Coleção Sociologia e religião
• Ciências das religiões (As), Giovanni Filoramo; Carlo Prandi • Diásporas africanas e processos sociorreligiosos, VV.AA.
• Dossel sagrado (O): elementos para uma teoria sociológica da religião, Peter Ludwig Berger • Formas elementares de vida religiosa (As), Émile Durkheim
• Impacto da sociedade em rede sobre a Igreja católica (O), Darlei Zanon • Religião e linguagem: abordagens teóricas interdisciplinares,
Paulo Augusto de Souza Nogueira (org.)
• Sociologia da religião e mudança social, Beatriz Muniz de Souza; Luís Mauro Sá Martino (orgs.)
Diásporas africanas
e processos
sociorreligiosos
Fábio Baggio
Paolo Parise
Wagner Lopes Sanchez
Direção editorial
Claudiano Avelino dos Santos
Coordenação de revisão
Tiago José Risi Leme
Capa
Anderson Daniel de Oliveira
Editoração, impressão e acabamento PAULUS
© PAULUS – 2017
Rua Francisco Cruz, 229 • 04117-091 – São Paulo (Brasil) Tel.: (11) 5087-3700 • Fax: (11) 5579-3627
paulus.com.br • [email protected] ISBN 978-85-349-4607-0
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SUMÁRIO
Introdução 7Parte I – Conferências
1. Diásporas e religiões africanas – Ênio José da Costa Brito 13 2. Las religiones en África – Fábio Baggio 41
3. Recriações religiosas da África no Brasil – Reginaldo Prandi 67
Parte II – Mesas-redondas
1. A invenção do candomblé – Teresinha Bernardo 97
2. Ayibobo: Uma introdução ao vodu haitiano – Marcos Verdugo 117
Parte III – Comunicações
1. Diáspora religiosa Mouridiyya: aproximações etnográficas no contexto de imigrantes senegaleses muçulmanos no Sul do Brasil – Fanny Longa Romero 139
2. Migração africana no contexto da mobilidade humana: Um breve olhar sobre a migração forçada a partir do contexto neoliberal –
Cornélio Raimundo Mucache 157
3. Mulheres bantos: estéticas africanas em terras paulistas – Hanayrá
Negreiros 167
4. Por que o Brasil como refúgio de guerra? – Rita de Cassia Goulart
Caraseni 177
5. Entre o religioso e o sujeito social: as CEBs e a migração em São Paulo na década de 1970 – Welder Lancieri Marchini 185
6. Teologia das migrações e a pluralidade religiosa – Wellington da Silva
de Barros 205
7. Seicho-No-Ie: Sincretismo e diálogo inter-religioso a partir do culto aos antepassados – Mariana Fernandes de Souza 223
8. Imigração boliviana na cidade de São Paulo: construção e desconstrução de sua identidade e cultura – Rosinéia Oliveira dos Santos 233 9. Religiões chinesas institucionalizadas na América Latina: um estudo
exploratório-descritivo – Matheus Oliva da Costa 249
10. Estudo comparativo do coping religioso em mulheres protestantes de origem chinesa taiwanesa e brasileira, na grande São Paulo (mediante a Escala CRE-Breve) – Mônica Frederigue de Castro Huang e Welligton
Introdução
Nos dias 6 a 8 de junho de 2016, a PUC-SP promoveu o II Sim-pósio Internacional sobre Religião e Migração “Diásporas africanas e processos sociorreligiosos”, por meio do Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciência da Religião e do Grupo de Pesquisa Re-ligião e Cidade, em parceria com a Missão Paz / Centro de Estudos Migratórios, dos padres scalabrinianos, e o SIMI (Scalabrini
Inter-national Migration Institute), incorporado à Pontifícia Universidade
Urbaniana, de Roma, reunindo em torno de 220 pesquisadores e estudantes.
Foram três dias de debates em torno de um tema atual e de grande relevância acadêmica e social: o processo migratório de afri-canos e o papel da religião nesse contexto. Há mais de cinco séculos a África tem sido objeto de violência por parte de países imperialistas, que através de sua ingerência obrigam os povos africanos a sair de suas terras. Desde então, a África se tornou uma terra de sofrimento, onde o grito de liberdade de seus povos ensurdece o mundo.
Hoje os povos africanos sofrem as consequências da dominação a que foram submetidos pelo Ocidente. Compreender o processo de migração atual e o papel das religiões nesse processo é fundamental para resgatar a dignidade daqueles povos, os povos africanos que ainda hoje buscam reconstruir o seu caminho. Esse foi o horizonte do II Simpósio Internacional.
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O Simpósio teve três grandes momentos: conferências, mesas--redondas e mesas de comunicação. Este livro contém os principais textos apresentados. A primeira conferência, “Religiões e diásporas africanas”, proferida pelo prof. Dr. Ênio José da Costa Brito, da PUC-SP, refletiu sobre o papel dos povos e das religiões ao longo das diásporas africanas. A partir do paradigma do Atlântico, que propõe ler criticamente a perspectiva historiográfica tradicional, o prof. Ênio examina a diáspora africana a partir das relações entre a África, a Europa e as Américas. A segunda conferência, “Las reli-giones en África”, do prof. Dr. Fabio Baggio, do SIMI, da Pontifícia Universidade Urbaniana, de Roma, abordou a complexidade do panorama religioso na África. No texto, ele apresenta dados esta-tísticos atuais e faz uma projeção da evolução da questão religiosa africana problematizando essas perspectivas. A terceira conferência, do prof. Dr. Reginaldo Prandi, da USP, abordou o tema “Recriações religiosas da África no Brasil”. Partindo do fato da presença intensa e diversidade da herança cultural africana na cultura brasileira, o prof. Prandi nos apresenta um estudo sobre a forma como a religião africana resistiu e como ela se reinventou ao longo dos anos no Brasil. Fica claro pelo texto que a herança africana é algo dinâmico e que está constantemente a reconfigurar os modos de ser, de viver e de celebrar em meio à cultura brasileira.
A mesa-redonda “As religiões africanas: diferentes faces” tinha por objetivo construir um panorama de três experiências religiosas africanas nas Américas. O primeiro texto é da profa. Dra. Teresinha Bernardo, da PUC-SP, que, tratando do candomblé no Brasil, apre-sentou o tema “A invenção do candomblé”. O texto da profa. Teresinha mostra o difícil e complexo processo, em meio à resistência contra a opressão, de invenção do candomblé desencadeado pelos povos negros que para cá vieram como escravos. O texto do prof. Ms. Marcos Verdugo, sobre “Ayibobo: uma introdução ao vodu
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no” parte da perspectiva de que o vodu haitiano, assim como outras recriações africanas no continente americano, é um desdobramento do processo colonizador europeu, a partir do século XVI, que tinha no trabalho escravo o seu motor. Depois de um breve histórico do vodu haitiano, o texto percorre os detalhes dessa religião, que em solo haitiano significou a resistência ao processo colonizador e a busca pela reinvenção da identidade africana.
Na seção de comunicações foram apresentadas 26 comunica-ções. Os organizadores deste livro selecionaram 13 textos para serem publicados e que são apresentados na terceira parte do livro.
Queremos agradecer às instituições parceiras – PUC-SP, Missão Paz / Centro de Estudos Missionários e SIMI –, ao Comitê Científico – Dr. Donizete José Xavier (PUC-SP), Dr. Edin Sued Abumansur (PUC-SP), Dr. Fabio Baggio (SIMI, Roma), Dr. Fernando Altemeyer Jr. (PUC-SP), Dr. Gioacchino Campese (SIMI, Roma), Dr. João Dé-cio Passos (PUC-SP), Dr. José Carlos Pereira (CEM, São Paulo), Dr. Paolo Parise (Missão Paz, São Paulo) e Dr. Wagner Lopes Sanchez (PUCSP) –, e à coordenação do Simpósio: Edin Sued Abumansur, Wagner Lopes Sanchez, Welder Lancieri Marchini e Wellington da Silva de Barros. Estas pessoas, de uma forma ou de outra, contribuí-ram para que o evento se tornasse uma realidade.
Queremos dedicar este livro ao Pe. Mario Santillo que, de re-pente, aos 57 anos de idade, nos deixou, poucas semanas depois da realização do Simpósio que ora estamos apresentando. No dia 7 de junho de 2016, ele compôs a mesa temática “Estatísticas e Migrações”, com uma abordagem sobre “A migração africana na América do Sul e na Argentina em particular”. Mario era um sociólogo especializado em mobilidade humana e políticas migratórias na América Latina. Estava levando adiante compromissos acadêmicos em Buenos Ai-res, Roma e Valência. A experiência migratória fazia parte da vida dele. O pai de Mario vinha de Toro, uma pequena vila do Molise,
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região italiana. Este tinha deixado a Itália depois da Segunda Guerra Mundial para procurar melhores condições de vida na Argentina.
Concluído o II Simpósio Internacional sobre Religião e Migra-ção, Mario tinha se colocado à disposição para pensar na terceira edição, que será realizada em 2017, ajudando a definir o tema. Ele também tinha a intenção de estreitar laços entre Buenos Aires e São Paulo, no que se refere a estudos migratórios. Cheio de projetos e sonhos, Mario nos deixou e migrou até aquele que está na origem e no destino da vida.
Desejamos boa leitura e aproveitamos para convidá-lo/a para o próximo Simpósio, entre os dias 5 e 7 de junho deste ano, e que terá como tema: “Religião e Migração: fronteiras, conflitos e o drama dos refugiados”.
São Paulo, 1º de fevereiro de 2017 Fabio Baggio (SIMI) Paolo Parise (Missão/Paz) Wagner Lopes Sanchez (PUC-SP)