STÁLIN Pablo Miranda

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STÁLIN

Pablo Miranda

Extrato de uma palestra realizada por Pablo Miranda, 1º Secretário do Partido Comunista Marxista- Leninista do Equador (PCMLE) na República Dominicana a convite do Partido Comunista do Trabalho por ocasião do cinquentenário da morte do camarada Stálin

Durante sua vida o camarada Stálin motivou a admiração e o carinho da classe operária e de todos os povos da vasta União Soviética e também o respeito e a amizade dos trabalhadores dos cinco continentes, o ardor e o entusiasmo dos comunistas de todos os países e, é obvio, o ódio dos reacionários, dos imperialistas e burgueses que se sentiam feridos profundamente pelas colossais realizações da União Soviética, pelas grandes ações econômicas, culturais, tecnológicas e científicas dos trabalhadores e da intelectualidade socialista, pelos grandes e impressionantes triunfos da revolução, do socialismo e dos comunistas.

Nessa conjura contra Stálin, sobre cujo nome se combatia o comunismo, se destacou por sua maledicência e persistência a propaganda nazista que não deixava passar um dia sequer sem lançar suas malditas calúnias.

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Esse ódio contrarrevolucionário e anticomunista caracterizou também Trotski e seus seguidores.

Pouco depois da morte de Stálin se somavam ao coro dos reacionários e anticomunistas de todos os países que sempre o insultaram, as vozes dos “comunistas” que ascenderam à direção do Partido e do Estado soviético.

Desde então, até nossos dias, o anti-stalinismo é a voz recorrente de todos os reacionários, dos ideólogos da burguesia, dos trotskistas, dos revisionistas e dos oportunistas de todas as cores. Atacando Stálin se pretende derrubar as extraordinárias realizações do socialismo na União Soviética e no que fora o campo socialista, se quer minimizar e, inclusive, ignorar as grandes contribuições do Exército Vermelho e dos povos soviéticos na luta decisiva contra o nazismo, tenta-se denegrir o partido comunista e o regime socialista como totalitários, como negação da liberdade e da democracia. Em nome de Stálin se ataca Lênin, Marx e o socialismo. Difamar Stálin como um burocrata e sanguinário significa atacar a ditadura do proletariado e, com isso, negar a liberdade dos trabalhadores e dos povos, a democracia socialista. Caluniar Stálin como um ignorante e medíocre é desconhecer suas grandes contribuições à teoria revolucionária, ao marxismo-leninismo. Atacar Stálin significa negar a necessidade da existência e da luta do partido comunista, transformá-lo em um movimento de livre pensadores e anarco-sindicalistas, lhe tirar sua essência leninista, o centralismo democrático.

O cúmulo do anti-stalinismo é tachar de stalinistas a quem traiu a revolução e o socialismo em nome de acabar com os “crimes de Stálin” e fazer da União Soviética um “país democrático”. A estupidez dos reacionários e dos oportunistas não lhes permite distinguir que Krushov, Breshnev, Gorbachov e Yeltsin, confessos anti-stalinistas, destruíram pedra por pedra a grande obra da classe operária e dos povos soviéticos, dos comunistas, de Lênin e de Stálin.

Os ataques a Stálin são de tal magnitude que, inclusive, um número importante de lutadores sociais, de esquerdistas e de revolucionários tem sido vítima de suas mentiras. No fundamental, trata-se de pessoas sinceras, interessadas na libertação social e nacional mas que desconhecem a personalidade e a obra de Stálin e, por isso, fazem coro a várias dessas tergiversações. Trata-se também de alguns revolucionários pequeno-burgueses que atacam Stálin a partir de posições pretensamente “humanistas”.

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Aos comunistas de agora corresponde defender a verdade revolucionária sobre Stálin, já que somos seus camaradas, seus continuadores.

A grande revolução socialista de Outubro constituiu uma das grandes epopeias da humanidade. Os trabalhadores e os povos do maior país da terra ficaram de pé e empreenderam um vasto processo revolucionário dirigidos pelo Partido Bolchevique, que os conduziu à vitória em Outubro de 1917. Essa grandiosa façanha dos operários e camponeses, dos soldados e da intelectualidade foi um processo sinuoso, complexo, repleto de curvas e avanços.

A revolução proletária, que fez em pedacinhos o império dos czares, seria inconcebível sem a direção esclarecedora do marxismo, que se edificava como a doutrina emancipadora da classe operária, sem os esforços dos comunistas russos, principalmente de Lênin por sua aplicação criadora nas condições sociais, econômicas, culturais, históricas e políticas da velha Rússia, sem a construção, a existência e a luta do Partido Bolchevique, sem a participação decidida da classe operária e dos milhões de camponeses pobres, sem a mobilização social e política das grandes massas, sem a existência e o combate do Exército Vermelho e sem a importante contribuição da classe operária internacional.

Várias décadas de greves e lutas de ruas; utilização da luta parlamentar e participação dos comunistas na Duma; luta ideológica e política contra a burguesia e a autocracia czarista; organização dos sovietes de operários, camponeses e soldados; grande debate teórico e político

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contra o oportunismo no interior do partido, que concluiu pelo abandono das teses e propostas mencheviques e pela constituição de um partido bolchevique regido pelo centralismo democrático; ardentes batalhas contra o social-chauvinismo e o social-pacifismo em escala internacional; farta e fecunda atividade propagandista; luta pela conquista da hegemonia ideológica e política no seio dos sovietes; a revolução de 1905 e suas lições; a revolução de fevereiro de 1917 e seus resultados e consequências; a grande insurreição armada de Outubro; os acordos de paz de Brest-Litovski; a guerra civil revolucionária; a implantação da ditadura do proletariado, etc., tudo isso constituem os traços e características mais relevantes da luta pelo poder dos comunistas russos organizados no Partido Bolchevique.

Stálin nasceu em Gori, um povoado próximo a Tíflis, na Geórgia, em 21 de dezembro de 1879. Seu pai foi um sapateiro filho de servos, e sua mãe faxineira, filha também de servos. Ingressou nas filas do Partido em 1898, quando tinha 19 anos e, desde então, sua vida, seu pensamento, seus sonhos, seu esforço intelectual e físico estiveram consagrados à causa do comunismo, à luta pela revolução e pelo socialismo.

Até março de 1917, quando se integra a Petrogrado e à direção do Pravda, Stálin foi e é um infatigável organizador de sindicatos e do Partido, de mobilizações e greves, de periódicos e revistas, estudioso do marxismo, autor de vários documentos e propostas, esteve nos cárceres e no desterro, em congressos e conferências do Partido. É um combatente e um dirigente da revolução.

O período revolucionário aberto pela revolução de Fevereiro é cenário de grandes confrontações ideológicas e políticas contra a burguesia e os imperialistas, contra os mencheviques e os socialistas-revolucionários e também no interior do Partido. Todo o processo de ganhar a maioria dos sovietes para a política dos bolcheviques tem em Stálin um grande condutor e executor. A preparação da insurreição, os contatos e preparativos técnicos e militares e também o debate na direção do Partido Bolchevique têm em Stálin um protagonista de primeira ordem. É ele um grande companheiro de Lênin em todos os momentos do trabalho político.

Stálin faz parte do primeiro governo soviético na qualidade de Comissário do Povo para as Nacionalidades e Povos e participa diretamente na guerra civil revolucionária na qualidade de delegado e comandante em várias frentes, demonstrando sua capacidade militar e política no

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forjamento e consolidação do jovem Poder Soviético e no fortalecimento do Exército Vermelho. É um dos dirigentes mais destacados do Partido, do governo e do exército.

Em 1921, por decisão do Partido e junto a Lênin, participa ativamente na fundação da III Internacional ou Internacional Comunista, que haveria de jogar um grande papel na organização e na direção da revolução em escala internacional.

Uma grande tarefa que assume a revolução proletária é a constituição da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), que significa, concretamente, a aplicação da linha do Partido em relação às nacionalidades e povos. Esse “cárcere de povos” que era o império dos czares se converte em uma comunidade de nações, nacionalidades e povos, regida pelo socialismo, que postula a defesa e desenvolvimento das culturas nacionais e sua inclusão na construção da nova sociedade.

As responsabilidades assumidas, a entrega e abnegação em seu cumprimento e sua a capacidade teórica convertem Stálin em Secretário-Geral do Partido, em 1922. Quando Lênin morre, em 1924, o Bureau Político do Partido designa Stálin como o primeiro dirigente do Partido. O Partido Comunista (Bolchevique) sob a condução de Stálin, fiel ao legado leninista, impulsiona durante os anos 1920 a Nova Política Econômica (NEP) e em meio a grandes dificuldades, apoiando-se na mobilização da classe operária e dos camponeses, vencendo o bloqueio, a sabotagem e a resistência das classes reacionárias derrotadas e a força do capitalismo individual que surge na economia camponesa, consegue ultrapassar a desastrosa situação material, econômica e social em que ficou a Rússia logo após a guerra civil, reduzida a 14% da produção de antes da guerra, o que se expressava na fome generalizada e na profusão de enfermidades.

Neste período, no interior do Partido se trava uma inflamada batalha ideológica e política entre os bolcheviques e os chamados “comunistas de esquerda” que pretendiam “exportar a revolução” e descarregar o peso da economia nos camponeses, liquidando-os como aliados do proletariado.

Em 1929, dá-se por concluída a NEP e se inicia a coletivização acelerada do campo, a grande batalha contra os kulaks (camponeses ricos. N.T.) que pretendem reverter o processo revolucionário no campo.

Em 1930, é promovido, com grandes esforços materiais e apoiado na mobilização da classe operária, o processo de industrialização em grande escala. É uma grande façanha que exige

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grandes investimentos e, por conseguinte, limita as possibilidades para o bem-estar das amplas massas de operários e camponeses. Apesar disso, o ardor e o entusiasmo revolucionário permitem cumprir e até superar as metas.

No ocidente é a época da grande depressão, enquanto que no país dos sovietes são os tempos da construção vitoriosa do socialismo. A União Soviética se converte na segunda potência econômica e comercial do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Durante dez anos, entre 1930 e 1940, a URSS teve um crescimento médio da produção industrial de 16,5%.

Uma boa parte da acumulação socialista devia ser investida na defesa e na segurança da União Soviética, obrigada a fazer frente à corrida armamentista em que estavam comprometidos todos os países capitalistas da Europa, os EUA e o Japão.

Em 1938-39 o fantasma da guerra imperialista se abate sobre a Europa e o mundo. Os nazistas alemães, os fascistas italianos e os reacionários japoneses avançam rapidamente na conformação do Eixo. As potências ocidentais, capitaneadas pela aliança anglo-francesa, trabalham ativamente para consertar um pacto com a Alemanha a fim de incitá-la a dirigir seus ataques contra a União Soviética, no propósito de liquidar os comunistas, desgastar os alemães e entrar em melhores condições na guerra. É um jogo diplomático sinuoso e astuto, que entrega a região do Sudetos e a Tchecoslováquia aos alemães.

A União Soviética é uma potência econômica e militar em desenvolvimento, mas sua capacidade militar está em condições muito inferiores em relação a da Alemanha, França, Inglaterra e EUA. Está cercada por inimigos capitalistas e requer recursos materiais e tempo para preparar-se para a eventual guerra que se anuncia com canhões e aviões.

À União Soviética foi preciso integrar a diplomacia e a política internacional com o desenvolvimento industrial e o poderio militar. Esta circunstância obrigou os comunistas a dedicarem uma grande quantidade de recursos materiais nessa direção, mas também procurar alternativas diplomáticas que lhes permitissem sua defesa.

Várias reuniões internacionais, intermináveis propostas e projetos eram tratados nas chancelarias. A União Soviética não pôde concretizar uma aliança contra o nazismo posto que o interesse principal das potências ocidentais a colocava na mira. Nestas condições, e em sua defesa, assinou em agosto de 1939 o Pacto Molotov-Von Ribbentrop de “não agressão entre a Alemanha e a União Soviética”.

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Este tratado internacional permitiu à União Soviética um tempo muito precioso para a preparação de sua indústria militar. Utilizando grandes recursos materiais e a vontade dos povos, em pouco tempo pôde construir aviões, tanques, canhões, armas e munições em grandes quantidades e, simultaneamente, deslocar o fundamental da indústria instalada na Rússia europeia para o leste, detrás dos Montes Urais.

A 2ª Guerra Mundial estalou em 1939. Os alemães invadiram a Polônia, a Tchecoslováquia, a Áustria, os Bálcãs, França, Bélgica e os Países Baixos utilizando a “blitzrieg”, a guerra relâmpago, e em poucas semanas destruíram os exércitos desses países e impuseram governos fantoches. Quando iniciaram a invasão da União Soviética em 1941, os alemães não tiveram a capacidade militar para aplicar e vencer com a guerra relâmpago, deparando-se com a resistência do Exército Vermelho, dos guerrilheiros e das grandes massas de operários e camponeses que defendiam a pátria socialista. O Exército Vermelho opôs uma feroz resistência e foi cedendo espaços às tropas nazistas, forçando-as a penetrar no vasto território, repleto de guerrilheiros que as hostilizaram persistentemente. Não puderam tomar Leningrado e menos ainda Moscou. Em Stalingrado, foi travada uma grande batalha rua por rua, casa por casa, homem por homem. Os vermelhos resistiram e logo tomaram a iniciativa e venceram o exército alemão. Começou dessa maneira o princípio do fim da besta fascista.

O Exército Vermelho empreendeu a retomada dos territórios ocupados pelos nazistas e avançou vitorioso pelas montanhas e planícies europeias, contribuindo para a libertação de vários países da Europa oriental, até Berlim, que foi tomada em 9 de maio de 1945.

Esta grande vitória da União Soviética é fruto da fortaleza do socialismo, da unidade e vontade de ação da classe operária e dos povos e do valor do Exército Vermelho, mas é também consequência da genialidade diplomática, política e militar do Estado-Maior, da direção do Partido e do governo soviético conduzidos por Stálin.

Ao final da guerra, produziu-se a vitória da revolução em vários países da Europa, que erigiram os regimes de Democracia Popular, o triunfo da revolução em outros países da Ásia e a União Soviética emergiu como uma grande potência econômica e militar que incitava o carinho e o respeito dos trabalhadores e dos povos do mundo, dos patriotas e democratas, dos revolucionários e, muito especialmente, dos comunistas. A derrota do fascismo teve na União Soviética, no Partido Comunista e em Stálin seus grandes protagonistas.

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A Grande Guerra Pátria significou grandes sacrifícios humanos e materiais ao Estado proletário. A vitória alcançada se erigiu sobre o grande patrimônio espiritual do socialismo que encobre os trabalhadores e os povos da URSS; foi possível pelos grandes sentimentos patrióticos que o Partido Comunista soube insuflar no corpo e na mente dos povos soviéticos; pela profunda afeição dos trabalhadores ao poder soviético; pelo valoroso e corajoso aporte dos comunistas que puseram toda sua capacidade e energia na defesa do socialismo. A cota da União Soviética na 2ª Guerra Mundial ultrapassou as 20 milhões de vidas, das quais um pouco mais de três milhões correspondiam a valorosos membros do Partido Bolchevique. O Partido entregou seus melhores homens à guerra, perdeu inestimáveis quadros políticos e militares, mas também temperou ainda mais o aço bolchevique: ao término da guerra, o Partido contava com mais de 5 milhões de novos militantes.

Em Yalta e Teerã, na mesa das negociações de paz, os trabalhadores e os povos do mundo tiveram um grande representante, o camarada Stálin, que soube, com sabedoria, prudência e aprumo, reivindicar os direitos dos povos e países vítimas da guerra e do fascismo, contribuir para o estabelecimento dos acordos e abrir o caminho a novos níveis de democracia e liberdade no mundo.

A 2ª Guerra foi o prelúdio da libertação nacional de dezenas de países, que nos cinco continentes conquistaram sua independência quebrando a velha ordem colonial. A União Soviética dirigida por Stálin foi sempre a segura e confiável retaguarda desse grande movimento libertador. No campo da revolução, as vitórias alcançadas na Albânia e em outros países do leste da Europa, na China, Coreia e Vietnam deram lugar à constituição do poderoso campo socialista. Um quarto da população que habitava um terço da superfície do planeta construía o socialismo e tinha na União Soviética, dirigida por Stálin, um exemplo esclarecedor e um apoio sem reservas. No resto do mundo, a classe operária, os camponeses, a juventude e a intelectualidade progressista viam com certeza e confiança o futuro socialista da humanidade.

O fim da 2ª Guerra Mundial estabeleceu, por outro lado, uma nova ordem de coisas no âmbito do capitalismo. Os EUA se ergueram como a primeira potência mundial e hegemonizaram os países capitalistas.

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Colocou-se uma nova contradição no âmbito internacional: a que opunha o velho mundo do capital ao novo mundo do socialismo. Os ideólogos e políticos burgueses a batizaram de “guerra fria”, fazendo alusão ao antagonismo da disputa.

Uma vez mais a superioridade do socialismo se fez evidente. Na União Soviética – mas também nos outros países do campo socialista – floresceram a cultura e o bem-estar das massas, a ciência e a tecnologia, o progresso social e material dos trabalhadores e dos povos. Pôde-se construir a bomba atômica em 1949 e, em 1957, a URSS iniciava a corrida espacial, tomando a dianteira.

O neocolonialismo, forma de dominação imperialista surgida logo após a independência das nações e países dependentes, teve sempre um contraponto na União Soviética dirigida por Stálin. Os povos das antigas colônias tiveram nele sempre um amigo leal.

Em poucos anos, de 1917 aos primeiros anos da década de 1950, os proletários, dirigidos pelos comunistas organizados no Partido Bolchevique de Lênin e Stálin, construíram os sonhos de um novo mundo, o mundo do socialismo. Construído no fundamental, muitas coisas, entretanto, faltaram, algumas falharam, mas jamais a humanidade conheceu uma democracia mais ampla e verdadeira, nunca antes o homem simples pôde ter acesso ao bem-estar social e material, à igualdade entre seus pares. Era a democracia proletária.

Foi uma epopeia dos trabalhadores e dos povos, a concretização na vida da teoria científica do marxismo-leninismo, frutos dos esforços gigantescos dos comunistas e do trabalho sereno e intrépido dos seus chefes, Lênin e Stálin.

Quando falamos de Stálin nos referimos ao condutor, ao organizador, ao chefe, ao camarada e amigo, na verdade, a um dos grandes construtores do homem novo, da nova humanidade.

Esta característica de Stálin não se pode conceber sem descobrir e aprender sobre sua extraordinária obra teórica.

Desde os inícios de sua militância comunista se caracterizou por valorizar justamente o papel da teoria no processo de organizar e fazer a revolução. Estudou os materiais marxistas que teve à mão, o Manifesto do Partido Comunista, as obras de Plekhanov, e logo começou a conhecer Lênin, seus escritos e diretrizes, seu valor de organizador e chefe dos comunistas, até vê-lo fisicamente em um dos eventos partidários, momento em que surgiu uma grande amizade firmada

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na militância e na comunhão de opiniões e preocupações. Stálin foi também um grande leitor da literatura russa. Um homem de vasta cultura, que desenvolveu permanentemente durante toda sua vida.

Como não ter presente na formação dos comunistas de todos os países suas obras mais destacadas, como “Socialismo e Anarquismo”, “O Marxismo e a Questão Nacional”, “Sobre o Problema das Nacionalidades”, “A Revolução de Outubro e a Tática dos Comunistas Russos”, “Os Fundamentos do Leninismo”, “As Questões do Leninismo”, “Trotskismo e Leninismo”, “Sobre o Materialismo Dialético e o Materialismo Histórico”, “Marxismo e Linguística”, “Problemas Econômicos do Socialismo na URSS”, os informes aos congressos do Partido Comunista, etc.

Stálin é um teórico da revolução, um marxista que recria e desenvolve a teoria revolucionária no propósito de dar resposta aos problemas postos pela revolução. Não se trata de um teórico que especula com os conhecimentos na pretensão de despertar ideias e propostas. Não! Seu trabalho teórico aborda assuntos palpitantes que têm a ver com o desenvolvimento da luta de classes, com os problemas que enfrenta o Partido, os sindicatos, o Estado e a revolução em escala internacional.

A profundidade de seus escritos não está separada da forma simples de torná-los conhecidos. Stálin é rigoroso na análise teórica, suas anotações têm validade, constituem um verdadeiro guia para a ação, como ele mesmo destacou referindo-se ao marxismo, mas, além disso, é simples, fácil de compreender.

Os caluniadores de Stálin insistem em alguns assuntos a que convém analisar. Todos eles, os reacionários confessos do anticomunismo, os trotskistas, os revisionistas e os oportunistas de todas as cores, coincidem principalmente nas seguintes acusações: a mediocridade intelectual, o testamento de Lênin que supostamente o condenaria, a construção do socialismo em um só país, a coletivização violenta, o burocratismo do Partido e do Estado, o extermínio da velha guarda bolchevique, os grandes expurgos, o caráter tirânico e sanguinário, a industrialização forçada, a incompetência na guerra, o culto à personalidade.

Em relação à mediocridade intelectual de Stálin, os fatos, a História e suas vicissitudes falam de maneira enfática. A revolução de Outubro, a construção do socialismo em um grande país e pela primeira vez na história da humanidade, a perícia para conduzir o Partido, a classe operária e os povos da URSS na grande façanha de forjar um mundo novo não seriam possíveis com um

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condutor medíocre, pobre intelectualmente. Essas calúnias caem por seu próprio peso. Trotski, que posa de grande teórico e homem de cultura e que é um dos caluniadores neste terreno, foi devidamente derrotado na teoria e na prática por quem, segundo ele, fora um medíocre.

Em relação ao denominado “Testamento de Lênin” se tem escrito grande quantidade de sandices, como a que Trotski seria o ungido por Lênin para substituí-lo na chefia do Partido, que essas notas de Lênin teriam sido ocultadas ao Comitê Central, etc. Nós dizemos que a saúde de Lênin estava muito debilitada para os dias em que se supõe escreveu o famoso “testamento”; sua sensibilidade se encontrava diminuída pelas queixas de sua companheira. Entretanto, Lênin tinha suficiente cultura política revolucionária, suficiente formação bolchevique para entender que não poderia elaborar um testamento, uma última vontade; sabia, além disso, que um dirigente, qualquer que seja sua função, só pode dar opiniões no coletivo, não ordens. Por estas razões, essas notas de Lênin têm que ser entendidas como opiniões que, além disso, estavam fora do contexto da vida cotidiana da direção do Partido e do Estado, e de maneira nenhuma como disposições a serem acatadas incontestavelmente.

Por outro lado, é completamente falso que essas notas foram ocultadas ao Comitê Central; este as conheceu e debateu. Os resultados foram conhecidos, Stálin foi eleito Primeiro dirigente do Partido Bolchevique e essa foi uma decisão justa e acertada. Os fatos, a História, o demonstram convincentemente. O suposto ungido por Lênin para dirigente do partido, Trotski, ficou situado pela vida e pela luta revolucionária no lixo da contrarrevolução.

A tese leninista da construção do socialismo em um país tem em conta o desenvolvimento desigual do capitalismo e, como consequência, os diversos estágios da luta de classes. Essa situação possibilitou a ruptura da cadeia do imperialismo em seu elo mais débil, a velha Rússia. Stálin é o continuador desta linha. Apoiando-se nos operários e camponeses, nas grandes reservas espirituais e materiais dos povos soviéticos, constrói a grande façanha, defende a revolução e derrota os críticos desta tese. Quem defendia a impossibilidade de construir o socialismo na URSS enquanto não triunfasse a revolução nos países capitalistas da Europa e tachava os camponeses de reacionários e contrarrevolucionários se encontrou com a pedra nos dentes. A URSS se desenvolveu apesar de não se ter produzido a revolução em nenhum dos países capitalistas da Europa.

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Sobre a coletivização obrigada do campo, os caluniadores de Stálin assinalam que se “violentou a vontade dos camponeses, destruiu-se a economia agrária e se eliminou a base social da revolução constituída pelos camponeses médios e ricos, os kulaks”. Os fatos são diametralmente diferentes. A obrigada vigência da NEP no campo desenvolveu de maneira natural a burguesia rural e despojou da terra milhões de camponeses pobres, desabastecendo de cereais a população. Assumindo o marxismo-leninismo e tendo em conta a realidade social, o Partido se propôs a levar o socialismo ao campo. Apoiando-se nos milhões de camponeses pobres, promoveu um grande movimento social e político para a formação das cooperativas, os kolkoses. Isto significou a expropriação dos kulaks e, em alguns casos, julgamentos populares e drásticas sanções. A reação internacional falou de repressão e massacres. Na realidade se tratou da revolução socialista no campo, da obra de milhões de camponeses pobres que assumiam seu papel de protagonistas na vida do país dos sovietes. Como sabemos, uma revolução desata não apenas as iniciativas e realizações das massas, mas também a fúria contra seus inimigos. Como resultado, floresceram a agricultura e a pecuária, a URSS se converteu no primeiro país produtor de trigo, a mecanização da agricultura alcançou níveis sem precedentes em escala internacional.

É uma atitude recorrente acusar Stálin do burocratismo que efetivamente se foi estendendo no Partido e no Estado. Stálin não foi um burocrata em nenhum dos momentos de sua vida; justamente o contrário. Seu dinamismo se expressou sempre no contato direto com a base do Partido e com as massas; ele mesmo foi um dos dirigentes dos sovietes antes da revolução; toda sua vida esteve na ação.

O burocratismo é um fenômeno social, uma atrofia surgida na administração burguesa (recordemos que uma boa parte da administração bolchevique teve que recorrer aos velhos funcionários czaristas) que penetra nas filas revolucionárias, no interior do Partido e no seio do Estado. O burocratismo efetivamente se fez presente na vida do Estado socialista, contagiou a não poucos militantes e dirigentes. As responsabilidades do poder se transformaram em pequenas e grandes facilidades que foram criando uma casta de burocratas que entorpeciam o funcionamento do Partido e da administração estatal, que separavam o Partido das massas.

Stálin não fomentou o burocratismo, mas efetivamente não teve nem a capacidade nem a experiência para extirpá-lo. Várias ofensivas de caráter ideológico destinadas a erradicá-lo aconteceram, precisamente por iniciativa de Stálin. A educação política, a luta ideológica, a

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vigência da democracia no Partido, as eleições partidárias, tudo isso foi expressão da luta dos comunistas contra o burocratismo e não podem ser descartados como inúteis. Deram resultados, permitiram, entre outras coisas, o curso ascendente das realizações sociais e materiais da ditadura do proletariado, a depuração ideológica, política e orgânica do Partido e do Estado, o abandono e expulsão de vários grupos de oportunistas e traidores. Mas, efetivamente, não conseguiram erradicar o burocratismo e o oportunismo. Vários oportunistas e traidores se esquivaram da luta ideológica e se esconderam. Voltariam mais tarde, logo depois da morte de Stálin.

Está claro que o burocratismo é um edema ideológico que renasce persistentemente e que é necessário um combate incessante e até às últimas consequências. Stálin não propiciou o burocratismo, mas antes foi uma de suas vítimas.

A acusação de ditador, déspota e sanguinário impingida à Stálin alude à depuração ideológica, à repressão revolucionária dos focos contrarrevolucionários na cidade e no campo, ao suposto extermínio da velha guarda bolchevique.

É indispensável entender que a ditadura do proletariado não é precisamente uma festa de bodas em que tudo é cor de rosa. Não! Justamente o contrário. Contra a ditadura do proletariado se orquestrou toda uma campanha armada, econômica, de boicote comercial, de penetração ideológica e política por parte do imperialismo e da burguesia internacional. Em oposição ao novo poder dos trabalhadores, desde o seio da sociedade, as classes dominantes velhas, derrotadas pela revolução, mas não eliminadas fisicamente, desataram, uma e outra vez, atos de sabotagem, e pretenderam, não poucas vezes, organizar motins e sublevações, utilizando mercenários e homens e mulheres do povo enganados; apoiaram-se na religião e nos sacerdotes, nas tradições feudais, em elementos liberais da administração e, em algumas oportunidades, infiltraram seus agentes no interior do Partido e do Estado soviético. No próprio seio do Partido, no novo Estado e no Exército Vermelho apareceram, uma e outra vez, elementos decompostos que atentaram na teoria e na prática contra a ditadura do proletariado, que pretenderam desviar o Partido, assumir sua direção, organizar golpes de Estado. Alguns desses elementos foram, no passado, destacados militantes e dirigentes do Partido e da revolução e pretendiam, por isso mesmo, aproveitar suas posições para mudar o rumo do socialismo.

A luta para preservar e defender a linha do Partido, sua unidade ideológica, política e orgânica foi inflamada e persistente, pois, algumas vezes, a contrarrevolução aumentava em seus

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ataques e durante a vida de Stálin várias vezes foi derrotada pela força da razão, pela firmeza dos bolcheviques, pelo apoio da base do Partido e do exército, pela adesão das massas de operários e camponeses.

Efetivamente, a velha guarda bolchevique, aqueles camaradas que sonharam e incubaram a Grande Revolução de Outubro, foi ficando para trás. Alguns caíram em combate pela revolução, outros foram assassinados pela contrarrevolução, outros ainda pagaram o tributo físico à vida e alguns sobreviveram a Stálin.

Os velhos bolcheviques, os comunistas veteranos, souberam enfrentar as responsabilidades, aprender a resolver problemas do progresso e questões desconhecidas, ficaram à frente da grande proeza de construir o socialismo e foram chamados “velhos bolcheviques” não por sua condição de velhos, mas sim por suas qualidades, por sua adesão militante e permanente aos princípios do marxismo-leninismo, por sua qualidade de quadros e combatentes comunistas.

As lutas contra as facções oportunistas no interior do Partido e do Estado são verdadeiras batalhas que põem em tensão o Partido e todos seus militantes; são uma manifestação da firmeza proletária de Stálin e de seus camaradas de armas, e constituíram uma vitória após outra, que permitiram garantir a vida do Estado soviético, a construção do socialismo e a continuação da revolução.

Trotski, Zinoviev, Kamenev e Bukharin foram os capitães principais da contrarrevolução enfrentados e derrotados, na teoria e na prática pelas realizações materiais e políticas e pela justa política da direção do Partido encabeçada por Stálin.

A lenda negra dos campos de trabalho, do confinamento, dos hospitais psiquiátricos, dos cárceres abarrotados de operários e comunistas, dos fuzilamentos maciços e das fossas comuns não é outra coisa que infames calúnias dos reacionários e do imperialismo, dos nazistas e da social-democracia, dos trotskistas e revisionistas, dos oportunistas. Não puderam ser provadas por nenhum arquivo e muito menos pela existência dos campos de concentração e das fossas comuns. Caem por seu próprio peso.

Muito se tem dito sobre a incompetência de Stálin na direção da guerra. Nada mais fora da verdade. Stálin não foi um militar de formação, não estudou em nenhuma academia e, por isso, não se pode exigir dele domínio das artes militares, conhecimento exaustivo das armas e da

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estratégia e táticas militares. Mas é evidente que foi um militar revolucionário proletário, que aprendeu essa arte no curso mesmo da guerra civil revolucionária nos primeiros anos do poder soviético, que se afirmou como tal nos difíceis anos da construção do socialismo e que jogou um papel destacado na condução da Grande Guerra Pátria, na resistência contra as hordas invasoras nazistas e na grande ofensiva política e militar que conduziu o Exército Vermelho na tomada de Berlim. Ninguém pretendia que Stálin fosse um grande chefe militar; todos os revolucionários reconhecem-no como o condutor do proletariado e do povo soviéticos, o chefe político do proletariado internacional, o revolucionário proletário, o comunista.

As denúncias a respeito de que Stálin promoveu e utilizou para seu prestígio todo tipo de adulações e exageros que se denominou “culto à personalidade” não passam de uma parte do arsenal anticomunista.

De fato, Stálin recebia diariamente elogios e louvores proferidos por seus camaradas e amigos, pelos operários e camponeses que os realizavam de coração, expressando a gratidão e o reconhecimento. Também se faziam presentes as adulações dos oportunistas que aspiravam favores. As primeiras manifestações eram sinceras, produto do espírito generoso dos trabalhadores e do povo, as segundas tinham dupla intenção: pretendiam elevar Stálin acima dos seus, acima dos acontecimentos e, dessa maneira, aproveitar pessoalmente essa situação.

O culto à personalidade foi, efetivamente, um defeito da primeira experiência de construção do socialismo. Iniciou-se com boas intenções, mas finalmente degenerou, fez mal ao poder soviético e ao próprio Stálin. Esta é uma questão incontestável. Mas daí a sustentar que o próprio Stálin fomentava essas campanhas, que se converteu em um ególatra, em um narcisista, há uma grande distância, igual à mesma existente entre a verdade e a mentira.

Muitas páginas e livros podem ser escritos sobre Stálin. De fato, existem milhares de publicações sobre sua vida e sua obra, desde as de seus camaradas e amigos, até de seus inimigos e caluniadores. Em realidade, a vida de Stálin é a própria vida da primeira revolução proletária. Stálin não fez a revolução à sua medida, mas a revolução revelou em Stálin um de seus melhores filhos e dirigentes.

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