As ações constitucionais ou remédios constitucionais são
instrumentos à disposição do operador do Direito para garantir a
aplicação da lei. A Constituição trouxe ao todo seis ações
constitucionais: o mandando de segurança, o mandado de injunção, o
Habeas data, a ação popular, o Habeas corpus e a ação civil pública. A
partir de agora, em breves palavras, discorreremos sobre cada ação, no
entanto, cabe frisar, que duas ações constitucionais especificas para
os Direitos e Deveres Individuais e as demais para os Direitos e
Deveres Coletivos. Vejamos.
DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS
.HABEAS CORPUS –– HABEAS DATA –
1 - O HABEAS CORPUS.
Este remédio constitucional(ação constitucional) teve o seu embrião na Constituição do Império – Constituição Brasileira de 1824, Titulo 8º. – Das Disposições Gerais, e Garantias dos Direitos Civis, e Políticos dos Cidadãos Brazileiros, art. 179, inciso IX; “ Ainda com culpa formada, ninguém será conduzido á prisão, ou nella conservado estando já preso, se prestar fiança idônea, nos casos, que a Lei admitte; e em geral nos crimes, que não tiverem maior pena, do que a de seis mezes de prisão, ou desterro (expulso) para fora da comarca, poderá o Réo livrar - se solto.”
Constituição da República dos Estados Unidos de Brasil de 1891, na secção II – Declaração de Direitos, no art. 72, § 22, “ Dar -se- ha o habeas corpus
sempre que o individuo sofrer ou se achar em imminente (próximo - imediato) perigo de sofrer violência , ou coacção (violência física ou moral imposta a alguém para que faça, deixe de fazer ou permita que se faça alguma coisa), por illegalidade, ou abuso de poder.”
Atualmente, recepcionado pela Constituição Brasileira de 1988, no titulo – II – Dos Direitos e Garantias Fundamentais – Capitulo I – Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos, no art. 5º. Inciso LXVIII; conceder – se á “habeas corpus” sempre que alguém sofrer ou achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder.
Habeas Corpus Preventivo.
O Habeas corpus pode ser preventivo, com o objetivo de impedir a perpetração da violência ou coação ilegal, ou suspensiva, utilizada com o propósito de liberar o paciente quando já consumada a coação, regulamentado Código de Processo Penal (art. 647 a 667).
LEGITIMIDADE.
A impetração do Habeas corpus pode ser feita por qualquer pessoa física, em seu favor ou de outrem, e pelo Ministério Público. Pode ainda ser concedido de ofício por qualquer juiz ou tribunal se verificada a ilegalidade. O citado remédio não exige capacidade postulatória, portanto qualquer pessoa, mesmo sem advogado, poderá impetrá-lo. Até mesmo um civilmente incapaz ou um analfabeto pode requerê-lo. A justificativa seria que a liberdade de locomoção é um bem tão valioso que não pode ser cerceamento por mero procedimento formal. A legitimidade passiva pode ser qualquer pessoa, até mesmo um particular, desde que o constrangimento seja decorrente da função por ele exercida. Todavia, a Constituição no art. 142, § 2º assegura que não é cabível Habeas corpus em relação a punições disciplinares militares.
OBJETO.
O Habeas corpus tem como objetivo proteger a liberdade de locomoção ou qualquer cerceamento ilegal praticado com abuso de poder. A ilegalidade seria uma afronta direta à lei. O STF também tem admitido o remédio para trancar ação penal quando houver ausência de justa causa. No entanto, essa medida é considerada como de caráter excepcional, não se aplicando quando houver indícios de autoria e materialidade do fato criminoso.
Jurisprudência – PESQUISAR.
Tribunal de Justiça do Estado do Paraná - Habeas Corpus nº. 0411320-2
Tribunal de Justiça do Estado do Paraná - Habeas Corpus nº. 1655724-3
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Prezados Doutores, bom dia. Fui procurado pois um certo senhor está sendo procurado, e certidões criminais indicam apenas um processo de 1995 ja encarrado. Tudo indica que trata-se de homônimo. Como os senhores acham que devo proceder? Se for homônimo como devo obter um reconhecimento deste fato de modo a obter uma sentença que resguarde meu cliente? Agradeço desde já.
______________________________________________________________________________ HABEAS CORPUS PREVENTIVO - ALEGADA EXISTÊNCIA DE HOMÔNIMO.
MANDADO DE PRISÃO EXPEDIDO EM DESFAVOR DO SEU HOMÔNIMO.
Vejamos a Jurisprudência sobre o tema;
“Paciente que se encontra na iminência de sofrer - constrangimento ilegal - homonímia comprovada. manutenção de salvo conduto anteriormente concedido. ordem deferida.” Estando comprovada a homonímia entre o paciente e o réu, e estando aquele na iminência de sofrer constrangimento ilegal, tendo em vista o mandado de prisão expedido em desfavor de seu homônimo, é de rigor a concessão da presente ordem de habeas
corpus confirmando-se o salvo-conduto concedido liminarmente.
(HC 4086175 PR 0408617-5.Rel.Jesus Sarrão. OJ:1ª Câmara Criminal. DJ: 7391
1 - Modelo de Habeas Corpus Preventivo.
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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA __ª VARA
CRIMINAL DA COMARCA DE CURITIBA-PR.
TÍCIO JUNIOR, brasileiro, casado, empresário, portador do RG. nº. 000000000-PR, e inscrito no CPF sob o nº. 111.111.333 - 22, residente e domiciliado na Rua Carmelitas, 1251, casa – 3 – Hauer – Curitiba – CEP. 00001-100, e-mail,
[email protected] - tel. 41 – 9 9898-9898, . vem com o habitual respeito diante de
Vossa Excelência, impetrar ordem de HABEAS CORPUS, com fundamento no artigo 5º, inciso LXVIII da Constituição Federal, e os artigos 654, § 1º, alínea "b" e 660 § 4º, do Código de Processo Penal, figurando como autoridade coatora o Delegado Titular do 7º. Distrito Policial desta Cidade, pelos fatos e fundamentos jurídicos adiante expostos
I - DOS FATOS.
O paciente foi acusado de ter praticado crime de homicídio, tipificado no artigo 121 do Código Penal, ocorre que na data de 12/07/2019, ocasião dos fatos, o paciente estava fora do país em viagem de negócios, conforme faz prova os documentos em anexo (Passaporte.).
A imprensa local desfavorece o paciente imputando-lhe o fato criminoso, em contradição o que diz o artigo 5º, inciso LVII da Constituição Federal. A autoridade policial titular do 7º Distrito Policial de Curitiba do Estado do Paraná, inclina-se a idéia da prisão temporária do paciente.
Desse modo, fica caracterizada a grave ameaça do paciente vir sofrer limitação em seu direito de liberdade.
II - DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS.
A Constituição Federal, ampara o pleito do paciente em seus artigos 5º, inciso LXVIII, quando diz que:
"Art.5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança, e a propriedade, nos termos seguintes:
LVII - Ninguem será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;
LXVIII - conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder;" Nesta esteira, o Código de Processo Penal nos seus dispositivos, fala que:
"Art. 654. O habeas corpus poderá ser impetrado por qualquer pessoa, em seu favor ou de outrem, bem como pelo Ministério Público. § 1º - A petição de habeas corpus conterá: b) a declaração da espécie de constrangimento ou, em caso de simples ameaça de coação, as razões em que funda o seu temor;" "Art.660. Efetuadas as diligências, e interrogado o
paciente, o juiz decidirá, fundamentadamente, dentro de 24 (vinte e quatro) horas. § 4º - Se a ordem de habeas corpus for concedida para evitar ameaça de violência ou coação ilegal, dar-se-á ao paciente salvo-conduto assinado pelo juiz."
Informo a Vossa Excelência, que o paciente é casado, tem filhos, trabalho fixo e residência fixa, fazendo prova pelos documentos anexados (docs.). Assim fica demonstrado que o paciente idôneo, possuindo excelente conduta social, nunca tendo sido processado anteriormente.
3 - DOS PEDIDOS.
Por todo o exposto, tendo provado a procedência de seu justo receio, requer à Vossa Excelência, A EXPEDIÇÃO DE SALVO CONDUTO, preservando o direito fundamental da liberdade física do paciente, nos termos do artigo 660, §4°, do Código de Processo Penal, sendo feitas as comunicações necessárias à ilustre autoridade coatora e a autoridade judiciária de plantão, TUDO POR SER DE JUSTIÇA.
Nestes termos Pede deferimento Curitiba, ---, 2019.
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PACIENTE - TÍCIO JUNIOR.________________________________________________________________________
O Habeas data é uma ação constitucional de natureza civil, gratuita, que pretende viabilizar o acesso, a retificação ou anotação de informação da pessoa do impetrante constante em bancos de dados públicos ou privados de caráter público. O banco de dados de interesse público pode ser transferido a terceiros e não restrito ao órgão que o detém. O Habeas data tem caráter personalíssimo, porém comporta exceção no direito sucessório. O art. 5º, inciso LXXII da Constituição, regulado pela Lei 9.507/97, regulamenta o Habeas data. Assim dispõe o citado inciso: conceder-se-á Habeas data para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público, para a retificação de dados quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo.
2.1. Legitimidade do Habeas Data.
As pessoas físicas, as pessoas jurídicas, os órgão públicos despersonalizados (mesa da Câmara, mesa do Senado) são legitimados ativos para interpor Habeas data. As pessoas jurídicas de direito público ou de direito privado com caráter público, órgão público despersonalizados são os legitimados passivos.
2.2. Procedimento e competência do Habeas Data.
A súmula dois (2) do Superior Tribunal de Justiça assegura que não cabe Habeas data se não houver recusa de informações por parte da autoridade administrativa. O procedimento do Habeas data é dividido em duas fases: administrativa e judicial. O certo é que na fase judicial exige-se necessariamente que a informação personalíssima tenha sido negada.
_______________________________________________________________________ Habeas Data Art. 5.º, LXXII Conhecimento de informações, retificação e anotação de dados.
Exercício:
O habeas data não pode ser impetrado em favor de terceiro porque; I) visa tutelar direito à informação relativa à pessoa do impetrante. II) A respeito do enunciado acima é correto afirmar que:
a) ambas as afirmativas são falsas.
b) a primeira afirmativa é falsa, e a segunda é verdadeira. c) a primeira afirmativa é verdadeira, e a segunda é falsa.
d) ambas as afirmativas são verdadeiras, e a primeira justifica a segunda.
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DIREITOS E DEVERES COLETIVOS.
Mandado de Se
Mandado de Se
Mandado de Se
Mandado de Seg
g
g
gurança
urança
urança
urança –––– Mandado
Mandado
Mandado
Mandado de
de
de
de Injunção
Injunção
Injunção
Injunção
Aç
Ação
Aç
Aç
ão
ão
ão Civil P
Civil P
Civil P
Civil Pública
ública –––– Aç
ública
ública
Aç
Aç
Ação
ão
ão Popular.
ão
Popular.
Popular.
Popular.
3 MANDADO DE SEGURANÇA.
O O mandado de segurança pode ser individual ou coletivo. O mandado de segurança individual é aquele impetrado por pessoas físicas ou jurídicas, na defesa de seus respectivos direitos individuais, isoladamente ou em litisconsórcio ativo. A Lei 12.016/2009 assim dispõe: Art. 1o Conceder-se-á mandado de segurança para
proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, sempre que, ilegalmente ou com abuso de poder, qualquer pessoa física ou jurídica sofrer violação ou houver justo receio de sofrê-la por parte de autoridade, seja de que categoria for e sejam quais forem as funções que exerça.
DIREITO LÍQUIDO E CERTO.
O mandado de segurança tem por objeto a proteção de direitos líquidos e certos, individuais ou coletivos, não amparados por habeas corpus e habeas data. O direito líquido e certo é aquele direito provado de plano, via prova documental. Por isso não se admite dilação probatória. A expressão direito líquido e certo está consagrado pela Constituição, pelas leis, pela doutrina e pela jurisprudência nacionais.
O mandado de segurança exige a prova pré-constituída. Caso a impetração do mandamus ocorra sem a existência da prova pré-constituída, a petição inicial será desde logo indeferida.
AUTORIDADE COATORA
A autoridade coatora é aquela que tenha praticado o ato impugnado ou da qualemane a ordem para a sua prática. Equiparam-se à autoridade os representantes ou órgãos de partidos políticos e os administradores de entidades autárquicas, bem como os dirigentes de pessoas naturais no exercício de atribuições do poder público.
PRAZO PARA IMPETRAÇÃO
O direito de requerer mandado de segurança repressivo extingue se decorridos 120 dias contados da ciência, pelo interessado, do ato impugnado, conforme art. 23 da citada lei. A contagem do prazo não se sujeita à suspensão ou à interrupção. Assim, conclui-se que trata de prazo decadencial, ou seja, o transcurso do prazo não extingue o direito material que poderá ser defendido por ação ordinária.
I – Ato comissivo ou omissivo de autoridade praticado pelo Poder Público ou Privado (particular) decorrente de delegação do Poder Público;
II – Ilegalidade ou abuso de poder; III - Lesão ou ameaça de lesão;
IV - Caráter subsidiário; proteção ao direito liquido e certo não amparado por habeas data ou habeas corpus.
JURISPRUDÊNCIAS.
O entendimento majoritário do Poder Judiciário é de que não cabe Mandado de Segurança individual ou coletivo em ações que existam recurso próprios e adequados, neste entendimento, ficou pacificado que não pode ser utilizado como sucedâneo recursal. O STJ é assente no sentido de que o Mandado de Segurança contra ato judicial é medida excepcional. Admissível somente nas hipóteses em que se verifica de plano decisão judicial ilegal ou abusiva, contra a qual não caiba recurso com efeito suspensivo.
• O Governador do Estado é parte ilegítima para figurar como
autoridade coatora em mandado de segurança no qual se impugna a
elaboração, aplicação, anulação ou correção de testes ou questões de
concurso público, cabendo à banca examinadora, executora direta da
ilegalidade atacada, figurar no polo passivo da demanda.
4 - Mandado de Injunção.
O mandado de injunção visa assegurar o exercício de um direito quando ainda carente de regulamentação. A Constituição em muitos artigos dispôs sobre o direito, mas assegurou que caberia a lei regulamentar. Ocorre que, por razões diversas, nem sempre o legislador conseguiu regulamentar aqueles dispositivos. Dessa feita preceitua o art. 5º, LXXI - conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e
liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania. O mando de injunção visa assegurar o direito em caso de falta de norma regulamentadora.
LEGITIMIDADE DO MANDADO DE INJUNÇÃO.
A legitimidade ativa pode ser pessoa física, pessoa jurídica, associação, entidade de classe ou o Ministério Público. Esse último, conforme Lei Complementar 75/93. A legitimidade passiva é o órgão ou entidade pública encarregada da produção normativa ou o Presidente da República. O Governador de Estado ou a Assembléia Legislativa também podem figurar no pólo passivo, desde que o mandado de injunção refira-se a matéria de competência dos estados e tenha previsão na Constituição do respectivo estado.
PROCEDIMENTO E COMPETÊNCIA DO MANDADO DE INJUNÇÃO.
O art. 24, parágrafo único da Lei 8.038/90 assegura que se aplica ao mandado de injunção o procedimento do mandado de segurança enquanto não editado legislação específica. Assim, além do art. 5º, LXXI, da Constituição, aplica-se a Lei 12.016/09.
Um erro muito comum dos alunos ao preparar para a prova prática da segunda fase da Ordem em Direito Constitucional ou Administrativo é pedir liminar em mandado de injunção. Então que fique claro: o mandado de injunção não cabe liminar.
Exercícios de Fixação:
01) Ação cujo objetivo é sanar a omissão inconstitucional é: a) A ação declaratória de constitucionalidade;
b) A ação direta de inconstitucionalidade em face de ato normativo; c) A representação de inconstitucionalidade;
5 – AÇÃO CIVIL PÚBLICA.
A Lei n.º. 7.347 de 24 de julho de 1985, lei da Ação Civil Pública, vem cuidar da responsabilidade por danos causados ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico. Inicialmente vale esclarecer que, a Ação Civil Pública é necessária apenas a casos de alteração adversa das características do meio ambiente ou degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que direta e indiretamente prejudiquem a saúde, a segurança e o bem estar da população entre outras causas das por pessoas físicas ou jurídicas. Neste sentido, vale recorrer aos ensinamentos do professor Marcus Vinicius Valle Junior1;
“É cabível a Ação Civil Pública, por exemplo, para impedir uma obra ou uma atividade que ainda não se iniciou, mas que ira causar desmatamento em área de preservação permanente”. [...] “Evidentemente, a Ação Civil Pública é cabível em casos que haja relevância, não se destinando a situações insignificantes ou desprezíveis”. Assim, podemos analisar que este relevante instrumento judicial vem através de ação cautelar ou principal atender princípios de significativa valia para o meio ambiente; o da prevenção e o da precaução.
LEGITIMIDADE.
A legislação pertinente a o instrumento jurídico da Ação Civil Pública dispõe como titulares para interpor, ou ajuizar ação cautelar ou peça principal, pois, nesse caso específico, não pode ser qualquer cidadão ou advogado, existe uma legitimação para representar a coletividade, com interesses transindividual, ou seja o interesse de todos, vejamos quem está legitimado2;
Ministério Público; Defensoria Pública;
União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios;
Autarquia, empresa pública, fundação ou sociedade de economia mista;
Associação que, concomitantemente:
Esteja constituída há pelo menos 1 (um) ano nos termos da lei civil; Inclua, entre suas finalidades institucionais, a proteção ao meio ambiente, ao consumidor, à ordem econômica, à livre concorrência ou ao patrimônio artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico. Caso o Ministério Público, se não intervier no processo como parte, atuará obrigatoriamente como fiscal da lei e fica facultado ao Poder Público e a outras associações legitimadas nos termos deste artigo habilitar-se como litisconsortes de qualquer das partes.
OBJETO DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA.
A ação civil poderá ter por objeto a condenação em dinheiro ou o cumprimento de obrigação de fazer ou não fazer. Mais uma brilhante aula do professor Marcus Vinicius Valle Júnior3:
“Obrigação de Fazer; pleiteia-se que o(s) réu(s) da Ação Cívil Pública seja (m) obrigado (s) a uma atitude positiva, à tomada de uma determinada providência, a fazer alguma coisa determinada, como, por exemplo: Instalar um equipamento antipoluente, reflorestar uma área, repovoar com peixes um lago, recuperar uma área degradada”.“ Obrigação de Não Fazer; pretende-se que o (s) réu (s) seja (m) obrigado (s) a atitude negativa, abstendo de determinado ato, deixando de agir de determinada forma, obrigando-se a não fazer algo que cause o dano ambiental. Exemplos: Deixar de depositar lixo naquele local, não utilizar determinado produto, não queimar a cana-de-açúcar”. “Ressarcimento em Dinheiro; pede-se a condenação do réu a pagar pelo dano ambiental, valor em dinheiro esse que será destinado ao Fundo de defesa dos interesses coletivos. Exemplo: A morte de animais da Fauna silvestre, casos em que se torna impossível de reposição”.
AÇÃO CIVIL PÚBLICA - DANO AMBIENTAL SERRA DO MAR - 2002 - PARANÁ.
Para melhor fixar os efeitos da ação civil pública, pode-se valer do resultado do caso concreto de duas ações propostas: pelo Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público Estadual (MPE) e Instituto Ambiental do Paraná (IAP), nos autos 2002.70080002601 e 00000419120104047008, em face da Petrobras. Vejamos a homologação do acordo realizado na Justiça Federal de Paranaguá em 26 de abril de 2012.
“A Justiça Federal – Subseção Judiciária de Paranaguá, homologou ontem (26/04/2012) o acordo celebrado entre a Petrobras, Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual e Instituto Ambiental do Paraná duas ações que tramitavam há mais de 10 (dez) anos e tratam dos danos ambientais causados pelo vazamento de óleo diesel na altura do km 57 no poliduto OLAPA, que interliga a Refinaria Presidente Getúlio Vargas ao Terminal de Paranaguá, localizado na Serra do Mar, Município de Morretes (PR), em 16 de março de 2001.
Com o acordo celebrado, A Petrobras se compromete a realizar a recuperação ambiental integral da área atingida, sob a coordenação e supervisão do IAP/PR, cujos custos foram estimados em R$ 12 milhões, assumindo expressamente a responsabilidade pelo custeio desses valores e dos que excederem esse lite, caso necessário.
Ainda, a título de indenização ambiental, a Petrobras depositará R$ 90 milhões em conta judicial, valor que será utilizado em projetos ambientais e sócio-ambientais (excepcionalmente sociais) no litoral do Estado do Paraná. Desse montante, há previsão de destinação de R$ 25 milhões ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio, para a criação de unidade de conservação costeira para preservação das áreas de mangue; R$ 5 milhões à Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas – SENAD, para a adoção de medidas de enfrentamento do uso de drogas, especialmente o crack, nos
municípios atingidos pela Subseção Judiciária de Paranaguá. E a quantia de R$ 30 milhões ao estado do Paraná, para medidas de enfrentamento dos danos decorrentes dos eventos meteorológicos ocorridos em meados de março de 2011, que atingiram os municípios do litoral paranaense.
Os outros R$ 30 milhões, bem como eventuais valores remanescentes das outras destinações, serão utilizados em projetos ambientais e sócio-ambientais que deverão ser apresentados pelas unidades interessadas nos autos (processos judiciais), para analise e aprovação.
A Caixa Econômica Federal ficará responsável pela gestão financeira e contábil dos recursos, bem como pela gestão técnica e operacional dos contratos referentes aos projetos executados. O termo celebrado vedou a destinação de verbas a entidades paraestatais e ressalvou expressamente que o acordo não prejudica as ações individuais em razão do mesmo evento, nem a ação que trata da sanção administrativa decorrente do acidente. Para a fiscalização do cumprimento do acordo e da execução dos projetos serão autuados 4 (quatro) novos processos eletrônicos, facilitando assim o acompanhamento da destinação dos valores por todos os envolvidos.
Vale frisar que, neste último exemplo, é cabível também, ação administrativa e criminal. Entretanto não pode deixar de mencionar nesse momento os danos reflexos, aqueles que afetam diretamente ou indiretamente a terceiros, estes deveram pleitear os seus direitos em ação própria, não podendo participar da ação principal, não sendo necessárias provas, valendo-se apenas dos fatos da ação principal de responsabilidade objetiva.
JUÍZO COMPETENTE - VALE OBSERVAR O QUE PRECONIZA NO ARTIGO 2ª DA LEI;
As ações previstas nesta Lei serão propostas no foro do local onde ocorrer o dano, cujo juízo terá competência funcional para processar e julgar a causa. A propositura da ação prevenirá a jurisdição do juízo para todas as ações posteriormente intentadas que possuam a mesma causa de pedir ou o mesmo objeto, entretanto, se o dano ocorrer em pluralidade de locais, será julgado pelo
juízo que receber primeiro a ação civil pública (regra da prevenção – juízo prevento).
“No caso concreto que acabamos de estudar, ocorrido em 2001, o fato ocorreu em uma das Jurisdições da Justiça Federal, e o Juízo competente foi a Subseção da Justiça Federal de Paranaguá, pois os municípios afetados fazem parte daquela jurisdição. Quando se fala em Juízo competente, deve-se atentar para o dano ambiental e o local afetado, definirá a competência e a jurisdição.
6 – AÇÃO POPULAR.
A ação popular é uma ação constitucional, gratuita, salvo má-fé, de natureza cível que visa anular ato ou contrato lesivo ao patrimônio público ou ainda a moralidade administrativa, ao meio ambiente ou ao patrimônio histórico cultural. O patrimônio público pode ser material ou imaterial, ou seja, tanto uma lesão ao erário ou não. A ação popular pode ser preventiva ou repressiva. A lei 4.717/65 e o art. 5.º, inciso LXXIII, da Constituição regulamentam a citada ação. Assim diz o inciso LXXIII: qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência.
LEGITIMIDADE DA AÇÃO POPULAR.
O legitimado ativo da ação popular é o cidadão, portanto, aquele que é dotado de Direitos Políticos. A legitimidade independe de circunscrição eleitoral, assim o eleitor de Belo Horizonte pode propor uma ação popular em Contagem. O menor entre 16 e 18 anos, desde que tenha título eleitoral, pode ajuizar ação popular. O português equiparado é o único estrangeiro legitimado para propor a ação. A pessoa jurídica, o Ministério Público e quem têm os direitos políticos suspensos não podem interpor a ação popular. A legitimidade passiva fica por conta das pessoas jurídicas de direito público, as autoridades administrativas e os
beneficiários diretos. Os beneficiários indiretos (de boa-fé) não podem estar no polo passivo.
COMPETÊNCIA DA AÇÃO POPULAR.
A ação popular não possui foro por exercício de função. A competência é da primeira instância.
EFEITOS DA AÇÃO POPULAR.
Os efeitos mais conhecidos da decisão da ação popular são: • Invalidar o ato lesivo ao patrimônio público;
• Condenação das autoridades administrativas, funcionários ou beneficiários diretos (mitigação do princípio da congruência ou da adstrição do juiz ao pedido);
• Condenação das autoridades administrativas, funcionários ou beneficiários à custas de honorários.
_______________________________________________________________________ Exercício:
“Qualquer cidadão, no pleno gozo de sues direitos políticos, pode invalidar atos ou contratos administrativos ilegais ou lesivos ao patrimônio da União, Distrito Federal e Municípios”.
Essa afirmação refere-se a a) Mandado de Segurança b) Habeas Data
c) Ação popular