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MATERIAL A BASE DE AMIDO DE MANDIOCA PARA MANUFATURA DE EMBALAGEM DE ALIMENTOS

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Vol. 2, No. 1, Janeiro-Março 2012, Página 16

Vol. 2, No. 1, Janeiro-Março de 2012

ARTIGO ORIGINAL

MATERIAL A BASE DE AMIDO DE MANDIOCA PARA

MANUFATURA DE EMBALAGEM DE ALIMENTOS

Gabriela Souza Alves1, Ana Paula Lívero Sampaio2, Camila Aparecida Zavolski¹, Vitor

Hugo Brito³, Marney Pascoli Cereda4 e Etney Neves5,6 ¹Acadêmica do Curso de Engenharia de Alimentos, UNEMAT - Universidade do Estado de Mato Grosso, Campus Barra do Bugres – MT, Brasil. Rua Florianópolis, JD Elite II, CEP 78390000.

2Acadêmica do Curso de Arquitetura e Urbanismo, UNEMAT - Universidade do Estado de Mato Grosso, Campus Barra do Bugres – MT, Brasil. Rua Florianópolis, JD Elite II, CEP 78390000.

3Mestrando em Ciências Ambientais e Sustentabilidade Agropecuária, Centro de Tecnologias e Estudos do Agronegócio, UCDB- Universidade Católica Dom Bosco, Campo Grande – MS.

4Professora Pesquisadora, Programa de Pós-graduação em Ciências Ambientais e Sustentabilidade Agropecuária, Centro de Tecnologia e Estudo do Agronegócio, UCDB- Universidade Católica Dom Bosco, Campo Grande – MS.

5Professor Visitante do Departamento de Engenharia de Alimentos, UNEMAT- Universidade do Estado de Mato Grosso, Campus Barra do Bugres – MT.

6Pesquisador Associado a Associação Nacional Instituto Hestia de Ciência e Tecnologia, HESTIA - Brasil.

Resumo

Sob condições específicas de temperatura, pressão e umidade, o amido de mandioca desenvolve a propriedade de expansão, resultando em material semelhante ao poliestireno expandido (iSOPOR (R)), com o diferencial de ser biodegradável. Entre outros materiais

usados para elaboração deste tipo de material, o amido é particularmente selecionado pelo seu baixo custo e disponibilidade em escala mundial.O material pode ser moldado comobandejas orgânicas, diferenciadas por apresentar alta sensibilidade à águae gerar CO2 e água ao serem expostas a micro-organismos.Oartigo analisa o biopolímero de

amido sob visão pluridisciplinarenvolvendo aspectos tais como suas propriedades de uso em função, como um estudo teórico-técnico.

Palavras-chaves: embalagem, biodegradável, processo.

1. Introdução

Minimizar os impactos de metais, cerâmicos e polímeros, sobre o meio ambiente é um desafio, que representa uma preocupação e um interesse por parte da sociedade. Tradicionais ou inovadoras, as propostas e tecnologias tendem a reduzir os custos do tratamento de resíduos e o estresse sobre o meio ambiente, proporcionando equivalência

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Vol. 2, No. 1, Janeiro-Março 2012, Página 17 ou vantagens sobre o concorrente à base de petróleo, resultando em um marketing positivo do produto no mercado.

O uso de materiais biodegradáveis é uma vertente altamente positiva para a atração de consumidores mais conscientes. Um exemplo de material inovador com estas características, é a Anortita (CaAl2SiO8), um tipo de cerâmica biodegradável.1,2

Materiais biodegradáveis podem ser degradados por enzimas ou metabolizados em meio aeróbio (O2) ou anaeróbio, em ausência de oxigênio. A redução de uma

substância a constituintes mais simples, é um requisito da biodegradação, que em seu final resulta na formação de dióxido de carbono (CO2) e a água (H2O), com liberação de

energia e elementos mais simples. Os agentes podem ser organismos vivos (fungo se bactérias) e/ou ação do ambiente (calor, radiação, umidade, etc.).

O período de decomposição de materiais biodegradáveis deve ser reduzido ou ter um impacto ambiental inferior, quando comparado aos similares não biodegradáveis ou de cinética lenta de decomposição. Em razão do apelo ambiental sustentável, diversas empresas, em todo o mundo, buscam essa alternativa para os seus processos e produtos. Entretanto, poucos se concretizam tecnologicamente, para serem disponíveis em nível comercial.

Os polímeros oriundos do petróleo apresentam um histórico desfavorável, como materiais que poluem porque demoram muito para decompor-se. Em contrapartida, os polímeros biodegradáveis estão contribuindo para mudar esta imagem. Estes materiais são compostos químicos de elevada massa molecular, resultantes de reações de polimerização. O mais disponível é a celulose, seguida do amido, ambos estruturalmente classificados como polissacarídeos complexos. Além dos polissacarídeos, os mais estudados são o polilactato (PLA), polihidroxialcanoato (PHA), poliamidas (PA) e xantana (Xan) e o amido (AMD). 3

A matéria-prima principal para a elaboração destes produtos é uma fonte de carbono renovável, geralmente carboidratos derivado de plantios comerciais de larga escala, como cana-de-açúcar, milho, batata, trigo e mandioca, ou óleos vegetais extraídos de soja, girassol, palma ou outras plantas oleaginosas.

Embora quimicamente iguais, o amido de cada fonte botânica difere em suas propriedades funcionais específicas à determinada aplicação. Destaca-se como um biopolímero extremamente versátil, amplamente empregado em diversos seguimentos industriais, como setor alimentar, papel e celulose, têxtil, farmacêutico, entre outros. Globalmente as matérias-primas para extração comercial de amido são o milho, trigo, arroz, entre os cereais e, entre os tubérculos e raízes, a mandioca e a batata-doce. 4

O amido de mandioca é disponível na América do Sul e Ásia, e além de usos tradicionais, pode ser usada no desenvolvimento de embalagens biodegradáveis expandidas por processo molde quente pasta fria. 5, 21,22 Trata-se de uma característica especial deste tipo de amido, que sobre pressão e elevada temperatura, na presença de um agente plastificante, apresenta pode ser gelificado e expandido, formando uma massa moldável, que pode ser utilizada na produção de embalagens e itens de descarte rápido.

6,22

Esta condição pode potencialmente acarretar o desenvolvimento de novos tipos de embalagens ou produtos, colaborando para expansão do mercado do amido de mandioca, que atualmente vem passando por diversos problemas.

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2. Mandioca

A mandioca (Manihot esculentaCrantz) é uma planta arbustiva pertencente à família das Euforbiacea, que tem o Brasil como centro de origem (floresta amazônica fronteira com a Venezuela). 7

A planta apresenta raízes tuberosas, rica em amido. No país, a maior produção de mandioca é destinada a alimentação humana (uso culinário e farinha) com parte substancial pouco referenciada destinada a nutrição animal. A composição das raízes vária de acordo com a cultivar ou variedade (EMBRAPA, 2004). Apenas cerca de 3% da produção nacional de raízes de mandioca é usada para extração industrial do amido, nativo e modificado.

A mandioca “in natura” possui aproximadamente 70% de água e 30% de amido. A fração amido quando extraída da planta corresponde a um material branco, fino, inodoro e insípido, obtido através de uma sequência de opções, que envolvem desde a lavagem das raízes, descascamento, trituração e desintegração, separação, centrifugações até a secagem. 8

A Resolução de Diretoria Colegiada da Agencia Nacional de Vigilância Sanitária – RDC/ANVISA Nº 263, de 22 de Setembro de 2005, generalizou o uso do termo amido para todos os produtos amiláceos extraídos de partes comestíveis de cereais, tubérculos, raízes ou rizomas, desta forma o termo fécula é enquadrado como sinônimo de amido.

No Brasil, o amido de mandioca é extraído em mais de 100 unidades industriais automatizadas, em grande maioria com capacidade instalada de 400 toneladas de raízes por dia. 5

3. Amido

Quimicamente o amido é o produto final do processo fotossintético, constituindo-se como a maior reconstituindo-serva energética dos vegetais. Pode constituindo-ser armazenado em constituindo-sementes, raízes e tubérculos. De todos os polissacarídeos, o amido é o único produzido em pequenos agregados individuais, denominados grânulos, os quais são sintetizados e adquirem tamanhos e formas, prescritos pelo sistema biossintético de cada fonte botânica.

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Além dos carboidratos que somam mais de 95%, o amido pode conter teores minoritários de outras substâncias, entre os quais os nitrogenados, lipídeos e minerais, principalmente fósforo. O amido de mandioca apresenta cerca de 0,90% de fração proteíca, 0,78% de matéria graxa e 0,60 de fibras, com acidez potencial de 1,29 (mL de NaOH 100 g-1 de amostra) e acidez livre de 5,9 (pH). Embora em pequeno teor estes

componentes podem influenciar as características e propriedades opriedades técnicas do amido. 10

Os polímeros do amido são formados por unidades de glicose polimerizadas em arranjos lineares (amilose) e ramificados (amilopectina), em proporções variáveis, de acordo com a origem botânica. A maioria dos amidos comerciais, de milho, trigo, batata e mandioca, contêm de 18 a 28% de amilose. 11

A amilose é composta por unidades conectadas por ligações do tipo α-D-(1-4), com peso molecular na ordem de 250.000 Daltons (cerca de 1500 unidades de glicose), Figura 1A. 12 Entretanto, este teor é variável entre diferentes espécies vegetais, entre genótipos dentro de uma mesma espécie, além de ser dependente do grau de maturação fisiológica do vegetal.

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Figura 1. A) Estrutura da amilose (polímero linear composto por D-glicoses unidas em

α-1,4). B) Estrutura da amilopectina (polímero ramificado composto por D-glicoses unidas em α-1,4 e α-1,6). Fonte: Lajolo e Menezes (2006) adaptado.

A amilopectina é uma molécula complexa, com ligações α-D-(1-4) e ramificações no carbono 6, com ligações glicosídicas α-D-(1-6),como ilustrado na Figura 2B. O comprimento das ramificações é variável, mas é comum apresentarem entre vinte e trinta unidades de glicose. O peso molecular da amilopectina varia entre 50 e 500.106Daltons.

12

Em cada extremidade da cadeia destes polímeros ocorre uma unidade terminal de glicose, com uma hidroxila primária e duas secundárias. Nos grupamentos finais, ocorre aldeído redutor na forma de um hemiacetal interno, que é denominado final redutor da molécula. A extremidade oposta ou final não redutor apresenta uma unidade de glicose contendo uma hidroxila primária e três secundárias. 11

As propriedades físicas do amido estão relacionadas com a estrutura micro e macroscópica dos grânulos, caracterizadas pela deposição das moléculas de amilose e amilopectina, em camadas sucessivas ao redor de um ponto central (hilo). O condicionamento da resistência física e a solubilidade das moléculas são oriundos de pontes de hidrogênio estabelecidas entre grupos hidroxilas. As ligações permitem a formação de massas compactas, com certa cristalinidade e regularidade da estrutura espacial dos grânulos. Estas ligações podem ser rompidas quimicamente ou por aquecimento (aumento da solubilidade e diminuição da cristalinidade). 14

Moléculas vizinhas de amilose e ramificações exteriores da amilopectina podem associar pontes de hidrogênio de modo paralelo às áreas cristalinas (micelas). Quando o amido entra em contato com a água fria, as áreas cristalinas mantêm a estruturação dos grânulos, permitindo a entrada de água por difusão e absorção, com consequente inchamento (10% a 20%). Este processo é reversível através da secagem. 12

As macromoléculas lineares e ramificadas permanecem arranjadas na direção radial. Essas moléculas formam pontes de hidrogênio, com associações paralelas e o resultante aparecimento da região cristalina. As camadas que sobrepõe ao redor do hilo (região cristalina e amorfa), são resultantes da deposição de amido de diferentes graus de hidratação da amilose e amilopectina. Devido a isto tem o índice de refração diferente, quanto maior o grau de hidratação dos grânulos mais escura é a camada. 4

A propriedade funcional de gelificação ocorre quando há aquecimento de suspensões de amido em excesso de água (>60%) causando transição irreversível da conformação estrutural dos grânulos. Quando observado através de microscopia, os grânulos dispersos em água aquecida revelam a desorganização, passando por diferentes níveis de cada grânulo (cinética própria de cada grânulo). 15

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Vol. 2, No. 1, Janeiro-Março 2012, Página 20 A região central do granulo é a mais sensível à elevação de temperatura e a primeira a se desorganizar. Quando suspensão de amido é aquecida acerto nível de energia, as ligações relativamente fracas das regiões amorfas entre as micelas cristalinas se dissociam ocorrendo expansão tangencial e hidratação progressiva, formando uma rede de moléculas altamente debilitadas. O amido de mandioca apresenta grande inchamento em temperaturas mais baixas, seguido pela gelificação total (início do processo a 52ºC final a 64ºC), quando comparado com outras fontes botânicas como milho (início do processo a 62ºC e final a 70ºC). 4

Biopolímeros, como os obtidos do amido apresenta-se como matérias-primas potenciais em diversos produtos, principalmente relacionados aos alimentos. Por sua disponibilidade e preço o amido de mandioca apresenta característica desejáveis para o desenvolvimento de embalagens expandidas biodegradáveis ou mistura com polímeros mais caros e pouco disponíveis. 22

4. Plásticos

Os plásticos são polímeros orgânicos, obtidos por polimerização de unidades monoméricas. São compostos formados basicamente pelos elementos químicos: carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio, cloro e flúor.

O processo de polimerização é uma reação de síntese, com controle de calor, pressão e presença de catalisadores, gerando como resultado uma molécula de elevado peso molecular. 16A polimerização consiste em duas reações, a de adição (em massa, em solução, por suspensão) ou por condensação. Os monômeros de origem vegetal, animal e mineral, são usados como matérias-primas para polimerização.

Os materiais poliméricos podem ser termoplásticos ou termofixos. Os materiais termoplásticos apresentam um comportamento reversível sob a ação do calor e quando aquecidos amolecem. Ao contrário, os termofixos ou termorrígidos endurecem irreversivelmente sob a ação do calor, se decompondo se reaquecidos. 16

4.1. Polimerização por Adição

A reação por adição é típica dos materiais poliolefínicos e venéficos. Na polimerização por adição, é necessário que haja uma dupla ligação no composto a ser polimerizado. Essa dupla ligação é quebrada, com aquecimento e utilização de catalisador apropriado. Com a perda da dupla ligação, os átomos de carbono ficam com uma ligação a menos, ou seja, perdem a estabilidade. Para completar a quarta ligação, os átomos de carbono com valência livre, passam a se ligar uns aos outros, em longas cadeias poliméricas.

A quebra da ligação dupla para iniciar a polimerização, pode ocorrer por diversos mecanismos (radicalar, aniônico, catiônico) e em diversos meios (volume, suspensão, emulsão). Os mecanismos, os meios e o tipo de monômero, definem as características do polímero formado.

4.2. Polimerização por Condensação

A reação por condensação é caracterizada pela saída de moléculas de água, entre os dois reagentes. Os dois tipos principais são a obtenção de poliésteres e poliamidas. Os monômeros são bifuncionais e eliminam as moléculas pequenas. Neste processo, as reações químicas intermoleculares ocorrem por etapas, e em geral envolvem mais de um tipo de monômero.

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Vol. 2, No. 1, Janeiro-Março 2012, Página 21 A polimerização está diretamente relacionada à cinética de reação, onde o monômero é consumido, restando menos de 1% do monômero ao fim da reação. A velocidade da reação é máxima no início do processo e decresce com o tempo. Um longo tempo reacional é essencial para se sintetizar, um polímero com elevado peso molecular. A composição percentual do polímero é diferente do mero que lhe dá origem. 17

5. Manufatura de bandejas biodegradáveis a base de amido de mandioca

Um dos materiais mais usados em embalagens descartáveis é o poliestireno expandido (PSE), derivado do petróleo, cuja marca mais conhecida é o Isopor®. O PSE é obtido por termoformação e pela injeção de um gás na massa do polímero fundido. O material se expande na saída da matriz da extrusora quando o gás, menos denso que o ar sai da massa polimérica. Este processo gera a estrutura expandida ou célula da chapa, e proporciona propriedades de barreira térmica e acústica. Entretanto, a fragilidade do PSE limita suas aplicações.

O amido termoplástico, produto que recebe a sigla TPS em inglês, é hoje uma das principais linhas de pesquisa para produção de materiais biodegradáveis. 22 O amido não

é um verdadeiro termoplástico, mas, na presença de um plastificante (água, glicerina, sorbitol, etc.), a altas temperaturas (90 - 180°C), e cisalhamento, como ocorre no extrusor, ele derrete e flui, permitindo seu uso em equipamentos de injeção, extrusão e sopro, como para os plásticos sintéticos. 19 O desenvolvimento de uma tecnologia industrial, considerando o amido de mandioca para o a fabricação de bandejas expandidas é uma vertente possível (Figura 2).

Figura 2. (a) Equipamento de injeção para elaboração de bandejas; (b)

Os moldes foram selecionados no formato de uma bandeja; (c) A parte superior do molde contém um orifício no centro, e a parte inferior é aplicada o amido em água. Fonte: CeTeAgro/UCDB (2012).

O processo para a elaboração de material rígido, a base de amido, dentro de molde fechado e aquecido, é dividido em várias fases. Primeiro a temperatura do molde aquece a mistura de amido e água até a temperatura de gelificação ou ponto de ebulição. Logo após a gelificação a massa se torna uma pasta espessa a ponto que o vapor arrasta a pasta expandida para preencher o molde, ocorrendo o fechamento das aberturas das

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Vol. 2, No. 1, Janeiro-Março 2012, Página 22 extremidades do mesmo. Com isso ocorre a formação e uma ligeira pressão dentro do molde, de aproximadamente 1 bar. 21

Com o aumento da temperatura interna da massa, a saída de vapor é acelerada. Depois de um determinado tempo a espuma de amido seca gradualmente com perda de água pelas aberturas do molde, restando de 2 a 4% de água no produto final. Para que ocorra a formação do material celular é necessário que o amido apresente características reológicas específicas. Primeiro a pasta de amido deve ter uma força elástica suficiente para se expandir com as bolhas de vapor, evitando que ocorra o colapso da espuma. 19

Para obter bandejas de amido termoplástico é necessário que o amido perca sua estrutura granular semicristalina e adquira comportamento similar ao de um plástico derivado de petróleo. A água adicionada à formulação tem a função de desestruturar o grânulo de amido nativo, rompendo as ligações de hidrogênio entre as cadeias de amilose e amilopectina, originando um produto plástico. Para isso é necessária à adição de um plastificante, além da água. 19 Nestas condições o produto obtido é evidenciado na Figura 3.

Figura 3. Embalagem à base de amido de mandioca: (a) Vista externa da

embalagem; (b) Vista interna da embalagem. Fonte: CeTeAgro/UCDB (2012).

A microimagem (Figura 4) mostra um conte transversal de uma embalagem biodegradável à base de amido de mandioca evidenciando a estrutura alveolar formada. Este efeito mimetiza o poliestireno expandido (PSE), entretanto, neste caso difere-se principalmente por apresentar-se uma capacidade de absorção de água, quando exposto em quantidade significante de água, resultando numa rápida deformação do material. 21

Figura 4. Morfologia domaterial obtido da polimerização do

amido de mandioca, com poros de geometria e tamanhos variados, tendendo a formas esféricas, por indicação dos ângulos obtusosformados nos vértices dos poros irregulares. Fonte: Prof. Dr. Etney Neves, Dr. Roberto Binder e Técnico Antônio Tadeu Cristofilini (2012).

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6. Conclusão

O amido é um polímero natural, com baixo custo e renovável que apresenta características apropriadas para a produção de diversos produtos. A produção de embalagens biodegradáveis a partir de amido de mandioca é uma vertente em desenvolvimento.

Embalagens a base de amido de mandioca são muito sensíveis à umidade e apresentam fácil degradação frente a agentes microbianos.

Avanços na extração e qualidade de matérias-primas, e no processo, tendem a colocar o Brasil em uma posição estratégica de controle tecnológico. Este know-how pode garantir destaque comercial, em uma possível substituição dos polímeros sintéticos derivados do petróleo por produtos mais sustentáveis.

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