Universidade Estadual de Maringá Centro de Tecnologia Departamento de Engenharia de Produção

Texto

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Centro de Tecnologia

Departamento de Engenharia de Produção

A logística reversa de baterias automotivas na cidade de Maringá-PR.

Lennon Elias de Godoy

TCC-EP-65-2013

Maringá - Paraná Brasil

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Universidade Estadual de Maringá Centro de Tecnologia

Departamento de Engenharia de Produção

A logística reversa de baterias automotivas na cidade de Maringá-PR.

Lennon Elias de Godoy

TCC-EP-65-2013

Trabalho de conclusão de curso apresentado como requisito de avaliação no curso de graduação em Engenharia de Produção na Universidade Estadual de Maringá – UEM.

Orientador(a): Prof(ª): Dr(ª) Olivia Toshie Oiko

Maringá - Paraná 2013

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Dedico este trabalho a meu PAI, Marcos, que apesar das discussões intermináveis, sempre foi um exemplo a se seguir, estando sempre ao meu lado. Sempre honrado e íntegro, e que nunca deixou que as intempéries da vida alterassem seu caráter ou destruíssem seu humor.

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AGRADECIMENTOS

Gostaria de agradecer primeiramente aos meus pais e irmãos pelo apoio, incentivos, broncas e carinho, fornecidos durante toda a graduação. Esta jornada seria penosa e inviável sem a presença de vocês, além de que, devo a vocês tudo o que conquistei até hoje.

Aos amigos, Tiago Bocca e Marcelo Subtil, pela amizade ao longo do curso e toda a ajuda prestada em momentos de desespero.

Gostaria de agradecer a Bruna pela compreensão dos momentos vividos ao longo da execução deste trabalho, e por sempre estar lá durante as tempestades de reclamações. A todos que me ouviram reclamar por horas dos obstáculos, desde as reclamações mais sérias até as queixas por capricho. O que acha disso Guilherme?

A Neil Gaiman, J. R. R. Martin, Bill Watterson e Robert Kirkman, pelos livros e graphic novels muito bem escritos, que foram as principais fontes de entretenimento durante toda execução deste trabalho.

Gostaria de agradecer especialmente à Prof.(ª) Olívia, cuja a orientação se fez vital para a conclusão deste trabalho, por me motivar nos momentos de frustração e por todos os conselhos dados durante este ano. Sem sua ajuda muito do que está aqui, e também fora deste documento, não seriam concretizados, estando em espera, fazendo parte de planos futuros.

A todos os representantes das empresas que foram muito atenciosos durante as entrevistas.

A todas as pessoas que, de alguma forma, contribuíram para a execução deste trabalho. Ao pessoal da Cocamar, pelas oportunidades fornecidas e conhecimentos compartilhados durante este ano.

E a todas as pessoas, que mesmo não sendo citadas aqui, fizeram parte da minha vida e contribuíram para a construção do meu caráter. Não se sintam esquecidas.

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RESUMO

A cidade de Maringá possuí uma frota total estimada em 260.736 veículos segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE (2012), implicando em um grande número de baterias em circulação que serão descartadas após o seu esgotamento. A Política Nacional de Resíduos Sólidos prevê que todos os responsáveis, tanto pelo consumo quanto produção, distribuição e comercialização de baterias automotivas, são responsáveis pela destinação correta destes produtos após o fim de sua vida útil. Com estes dois cenários, se fez necessário explorar e avaliar como a cadeia reversa de baterias automotivas acontece na cidade de Maringá, através de questionários com todos os elos envolvidos, tendo por finalidade estabelecer um modelo da estrutura existente para esta cadeia.

Palavras-chave: Logística Reversa. Baterias automotivas. Cadeia reversa de distribuição. Maringá.

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Sumário

LISTA DE FIGURAS ... VIII LISTA DE ILUSTRAÇÕES ... IX LISTA DE QUADROS ... X LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ... XI

1 INTRODUÇÃO ... 1 1.1 Justificativa ... 2 1.2 Objetivos ... 2 1.2.1 Objetivo geral ... 2 1.2.2 Objetivos específicos ... 2 2 REVISÃO DE LITERATURA ... 4

2.1 O Problema dos resíduos sólidos ... 4

2.2 Baterias automotivas ... 5

2.2.1 O chumbo. ... 6

2.3 Reciclagem ... 6

2.4 A reciclagem das baterias automotivas ... 7

2.4.1 O programa de reciclagem Ecosteps ... 9

2.4.2 A empresa Ajax ... 10

2.5 Logística Reversa ... 12

2.5.1 Atividades da Logística Reversa e os participantes da cadeia... 13

3 DESENVOLVIMENTO ... 15

3.1 Metodologia ... 15

3.2 Construção do questionários ... 16

3.3 Definição das empresas entrevistadas ... 17

3.3.1 Grupos (Elos) ... 17

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3.4 Aplicação dos questionários ... 18

3.4.1 Obstáculos. ... 19

4 RESULTADOS E ANÁLISE. ... 20

4.1 Consumidores ... 20

4.2 Auto elétricas e oficinas mecânicas ... 25

4.3 Distribuidores ... 31

4.4 Fabricantes ... 36

4.5 Outros Participantes ... 37

4.6 Discussão Geral ... 38

5 CONCLUSÃO ... 41

5.1 Sugestões para trabalhos futuros ... 41

6 REFERÊNCIAS ... 43 APÊNDICE A ... 45 APÊNDICE B ... 47 APÊNDICE C ... 50 APÊNDICE D ... 53 APÊNDICE E ... 56

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LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Modelo de logística reversa para grandes empresas de baterias automotivas . 8

Figura 2 - O processo de reciclagem das baterias ... 11

Figura 3 - Destinação de resíduos na Logística Reversa de pós consumo ... 13

Figura 4 - Participantes da cadeia direta e reversa. ... 14

Figura 5 – Modelo da cadeia reversa para consumidores com setor de manutenção ... 39

Figura 6 – Modelo de cadeia reversa para consumidores sem setor de manutenção e consumidores comuns. ... 40

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LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Gráfico 1 - Tamanho da frota ... 21

Gráfico 2 - Duração média das baterias nas empresas consumidoras ... 21

Gráfico 3 - As empresas conhecem os danos ambientais? ... 22

Gráfico 4 - Destinação das baterias usadas pelos consumidores ... 23

Gráfico 5 - Obstáculos encontrados pelos consumidores ... 24

Gráfico 6 - Benefícios e motivadores encontrados pelos consumidores ... 25

Gráfico 7 - Baterias comercializadas e recolhidas... 26

Gráfico 8 - Número de empresas que conhecem os danos causados pelas baterias. ... 27

Gráfico 9 - Destinação da baterias recolhidas pelas auto elétricas ... 28

Gráfico 10 - Período de coleta das baterias esgotadas... 29

Gráfico 11 - Principais obstáculos encontrados pelas empresas no processo de coleta das baterias. ... 30

Gráfico 12 - Motivadores e Benefícios no processo de coleta das baterias esgotadas. .. 31

Gráfico 13 - Quantidade de baterias comercializadas e recolhidas pelos distribuidores 32 Gráfico 14 - Quantidade de empresas atendidas pelos distribuidores na cidade de Maringá ... 32

Gráfico 15 - Periodicidade de coleta das baterias nos distribuidores ... 34

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LISTA DE QUADROS

Quadro 1 - Atividades da logística reversa de baterias automotivas ... 8 Quadro 2 - Relação entre os participantes e as atividades da cadeia. ... 9 Quadro 3 - Orientações para atividades dentro da cadeia reversa. ... 11

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LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

® – Marca Registrada;

ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas; Art. – Artigo;

CLM – Council of Logistics Management (Conselho de Gestão da Logística); CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente;

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística; ICZ – Instituto de Metais Não Ferrosos;

LTDA – Limitada; NBR – Norma Brasileira;

NBR 10004 – Norma Brasileira de Resíduos sólidos – Classificação;

NBR 10004:2004 – Norma Brasileira de Resíduos sólidos – Classificação, atualização de 2004;

NBR-7500 – Norma Brasileira de Identificação para o transporte terrestre, manuseio, movimentação e armazenagem de produtos;

Pb – Símbolo para o elemento químico chumbo; PR – Paraná;

SEMA – Secretária Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos; u – Unidade de Massa Atômica;

V – Volt;

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1 INTRODUÇÃO

Nos últimos anos houve uma intensificação por parte dos consumidores e dos governos sobre as questões ambientais referentes ao descarte de produtos e nas formas de obtenção de matérias primas. No Brasil, a base legislativa que trata do meio ambiente não é recente, por exemplo, temos o código florestal desde a constituição promulgada em 1988, porém nos últimos anos tem ocorrido um aumento nas fiscalizações e nas cobranças sobre as empresas.

Conforme consta no Art. 1º da resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente - CONAMA (1999), toda pilha ou bateria composta por cádmio, chumbo, mercúrio ou seus compostos, deve ser retornada ao fabricante ou importador após o seu esgotamento energético para que sejam realizados processos de reciclagem, reutilização, tratamento, ou disposição final adequados. Segundo consta no Art. 3º, os estabelecimentos comerciais, assistências técnicas autorizadas e importadoras dos produtos descritos no Art. 1º, são obrigados aceitar a devolução por parte do usuário das unidades para devido encaminhamento.

Segundo o portal Ambiente Brasil (2013) circulam por ano no Brasil, aproximadamente 12 milhões de baterias automotivas.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE (2013), a cidade Maringá-PR possui uma frota de 153.118 automóveis, 9.036 caminhões e somados com outros veículos motorizados a frota total atinge o número de 260.736 veículos, ou seja, 1,46 veículos a cada 2 habitantes.

Como muitas das baterias automotivas são constituídas de metais pesados (geralmente chumbo e ácido sulfúrico), as empresas foram obrigadas a encontrar formas de se adequarem às resoluções ambientais e ainda conseguirem uma vantagem competitiva e muitas vezes se utilizam da logística reversa para gerenciarem este processo.

Logística reversa é a área da logística empresarial que planeja, opera e controla o fluxo, e as informações logísticas correspondentes, do retorno dos bens de pós-venda e de pós-consumo ao ciclo de negócios ou ao ciclo produtivo, através dos canais de distribuição reversos, agregando-lhes valor de diversas naturezas: econômico, ecológico, legal, logístico, de imagem corporativa, entre outros (LEITE, 2003, p.16).

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Porém faltam estudos que detalhem a estruturação da logística reversa de baterias automotivas, quais seus impactos no mercado consumidor e quais as vantagens obtidas pelas empresas que consolidaram estas atividades dentro de seus processos produtivos. 1.1 Justificativa

Maringá possui uma frota consideravelmente grande, o que implica em um grande número de baterias em circulação. Além disso, mesmo a logística reversa sendo uma área de crescente interesse dentro do gerenciamento de empresas, pouco se sabe sobre sua estruturação para baterias automotivas, principalmente fora das grandes capitais. Portanto há uma necessidade de realizar a verificação de como a Logística Reversa está sendo colocada em prática pelas empresas responsáveis pelas baterias automotivas na cidade de Maringá, quais os desafios encontrados na aplicação dos conceitos e atividades, a fim de caracterizar o setor e encontrar métodos e modelos que auxiliem cada vez mais as empresas obterem maior eficiência e retorno financeiro sólido na realização destas práticas.

1.2 Objetivos

1.2.1 Objetivo geral

Descrever e detalhar a Logística reversa de baterias automotivas na cidade de Maringá-PR, e estabelecer uma representação de seu comportamento dentro da cadeia produtiva. 1.2.2 Objetivos específicos

a) Obter informações e gerar conhecimento sobre a abrangência da Logística reversa através de pesquisa bibliográfica.

b) Mapear a cadeia de baterias automotivas, o fluxo de informações e materiais e quais as opções de disposição final destes produtos. Analisar e detalhar as atividades envolvidas no processo de devolução das baterias, bem como estas atividades estão sendo realizadas, caso estejam, dentro do reaproveitamento de baterias em Maringá. Apontando as dificuldades encontradas pelos participantes.

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d) Propor melhorias que ajudem transpor os problemas encontrados buscando uma maior efetividade da cadeia.

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2 REVISÃO DE LITERATURA

2.1 O Problema dos resíduos sólidos

A Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT (2004) através da NBR 10004 define resíduos sólidos sendo quaisquer resíduos nos estados sólido e semi-sólido, que resultam de atividades de origem industrial, agrícola, de serviços e domésticas.

Segundo ABNT NBR 10004:2004, os resíduos são classificados em: a) Resíduos de classe I - Perigosos;

b) Resíduos de classe II – Não perigosos; – Resíduos de classe II A – Não inertes. – Resíduos de classe II B – Inertes.

O CONAMA (1999) através da resolução 257 define que a responsabilidade pela destinação de baterias descartadas cabe aos fabricantes, porém cabe ao consumidor realizar a entrega destes produtos, faltando indicações de como a rede estruturada para a coleta e processamento destes produtos deve se estruturar.

A resolução 257 foi revogada pela resolução 401, porém, em termos gerais, a reolução 401 mantém as imposições dispostas na resolução 257, mas estratificando-as para os diferentes tipos de baterias e apresentando um maior detalhamento quanto as responsabilidade de cada elo na disposição final destes produtos.

“Existe uma clara tendência de que a legislação ambiental caminhe no sentido de tornar as empresas cada vez mais responsáveis por todo ciclo de vida de seus produtos.” (LACERDA, 2002, p.1)

Segundo Guarnieri (2011, p.241) “A reciclagem formalizada das baterias de chumbo-ácido é a alternativa que se mostra mais adequada para compatibilizar interesse de economia e proteção ao meio ambiente.”

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“A reciclagem ou reaproveitamento das pilhas e baterias no Brasil, é mínimo, existindo apenas uma fábrica em 2008 que realizava o tratamento destes tipos de resíduo, [...]” (GUARNIERI, 2011, p.244).

A Lei 12.305/2010 trata em seu Art. 5º sobre a responsabilidade partilhada, ou seja, os deveres relativos aos resíduos são atrelados a todos os integrantes da cadeia que os produzem. No Art. 33 fica a cargo da empresa, estruturar e implementar sistemas de logística reversa para a devolução de produtos em pós-consumo, de modo que estes sistemas sejam separados e independentes dos serviços públicos de coleta e limpeza. O decreto ainda estipula multas de R$50,00 a R$500,00 aos consumidores que não cumprirem a lei.

2.2 Baterias automotivas

Bosch LTDA. (2007, p.7) define:

Uma bateria é um dispositivo eletroquímico que transforma energia química em energia elétrica e vice-versa. Uma bateria armazena energia elétrica para o uso quando necessário. O processo de transformação é reversível, o que significa que a bateria pode ser carregada e descarregada por várias centenas de vezes.

Ainda de acordo com Bosch LTDA. (2007) a finalidade de uma bateria em um veículo é armazenar a energia (em energia química) gerada pelo alternador quando o veículo está funcionando e depois disponibilizar essa energia para dar partida no motor (energia elétrica) quando o veículo está desligado.

Quanto a estrutura da bateria Bosch LTDA. (2007, p.9) diz que:

Uma bateria de partida de 12 V contém seis células individualmente separadas e conectadas, em série, em uma caixa de polipropileno. Cada célula contém um elemento (bloco de células) que é composto por um bloco de placas positivas e negativas. Por sua vez, o bloco é composto por placas de chumbo (grade de chumbo e massa ativa) e material microporoso de isolação (separadores) entre as placas de polaridade oposta. O eletrólito é ácido sulfúrico diluído que permeia os poros das placas e separadores e que enche os espaços livres das células. Os terminais, as conexões das células e das placas são feitas de chumbo.

Por meio da descrição acima, é possível notar que os principais componentes das baterias são o chumbo, o ácido sulfúrico e o plástico da carcaça.

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Guarnieri (2011) destaca que as baterias possuem um tempo de utilização que varia de 20 a 60 meses e são responsáveis por 70% da utilização do metal chumbo no mundo todo.

2.2.1 O chumbo.

Como visto no tópico anterior, o chumbo é o componente principal das baterias.

O chumbo (do latim plumbum) é um elemento químico de símbolo Pb, número atômico 82 (82 prótons e 82 elétrons), com massa atómica igual a 207,2 u, pertencente ao grupo 14 da classificação periódica dos elementos químicos. À temperatura ambiente, o chumbo encontra-se no estado sólido. É um metal tóxico, pesado, macio, maleável e pobre condutor de eletricidade. Apresenta coloração branco-azulada quando recentemente cortado, porém adquire coloração acinzentada quando exposto ao ar. É usado na construção civil, baterias de ácido, em munição, proteção contra raios-X, e forma parte de ligas metálicas para a produção de soldas, fusíveis, revestimentos de cabos elétricos, materiais antifricção, metais de tipografia, etc. (ICZ - INSTITUTO DE METAIS NÃO FERROSOS, 2013, p.1)

Para Adissi et al. (2013, p.176):

O chumbo (Pb) é altamente tóxico e seus efeitos no ser humano são reconhecidos há séculos. Ele pode causar insuficiência crônica na formação do sangue e afetar o desenvolvimento neurológico infantil. Este poluente atingiu seu pico quando na década de 1970 quando aditivos de chumbo eram introduzidos na gasolina para melhorar o rendimento dos carros.

Segundo o ICZ – Instituto de Metais não ferrosos (2013, p.1) “Materiais e dispositivos que contém chumbo não podem ser descartados ao ambiente. Devem ser reciclados.” Devido à alta toxicidade do metal.

Guarnieri (2011) ressalta que o Brasil não é um país produtor de chumbo, dependendo exclusivamente da importação do metal primário, isto somado ao fato de que o chumbo primário tem um preço maior que o metal proveniente da sucata e a legislação que obriga o tratamento do resíduo tem impulsionado a crescente demanda pela reciclagem do chumbo no país.

Já o ICZ – Instituto de Metais não ferrosos (2013) afirma que de todo o chumbo consumido no país 53% tem origem na reciclagem do metal e 43% é proveniente de importações.

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Um método de destinação capaz de amenizar ou até resolver o problema dos resíduos é a reciclagem de componentes e materiais.

Segundo Council of Logistics Management – C.L.M. (1993 apud LEITE, 2003 p.3): “‘Reciclagem’ é o canal reverso de revalorização, em que os materiais constituintes dos produtos são extraídos industrialmente, transformando-se em materiais primas secundárias ou recicladas que serão reincorporadas à fabricação de novos produtos.” Segundo Guarnieri (2011) para que uma reciclagem ocorra e agregue valor econômico aos bens de pós-consumo é necessária a existência das seguintes etapas:

 Coleta

 Seleção e preparação  Reciclagem industrial

 Reintegração ao ciclo produtivo

No processo de reciclagem propriamente dita, Adissi (2013) ressalta 4 fases:  Desmontagem do produto e remoção de materiais perigosos

 Redução do produto em pequenas partes  Seleção destas partes

 Processamento final

2.4 A reciclagem das baterias automotivas

De acordo com a Secretária Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Paraná - SEMA (2005, p.7):

Os resíduos de baterias de chumbo ácido possuem valor agregado, tornando a reciclagem economicamente viável.

O processo de reciclagem do chumbo é realizado através da fusão do chumbo em fornos. Durante o processo são adicionados produtos para redução dos óxidos do metal. A etapa seguinte é o refino onde os procedimentos e processos irão depender da aplicação do produto final, podendo ser uma liga de chumbo ou chumbo refinado livre de contaminantes.

No caso das baterias de chumbo-ácido, Baenas et al. (2011) sugerem o modelo presente na Figura 1.

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Figura 1 - Modelo de logística reversa para grandes empresas de baterias automotivas Fonte: Traduzido de Baenas et al (2011).

Baseando-se nos modelos de Leite (2003), Lacerda (2002) e Guarnieri (2011) pode-se definir as atividades da logística reversa de baterias no Quadro 1.

Atividade Descrição

Coleta

Receber ou coletar os produtos no estágio de pós consumo após o descarte ou devolução pelo consumidor.

Armazenamento Armazenar corretamente o produto para evitar danificações até o transporte.

Expedição Despachar os produtos para o próximo participante da cadeia para que receba o processamento adequado

Sucateamento Desmontar os produtos e separar os diferentes componentes e materiais

Reciclagem Realizar a recuperação dos componentes e transformá-los em matéria-prima novamente

Reintegração ao ciclo produtivo Utilização da matéria-prima reciclada em um novo produto do mesmo ciclo ou de uma cadeia secundária

Quadro 1 - Atividades da logística reversa de baterias automotivas Fonte: Própria

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Com as atividades delimitadas é possível então verificar quem são os participantes da cadeia e suas responsabilidades, presentes no Quadro 2.

Participante Atividade

Fabricante Responsável pela fabricação de novas baterias e assegurar que o processo reverso aconteça

Distribuidores e revendas

Comercializar as baterias e responsável por receber as baterias após o esgotamento, armazena-las corretamente e garantir a destinação correta. (Coleta e Armazenamento)

Consumidor

Após utilizar as baterias deve devolve-las aos pontos de coleta iniciando o fluxo reverso (revendas, distribuidores ou assistências técnicas)

Prestadoras de serviço logístico

Transportar corretamente as baterias entre os elos da cadeia, impedindo que as baterias se danifiquem e possam causar a contaminação do meio ambiente ou de pessoas

Empresas de Sucateamento Responsável pelo desmanche dos produtos e separação dos componentes então encaminha-los a reciclagem

Indústrias de reciclagem

É responsável pela recuperação dos materiais agregando-lhes valor comercial e reintroduzindo-os novamente no ciclo produtivo

Quadro 2 - Relação entre os participantes e as atividades da cadeia. Fonte: Própria

Algumas das atividades do Quadro 1 podem ser executada por mais de um participante, bom como um participante pode acumular mais de uma tarefa, em alguns casos esse acúmulo faz com que alguns dos participantes, como a empresa de sucateamento e a prestadora de serviço logístico, não participem da cadeia sendo suas atividades realizadas pelo fabricante ou indústria de reciclagem.

2.4.1 O programa de reciclagem Ecosteps

A fabricante de baterias Johnson Controls é uma multinacional que atua no Brasil, sendo responsável pela produção das baterias Heliar®. Segundo a própria Johnson Controls (2011) seu programa de reciclagem garantida, o Ecosteps, tem por finalidade reciclar uma bateria para cada bateria fabricada.

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Para a cadeia de distribuição o processo ECOSTEPS é a forma mais fácil e segura de destinar as baterias esgotadas em respeito a legislação ambiental, além de proporcionar a estabilidade do preço do produto. O processo

ECOSTEPS assegura a cadeia que desde a coleta, transporte até a

transformação da sucata em matéria prima, todo o processo é realizado com fornecedores homologados pela Johnson Controls e certificados pelos órgãos competentes. (JOHNSON CONTROLS, 2011, p.1)

Segundo Tomaz (2013) o Programa Ecosteps já reciclou 8 milhões de baterias e tem como meta para 2020 reciclar 30 milhões. Tomaz ainda afirma que o programa não para somente na reciclagem das baterias, atuando também na reutilização e destinação de resíduos originados do processo de fabricação.

Tomaz (2013) destaca que trabalha com um processo de distribuição atrelado ao fluxo reverso, coletando as baterias esgotadas no momento em que faz a entrega das baterias novas.

2.4.2 A empresa Ajax

A Ajax é uma empresa fabricante de baterias do interior de São Paulo, a empresa se intitula pioneira na produção de baterias recicláveis

A Ajax Baterias tem uma constante preocupação com a proteção da natureza, e por isso sempre participa em campanhas de esclarecimentos, que visam divulgar o que se deve e pode ser feito com as baterias usadas. (AJAX, 2013, p.1).

Segundo Ajax (2013) os materiais utilizados na fabricação das baterias são totalmente recicláveis e o descarte das baterias é proibido, as a baterias são projetadas para que ocorra a fusão dos componentes no caso de superaquecimento para impedir que haja vazamentos que contaminem o meio ambiente e as pessoas.

A Ajax (2013) ainda faz alguns apontamentos quanto a coleta, o manuseio, comercialização e estocagem das baterias.

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Coleta e Comercialização Manuseio e Estocagem

Usar veículos com carroceria apropriada (fundo chapeado, emborrachado ou resinado)

A bateria deve ser manuseada com cuidado ao ser retirada do veículo, para evitar acidentes ou contaminação do local

Quando o veículo não for

fechado, cobrir as baterias com lona

O armazenamento deve ser em local coberto e com piso, para evitar contato com água da chuva e com o solo

O veículo deve estar preparado para o transporte de carga perigosa, de acordo com a norma brasileira NBR-7500 e demais legislações pertinentes

A bateria deve ser guardada com as rolhas sempre para cima, evitando vazamentos

O motorista deve ter o certificado de Manuseio Operacional de Produtos Perigosos, que o habilita a transportar cargas perigosas

A bateria nunca deve ser drenada de forma que a solução vá para o esgoto ou solo sem tratamento prévio (neutralização do ácido e filtragem do chumbo).

Durante carga e descarga de sucata de bateria, utilizar máscara semifacial e óculos de proteção

Quadro 3 - Orientações para atividades dentro da cadeia reversa. Fonte: Elaborado a partir de Ajax (2013)

A empresa ainda disponibiliza um fluxograma de sua reciclagem na Figura 2.

Figura 2 - O processo de reciclagem das baterias Fonte: Ajax (2013)

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2.5 Logística Reversa

A reciclagem de materiais é um dos métodos para tratamento de resíduos, porém esta reciclagem é possibilitada através da logística reversa, viabilizando a reintegração destes materiais ao ciclo produtivo.

Para Guarnieri (2011, p.29):

A logística reversa é justamente a estratégia que cumpre o papel de operacionalizar o retorno de resíduos de pós-venda e pós-consumo ao ambiente de negócios e/ou produtivo, considerando que somente dispor resíduo sem aterros sanitários, controlados ou lixões não basta no atual contexto empresarial.

Levando em consideração as definições de Leite (2003):

 Os canais reversos de pós-venda são formados pelo retorno de produtos com pouco ou nenhum uso por diversos motivos, tendo como exemplos problemas de qualidade, produtos obsoletos ou processos comerciais entre empresas. Este produtos podem retornar ao ciclo de negócios.  Os canais reversos e pós-consumo são formados pelo retorno de

produtos, resíduos ou materiais advindos do descarte ou devolução destes após intenso consumo, perdendo a utilidade para o consumidor ou chegando ao esgotamento de suas funções (fim de vida do produto). Estes produtos podem receber tratamentos retornando ao ciclo, serem descartados em aterros, lixões ou serem incinerados.

A logística reversa é uma área de crescente interesse dentro da logística, pois permite gerenciar de forma efetiva as embalagens utilizadas no transporte e os produtos no estágio de fim de vida, apresentando fluxo contrário ao fluxo produtivo. (PIRES, 2012). Segundo Lacerda (2002), As atividades realizadas na logística reversa estão extremamente ligadas ao tipo do material e aos motivos pelos quais estes entraram no sistema.

Para Leite (2002, p.4) “A Logística Reversa de Pós-Consumo deverá planejar, operar e controlar o fluxo de retorno dos produtos de pós-consumo ou de seus materiais constituintes classificados em função de seu estado de vida e origem: ‘Em condições de uso’, ‘Fim de vida útil’, e ‘Resíduos Industriais’.”

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Da mesma forma que no processo logístico direto, a implementação de processos logísticos reversos requer a definição de uma infraestrutura logística adequada para lidar com os fluxos de entrada de materiais usados e fluxos de saída de materiais processados. Instalações de processamento e armazenagem e sistemas de transporte devem ser desenvolvidos para ligar de forma eficiente os pontos de consumo onde os materiais usados devem ser coletados até as instalações onde serão utilizados no futuro. (LACERDA, 2002, p.3).

A Figura 3 apresenta possíveis destinações para a logística reversa de pós-consumo:

Figura 3 - Destinação de resíduos na Logística Reversa de pós consumo Fonte: baseado em Guarnieri (2011)

2.5.1 Atividades da Logística Reversa e os participantes da cadeia

De um modo geral, segundo Guarnieri (2011), são atividades da logística reversa: 1. O retorno de mercadorias por diversos motivos, entre eles, excesso de

estoque e produtos obsoletos.

2. Reuso, reciclagem ou recondicionamento de embalagens e produtos. 3. Descartar materiais perigosos ou equipamentos obsoletos.

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4. Recuperação do patrimônio.

De forma genérica, a cadeia reversa envolve tantos os elementos da cadeia direta quanto novos participantes, na Figura 4 é possível verificar estes novos elementos como aqueles responsáveis pela coleta e separação dos materiais ou produtos (Coleta Seletiva e Cooperativa de Catadores), os responsáveis pela comercialização destes resíduos (Sucateiros) e os responsáveis por recuperar os materiais e reintroduzi-los no canal direto ou em cadeias alternativas (Indústria de reciclagem). Porém existem outros possíveis participantes de um fluxo reverso de materiais, já que a reciclagem não é o único método de recuperação de produtos e materiais (temos por exemplo a remanufatura e o reuso).

Figura 4 - Participantes da cadeia direta e reversa. Fonte: Guarnieri (2011, p.51)

Adissi (2013) destaca que os participantes da logística reversa desenvolvem três macro atividades, sendo elas gestão, execução e acomodação. Estes participantes podem ser intermediários independentes, prestadoras de serviços logísticos, empresas de reciclagem, munícipios, entre outros. A atividade de gestão fica a responsabilidade de organizar a cadeia reversa, a macro atividade execução corresponde as atividades de realizadas dentro do sistema reverso e a acomodação corresponde as pontas da cadeia, onde o resíduo é gerado e absorvido justificando todo o processo realizado nas macro atividades anteriores.

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3 DESENVOLVIMENTO

3.1 Metodologia

A pesquisa focou-se nas empresas participantes da cadeia de baterias automotivas (estabelecimentos comerciais, revendas, assistências técnicas autorizadas, distribuidores, oficinas e fabricante) da cidade de Maringá-PR.

O trabalho foi desenvolvido orientando-se pelas seguintes etapas:

1) Levantamento bibliográfico onde tratou-se assuntos relevantes ao estudo e análise do tema, principalmente da literatura referente à Logística Reversa.

 Realização de uma revisão bibliográfica sobre a Logística Reversa de baterias automotivas

2) O planejamento da Survey.

 Definição das empresas entrevistadas, já que além das empresas fabricantes ainda existem pontos de troca, assistências técnicas especializadas e estabelecimentos comerciais responsáveis pelo mercado das baterias automotivas.

 Definição do tamanho da amostra.

 Elaboração dos questionários, em que se buscou a criação de perguntas capazes de demonstrar e avaliar as características do tema em questão, podendo levantar dados tanto qualitativos como quantitativos.

 Elaboração de uma carta de apresentação utilizada para identificar aos responsáveis pelas empresa o que era a pesquisa, seu objetivo, o responsável pela pesquisa e a forma de divulgação dos dados obtidos.  Escolheu-se o modo de aplicação do questionário, onde se fez necessária

uma adequação aos diferentes segmentos de empresas envolvidas na Logística reversa das baterias.

(27)

3) Realização da coleta, organização e análise dos dados, ou seja, com as respostas dos questionários em mãos fez-se uma análise das respostas obtidas a fim de caracterizar a cadeia reversa das baterias automotivas, os desafios mais pertinentes e as atividades base deste fluxo reverso.

4) Discussão das conclusões tiradas e propostas de melhorias dentro do sistema reverso de baterias automotivas.

3.2 Construção do questionários

Durante a fase de criação dos questionários decidiu-se trabalhar com diferentes modelos de questionários para os diferentes elos das cadeias.

Buscou-se na criação do questionário levantar alguns dados base da empresa, como o tempo de atuação e a quantidade de baterias movimentada por cada empresa do elo, com a finalidade de conhecer a dimensão da empresa no mercado e na cadeia de baterias. Quanto a cadeia reversa, buscou-se questões que confirmassem o funcionamento da cadeia reversa em cada elo, que avaliassem a consciência ambiental das empresas, as motivações e dificuldades encontradas na execução da Logística Reversa, bem como buscou-se levantar as características do papel destas empresas na cadeia reversa.

Um obstáculo encontrado durante está fase, foi elaborar questões de fácil entendimento, questões que permitissem extrair de forma confiável, sem induzir respostas ou forçar manipulações, das informações necessárias de cada empresa.

Outro ponto importante levado em consideração foi o tamanho do questionário, buscou-se então otimizar as questões de forma que o questionário não buscou-se tornasbuscou-se longo ou trabalhoso para responder. Portanto foram utilizadas somente as questões pertinentes ao tema, que fossem claras e retornassem respostas diretas e objetivas sem comprometer a integridade das informações.

Adaptar o questionário para cada elo da cada se mostrou essencial para cobrir as restrições destacadas acima, pois foi possível filtrar as questões de acordo com as características das empresas em cada elo atendendo estas restrições.

(28)

3.3 Definição das empresas entrevistadas

3.3.1 Grupos (Elos)

Em primeiro momento decidiu-se por entrevistar os principais elos da cadeia direta e ver quais eram seu comportamento na cadeia reversa. Os grupos eram:

 Consumidores

 Auto elétricas, Revendas e Oficinas  Distribuidores

 Fabricantes

Definiu-se também que as empresas prestadoras de serviço logístico, empresas terceiras de sucateamento e reciclagem seriam entrevistadas apenas se constatado que realmente participam da cadeia reversa na cidade de Maringá.

3.3.2 Definição das amostras

Optou-se por amostras de tamanho reduzido (de 5 a 10 participantes), já que na revisão bibliográfica identificou-se que o recolhimento destas baterias era uma exigência legal, portanto alguma forma de logística reversa já deveria existir.

Com um tamanho reduzido e selecionando empresas chaves foi possível identificar as características da cadeia reversa.

Para o elo dos consumidores, decidiu-se focar nas empresas, excluindo os usuários comuns, pois a pesquisa buscou entender a logística reversa no âmbito empresarial, tentando identificar as implicações deste processo no gerenciamento de empresas que possuam ou necessitem de uma frota significativa.

Para o segundo elo entrevistado, constituído de auto elétricas, revendas e oficinas mecânicas, buscou-se empresas de diferentes tamanhos, mas focando principalmente nas auto elétricas devido à maior movimentação de baterias.

(29)

Para o elo dos fabricantes definiu-se a amostra de forma a entrevistar multinacionais, fabricantes de grande e médio porte e também as fábricas menores. Não foram encontrados fabricantes que estivessem sediado na cidade.

Quanto aos distribuidores, focou-se nos distribuidores que possuíssem sede em Maringá. Outro ponto a se destacar quanto aos distribuidores, foi que as informações levantadas buscaram restringir à atuação destes somente na região de Maringá, ignorando dados relativos às outras regiões.

3.4 Aplicação dos questionários

Primeiramente, elaborou-se uma carta de apresentação descrevendo a pesquisas, quais seus objetivos, identificando os responsáveis pela pesquisa, a forma de apresentação dos dados. Esta carta fui utilizada para conscientizar os responsáveis pelas empresas sobre os aspectos das pesquisa, convidando-os a participarem.

A carta fez parte do primeiro contato com as empresas, neste primeiro contato buscou-se certificar-buscou-se de que as empresas em questão estariam dispostas a participar da pesquisa. Elaborando assim um banco de dados com as empresas de cada elo que participariam da pesquisa.

O segundo contato com as empresas foi de fato a aplicação dos questionários.

Quanto a aplicação dos questionários, escolheu-se realizá-la através de entrevistas presenciais, de modo a otimizar a diferença entre o tempo de entrega do questionário e o tempo de obtenção das respostas.

Algumas entrevistas ocorreram via telefone, por opção dos responsáveis de algumas empresas. Para as empresas localizadas fora de Maringá (fabricantes) os questionários foram encaminhados via e-mail.

(30)

3.4.1 Obstáculos.

A etapa de aplicação dos questionários foi a fase desenvolvimento da pesquisa que demandou certos cuidados, bem como foi responsável por grande parte dos obstáculo encontrados ao se executar este trabalho.

O primeiro ponto a se destacar foi a falta de abertura dos fabricantes para responder ao questionários, muitas das empresas contatadas nem mesmo enviaram uma resposta à carta de apresentação. O elo dos fabricantes foi o de menor taxa de resposta.

Um segundo obstáculo foi a dificuldade em agendar as entrevistas, devido a pouca disponibilidade dos responsáveis, principalmente no caso dos consumidores e distribuidores, além de conflitos de horário entre o entrevistador e o respondente.

Outro obstáculo pertinente deu-se pelas empresas que se comprometeram a responder o questionário após o primeiro contato, mas cortaram a comunicação com o entrevistador quando tentou-se marcar as entrevistas.

Para o elo dos distribuidores, dois obstáculos foram pertinentes, o primeiro foi identificar a existência destas empresas em Maringá, grande parte das empresas identificadas foram feitas através dos questionários aplicados nas auto elétricas. O segundo obstáculo foi entrar em contato e manter um canal de comunicação em aberto com estas empresas, das 6 empresas identificadas, apenas em 4 conseguiu-se manter comunicação para marcar as entrevistas.

Encontrou-se uma certa dificuldade em identificar a atuação de empresas fora dos elos principais, bem como em entrar em contato com estas, das empresas identificadas apenas uma retornou as tentativas de contato.

(31)

4 RESULTADOS E ANÁLISE.

Após a aplicação dos questionários, fez-se o agrupamento dos dados por elos, realizando a análise destes dados parar traçar as características e os papéis das empresas de cada elo.

As taxas de respostas variaram muito de elo para elo, em alguns a quantidade de respostas obtidas foram satisfatórias (auto elétricas e distribuidores), para o elo dos consumidores a taxa foi baixa, mas foi suficiente para os objetivos da pesquisa.

4.1 Consumidores

Quanto ao elo dos consumidores, a pesquisa buscou, além de identificar a estrutura da cadeia, quais os impactos que o fluxo reverso impactavam nos consumidores, tendo em vista que um consumidor comum realiza trocas esporádicas de baterias, a pesquisa se pautou em empresas que possuíssem frotas de veículos, principalmente as empresas relacionadas a transporte em geral. Foram então entrevistadas três transportadoras, duas empresas de rádio táxi e uma empresa de ônibus. Outras empresas foram contatadas mas se recusaram a participar da pesquisa.

Apesar de um número relativamente baixo de empresas que responderam ao questionário, foi possível observar que existem diferenças na cadeia reversa entre dois tipos de empresa, sendo um tipo, as empresas que possuem um setor dedicado a manutenção da frota e o segundo tipo, as empresas que dependem de serviços de uma oficina ou auto elétrica para a manutenção da frota.

Duas empresas, Transportadora A e Companhia de ônibus A, apresentam juntas 350 veículos, respondendo por 81,21% dos total de veículos das empresas entrevistas. O Gráfico 1 apresenta a distribuição da frota entre as empresas.

(32)

Gráfico 1 - Tamanho da frota

Como a bateria é um produto que possui uma durabilidade maior que um ano, não foi pertinente levantar o volume de baterias trocadas mensalmente pelos clientes. Partindo deste fato, resolveu-se levantar o tempo médio de durabilidade das baterias.

Pode-se levantar dois cenários, entre as empresas de transporte urbano (ônibus e taxi) em que a durabilidade das baterias ficou em um ano e as empresas transportadoras, em que a durabilidade foi maior. O Gráfico 2 apresenta as respostas das empresas quanto a durabilidade.

Gráfico 2 - Duração média das baterias nas empresas consumidoras

Cia. de

ônibus A Transp A Transp C Radio Taxi B Transp B Radio Taxi A

veículos 285 65 30 25 16 10 % acum. 66,13 81,21 88,17 93,97 97,68 100,00 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 0 50 100 150 200 250 300

Tamanho da frota

1 ano 50% 1 ano e 7 meses 33% 2 anos 17%

(33)

Levando em consideração que a Companhia de ônibus possui uma frota de 285 e uma menor durabilidade da bateria (um ano em média), pode-se visualizar que há trocas de baterias mais frequente em relação às outras empresas pesquisadas.

Quando perguntadas se as empresas conhecem os problemas ambientais causados pelas baterias automotivas, metade das empresas afirmaram não conhecer estes problemas, expondo assim a necessidade de conscientizar empresas em consumidores comuns sobre os danos resultantes da disposição incorreta das baterias na natureza.

As empresas com frotas maiores (Transportadora A e C e Companhia de Ônibus A) apresentaram uma maturidade maior quanto aos impactos ambientais causados elas baterias.

Surge assim uma necessidade de investigar o porquê desta diferenciação entre empresas maiores e menores.

O Gráfico 3 apresenta o percentual entre as empresas que conhecem ou desconhecem os problemas ambientais das baterias automotivas.

Gráfico 3 - As empresas conhecem os danos ambientais?

Sim

50%

Não

50%

A empresa conhece os danos ambientais causados pelas bateria?

(34)

Quando perguntadas sobre a destinação das baterias quando esgotadas, fez-se evidente o surgimento dos grupos com setor e sem setor de manutenção.

As empresas Transportadora A e Companhia de ônibus A, possuem setor responsável pela manutenção dos veículos, estas negociam as baterias novas diretamente com fabricantes e distribuidores fazendo a entrega das baterias esgotadas diretamente aos mesmos.

A demais empresas entrevistas não possuem setor de manutenção ou, o caso da Transportadora C, o setor de manutenção não cuida da parte elétrica. Estas então não armazenam as baterias esgotadas, as baterias são entregues para a oficina no momento de execução do serviço de troca.

Este cenário pode ser observado no Gráfico 4.

Gráfico 4 - Destinação das baterias usadas pelos consumidores

Para as empresas que encaminham as baterias aos distribuidores ou fabricantes, estas baterias são recolhidas por um veículo do distribuidor ou fabricante quando este vem entregar os produtos novos.

Quando questionadas sobre as dificuldades e obstáculos encontrados nas atividades de armazenagem e encaminhamento das baterias esgotadas, surgiu novamente o contraste entre empresas com maior e menor frota. As empresas com frota maior relataram a

0 1 2 3 4 5 Lixo Comum Empresa de Reciclagem Outros Envia ao distribuidor/fabricante Envia à oficina/autoelet. 0 0 0 2 5

(35)

necessidade de possuir um documento quanto a destinação dadas às baterias (Transportadora A, Transportadora C e Companhia de ônibus A). Já às empresas menores declararam não encontrarem nenhum obstáculo, principalmente pelo fato de que toda a atividade é executada pelas oficinas.

Evidenciando-se novamente o contraste entre estas empresas quanto a conscientização e mais especificamente a diferenciação nas imposições legais. Levantando então a questão do porquê algumas empresas são cobradas quanto a destinação de suas baterias enquanto outras empresas simplesmente não possuem imposições legais.

A Companhia de ônibus A apresentou como um outro obstáculo a quantidade de baterias que se acumulam, principalmente nos períodos mais frios do ano, quando as trocas de baterias são mais frequentes, e acabam por armazenar baterias por muito tempo até a próxima entrega, pode-se visualizar as dificuldades no Gráfico 5.

Gráfico 5 - Obstáculos encontrados pelos consumidores

De modo geral, não foram encontrados obstáculos que possam inibir o funcionamento do fluxo reverso, considerando esses tipos de consumidores.

Quando perguntadas sobre os benefícios ou motivadores encontrado pelas empresas (Gráfico 6), os benefícios encontrados foram em sua maioria de aspecto econômico, motivadores em relação a questão legal apareceram para as mesmas empresas que se

0 1 2 3 4

Necessidade de apresentar laudo. Nenhuma Armazenagem das baterias

Obstáculos encontrados no recolhimento das baterias

esgotadas

(36)

queixaram da necessidade de laudo, já que o elo que recebe as baterias fica incumbido de emitir o laudo que atesta a destinação dada às baterias.

Excluindo-se a Transportadora B, as outras empresas encontram como principal motivador os descontos praticados em novas compras ou serviços.

A Transportadora B disse não possuir nenhum benefício, porém também não apresentou nenhuma dificuldade, alegando que no momento da troca permite que a oficina fique com a bateria sem obter algum benefício. Cruzando as informações com as outras perguntas respondidas pela empresa, a Transportadora B alega não conhecer os danos causados pelas baterias, ou seja, o fluxo reverso só acontece em relação à transportadora B devido à oficina que toma frente a situação e retém a bateria.

Gráfico 6 - Benefícios e motivadores encontrados pelos consumidores

Nenhuma das empresas entrevistadas apresentou algum motivador ligado às questões ambientais.

4.2 Auto elétricas e oficinas mecânicas

Das empresas entrevistadas, todas recolhem as baterias esgotadas, sem distinção entre as marcas das baterias (se comercializam ou não a marca da bateria esgotada).

0 0,5 1 1,5 2 2,5 3 3,5 4 4,5 Elo receptor emite laudo atestando a destinação

Descontos em novas compras Descontos em serviços futuros Nenhum

(37)

As empresas apresentam diferentes quantidades de baterias novas comercializadas mensalmente. Esta diferença se dá pelo tamanho da empresa e também pela diferenciação entre auto elétricas e oficinas, as oficinas apresentam um volume de vendas de novas baterias bem inferior ao volume das auto elétricas.

A variação para as baterias recolhidas segue a mesma tendência das vendas das baterias novas, principalmente porque na grande maioria o recolhimentos ocorrem junto com a venda de uma bateria nova.

O Gráfico 7 apresenta o volume de vendas das empresas entrevistadas e a quantidade de baterias recolhidas.

Gráfico 7 - Baterias comercializadas e recolhidas

Quanto as empresas terem conhecimento dos problemas ambientais causados pelas baterias, a maior parte sabe da importância em dar a destinação correta das baterias, porém a existência de empresas que desconhecem estes problemas nos mostra que a motivação para recolher as baterias não está focada na questão ambiental. O Gráfico 8 informa a proporção de empresas que conhecem os danos ambientais.

(38)

Gráfico 8 - Número de empresas que conhecem os danos causados pelas baterias.

Foi verificado qual a destinação dada às baterias pelas empresas, a maior parte seguiu o que sugeria o modelo proposto por Baenas et al (2011), encaminhando as baterias aos distribuidores. Novamente apareceram casos que demonstram pontos a serem discutidos na execução.

Duas empresas (Auto elétrica D e Oficina A) encaminham suas baterias a empresas terceiras, uma das empresas quando questionada, afirmou que direciona a uma empresa responsável por coletar outros resíduos gerados na empresa e só o faz por apresentar um volume muito baixo de baterias coletadas mensalmente.

A outra empresa expõe um caso que demanda atenção, o responsável pela auto elétrica informou que, como as auto elétricas são consideradas donas das baterias esgotadas, elas possuem total liberdade para negociar estas baterias com distribuidores, empresas sucateiras e empresas de reciclagem. Muitas auto elétricas acabam entregando as baterias aos distribuidores por comodidade, porém muitos buscam maximizar o preço pago pela sucata, negociando-as com empresas terceiras.

O Gráfico 9 demonstra o número de empresas que encaminham as baterias aos possíveis destinos.

71%

29%

A empresa conhece os problemas

ambientais causados pelas baterias?

Sim Não

(39)

Gráfico 9 - Destinação da baterias recolhidas pelas auto elétricas

Estas empresas, que buscam novos destinatários para as baterias, demonstram que existe uma possível falta de controle dos distribuidores e fabricantes quanto a real destinação destas baterias. Esta situação, associada ao fato de que algumas empresas desconhecem os problemas causados pelas baterias, alerta para o fato de que a coleta de baterias está enraizada na motivação comercial, caso não exista uma maior fiscalização de órgãos governamentais, no caso de uma queda de valor do produto que inviabilize recolher estas baterias, o canal reverso pode deixar de existir.

Quando questionadas sobre os meios por onde se realiza a entrega das baterias aos destinatário, todas as empresas afirmaram que o veículo que coleta essas baterias é de responsabilidade do destinatário, sem custos para a empresa.

Quanto frequência que esta coleta ocorre, pode-se perceber que acompanha o ritmo de venda e compra de baterias novas pela empresa.

Para as empresas que entregam as baterias aos distribuidores, a coleta ocorre quando chegam novas baterias, o distribuidor descarrega as baterias novas e recolhe as baterias esgotadas. Distribuidor 5 72% Empresa de sucata; 1; 14% Empresa de reciclagem; 1; 14% Fabricante 0 0% Lixo comum 0 0%

DESTINO DAS BATERIAS RECOLHIDAS

PELAS AUTO ELÉTRICAS

(40)

O Gráfico 10 apresenta a distribuição do período de coleta.

Gráfico 10 - Período de coleta das baterias esgotadas.

Duas empresas declararam que a coleta ocorre semanalmente, uma por apresentar um grande volume de vendas e reduzido tempo de ressuprimento. A outra, por entregar as baterias para uma empresa que recolhe outros resíduos da empresa, estes outros resíduos são coletados semanalmente.

A empresa que entrega as baterias a cada dois meses, pois faz cotação do preço da bateria usadas, então espera acumular uma quantidade considerável de baterias para negociá-las com outras empresas.

Todas as empresas entrevistadas declararam aceitar baterias usadas de marcas diferentes das que comercializam, tendo em vista que não há distinção de marcas quando estas baterias são entregues aos distribuidores.

As empresas foram questionadas sobre os obstáculos e dificuldades encontradas na realização do processo de coleta e armazenamento das baterias. A maior parte declarou não encontrar dificuldades, visto que as baterias são retiradas no momento da troca e são armazenadas no mesmo espaço do produto novo.

Três empresas declaram encontrar dificuldades, já que os clientes insistem em ficar com a bateria usada mesmo a empresa oferecendo desconto na bateria nova. Destas empresas, duas ainda ressaltaram que as baterias vendidas no balcão, sem o serviço de

0 0,5 1 1,5 2 2,5 3 3,5 4 4,5

Semanal Mensal Bimestral

(41)

troca, raramente vem acompanhadas de baterias esgotadas, falta, no consumidor, a visão sobre a importância de entregar estas baterias às lojas, auto elétricas e oficinas.

O Gráfico 11 apresenta as principais dificuldades encontradas.

Gráfico 11 - Principais obstáculos encontrados pelas empresas no processo de coleta das baterias.

Finalizando a entrevista, estas empresas foram questionadas sobre os principais motivadores e benefícios encontrados para executar a coleta das baterias esgotadas. A maior parte das empresas tem, como principal motivador, o retorno financeiro, em média, o quilo de baterias usadas é vendido ao próximo elo por R$1,50. Apenas duas empresas citaram a preocupação com os impactos ambientais, e uma única empresa afirmou que a motivação é ter a certeza de que estas baterias terão a destinação correta. Uma empresa declarou não receber nenhum benefício ou possuir qualquer motivação para coletar as baterias usadas.

O Gráfico 12 aponta estes benefícios e motivadores.

4 3

2

0 1 2 3 4 5

Nenhuma Clientes insistem em ficar com a bateria As baterias vendidas sem o serviço de troca dificilmente retornam uma bateria esgotada

D I F I C U L DA D E S E N C O N T R A DA S P E L A S E M P R E S A S N A C O L E TA D E B AT E R I A S E S G O TA DA S

(42)

Gráfico 12 - Motivadores e Benefícios no processo de coleta das baterias esgotadas.

4.3 Distribuidores

Dos distribuidores entrevistados, todos recolhem as baterias esgotadas.

As empresas entrevistadas apresentam diferentes volumes de vendas, assim como a quantidade de baterias recolhidas são condizentes com os volumes vendidos.

Um ponto a se destacar são dos distribuidores A e D que recolhem, em média, mais baterias do que as baterias que são vendidas, pois compram de empresas de coleta, sucata e tratamento de resíduos, carcaças de baterias. A distribuidora C também compra baterias de empresas terceiras, porém compram estas baterias para conseguir equiparar com o número de baterias vendidas. Este cenário pode ser visualizado no Gráfico 13.

0 1 2 3 4 5

Retorno Financeiro Preocupação com o meio ambiente Certeza da destinação correta das baterias

esgotadas

Nenhum

Benefícios encontrados na coleta de baterias

usadas

(43)

Gráfico 13 - Quantidade de baterias comercializadas e recolhidas pelos distribuidores

As empresas também foram questionadas sobre quantos clientes possuem na cidade de Maringá, chegando-se na distribuição presente no Gráfico 14.

Gráfico 14 - Quantidade de empresas atendidas pelos distribuidores na cidade de Maringá

A partir dos gráficos, Gráfico 13 e Gráfico 14, é possível perceber que a Distribuidora C apesar de possuir um maior número de baterias comercializadas, atende poucos

350 3000 5000 4500 390 3000 5000 4600 0 1000 2000 3000 4000 5000 6000

Distribuidora A Distribuidora B Distribuidora C Distribuidora D

Quantidade de baterias vendidas e recolhidas

Baterias Vendidas Baterias Recolhidas

Distribuidora A; 16; 4% Distribuidora B; 150; 37% Distribuidora C; 80; 20% Distribuidora D; 160; 39%

(44)

estabelecimentos ou clientes em Maringá, a explicação vem do entrevistado, que afirma possuir um grande número de empresas atendidas fora de Maringá.

O cenário relatado acima pode ser uma possível explicação para a necessidade de comprar baterias esgotadas de empresas que coletam de resíduos e empresas de sucata, visto que a distância pode afetar o tempo de entrega e recolhimento, fazendo com que as empresas dos elos anteriores comercializem as baterias esgotadas com outras empresas ou outros fornecedores, visto que, na pesquisa referente às auto elétricas, existe o cenário correspondente às empresas que tratam as baterias como um ativo, e sentem-se na liberdade de comercializar estas baterias com quem oferecer um preço melhor. Todos os distribuidores entrevistados afirmaram conhecer os danos ambientais causados pelas baterias.

Todas as empresas entrevistadas são responsáveis pelos veículos que recolhem as baterias no clientes, todas trabalham com o mesmo método, entregam as baterias novas e recolhem as esgotadas com o mesmo veículo.

Quanto ao período de coleta nos clientes, todas as empresas afirmaram que depende muito do tempo entre pedidos dos clientes, porém a distribuidora A afirmou que em alguns casos, os clientes retém as baterias por alguns meses e preferem vende-las de uma só vez, mas são casos pontuais que não interferem no fluxo reverso em geral. As empresas foram questionadas sobre qual destinação dada as baterias as respostas foram homogêneas, todas as empresas encaminham as baterias aos fabricantes, e em todos os casos os fabricantes são responsáveis pelos veículos que recolhem estas baterias.

Quanto ao tempo de coleta pelos fabricantes (Gráfico 15), apenas a distribuidora C apresentou uma periodicidade mensal, em todas as outras empresas, a periodicidade é mensal.

(45)

Gráfico 15 - Periodicidade de coleta das baterias nos distribuidores

Quando perguntadas sobre os obstáculos encontrados (Gráfico 16), todas as distribuidoras apontaram a necessidade de realizar um plano de tratamento de resíduos junto a prefeitura de Maringá, também citaram a adequação do espaço físico para o recebimento destas baterias, devido às indicações feitas pelo plano de tratamento.

As empresas A, C e D apontaram como um obstáculo a baixa margem de lucro sobre as baterias esgotadas, a distribuidora C complementou afirmando que as margem é tão baixa que quase não compensa recolher as baterias.

A distribuidora C apontou também como obstáculos o manuseio das baterias, pelas palavras do entrevistado ‘‘as baterias esgotadas são produtos sujos que necessitam de limpeza e cuidados no manuseio’’. Outro obstáculo destacado por essa empresa foi a necessidade de comprar baterias usadas de empresas de sucata.

A distribuidora B destacou a necessidade de pallets especiais para as baterias esgotadas, porém não especificou quais diferenças estes pallets teriam.

0 1 2 3

Mensal Semanal

(46)

Gráfico 16 - Obstáculos encontrados pelos distribuidores

Pelas respostas dessa pergunta, ficou evidente que neste elo, existe uma cobrança maior quanto à adequação e tratamento dos resíduos, enquanto para os consumidores e auto elétricas existe pouca ou nenhuma imposição legal.

Outro obstáculo que deve ser analisado com atenção, é a baixa margem de lucro, que pode desmotivar as empresas a recolher estes produtos. Qualquer alteração no preço da bateria esgotada ou nas atividades relacionadas à coleta e destinação pode comprometer o fluxo reverso.

As empresas foram então questionadas sobre os motivadores e benefícios relacionados ao processo reverso das baterias, todas as empresas responderam que o único benefício encontrado são os descontos fornecidos pelos fabricantes nas compras de novas baterias, reforçando mais uma vez que a cadeia reversa de baterias automotivas está pautada de forma massiva nos aspectos econômicos, onde os pilares sociais e ambientais são raros ou pouco influentes.

Quanto a indicadores relativos aos processos reversos, apenas a distribuidora C apresentou um indicador, referente ao número de baterias recolhidas no mês e que tem como meta ser igual ao número de baterias vendidas no mês, explicando então porque a empresa vê como um obstáculo a necessidade de comprar as baterias das empresas de

4 4 4 1 1 0 1 2 3 4

Adequação do espaço físico Plano de tratamento de resíduos Margem de lucro baixa Pallets especiais para baterias esgotadas Comprar baterias de empresas de sucata

(47)

sucata, já que este indicador implica em uma pressão maior para o recolhimento das baterias.

As empresas foram questionadas se estariam dispostas a pagar por uma empresa responsável por executar as atividades referentes ao fluxo reverso das baterias (coleta, armazenagem e destinação).

As empresas recusaram a sugestão, alegando que a margem das baterias é baixa porém o momento da entrega é utilizado para a coleta de baterias esgotadas, que as adequações nos depósitos serve tanto para os produtos usados quanto aos novos, sendo então economicamente inviável pagar para um terceiro executar estas atividades.

4.4 Fabricantes

Quanto aos fabricantes, das 8 empresas contatadas, apenas uma retornou ao contato inicial, mas respondeu parcialmente ao questionário.

Porém, cruzando as informações obtidas no questionário parcial com as informações obtidas com os questionários de outros elos e nos casos avaliados na revisão bibliográfica, pode-se definir um comportamento geral do elo em relação ao fluxo reverso.

A empresa entrevistada é uma multinacional que comercializa uma marca de bateria presente há 80 anos no mercado brasileiro.

Segundo a empresa, a coleta é feita nos clientes e distribuidores atrelada ao fluxo direto, ou seja, quando entregadas as baterias novas, as baterias antigas são recolhidas. Os veículos que coletam estas baterias são de responsabilidade da empresa fabricante. Após recolhidas, a empresa encaminha-as para fundições próprias presentes em diferentes regiões do Brasil.

A empresa apresentou como benefícios e motivadores:  O atendimento às exigências legais.

(48)

 Preservação do meio ambiente

 Preço estável do produto devido ao reaproveitamento das matérias primas  Aproveitamento do marketing sobre empresa com responsabilidade ambiental A empresa não informou dificuldades ou obstáculos encontrados nos processos de coleta e destinação das baterias.

Quando questionada sobre indicadores relativos ao processo reverso de distribuição, a empresa afirmou trabalhar com duas metas. A primeira meta é reciclar uma bateria para cada bateria produzida, a segunda meta é a de reciclar 30 milhões de baterias até o ano de 2020.

Através dos outros elos entrevistados foi possível identificar que é papel do fabricante encaminhar as baterias para reciclagem. Os distribuidores entrevistados garantiram que as baterias são encaminhadas para a reciclagem pelo fabricante. Porém, não foi possível avaliar quantos fabricantes possuem reciclagem própria ou dependem de terceiros, não foi possível avaliar se todos os fabricantes reutilizam os materiais recuperados ou inserem estes em outras cadeias produtivas.

A falta de respostas impossibilitou avaliar quais mecanismo e estratégias os fabricantes utilizam para garantir que as baterias sejam retornadas, além dos descontos fornecidos nas novas compras.

4.5 Outros Participantes

Outros participantes identificados durante as aplicações dos questionários foram as empresas de sucata e coleta de resíduos, porém, possuem participação pouco significativa.

A participação das empresas desses dois tipos, se resume em coletar as baterias em alguns clientes e comercializá-las com os distribuidores.

As empresas de coleta de resíduos entram na cadeia devido as oficinas com menor volume de baterias comercializadas, normalmente recolhem outros resíduos destas

(49)

oficinas e acabam recolhendo as baterias também. Estas baterias então são vendidas ao distribuidores, que compram muitas vezes para garantir o retorno das baterias ou complementar nas negociações com as fábricas.

As empresas de sucata realizam a mesma atividade, porém são inseridas na cadeia reversa pelas auto elétricas e revendas que buscam melhor preço pelas baterias esgotadas. Estas empresas revendem as baterias diretamente para as fábricas e em alguns casos para distribuidores que possuem um preço melhor para o quilo das baterias.

4.6 Discussão Geral

Comparando as informações coletadas ao longo das entrevistas com os modelos presentes na bibliografia, pode se perceber que a cadeia reversa das baterias automotivas em Maringá, ocorre por diferentes caminhos, alguns seguem parcialmente o modelo proposto por Baenas et al (2011) na Figura 1 da seção 2.5.1.

De modo geral, existem duas estruturas para a cadeia orientadas pelos tipos de clientes, uma para empresas consumidoras com setor de manutenção e outra para empresas sem setor de manutenção e clientes comuns, mostrados na Figura 5 e Figura 6 respectivamente.

(50)

Figura 5 – Modelo da cadeia reversa para consumidores com setor de manutenção

O fluxo da primeira estrutura passa basicamente por três elementos, os consumidores, os distribuidores e os fabricantes. Os consumidores negociam diretamente com os distribuidores ou fabricantes e estes ficam responsável por recolher as baterias. Os consumidores ficam responsáveis por armazenarem estas baterias até que o distribuidor ou fabricante as recolham, o distribuidor fica incumbido de coletar, armazenar e destinar estas baterias ao fabricante. O fabricante é responsável por recolher estas baterias nos consumidores ou distribuidores e encaminhar estas baterias para a reciclagem de componentes. Não foi possível avaliar como os materiais reciclados são reintegrados ao ciclo produtivo.

(51)

Figura 6 – Modelo de cadeia reversa para consumidores sem setor de manutenção e consumidores comuns.

O fluxo da segunda estrutura segue uma parte do modelo proposto por Baenas et al (2011), porém não foi possível avaliar as atividades de reciclagem, sob o ponto de vistas das responsabilidades e fluxos. De um modo geral o fluxo ocorre com os consumidores encaminhando as baterias às auto elétricas, e estas são responsáveis por receber e armazenar estas baterias. As auto elétricas, então, negociam estas baterias com distribuidores ou empresas terceiras. Que, por sua vez, são responsáveis por coletar estas baterias, armazená-las e comunicar o fabricante. O fabricante tem por atividades, coletar estas baterias nos distribuidores ou empresas terceiras e garantir a destinação correta destas baterias, no caso, a reciclagem dos componentes.

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Referências

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