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O papel do coordenador pedagógico como indutor da formação continuada / The role of the pedagogical coordinator as an inducer of continuing education

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Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 10, p. 84087-84101, oct. 2020. ISSN 2525-8761

O papel do coordenador pedagógico como indutor da formação continuada

The role of the pedagogical coordinator as an inducer of continuing education

DOI:10.34117/bjdv6n10-737

Recebimento dos originais: 20/10/2020 Aceitação para publicação: 02/11/2020

Geisa Floro de Santana Silva

Especialista em Práticas Pedagógicas Aplicadas à Língua Portuguesa - FUNESO. Professora do Ensino Fundamental I, pela prefeitura de Itamaracá/PE.

Endereço: Rua Edgar Lins, 216, Igarassu/PE e-mail: [email protected]

José Cláudio Alves da Costa

Especialista em neuropsicopedagogia pela Faculdade -ALPHA. Endereço: Coelho Neto, 200, Camaragibe/PE.

e-mail: [email protected]

Diogenes José Gusmão Coutinho

Biólogo e Doutor em Biologia pela UFPE. Faculdade Alpha Endereço: Gervásio Pires, 826, Santo Amaro, Recife, PE

e-mail: [email protected]

RESUMO

Na era da informação, observa-se mudanças constantes no contexto sócio-histórico-cultural no qual estamos inseridos. Elas influenciam todo contexto escolar que urge pela necessidade de transformação e de ressignificações nas ações pedagógicas. Em virtude disso, a Formação Continuada de Professores apresenta-se como uma área de conhecimento que vem crescendo significativamente no Brasil, para a qual contribui a figura do Coordenador Pedagógico como potencializador dessa formação no contexto escolar a partir da prática cotidiana. O presente estudo tem a finalidade de realizar uma reflexão sobre o papel desse profissional no processo de formação continuada. No intento de explorar a referida temática optou-se por uma pesquisa de cunho bibliográfico que serviu como respaldo para a coleta de informações e possibilitou um entendimento bastante satisfatório. Esse estudo trouxe a compreensão de que o citado profissional tem uma contribuição significativa não só no processo de formação de professores, mas como em toda a organização que envolve o contexto escolar, pois ele articula e estimula novas práticas que não só promove melhores métodos, mas que contribui para a formação de um cidadão crítico.

Palavras-chave: 1. Coordenador Pedagógico, 2. Formação Continuada, 3. Nova Prática. ABSTRACT

In the information age, there is constant change in the socio-historical and cultural context in which we operate. Such changes affect the whole school context which urges the need to change and reinterpretation of the pedagogical actions. Because of this, the Continuing Education Teacher presents itself as an area of knowledge that has grown significantly in Brazil, which contributes to the figure of the Pedagogical Coordinator as potentiator that training in the school context from the daily practice. This study aims to develop a reflection on the contribution of pedagogical coordinator in the process

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Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 10, p. 84087-84101, oct. 2020. ISSN 2525-8761 of continuing education. In attempt to explore such a theme, we opted for a survey of stamp literature that served as support for the collection of information and enabled an understanding satisfactory. This study allowed us to understand that the professional has cited a significant contribution not only in the process of teacher training, but as with any organization that involves the school context because it articulates and encourages new practices that not only promotes better methods, but which contributes to the formation of a national critical.

Keywords: 1. Educational Coordinator, 2. Continuing Education, 3. New Practice.

1 INTRODUÇÃO

O coordenador pedagógico, antes denominado orientador, supervisor ou, simplesmente, pedagogo, além de ser visto como uma das figuras mais importantes da gestão de uma escola é hoje visto como um profissional de suma importância para o sucesso escolar.

O trabalho desenvolvido pelo coordenador pedagógico não é mais definido apenas como atividades de supervisão, devendo compreender também a gestão pedagógica da escola. A ele cabe a grande responsabilidade, realizando um trabalho democrático que atenda às necessidades da escola e de todos que nela estão inseridos, contribuindo para um bom trabalho coletivo. De acordo com Garcia (1992), ele também pode mobilizar os professores, comunidade e a si mesmo, objetivando o desenvolvimento da responsabilidade e do entusiasmo em reflexões e atuações.

Para Freire (1982) o coordenador pedagógico é, primeiramente, um educador e como tal deve estar atento ao caráter pedagógico das relações de aprendizagem no interior da escola. Ele deve levar os professores a ressignificarem suas práticas, resgatando a autonomia sobre o seu trabalho sem, no entanto, se distanciar do trabalho coletivo da escola. O mesmo é visto como eixo do processo ensino-aprendizagem, passando a desenvolver uma boa relação interpessoal na escola, articulando o grupo de professores com busca na qualidade de ensino em uma perspectiva crítica e trabalho em equipe.

Suas atividades devem estar atentas à transformação de atitudes da comunidade escolar, promovendo a reflexão e a vivência nas relações escolares. Como agente de transformação da prática pedagógica, o Coordenador Pedagógico precisa estar aberto a transformar-se continuamente, a partir das considerações reflexivas e do feedback dos demais atores da Unidade Escolar.

O coordenador pedagógico ao promover a formação continuada, passa a desenvolver uma leitura próxima da realidade do cotidiano escolar, sensibilizando o corpo docente para a realização de um trabalho com mais afinco e dando encaminhamentos pedagógicos para os conflitos que inquietam a equipe docente. Neste sentido, a sua atuação contribui para a compreensão do professor em sua práxis educativa.

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Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 10, p. 84087-84101, oct. 2020. ISSN 2525-8761 Diante da justificativa acima, indaga-se: Qual o papel do coordenador no processo de formação continuada direcionada para docentes? Qual a sua contribuição nesse processo?

Vale aqui lembrar que, seu trabalho é uma peça fundamental na escola, pois ele busca promover a integração de todos os seres envolvidos no processo de ensino e aprendizagem procurando promover a harmonia, valorizando a formação contínua e desenvolvendo habilidades no intuito de propiciar uma educação de qualidade.

Na perspectiva de buscar respostas para a questão citada, elaborou-se como objetivo geral: destacar a importância do coordenador pedagógico no processo contínuo de formação continuada, e como objetivos específicos: tecer considerações sobre o coordenador pedagógico, enfatizando o seu significado e atribuições no contexto escolar; refletir sobre o processo de formação continuada e a sua contribuição para o processo de ensino e aprendizagem, e explanar a contribuição do coordenador pedagógico no processo de formação continuada e os efeitos desse trabalho.

Para a exploração da referida temática, optou-se por uma pesquisa de cunho bibliográfico.

2 O PAPEL DO COORDENADOR PEDAGÓGICO COMO INDUTOR DA FORMAÇÃO CONTINUADA

2.1 COORDENADOR PEDAGÓGICO

As escolas brasileiras estão cada vez mais voltadas a oferecer uma educação de qualidade e para isso procuram contar com profissionais ativos, dinâmicos, criativos e que disponham de habilidades que contribuam para a tomada de decisão e o sucesso da instituição. Tais adjetivos são encontrados na figura do coordenador pedagógico que tem a consciência da responsabilidade do papel que assume na escola, além de ser mediador para todas as resoluções de conflitos existentes nesse âmbito.

De acordo com Rangel (2008, p.77), “Coordenar significa organizar em comum, prever e prover momentos, estratégias, instrumentos, recursos que possibilitem a integração do trabalho realizado na escola”. A coordenação pedagógica é uma função ligada à gestão de uma escola que tem a função de articular coletivamente os projetos e as práticas escolares.

A coordenação pedagógica em seu sentido estrito deve garantir um espaço de diálogo, fortalecendo assim a vitalidade projetiva dos atores sociais na luta por uma educação de qualidade e primando pela superação dos obstáculos que inviabilizam as ações coletivas. Cabe ao coordenador pedagógico, junto com todos os outros educadores, promover uma aprendizagem com sentido que possibilite saberes.

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Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 10, p. 84087-84101, oct. 2020. ISSN 2525-8761 Em relação ao Coordenador Pedagógico, observa-se as palavras de Freire (1982, p.46) que afirma:

o coordenador pedagógico é, primeiramente, um educador e como tal deve estar atento ao caráter pedagógico das relações de aprendizagem no interior da escola. Ele deve levar os professores a ressignificarem suas práticas, resgatando a autonomia sobre o seu trabalho sem, no entanto, se distanciar do trabalho coletivo da escola.

O coordenador pedagógico é um profissional essencial no gerenciamento do corpo docente e discente de uma unidade de ensino, pois a sua importância se dá pelo seu exercício profissional e as suas mais variadas funções no cotidiano escolar que é de mediar, formar, debater, propor. Ele é indispensável, pois apresenta-se como um mediador entre a sua equipe, a escola, a família, a comunidade e em tudo que se relaciona as atividades referentes ao processo de ensino e aprendizagem. De acordo com Lima (2007, p.87), “o coordenador pedagógico e professor, investidos de papéis diferentes, de saberes diversos, podem buscar um encontro fecundo, cujo fruto seja a construção de uma prática pedagógica mais consistente, enriquecida e criativa.

Este profissional deve ter uma postura criativa, estudiosa, organizada, leitora e ouvinte, aberta aos conhecimentos, às inovações são os requisitos importantes para a performance do Coordenador, que também deverá estar atento aos aspectos das relações interpessoais inerentes à convivência humana no cotidiano do universo escolar (MURAMOTO, 1991).

Ele é um elemento de suma importância para a escola, devendo estar apto para auxiliar os educadores realizando atendimentos pedagógicos individualizados, contribuindo para compreensão de problemas na sala de aula, permitindo ao professor ver alternativas de ação e ver como as demais técnicas podem intervir; bem como participando do diagnóstico dos distúrbios de aprendizagem e do atendimento a um pequeno grupo de alunos.

Então, dificilmente o coordenador pedagógico inventa soluções: melhor dizendo, busca compreender a realidade escolar e seus desafios, construindo alternativas que se mostrem adequadas e satisfatórias para os professores, tornando-as solidárias e não isoladas ou em conflito com as outras (GARRIDO, 2000, p. 9).

Na sua função integradora e articuladora, o Coordenador está presente nas ações pedagógicas e didáticas desenvolvidas na escola, mantendo uma relação constante com professores, alunos e pais, constituindo-se num agente articulador no processo de construção do coletivo escolar.

O seu trabalho em uma instituição escolar apresenta duas naturezas: o primeiro está voltado para o grupo de alunos que apresentam dificuldades na escola, com o objetivo de reintegrar e readaptar o aluno à situação de sala de aula, possibilitando o respeito às suas necessidades e ritmos, tendo como

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Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 10, p. 84087-84101, oct. 2020. ISSN 2525-8761 meta desenvolver as funções cognitivas integradas ao afetivo, desbloqueando e canalizando o aluno gradualmente para a aprendizagem dos conceitos, conforme os objetivos da aprendizagem formal. O segundo tipo de trabalho refere-se à assessoria junto a pedagogos, orientadores e professores. Tem como objetivos: trabalhar as questões pertinentes às relações vinculares professor-aluno e redefinir os procedimentos pedagógicos, integrando o afetivo e o cognitivo, através da aprendizagem dos conceitos, as diferentes áreas do conhecimento.

Veiga (2009) aponta que esse trabalho pode ser visto da seguinte maneira:

■Explicitando sobre habilidades, conceitos e princípios para que ocorra a aprendizagem ■Trabalhando com a formação continuada dos professores

■Na reflexão sobre currículos e projetos junto com a coordenação pedagógica

■Atuando junto com a família/alunos que apresentam dificuldades de aprendizagem, apoiado em uma visão holística, levando-o a aprender a lidar com seu próprio modelo de aprendizagem, considerando que esses problemas podem ser derivados:

■das suas estruturas cognitivas ■de suas questões emocionais

■da sua resistência em lidar com o novo ■ou outra derivação que possa se apresentar.

Então, o coordenador pedagógico é o profissional indicado para assessorar e esclarecer a escola a respeito de diversos aspectos do processo de ensino-aprendizagem.

É o trabalho do professor que dá sentido ao trabalho do supervisor no interior da escola. O trabalho do professor abre o espaço e indica o objeto da ação/reflexão, ou de reflexão/ação para o desenvolvimento da ação supervisora (MEDINA, 2004, p.32).

De Acordo com Vasconcelos (2011), ele também poderá contribuir no esclarecimento de dificuldades de aprendizagem que não têm como causa apenas deficiências do aluno, mas que são consequências de problemas escolares, tais como:

■Organização da instituição ■Métodos de ensino

■Relação professor/aluno

■Linguagem do professor, dentre outros

O coordenador pedagógico também pode realizar um trabalho de formação continuada para o trabalho docente, cujas principais atribuições, dentre outras, podem ser listadas em quatro dimensões como aponta Piletti (1998, p. 125):

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Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 10, p. 84087-84101, oct. 2020. ISSN 2525-8761 a) acompanhar o professor em suas atividades de planejamento, docência e avaliação;

b) fornecer subsídios que permitam aos professores atualizarem-se e aperfeiçoarem-se constantemente em relação ao exercício profissional;

c) promover reuniões, discussões e debates com a população escolar e a comunidade no sentido de melhorar sempre mais o processo educativo;

d) estimular os professores a desenvolverem com entusiasmo suas atividades, procurando auxiliá-los na prevenção e na solução dos problemas que aparecem.

A formação continuada deve ocorrer durante toda a vida do profissional. No mundo contemporâneo, faz-se necessário uma constante atualização de métodos, conceitos, teorias concernentes à área profissional na qual atue. Para Geglio (2003), a formação continuada é uma das etapas de preparação do profissional da educação e, de acordo com a própria nomenclatura, ela é continuada. Quer dizer, não tem fim, é constante.

Segundo Christov (2003) a Formação Continuada é importante, pois, os conhecimentos se atualizam a cada instante e é preciso que existam momentos para reflexão sobre a prática docente, oferecendo subsídios para que os professores consigam, por sua vez, facilitar a aprendizagem de seus alunos.

2.2 FORMAÇÃO CONTINUADA

A sociedade está em constante mudança, e diante disso, observa-se a necessidade de formar cidadãos conscientes e competentes para interagir com a mesma, de uma forma dinâmica e reflexiva. Mas, para isso é necessário rever o processo educacional no sentido de adaptá-lo a essa nova visão. Essa nova realidade requer dos profissionais da educação uma nova postura para o alcance de novos objetivos em sua didática e aprendizagem de seus alunos, para que os mesmos construam seus conhecimentos de forma concreta.

A natureza do trabalho docente requer um continuado processo de formação dos sujeitos sociais historicamente envolvidos com a ação pedagógica, sendo indispensável o desenvolvimento de atitudes investigativas, de alternativas pedagógicas e metodológicas na busca de uma qualidade social da educação (BRASIL, 2004. p. 25)

Porém, para que isso aconteça, esses profissionais precisam utilizar-se de novas linguagens, didáticas e metodologias eficazes que atendam a demanda de informações e que busquem a reflexão. Neste sentido, constata-se a necessidade de um processo construtivo que é a formação continuada, pois ela pode contribuir de forma significativa para um novo modelo de ensino.

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A formação continuada é o prolongamento da formação inicial, visando o aperfeiçoamento profissional teórico e prático no próprio contexto de trabalho e o desenvolvimento de uma cultura geral mais ampla, para além do exercício profissional (LIBÂNEO, 2008, p.73)

De acordo com Prada (1997, p.88), os termos que elencam a formação continuada são:

Capacitação, Qualificação, Aperfeiçoamento, Reciclagem, Atualização, Formação Continuada, Formação Permanente, Especialização, Aprofundamento, Treinamento, Re-treinamento, Aprimoramento, Superação, Desenvolvimento Profissional, Profissionalização e Compensação.

O professor ao buscar uma prática reflexiva, ele também deve realizar um processo de auto-avaliação sobre suas atividades, no que diz respeito ao conhecimento transmitido e absorvido pelo aluno, pois o professor deve pensar sempre no melhor para o desenvolvimento do seu aluno, mantendo uma visão crítica do seu trabalho no ambiente escolar.

Sobre esse processo, Perrenoud (2002, p. 50) faz o seguinte comentário:

Uma prática reflexiva não é apenas uma competência a serviço dos interesses do professor, é uma expressão da consciência profissional. Os professores que só refletem por necessidade e que abandonam o processo de questionamento quando se sentem seguros não são profissionais reflexivos.

Mas, para que o docente procure mudar as suas práticas cotidianas em relação a sua reflexão, ele precisa está aliado ao processo de uma formação cotidiana que lhe dará suporte para um contexto ao qual vai lidar e as possibilidades e limites. Porém, para que isto aconteça, ele precisa estar aberto ao novo e incorporar os ideais da contemporaneidade (VEIGA, 2012).

Neste contexto, Libâneo (2001, p,80) afirma que:

A escola de hoje precisa propor respostas educativas e metodológicas em relação a novas exigências de formação postas pelas realidades contemporâneas como a capacitação tecnológica, a diversidade cultural a alfabetização tecnológica, a superinformação, o relativismo ético, a consciência ecológica. Pensar num sistema de formação de professores supõe, portanto, reavaliar objetivos, formas de organização do ensino, diante da realidade em transformação.

Daí então, o educador passa a formar cidadãos que possa interagir com a sociedade, tornando-os apttornando-os a lidar com tais inovações, sabendo distinguir as vantagens e as consequências que lhe proporcionará o convívio com esse mundo.

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O professor necessita de muito mais do que a intuição para proceder à reflexão sobre sua prática: ele precisa estar preocupado com o aluno mais do que com o conhecimento, com os seus propósitos em termos de ensino e aprendizagem e estar consciente de sua responsabilidade nesse processo [...]

O professor deve priorizar o desenvolvimento do aluno e o processo de ensino e aprendizagem, criando condições para desenvolver as habilidades cognitivas, afetivas e sociais. Neste sentido, observa-se que uma prática reflexiva contribui para o desenvolvimento e a formação de cidadãos pensantes, críticos que buscam novos horizontes.

2.3 O COORDENADOR PEDAGÓGICO E A FORMAÇÃO CONTINUADA

O processo de Formação Contínua é um processo presente em todas as áreas profissionais, pois obedece às exigências do mundo capitalista que exige a qualificação da mão-de-obra. Em relação ao contexto educacional, a visão é a mesma, pois além de uma visão voltada para uma educação de qualidade, entende-se também que o professor deve estar apto para tal ensejo.

O professor-pessoa sofre as consequências de uma sociedade em profunda mudança. Ele tem de dar conta de conteúdos novos e de novas motivações geradas aos alunos pelas leis de mercados, que produzem novas profissões em velocidade nunca vista. A competência para ser professor passa assim por uma capacidade de acompanhamento das mudanças e de adaptação a novas condições de trabalho (MOURA, 2001, p.152).

Segundo Christov (2003) a formação continuada é importante, pois, os conhecimentos se atualizam a cada instante e é preciso que existam momentos para reflexão sobre a prática docente, oferecendo subsídios para que os mesmos consigam, por sua vez, facilitar a aprendizagem de seus alunos.

Esse processo é intrínseco que tem a finalidade de transformar a realidade e o saber, pois a competência do docente é algo muito valorizado, logo, ele precisa está se renovando constantemente. Daí então, existe a necessidade da Formação Continuada dos profissionais da educação embasada numa perspectiva processual, reflexivo-crítico e avaliativo (DOMINGUES, 2015).

É indiscutível que as práticas cotidianas em sala de aula e na escola como um todo, transformam-se em objeto de investigação, onde o ambiente escolar é o universo no qual o docente exerce sua profissão e onde lhe são colocadas situações desafiadoras diariamente, e, portanto, um ambiente provocador e estimulador para esta formação quando há a consciência deste processo. No entendimento de Almeida e Placco (2010, p.119),

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É fundamental que o coordenador pedagógico provoque discussões fundamentadas sobre os determinantes de melhoria do rendimento escolar, com foco na confiança do professor na capacidade do aluno aprender, em suas potencialidades de desenvolvimento, incentivando os questionamentos e a expressão de incertezas e dúvidas.

Para tanto, torna-se necessária a presença de um coordenador pedagógico consciente de seu papel, da importância de sua formação continuada e da equipe docente, além de manter a parceria entre pais, alunos, professores e direção.

De acordo com o Regimento Escolar, Artigo nº. 129/2006-Resolução CEE/TO,

A função de coordenação pedagógica é o suporte que gerencia, coordena e supervisiona todas as atividades relacionadas com o processo de ensino e aprendizagem, visando sempre à permanência do aluno com sucesso.

Neste contexto, encontra-se a contribuição do coordenador pedagógico que tem as suas raízes históricas na função de supervisão que só fazia fiscalizar e controlar o ensino e os profissionais nele envolvido. Atualmente, o coordenador pedagógico tem a função de reformular a supervisão, no que se refere ao seu campo de atuação, suas inúmeras atribuições e aos estereótipos construídos historicamente pela sociedade (GATTI, 2013).

O que se observa é que o foco de trabalho do coordenador pedagógico são as pessoas, cuja marca peculiar é a singularidade, a diversidade baseada na subjetividade de cada ser, provindo de um contexto pessoal e sócio-cultural distintos, implicando assim em um trabalho complexo já que,

Coordenação pressupõe, portanto, uma disponibilidade para transitar entre diferentes cenários e espaços, encontrando projetos diversos (às vezes antagônicos), construindo caminhos de aproximação, negociação, diálogo e troca, entendendo os constituintes do grupo coordenado com pares legítimos institucionalmente e partícipes de um dado projeto político-pedagógico. Uma coordenação que articula tempos de ação e tempos de espera, descortinando uma postura interdisciplinar de escuta, acolhimento, confronto, ruptura, diálogo, proposições, avanços e recuos (BATISTA, 2001, p.110).

É nesta perspectiva que a atuação do coordenador se constrói, ganha terreno e se materializa nos espaços educativos, ainda que com alguns traços da função supervisora, seja por sua raiz histórica, seja pela atuação de seus profissionais. Ele também pontua a definição positiva do coordenador ao apontar a amplitude no campo de atuação do mesmo, pontuando aquelas que são sua essência, quando afirma que,

A coordenação pedagógica é a articuladora do Projeto Político Pedagógico da instituição no campo pedagógico, organizando a reflexão, a participação e os meios para a concretização do mesmo de tal forma que a escola possa cumprir sua tarefa de propiciar que todos os alunos

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aprendam e se desenvolvam como seres humanos plenos, partindo do pressuposto de que todos têm direito e são capazes de aprender (VASCONCELOS, 2007, p.87).

O coordenador pedagógico pode ser atuante em várias áreas como, por exemplo, planejar as ações pedagógicas, planejar e coordenar a implantação do serviço de coordenação pedagógica, avaliar e acompanhar o desenvolvimento da programação do currículo, assessorar a gestão escolar, elaborar a programação das atividades de sua área de atuação, articular-se com as demais programações do núcleo de apoio técnico-pedagógico, prestar assistência técnico-pedagógica aos professores, visar e assegurar os avanços no desempenho dos mesmos, encaminhando à direção os casos de alunos que requerem recursos não disponíveis pela escola, propor e coordenar atividades de atualização de professores, analisar o desempenho dos alunos com dificuldades de aprendizagem e redefinir estratégias junto com os professores.

Na visão de Garrido (2006, p.9), este profissional “favorecerá a tomada de consciência dos professores sobre suas ações e o conhecimento sobre o contexto escolar em que atuam”. Daí então, ele passará a ter uma imagem de colaborador na prática educativa, o qual deve conquistar autoridade (e não autoritarismo) pela competência e não pela imposição.

Conforme Placco (2006), o trabalho do coordenador pedagógico deve apresentar as seguintes essenciais:

a) Agente articulador na formação continuada: a atuação do coordenador pedagógico deve está permeada de valores, convicções, atitudes, articulações e técnicas que contribuam para a melhoria do processo de ensino e aprendizagem e para o relacionamento interpessoal no contexto escolar.

Clementi (2001, p.58) enfatiza que neste processo articulador é necessário que haja o momento para a reflexão do professor, indagações, respostas, procuras e escuta.

b) Ser um agente formador na formação continuada: a atuação do coordenador se dá como um agente formativo colaborador, pois “a formação não se faz antes da mudança, faz-se durante, produz-se nesproduz-se esforço de inovação e de procura dos melhores percursos para a transformação da escola (...)” (NÓVOA, 1992, p.28). Daí então, o coordenador pedagógico pode traçar caminhos onde ele passa a atuar também como um educador.

O coordenador medeia o saber, o saber fazer, o saber ser e o saber agir do professor. Essa atividade mediadora se dá na direção da transformação quando o coordenador considera o saber, as experiências, os interesses e o modo de trabalhar do professor, bem como cria condições para questionar sua prática e disponibiliza recursos para modificá-la, com a introdução de uma proposta inovadora e para o desenvolvimento de suas múltiplas dimensões (ORSOLON, 2001, p.22).

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Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 10, p. 84087-84101, oct. 2020. ISSN 2525-8761 c) Ser um agente transformador das práticas educativas: o coordenador pedagógico pode favorecer e introduzir novas práticas na escola e diminuição dos riscos e das resistências inerentes aos processos de mudança, a visualização de projetos conjuntos e a transformação da vida escolar.

Esta visão de transformação está coerente com o princípio da coletividade que defende o ideal de se trabalhar em conjunto, em que a figura principal desse processo é o coordenador pedagógico que apresenta-se como articulador dos diferentes atores escolares e formador dos professores, direcionando suas ações para envolvê-los num processo de apresentação das necessidades, expectativas e estratégias em relação à mudança, objetivando a construção de um projeto político pedagógico transformador (SARTORI, 2016).

Ele estimula o professor em suas ações e conhecimento, visando a proposição de alternativas para superar esses problemas e ao promover a constante retomada da atividade reflexiva, pois ele propicia condições para o desenvolvimento profissional dos docentes, tornando-os autores de suas próprias práticas.

O incentivo a formação continuada representa o cultivo de saberes de docentes e demais profissionais de educação, considerando seu exercício laboral como uma prática formativa e geradora de oportunidades de crescimento pessoal e profissional no âmbito dos espaços de trocas. A educação continuada expressa a concepção de conhecimento como resultado da práxis social e como tal, dispositivo produtivo para elaboração de novos sistemas interpretativos sobre a realidade e experiência docente, até então desenvolvida.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A formação continuada é um processo que apresenta ferramentas para suprir a demanda de informações que são atualizadas constantemente, como também para as necessidades que os alunos trazem para a sala de aula, logo é viável que o professor se renove e acompanhe as mudanças que ocorrem a todo o momento, pois isso garantirá um ensino e aprendizagem de qualidade.

No propósito de buscar melhorias no ensino e fazer com que ele acompanhe as exigências da era globalizada, busca-se manter um programa que envolva a atualização do ensino e os seus conteúdos e neste contexto, tem-se a figura do coordenador pedagógico que é uma peça fundamental no espaço escolar, pois busca integrar os envolvidos no processo ensino-aprendizagem mantendo as relações interpessoais de maneira saudável, valorizando a formação do professor e a sua, desenvolvendo habilidades para lidar com as diferenças com o objetivo de ajudar efetivamente na construção de uma educação de qualidade.

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Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 10, p. 84087-84101, oct. 2020. ISSN 2525-8761 A importância do trabalho da coordenação pedagógica busca promover uma prática compartilhada entre a coordenação e os professores participantes, pois prioriza-se a realização da formação continuada dos professores promove espaços e tempos de aprendizagem e planejamento para os professores, possibilitando situações de aprendizagem em que estes profissionais se sintam sujeitos produtivos de um processo de formação pautado na ação-reflexão-ação.

O coordenador pode contribuir na formação continuada do professor, a partir do momento em que ele procure realizar atividades que emergem a discussão e problematização de situações reais de aprendizagem dos alunos. Isso possibilitará ao docente pensar de forma reflexiva e respaldada em uma teoria pedagógica que o ajude no processo de ensinar e aprender de forma propositiva e questionadora, para que a construção do conhecimento sobre a práxis aconteça de forma coletiva, reflexiva e problematizadora.

Este profissional também pode contribuir incentivando a formação continuada dos docentes, trazendo reflexões constantes sobre as práticas docentes, enfatizando sucessos e insucessos e os pontos que precisam ser revistos, mobilizando a tentativa por melhoria nas práticas de ensino e na qualidade do ensino atribuído.

Pensamos o Coordenador pedagógico como um contribuinte essencial para a formação continuada do professor, pois como agente articulador do processo educacional na escola, deverá estimular o professor a refletir sobre a sua prática.

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Referências

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