ALFREDO DE OLIVEIRA PEREIRA
UNIDADE VIII - ESCALAS DE A VALIAÇÁO DOS TESTES: 1 - Escala dos desvios reduzidos. 2 - Escala "T". 3 - Escala de "tetronagem". 4 - Outras esca-las de avaliação dos testes. 1 - ESCALA DOS DESVIOS
RE-DUZIDOS.
Muitos fenômenos do campo ex-perimental da Psicologia e da Edu-cação, quando examinados através de um grande número de observa-ções, apresentam características e tendências que muito se asseme-lham às da curva normal de pro-babilidade. Daí a grande utilidade dos conhecimentos ministrados na aula anterior. Nos exercícios prá-ticos que levamos a efeito, para aplicação das tabelas de áreas e ordenadas da curva normal de pro-babilidade, tivemos oportunidade de solucionar alguns problemas que se apresentam comumente nos campos experimentais dessas ciên-cias. Na presente lição, abordare-mos de modo especial mais um dês-ses problemas: - a objetivídade do julgamento, através da padro-nização das medidas psicológÍcas e
educacionais. Essa padronização reduz a um denominador comum, por assim dizer, escalas diversas de avaliação, atenuando ou elimi-nando a subjetividade do julga-mento individual. Todos sabemos quão difícil é atribuir notas a um dado aluno, com absoluta justiça e inteira isenção de ânimo; qual conseqüência, não desconhecemos também que somos mais ou menos benevolentes que outrem na apre-ciação dos nossos alunos. Mesmo que essas provas sej am realmente objetivas e objetiva seia a sua cor-reção, ainda assim, deixamo-nos iludir pelo valor numérico, absolu-to, dos resultados, comparando-os com outros resultados absolutos, sem levar em conta que tais valo-res absolutos são originários de condições diversas de dificuldades, meios e objetivos.
Um exemplo: - certo aluno ob-tém os seguintes resultados nas provas parciais: Português . . 40 Francês. ... 60 Inglês. ... 60 Matemática. . . . . .. 50 Geografia . . ... 45
(*) Súmula da 8. a aula do Curso de Extensão Universitária para Técnicos de Educação e Orientadores Educacionais, organizado pelos Cursos "Magister", sob o patro~
A simples inspeção dessa rela- numérica de um dado valor nada ção de notas dá a entender que di- significa, quando não comparado to aluno obteve melhor resultado com os valores do grupo a que êle em Francês e Inglês que nas de- pertença. Assim, é patente a sub-mais disciplinas. Como já disse- jetividade do julgamento acima mos anteriormente, a expressão enunciado.
Admitamos, só para exemplificar, que os valores típicos da classe a que pertença o dito aluno fôssem os seguintes:
Média Desvio-padrão Português . . . . 45 ... 8,0 Francês ... . 70 ... 7,2 Inglês . . . . 80 ... 14,0 Matemática ... . 40 ... 12,0 Geografia . . . . 30 ... 6,0
o
confronto dessas médias com as notas obtidas pelo aluno modi-fica inteiramente o julgamento inicial:Disciplina Aluno (x) Média (m) Desvio (x-m)
Português 40 45 5
Francês '60 70 - 10
Inglês 60 80 - 20
Matemática 50 40
+
10Geografia 45 30
+
15Em Geografia e Matemática o gere a apreciação isolada das no-aluno apresenta notas superiore"! tas absolutas.
à média do grupo, logrando, em O exemplo torna evidente a ne-conseqüência, situação muito cô- cessidade de transformar os valo-moda em relação a seus colegas;
em Inglês, Francês e Português res absolutos em valores relativQs, está aquém das respectivas médias a fim de permitir a comparabili-do grupo, especialmente nas duas dade e permitir um julgamento primeiras, ao contrário do que su- não tendencioso e apressado.
Desde que a distribuição dos resultados de um teste seja normal ou aproximadamente normal, é possível reduzir a escala absoluta de notas, de média igual a m, numa escala relativa de média nula, trans-formando os valores absolutos em desvios reduzidos. Assim, no exem-plo dado, os desvios reduzidos do aluno seriam, por disciplina:
40 - 45 Português: z= -0,625 8,0 60 - 70 Francês:
z
-1,389 7,2Inglês: z
Matemática: z
Geografia: z =
tsses valores relativos destacam a situação do aluno frente aos re-sultados médios do grupo dentro de uma escala comum de valores. Se o dito aluno tivesse obtido exa-tamente as médias do grupo nas 5 disciplinas, os respectivos des-vios reduzidos seriam nulos, da mesma forma que nula seria a mé-dia dêsses desvios. Ora, a mémé-dia dos desvios reduzidos do aluno é - 0,022, inferior ao valor O; logo, seu aproveitamento médio está abaixo do aproveitamento ::nédio da classe. Por outro lado, eS'3:t es-cala de desvios reduzidos permite comparar os resultados entre si: -- o aluno demonstrou mais conhe· cimentos em Geografia e Matemá-tica que nàs outras três dis6pli-naf>.
O critério adotado em relação ao aluno poderia ser estendido aos demais componentes da classe, cujos resultados seriam, assim, ex-pressos por números relativos, perfeitamente comparáveis. Como se poderá depreender do que foi exposto, a transformação da esca-la absoluta de valores da variável na escala relativa de "sigma" per-mite a padronização dos J"ulgamen-tos, atenuando a diversidade dos critérios de julgamento.
2 - ESCALA "T"
Essa escala é devida a Mc Cal! e se aplica a uma distribuição de
60 - 80 14,0 50 - 40 12,0 45 - 30 6,0 -1,429 +0,833 +2,500
resultados que seja normal. Para efeito da elaboração da escala "T", a distribuição normal é dividida em -+- 5 a em tôrno da média, que é feita igual a 50.
Para organizar uma escala dês-se tipo, reduzem-dês-se, inicialmente, os valores absolutos originais em desvios reduzidos. Em seguida, transformam-se os desvios
reduzi-dos em unidades da escala pela fór-mula:
I T = 50 ± 10 z I (26) 3 - ESCALA DE
"TETRONA-GEM"
A escala de "tetronagem", devida a M. D. Weinberg, consiste em dividir uma série de dados em 12 escalões, que permitam a compara-bilidade dêsses dados, em têrmos relativos. Aplica-se a escala, igual-mente, a dados distribuídos nor-malmente; portanto, a exemplo das escalas anteriores, se baseia na média e no desvio-padrão da distribuição.
A unidade de medida da escala é o tetron" (-t), que representa a quarta parte (25%) do valor do desvio-padrão; portanto:
(27)
A determinação do 1.° escalão positivo (+t1) e negativo (-'tl)
resulta, portanto, do somatório e da subtração, respectivamente, do "tetron" à média da distribuicão. Os segundos valores da escala
(+'2 e - L2) resultam da soma e da subtração, consoante o caso, do valor constante do "tetron" aos primeiros escalões. Os demais eS-calões são obtidos de forma idên-tica, formando-se, assim, a série de valores positivos e negativos da escala. Segundo a autora, a média da série considerada e suas natu-rais flutuações constituem a zona média, de "tetron" nulo (O). Es-sas flutuações provêm da soma al-gébrica de
cr
± ou - l .
8 2
á média. Assim, a zona média, nessa escala, é formada por três valores da variável: - a média propriamente dita e a média mais ou menos um oitavo do desvio-pa-drão.
A chamada zona de normalidade correspondente, numa distribuição normal, à expressão m +a, é indi. cada, na escala de tetronagem, pe-la faixa compreendida entre o 4.° "tetron" positivo e o 4.° "tetron" negativo. Conseqüentemente, a correspondência entre a escala de "sigma" e a escala de "tetrona-gem" é perfeita:
+
3 (j=
+
L12+
2 cr=
+
LS+
(j=
+
L4 - c r = - L 4 -2cr =-LS -3cr=-L12 4 - OUTRAS ESCALAS DE AVALIAÇÃO DOS TESTES As escalas de avaliação que aca-bamos de examinar pressupõemque os graus obtidos nos testes se distribuem de maneira mais ou menos normal. Ora, na prática, ra-ramente se consegue obter distri-buições dêsse tipo, em virtude, princina1mente, da pequenez do
número de observações que podem ser recolhidas. Muitas vêzes, a dis-tribuição dos resultados é irregu-lar, não sendo raro oferecer indi-cações que fogem inteiramente dos limites permissíveis da escala de valores adotados. A seguinte dis-tribuição real dos resultados de uma prova de nível mental é tí-pica: X f 20 24
...
12 25-
29...
11 30-
34...
3 35-
39...
1 40-
44...
H 45-
49...
8 50-
54...
10 55-
59...
6 60-
64...
6 65 69. ...
4 70-
74...
5 80 A média dessa distribuição plu-ri normal é 44 e o desvio-padrão é+
15,5. Verifica-se, desde logo, que a média adicionada algebrica-mente ao triplo do desvio-padrão(+ 46,5) fornece os seguintes li-mites:
m
-+
3 (j=
44+
46,5=
90,5m - 3 cr
=
44 - 46,5= -
2,5~sses limites estão muito longe de representar, realmente, o do-mínio da variável, cujos valores se situaram entre 20 e 74. Por isso, não é aconselhável aplicar-se a uma distribuição dêsse tipo as
es--calas de avaliação com base no des-vio-padrão. É preferível, neste ca-:so, organizar uma escala com base
nos números de ordem percentil, €studados na Unidade V.
x
R%
20 - 24...
8,1 25 - 29...
22,5 30 - 34...
31,3 35 - 39...
33,8 40 - 44...
.
43,1 45 - 49... .
56,9 50 - 54...
68,1 55 - 59...
78,1 60 - 64...
85,6 65 - 69...
91,9 70 -74...
97,5 Ainda sôbre as escalas d~ ava-liacão dos testes, cumpre mencio-na~ um critério de transformação de escalas, e outro, de classifica-ção de resultados, que temos utili-zado nos trabalhos práticos de se-leção profissional.Em geral, os indivíduos que se apresentam a exames, especial-mente nos laboratórios de Psicolo-gia, são das mais diversas origens, além de reagirem de modos dife-rentes frente aos testes. Se não bastasse, os resultados das provas nem sempre são aferidos a priori, sendo seus gabaritos determinados pelo próprio grupo examinado. As-sim, uma prova pode ser fácil pa-ra um grupo e difícil, papa-ra outro, dando origem êsse fato a valores
s
75 80 94 108 136 140 Aplicando a fórmula 28:típicos diversos, como acontece, na maioria das provas de seleção pro-fissional, principalmente nos tes-tes de nível mental em que a to-talidade dos quesitos nem sempre é objeto de exame por parte dos Eelecionados. Impõe-se para êstes casos, naturalmente, a transfor-mação dos valores de escala origi-nal numa escala que seja perfeita-mente compreensível por si mes-ma, tal como a escala centesimal .
Nos trabalhos práticos do I. S .
O. P., temos colhido bons resul-tados com a aplicação da fórmula:
I k (s - m)
+
50 I (23)em que k é uma constante que re-50
sulta do quociente - - , no qual S-m
S é o "score" máximo da prova, m, a média realmente obtida, sen-do s um dado "score", que se quer transformar na escala centesimal. Exemplo: - Numa prova de ní-vel mental, o "score" máximo (S) previsto é 145. Realizada a prova, obtém-se a média 108. Deseja-se transformar os "scores" obtidos (s) : 75, 80, 94, 108, 136 e 140: na escala centesimal. Se S
=
145 e m=
108, o valor elek
é: 50 50 k = - - - = - - - = 1,35 S-m 145 -108 Conversão 1,35 75 108)+
50 5,5 1,35 ( 80 108)+
50 12,2 1,35 ( 94 - 108)+
50 31,1 1,35 (108 - 108)+
50 50,0 1,35 (136 - 108)+
50 87,8 1,35 (140 - 108)+
50 = 93,2Interessa, muitas vêzes, c1assi- lar, sofrível e insuficiente. Pode-ficar um grupo de examinandos, mos utilizar-nos, para tanto, de em subgrupos, sob os títulos de uma escala de classificação com
excepcional, bom, médio ou regu- base nas separatrizes.
Como deseiamos formar 5 subgrupos, ou menções, adotaremos os decis 2, 4, 6 e 8 (ou percentis 20, 40, 60 e 80) como sepa,ratrizes do conjunto. Os 80 indivíduos da distribuição plurinormal examinada no início dêste item seriam assim classificados:
Insuficientes ... (D~ ou P20 )
Sofríveis ... (D4 ou P 40)
Médios ou regulares (Dn ou Pco) Bons ... (Ds ou Pso ) Excepcionais ... . Nota inferior a 26,3 De 26,3 a 41,2 De 41,2 a 48,9 De 48,9 a 58,6