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Academic year: 2021

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(1)Universidade Presbiteriana Mackenzie. Centro de Ciências Sociais e Aplicadas. Programa de Pós-Graduação em Ciências Contábeis. NORMAS MÍNIMAS DE QUALIDADE PELA ÓTICA DO CUSTO TOTAL DE PROPRIEDADE: o caso da sinalização de segurança. Joaquim José Garcia Matos. São Paulo 2017.

(2) Joaquim José Garcia Matos. NORMAS MÍNIMAS DE QUALIDADE PELA ÓTICA DO CUSTO TOTAL DE PROPRIEDADE: o caso da sinalização de segurança. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Contábeis da Universidade Presbiteriana Mackenzie para a obtenção do título de Mestre em Controladoria Empresarial.. Orientador: Prof. Dr. Marcelo Francini Girão Barroso. São Paulo 2017.

(3) M433n Matos, Joaquim José Garcia. Normas mínimas de qualidade pela ótica do custo total de propriedade : o caso da sinalização de segurança. / Joaquim José Garcia Matos. - 2017. 145 f. ; 30 cm Dissertação (Mestrado em Ciências Contábeis) Universidade Presbiteriana Mackenzie, 2017. Orientação: Prof. Dr. Marcelo Francini Girão Barroso Bibliografia: f. 62-64 1. Normas mínimas de qualidade. 2. Rotulagem obrigatória. 3. Custo total de propriedade. 4. Sinalização de segurança. I. Título. CDD 658.4013.

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(5) RESUMO Resultados e contribuições do artigo: Além de falhar no nivelamento da qualidade mínima da sinalização de segurança, os resultados mostram que a regulação acabou por produzir um efeito perverso no mercado ao criar desequilíbrios nas forças competitivas que tendem a transferir as preferências dos usuários das empresas em conformidade para as empresas em ‘não conformidade’ com a norma mínima de qualidade (NMQ) que, de forma impune e incólume, permanecem no mercado. Acresce que o próprio ambiente regulatório desenvolveu características que tendem a um contínuo estado de degradação. A análise dos resultados indica uma possível direção de melhoria se implantado um processo regulatório mais completo que contemple legislação acessória para a implementação de multas e penalizações e de um esquema de monitoramento que torne possível a avaliação da qualidade real da sinalização. Objetivo do trabalho: Este trabalho avalia a influência das escolhas dos usuários no nível de qualidade média e preços da sinalização de segurança, enquadrando-se na ideia inicial, sugerida pela literatura, da existência de um ambiente regulatório incompleto e sem rigor na fiscalização. Assim, cabe lugar à determinação de um objetivo específico que corresponde à percepção do estado geral do cumprimento da NMQ e do processo regulatório como um todo. Relevância do tema escolhido: A sinalização de segurança no Brasil é regulada por legislação emitida pelos corpos de bombeiros e fundamentada tecnicamente por NMQ, designadamente a norma da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT NBR 13434, partes 1, 2 e 3. Quando a dimensão vertical de qualidade dos produtos não é facilmente observável, devem ser estabelecidos mecanismos complementares de controle visando a um amplo e completo processo regulatório, que vão desde a emissão da NMQ até os processos de fiscalização e penalização. Desta forma, é diminuída a possibilidade de a regulação poder ter um efeito contraproducente no mercado; falhando no estímulo de estabelecimento de qualidade mínima, os usuários podem pressionar os fabricantes para ‘sinalização de baixo custo’, e estes por sua vez tendem a conseguir atender a tais demandas por meio do relaxamento dos níveis de qualidade dos produtos. Impacto na área: O ambiente regulatório criado ao longo do tempo tem privilegiado as empresas em ‘não conformidade’ com a NMQ, e a constante demanda por tais produtos tem facilitado a entrada de novos fabricantes. Cumulativamente, a incapacidade técnica dos órgãos fiscalizadores para a observação da real qualidade da sinalização tende a desestimular uma fiscalização mais rígida, acabando por perenizar, e até aumentar, o completo descontrole do processo regulatório. Metodologia: O presente estudo utiliza-se do ferramental contábil do custo total de propriedade para analisar a influência do usuário no status quo da sinalização, através de pesquisa qualitativa realizada por meio de entrevistas semiestruturadas a gestores de dez empresas distribuidoras de sinalização de segurança nos estados de São Paulo e do Paraná.. Palavras-chave: Normas mínimas de qualidade. Rotulagem obrigatória. Custo total de propriedade. Sinalização de segurança..

(6) ABSTRACT Results and contributions: Besides failing in levelling the minimum quality of safety signage, the results show that regulation has ultimately produced a perverse effect by creating imbalances in the market competitive forces that tend to shift end-users' preferences to the manufactures in ´non-compliance´ with the MQS, who remain unpunished and unscathed in the market. Moreover, the regulatory environment has developed some inner characteristics that tend to a continuous state of deterioration. The result analysis indicates a possible direction for improvements if a more complete regulatory process is implemented, with the inclusion of auxiliary legislation that comprises fines for those companies found in non-compliance and a monitoring and enforcement policy scheme that makes quality assessments possible. Objectives: This paper assesses the influence of end-users’ choices on the average quality level and prices of safety signage based upon the initial, and suggested by the literature, idea of an incomplete and lax enforcement policy. Thus, a specific objective must be determined corresponding to the perception of the general market compliance with the MQS and the regulatory process as a whole. Relevance: Safety signs in Brazil are regulated by legislation issued by fire brigades and technically grounded by a minimum quality standard (MQS), namely the standard from the Brazilian Association of Technical Standards (Associação Brasileira de Normas Técnicas) ABNT NBR 13434, parts 1, 2 and 3. When the vertical product quality dimension is not easily observable, complementary control mechanisms should be established aiming a broad and complete regulatory process, from the emission of the MQS to the process of inspection and sanctioning. In doing this, the possibility of having a counterproductive regulation effect in the market is diminished; by the regulatory failure in establishing a minimum quality safety signs’ level, end-users tend to push manufacturers for 'low cost signs’ which in turn are able to meet such demands through the relaxation of product quality levels. Impact: The regulatory environment created over time has privileged safety signs’ manufacturers in ‘non-compliance’ with the MQS, and the constant demand for such products has facilitated the entry of new manufacturers. Cumulatively, the technical inability of enforcement bodies in observing safety signs’ real quality, tends to discourage stricter supervision, ultimately resulting in a complete lack of control of the regulatory process. Methodology: The present study applies the accounting tool of total cost of ownership to examine the end-user influence on the status quo of safety signage using qualitative research obtained via semi-structured interviews conducted to ten distribution companies of safety signs from the states of São Paulo and Paraná.. Keywords: Minimum quality standards. Compulsory labelling. Total cost of ownership. Safety signs..

(7) SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ...................................................................................... 7. 1.1. NORMAS MÍNIMAS DE QUALIDADE (E ROTULAGEM OBRIGATÓRIA) …….............................................. 8. 1.2. SINALIZAÇÃO DE SEGURANÇA (FOTOLUMINESCENTE) .......... 9. 1.3. INFLUÊNCIA DA QUALIDADE NOS PREÇOS ................................. 11. 1.4. OBJETIVOS, QUESTÃO DE PESQUISA E CONTRIBUIÇÃO …...... 14. 2. REFERENCIAL TEÓRICO ……..….................................................. 16. 2.1. NORMAS MÍNIMAS DE QUALIDADE ............................................... 17. 2.2. ROTULAGEM DE PRODUTOS ……................................................… 19. 2.3. CERTIFICAÇÃO ..................................................................................... 20. 2.4. PROCESSO REGULATÓRIO ................................................................ 22. 2.4.1 Fase de elaboração da regra .................................................................. 22 2.4.2 Fase de implementação da regra ……...............................................… 23 2.4.3 Fase de aplicação da regra …..................................................….…...... 23 2.5. SEGMENTO DA SINALIZAÇÃO DE SEGURANÇA .......................... 24. 2.6. INSTRUMENTOS REGULATÓRIOS NA SINALIZAÇÃO DE SEGURANÇA …..................................…...… 26. 2.7. OBJETIVOS DA NORMALIZAÇÃO ………..................................…... 27. 2.8. CUSTO TOTAL DE PROPRIEDADE …..........................................….. 29. 3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS …………..............……... 36. 3.1. DELINEAMENTO E TIPOLOGIA DA PESQUISA QUANTO AOS OBJETIVOS .................................................................. 36. 3.2. TIPO DE ABORDAGEM AO PROBLEMA ........................................... 37. 3.3. PROCEDIMENTO E AMOSTRA ........................................................... 37. 3.4. ESTRUTURAÇÃO DE PERGUNTAS .................................................... 42. 3.5. TRATAMENTO DE DADOS .................................................................. 43. 3.5.1 Codificação do grupo de perguntas sobre importância dos atributos e tarefas de aquisição de sinalização de segurança .............. 44 3.5.2 Codificação do grupo de perguntas sobre observação do ambiente regulatório ...................................................... 46 3.5.3 Codificação do grupo de perguntas sobre caracterização do mercado …....................................................... 47 3.5.4 Grupo de perguntas sobre a caracterização do entrevistado .............. 48.

(8) 4. ANÁLISE DE RESULTADOS .............................................................. 48. 4.1. CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA ................................................... 48. 4.2. CARACTERIZAÇÃO DO AMBIENTE REGULATÓRIO …................ 49. 4.3. CARACTERIZAÇÃO DO MERCADO DA SINALIZAÇÃO DE SEGURANÇA …...…….............................…. 51. 4.4. IMPORTÂNCIA DAS ATIVIDADES REFERENTES AO CUSTO TOTAL DE PROPRIEDADE DA SINALIZAÇÃO .................. 53. 5.. CONCLUSÕES ………...............................................................…........ 58 REFERÊNCIAS …………...................................................................... 62 ANEXO A ……………………..............................................………….. 65 APÊNDICE A ……………….....................……………………......…... 66 APÊNDICE B ……………………………................………………….. 67 APÊNDICE C ……………………….………...................…………….. 79 APÊNDICE D ……………………………...........................…….…….. 81 APÊNDICE E …………………..…..............................................…….. 87 APÊNDICE F …………………………………..……......................….. 91 APÊNDICE G …………………...………………....................……….. 93 APÊNDICE H ……………………..……….............................……….. 143.

(9) 7. 1. INTRODUÇÃO Independentemente da perspectiva econômica, se de um estado mais liberal ou, em alternativa, um estado mais interventivo na economia, é facilmente aceite que o estado tem um papel fundamental numa economia de mercado. Desde o final do século XVIII, com o surgimento da obra seminal de Adam Smith - A Riqueza das Nações (1776), que são destacados os três deveres de um soberano: (1) o dever de proteger a sociedade da violência e da invasão por parte de outras sociedades independentes, (2) o dever de proteger, na medida do possível, cada membro da sociedade da injustiça ou opressão contra si perpetrados por quaisquer outros membros da mesma e (3) o dever de criar e manter determinadas obras públicas, as quais nunca será do interesse de qualquer indivíduo ou pequeno grupo de indivíduos, criar e manter, por o lucro nunca permitir reembolsar a despesa, embora possa muitas vezes fazer muito mais do que reembolsar essa despesa a uma grande sociedade (FRIEDMAN, 2012, p. 52). Milton Friedman e Rose Friedman (2012) descrevem um quarto dever do soberano, que acham que, embora presente, não estava devidamente destacado na obra de Adam Smith: (4) o dever de proteger os membros da comunidade que não possam ser considerados indivíduos «responsáveis» (FREIDMAN, 2012, p. 56). Milton Friedman é consensualmente apelidado de “Liberal” ou “Neoliberal” dos mais radicais, o que o caracteriza como sendo um acérrimo defensor de um estado limitado. Mas mesmo um defensor de um estado pouco interventivo na economia reforça a necessidade do papel fundamental da regulação por perceber existirem falhas de mercado. Um dos conceitos econômicos que faz sentido destacar quando se aborda o tema falha de mercado é o chamado efeito de vizinhança ou externalidade1. Por ser impraticável, ou extremamente dispendioso, compensar ou cobrar, das pessoas afetadas, os prejuízos ou benefícios dos efeitos de vizinhança fica caracterizada uma falha de mercado (FREIDMAN, 2012). Assim, facilmente se aceita o papel fundamental da regulação, qualquer que seja a visão. 1. Efeito de vizinhança ou externalidade (positiva ou negativa) é o efeito de alguma ação perpetrada por algum indivíduo, ou grupo de indivíduos, que exerce algum efeito sobre terceiros, não envolvidos diretamente na transação. Um caso típico é o efeito nocivo do fumo de uma fornalha que ao lançar fumaça suja o colarinho de um terceiro – externalidade negativa. Por outro lado, se um indivíduo ajardinar a sua casa, todos os terceiros que por lá passarem irão disfrutar da vista – externalidade positiva (FRIEDMAN, 2012, p. 54)..

(10) 8. político-econômica do governo dos estados, no sentido de procurar compensar, através de regulação, as falhas de mercado. Vários são os instrumentos que as entidades reguladoras têm ao seu dispor para minimizar as falhas de mercado e aumentar a qualidade dos produtos. Para o presente trabalho interessa destacar a introdução de normas mínimas de qualidade e esquemas de rotulagem obrigatória.. 1.1. Normas mínimas de qualidade (e rotulagem obrigatória) A literatura sobre as normas mínimas de qualidade (minimum quality standards) é consensual em relação à importância que tal instrumento regulador tem para aumentar a qualidade dos produtos bem como reduzir a formação de preços hedônicos2. A razão que sustenta tal consenso é que em mercados em que os produtos são apenas diferenciados de forma vertical, ou seja, apenas em uma única dimensão - a dimensão vertical da qualidade - a introdução de normas mínimas de qualidade (NMQ) reduz a diferença de qualidade entre os vários fabricantes (as empresas de qualidade inferior à norma são obrigadas a elevar a sua qualidade para se adequarem) aumentando a concorrência em preços, o que acaba por se traduzir numa redução de preços por unidade de qualidade oferecida (CHEN; SERFES, 2014; RONNEN, 1991; ECCHIA; LAMBERTINI, 1997; BUEHLER; SCHUETT, 2014; GARELL; PETRAKIS, 2007). O aumento da qualidade dos produtos e a redução de preços redunda no aumento dos benefícios para o consumidor (CHEN; SERFES, 2014), na redução das consequências da assimetria de informação (BUEHLER; SCHUETT, 2014; DAI, 2009) e no aumento do bemestar social (DAI, 2009). No entanto, os benefícios das NMQ só são válidos se houver incentivos suficientes no mercado para que os fabricantes cumpram com os mínimos de qualidade determinados pelas normas, especialmente nos casos onde a qualidade não é facilmente observável. A introdução de NMQ em produtos cuja dimensão da qualidade regulada não é facilmente observada, como é o caso da sinalização de segurança, tende a. 2. A abordagem dos preços hedônicos ou preços implícitos, como método de avaliação de bens, tem por base a hipótese de que os atributos de uma determinada mercadoria têm valor ao propiciar utilidade a quem o consome. Desse modo os atributos são responsáveis por parte do valor de mercado de um bem e é possível afirmar que há uma relação entre seu valor e suas características (FERREIRA; RESENDE FILHO, 2010, p. 473)..

(11) 9. aumentar os preços e não tem qualquer impacto na demanda, sendo por isso necessária a introdução de um instrumento regulatório complementar, como a rotulagem obrigatória do produto (BIRG; VOSSWINKLE, 2014). Chen e Serfes (2014) estudaram as implicações da introdução de NMQ em mercados caracterizados por diferenciação vertical e onde os reguladores não conseguem observar perfeitamente a qualidade dos produtos. Referem que a literatura existente até à altura assumia que as empresas não tinham outra opção senão de cumprir com a norma. No entanto, em muitos mercados, tal cumprimento não se observa tendo como resultado um potencial agravamento da situação em relação ao momento anterior da implementação da norma, redundando em mais uma fonte nas falhas nas políticas de regulação (CHEN; SERFES, 2014, p. 285). Mas a regulação não se encerra na elaboração de uma norma. Rousseau e Proost (2005) definem três fases que compõem o processo regulatório (fase da elaboração da norma, fase de implementação da norma e fase de aplicação da norma) e demonstram que a existência e informação ao mercado destas três fases alteram a eficiência dos diversos instrumentos regulatórios (ROUSSEAU; PROOST, 2005, p. 337). Na fase de implementação da norma, além da sua entrada em vigor, é necessária a elaboração de regulação acessória para uma correta implementação, como por exemplo a definição de multas e penalizações para as empresas que decidam por permanecer no mercado não cumprindo a norma e na fase de aplicação da norma é necessária a definição de uma política de fiscalização e monitoramento envolvendo instrumentos sancionatórios (enforcement).. 1.2. Sinalização de segurança (fotoluminescente3) No Brasil, assim como em grande parte do mundo, o mercado da segurança é regulado por leis, assentes em normas elaboradas por órgãos técnicos que reconhecem as falhas do mercado livre. Tais normas brasileiras prescrevem os requisitos técnicos mínimos de qualidade dos produtos a nível nacional e ganham um caráter de obrigatoriedade quando inseridas no corpo das várias leis estaduais.. 3. “A fotoluminescência é o processo através do qual uma substância absorve fótons (energia eletromagnética) e depois os emite no escuro. De uma forma mais simples: ser fotoluminescente é ter a capacidade de absorver energia e brilhar no escuro! ” (EVERLUX. O fotoluminescente na sinalização de segurança. Disponível em: < http://br.everlux.com.br/br/destaques >. São Paulo, 2016. Acesso em:11/12/2016).

(12) 10. É fácil e lamentavelmente sentida a falha de mercado por ocorrência do trágico incêndio que ocorreu a 27 de janeiro de 2013 na Boate Kiss em Santa Maria (RS) onde 241 pessoas acabaram por perder a vida: Sem enxergar em função da fumaça, o público acabou se dirigindo para os banheiros, onde a maioria das vítimas foi encontrada […]. Segundo a polícia, a saída única está entre os fatores que contribuíram para que o incêndio deixasse tantas vítimas. Testemunhas relataram que a boate não possuía sinalização interna e que o local ficou às escuras logo que o fogo começou, o que dificultou a saída do público e fez com que muitos frequentadores acabassem no banheiro, onde morreram asfixiados. (O GLOBO. Tragédia em Boate no RS: o que já se sabe e as perguntas a responder. Rio Grande do Sul, 22 de março de 2013. Disponível em: < http://g1.globo.com/rs/riogrande-do-sul/noticia/2013/01/tragedia-em-santa-maria-o-que-ja-se-sabe-e-perguntasresponder.html > Acesso em:13/12/2016, grifo do autor).. Torna-se desta maneira aceitável, até para os mais acérrimos defensores do mercado livre, a existência de um órgão que implemente regulação no sentido de minimizar tal falha de mercado. É a norma da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) NBR 134344 que rege a sinalização de segurança fotoluminescente contra incêndio e pânico, sendo adotada pelos diversos estados através de legislação estadual, emitida pelos corpos de bombeiros. A sinalização de segurança é oferecida ao mercado através duma cadeia de valor composta pelos fabricantes, os intermediários que prescrevem, distribuem e instalam a sinalização e os consumidores. Os instrumentos utilizados pelo regulador brasileiro no tocante à sinalização de segurança são a utilização combinada de NMQ, através da norma da ABNT NBR 13434, e rotulagem obrigatória do desempenho fotoluminescente do próprio sinal, rotulagem essa que é prescrita no próprio corpo da norma (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 13434-3: Sinalização de segurança contra incêndio e pânico. Requisitos e métodos de ensaio, Rio de Janeiro, 2005, p. 4). A qualidade normativa (desempenho fotoluminescente) mínima da sinalização de segurança é definida como o brilho, em milicandela por metro quadrado, que os sinais devem possuir no escuro e tem os valores de: 140mcd/m2 (milicandela por metro quadrado) 10 minutos após o término da estimulação dos sinais (iluminação); 20mcd/m2 60 minutos após o término da. 4. A norma da ABNT NBR 13434, partes 1, 2 e 3, está baseada em normas internacionais, nomeadamente da International Organization for Standardization (ISO), tendo sido publicada a sua última parte - a parte 3 - em 29/08/2005..

(13) 11. estimulação e um período de atenuação de 1.800 minutos até atingir os 0,3mcd/m2 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 13434-3: Sinalização de segurança contra incêndio e pânico. Requisitos e métodos de ensaio, Rio de Janeiro, 2005, p. 4). Toda a sinalização de segurança que cumpra, cumulativamente, estes três requisitos de desempenho é considerada como estando em conformidade com a norma e, para estar em total conformidade, deverá incluir a marcação desse desempenho no próprio sinal. Por oposição, qualquer sinal que não cumpra um dos três requisitos ou que não possua a rotulagem, terá que ser considerado como um sinal não conforme. Fica notória a dificuldade da observação da dimensão de qualidade da sinalização no que toca à sua principal característica – o efeito fotoluminescente. Tal característica apenas pode ser medida em laboratório, o que inviabiliza a sua perfeita observação pelo regulador. Assim, ao ser exigida a rotulagem obrigatória da qualidade (desempenho fotoluminescente) no próprio sinal, o regulador tenta corrigir esse problema, que vai ao encontro das conclusões de Birg e Vosswinkel (2014) mas, ainda assim, o problema mantém-se: o regulador por não conseguir aferir facilmente a qualidade dos sinais também não consegue avaliar a veracidade da rotulagem. Dessa forma, pela percepção de um processo regulatório falho e incompleto (ROUSSEAU; PROOST, 2005), as empresas podem optar por assumir o risco (CHEN; SERFES, 2014) mantendo-se no mercado e não cumprindo, de forma consciente e voluntária, com a qualidade mínima da norma (SCARPA, 1998; MONTERO, 2000; DAI, 2009). Igualmente, porque o regulador não consegue observar a qualidade dos produtos, a própria rotulagem obrigatória do produto pode estar incorreta quer seja por falhas ou imperfeições no processo de fabricação ou de forma consciente (GARELLA; PETRAKIS, 2006, p. 285). Assim, a implementação da norma pode acabar por se tornar contraproducente, piorando os níveis de qualidade média consumida anteriores à sua implementação (CHEN; SERFES, 2014). 1.3. Influência da qualidade nos preços O relacionamento interempresarial tem sido amplamente estudado na academia tendo dado origem a vários conceitos na área da contabilidade de custos como os de análise da cadeia de valor (value chain analysis) e custo do ciclo de vida (life cycle cost), entre tantos outros. De acordo com Dekker (2003) o método de análise da cadeia de valor foi introduzido inicialmente por Porter em 1985 na área da estratégia tendo tido desenvolvimentos posteriores na área da contabilidade por Shank e Govindarajan em 1992 e 1993 (DEKKER, 2003, p. 2). Dekker (2003) apresenta a análise da cadeia de valor como a divisão da cadeia de atividades, que vão desde as.

(14) 12. matérias primas mais básicas até aos usuários, em segmentos estrategicamente relevantes de maneira a perceber o comportamento de custos e as fontes de diferenciação (SHANK; GOVINDARAJAN, 1992, p. 180 apud DEKKER, 2002, p. 2). Porter (1986) descreve as três estratégias competitivas genéricas: (1) liderança no custo total, em que se exige “[…] uma perseguição vigorosa de reduções de custo pela experiência, um controle rígido do custo e das despesas gerais, […] e a minimização do custo em áreas como P & D, assistência, força de vendas, publicidade, etc.” (PORTER, 1986, p. 50); (2) diferenciação, em que o objetivo “é diferenciar o produto ou o serviço oferecido pela empresa, criando algo que seja considerado único ao âmbito de toda a indústria” (PORTER, 1986, p. 51) e (3) enfoque, onde se procura “enfocar um determinado grupo comprador, um segmento da linha de produtos, ou um mercado geográfico; como com a diferenciação, o enfoque pode assumir diversas formas.” (PORTER, 1986, p. 52). Dekker (2003) reforça também que na relação entre fornecedor e comprador, as ligações entre ambos expressam o quanto as atividades do consumidor influenciam as do fornecedor em termos das atividades de custo e diferenciação (DEKKER, 2003, p. 5). Fica demonstrada a dicotomia entre dois objetivos; por um lado as empresas podem optar por uma estratégia (PORTER, 1986) ou um determinado tipo de controle (DEKKER, 2003) com vista à diferenciação ou, por oposição, com vista à redução de custos. A literatura sobre NMQ é unânime em relação ao objetivo da redução da diferenciação entre os produtos e aumento da concorrência de preços. Cumprindo a norma os produtos tornam-se indiferenciáveis obrigando os fabricantes a focar exclusivamente na redução de custos. Adicionalmente, sendo o processo regulatório falho e incompleto, não penalizando os fabricantes infratores, poderá haver um incentivo para os fabricantes baixarem os preços em detrimento do cumprimento da qualidade, acirrando sobremaneira a concorrência por preço e formando uma espiral de contínua redução de preços proporcionada pelo relaxamento no cumprimento da qualidade da norma. A presente pesquisa pretende estudar esse fenômeno no segmento da sinalização de segurança, avaliando a influência das escolhas dos usuários no nível de qualidade média consumida e considerando um determinado ambiente com possíveis falhas no processo regulatório. Para tanto interessa analisar, não a cadeia de valor como um todo mas apenas a relação existente entre dois dos elementos: o distribuidor e o usuário. Sendo o distribuidor considerado como um elemento neutro na cadeia, representado apenas o papel de simples e.

(15) 13. mero intermediário sem influência direta no mercado, ao estudar esse relacionamento teremos a noção das demandas dos usuários repassadas pelos distribuidores aos fabricantes. O distribuidor apenas comercializa o que os consumidores de sinalização de segurança exigem e adquire o que os fabricantes fornecem ao mercado5. Adicionalmente, a prática comum de aquisições de sinalização de segurança por parte dos grandes consumidores (grandes, médias e pequenas empresas) se dá pela influência de duas ou mais áreas organizacionais; uma área técnica que sente a necessidade de adequação à norma por exigência do regulador e uma outra área, de compras, que conclui a fase de aquisição dos sinais. Pelas próprias atribuições, essas duas áreas funcionais da empresa compradora (usuário) podem ter percepções diferentes, e até mesmo divergentes, do processo de aquisição como um todo. O distribuidor, por ter acesso e contato com ambas as áreas, acaba por ter um conhecimento mais amplo e generalizado do usuário como entidade individual e assim dotar a pesquisa de uma maior significância prática. Por exemplo, a seleção das características da sinalização a ser adquirida é uma atividade da responsabilidade da área técnica e a seleção das modalidades de pagamento e aquisição dos sinais é da responsabilidade da área de compras. O distribuidor tem acesso e comunica com ambas as áreas. A presente pesquisa estuda o relacionamento entre dois elos da cadeia de valor – distribuidor e usuário – mas apenas pelo ponto de vista do usuário, ou melhor, pela percepção que o distribuidor tem das demandas do usuário; o distribuidor sabe perfeitamente o que lhe é exigido, e por isso valorizado, pelo usuário. Cabe então estudar, no âmbito da contabilidade, a influência das escolhas do usuário no nível de qualidade da sinalização e, para isso, a metodologia que o autor julgou mais apropriada é a do total cost of ownership ou custo total de propriedade (CTP) que engloba os custos da emissão, entrega, quantidade e gerenciamento do pedido percebidos pelo comprador (DEKKER, 2003, p. 5). Custo total de propriedade é o verdadeiro custo de comprar um determinado produto ou serviço e consiste no preço e outros elementos que refletem custos adicionais causados pelos fornecedores na cadeia de valor da empresa compradora (DEGRAEVE; ROODHOOFT, 1997, p. 43).. 5. Um distribuidor pode ter uma influência pontual em determinado usuário ou durante um curtíssimo espaço temporal mas a guerra concorrencial, motivada pela introdução de NMQ, reforça a que no equilíbrio tal distribuidor tenda a perder essa influência e a sujeitar-se à condição de mero intermediário..

(16) 14 Custo total de propriedade envolve a quantificação monetária de atributos não financeiros e a subsequente agregação desses atributos numa medida de resumo financeira (MORSSINKHOF; WOUTERS; WARLOP, 2011, p. 1). Custos totais de propriedade podem ser definidos como a soma dos custos associados à aquisição, propriedade, utilização e subsequente descarte de um produto ou serviço (ELLRAM, 1995, apud SACCANI, PERONA, BACCHETTI, 2016, p. 1).. Saccani, Perona e Bacchetti (2016) preenchem um vazio na literatura permitindo a abordagem do custo total de propriedade no domínio do business-to-consumer, algo que estava amplamente estudado principalmente em contextos de business-to-business. Criam um modelo que permite a generalização da abordagem do CTP para a aquisição de bens de consumo duráveis, oferecendo suporte ao processo de compra do usuário, considerando todos os fatores de custo relacionados com a aquisição, utilização, manutenção e descarte do produto (SACCANI; PERONA; BACCHETTI, 2016, p. 1). O presente estudo segue esse modelo fazendo as devidas adaptações ao segmento da sinalização de segurança.. 1.4. Objetivos, questão de pesquisa e contribuição A sinalização de segurança está regulada através de legislação nos vários estados brasileiros e assente em requisitos técnicos prescritos em norma nacional. Sendo o objetivo da regulação a diminuição da diferenciação entre os vários produtos com subsequente redução de preços, torna-se então fundamental para os fabricantes a procura por uma constante redução de custos. Como a qualidade dos produtos é de difícil observação pelo regulador e o processo regulatório é incompleto, torna-se assim possível, e até tentador, a redução de custos via o relaxamento do cumprimento dos requisitos mínimos de qualidade definidos pela norma. É perfeitamente natural que um fabricante, ao perceber que um seu concorrente está a descumprir com a NMQ e ainda assim os seus produtos são absorvidos pelo mercado, se sinta tentado a fazer o mesmo de maneira a garantir a sua sobrevivência. Nesse contexto os usuários vão exercendo uma pressão no sentido da diminuição dos preços dos produtos e ao distribuidor resta apenas fornecer o que lhe é demandado pelo usuário e fornecido pelo fabricante. O delineamento da pesquisa é feito pela importância que o usuário dá às tarefas do processo de aquisição da sinalização de segurança sendo estas medidas através do ferramental do custo total de propriedade (SACCANI; PERONA; BACCHETTI, 2016). Dessa forma tanto os atributos da sinalização assim como as atividades do processo de compra, desde a aquisição até ao descarte, serão medidos através da percepção que o distribuidor tem das exigências que lhe.

(17) 15. chegam por parte dos usuários. Sendo o distribuidor a responder pelo usuário, será facilitada a percepção do usuário como entidade individual (dado que num processo de compra várias áreas organizacionais do usuário estão normalmente envolvidas) além de eliminar o viés da possível existência de algum nível de “pudor” por parte do usuário em admitir não se interessar pela qualidade dos produtos em caso de questionamento direto. O presente estudo tem como objetivo principal avaliar a influência das escolhas dos usuários no nível de qualidade média consumida e preços da sinalização de segurança. Enquadrando-se na ideia inicial da existência de um ambiente regulatório incompleto e sem rigor na fiscalização, há então lugar a um objetivo específico que é a percepção, também sob a ótica do distribuidor, sobre o estado geral do cumprimento da norma e do processo regulatório como um todo. A questão de pesquisa que emerge é: Estará o usuário, devido à percepção de ambiente regulatório falho e incompleto, a forçar uma diminuição dos níveis de qualidade da sinalização de segurança? Os governos têm ao seu dispor vários instrumentos regulatórios subsidiários do desenvolvimento de políticas públicas com vista à eliminação ou redução dos efeitos das falhas do mercado livre. No entanto, e de acordo com a literatura, tais instrumentos quando implementados de forma incompleta podem apresentar efeitos contrários aos desejados (SCARPA, 1998; MONTERO, 2000; ROUSSEAU; PROOST, 2005; GARELLA; PETRAKIS, 2006; DAI, 2009; CHEN; SERFES, 2014). Nesse sentido importa então investigar empiricamente se existem entidades pertencentes à cadeia de valor da sinalização - no presente estudo os usuários – que, apercebendo-se da falha da fiscalização, forçam o mercado no sentido contrário aos objetivos que são traçados pelo regulador ex-ante da implementação da norma. A contribuição desta pesquisa permite levantar um olhar crítico, ex-post da implementação da norma, buscando confirmar as bases que a literatura oferece à regulação e explicadas no âmbito da teoria da contabilidade através de uma pesquisa sobre as escolhas e influência do usuário. Dessa forma as conclusões do estudo oferecem ao regulador uma avaliação prática do sucesso da implementação da norma6 bem como um melhor entendimento sobre o impacto das 6. Entenda-se este sucesso como a evolução da qualidade da sinalização de segurança para níveis superiores ao limite estabelecido pela NMQ e não como a qualidade da própria regulação em termos de impacto na sociedade, por exemplo na redução do número de vítimas em incêndios. Para um melhor entendimento da qualidade da regulação propriamente dita consultar trabalho de Marneffe e Vereeck (2011) onde definem que as regulações devem ser eficazes mas além disso, devido aos altos custos associados, devem ser analisadas pela relação custo vs eficácia e elencam todos os custos associados à regulação..

(18) 16. escolhas de um interveniente do mercado, apontando direções para possíveis ações no sentido da melhoria do processo regulatório. Do ponto de vista acadêmico este estudo oferece uma perspectiva diferente, das pesquisadas pelo autor, ao permitir apontar uma possível explicação (escolhas dos usuários) para o que é consensualmente reconhecido como uma falha das NMQ em determinados ambientes.. 2. REFERENCIAL TEÓRICO Os efeitos de vizinhança, ou externalidades, decorrentes das falhas do mercado livre são sobejamente estudados pela academia e foram sendo contemplados pelos governos dos vários países em forma de regulação com o objetivo de eliminar, atenuar ou compensar tais falhas de mercado. Uma falha do mercado livre é também a assimetria de informação. Por exemplo, um fabricante produz um produto com uma determinada qualidade mas os usuários não conseguem observar essa qualidade. Nesse cenário está criada uma falha de mercado motivada por informação assimétrica que não permite que as empresas se consigam diferenciar na dimensão vertical da qualidade, comprometendo a fabricação de produtos de qualidade elevada em troca de preços mais altos; os usuários acabam por considerar todos os produtos (dos vários fabricantes) homogêneos (BALTZER, 2011, p. 61). Ao mesmo tempo, a assimetria de informação pode tender a que, porque os usuários não têm toda a informação, os fabricantes possam fornecer produtos com uma qualidade inferior à qualidade considerada socialmente desejável (BUEHLER; SCHUETT, 2014, p. 493). Igualmente, na relação entre fabricante e entidade reguladora onde os fabricantes podem fornecer ao mercado produtos com qualidade inferior à regulada (DAI, 2009). Dos vários instrumentos regulatórios ao dispor dos governos para minimizar os efeitos das falhas de mercado, interessa para o presente trabalho analisar a introdução de normas mínimas de qualidade (NMQ), instrumento utilizado no Brasil como forma de regular a sinalização de segurança através da norma brasileira da ABNT NBR 13434, partes 1, 2 e 3. A sinalização de segurança possui diversas dimensões de qualidade sendo a principal a sua característica de desempenho fotoluminescente (brilho no escuro). Dada a dificuldade técnica em aferir essa característica de qualidade, que é apenas determinada em ambiente laboratorial, o regulador utiliza-se de um instrumento regulatório.

(19) 17. complementar: a rotulagem obrigatória do produto. Assim, a própria norma ABNT NBR 13434 refere a necessidade de toda a sinalização de segurança possuir uma rotulagem no próprio produto, indicando o seu desempenho fotoluminescente. A introdução dos esquemas de rotulagem obrigatória na sinalização de segurança não resolve o problema da aferição do desempenho fotoluminescente (assimetria de informação) o que vem pressionando a evolução da regulação para um próximo patamar de exigência, a certificação. A literatura sobre normas mínimas de qualidade, esquemas de rotulagem e de certificação tem sugerido que tais instrumentos regulatórios apenas atingem os seus objetivos em mercados com determinadas características, especialmente em ambientes com processos regulatórios completos e bem desenvolvidos. Mas, refere também, que na ausência de tais ambientes os resultados da regulação podem inclusivamente ser contraproducentes. A presente pesquisa estuda a regulação da sinalização de segurança tomando como ponto de partida as escolhas e decisões dos usuários como elemento gerador de pressões condicionadoras da qualidade média da sinalização de segurança consumida no mercado brasileiro. 2.1. Normas mínimas de qualidade (NMQ) As NMQ são muitas vezes adotadas com vista ao aumento da qualidade dos produtos produzidos e consumidos mas podem também sustentar objetivos que vão além disso. Ronnen (1991) apresenta o exemplo da indústria automotiva nos EUA onde os usuários preferiam carros com um melhor desempenho (em km por litro de combustível) pela redução de custos operacionais. Cumulativamente, o governo dos EUA também preferia que os motoristas utilizassem carros com melhores desempenhos energéticos mas por diferentes razões; por um lado porque reduziriam as emissões de dióxido de carbono para a atmosfera mas também para reduzir a dependência do país ao petróleo estrangeiro. A necessidade de carros mais econômicos por parte dos usuários não era incentivo suficientemente forte para que as montadoras desenvolvessem carros com melhores desempenhos (em km por litro) e por isso foi desenvolvida, por parte do governo dos EUA, uma regulação direta ao setor exigindo a fabricação de carros com melhores desempenhos. Motivação semelhante pode ser encontrada na regulação de equipamentos de segurança, como no caso dos alarmes de incêndio, onde os usuários estão dispostos a pagar pela qualidade, mas o governo – por paternalismo ou razões de existência de externalidades – acha que a qualidade de mercado livre é insuficiente (RONNEN, 1991). Também a introdução dos sistemas de segurança de air bags e ABS na indústria automotiva derivam da percepção dos reguladores sobre a necessidade da elevação de qualidade.

(20) 18. por razões paternalistas ou pela existência de externalidades (ECCHIA; LAMBERTINI, 1997, p. 1). Ficam nestes exemplos patenteados os deveres do soberano apresentados por Milton Friedman (2012) que, na presença de falhas de mercado, o regulador é levado a emitir uma exigência em termos de NMQ, quer seja para gerar externalidades positivas ou reduzir externalidades negativas. A teoria do interesse público (ou normativa) explicaria a regulação ambiental como um instrumento que corrige falhas de mercado e aumenta o bem-estar social. (POSTNER, 1974, apud ROUSSEAU; PROOST, 2005, p. 345). A teoria sobre os benefícios das NMQ assenta na premissa de que com a introdução das normas as empresas não têm outra opção senão cumprir com a qualidade mínima estabelecida. Contudo, em muitos mercados onde a observação da qualidade e a fiscalização não são perfeitos, algumas empresas podem optar por não elevar a qualidade dos seus produtos, permanecendo no mercado com produtos de qualidade inferior (CHEN; SERFES, 2014). Num mercado caracterizado por um duopólio de diferenciação vertical, quando a qualidade é perfeitamente observável pelo regulador, a empresa de qualidade inferior à norma aumenta a sua qualidade para atender perfeitamente à norma. A empresa de qualidade superior, em resposta, aumenta a sua qualidade de forma a preservar a diferenciação vertical mas, porque o aumento da qualidade implica aumento de custos, o incremento na qualidade é menor que o da empresa de qualidade baixa. O resultado final é uma menor diferenciação existente no mercado e a redução de preços hedônicos (RONNEN, 1991; ECCHIA; LAMBERTINI, 1997; GARELLA; PETRAKIS, 2007; CHEN; SERFES, 2014). Scarpa (1998) dá uma grande contribuição para o estudo das NMQ refutando os trabalhos anteriores, caracterizados por mercados em duopólio, ao introduzir uma terceira empresa de qualidade intermediária no jogo concorrencial. Nesse cenário a empresa de qualidade intermediária enfrenta um dilema: se não aumenta o seu nível de qualidade passa a ser percebida no mercado como muito semelhante à empresa de qualidade baixa que aumentou a sua qualidade em face da introdução da NMQ. Se aumenta a sua qualidade, então a distância de qualidade para a empresa de qualidade inferior aumenta. Qualquer que seja a sua decisão, a concorrência por preços vai aumentar podendo reduzir, ou até destruir, os incentivos das empresas para a fabricação de produtos de qualidade superior. Assim, um dos objetivos principais das NMQ - aumento da concorrência - pode representar um incentivo negativo para.

(21) 19. o fornecimento de produtos de alta qualidade e representar por isso uma falha de políticas públicas (SCARPA, 1998, p. 675). Chen e Serfes (2014) argumentam que, no caso de o regulador observar a qualidade com algum ruído, se o regulador recebe um sinal de que a qualidade de algum produto está abaixo da NMQ, então esse fabricante recebe uma multa, que é função do quão afastada a qualidade do produto está em relação à NMQ. Nesse cenário a empresa de qualidade baixa aumentará a sua qualidade para cumprir com a norma mas não terá incentivos para cumprir perfeitamente e, dependendo da multa, quanto mais afastada estiver da NMQ, menores os incentivos para incrementos de qualidade. Por sua vez a empresa de qualidade superior aumenta a qualidade por dois motivos: (1) para assegurar a manutenção da diferenciação vertical e (2) para reduzir a probabilidade de enviar um sinal ao regulador de que está abaixo da NMQ. Isto representa dizer que em mercados com características semelhantes, a empresa de qualidade elevada tem incentivos mais fortes para incrementos de qualidade do que a empresa de qualidade baixa, resultando num maior nível de diferenciação vertical e na prática de maiores preços hedônicos para ambas as empresas. As empresas também podem optar conscientemente por produzir com qualidade inferior à norma caso o risco do não cumprimento seja compensado pela poupança esperada pelo não investimento no aumento de qualidade. Assim, e de forma simplificada, quando a poupança esperada da empresa (E) for superior ao valor da multa a pagar por cada vez que flagrada em não cumprimento (m) multiplicada pela probabilidade de ser flagrada (p), a empresa opta por não cumprir: E > m x p (CHEN; SERFES, 2014, p. 274). Daqui resulta que não havendo multas ou não havendo possibilidade de flagrante, qualquer empresa que não tenha (outros) incentivos para cumprimento da NMQ optará pelo não cumprimento.. 2.2. Rotulagem de produtos A marcação compulsória de produtos é usualmente considerada como um instrumento regulamentário “brando”, que não altera diretamente o design do produto, enquanto que a introdução de NMQ é considerada um instrumento “forte” porque força as empresas a alterarem diretamente os seus produtos em relação a determinadas preferências políticas (BIRG; VOSSWINKEL, 2014, p. 2)..

(22) 20. Birg e Vosswinkel (2014) desenvolveram o trabalho para o caso de produtos com diferenciação vertical mas onde nem todos os atributos de qualidade são observáveis, dando como exemplo a aplicação de rotulagem obrigatória nos eletrodomésticos. O consumo de energia dos eletrodomésticos é de difícil observação pelo usuário, por isso, com vista à redução dos consumos energéticos (redução de externalidades negativas), alguns países obrigaram os fabricantes a adicionar uma marcação (de A+++ até D) aos seus produtos por forma a indicar ao usuário uma dimensão adicional de qualidade não facilmente observável (BIRG; VOSSWINKEL, 2014, p. 2). O contributo desse trabalho prende-se com o fato de que quando existem duas dimensões de qualidade num produto; uma observável e relevante e uma outra também relevante mas não observável, como no caso dos eletrodomésticos, a qualidade funcional do equipamento é facilmente observável contrariamente ao seu consumo energético, o que torna a marcação dessa segunda dimensão de qualidade desejável e necessária. A conclusão desse trabalho refere que a utilização singular de NMQ ou esquemas de rotulagem obrigatória não têm qualquer impacto na dimensão observável de qualidade, aumentam os preços de todos os produtos e não tem impacto nas participações de mercado. Contudo, a utilização combinada de ambos os instrumentos regulatórios (NMQ e rotulagem) afetam (1) investimentos na dimensão de qualidade, (2) aumentam preços, caso a exigência da norma seja superior à qualidade oferecida pela empresa de menor qualidade e (3) influenciam as participações de mercado transferindo a demanda de produtos da empresa de qualidade inferior para a de qualidade superior (caso a exigência da norma seja alta) ou, pelo contrário, da empresa de qualidade superior para a empresa de qualidade inferior caso a exigência da norma seja baixa (BIRG; VOSSWINKEL, 2014, p. 10). Os instrumentos regulatórios utilizados no Brasil para a sinalização de segurança vão ao encontro do trabalho de Birg e Vosswinkel (2014) uma vez que além da NMQ existe também, cumulativamente, a necessidade de rotulagem obrigatória, dada a fraca observância da qualidade quer por parte do usuário quer por parte do regulador. No entanto, também nos esquemas de rotulagem obrigatória pode acontecer que a qualidade rotulada do produto não corresponda à sua real qualidade: (1) de forma deliberada, onde o que está marcado é consciente e voluntariamente superior à efetiva qualidade do produto ou (2) por negligência, onde o que está marcado está acima da efetiva qualidade do produto por falta de cuidado ou de controle na forma como o produto é fabricado (GARELLA; PETRAKIS, 2007, p. 285). 2.3. Certificação.

(23) 21. A redução da assimetria de informação é particularmente importante em produtos cuja qualidade é dificilmente observável pelo mercado. Os fabricantes, devido à reduzida informação do usuário, ficam tentados a fornecer produtos de qualidade inferior ao nível ótimo socialmente aceitável (BUEHLER; SCHUETT, 2014). A certificação é um processo em que o governo ou uma entidade terceira independente verifica se um produto atende determinados critérios. Atendendo, o fabricante de tais produtos obtém um certificado que fica visível para o usuário (BUEHLER; SCHUETT, 2014). Buehler e Schuett (2014) referem que em mercados onde os usuários estejam mal informados ou onde seja difícil observar a qualidade dos produtos, a certificação pode ter um desempenho superior às NMQ. Referem que a decisão de certificar um produto depende apenas no lucro esperado em relação às vendas sem certificação e que quando as empresas tomam a decisão de investimento na elevação da qualidade apenas têm em consideração as receitas oriundas dos usuários informados. No entanto, também os usuários mal informados conseguem antecipar de forma correta as escolhas de qualidade das empresas de maneira que, no equilíbrio, os investimentos de qualidade das empresas determinam as suas receitas de ambos os tipos de usuários. As empresas têm, portanto, incentivos fortes para fazer investimentos em qualidade e a certificação permite-lhes demonstrar a qualidade dos seus produtos (BUEHLER; SCHUETT, 2014, p. 494). Isto é o que Van Der Schaar e Zhang (2014) denominam de construção de reputação e comparam dois meios para o conseguir: via certificação ou através de investimentos em aumentos de qualidade. O fabricante pode aumentar a qualidade dos seus produtos passando dessa maneira para o mercado um sinal que lhe permite aumentar a sua reputação ou, em alternativa, pode investir num esquema de certificação, aumentando assim também a sua reputação. No entanto concluem que a certificação pode ser menos benéfica porque destrói o incentivo do fabricante para a construção da reputação através do esforço (VAN DER SCHAAR; ZHANG, 2014, p. 534). Na comparação entre certificação e NMQ, uma certificação adequada ganha vantagem podendo melhorar o bem-estar social apenas se uma pequena parte dos usuários estiver bem informada. Se pelo contrário a maioria dos usuários conseguir observar a qualidade dos produtos, então as empresas não têm qualquer necessidade de confiar num certificado (BUEHLER; SCHUETT, 2014, p. 495). Buehler e Schuett (2014) salientam ainda que as suas conclusões são válidas partindo do princípio que as entidades certificadoras não têm comportamentos desonestos e todos os certificadores têm critérios de certificação semelhantes, não havendo certificadores mais exigentes nem menos exigentes. Salientam também que os.

(24) 22. incentivos das certificadoras devem ser corretos para um honesto desenho de esquemas de certificação, indicando que as experiências recentes no setor financeiro tornam as certificações emitidas por entidades governamentais mais prováveis de satisfazer o requisito da honestidade do que de entidades privadas (BUEHLER; SCHUETT, 2014, p. 505; VAN DER SCHAAR; ZHANG, 2014, p. 515). A certificação desonesta tende a acontecer na eventualidade de falta de meios técnicos para avaliação da qualidade dos produtos, podendo redundar na prática de subornos ou emissão de certificados forjados (STRAUSZ, 2004, p. 58). O risco da prática da certificação desonesta depende da expectativa da demanda futura do mercado; se o certificador espera uma larga demanda futura, os ganhos de longo-prazo aumentam e a prática de suborno torna-se menos atrativa, o que sugere que certificação honesta é mais fácil de se sustentar quando o número de futuras certificações é elevado e se for concentrada em uma única entidade (STRAUSZ, 2004, p. 47). Mathis, McAndrews e Rochet (2009) apresentam uma possível solução para a redução das avaliações desonestas emitidas a produtos financeiros por parte das empresas de notação financeira, sendo que desse estudo apenas interessa ressaltar o problema de fundo levantando a questão de quem certifica as certificadoras? A mesma questão é levantada por Shahian et al (2016) para as avaliações da qualidade dos serviços de cuidados de saúde nos EUA.. 2.4. Processo regulatório Para um melhor enquadramento do processo regulatório e entendimento da sua abrangência Rousseau e Proost (2005) desenvolveram uma estrutura do processo regulatório para exemplificar o caso das políticas públicas ambientais que, pela similitude, pode ser considerado também para a regulação de outras políticas como a da segurança contra incêndios. Definem três fases: fase da elaboração da regra (rule-making stage), fase de implementação da regra (implementation stage) e fase de aplicação da regra (enforcement stage). 2.4.1. Fase de elaboração da regra (rule-making stage) Nesta fase o regulador escolhe a melhor forma de atacar o problema promovendo discussão com entidades públicas e com grupos de interesse com o propósito de definir objetivos e instrumentos a utilizar na prossecução desses objetivos..

(25) 23. No caso da sinalização de segurança contra incêndio e pânico o instrumento regulatório é uma NQM - norma NBR14343 - que define os requisitos técnicos mínimos, contando em seu texto com um outro instrumento complementar que é a marcação ou rotulagem obrigatória dos produtos. Cumulativamente, para dotar a NMQ de caráter vinculativo, várias leis estaduais são emitidas. 2.4.2. Fase de implementação da regra (implementation stage) Estando já a regra em vigor, alguma regulação extra é necessária no sentido de impor a sua correta implementação. Alguns exemplos: . dever de documentar, pode ser exigido às empresas o preenchimento de alguma documentação sobre a sua atividade. As empresas apenas devem ter tal documento sem terem a necessidade de o encaminhar a qualquer entidade;. . dever de notificar, pode ser exigido que as empresas comuniquem certas informações a entidades administrativas. Neste caso caberia por exemplo aos fabricantes de sinalização de segurança comunicarem a alguma entidade os resultados do controle de qualidade de seus lotes de produção ou mesmo alterações significativas nos seus processos de fabricação;. . dever de inspecionar e manter, pode ser exigido que as empresas possuam algum tipo de certificação, ficando sujeitas a auditorias frequentes e regulares por entidades terceiras aprovadas.. 2.4.3. Fase de aplicação da regra (enforcement stage) Na fase de aplicação o cumprimento da regulação é assegurado. Uma política de monitoramento e fiscalização deve ser desenvolvida envolvendo instrumentos sancionatórios que coíbam o não atendimento das regras. Quando as empresas não concordam com as penalizações podem sempre recorrer da decisão e isso pode ser incentivo suficiente para que, ainda com a aplicação da multa, as empresas tendam ao não cumprimento caso o processo de recurso seja ‘não oneroso’ e de análise demorada. Assim, quando o processo de recurso é percebido como ‘não oneroso’ pela empresa o regulador deve implementar melhorias no processo de fiscalização. Sendo o processo do recurso percebido como ‘oneroso’ pela empresa, então esse custo pode ser visto como uma garantia dissuasora da decisão de entrada de.

(26) 24. recurso para as empresas que realmente fornecem informações falsas (DAI, 2009, p. 36). O aumento da qualidade é conseguido pela introdução de NMQ em cenários onde o regulador é responsabilizado por possíveis falhas de qualidade (GARELLA, PETRAKIS, 2007, p. 299). No Brasil o regulador não é responsabilizado pelas falhas de qualidade e o presente estudo pretende averiguar se o processo regulatório é completo identificando quem, de fato, é responsável por possíveis falhas de qualidade da sinalização de segurança.. 2.5. Segmento da sinalização de segurança A cadeia de valor da sinalização de segurança (produto acabado) é iniciada nos fabricantes, passando pelos intermediários que prescrevem, distribuem e instalam a sinalização e termina nos clientes ou usuários. A regulação é direcionada para os fabricantes em termos de qualidade da sinalização mas abrange também de forma preponderante usuários e intermediários.. Figura 1 – Cadeia de valor da sinalização de segurança. Regulador A regulação é efetuada através de leis emanadas pelo corpo de bombeiros dos vários estados da união, sendo fundamentada tecnicamente através da norma brasileira da ABNT NBR 13434, partes 1, 2 e 3. O regulador tem a incumbência de promulgar a lei, podendo alterar o conteúdo da norma7, e é simultaneamente o fiscalizador do seu cumprimento. Fabricantes Aos fabricantes, além da padronização das formas, cores e símbolos a utilizar na sinalização de segurança, são impostos requisitos mínimos de qualidade. Por definição, a sinalização de. 7. Em alguns estados por não haver lei própria não é exigido o cumprimento da norma, deixando dessa maneira a fabricação da sinalização ao critério dos fabricantes..

(27) 25. segurança deve brilhar no escuro, ou seja, deve possuir efeito fotoluminescente8 e simultaneamente possuir um determinado comportamento ao fogo9. Tais requisitos, impostos pela norma, influenciam de forma direta e muito significativa a decisão de compra das matériasprimas. Intermediários Aos prescritores (projetistas) o regulador impõe a sinalização que deve ser utilizada, bem como a quantidade, descrevendo as situações de utilização e a localização dos sinais. Impõe também o desempenho fotoluminescente mínimo dos sinais, obrigando assim o projetista a prescrever sinalização cujas características de qualidade sejam iguais ou superiores à NMQ. Ainda no caso dos prescritores, apenas após ser validado pelo corpo de bombeiros (o regulador), o projeto pode ser executado. Os distribuidores fazem a comercialização e instalação dos sinais nos locais prescritos pelo projetista ou, na ausência dessa informação, nas situações e locais de utilização previstos na norma brasileira NBR 13434. Após a instalação dos sinais, o regulador é chamado ao local para fazer uma fiscalização ou vistoria, avaliando a conformidade da instalação dos sinais em relação ao projeto e norma e, em caso de conformidade, é emitido o auto de vistoria do corpo de bombeiros (AVCB).. Clientes ou usuários Os usuários são os proprietários ou exploradores das edificações que têm o direito de. 8. A norma da ABNT NBR 13434-3 define produtos fotoluminescentes como “aqueles que são fabricados utilizando-se pigmentos fotoluminescentes na sua camada de revestimento, normalmente associados a outros materiais em variados graus, conformando lâminas, placas e outros elementos” (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 13434-3: Sinalização de segurança contra incêndio e pânico. Requisitos e métodos de ensaio, Rio de Janeiro, 2005, p. 2). 9. O teste de comportamento ao fogo, ou propagação de chamas, deve ser realizado de acordo com a norma IEC 60092-101:2002 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 134343: Sinalização de segurança contra incêndio e pânico. Requisitos e métodos de ensaio, Rio de Janeiro, 2005, p. 2). A norma IEC 60092-101:2002 define que os materiais devem retardar a propagação de chama, ou seja, não propagar a chama e não continuar a combustão por período determinado (INTERNATIONAL ELECTROTECHNICAL COMMISSION. CEI/IEC 60092-101: Electrical installations in ships. Definitions and general requirements, 2002, p. 17)..

(28) 26. decidir, entre os vários fabricantes, qual a marca de sinalização de segurança a adquirir para a edificação.. 2.6. Instrumentos regulatórios na sinalização de segurança Os instrumentos utilizados pelo regulador brasileiro no tocante à sinalização de segurança contra incêndio e pânico são a utilização combinada de NMQ através da norma da ABNT NBR 13434, partes 1, 2 e 3 e a rotulagem obrigatória do produto (sinais), que é estabelecida na própria norma: Todos os elementos de sinalização devem ser identificados, de forma legível, na face exposta com a identificação do fabricante […]. Adicionalmente, os elementos de sinalização com característica fotoluminescente devem apresentar os seguintes dados: a) intensidade luminosa em milicandelas por metro quadrado, a 10 min e 60 min após remoção da excitação de luz a 22ºC ± 3ºC; b) tempo de atenuação, em minutos, a 22ºC ± 3ºC; c) cor durante excitação, conforme DIN 67510-1; d) cor da fotoluminescência, conforme DIN 67510-1. (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 13434-3: Sinalização de segurança contra incêndio e pânico. Requisitos e métodos de ensaio, Rio de Janeiro, 2005, p. 4). Como referido anteriormente, a norma passa a ter um caráter de obrigatoriedade após ser inserida nas legislações estaduais dos respetivos corpos de bombeiros. A sinalização de segurança apresenta de uma forma muito notória três dimensões de qualidade: (1) forma, dimensão e cores, de acordo com a NBR 13434-2; (2) desempenho, efeito fotoluminescente ou intensidade luminosa, de acordo com a NBR 13434-3 e (3) comportamento ao fogo, de acordo com a NBR 13434-3. A forma, dimensão e cor são relevantes e facilmente observáveis pelo mercado, no entanto as outras duas dimensões de qualidade não são observáveis, o que apresenta um grave problema de assimetria de informação para usuário e até mesmo para o regulador. A exigência da rotulagem obrigatória pode ser vista como uma forma do regulador pressionar os fabricantes a cumprirem com os requisitos da NMQ, tentando dessa forma minimizar a assimetria de informação (BIRG; VOSSWINKEL, 2014). Pela dificuldade de observação da real qualidade da sinalização de segurança o regulador impõe uma rotulagem por forma a que os usuários tenham a informação necessária para poder tomar decisões de compra bem fundamentadas..

Referências

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