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Crimes contra crianças no Brasil

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TATIANE ANDERS

CRIMES CONTRA CRIANÇAS NO BRASIL

Santa Rosa (RS) 2013

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CRIMES CONTRA CRIANÇAS NO BRASIL

Monografia Final do Curso de Graduação em Direito, objetivando a aprovação no componente curricular Metodologia da Pesquisa Jurídica.

UNIJUI – Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul.

DEJ – Departamento de Estudos Jurídicos.

Orientador: MSc. Sérgio Luiz Fernandes Pires

SANTA ROSA (RS) 2013

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Dedico este trabalho à minha família, pelo incentivo, apoio e confiança em mim

depositados durante toda a minha

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AGRADECIMENTOS

À minha família, que sempre esteve presente e me incentivou com apoio e confiança, principalmente a minha filha que me faz continuar sempre em busca do meu melhor.

Ao meu orientador Sérgio Luiz Fernandes Pires, que me orientou durante todo este processo de aprendizagem.

Aos meus amigos e colegas, que me deram apoio fazendo com que eu continuasse frente às adversidades, agindo sempre com boa vontade e generosidade.

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“Sem sonhos, a vida não tem brilho. Sem metas, os sonhos não têm alicerces. Sem prioridades, os sonhos não se tornam reais. Sonhe, trace metas,

estabeleça prioridades e corra riscos para executar seus sonhos. Melhor

é errar por tentar do que errar por omitir!” (Augusto Cury)

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RESUMO

A violência no Brasil é um caso que cada dia toma maiores proporções, e no caso da violência contra a criança, diariamente são feitas inúmeras denúncias. Existem quatro principais tipos de agressão e violência contra a criança que são a negligência ou abandono que é feita por parte dos genitores ou dos responsáveis pelos cuidados da mesma; a violência física que também tem nos genitores os principais agressores, a violência psicológica e a violência sexual, que segundo dados da OMS acontecem em sua grande maioria por parentes ou pessoas próximas à família ou à criança. De suma importância também, o desenvolvimento das leis tanto de proteção às crianças quanto de punição aos agressores, para que se possam ter índices menores dessa agressividade contra crianças que não sabem se defender e dependem das famílias para sobreviver.

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ABSTRACT

Violence in Brazil is a case that takes each day more fully, and in the case of violence against children, are daily made numerous complaints. There are four main types of aggression and violence against children that are neglect or abandonment that is made by the parents or carers of the same; physical violence who also have parents in the main aggressors, psychological violence and sexual violence , which according to the WHO happen mostly by relatives or people close to the family or the child. Also of paramount importance, the development of laws to protect children so much punishment to the perpetrators, that they may have lower rates of such aggression against children who can not defend themselves and families depend on to survive.

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO...08

1 PRINCIPAIS CRIMES TIPIFICADOS NO ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE...09

1.1Históricos de criação e alterações do Estatuto da Criança e do Adolescente...09

1.2 Principais crimes contra a criança e seus enquadramentos ...12

2 TIPOS DE VIOLÊNCIAS PRATICADA CONTRA CRIANÇAS...21

2.1 Violência física...21 2.2 Violência sexual...23 2.3 Violência psicológica...25 2.4 Negligência ou abandono...27 3 ABUSO SEXUAL...29 3.1 Definição...29

3.2 Principais Modalidades de Abuso Sexual...30

3.2.1 Pedofilia...32 3.2.2 Estupro de Vulnerável...32 3.2.3 Exploração Sexual...33 3.3 Perfil do Agressor...34 CONCLUSÃO...37 REFERÊNCIAS...38

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INTRODUÇÃO

A violência contra a criança é considerada um grave problema no Brasil. A escolha desse tema se deu para melhor aprofundamento no assunto, pois este problema é visto em meu ambiente de trabalho. Estudando mais profundamente, poderei prestar um melhor atendimento às crianças vítimas e dar melhor suporte para explicar-lhes quais são seus direitos e de que modo a lei os ampara.

Quando se fala de violência contra criança nos traz uma grande indignação, pois trata de uma população que tem seus direitos básicos violados e não conseguem reagir, se defender frente a seus agressores.

As crianças e adolescentes são explorados sexualmente, são usados como mão de obra complementar para o sustento de suas famílias ou para proporcionar lucro a terceiros, muitas vezes em regime de escravidão, são abandonados a própria sorte, tendo muitas vezes que usar a rua como meio de sobrevivência se tornando assim alvo fácil de ações violentas que comprometem sua saúde tanto física, como mental e acabam sendo vítimas de maus tratos e todos tipos de violência.

Abordarei neste trabalho, o desenvolvimento nas leis de proteção à criança até a criação do Estatuto da Criança e do Adolescente, os diversos tipos de violência sofridos pelas crianças: violência física, psicológica, sexual e a negligência ou abandono. Ainda um maior aprofundamento na questão do abuso sexual, suas modalidades e perfil do agressor.

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1 PRINCIPAIS CRIMES TIPIFICADOS NO ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE

A violência contra criança e adolescente é considerada um grave problema, não só no Brasil, mas no mundo inteiro, um problema de âmbito mundial, que aumenta a cada dia, fazendo mais e mais vítimas. Esse assunto causa uma grande revolta, por se tratar de seres que são indefesos, que na maioria das vezes, nem sabem o que está acontecendo, deixando-os com traumas por toda a vida, tendo nesses atos, todos seus direitos violados.

Nesse sentido, pode-se perceber que parte das crianças que sofrem abusos ou qualquer outro tipo de violência acaba fugindo de casa, por medo que essa violência volte a acontecer e, se refugiam nas ruas, tornando-se assim, alvo fácil de mais ações violentas.

1.1Históricos de criação e alterações do Estatuto da Criança e do Adolescente

Falar sobre a evolução dos direitos da criança e do adolescente é uma tarefa difícil, pois ocorre de maneira lenta e gradativa ao longo do tempo. A origem do poder familiar ocorreu em Roma com o chefe de família, Pater Familias, o patriarca, ele exercia sobre o filho um verdadeiro direito de propriedade, assim sendo, em Roma as crianças eram tratadas apenas como coisas. Conforme GUERRA (2001), os anos seguintes, quais sejam, a Idade Média não alterou esta realidade, posto que naquela época apenas os adultos inseriam-se no contexto social.

Na época da Revolução Industrial no século XVIII, as crianças tinham que trabalhar, havia a necessidade de mão de obra e tudo isso era para garantir o sustento da família, mas foi só na década de 1960 que surgiram inúmeros movimentos sociais em defesa dos direitos da criança e do adolescente, após a Segunda Guerra Mundial, o adolescente passou a ocupar uma posição determinada no cenário da violência quando a necessidade da

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mão de obra feminina nas fábricas deixou as crianças em situação de abandono, e mais tarde se tornariam adolescentes violentos e revoltados formando gangues.

Juridicamente, esse processo resultou na necessidade de ser repensada a forma de compreender a adolescência, pois as manifestações desta fase passaram a ocupar um espaço definido no cotidiano, nas instituições, na mídia e na sociedade.

FOUCAULT apud FERREIRA (2006) relembra que apenas no século XX surgiram instrumentos ideológicos e legais, o que asseguraram proteção especial para crianças e adolescentes, tais como a Convenção de Genebra de 1924, mas foi com a Declaração Universal dos Direitos Humanos das Nações Unidas que se solidificou a assistência especial aos mesmos. Seguindo a mesma linha temos, o Pacto de São José da Costa Rica que previu direito a proteção como sendo um dever da família, da sociedade e do Estado, provocando uma mudança histórica, em relação às questões ligadas a criança.

Com a promulgação da Constituição Federal de 1988 que se introduziu no ordenamento jurídico nacional o denominado Sistema de Garantias do Direito da Criança e o Adolescente, o qual tem como finalidade primordial assegurar proteção integral ao menor.

Em 13 de julho de 1990, foi promulgada a Lei nº 8.069 que, nada mais é do que o Estatuto da Criança e do Adolescente adotando a chamada Doutrina da Proteção Integral, cujo pressuposto básico afirma que crianças e adolescentes devem ser vistos como pessoas em desenvolvimento, sujeitos de direitos e destinatários de proteção integral, o que se fez para seguir uma tendência mundial sobre o direito da criança e do adolescente recomendado pela Organização das Nações Unidas (ONU), que reconhece a criança e o adolescente como sujeito de direitos humanos, destinatários da doutrina da proteção integral e tem como prioridade absoluta as políticas públicas.

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O Estatuto é uma lei que deve ser usada para proteger as crianças e adolescentes e ainda garantir a efetividade de seus direitos, o que não ocorria antes de sua criação e muito menos antes da Constituição Federal de 1988.

O Estatuto da Criança e do Adolescente, em seus 267 artigos, garante os direitos e deveres de cidadania a crianças e adolescentes e determina a responsabilidade dessa garantia a todos os setores que compõem a sociedade, sejam família, Estado ou a comunidade. Ao longo de seus capítulos e artigos, o Estatuto discorre sobre as políticas referentes à saúde, educação, adoção, tutela e questões relacionadas a crianças e adolescentes autores de atos infracionais. São asseguradas todas as oportunidades voltadas para o bem estar e o desenvolvimento mental, espiritual, moral e social em condições plenas e com dignidade.

1.2 Principais crimes contra a criança e seu enquadramento

Os crimes contra a criança e adolescente são inúmeros e DESLANDES apud LEITE (1994) definem o abuso ou maus-tratos como:

Define-se o abuso ou maus-tratos pela existência de um sujeito em condições superiores (idade, força, posição social ou econômica, inteligência, autoridade) que comete um dano físico, psicológico ou sexual, contrariamente à vontade da vitima ou por consentimento obtido a partir de indução ou sedução enganosa.

Existem quatro tipos de violência praticados contra criança e são elas: física, sexual, psicológica e negligência ou abandono.

A violência física é qualquer ação, única ou repetida, não acidental cometida por um agressor adulto (ou mais velho que a criança ou o adolescente), que lhes provoque dano físico; violência sexual é toda a ação que envolve ou não o contato físico, não apresentando necessariamente sinal corporal visível. Pode ocorrer a estimulação sexual sob a forma de práticas eróticas e sexuais (violência física, ameaças, indução, voyerismo, exibicionismo, produção de fotos e exploração sexual); violência psicológica é toda forma de rejeição, depreciação, discriminação, desrespeito, cobrança ou punição exagerada e utilização da criança ou do adolescente para

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atender às necessidades psíquicas dos adultos e negligência ou abandono é a omissão dos pais ou responsáveis quando deixam de prover as necessidades básicas para o desenvolvimento físico, emocional e social da criança e do adolescente. LEITE, (2008)

Com a última reforma legislativa, surgiu a Lei 12.015/09 que trouxe importantes alterações ao ordenamento penal. Entre essas alterações tem-se a alteração da denominação do Título VI do CP brasileiro, onde abandonou-se a designação “Dos crimes contra os costumes” e adotou-se o título “Dos crimes contra a dignidade sexual”, traduzindo a preocupação do legislador com a dignidade sexual, como projeção da própria dignidade da pessoa humana.

Com a adoção da Teoria da Proteção Integral, reconhecendo as crianças e adolescentes à condição de sujeitos de direito, estes vieram a deter prerrogativas constitucionalmente garantidas, das quais pode-se citar:

O Direito à dignidade onde a Constituição Federal em seu artigo 1º, alude entre os fundamentos do Estado Democrático de Direito, ao lado da soberania, e da cidadania, o direito à dignidade da pessoa humana. A criança e o adolescente são pessoas humanas, então se torna redundante o artigo 227 da Constituição Federal, quando coloca a dignidade, como dever da família, da sociedade e do Estado.

O Direito ao respeito, trazendo o princípio da dignidade da pessoa humana inclui, em si, o respeito.

No Direito à liberdade é àquele mencionado no artigo 5º, caput, que agora se estende à criança e ao adolescente.

GRECO (2009, p.4) explica, de forma sucinta, as principais diferenças entre a antiga e a nova redação trazida pela Lei 12.015/09:

Através dessa nova redação, foram unidas as figuras do estupro e do atentado violento ao pudor em um único tipo penal, que recebeu o nome de estupro (art. 213). Além disso,

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foi criado o delito de estupro de vulneráveis (art. 217-A), encerrando-se a discussão que havia em nossos Tribunais, principalmente os Superiores, no que dizia respeito à natureza da presunção de violência, quando o delito era praticado contra vítima menor de 14 (catorze) anos. Além disso, outros artigos tiveram alteradas suas redações, abrangendo hipóteses não previstas anteriormente pelo de aumento Código Penal; foi ampliado um capítulo (VII), prevendo causas de pena.

O Art. 217-A. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 (catorze) anos tem como pena reclusão, de 8 (oito) a 15 (quinze) anos, e continuando o texto esclarece que incorre na mesma pena quem pratica as ações descritas no caput com alguém que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência, tornando-se assim vulnerável.

No § 3o Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave, a pena é de reclusão, de 10 (dez) a 20 (vinte) anos e no § 4o Se da conduta resultar morte, a pena passa a reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos.

Segundo GRECO (2009, p.64) “o tipo não exige que a conduta seja cometida mediante o emprego de violência ou grave ameaça, basta que o agente tenha conjunção carnal ou que pratique com a criança ou adolescente qualquer outro ato libidinoso”.

A lei não considera o consentimento da vítima, pois não admite que alguém menor de quatorze anos tenha discernimento para consentir ou não com a conjunção carnal, portanto, o sujeito que pratica tal conduta deve responder pelo crime.

Cabe salientar que o art. 234-A do diploma penal, nos termos da redação dado pela nova lei, determina duas hipóteses como causa de aumento da pena: a primeira prevê a o aumento em caso do crime resultar em gravidez e a segunda, no caso de ser transmitida à vítima doença sexualmente transmissível.

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Demonstra-se, dessa forma que a preocupação do legislador procura reprimir, punindo com maior severidade, a ação de pedófilos que engravidam ou transmitem doenças às suas vítimas.

Foi modificado o art. 218 do Código Penal e a nova redação mudou significativamente seus elementos, uma vez que o tipo penal prevê o delito quando o agente induz alguém, menor de catorze anos a satisfazer a lascívia de outrem.

Para satisfazer a lascívia, GRECO (2009, p.86) entende que é aquele comportamento que não imponha a vítima, menor de catorze anos, à prática de conjunção carnal ou de outro ato libidinoso. A lascívia, segundo o autor, “é sinônimo de sensualidade, luxúria, concupiscência e libidinagem”.

Sem dúvida alguma a Lei 12.015 de 7 de agosto de 2009 trouxe, mudanças significativas para a proteção das crianças e adolescentes, busca não deixar impunes aqueles pedófilos que vêm praticando atos de violência de todos os gêneros contra indivíduos vulneráveis e em fase de desenvolvimento.

A Lei nº 8.069 de 13 de junho de 1990, o Estatuto da Criança e do Adolescente tem como princípios buscar proteger e resguardar as crianças e adolescentes das mais diversas formas possíveis de violência perpetradas contra elas em amplos aspectos. O art. 5º do ECA dá continuidade à doutrina da proteção integral, estabelecendo os direitos específicos inerentes á universalidade dos seres humanos.

No Art. 5º, o ECA reforça que: “Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direito fundamentais”.

Para DEL-CAMPO E OLIVEIRA (2009, p.144), o Estatuto não utilizou a expressão situação irregular, empregada pelo Código de Menores de 1979,

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para afastar da legislação expressões que conotam a discriminação, como menor abandonado ou delinquente, afirma ainda que:

O Estatuto utilizou uma fórmula mais genérica, traçando no art. 98 parâmetros para a configuração de hipóteses em que o menor encontra-se em situação de risco, merecedor de medida protetiva (art. 101 do ECA), em oposição ao adolescente em conflito com a lei, destinatário das medidas sócio-educativas.

O art. 225 do Estatuto da Criança e do Adolescente dispõe sobre os crimes praticados contra a criança e o adolescente sem prejuízo do disposto na legislação penal, frisando ainda no art. 227 do Estatuto que os crimes definidos neste, são de ação pública incondicionada, ou seja, tomando conhecimento do fato, o Ministério Público deve promover sua imediata apuração.

De acordo com DEL-CAMPO E OLIVEIRA (2009, p.156) a finalidade do art. 240 do Estatuto:

é de coibir a pedofilia e a exploração sexual de crianças e adolescentes, teve sua redação substancialmente alterada pela Lei nº 10.764 de 12 de novembro de 2003, não apenas para aumentar as penas anteriormente previstas, mas também com o objetivo de incriminar outros comportamentos.

Quem praticar o crime mencionado no Art. 240 do ECA “Produzir ou dirigir representação teatral, televisiva, cinematográfica, atividade fotográfica ou de qualquer outro meio visual, utilizando-se de criança ou adolescente em cena pornográfica, de sexo explicito ou vexatória”, sofrerá pena de reclusão, de dois a seis anos, mais multa. Continuando se aplica a mesma pena a quem incorre no crime descrito em seu §1º -“ ... contracena com criança ou adolescente”.

O §2º descreve pena de reclusão de três a oito anos, para “se o agente comete o crime no exercício de cargo ou função; se o agente comete o crime com o fim de obter para si ou para outrem vantagem patrimonial”.

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Cabe reforçar que não há necessidade de que a obra seja efetivamente levada a público, é suficiente que a criança ou adolescente participe do ensaio ou filmagem. A produção ou direção devem ser relacionadas com representação teatral, televisiva, cinematográfica, atividade fotográfica ou de qualquer outro meio visual.

DEL-CAMPO E OLIVEIRA (2009), vêm ressaltar ainda que o artigo visa proteger a criança ou o adolescente, independente de sexo, que participa ou contracena nas cenas pornográficas, de sexo explicito ou vexatórias.

O artigo 241 do ECA busca coibir a pedofilia também pela internet, o meio pelo qual se verifica a grande facilidade de acesso e de prática desta conduta tão horrorizante, in verbis:

Art. 241. Vender ou expor à venda fotografia, vídeo ou outro registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente: a pena é de reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa.

É importante lembrar também que o legislador considerou correto incriminar também, a conduta das pessoas que de algum modo, asseguram o acesso à internet, ou seja, os provedores, donos de lan houses, cyber cafés ou mesmo pessoas que permitam a utilização do equipamento para divulgação destas imagens pela rede mundial de computadores ou internet.

A Lei 11.829/2008 alterou o Estatuto da Criança e Adolescente com o fim de aprimorar combate à pedofilia, e criou os artigos 241-A, 241-B, 241-C e 241-D, que punem as seguintes condutas:

Art. 241-A. Oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir, distribuir, publicar ou divulgar por qualquer meio, inclusive por meio de sistema de informática ou telemático, fotografia, vídeo ou outro registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente:

Pena - reclusão, de 3(três) a 6(seis) anos, e multa. §1o Nas mesmas penas incorre quem:

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I - assegura os meios ou serviços para o armazenamento das fotografias, cenas ou imagens de que trata o caput deste artigo;

II - assegura, por qualquer meio, o acesso por rede de computadores às fotografias, cenas ou imagens de que trata o caput deste artigo.

§ 2o As condutas tipificadas nos incisos I e II do § 1o deste artigo são puníveis quando o responsável legal pela prestação do serviço, oficialmente notificado, deixa de desabilitar o acesso ao conteúdo ilícito de que trata o caput deste artigo. Lei 11.829/2008

Essa pena tem o intuito de combater a produção, venda e distribuição de pornografia infantil, bem como criminalizar a aquisição e a posse do material. Também pratica o delito a pessoa que proporciona os meios para armazenamento em sites de relacionamento ou qualquer outra página na internet que disponibilize aos internautas às imagens ou vídeos. A existência das imagens, já caracteriza a infração penal, não exigindo que alguém tenha tido acesso.

Art. 241-B. Adquirir, possuir ou armazenar, por qualquer meio, fotografia, vídeo ou outra forma de registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente:

Pena- reclusão, de 1(um) a 4(quatro) anos, e multa.

§ 1o A pena é diminuída de 1 (um) a 2/3 (dois terços) se de pequena quantidade o material a que se refere o caput deste artigo.

§ 2o Não há crime se a posse ou o armazenamento tem a finalidade de comunicar às autoridades competentes a ocorrência das condutas descritas nos arts. 240, 241, 241-A e 241-C desta Lei, quando a comunicação for feita por:

I - agente público no exercício de suas funções;

II - membro de entidade, legalmente constituída, que inclua, entre suas finalidades institucionais, o recebimento, o processamento e o encaminhamento de notícia dos crimes referidos neste parágrafo;

III - representante legal e funcionários responsáveis de provedor de acesso ou serviço prestado por meio de rede de computadores, até o recebimento do material relativo à notícia feita à autoridade policial, ao Ministério Público ou ao Poder Judiciário.

§ 3o As pessoas referidas no § 2o deste artigo deverão manter sob sigilo o material ilícito referido. Lei 11.829/2008

Toda pessoa que mantém material obsceno infantil, responde pelo tipo penal em questão. É punida ainda, a pessoa que monta imagens de crianças e

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adolescentes, simulando a sua participação em cenas pornográficas ou ainda falsifica ou modifica fotografias e vídeos.

Art. 241-C. Simular a participação de criança ou adolescente em cena de sexo explícito ou pornográfica por meio de adulteração, montagem ou modificação de fotografia, vídeo ou qualquer outra forma de representação visual:

Pena - reclusão, de 1(um) a 3(três) anos, e multa.

Parágrafo único. Incorre nas mesmas penas quem vende, expõe à venda, disponibiliza, distribui, publica ou divulga por qualquer meio, adquire, possui ou armazena o material produzido na forma do caput deste artigo. Lei 11.829/2008

A pessoa que comercializa, disponibiliza, adquire ou guarda fotografia ou qualquer outra forma de representação visual montada, mesmo que a falsificação seja facilmente perceptível.

Art. 241-D. Aliciar, assediar, instigar ou constranger, por qualquer meio de comunicação, criança,com o fim de com ela praticar ato libidinoso:

Pena - reclusão, e 1(um) a 3(três) anos, e multa. Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre quem:

I - facilita ou induz o acesso à criança de material contendo cena de sexo explícito ou pornográfica com o fim de com ela praticar ato libidinoso;

II - pratica as condutas descritas no caput deste artigo com o fim de induzir criança a se exibir de forma pornográfica ou sexualmente explícita. Lei 11.829/2008

A lei acima descrita tem como objetivo a censura ao assédio à criança como ato de preparação para o estupro ou a prática de qualquer ato libidinoso.

Art. 218-B. Submeter, induzir ou atrair à prostituição ou outra forma de exploração sexual alguém menor de 18 (dezoito) anos ou que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, facilitá-la, impedir ou dificultar que a abandone:

Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 10 (dez) anos.

§ 1o Se o crime é praticado com o fim de obter vantagem econômica, aplica-se também multa.

§ 2o Incorre nas mesmas penas:

I - quem pratica conjunção carnal ou outro ato libidinoso com alguém menor de 18 (dezoito) e maior de 14 (catorze) anos na situação descrita no caput deste artigo;

II - o proprietário, o gerente ou o responsável pelo local em que se verifiquem as práticas referidas no caput deste artigo.

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§ 3o Na hipótese do inciso II do § 2o, constitui efeito obrigatório da condenação a cassação da licença de localização e de funcionamento do estabelecimento.

É importante verificarmos que este artigo do CP trata principalmente da conduta de submeter à criança ou o adolescente à prostituição ou a outra forma de exploração sexual, punindo inclusive àqueles que são responsáveis pelo local em que seja verificada a submissão da criança ou adolescente a esta prática.

DEL-CAMPO E OLIVEIRA (2009), afirmam que são comuns os relatos de famílias que, visando o favorecimento econômico de determinada pessoa, forças seus filhos menores a satisfazer a lascívia do suposto benfeitor. Assim, o tipo penal se aplica apenas àqueles que induzem ou estimulam a prostituição infanto-juvenil e não àquele que dela se vale.

Por fim, o §2º determina, como efeito obrigatório extrapenal da condenação, a cassação da licença de funcionamento do estabelecimento no qual foi cometido o referido crime.

Importante ainda salientar que a lei 12.015/09 revogou, expressamente, a lei 2.252/54, que previa o crime de corrupção de menores, criando, por outro lado o art. 244-B no Estatuto da Criança e do Adolescente, que versa, in verbis:

Art. 244-B. Corromper ou facilitar a corrupção de menor de 18 (dezoito) anos,com ele praticando infração penal ou induzindo-o a praticá-la:

Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro)anos.

§ 1º Incorre nas penas previstas no caput deste artigo quem pratica as condutas ali tipificadas utilizando-se de quaisquer meios eletrônicos, inclusive salas de bate papo da internet. § 2º As penas previstas no caput deste artigo são aumentadas de um terço no caso de a infração cometida ou induzida estar incluída no rol do art. 1º da Lei nº 8.072, de 25 de julho de 1990.

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O artigo determina que haverá corrupção de menores quando o agente praticar na presença do menor ou induzi-lo a praticar uma infração penal. De acordo com GRECO (2009, p.92), o que se procura evitar com a tipificação acima elencada é que o menor seja iniciado na criminalidade, corrompendo a sua formação geral.

2 TIPOS DE VIOLÊNCIAS PRATICADA CONTRA CRIANÇAS

A violência contra a criança está cada dia mais presente em nosso cotidiano, e o mais grave é que se tem um perfil do agressor para que se possa fazer uma prevenção para que isso deixe de acontecer. Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), 2002, a violência é conceituada como:

Uso intencional de força física ou do poder (real ou em ameaça), contra si próprio, contra outra pessoa, ou contra um grupo ou uma comunidade que resulte ou possa resultar em lesão, morte, dano psicológico, deficiência de desenvolvimento ou privação.

Portanto podemos considerar violência qualquer forma de agressão seja física ou psicológica, agressão esta que resulte em qualquer dano a pessoa.

Podemos destacar como os principais tipos de violência: a violência física, a violência sexual, a violência psicológica e a negligência ou abandono que serão agora discutidas uma a uma trazendo as principais considerações sobre as mesmas, tipificando-as e trazendo meios de punição.

2.1 Violência física

A violência doméstica pode ser definida como sendo aquela que tem por objetivo ferir, lesar ou causar dano a criança e é conceituada por Azevedo e Guerra, 2001 como:

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todo ato ou omissão, praticado por pais, parentes ou responsáveis contra crianças e/ou adolescentes que, sendo capaz de causar dano físico, sexual e/ou psicológico à vítima, implica numa transgressão do poder/dever de proteção do adulto e, por outro lado, numa coisificação da infância, isto é, numa negação do direito que crianças e adolescentes têm de ser tratados como sujeitos e pessoas em condição peculiar de desenvolvimento.

Tanto a criança quanto o adolescente estão em constante desenvolvimento, e para isso é preciso que eles tenham um ambiente familiar saudável, sem sofrer agressões dos adultos, que não lhes seja negada a possibilidade de um desenvolvimento sem nenhuma espécie de dano, seja físico ou psicológico.

Pois, como afirma Weiss (2004, p.23):

aspectos emocionais estariam ligados ao desenvolvimento afetivo e sua relação com a construção do conhecimento a expressão deste através da produção escolar (...). O não aprender pode, por exemplo, expressar uma dificuldade na relação da criança com sua família; será o sintoma de que algo vai mal nessa dinâmica.

Todo o desenvolvimento da criança está relacionado ao ambiente que ela vive, inclusive seu aprendizado que quando estiver em defasagem geralmente estará relacionado com algum problema familiar pelo qual a criança esteja passando.

Com base em Guerra de Azevedo (2001), pode-se conceituar a violência física como aquela que:

corresponde ao emprego de força física no processo disciplinador de uma criança, é toda a ação que causa dor física, desde um simples tapa até o espancamento fatal. Geralmente os principais agressores são os próprios pais ou responsáveis que utilizam essa estratégia como forma de domínio sobre os filhos.

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Ainda segundo Guerra e Azevedo (2001), existem alguns indicadores orgânicos na criança e adolescente que podem nos mostrar quando devemos desconfiar que a criança esteja sofrendo algum tipo de violência física:

- Desconfia dos contatos com adultos;

- Está sempre alerta esperando que algo ruim aconteça; - Tem mudanças severas e freqüentes de humor;

- Demonstra receio dos pais (quando é estudante procura chegar cedo à escola e dela sair bem mais tarde);

- Apreensivo quando outras crianças começam a chorar;

- Demonstra comportamentos extremos: agressivo, destrutivo, excessivamente tímido ou passivo, submisso;

- Apresenta dificuldades de aprendizagem não atribuíveis a problemas físicos;

- Revela que está sofrendo violência física.

Estes são apenas alguns dos sintomas que podem ser percebidos, que indiquem que a criança está sofrendo agressões físicas. A criança deve ser protegida para que possa ter um pleno desenvolvimento, e este papel cabe principalmente aos pais ou aos responsáveis pela criação e educação da criança, estes que muitas vezes fazem exatamente o contrário do que deveriam, acabam agredindo, machucando e deixando além de marcas no corpo, a rebeldia e a vontade de vingança nestas crianças que talvez ao cansarem de apanhar acabarão se defendendo de seus agressores.

2.2 Violência sexual

A violência sexual é conceituada por Guerra e Azevedo (2001), que são grandes estudiosas sobre o assunto como sendo:

todo o ato ou jogo sexual entre um ou mais adultos e uma criança e adolescente, tendo por finalidade estimular sexualmente esta criança/adolescente, ou utilizá-lo para obter satisfação sexual. É importante considerar que no caso de violência, a criança e adolescente são sempre vítimas e jamais culpados e que essa é uma das violências mais graves pela forma como afeta o físico e o emocional da vítima.

Como afirmam as autores, a violência sexual, provavelmente seja a que mais deixa marcas na criança e no adolescente e mais importante do que

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isso, a vítima não tem capacidade de consentir com o ato sexual tendo idade inferior a 14 anos.

O Estupro é definido pelo art. 213 do Código Penal como “constranger alguém (lei 12.015 de 7 de agosto de 2009), mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso”. A “conjunção carnal” corresponde ao coito vaginal, o que limita o crime ao sexo feminino.

O estupro também pode ser considerado aquele em que se consuma o ato sexual sem consentimento, e como no caso de crianças e adolescentes, as mesmas não tem idade para consentir será sempre constituído o estupro

O atentado violento ao pudor (art. 214 do Código Penal): refere-se a “constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a praticar ou permitir que com ele se pratique ato libidinoso diverso da conjunção carnal”. Aqui, incluem-se todas as situações diferentes do coito vaginal, a exemplo das manobras digitais eróticas e a cópula anal ou oral.

O atentado violento ao pudor também está elencado no Código Penal como sendo um crime sexual, e se configura até mesmo pela ameaça infringida a vítima, não é necessário que seja consumado o ato sexual propriamente dito.

Com base em Guerra e Azevedo (2001), existem alguns indicadores orgânicos na criança e adolescente que nos mostram quando devemos desconfiar sobre casos de agressão ou abuso sexual:

- Interesses não usuais sobre questões sexuais, isto inclui expressar afeto para crianças e adultos de modo inapropriado para a idade, desenvolve brincadeiras sexuais persistentes com amigos, brinquedos ou animais, começa a masturbar-se compulsivamente;

- Medo de uma certa pessoa ou sentimento de desagrado ao ser deixada sozinha em algum lugar ou com alguém;

- Uma série de dores e problemas físicos sem explicação médica;

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- Gravidez precoce;

- Poucas relações com colegas e companheiros; - Não quer mudar de roupa na frente de pessoas; - Fuga de casa, prática de delitos;

- Tentativa de suicídio, depressões crônicas;

- Mudanças extremas, súbitas e inexplicadas no

comportamento infantil (anorexias, bulimias); - Pesadelos, padrões de sono perturbados;

- Regressão a comportamentos infantis tais como choro excessivo, enurese, chupar os dedos;

- Hemorragia vaginal ou retal, cólicas intestinais, dor ao urinar, secreção vaginal;

- Comportamento agressivo, raiva fuga, mau desempenho escolar;

- Prostituição infanto-juvenil.

São diversos os sintomas que devem ser observados na criança e no adolescente para que possamos detectar e fazer findar a agressão, e cabe aos pais ou responsáveis essa observação. Quando detectado qualquer tipo de abuso ou agressão seja por parte de familiares ou estranhos, deve ser encaminhada denúncia para que seja tomadas as devidas proviências.

2.3 Violência Psicológica

A agressão não pode ser considerada somente quanto a parte física, outra que talvez esteja entre as que traz piores resultados a longo prazo é a violência psicológica que segundo Maldonado (2009):

Há também a formação do padrão de violência psicológica, onde há falta de amor e carinho; uma alta frequência de condutas de abuso do tipo: xingar, humilhar, depreciar. Quando isso é feito constantemente, prejudica a formação da boa auto-estima e consolida a rejeição. A criança e o jovem que não se sentem protegidos, acolhidos, amados e aceitos pelas pessoas significativas para eles passam a desvalorizar a si próprios e tendem a se submeter a situações de abuso em outros relacionamentos.

A violência psicológica assim como qualquer tipo de agressão ou violência acaba por deixar sequelas por toda a vida da pessoa, ela acaba reproduzindo tudo que passou, e muitas vezes se tornando ainda mais agressiva. A criança quanto perde a proteção e o acolhimento daquela pessoa

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que ela tem como exemplo, acaba se desvalorizando inclusive a si própria, baixa sua autoestima, e consequentemente se sentem rejeitada por todos e não somente pela pessoa que a está agredindo.

Ainda Maldonado (2009), acrescenta que as palavras, são formas muito profundas de agressão psicológica, visto que ficam gravadas na memória e vão deixando marcas que dificilmente serão apagadas da memória da criança.

O abuso psicológico referente às formas de comunicação "demolidoras" é o tipo menos conhecido de violência, porque o corpo não fica marcado e nenhum osso é fraturado. No entanto,como consequência de ter sido xingada, humilhada, depreciada e rejeitada, a criança cresce com marcas profundas em seu psiquismo e com sua auto-estima gravemente fraturada. A sensação constante de ser rebaixada origina, em muitas pessoas, sentimentos de revolta e desejos de vinganças que podem mais tarde motivar condutas violentas.

Por ser uma agressão que não deixa marcas no corpo, acaba sendo ainda mais perigosa, pois a criança vai crescendo com essa revolta que lhe foi imposta, e com o tempo passando ela irá se revoltar ainda mais ao lembrar do que foi submetida e em alguns casos poderá aparecer o sentimento de vingança no intuito de fazer com que aquelas lembranças ruins desapareçam.

Em casos em que a mãe ou o pai que não queriam esse filho, a rejeição que os mesmo impõem a criança ou ainda o excesso de preocupação com o futuro dessa criança, também trazem sérias consequências para a convivência desta criança em sociedade. Isto nos mostra Maldonado (2009) quanto afirma:

A rejeição ao filho motiva também o surgimento de outras facetas do abuso psicológico, como a tendência a isolar a criança ou o jovem, impedindo-os de terem amigos e de participarem de atividades próprias para a idade, importantes para o seu desenvolvimento social e pessoal. Isolada, a criança sente-se sem lugar no mundo, como se nem sequer tivesse o direito de existir. A atitude de isolar está, por vezes, acoplada com outra forma de abuso: o excesso de exigências ou a criação de expectativas acima da possibilidade da criança ou

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do jovem. Proibidos de brincar e de se divertir, porque têm de se dedicar a maior parte do tempo ao estudo, às tarefas domésticas ou até mesmo ao trabalho, a criança e o jovem sentem-se pressionados, acuados, incompetentes, porque nunca conseguem satisfazer os pais.

Essa frustração que a criança sente ao não conseguir alcançar todas as exigências feitas pelos pais, ou de não conseguirem ser o que os pais esperam o melhor aluno, o melhor atleta ou qualquer que seja, acaba causando problemas de aceitação que perdurarão e afetará não só aos estudos mas também ao trabalho e na formação de uma nova família.

2.4 Negligência ou abandono

As relações tanto afetivas quanto familiares geram direitos e deveres para as pessoas nela envolvidas, motivo pelo qual essas relações têm que ser alvo de intensos cuidados.

Lemos (2009) explica os fatores que consituem a negligência para com as crianças e jovens:

A criança e o jovem vítimas de negligência são definidos como aqueles privados de necessidades básicas para o seu desenvolvimento. Os maus tratos são evidenciados de várias formas, entre elas: deixar de vacinar, de assistí-los quanto estão doentes, de cuidade da sua alimentação, higiene, protegê-los contra acidentes, entre outros fatores de risco. Normalmente quem mais pratica esse tipo de abuso são as genitoras por estarem perto da criança sendo sua principal responsável direta dentro do papel da família. As mais atingidas tem entre 0 e 9 anos de idade, por conta da dependência dos cuidades básicos, sendo difícil diagnosticar, principalmente quando esses abusos acontecem em famílias muito carentes de informações, e até mesmo de renda.

Esse abandono, negligência ou maus-tratos acaba sendo praticado contra indefesos, pois na faixa etária em que está acontecendo, é justamente no momento em que a criança mais precisa dos cuidados da sua genitora ou de quem tem a responsabilidade pelos seus cuidados. A autora destaca ainda

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a dificuldade de diagnostição, devido ao fator pobreza que atinge milhões de famílias brasileiras. Mas Lemos (2009) acrescenta:

Isso não quer dizer que a negligência só acontece nas classes mais pobres - engano! Ela também está presente entre os bem-nutridos de alimentos e de bens materiais, que por sua vez, não são supervisionados ou orientados pelas famílias. Os adolescentes atualmente consomem bebida alcoólica cada vez mais cedo, com o consentimento dos pais que às vezes bebem juntos, achando normal fazê-lo por estar em família; isso também é negligência. Outros, fazem sem que a família sequer tome conhecimento, indo muito mais longe, passando a praticar outros atos que por comodismo, são negligenciados pelos pais, como sair com o carro destes mesmo, sem a devida habilitação e condição; outros ignoram os vídeos inadequados para a faixa etária. E por esse caminho, a negligência vai cruzando a fronteira do abandono.

A negligência como coloca ainda a autora, não se faz somente com pessoas de classe baixa, mas principalmente na medida em que os jovens vão crescendo, a classe média e alta, vai deixando de impor limites, o que também se configura como abandono, visto que os jovens bebem, dirigem sem habilitação, assistem filmes impróprios para a idade, fatores esses que vão prejudicando profundamente o desenvolvimento desse jovem. E pior que isso, é que esses distúrbios e essa noção de que pode fazer tudo o que quer vão lhe acompanhar pela vida causando problemas maiores na sua vida adulta.

Lemos (2009) caracteriza o abandono como a ausência da responsabilidade das pessoas que deveriam cuidar delas:

O abandono é caracterizado pela ausência de pessoas responsáveis pela criança ou adolescente, deixando-os expostos a situações de riscos. O abandono pode ser por ausência temporária (PARCIAL), ou (TOTAL) que é a exclusão de cuidados básicos, caracterizados por situações de desamparo, sem nenhum tipo de assistência, moradia, correndo perigo. Neste tipo de situação, a criança já pode estar em condições de ser adotada legalmente. Muitas mães abandonadas na infância, correm o risco de se tornarem mães abandônicas, pela falta de suporte emocional e material para cuidar de um filho. Existem ainda casos de abandono, que se tornam atos extremamente violentos se forem acompanhados de situações como: bebês encontrados em lixeiras, portas de

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hospitais, nas portas de algumas casas, em terrenos baldios dentro sacos de lixos ou caixas de papelão, e tantas outras situações observadas de vez quando na mídia.

O abandono toma proporções cada vez maiores, uma vez que há a tendência de reprodução desse abandono, e como alerta a autora, ainda podem se transformar em abandonos piores do que os que as mesmas sofreram como a violência e a negligência em largar bebês recém nascidos em latas ou lixo, terrenos baldios, ou em frente a casas ou hospitais.

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3 ABUSO SEXUAL

3.1 Definição

O abuso sexual pode ser definido como sendo um ato de violência física ou psicológica praticado contra qualquer pessoa, mas neste caso, contra criança, onde um sujeito mais velho, não necessariamente maior de idade, usa a vítima para satisfazer seu desejo sexual, uma vez que esta criança é incapaz de se defender.

No entendimento de Sanderson (2005), o abuso sexual pode ser definido como:

O envolvimento de crianças e adolescentes em atividades sexuais com um adulto ou com uma pessoa mais velha ou maior, em que haja uma diferença de idade, de tamanho ou de poder, em que a criança é usada como objeto sexual para a gratificação das necessidades ou dos desejos, para a qual ela é incapaz de dar um consentimento consciente por causa do desequilíbrio do poder o de qualquer capacidade mental ou física.

Tal conceito inclui uma série de atos que acabam caracterizando esse tipo de violência sexual, como por exemplo, penetração com o pênis ou com os dedos, sexo oral, carícias em qualquer parte do corpo, tocar a boca, dentre vários outros tipos.

De acordo com Dobke (2001):

Definir abuso sexual não é tarefa fácil, pois os limites entre os contatos físicos normais, importantes para o desenvolvimento da criança, e aqueles que visam à satisfação dos desejos sexuais dos adultos são imprecisos. [...] A falta de consentimento da criança e a violência física e/ou psicológica, no entanto, estão semprepresentes na prática abusiva.

Ainda no sentido de conceituar o abuso sexual, Deslandes (1994), entende que:

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É todo ato ou jogo sexual, hétero ou homossexual, cujo agressor está em estágio de desenvolvimento psicossexual mais adiantado que a criança ou adolescente. Tem por intenção estimulá-la sexualmente ou utilizá-la para obter satisfação sexual. Estas práticas eróticas e sexuais são impostas à criança ou ao adolescente pela violência física, por ameaças ou pela indução de sua vontade. Podem variar desde atos em que não exista contato sexual, como o voyeurismo e o exibicionismo, aos diferentes tipos de atos com contatos sexuais com ou sem penetração. Engloba ainda a exploração sexual comercial e a pornografia.

Conforme Nogueira, abuso sexual é:

Dentro da psicologia, o abuso sexual é caracterizado pelo não consentimento da criança na relação com o adulto. Este tipo de abuso ocorre com coerção ou com jogos de sedução afetiva perpetrados pelos adultos. As formas mais comuns de agressão sexual contra crianças relatadas por especialistas que trabalham com a psicoterapia nos casos de abuso são: as "carícias", o contato com a genitália, a masturbação e a relação sexualvaginal, anal ou oral.

São inúmeras as formas de abuso contra criança que ocorrem em diversas sociedades do mundo, sendo até mesmo em algumas delas, consideradas parte da cultura o que não é o caso do Brasil, onde tem uma legislação voltada para esse tipo de crime, como já citado anteriormente.

Desta forma, o abuso sexual acaba ocorrendo de diversas maneiras, onde todas elas são consideradas ilícitas e imorais tendo uma tipificação penal que garante uma severa sanção a cada agressor.

3.2 Principais modalidades de abuso sexual

A violência sexual contra a criança acontece de várias formas e vai mudando de acordo com a característica e a situação das vítimas e dos autores.

O ato do abuso sexual poderá se desenvolver de duas maneiras, uma delas é fora do convívio da família, conceituada como extrafamiliar, na qual o

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agressor não faz parte do âmbito familiar da vítima, e a outra é aquela praticada por um integrante da família que é denominada de intrafamiliar, sendo esta a que ocorre com mais frequência.

Com base na doutrina de Dobke (2001), o abuso sexual infantil pode ser:

[...] Extrafamiliar ou intrafamiliar. No primeiro, o abusador não é membro da família da criança, e no segundo, que abarca a grande maioria dos casos, a prática ocorre no âmbito familiar; o abusador, membro da família da criança, manipula-a, desvirtuando, desta forma, as relações familiares.

Nos dois casos, a criança é utilizada pelo adulto, num verdadeiro processo de coisificação sexual da criança, para suprir suas carências; para “elaborar” os traumáticos sofridos em sua própria família, maltrato em geral e/ou abandono e, no intrafamiliar, ela é utilizada para solucionar ou diminuir as conseqüências de conflitos com outros adultos da família, como a companheira, por exemplo.

De acordo com a opinião de Parissoto, existem quatro tipos diferentes de abuso sexual, que são: a pedofilia, o estupro, a exploração sexual profissional e o assédio sexual.

3.2.1 Pedofilia

Pereira e Coelho (2010) A palavra pedofilia é originada da palavra pedos que significa criança e filia que significa amizade, afeição, amor, atração, ficando então compreendida como “amor por crianças” ou ainda, “atração por crianças”.

Pereira e Coelho (2010) A pedofilia é considerada pela Organização Mundial de Saúde como sendo uma doença, um distúrbio, um desvio sexual, onde um adulto sente atração, de uma forma obsessiva por uma criança, não sendo necessário que ocorra uma relação sexual para caracterizá-la, bastando apenas que ocorra o desejo deste adulto pela criança.

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A palavra pedofilia é um transtorno parafílico, aonde a pessoa apresenta fantasia e excitação sexual intensa com crianças pré-púberes, efetivando na prática tais urgências, com sentimento de angústia e sofrimento.

De acordo com a compreensão de Silva (2002), tem-se que pedofilia é definida como sendo:

Um conceito da área de psiquiatria que define uma perturbação, que se insere no grupo das parafilias, e que implica uma perturbação mental no indivíduo. Não consiste numa escolha pessoal, é decorrente de determinado contexto psíquico do indivíduo e da sua história pessoal.

Não há no ordenamento jurídico um tipo penal específico para pedofilia, ficando esta caracterizada nas diversas formas relativas à violência sexual. Mas a partir do momento em que ocorre qualquer tipo de violência contra criança, automaticamente esta já vê seus direitos fundamentais e a sua dignidade violados, princípios basilares garantidos pela Constituição Federal em seu art. 227 abaixo transcrito:

Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. (Revista Liberdades)

Portanto, a pedofilia apesar de ter vários conceitos distintos não é tipificada no ordenamento jurídico, ficando enquadrada como violência sexual contra menor e sancionada através da Constituição Federal e do Estatuto da Criança e do Adolescente.

3.2.2 Estupro de vulnerável

O Código Penal Brasileiro, em seu artigo 217-A, passou a denominar o estupro de vulnerável, conforme segue expresso:

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Art. 217-A. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 (catorze) anos:

Pena – reclusão. De 8(oito) a 15(quinze) anos.

§ 1º Incorre na mesma pena quem pratica as ações descritas no caput com alguém que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência.

§ 2º (Vetado)

§ 3º Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave: Pena – reclusão, de 10 (dez) a 20 (vinte) anos.

§ 4º Se da conduta resulte morte:

Pena – reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos. De acordo com a doutrina de Estefam (2009):

A proteção penal volta-se à liberdade sexual e ao pleno desenvolvimento das pessoas vulneráveis, ou seja, aqueles que, em face de uma condição pessoal (transitória ou perene), não dispõem de forças ou de compreensão para resistir a um ataque contra sua dignidade sexual.

Graça e Reis (2010) colocam que desse modo, com essa alteração, a prática da conjunção carnal (cópula vaginal) ou ato libidinoso (felação, carícias íntimas, coito anal, sexo oral, beijo lascivo, dentre outras) com criança ou adolescente menor de 14 (catorze) anos, que são os considerados vulneráveis, fica definido como sendo crime de estupro de vulnerável.

3.2.3 Exploração sexual

A exploração sexual refere-se ao ato no qual um indivíduo, usando sua posição de poder, utiliza crianças e adolescentes para exercer atividades sexuais remuneradas, como por exemplo, a exploração no comércio ilegal do sexo, a pornografia infantil e a apresentação, exibição de crianças em espetáculos sexuais públicos ou privados.

O Código Penal estabelece penalidades tipificando os crimes relacionados à violência sexual, sendo estes considerados mais graves se praticados contra menores de 14 anos, pois serão assim caracterizados como em situação de violência presumida.

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Como exemplo dos crimes tipificados no Código Penal, tem-se o disposto no art.218-B, referente ao favorecimento de prostituição, conforme segue exposto:

Art.218-B. Submeter, induzir ou atrair à prostituição ou outra forma de exploração sexual alguém menor de 18 (dezoito) anos ou que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, facilitá-la, impedir ou dificultar que a abandone.

Pena – reclusão, de 4 (quatro) a 10 (dez) anos.

§ 1º Se o crime é praticado com o fim de obter vantagem econômica, aplica-se também multa.

§ 2º Incorre nas mesmas penas:

I – quem pratica conjunção carnal ou outro ato libidinoso com alguém menor de 18 (dezoito) e maior de 14 (catorze) anos na situação descrita no caput deste artigo;

II – o proprietário, o gerente ou o responsável pelo local em que se verifiquem as práticas referidas no caput deste artigo. § 3º Na hipótese do inciso II do § 2º, constitui efeito obrigatório da condenação a cassação da licença de localização e de funcionamento do estabelecimento.

A exploração sexual se torna ilegal se praticada contra menor de idade, pois para as pessoas que possuem mais de 18 anos não há crime tipificado no ordenamento jurídico, e só é concretizada quando a vítima for utilizada como mercadoria, com fins lucrativos por um maior que exerça poder sobre ela.

3.3 Perfil do agressor

O agressor de ilícito sexual contra criança e adolescente é, via de regra, uma pessoa próxima a vítima, ao seu vínculo familiar, podendo ser irmão, pai, mãe, tio, avô, que tenha em relação a criança uma situação de superioridade, quase sempre com uma idade um pouco mais avançada e que faz uso da força física para conseguir saciar seu desejo.

De acordo com o texto que tem como fonte o TJ/RS, encontrado em

(http://www.coad.com.br/home/noticias-detalhe/35760/abuso-sexual-levantamento-aponta-perfil-do-agressor-e-da-vitima), pode-se traçar um parâmetro quanto aos agressores:

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Homem com idade entre 30 e 49 anos, que mora junto com a vítima: esse é o perfil da maioria dos agressores em casos de violência ou exploração sexual contra crianças e adolescentes. Dentre os réus, 97% são homens e 52% têm entre 30 e 49 anos. Grande parte das vezes (42%) dividem a residência com a vítima, sendo que 21% são padrastos, 17% pais, 17% vizinhos e 8% tios. Em 58% dos casos, a acusação é de que a violência ocorreu mais de uma vez (síndrome da adição). A violência sexual constitui 93% dos processos. Somente 6% dizem respeito à exploração sexual, que é o comércio de sexo com adolescentes de 14 a 18 anos (quando a vítima tem menos de 14, considera-se violência sexual presumida). O percentual restante (1%) reúne violência e exploração sexual.

Em relação aos abusadores, Dias (2010) assegura que:

Os abusadores sexuais formariam um grupo heterogêneo em alguns aspectos, como história pessoal, preferências quanto ao tipo de vítima e risco de recidiva.

No entanto, os autores reconhecem que existem

comportamentos comuns, como o fato de incidirem a prática de crimes desde tenra idade, terem como características de personalidade mais comuns a timidez (introversão), fracas

habilidades sociais, temperamento hostil, raiva, baixa

autoestima.

Não se pode ficar restrito a apenas essas características, pois muitos abusadores fogem destas regras, sendo pessoas que não levantam qualquer tipo de suspeita. Eles buscam parecer serem pessoas corretas, e que possuem reputação e conduta ilibadas.

Neste sentido Sanderson (2005) afirma que:

Os pedófilos possuem um amplo leque de características, incluindo o espectro do comportamento “normal”. Realmente, o fato de eles parecerem pessoas normais e assim se comportarem cria um laço de confiança em adultos e de segurança nas crianças. Por não parecerem esquisitos, diferentes ou estranhos, ou por não se comportarem de maneira suspeita e anormal, fica mais difícil identificá-los. Também se torna mais fácil para eles escolher tanto os pais quanto os filhos e conquistar sua confiança.

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Em relação a violência sexual, também é importante alertar quanto as características das mães que cometem crimes sexuais contra seus filhos menores. Segundo Azambuja (2004):

Elas têm um comportamento marcadamente impulsivo e imaturo, vivem isoladas, fazendo com quem percebam seus filhos mais velhos como se tivessem mais idade e utilizando-se como uma forma de se ‘confortar’. É comum a associação com quadros psicóticos graves.

Konchinski (2011) aponta para estudo realizado no período de 2005 a 2009, onde os resultados foram obtidos após a análise de 205 casos de abusos a crianças, constatou-se que o pai é o agressor mais comum (38% dos casos), seguido do padrasto (29%). O tio (15%) é o terceiro agressor mais comum, antes de algum primo (6%). Os vizinhos são 9% dos agressores e os desconhecidos são a minoria, representando 3% dos casos.

Então no geral, os agressores não devem ser determinados com um perfil específico, pois todos tendem a demonstrar características peculiares, de cidadãos de bem, com boa conduta, tentando ficar parecidos com um indivíduo comum para não levantarem suspeitas.

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CONCLUSÃO

É possível perceber que aconteceram inúmeras evoluções tanto no conceito de família quanto nas leis que as protegem e determinam seus direitos e seus deveres. Antigamente as crianças eram vistas como mão de obra escrava, onde tinham que trabalhar para garantir seu próprio sustento e o sustento de sua família, e não tinham nenhuma lei que as amparasse.

Com a criação do ECA, as crianças e adolescentes ganharam uma proteção legal aos seus direitos. As agressões contra eles passaram a ser punidas com maior rigorosidade, o que, porém, infelizmente não impede de que as mesmas continuem a acontecer.

Muito já se avançou, porém ainda as leis brasileiras precisam ser revistas, renovadas e em alguns quesitos como, por exemplo, a violência contra a criança ser exigido maior rigor na sua aplicação e, punições mais severas no intuito de minimizar esse problema da sociedade brasileira. Além dos cuidados e atenção que todos devemos ter em relação a esse assunto.

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