim a quantidade em stock desse mesmo medicamento/produto de saúde e a sua localização, já que cada produto apresenta uma ficha onde se encontra toda a informação a ele referida. Em alternativa, o profissional pode deslocar-se ao local e verificar, por si, a disponibilidade do produto.

5. Aprovisionamento e armazenamento

5.1. Critérios para a seleção de um fornecedor/armazenista

Aquando da escolha do fornecedor, são diversos os requisitos a considerar, como meio de garantir que seja praticado o melhor serviço – eficácia – ao menor custo possível – eficiência. Salientam-se, então, como principais fatores a ter em conta no momento da encomenda os seguintes: a proximidade em relação à localização da farmácia; as condições comerciais oferecidas, com possibilidade de bonificação/desconto; a disponibilidade do produto e o tempo/horário de entrega, não esquecendo a credibilidade e confiança que a farmácia deposita no armazenista.

Perante estes critérios, é escolhido um fornecedor principal, recorrendo-se aos restantes quando não é possível obter o produto pretendido de imediato, e estabelecendo-se uma ordem de preferência entre todos eles. Assim, a Farmácia Modelar apresenta três fornecedores diários, enumerados pela seguinte ordem de preferência: PLURAL, OCP e Alliance Healthcare.

As “compras diretas”, por intermédio de delegados de diversas marcas, são também uma opção eficaz, pois permitem a aquisição de produtos em maior quantidade e a preços bastante vantajosos. Existem muitas empresas de distribuição grossista que praticam preços muito competitivos e às quais se efetuam encomendas mensais.

Uma outra alternativa é a aquisição de produtos diretamente ao laboratório que os produz, a qual é feita, geralmente, por contacto telefónico ou através de uma visita de um representante à farmácia. Durante o estágio, observei diversas vezes este tipo de solicitação, sendo que numa dessas vezes efetuei eu própria a encomenda.

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5.2. Critérios na aquisição dos diferentes medicamentos e produtos de saúde

Para a seleção e aquisição dos medicamentos e/ou produtos de saúde, há determinados critérios a ter em conta, nomeadamente as necessidades diárias da farmácia e a rotatividade dos mesmos. Perante isto, é estabelecido um stock mínimo e máximo para cada produto, o qual determina a quantidade a encomendar, sendo assim permanentemente atualizado. Desta forma, além de se garantir que não ocorre uma rutura de stock, garante-se também que não ocorre uma sobrelotação do mesmo, com consequente ocupação excessiva de espaço, bem como gastos desnecessários para a farmácia.

Um outro parâmetro a considerar na realização das encomendas prende-se com a sazonalidade de utilização de determinados produtos. Significa isto que, mediante a época do ano, existem produtos com maior saída, citando-se como exemplo os antitússicos, as pastilhas para a dor de garganta ou os antigripais no início do Outono e até ao final do Inverno, os anti-histamínicos na Primavera (fase em que existem mais alergias) e ainda os protetores solares no Verão. É, pois, fundamental proceder à encomenda destes produtos um pouco antes da altura em que se prevê maior venda, garantindo assim a sua existência na Farmácia quando necessários.

5.3. Critérios de armazenamento

Numa farmácia comunitária, é importante garantir as condições apropriadas à conservação e estabilidade dos medicamentos e produtos de saúde, nomeadamente, iluminação, ventilação, temperatura e humidade relativa. Relativamente às duas últimas variáveis, por apresentarem intervalos de valores estabelecidos, é importante proceder-se à sua monitorização e registo periódicos.(1) Ambos os parâmetros referem-se tanto ao ambiente

da farmácia como ao interior do frigorífico, sendo medidos constantemente, de forma a detetar atempadamente eventuais erros, e arquivados semanalmente. Desde o começo do estágio na Farmácia Modelar que esta medição ficou a meu cargo, sendo que a temperatura ambiente se manteve constantemente abaixo dos 25ºC e a temperatura do frigorífico entre 2 e 6ºC. Já a humidade relativa situou-se permanentemente abaixo dos 60%.

Importa referir que, aquando da arrumação dos medicamentos e produtos de saúde, é aplicada a regra “first expired, first out”, garantindo, assim, um melhor controlo dos prazos de validade, na medida em que são escoados primeiramente aqueles cujo prazo é menor.

No que diz respeito à localização dos medicamentos e produtos na farmácia, existem armários específicos para MSRM, MNSRM, medicamentos genéricos, medicamentos de uso externo e demais produtos. No entanto, os critérios de arrumação são transversais a todos eles: a disposição é feita alfabeticamente, por nome comercial ou denominação comum internacional da substância ativa, seguida da dosagem e quantidade em cada embalagem.

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Os medicamentos que requerem baixas temperaturas, como insulinas, vacinas e alguns colírios, são armazenados no frigorífico e ordenados segundo os critérios acima referidos.

5.4. Encomendas e devoluções

Criação de uma encomenda:

Para a criação de uma encomenda, recorre-se ao sistema informático Sifarma 2000, que gera uma proposta mediante os stocks mínimos e máximos estabelecidos para cada medicamento e/ou produto de saúde. Esta proposta é posteriormente verificada, podendo ser retirados ou inseridos produtos, consoante as necessidades da farmácia e condições comerciais no momento. Realizadas todas as modificações pretendidas, a encomenda é aprovada, sendo enviada pelo sistema aos fornecedores escolhidos. De salientar que cada medicamento e/ou produto de saúde apresenta um fornecedor/armazenista preferencial, podendo este ser alterado se se mostrar monetariamente vantajoso.

O conceito de “encomenda instantânea” é também importante neste contexto. Estas podem ser efetuadas em qualquer altura (inclusive, no ato do atendimento) e, apesar de serem rececionadas juntamente com as encomendas diárias, garantem uma resposta rápida na dispensa de medicamentos mais urgentes.

O processo acima descrito foi-me explicado no início no estágio, sendo que tive oportunidade de praticar a criação de uma encomenda, sob supervisão do Dr. João e da Dr.ª Diana, numa das últimas semanas. Quanto às encomendas instantâneas, estas foram criadas inúmeras vezes, sempre que se mostrou necessário.

Receção de uma encomenda:

Quando se recebe uma encomenda, começa por se verificar se o destinatário está correto, devendo o nome da farmácia estar indicado na parte exterior da(s) caixa(s). Feita esta verificação, confirma-se a existência da fatura no seu interior. No Sifarma, seleciona-se a encomenda a rececionar, introduzindo-se o número da fatura e o seu valor. Os produtos recebidos são, então, inseridos no sistema, confirmando-se o preço de venda à farmácia (PVF), o preço de venda ao público (PVP) e o prazo de validade de cada um deles, de forma que, informaticamente, conste o prazo mais curto. Por último, compara-se o valor monetário dado pelo sistema com o valor faturado, devendo estes estar o mais próximo possível. Aquando do término deste processo, é visualizada uma lista com os produtos em falta na encomenda. Se estes se encontrarem pendentes, aguarda-se a sua receção na próxima encomenda. Se, por sua vez, estiverem esgotados no armazém em causa, pode proceder-se à sua transferência para um outro fornecedor. Por fim, pode enviar-se a informação sobre os

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medicamentos esgotados ao INFARMED e confirmar uma útima vez a receção da encomenda através de um documento gerado pelo Sifarma.

O processo inerente à receção de uma encomenda foi um dos primeiros que me foi exposto, tendo sido também a tarefa em que desenvolvi destreza e autonomia mais rapidamente, realizando-a pelo menos uma vez por dia no decorrer de todo o estágio.

Devoluções:

São vários os motivos que podem levar a que um produto seja devolvido, nomeadamente, se este se encontrar fora ou prestes a ultrapassar o prazo de validade, se a embalagem vier danificada, se tiver ocorrido uma troca do produto pedido (em termos de dosagem, por exemplo), entre outros. Pode, ainda, dar-se o caso de o INFARMED ou o fabricante ordenarem a recolha de lotes por erros de rotulagem, deteção de impurezas, problemas ao nível do acondicionamento dos medicamentos, entre outras razões. Nestas situações, a farmácia recebe uma notificação relatando as causas da recolha e alertando para que se proceda à devolução do produto.

Uma vez mais, o programa Sifarma 2000 ganha destaque, pois é através dele que se efetua este procedimento, criando-se uma nota de devolução, na qual consta o código do produto, o seu nome comercial, a quantidade a ser devolvida, o motivo da devolução e o número da fatura de origem. Juntamente com o produto a ser devolvido, segue uma impressão desta nota de devolução. Caso seja aceite, é efetuada uma nota de crédito à farmácia, que é assim reembolsada. Caso contrário, o produto retorna à farmácia, acarretando esta com o prejuízo.

5.5. Margens legais e comercialização de preços

O preço dos MSRM é fixado por Decreto-Lei, sendo o INFARMED a entidade responsável por regular e autorizar os preços dos medicamentos comparticipados pelo Sistema Nacional de Saúde (SNS).(7) Para estes medicamentos, o seu PVP encontra-se inscrito na embalagem.

Para os MNSRM, suplementos alimentares e outros produtos de venda livre, nos quais o PVP não se encontra impresso na embalagem, as margens de lucro são estipuladas pela farmácia, considerando o IVA a que estão sujeitos. Ao serem introduzidas no sistema, é gerado um PVP, sendo os produtos marcados através de etiquetas. Isto ocorre, essencialmente, durante a receção das encomendas, pois é neste momento que, consoante uma possível alteração no PVF, se fazem os ajustes necessários.

É de salientar que nenhum produto de venda livre deve ser dispensado sem que na sua embalagem se encontre a indicação do PVP.

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5.6. Controlo de prazos de validade

O controlo dos prazos de validade é uma tarefa de grande responsabilidade numa farmácia comunitária, pois, além de estar em causa um possível prejuízo para a farmácia, está também a imagem que esta passa aos seus utentes, devendo haver sempre garantia de que os produtos dispensados se encontram em perfeitas condições de utilização.

Este controlo é iniciado aquando da receção de uma encomenda, ou seja, quando é dada entrada de um medicamento e/ou produto de saúde, verifica-se o seu prazo de validade, de forma que na ficha do produto conste sempre o prazo mais curto. No caso de não existir nenhum produto em stock, a validade introduzida é a que corresponde à validade do produto recebido.

Mensalmente, é também gerada uma lista de todos os produtos cuja validade é inferior a três meses, que é conferida manualmente, sendo estes separados dos restantes e colocados num local reservado às devoluções. Pode acontecer que alguns dos produtos indicados na lista apresentem, na realidade, um prazo de validade mais longo, o qual é posteriormente atualizado no sistema. Durante o período de estágio, efetuei por diversas vezes este controlo, tendo, em alguns meses, alargado o período para 4 meses, de forma a detetar um maior número de produtos com aproximação do prazo de validade.

Periodicamente, são ainda verificados os prazos de validade de todos os medicamentos.

6. Interação Farmacêutico-Utente-Medicamento

6.1. Aspetos éticos, deontológicos e técnicos

“A primeira e principal responsabilidade do farmacêutico é para com a saúde e o bem-estar do doente e do cidadão em geral, devendo pôr o bem dos indivíduos à frente dos seus interesses pessoais ou comerciais e promover o direito de acesso a um tratamento com

qualidade, eficácia e segurança.” (13)

A primeira impressão causada pelo farmacêutico é de extrema importância, pois é neste instante que o utente percebe que está perante um profissional competente e credível, capaz de esclarecer qualquer dúvida que se lhe apresente, e merecedor da sua confiança. Assim, o respeito pelo utente servirá de base para que este sinta segurança naquele profissional.

O farmacêutico deve, a todo o tempo, mostrar-se simpático, afável e atencioso, utilizando uma linguagem clara e um tom de voz percetível, de forma a fazer-se entender pelo utente, sem, no entanto, colocar em causa a sua privacidade ao permitir que a conversa seja ouvida por terceiros, particularmente quando esta se refira ao seu estado de saúde.(13) É

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igualmente importante que o farmacêutico saiba adequar a sua postura e discurso a cada tipo de pessoa, consoante a sua idade, nível económico e sociocultural.

Nos que diz respeito às informações prestadas pelo farmacêutico, também estas deverão ser adaptadas a cada utente, podendo, por vezes, ser necessário recorrer à forma escrita ou até a símbolos, garantindo desta forma que doente saiba como tomar o medicamento e possa retirar o máximo benefício da terapêutica.

Além da posologia e forma de administração dos medicamentos, o farmacêutico deve ainda alertar o utente acerca das suas contraindicações, das precauções de utilização e de eventuais interações medicamentosas.(1) Quando necessário, o utente deve também ser

informado acerca do modo de conservação de alguns medicamentos, como é o caso de insulinas, vacinas, xaropes reconstituídos e determinados colírios.

No decorrer do estágio, houve muitas vezes necessidade de escrever as informações indispensáveis à correta forma de utilização e conservação dos medicamentos, principalmente quando se tratava de pessoas idosas. Em algumas vezes, tive até que recorrer a símbolos para que os utentes soubessem a hora de administração.

6.2. Farmacovigilância

A farmacovigilância, atividade de saúde pública cujo objetivo é a identificação, quantificação, avaliação e prevenção de riscos associados ao uso dos medicamentos em comercialização, permite o seguimento dos possíveis efeitos adversos destes, o que culmina numa constante atualização do seu perfil de segurança, bem como na sua utilização mais racional.(1)

O farmacêutico tem o dever de, com a máxima rapidez, comunicar as suspeitas de reações adversas de que tenha conhecimento e que possam ter sido causadas por medicamentos. Assim, sempre que se suspeite de uma reação adversa medicamentosa (RAM), esta deverá ser registada e comunicada mediante o preenchimento de um formulário apropriado, que será posteriormente enviado às autoridades de saúde, de acordo com os procedimentos nacionais de farmacovigilância. Desde de julho de 2012 que estas suspeitas passaram a poder ser notificadas ao Serviço Nacional de Farmacovigilância (SNF), através de uma plataforma online, o Portal RAM. Quer utentes quer profissionais de saúde podem proceder a esta notificação.(1,14)

Sempre que um farmacêutico efetue a notificação de uma possível RAM, deverá procurar recolher informações acerca de: sinais e sintomas da reação, assim como sua duração, gravidade e evolução; relação dos sinais e sintomas com a toma do medicamento; medicamento suspeito, data de início e suspensão do mesmo, assim como lote, via de administração e indicação terapêutica; outra medicação concomitante.(1)

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6.3. Reencaminhamento de medicamentos fora de uso

Os medicamentos fora de uso são todos aqueles cujo prazo de validade tenha sido ultrapassado ou que, por qualquer motivo, não devam ser consumidos (por exemplo, interrupção da medicação). Os medicamentos que se encontrem nestas situações são tratados de forma apropriada, não devendo ser deitados no lixo vulgar, para que se evitem, assim, consequências públicas e ambientais nefastas.

Como tal, foi criada a VALORMED, uma sociedade sem fins lucrativos, cuja responsabilidade principal assenta na gestão dos resíduos de embalagens vazias e medicamentos fora de uso. Esta sociedade surgiu em 1999, como resultado da colaboração entre a Indústria Farmacêutica, os Distribuidores e as Farmácias, face à consciencialização para a questão do medicamento enquanto resíduo.(15)

A VALORMED disponibiliza, assim, contentores que se encontram instalados nas farmácias, para que os cidadãos possam deixar as suas embalagens vazias e medicamentos fora de uso. Quando se encontrarem cheios, estes contentores são selado, pesados, identificados e entregues aos distribuidores de medicamentos, que, por sua vez, os reencaminham para um Centro de Triagem. Aí, os resíduos são separados e classificados, sucedendo-se a sua reciclagem ou incineração.(16)

Periodicamente, a VALORMED promove campanhas que são divulgadas pelas farmácias comunitárias, desempenhando o farmacêutico um papel fundamental na informação e sensibilização dos utentes para que participem nestes programas.(17)

No caso da Farmácia Modelar, o fornecedor responsável pela recolha dos contentores é a PLURAL, sendo que participei, por diversas vezes, neste processo.

7. Dispensa de Medicamentos

7.1. Prescrições médicas

Receção, leitura e confirmação da sua validade:

Atendendo ao modo como a prescrição é gerada, podem distinguir-se dois tipos diferentes: prescrição por via eletrónica, que resulta da utilização de soluções ou equipamentos informáticos, e prescrição por via manual, efetuada num documento pré-impresso. Esta última é feita, excecionalmente, nas seguintes situações, que deverão estar indicadas no documento:(18)

• Falência do sistema informático;

• Inadaptação fundamentada o prescritor, previamente confirmada e validada anualmente pela respetiva Ordem profissional;

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• Prescrição ao domicílio;

• Outras situações até um máximo de 40 receitas por mês.

Por sua vez, a prescrição/receita eletrónica subdivide-se em duas formas: receita eletrónica desmaterializada, ou receita sem papel, acessível e interpretável por equipamentos eletrónicos; e receita eletrónica materializada, em que a prescrição é impressa, e que pode ainda ser renovável, caso os medicamentos prescritos se destinem a tratamentos de longa duração. Atualmente, as prescrições evoluem no sentido da sua total desmaterialização.(19) Desta forma, caminha-se em direção a uma maior segurança no ato da

dispensa farmacêutica, pois minimiam-se os erros e descomplicam-se alguns procedimentos. Antes da dispensa dos medicamentos, o farmacêutico deve ter em conta a validade da prescrição. Para tal, devem nela constar os seguintes elementos:(18,19)

• Número da receita;

• Local de prescrição ou respetivo código;

• Identificação do médico prescritor, incluindo o número da sua cédula profissional e, caso de aplique, a especialidade;

• Nome e número de utente;

• Entidade financeira responsável pela comparticipação e número de beneficiário; • Referência ao regime especial de comparticipação, através das letras “R” ou “O”,

quando aplicável;

• Designação do medicamento, por Denominação Comum Internacional (DCI) da substância ativa ou por marca;

• Dosagem, forma farmacêutica, tamanho da embalagem e número de embalagens. A posologia também deverá estar indicada, a menos que se trate de um tratamento prolongado, em que se pressupõe que o doente sabe como tomar os medicamentos;

• Data da prescrição;

• Assinatura do médico prescritor, impreterivelmente, no caso de prescrições manuais;

• Existência de portarias específicas.

Durante o meu estágio na Farmácia Modelar, contactei com todos os diferentes tipos de receitas acima citados, assim como com alguns desafios que foram aparecendo relativamente às mesmas. Estes aconteceram essencialmente com prescrições manuais, que não continham, por exemplo, a assinatura do médico prescritor, a vinheta identificativa do local de prescrição ou o número de beneficiário do utente.

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Avaliação/interpretação:

No decorrer da verificação da validade da prescrição médica, o farmacêutico deve proceder à sua interpretação, analisando, em primeira instância, os medicamentos que nela se encontram e a finalidade a que se destinam. Deve também avaliar a posologia indicada, bem como a adequação dos medicamentos ao doente em causa, quer ao nível das suas contraindicações, quer de possíveis intolerâncias ou interações medicamentosas. Sempre que necessário, o farmacêutico deve entrar em contacto com o médico prescritor, a fim de esclarecer qualquer dúvida ou problema relacionado com a prescrição em causa.

Por fim, o farmacêutico deve transmitir ao utente todas as informações fundamentais e necessárias a um uso racional do medicamento, sejam elas relacionadas com o seu modo de administração, com a duração do tratamento, assim como outras que, consoante o caso, se considerem pertinentes (precauções, possíveis efeitos adversos, etc), garantindo sempre que o utente se encontra devidamente esclarecido.

Alguns termos e símbolos utilizados pelos médicos também podem ter que ser elucidados ao utente, como, por exemplo, id (ao dia), I O I (toma de manhã e à noite) ou a sigla “SOS”, muito utilizada por alguns profissionais quando querem indicar que um dado medicamento apenas deve ser administrado em casos de extrema necessidade (como uma dor muito intensa), termo esse com que me deparei por diversas vezes durante o período de estágio.

Verificação farmacêutica (após dispensa):

Após a dispensa dos medicamentos, é fundamental a verificação de todo o receituário, conferindo-se diversos aspetos, a saber:(20)

• Medicamentos prescritos e medicamentos dispensados; • Preço total de cada medicamento;

• Valor total da receita;

• Encargo do utente em valor, por medicamento e respetivo total; • Lote em que a receita foi faturada;

• Data da prescrição e da dispensa; • Assinatura do médico prescritor;

• Código dos medicamentos, em carateres e em código de barras; • Informação do direito de opção do utente (quando aplicável);

• Assinatura do utente, confirmando que os medicamentos lhe foram dispensados; • Assinatura do responsável pela dispensa dos medicamentos;

Imagem

Tabela 2 – Definições e classificações dos níveis de pressão arterial  (35)

Tabela 2

– Definições e classificações dos níveis de pressão arterial (35) p.54
Tabela 1 – Valores de referência para o IMC  (33) Classificação  IMC (Kg/m 2 )  Magreza severa  < 16,00  Magreza média  16,00 – 16,99  Magreza moderada  17,00 – 18,49  Normal  18,50 – 24,99  Pré-obesidade  25,00 – 29,99  Obesidade de Grau I  30,00 – 34,

Tabela 1

– Valores de referência para o IMC (33) Classificação IMC (Kg/m 2 ) Magreza severa < 16,00 Magreza média 16,00 – 16,99 Magreza moderada 17,00 – 18,49 Normal 18,50 – 24,99 Pré-obesidade 25,00 – 29,99 Obesidade de Grau I 30,00 – 34, p.54
Tabela 3 – Valores de referência para a glicémia (mg/dL)  (36)

Tabela 3

– Valores de referência para a glicémia (mg/dL) (36) p.55
Figura 2 – Cascata simplificada do ácido araquidónico (adaptado de Muri et al., 2009) (14)

Figura 2

– Cascata simplificada do ácido araquidónico (adaptado de Muri et al., 2009) (14) p.69
Figura  3  –  Biossíntese  das  prostaglandinas  a  partir  do  ácido  araquidónico  (adaptado  de  Borne  et  al.,  2009)  (9)

Figura 3

– Biossíntese das prostaglandinas a partir do ácido araquidónico (adaptado de Borne et al., 2009) (9) p.70
Figura 4 – Biossíntese de tromboxanos e prostaciclina (adaptado de Borne et al., 2009)  (9)

Figura 4

– Biossíntese de tromboxanos e prostaciclina (adaptado de Borne et al., 2009) (9) p.71
Figura 5 – Biossíntese dos leucotrienos (adaptado de Borne et al., 2009)  (9)

Figura 5

– Biossíntese dos leucotrienos (adaptado de Borne et al., 2009) (9) p.72
Figura 7 – Metabolismo do diclofenac (adaptado de Borne et al., 2009) (9)

Figura 7

– Metabolismo do diclofenac (adaptado de Borne et al., 2009) (9) p.80
Tabela 6  – Medicamentos contendo diclofenac, na sua forma oral, atualmente disponíveis no mercado  português (adaptado de Prontuário Terapêutico online)  (38)

Tabela 6

– Medicamentos contendo diclofenac, na sua forma oral, atualmente disponíveis no mercado português (adaptado de Prontuário Terapêutico online) (38) p.82
Figura 9 – Distribuição da amostra populacional de acordo com a faixa etária

Figura 9

– Distribuição da amostra populacional de acordo com a faixa etária p.90
Figura  10  –  Distribuição  da  amostra  populacional  por  sexo  em  função  da  faixa  etária

Figura 10

– Distribuição da amostra populacional por sexo em função da faixa etária p.90
Figura 11 – Distribuição da amostra populacional relativamente às habilitações literárias

Figura 11

– Distribuição da amostra populacional relativamente às habilitações literárias p.91
Figura 12 – Distribuição da amostra populacional relativamente à situação profissional

Figura 12

– Distribuição da amostra populacional relativamente à situação profissional p.91
Figura  13  –  Distribuição  da  amostra  populacional  relativamente  à  forma  de  conhecimento  do  medicamento contendo diclofenac

Figura 13

– Distribuição da amostra populacional relativamente à forma de conhecimento do medicamento contendo diclofenac p.92
Figura  15  –  Distribuição  da  amostra  populacional  relativamente  à  toma  de  medicamentos  prévios  ao  medicamento contendo diclofenac

Figura 15

– Distribuição da amostra populacional relativamente à toma de medicamentos prévios ao medicamento contendo diclofenac p.93
Figura  16  –  Distribuição  da  amostra  populacional  relativamente  à  duração  do  tratamento  com  o

Figura 16

– Distribuição da amostra populacional relativamente à duração do tratamento com o p.94
Figura 17 – Distribuição da amostra populacional em função da frequência diária de administração do  medicamento contendo diclofenac

Figura 17

– Distribuição da amostra populacional em função da frequência diária de administração do medicamento contendo diclofenac p.95
Tabela  8  –  Distribuição  da  amostra  populacional  de  acordo  com  a  dosagem  administrada  do  medicamento contendo diclofenac

Tabela 8

– Distribuição da amostra populacional de acordo com a dosagem administrada do medicamento contendo diclofenac p.95
Figura  18  –  Distribuição  da  amostra  populacional  de  acordo  com  a  ocorrência  de  efeitos  indesejáveis  decorrentes da toma do medicamento contendo diclofenac

Figura 18

– Distribuição da amostra populacional de acordo com a ocorrência de efeitos indesejáveis decorrentes da toma do medicamento contendo diclofenac p.97
Tabela 10 – Efeitos indesejáveis indicados pelos inquiridos

Tabela 10

– Efeitos indesejáveis indicados pelos inquiridos p.97
Figura 22 – Medicamentos referidos pelos utentes passíveis de causar interações medicamentosas com o  medicamento contendo diclofenac

Figura 22

– Medicamentos referidos pelos utentes passíveis de causar interações medicamentosas com o medicamento contendo diclofenac p.99
Figura 20 – Distribuição da amostra populacional relativamente à toma de outros medicamentos durante  o tratamento com o medicamento contendo diclofenac

Figura 20

– Distribuição da amostra populacional relativamente à toma de outros medicamentos durante o tratamento com o medicamento contendo diclofenac p.99
Tabela 11 – Patologias crónicas indicadas pelos utentes

Tabela 11

– Patologias crónicas indicadas pelos utentes p.100
Tabela 13  – Distribuição da amostra populacional relativamente ao desenvolvimento ou não de efeitos  indesejáveis  por  períodos  inferiores  ou  superiores  a  7  dias

Tabela 13

– Distribuição da amostra populacional relativamente ao desenvolvimento ou não de efeitos indesejáveis por períodos inferiores ou superiores a 7 dias p.102
Tabela 12  – Distribuição da amostra populacional relativamente ao desenvolvimento ou não de efeitos  indesejáveis em função da duração do tratamento com o medicamento contendo diclofenac e respetivo  teste do Qui-quadrado

Tabela 12

– Distribuição da amostra populacional relativamente ao desenvolvimento ou não de efeitos indesejáveis em função da duração do tratamento com o medicamento contendo diclofenac e respetivo teste do Qui-quadrado p.102
Tabela 14 – Distribuição da amostra populacional relativamente ao desenvolvimento ou não de efeitos  indesejáveis  em  função  da  dosagem  administrada  do  medicamento  contendo  diclofenac  e  respetivo  teste do Qui-quadrado

Tabela 14

– Distribuição da amostra populacional relativamente ao desenvolvimento ou não de efeitos indesejáveis em função da dosagem administrada do medicamento contendo diclofenac e respetivo teste do Qui-quadrado p.103
Tabela 15  – Distribuição da amostra populacional relativamente ao desenvolvimento ou não de efeitos  indesejáveis  com  dosagens  inferiores  ou  superiores  a  75  mg

Tabela 15

– Distribuição da amostra populacional relativamente ao desenvolvimento ou não de efeitos indesejáveis com dosagens inferiores ou superiores a 75 mg p.104
Tabela 16  – Distribuição da amostra populacional relativamente ao desenvolvimento ou não de efeitos  indesejáveis em função da  frequência diária de administração do medicamento contendo diclofenac e  respetivo teste do Qui-quadrado

Tabela 16

– Distribuição da amostra populacional relativamente ao desenvolvimento ou não de efeitos indesejáveis em função da frequência diária de administração do medicamento contendo diclofenac e respetivo teste do Qui-quadrado p.104
Tabela 17 – Distribuição da amostra populacional relativamente ao desenvolvimento ou não de efeitos  indesejáveis em função da existência de medicação concomitante e respetivo teste do Qui-quadrado

Tabela 17

– Distribuição da amostra populacional relativamente ao desenvolvimento ou não de efeitos indesejáveis em função da existência de medicação concomitante e respetivo teste do Qui-quadrado p.105
Tabela 18 – Distribuição da amostra populacional relativamente ao desenvolvimento ou não de efeitos  indesejáveis em função da existência de doenças crónicas e respetivo teste do Qui-quadrado

Tabela 18

– Distribuição da amostra populacional relativamente ao desenvolvimento ou não de efeitos indesejáveis em função da existência de doenças crónicas e respetivo teste do Qui-quadrado p.105

Referências