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EDUARDO AGÜERO CREMONESE

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Academic year: 2021

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EDUARDO AGÜERO CREMONESE

PREVALÊNCIA DE AGENESIA DENTÁRIA EM UMA CLÍNICA

DE ORTODONTIA EM PORTO ALEGRE.

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EDUARDO AGÜERO CREMONESE

PREVALÊNCIA DE AGENESIA DENTÁRIA EM UMA

CLÍNICA DE ORTODONTIA EM PORTO ALEGRE

EDUARDO AGUERO CREMONESE Monografia apresentada ao programa de pós-graduação do ICS-FUNORTE/SOEBRAS como parte dos requisitos à obtenção do título de especialista em Ortodontia

ORIENTADOR: Dr. Luis Fernando Spolaor

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PENSAMENTO

A mente que se abre a uma nova idéia, jamais voltará ao seu tamanho original.

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AGRADECIMENTOS

Dedico este trabalho primeiramente a Deus, pois sem Ele, nada seria possível e não estaríamos aqui reunidos, desfrutando, juntos, desses momentos que nos são tão importantes.

A Cristiane Garcia, pelo apoio e acesso aos dados dos pacientes para a realização deste estudo.

Aos meus pais, Jorge e Inelda, pelo esforço, dedicação e compreensão, em todos os momentos dessa e de outras caminhadas.

Em especial, ao meu grande amigo e orientador, prof. Luís Fernando Spolaor, por sua confiança e credibilidade em minha pessoa durante o desenvolvimento deste trabalho, e pelo mútuo aprendizado de vida durante nossa convivência, no campo profissional e particular. Amigo, gratidão eterna!!!

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RESUMO

Este trabalho tem o objetivo de estimar a prevalência de agenesias dentárias em pacientes submetidos a tratamento ortodôntico em uma clínica odontológica na cidade de Porto Alegre-RS. Foram analisadas oitocentas e vinte e nove radiografias panorâmicas de pacientes com idades entre seis e quarenta e seis anos; duzentos e setenta e oito pacientes do gênero masculino e quinhentos e cinqüenta e um pacientes do gênero feminino, com a constatação de alguma agenesia dentária em cinqüenta e quatro pacientes (6,5%), com um total de oitenta e sete agenesias. Nesse estudo, a maior prevalência de agenesia foi constatada no incisivo lateral superior direito, com dezoito casos (20,68%), seguida pelo segundo pré-molar inferior esquerdo, com doze casos (13,79%). Os molares não foram considerados nessa amostra.

Palavras Chave: Agenesia dentária. Epidemiologia de agenesia. Ortodontia e agenesia.

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ABSTRACT

The purpose of this study is to estimate the prevalence of dental agenesis among patients under orthodontic treatment in a dental clinic in Porto Alegre City. Eight hundred and twenty-nine panoramic radiographies of patients aged between six and forty-six years-old were evaluated. Fifty four patients (6,5%) from two hundred and seventy eight male and five hundred and fifty one female patients showed some agenesis, with a total of eighty seven dental agenesis. In this study, the most prevalent tooth affected by dental agenesis was the upper right lateral incisor, with eighteen agenesis (20.68%), followed by the lower left second premolars, with twelve agenesis (13,79%). The molars were not considered in the sample.

Keywords: Dental agenesis. Epidemiology of agenesis. Orthodontics and agenesis.

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LISTA DE PLANILHAS

Planilha 1 Listagem Total 34

Planilha 2 Pacientes do Gênero Feminino 35

Planilha 3 Pacientes do Gênero Masculino 36

Planilha 4 Análise Individual Mulheres 40

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LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1 Percentual por gênero em uma amostra de 829

radiografias. 29

Gráfico 2 Total em números e percentual de pacientes com

agenesia, por gênero. 29

Gráfico 3 Porcentagem de agenesias, por arcada dentária,

na população feminina. 30

Gráfico 4 Porcentagem de agenesias, por arcada dentária,

na população masculina 30

Gráfico 5 Porcentagem de agenesias, por dentes, na arcada

superior, em pacientes do gênero feminino. 31

Gráfico 6 Porcentagem de agenesias, por dentes, na arcada

inferior, em pacientes do gênero feminino. 31

Gráfico 7 Porcentagem de agenesias, por dentes, na arcada

superior, em pacientes do gênero masculino 32

Gráfico 8 Porcentagem de agenesias, por dentes, na arcada

inferior, em pacientes do gênero masculino 32

Gráfico 9 Porcentagem de agenesias uni e bilaterais em

pacientes do gênero feminino 33

Gráfico 10 Porcentagem de agenesias uni e bilaterais em

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SUMÁRIO

1 - INTRODUÇÃO 10 2 - RETROSPECTIVA DA LITERATURA 12 3 - PROPOSIÇÃO 18 4 - MATERIAL E MÉTODO 19 5 - RESULTADOS 21 6 - 7 - DISCUSSÃO CONCLUSÃO REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS APÊNDICE 23 25 26 29

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1. INTRODUÇÃO

As ausências dentárias são potencialmente capazes de interferir em qualquer uma das funções relacionadas com os dentes, especialmente na estética do sorriso do paciente, o que, em algumas comunidades sociais modernas, passou a adquirir uma valorização muito mais importante do que muitas vezes deveria ter, sendo capaz de interferir significativamente na aceitação, na segregação e no bem-estar pessoal de cada indivíduo nos diferentes grupos sociais ou de trabalho.

Considerando-se a perspectiva evolucionária, a ausência de um ou mais dentes não é incomum no sistema estomatognático do homem moderno. Essa tendência, no que diz respeito à redução do número de dentes, é progressiva (SILVERMAN & ACKERMAN, 1979) e, conforme a teoria filogenética de Bolk, há uma redução do elemento distal de determinados grupos de dentes (de BEER, 1951).

Freitas et al. (1980) definiram agenesia como sendo a ausência congênita total ou parcial de dentes. A anodontia total seria aquela na qual todos os dentes estivessem ausentes, podendo envolver tanto a dentição decídua quanto a permanente, e anodontia parcial, ou hipodontia, como sendo aquela na qual apenas um ou alguns elementos dentários estivessem ausentes.

O diagnóstico precoce da agenesia dentária é importante na

prevenção de distúrbios maxilomandibulares, permitindo o

estabelecimento de condutas clínicas e ortodônticas em épocas mais adequadas (THONGUDOMPORN & FREER, 1998). Entretanto, essas alterações podem passar despercebidas ou insuficientemente esclarecidas, tanto para o paciente quanto para o cirurgião-dentista, até o momento da realização de um exame radiográfico que possa comprovar a inexistência do germe de um dente permanente, ou a presença de um dente permanente que, na verdade, não esteja ausente, mas impedido de erupcionar. Sendo assim, as radiografias panorâmicas constituem-se num

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exame complementar de grande significado clínico na detecção desses distúrbios de desenvolvimento.

Os diferentes estudos epidemiológicos já realizados no Brasil e no mundo mostram que a prevalência de agenesias dentárias nas populações pesquisadas é alta, variando entre 1,6% a 9,6% (VASTARDIS et al.,1996). A constatação relativamente alta de casos de agenesia dentária nos consultórios odontológicos vem despertando o interesse pelo estudo e pela pesquisa da prevalência dessa anomalia nas mais diversas populações, bem como a comparação dos resultados de cada estudo com outros já realizados, complementando e aperfeiçoando a pesquisa referente às agenesias dentárias como um todo.

O presente trabalho tem o objetivo de avaliar a prevalência de agenesias dentárias em pacientes submetidos a tratamento ortodôntico em uma clínica odontológica na cidade de Porto Alegre-RS por meio da avaliação das radiografias panorâmicas constantes nas documentações ortodônticas.

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2. RETROSPECTIVA DA LITERATURA

A agenesia é uma das anomalias de desenvolvimento dentário mais comuns, com uma prevalência de 3,5% a 8% (com exclusão dos terceiros molares) e uma predominância de ocorrência no sexo feminino de aproximadamente 1,5:1 nos casos relatados por Neville et al.(1998).

2.1. ETIOLOGIA

A agenesia dentária pode ocorrer por uma falha na proliferação e/ou diferenciação da lâmina dentária (TEN CATE, 1985).

Cerca de 10% das anomalias congênitas são de caráter hereditário, 10% são provenientes de um ambiente patológico e 80% são de etiologia desconhecida (BÖNECKER et. al., 2002).

Em seu trabalho, Vastardis (2000) relacionou a etiologia de agenesias dentárias com fatores nutricionais, traumáticos, infecciosos, hereditários ou filogenéticos, e também citou outros fatores, como certos distúrbios endócrinos e algumas doenças virais, especialmente a rubéola, como fatores etiológicos capazes de promover agenesias dentárias. Entretanto, a hereditariedade foi considerada o principal fator etiológico de uma não-formação dentária.

A hipodontia pode ser encontrada sob as formas sindrômicas, não-sindrômicas ou adquiridas. Embora a agenesia dentária esteja associada a mais de quarenta e nove síndromes, muitos dos casos relatados descrevem principalmente as formas não-sindrômicas, seja de natureza familiar, seja esporádica, como os principais fatores etiológicos para uma não-formação dentária, como foi salientado por Gorlin et al. (1990).

A anodontia é a anomalia dentária mais freqüente entre as diversas anomalias dentárias possíveis de serem encontradas em pacientes portadores de fissuras de lábio e palato, afetando sempre o incisivo lateral do mesmo lado da arcada no qual a fissura ocorra. Outras anomalias, tais como dentes supranumerários, microdentes, dentes natais, neonatais e intranasais e atrasos de erupção também são evidenciados nesses pacientes (RESENDE, 1997).

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A hipodontia familiar é freqüentemente transmitida como uma característica autossômica dominante, com penetrância incompleta e expressividade variável. Algumas formas de hipodontia com herança autossômica recessiva e ligada ao X têm sido relatadas (AHMAD et. al., 1998).

2.2. DIAGNÓSTICO

Muitas das anomalias de desenvolvimento dentário são detectadas por exames clínicos de rotina, mas, para complementar os diagnósticos de agenesias dentárias, exames radiográficos do tipo periapical ou panorâmico devem ser utilizados (BUENVIAJE & RAPP, 1984).

Dentre os diversos tipos de radiografias odontológicas existentes, a radiografia panorâmica ainda é a mais indicada para o diagnóstico e o estudo de agenesias dentárias, pois, além de serem capazes de registrar todo o complexo maxilomandibular de um paciente em uma única tomada radiográfica, o índice de radiação necessário para a realização de uma radiografia panorâmica é menor do que o que seria necessário para a realização de um exame radiográfico periapical de todos os dentes de um paciente.

De acordo com Thongudomporn e Freer (1998) as anomalias dentárias são freqüentemente detectadas em crianças, e seu diagnóstico precoce é de vital importância na prevenção de distúrbios maxilomandibulares, permitindo estabelecer uma conduta clínica e ortodôntica na época mais adequada.

2.3. EPIDEMIOLOGIA

A incidência de agenesias dentárias do tipo familiar varia de acordo com o tipo de dente envolvido. Os terceiros molares são os dentes mais freqüentemente afetados por essa anomalia, seguidos pelos incisivos laterais superiores e pelos segundos pré-molares inferiores.

As agenesias dentárias envolvendo os primeiros e segundos molares permanentes são raras (VASTARDIS et al., 1996).

Vários estudos vêm sendo realizados para observar a prevalência de agenesias dentárias. Em um trabalho realizado por Silva et al. (2004)

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quatrocentas radiografias panorâmicas de indivíduos com idades variando entre nove e dezoito anos, sem extrações dentárias prévias, foram avaliadas, e o resultado apontou uma prevalência de agenesias dentárias em pacientes do gênero feminino e os segundos pré-molares inferiores como sendo os dentes mais afetados pela anomalia.

Em 2001, na cidade de Nairobi, no Kênia, Ng’ang’a realizou um estudo sobre a prevalência de agenesias dentárias em pacientes com idades entre oito e quinze anos submetidos a tratamento ortodôntico e encontrou trinta e nove casos de anodontia (6,3%), com a maior prevalência de agenesia dentária nos segundos pré-molares inferiores (30%), seguidos pelos segundos pré-molares superiores (24%) e pelos incisivos laterais superiores (22%).

Szepesi et al., em 2006, fizeram um estudo sobre a prevalência de agenesias dentárias em pacientes com idades entre oito e dezoito anos do departamento de odontopediatria na universidade de Debrecen, na Hungria, e encontraram, numa amostra de seiscentos e sessenta e nove radiografias panorâmicas, uma porcentagem de 7,76% de casos de hipodontia, na qual os incisivos laterais superiores eram os dentes mais freqüentemente ausentes, seguidos pelos segundos pré-molares inferiores.

Em um estudo realizado na cidade de Goiânia-GO por Farias et al. em 2006 sobre a prevalência de agenesias dentárias em pacientes do sexo feminino, mil radiografias panorâmicas de pacientes do gênero feminino com idades variando entre oito e quinze anos foram analisadas. Nesse estudo, os terceiros molares não foram levados em consideração, e a hipodontia apareceu em 7,9% dos casos, com os incisivos laterais superiores, os segundos pré-molares inferiores e os segundos pré-molares superiores sendo apontados, respectivamente, como sendo os dentes mais freqüentemente ausentes. Nesse trabalho, a maioria dos padrões de agenesia foram unilaterais, com uma pequena predominância na ocorrência de agenesias no lado direito e uma prevalência de agenesias dentárias significativamente maior na maxila do que na mandíbula.

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Tristão et al.(2003) realizaram um trabalho para verificar a freqüência de agenesias dentárias em radiografias panorâmicas de crianças que freqüentaram o ambulatório de odontopediatria da Universidade Federal do Espírito Santo. Nesse trabalho, duzentas e sessenta e oito radiografias foram examinadas, e os dentes que

apresentaram as maiores prevalências de agenesia foram,

respectivamente, os segundos molares inferiores, seguidos pelos pré-molares superiores e pelos incisivos laterais superiores, na maioria dos casos com agenesias bilaterais.

Vanzin e Yamazaki (2002) pesquisaram a prevalência de anomalias dentárias em paciente portadores de fissuras de lábio e palato no Serviço de Defeitos da Face da Faculdade de Odontologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Os dados foram coletados através de exame clínico, análise de modelos, fotografias e radiografias, e os resultados apontaram os incisivos laterais superiores como sendo o grupo de dentes com a maior prevalência de agenesia, com um índice de 48,3% dos casos, seguidos pelos segundos pré-molares superiores, com uma incidência de 13,3%, e pelos incisivos centrais superiores, com 6,7% dos casos.

Al-Emram (1990) realizou um trabalho para determinar a prevalência de hipodontia e malformações congênitas de dentes permanentes em meninas da cidade de Riad, na Arábia Saudita. O grupo de estudo era formado por meninas com idades variando entre treze e quatorze anos, examinadas clínica e radiograficamente. Nesse trabalho, a hipodontia foi constatada em 4% das crianças, e os dentes mais afetados pela anomalia foram os segundos pré-molares inferiores, seguidos pelos incisivos laterais superiores e pelos segundos pré-molares superiores.

A malformação dentária mais prevalente no trabalho de Al-Emram (1990) foi a malformação coronária, com incisivos laterais em formato conoide, com 4% dos casos.

Lins et al. (2001) verificaram através de radiografias panorâmicas, a prevalência de anomalias dentárias em quinhentas e quarenta e três

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crianças e adolescentes (duzentos e trinta e três meninos e trezentas e dez meninas) com idades variando entre sete e dezessete anos residentes em João Pessoa-PB. A prevalência de anomalias dentárias encontrada nesse estudo foi de 25,8%, das quais 77,8% correspondiam a anomalias de número (10,7% de dentes extranumerários e 67,1% de anodontias), 18,6% de anomalias de forma (14,3% de dilacerações e 4,3% de dentes conóides) e 3,6% de anomalias de erupção (2,9% de erupções ectópicas e 0,7% anquiloses). As anodontias mais freqüentes envolveram, respectivamente, os terceiros molares (96,4%), os segundos pré-molares superiores (11,4%), os segundos pré-molares inferiores (7,3%) e os incisivos laterais superiores (6,4%).

Chung et al.(2008) estudaram, através de radiografias panorâmicas e telerradiografias laterais, o padrão esquelético e a prevalência de agenesias dentárias em uma população de mil seiscentos e vinte e dois coreanos (seiscentos e onze homens, e mil e onze mulheres). Nesse estudo, foram encontradas agenesias dentárias em 11.2% dos casos analisados, e a maior prevalência de ausências dentárias foi encontrada nos incisivos laterais superiores e nos pré-molares inferiores, associadas a uma maloclusão de classe III.

Rolling & Poulsen (2009) fizeram um estudo no município de Aarhus, na Dinamarca, onde as crianças foram submetidos a exames clínico e radiográficos em dois grupos e períodos diferentes. Nos anos de 1974 a 1979, mil seiscentos e cinqüenta e sete meninas e mil seiscentos e sessenta e oito meninos foram examinados e, entre 1992 e 2002, duas mil quatrocentas e nove meninas e dois mil quatrocentos e quatro meninos foram examinados. O resultado do trabalho demonstrou que as taxas de prevalência de agenesias dentárias foram quase idênticas nestes dois períodos de tempo, com 7,8% de casos entre 1972 e 1979 e 7,1% de casos entre 1992 e 2002. As meninas foram afetadas com maior freqüência do que os meninos, e as agenesias unilaterais de pré-molares foram as mais observadas. o que demonstrou que a prevalência de

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agenesias dentárias em escolares dinamarqueses parece ser uma constante ao longo do tempo.

Grieco et al. (2007) avaliaram a prevalência de agenesias dentárias nos pacientes do departamento de ortodontia da Universidade Cidade de São Paulo (Unicid). Nesse trabalho, foram examinadas mil cento e dezessete radiografias panorâmicas e a amostra foi estudada quanto à distribuição de prevalência entre os gêneros, os grupos raciais, os quadrantes dentários e entre os diversos grupos dentários. Os resultados foram submetidos à análise estatística usando o teste t de Student, demonstrando que a ocorrência de agenesias não tinha nenhuma associação com o gênero ou a raça do paciente, ou com os diferentes quadrantes da arcada dentária. Com relação aos grupos de dentes, a maior prevalência de agenesia dentária foi verificada nos pré-molares inferiores e incisivos laterais superiores.

Silva et al., em 2004, analisaram seiscentas e setenta e oito radiografias de pacientes atendidos no Serviço de Radiologia da Faculdade de Odontologia da PUC-RS no período de 2000 a 2002. O objetivo foi o de determinar a prevalência de hipodontias em pacientes de seis a dezesseis anos de idade, determinando quais seriam os dentes mais afetados, sua localização e distribuição entre os sexos. A hipodontia foi encontrada em dezessete casos (2,5%) e, através do teste do qui-quadrado, foi constatado não haver nenhuma diferença significativa entre os sexos feminino e masculino para a ocorrência de agenesias dentárias. Nesse trabalho, os dentes mais freqüentemente ausentes foram os incisivos laterais superiores, seguidos pelos pré-molares superiores., e não foi constatada nenhuma diferença significativa com relação à localização da agenesia dentária, podendo ocorrer uni ou bilateralmente (47% e 53%, respectivamente).

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3. PROPOSIÇÃO

O propósito desta pesquisa foi o determinar a prevalência de agenesias dentárias em pacientes que buscaram tratamento em uma clínica odontológica especializada em ortodontia na cidade de Porto Alegre-RS, levando em conta o gênero dos pacientes, as arcadas envolvidas e a uni ou bilateralidade das agenesias dentárias encontradas.

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4. MATERIAL E MÉTODO

O projeto de pesquisa tem como objetivo verificar a prevalência de agenesia dentária em pacientes que se encontram em tratamento ortodôntico em uma clínica na cidade de Porto Alegre-RS.

Esta pesquisa foi realizada após aprovação do projeto pela Comissão de Ética em Pesquisa/Soebras Protocolo No. 0012/2009 e aprovação escrita dos pacientes envolvidos ou de seus representantes, quando menores de idade.

4.1. AMOSTRA

A amostra deste estudo foi composta por oitocentas e vinte e nove radiografias panorâmicas provenientes de documentações ortodônticas de pacientes com dentição mista ou permanente, com idades variando entre seis e quarenta e seis anos, pertencentes ao arquivo de uma clínica ortodôntica da cidade de Porto Alegre-RS.

4.2. CRITÉRIOS

Os pacientes selecionados não apresentavam nenhum problema sistêmico ou fissuras de lábio e/ou palato.

Os molares permanentes não foram contabilizados na amostra pesquisada.

4.3. DIAGNÓSTICO DAS AGENESIAS

A presença de um dente decíduo sem a presença da imagem radiográfica do dente sucessor permanente na radiografia panorâmica, independentemente da idade do paciente, era um indicativo evidente de agenesia dentária.

Pacientes que tivessem dentes perdidos ou extraídos em decorrência de tratamentos ortodônticos prévios foram excluídos da amostra.

Pacientes com idades acima de vinte anos com ausências dentárias que suscitassem alguma dúvida em relação a agenesia ou perda dentária eram questionados e, em casos de persistência da dúvida, eram excluídos da amostra.

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As radiografias panorâmicas foram examinadas diretamente por um único examinador, com o auxílio de um negatoscópio.

4.4. ANÁLISE DOS DADOS

Os dados foram organizados em uma planilha do programa EXCEL-WINDOWS com células correspondentes ao número de identificação da documentação ortodôntica utilizado pela clínica de ortodontia, a idade, o gênero do paciente e o número correspondente a cada um dos dentes permanentes, com exceção dos molares, marcando-se com um “X”, nessas células, os dentes ausentes por agenesia (Figura 1 )

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5. RESULTADOS

Em nossa amostra de trabalho, foram analisadas oitocentas e vinte e nove radiografias panorâmicas de pacientes em tratamento ortodôntico. Nessa amostra, quinhentas e cinqüenta e cinco radiografias (67%) pertenciam a pacientes do gênero feminino e duzentas e setenta e quatro radiografias (33%) a pacientes do gênero masculino (Gráfico 01). Nessa amostra, foram constatadas agenesias em dezenove radiografias panorâmicas de pacientes do gênero masculino, o que correspondia a 6,8% de toda a amostra, e trinta e seis agenesias em radiografias de pacientes do gênero feminino, o que correspondia a 6,3% de toda a amostra (Gráfico 02).

Na comparação entre a prevalência de agenesias dentárias entre as arcadas superior e inferior, nessa amostra de trabalho foi verificado que, tanto no gênero feminino quanto no gênero masculino, a arcada dentária superior apresentou uma maior quantidade de agenesias dentárias do que a arcada dentária inferior (Gráficos 03 e 04).

Em nossa amostra, levando-se em conta a arcada dentária superior de pacientes do gênero feminino, o incisivo lateral superior direito foi o dente com maior prevalência de agenesia, seguido pelo incisivo lateral superior esquerdo e pelo primeiro pré-molar superior direito (Gráfico 05).

Em nossa amostra de trabalho, foram verificadas agenesias nos caninos superiores de ambos os lados, em porcentagem semelhantes (Gráfico 05).

Na arcada dentária inferior, o dente com maior prevalência de agenesia foi o segundo pré-molar inferior esquerdo, seguido pelo segundo pré-molar inferior direito (Gráfico 06).

Em nossa amostra de trabalho, levando-se em consideração a arcada dentária superior de pacientes do gênero masculino, foi verificado que o dente mais acometido pela agenesia foi o incisivo lateral superior direito, seguido pelo primeiro pré-molar superior direito, pelo primeiro pré-molar superior esquerdo e pelo incisivo lateral superior esquerdo,

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respectivamente (Gráfico 07). Levando-se em consideração a arcada dentária inferior de pacientes do gênero masculino, o dente com a maior prevalência de agenesia foi o segundo pré-molar inferior esquerdo, seguido pelo primeiro pré-molar inferior direito e pelo primeiro pré-molar inferior esquerdo, como pode ser observado no gráfico 08.

Em relação à bilateralidade de agenesias, em nossa amostra de trabalho, foi verificado que, no sexo feminino, em dezoito radiografias (51,4%), as agenesias dentárias apareceram de forma unilateral e em dezessete radiografias (48,6%) apareceram de forma bilateral (Gráfico 09) e, no sexo masculino, foram verificadas onze radiografias (57,9%) com agenesias dentárias de forma unilateral e oito radiografias (42,1%) com agenesias de forma bilateral (Gráfico 10).

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6. DISCUSSÃO

Estudos epidemiológicos realizados em diferentes países mostram uma prevalência de agenesias dentárias na dentição permanente variando entre 1,3% e 7,9% (COSTA, 2005; FARIAS, 2006; CHUNG, et al., 2008; SZEPEZI, et al., 2006; ROLING & POULSEN, 2009; SILVA, et al., 2004; Al-EMRAM, 1990 e MATUDA, 2007).Em nossa amostra de trabalho, a prevalência de agenesias dentárias foi de 6,5%, o que demonstra uma prevalência semelhante à encontrada em outros estudos epidemiológicos realizados no Brasil e no exterior.

Em nossa amostra de trabalho, foram analisadas radiografias panorâmicas de oitocentos e vinte e nove pacientes. Uma amostra semelhante, em termos de quantidade, à amostra estudada por Paula & Ferrer (2007); menor, em termos de quantidade de casos analisados do que as amostras estudadas por Grieco, et al. (2007), com mil cento e dezessete pacientes; por Roling & Poulsen (2009), com três mil, trezentos e vinte e cinco pacientes; por Chung, et al., (2008), com mil, seiscentos e vinte e dois pacientes e por Costa (2005), com mil e trinta e quatro pacientes, e menor, em termos de número de casos analisados, do que as amostras estudadas por Matuda (2007), com trezentos pacientes; por Silva, et al., (2004), com seiscentos e setenta e oito pacientes e por Lins,

et al., (2001) com quinhentas e quarenta e três radiografias.

A maioria dos trabalhos epidemiológicos já realizados (GRIECO, et

al., 2007; MATUDA, 2007; VICCI, et al., 2005 e CHUNG, et al., 2008) teve

uma quantidade maior de pacientes do gênero feminino nas suas amostras de pesquisa. Em nosso trabalho, coincidentemente, tivemos uma amostra semelhante. Com uma amostra de oitocentas e vinte e nove radiografias, quinhentas e cinqüenta e cinco radiografias (67%) pertenciam a pacientes do gênero feminino e duzentas e setenta e quatro radiografias (33%) pertenciam a pacientes do gênero masculino.

Em nossa pesquisa, o dente mais acometido pela agenesia foi o incisivo lateral superior direito, seguido pelo segundo pré-molar inferior

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esquerdo, o que mostra um resultado semelhante aos resultados encontrados nos trabalhos de Farias (2006); Szepezi, et al. (2006); Farias (2007); Paula (2007); Vanzin (2002); Silva (2004) e Matuda (2007), mas diferente do resultado apontado em outros trabalhos (Al-EMRAM, 1990; GRIECO, 2007; TRISTÃO, 2003; Ng’ANG’A, 2001 e LINS, et. al., 2001), que apontaram os pré-molares inferiores como o grupo de dente com maior prevalência de agenesia.

Em nosso trabalho, obtivemos um resultado semelhante aos resultados apontado pelos trabalhos de Farias (2006); Grieco, et al. (2007) e Tristão (2003), nos quais, tanto no sexo feminino quanto no sexo masculino, a arcada dentária superior aparecia como sendo mais afetada por agenesias dentárias do que a arcada dentária inferior.

A maioria dos autores relatou uma pequena predominância de agenesias em mulheres, (CASTILHO, 1990; DERMAUT, 1986; LEE, 2005) e no nosso trabalho foi encontrado que o gênero masculino foi o mais afetado, com 6,8%, em relação ao gênero feminino, com 6,3%.

De forma semelhante ao estudo realizado por Silva, em 2004, em nossa pesquisa constatamos que, tanto no gênero feminino quanto no gênero masculino, as agenesias bilaterais foram predominantes, e os dentes mais afetados por agenesias bilaterais foram os incisivos laterais superiores, de forma simétrica.

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7. CONCLUSÃO

Tendo como base os resultados do presente trabalho que avaliou a prevalência de agenesia dentária de pacientes ortodônticos em uma clínica especializada em ortodontia na cidade de Porto Alegre–RS, com média de idade variando entre vinte e um e quatorze anos, pode-se concluir que:

1. Os dentes mais afetados pela agenesia são os incisivos laterais superiores e os segundo pré-molares inferiores

2. Das oitocentas e vinte e nove radiografias panorâmicas analisadas, foram constatadas dezenove agenesias em pacientes do sexo masculino (6,8%) e trinta e cinco agenesias em pacientes do sexo feminino (6,3%), em um total de oitenta e sete agenesias.

3. Diante do resultado de prevalência, o número de pacientes que compôs tal amostra (6,5%) foi um número semelhante, na média, entre os outros estudos já realizados.

4. Diferentemente de outros estudos, em nossa pesquisa, o gênero masculino foi o mais afetado pela agenesia, em comparação ao gênero feminino.

5. Constatamos agenesias de caninos superiores nas amostras tanto no gênero feminino como no masculino, o que é raro de acontecer, se verificado em outros estudos sobre agenesia dentária.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

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(29)

APÊNDICE

Gráfico 1. Percentual por gênero em uma amostra de 829 radiografias.

Gráfico 2. Total em números e percentual de pacientes com agenesia, por gênero.

(30)

Gráfico 3. Porcentagem de agenesias, por arcada dentária, na população feminina.

Gráfico 4. Porcentagem de agenesias, por arcada dentária, na população masculina.

(31)

Gráfico 5. Porcentagem de agenesias, por dentes, na arcada superior, em pacientes do gênero feminino.

Gráfico 6. Porcentagem de agenesias, por dentes, na arcada inferior, em pacientes do gênero feminino.

(32)

Gráfico 7. Porcentagem de agenesias, por dentes, na arcada superior, em pacientes do gênero masculino.

Gráfico 8. Porcentagem de agenesias, por dentes, na arcada inferior, em pacientes do gênero masculino.

(33)

Gráfico 9. Porcentagem de agenesias uni e bilaterais, em pacientes do gênero feminino.

Gráfico 10. Porcentagem de agenesias uni e bilaterais, em pacientes do gênero masculino.

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