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RENATA ADRIANA SILVA SOUZA

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Academic year: 2021

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO ACRE - UFAC

CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS

CURSO DE BACHARELADO EM HISTÓRIA

RENATA ADRIANA SILVA SOUZA

A ORIGEM, A TRAJETÓRIA E ATUAÇÃO DA OAB NO ACRE

(1932-2012).

RIO

BRANCO

ACRE

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RENATA ADRIANA SILVA SOUZA

A ORIGEM, A TRAJETÓRIA E ATUAÇÃO DA OAB NO ACRE

(1932-2012).

Monografia apresentada ao Departamento de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal do Acre, como requisito parcial para obtenção do Grau de Bacharel em História, sob a orientação do Prof. Dr. Francisco Bento da Silva.

RIO

BRANCO

ACRE

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Branco, 2013. 63 f. Monografia (Graduação em História) – Centro de Filosofia e Ciências Humanas. Universidade Federal do Acre, Rio Branco.

Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Central da UFAC

Bibliotecária:Vivyanne Ribeiro das Mercês Neves CRB-11/600

S729o Souza, Renata Adriana Silva,

1969-A origem, a trajetória e a atuação da O1969-AB no 1969-Acre (1932-2012) / Renata Adriana Silva Souza. – 2013.

63 f.; 30 cm.

Monografia (Graduação) – Universidade Federal do Acre, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Curso de Bacharel em História. Rio Branco, 2013.

Inclui Referências bibliográficas e anexos Orientador: Prof. Dr. Francisco Bento da Silva.

1. Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) – Acre – História. 2. OAB – Acre – 1932-2012. 3. Sociedade dos advogados. I. Título.

CDD: 340.0608098112

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A ORIGEM, A TRAJETÓRIA E ATUAÇÃO DA OAB NO ACRE (1932-2012).

Monografia apresentada ao Departamento de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal do Acre, como requisito parcial para obtenção do Grau de Bacharel em História.

BANCA EXAMINADORA

________________________________________________

PROF.DR FRANCISCO BENTO DA SILVA

ORIENTADOR

UNIVERSIDADE FEDERAL DO ACRE

CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS

______________________________________________

PROF. DRA. SANDRA CADIOLLI BASILIO

MEMBRO

UNIVERSIDADE FEDERAL DO ACRE

CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS

________________________________________________

PROF. ARMSTRONG SILVA SANTOS

MEMBRO

UNIVERSIDADE FEDERAL DO ACRE

CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS

________________________________________________

PROF. MSC. VICENTE GIL DA SILVA

SUPLENTE

UNIVERSIDADE FEDERAL DO ACRE

CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS Este exemplar corresponde à redação

final da monografia defendida por Renata Adriana Silva Souza e provada pela Banca Examinadora em 16 de julho de 2013.

RIO BRANC0 - ACRE 2013

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Dedicatória

Dedico este trabalho aos meus filhos: Gabriela e Gabriel Souza.

À minha mãe, Joziele, que sempre lutou e me apoiou para que estudasse e a minha tia, Socorro, que sempre me incentivou a lutar pelos meus objetivos.

(6)

Pablo Neruda

"A história é êmula do tempo, repositório dos fatos, testemunha do passado, exemplo do presente, advertência do futuro."

Miguel de Cervantes

“O desejo de conquistar é algo de extraordinário e natural, e aqueles que se entregam a tal desejo quando possuem os meios para realizá-lo são antes louvados que censurados”.

(7)

Agradeço primeiramente aos meus dois filhos em me apoiarem sempre. À minha mãe Joziele e minha tia Socorro.

À UFAC enquanto instituição de ensino superior.

À Coordenação do curso de Filosofia e Ciências humanas.

Ao secretário da Coordenação e a outros coordenadores pela sua presteza e colaboração ao longo do curso.

Ao prof. Francisco Bento da Silva pela orientação, ajuda inestimável e companheirismo intelectual compartilhado na execução deste trabalho.

Aos professores pelas avaliações durante o curso e a montagem da minha monografia.

A todos os meus companheiros e amigos do curso de História Bacharelado, em especial a Aurilene, Deuzineide e Jhonata, na qual passei mais tempo com eles.

Enfim, agradeço a todos aqueles que, citados ou não, juntos construímos laços de amizade mútua e que contribuíram para que eu me tornasse uma aluna com bons requisitos.

(8)

RESUMO

INTRODUÇÃO 11

CAPITULO I – Criação, Trajetória e Atuação

1.1 A síntese da História da OAB no Brasil 15

1.2 Surgimento do exame da OAB 19

1.3 Trajetória da OAB – AC 21

1.4 Exames da OAB-ACRE 24

1.5 Diretorias da Ordem dos Advogados do Brasil- 1°Secção do Estado do Acre,

Presidenciais que foram precedidas antes de 2007 27

CAPITULO II – A Criação da Universidade do Acre e a Origem do Curso de Direito.

2.1 A origem do curso de direito 29

2.2 Os primeiros passos para a criação da Universidade do Acre 32

2.3 A sede da Universidade 38

2.4 O Procedimento da Federalização da Universidade do Acre 38

CAPITULO - III – Nova implantação da OAB-AC a partir de 2007

3.1 Histórias de uma nova presidência 40

3.2 A nova administração da OAB-ACRE 42

3.3 Seus recursos 43

3.4 Suas instalações e a nova sede 44

3.5 Algumas defesas que a OAB-ACRE fez durante esse período 45

3.6 Final da Presidência de Florindo na OAB-ACRE 46

3.7 Prerrogativas que a OAB oferece 48

CONSIDERAÇÕES FINAIS 50

BIBLIOGRAFIA 53

(9)

RESUMO

Este trabalho consiste em uma análise acerca da criação da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) no Acre, envolvendo diretamente aspectos sobre a sua origem, a trajetória e atuação. Do ponto de vista pessoal, o trabalho atende as minhas curiosidades em busca de adquirir conhecimentos e aprendizados acerca dessas questões, pois no primeiro momento esse assunto me deixava algumas lacunas. Até hoje não existe algo escrito sobre esta instituição classista e sua história, que faz parte do processo de transformações que o Acre vivenciou ao longo dessas décadas em que a OAB se implantou nesta unidade federativa. Logo, a intenção está ligada ao meu interesse em mostrar como se originou a OAB no Acre, analisar sua inserção na sociedade e identificar as mudanças que ocorreram desde sua criação no ano de 1932 até o ano de 2012. Na montagem dessa monografia, foram realizadas algumas entrevistas com pessoas que vivenciaram a trajetória da OAB no Acre, pesquisas de campo e diversas leituras sobre a temática. Os resultados foram satisfatórios, apesar de haver dificuldades nas buscas das fontes. No entanto, pude perceber que a trajetória do órgão foi relevante. Sendo assim acredito que a implantação da Ordem foi muito benéfica, algo que pode ser percebido ao se ler o presente trabalho.

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ABSTRACT

This paper is a review about the creation of the OAB in Acre, directly involving aspects of their origin, trajectory and performance. From a personal standpoint, the work meets my curiosities seeking to acquire knowledge and learning about these issues, because the first time this subject let me open some gaps. Until today there is something written about this classist institution and its history, which is part of the process of transformation that the Acre lived through those decades in which the OAB is implemented this federal unit. Thus, the intention is linked to my interest in showing how it originated OAB in Acre, analyze its insertion. In society and identify the changes that have occurred since its creation in 1932 until the year 2012. In assembling this monograph, there were some interviews with people who experienced the trajectory of OAB in Acre, as well as field surveys were made and several readings on the subject. The results were satisfactory, in spite of the difficulties in searching sources. However, I realize that the trajectory of the body was relevant, where he has been developing gradually. Therefore I believe that the implementation of the order was very beneficial, something that can be realized when reading this paper.

(11)

INTRODUÇÃO

O presente trabalho nasceu de uma indagação pessoal referente ao papel da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB, seção Acre, pois até então eu não fazia a menor ideia de sua atuação. Tinha muitas dúvidas e questionamentos, sendo que esse assunto na minha concepção a priori só dizia respeito ao interesse dos advogados. Mas aos poucos fui tendo alguns esclarecimentos que me fizeram pensar diferente.

A questão era saber se havia necessidade dessa instituição nesse período de 1932, e se realmente a população estava sabendo dessa implantação, pois muitas coisas ainda estavam se construindo, se adequando, no Território do Acre.

Confesso que houve uma limitação muito grande em abordar esse assunto, pois os documentos e as fontes sobre a história da OAB no Acre foram bastante difíceis de ser encontradas. Na própria sede da OAB-AC, pouco pude pesquisar, o que esteve mais acessível foi referente à nova administração, tornando assim uma árdua pesquisa.

Fico feliz por ter sido a primeira a falar sobre esse tema. Acredito que o assunto é relevante para historiografia do Acre, principalmente pela memoria dos que contribuíram para implantação desse órgão e acabaram fazendo parte do desenvolvimento da construção do Acre e de sua sociedade.

Mostrar a trajetória desse órgão é importante, pois foram acontecimentos vividos por pessoas, que lutaram, batalharam, insistiram de todas as maneiras possíveis na realização de seus objetivos, que era a instalação da seção da OAB no Acre.

Este trabalho retrata as memorias antigas, atuais e mostra os caminhos percorridos pelo órgão durante o período de 1932 até 2012.

Neste sentido a monografia trata da trajetória da OAB no Acre, com a sua criação e atuação, na perspectiva de mostrar como esse órgão foi implantado. Vale ressaltar que essa trajetória tem como ponto de partida o período em que o Acre ainda não era um Estado e sim um Território Federal.

Ao longo desse tempo a OAB Acre foi tendo a sua importância, pois sua implantação passou a oferecer melhores garantias para a atuação de seus profissionais.

É saber qual era o direcionamento do órgão, quais os seus objetivos e expectativas referentes a essa criação e se ao longo do tempo as suas expectativas e objetivos estão sendo cumpridos. Esses são os questionamentos que se estruturaram o presente trabalho.

(12)

OAB no Acre, que envolve o período de 1932 até a nova administração eleita em 2007. Faz se necessário compreender gradativamente o crescimento e o poder do órgão.

No entanto as informações são difíceis, devido o tempo, pois muitas pessoas que poderiam ser entrevistadas estão falecidas e os documentos pesquisados são mínimos. Porém, as análises direcionadas a nova administração que se iniciou em 2007 foram mais acessíveis de adquirir para a construção da monografia.

A criação da OAB veio justamente para instalar as ordens, os direitos, as fiscalizações inerentes à profissão dos seus membros, dando assim a relevância a esse órgão. Também começou o processo de defesas dos advogados, promotores, juízes, as leis e normas formuladas e impostas, justamente para poder dar segurança à sociedade e ao estado de direito, a instituição desenvolve o seu papel em defesa dos direitos humanos, da democracia e da liberdade. Fazendo assim a ordem está presente nas atribuições que lhe são conferidas.

A partir dessas informações a pesquisa procura mostrar o trabalho, que a instituição proporciona, fazendo assim abrir um leque de abordagens a serem feitas em relação a esse assunto.

Em vários momentos da história do Brasil se percebe a atuação política da OAB, como as campanhas da redemocratização do país, nas eleições diretas, pela ética na política, pela probidade administrativa, pelo combate à corrupção, pelo controle externo do Judiciário e tantas outras bandeiras que são estendidas, desta forma, adquiriu confiabilidade e prestígio perante a sociedade brasileira1.

A OAB-AC vem fazendo o seu papel, pois a partir da nova gestão ocorreram novas implantações, modificações, parcerias, convênios, um conjunto de ampliações dos serviços oferecidos pela instituição e a mudança de todas as suas atividades para a sua nova sede, essa concluída em 2010.

Ludwig Berger (1998) 2 tem a teoria dentro do campo da Sociologia do conhecimento tendo como principal argumento mostrar como a realidade social é construída, fazendo assim eu compreender estrutura da organização da OAB. Partindo do pressuposto que um estudo da construção de uma sociedade é bastante difícil, pois cada um tem a sua maneira de agir, pensar, se relacionar, etc., e o assunto em pauta é complexo de ser estudado.

1 SERGIO TAMER é Conselheiro da OAB-MA, ex-presidente da Comissão de Direitos Humanos e autor, dentre

outros, do livro "Atos Políticos e Direitos Sociais nas Democracias" (Fabris, RS, 2005).Texto referente a opinião sobre a função da OAB. Acesso em: 21.11.2012.

2 BERGER, Peter Perspectivas Sociológicas: uma visão humanística. Petrópolis: Vozes, 1986. Tradução de

(13)

A OAB passou a exigir que ao final do curso de Direito os que se interessassem fizessem a prova, para adquirir a sua licença e exercer as suas funções, fazendo assim haver uma qualificação, pois ao longo dos anos, surgiu uma demanda muito grande desse curso espalhados no país.

No entanto, LIMA (2008) questiona sobre a forma que a Ordem analisa os advogados, devido precisarem realizar as provas do exame para mostrar a sua qualificação profissional, acreditando assim que a OAB está preocupada, com o crescimento do mercado de trabalho dos advogados já inscritos.

Lima afirma que os próprios dirigentes da OAB falam que existe uma grande demanda de bacharéis reprovados pelo Exame de Ordem, que acabam sendo impedidos de exercer a advocacia, por não conseguirem passarem na prova. Logo a liberdade de exercício profissional é cláusula pétrea, e não compete à OAB avaliar a qualificação profissional dos bacharéis diplomados pelas nossas faculdades3.

SARAIVA (2012) 4, afirma que o primeiro presidente a exercer a sua função no Território do Acre foi Flaviano Flavio Baptista, a partir de 1932, e ficou até 1955.

Um marco histórico na presidência da OAB-AC foi quando Adherbal Maximiniano, que ficou à frente da entidade por um período de 35 anos, de 25 de março de 1971 até 31 de dezembro de 2006. E em 2007 passou a assumir Florindo Silvestre Poersch, até o ano de 2012, na qual teve dois mandatos.

O trabalho desenvolvido está inserido no campo da História das instituições. A análise foi direcionada segundo uma linha metodológica qualitativa, exploratória e descritiva. As fontes se ligam às experiências dos sujeitos sociais que atuaram nesse contexto.

Busquei fazer uma relação com a memória e com os acontecimentos mais atuais da instituição. Fiz consultas em internet, jornais, artigos, entrevistas escrita e oral, com transcrição da gravação e questionário pré-estabelecido. Na elaboração do trabalho foi utilizada pesquisa bibliográfica, que constituiu no exame das obras de vários autores referente ao assunto da OAB, seja ela nacional ou da seção Acre, com intuito de reunir subsídios para a montagem da monografia. Terminada a fase de coleta de dados, o próximo passo foi a analise dos resultados e a elaboração do texto.

3

LIMA, Fernando. O que é a OAB? Teresina, ano 13, n. 1842, 17 jul. 2008 . Disponível em http://jus.com.br/revista/texto/11498. Acesso em: 22.11.2012.

4 Correia, Luiz Saraiva, Professor e Advogado. E-mail enviado à autora referente a palestra que fez, sobre a

história da OAB/AC, baseada nos dados que conseguiu obter na seccional e através de testemunhas. Enviado: 02.10.2012.

(14)

Essa monografia não pode ser vista como obra acabada. Sabemos que essa é uma etapa em construção, é necessário haver concordância e coerência nas interpretações. Acredito que o tema em desenvolvimento da uma abertura para haver outras linhas estudo, ao meu entender, sempre haverá novas maneiras de se estudar, pesquisar, analisar.

Retratarei em três capítulos todo o processo de construção referente à criação desse trabalho, para melhor entender.

O primeiro capítulo está voltado para a Trajetória, Criação e Atuação da OAB – AC, tendo alguns pontos a serem desenvolvidos como a síntese da História da OAB no Brasil, pois acredito que é significante para o inicio desse trabalho, em seguida, escrevo sob a Surgimento do exame da OAB, e depois dessa contextualização falo sobre a história, o exame e uma análise sobre a diretoria da Ordem dos Advogados do Brasil- Secção do Estado do Acre, estudar as presidências que foram precedidas antes de 2007.

No segundo capítulo sendo abordados nas questões acerca do À Criação do DA

Universidade do Acre e a Origem do Curso de Direito. Na qual enfatiza os primeiros passos

para a criação da Universidade no Acre, incluindo estudo sobre a construção da sua sede Universitária e o Procedimento da Federalização da Universidade Do Acre e logo em seguida retratarei a origem do curso de Direito.

O terceiro capítulo já está voltado para as mudanças implantadas na OAB-AC a partir

de 2007, mostrarei as mudanças nas suas metas, nos setores das administrações, nas novas

criações, quais as reformas usadas internas e externas, como se deu a construção da sede para a instituição. Direciono também as questões relacionadas como são adquiridos os seus recursos financeiros, quais os benefícios oferecidos para sociedade, é fazer as referências que o Órgão vem desenvolvendo a seis anos.

(15)

CAPITULO I - Criação, Trajetória e Atuação da OAB no Acre.

1.1 - A síntese da História da OAB no Brasil

Antes de falar sobre a história da criação da OAB-ACRE, farei um breve resumo da história da OAB no Brasil, essa que tem 80 anos de existência. Acho relevante informar a sua procedência desde o início. Ela é uma das instituições da sociedade civil mais significativa do Brasil.

A Ordem dos Advogados do Brasil tem por dogma expresso em seu Estatuto (Lei 8.906/94, art. 44, inciso I) a finalidade precípua de “defender a Constituição, a ordem jurídica do Estado democrático de direitos, os direitos humanos”. A justiça social, e pugnar pela boa aplicação das leis, pela rápida administração da justiça e pelo aperfeiçoamento da cultura e das instituições5.

A memória tem um papel muito valioso para as nossas vidas, pois são elas que nos fazem reviver os acontecimentos passados, e na maioria das vezes acabamos perdendo a essências do que existia, e por varias vezes não damos valor e muito menos nos interessamos pelos fatos anteriores, pois com a atual rapidez das informações acabam contribuídos muito com o nosso descaso.

Os primeiros advogados que atuaram no Brasil se formaram na Faculdade de Coimbra em Portugal, e no ano de 1827, fazendo com que o Visconde de São Leopoldo (José Fernandes Pinheiro) criasse a lei que autorizava os cursos jurídicos em Olinda e São Paulo.

Pela Lei Imperial de 11 de agosto de 1827, ficava estabelecido que o aluno para exercer os cursos jurídicos tinha que ter quinze anos no mínimo e ser aprovada nos exames de retórica, gramática latina, língua francesa, filosofia racional e moral, e geometria. Como os estudantes de Olinda e São Paulo, estavam cursando a sua faculdade de direito, e havia muitos advogados nas universidades de Coimbra, os advogados brasileiros começaram a pensar na criação de uma Ordem, no intuito de terem apoio sobre a sua classe6.

Fazendo assim, o Conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça, Francisco Alberto Teixeira de Aragão, propôs que se criasse no Brasil uma associação com objetivos de criar no futuro a Ordem dos Advogados do Brasil.

5 OLIVEIRA, Márcia Freitas Nunes de- Artigo sobre a Ordem dos Advogados do Brasil e sua preocupação

social. Procuradora jurídica do MRB, Advogada e Conselheira Estadual da OAB-ACRE. Revista trimestral/ano I/Edição 2. Rio Branco, Acre. Novembro de 2009: Acessado em 22.06.2012.

6 SILVA, Elza Maria Tavares. Ensino de Direito no Brasil: Perspectivas históricas gerais. Parte da dissertação de

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No dia 07 de agosto de 1843 Dom Pedro II aprovou o documento da fundação do Instituto dos Advogados Brasileiro (IAB), na cidade do Rio de Janeiro. Os seus interesses eram manter a ordem, servir o governo Central através de assessoria jurídica, emissão de pareceres e proporcionar a criação da OAB, uma entidade para fiscalizar e controlar os profissionais dessa área, por isso que se criou essa organização7.

A primeira diretoria do IAB foi composta por Francisco Gê Acaiaba de Montezuma, presidente; Josino Nascimento Silva, secretário da Assembleia; Nicolau Rodrigues dos Santos França, tesoureiro; e mais 10 nomes que formaram o Conselho Diretor8.

Mas só depois de quase 87 anos, em 18 de novembro de 1930, foi aprovado o Decreto n°19.408 que autorizava a criação da Ordem dos Advogados do Brasil, e no dia 25 de julho de 1934 foi aprovado, para viger a partir de 15 de novembro do mesmo ano, o Código de Ética da Ordem.

O Decreto n° 22.478 de 20 de fevereiro de 1933 perdurou regendo os destinos da profissão e da OAB até o surgimento da Lei n° 4.215, de 27 de abril de 1963, a qual seria sucedida pela Lei n° 8.906, de 04 de julho de 1994, vigente até os dias atuais, sancionada pelo então presidente da Republica Itamar Franco9.

A criação da OAB no Brasil veio para a regulamentação profissional do advogado, fazendo necessária a formação universitária. Hoje se exige para a obtenção de licença para advogar a aprovação do bacharel em Direito no exame da Ordem da OAB, pois sem essa condição ele não poderá exercer a sua função de advogados.

A missão: “Organizar a ordem dos advogados, em proveito geral da ciência e da jurisprudência”, além de reunir os “cultores” e “agitadores” do Direito e regularizar o serviço de administração da justiça. A função inicial do instituto era servir o governo central através de assessoria jurídica, na fiscalização e o controle dos profissionais10.

Segundo Fernando Fragoso (2010), IAB é a mais antiga instituição da Advocacia Brasileira, que fez dar importância aos trabalhos dos advogados, e ao longo do tempo sentiu

7

MARTINS, Rennê, A construção social da imagem da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) na mídia e a consolidação do papel da dupla vocação: profissional e institucional. São Carlos: UFSCar, 2005. p. 13. (OAB/70 anos de história, 2003:10.). Acessado em 03.07.2012.

8ARAUJO, Thiago Cássio D'Ávila. História da advocacia e da OAB no Brasil. Jus Navigandi, Teresina, ano 11, n. 1032, 29 abr. 2006. Disponível em: http://jus.com.br/revista/texto/8326. Acesso em: 15 nov. 2012.

9

ARAÚJO, Ana Carolina Amâncio de. Da criação da Ordem dos Advogados do Brasil. Uma abordagem

histórica. Jus Navigandi, Teresina, ano 16, n. 2872, 13 maio 2011. Disponível

em: http://jus.com.br/revista/texto/19112. Acessado em: 15 nov. 2012.

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uma enorme necessidade de criar outra instituição devido à demanda do crescimento de atuação de advogados no intuito de cuidar de seus interesses, e a IAB passou a ser um órgão cultural da categoria dos advogados e juristas11.

Bolenni (2002), diz que a OAB nos anos de 1930 não era percebida como uma organização profissional, mas como uma extensão política do IAB ligado às ideias liberais, fazendo assim a autora identificar três características referentes à implantação do órgão: 1º) A necessidade de uma política centralizadora primando por um pacto de governo; 2º) À proximidade do IAB com O Presidente Vargas, principalmente através de seu ministro da justiça, Oswaldo Aranha 3º) A política de apoio mútuo entre governo e associações de advogados.

O objetivo desse conteúdo não é só mostrar a criação do órgão, mas sim fazer referência as suas devidas importâncias, para haver legitimidade, organização e a ordem. Outro fator que contribui para abertura do órgão foi para a fiscalização referente os cursos de direito.

O Conselho Federal da OAB teve o seu primeiro endereço na cidade do Rio de Janeiro. E em 06 de março de 1933, foi eleito o primeiro presidente da entidade Levy Carneiro, fazendo assim as realizações das datas importantes como a Solenidade de Instalação do Conselho Federal no dia 09 de março de 1933 e a primeira Sessão Ordinária do Conselho Federal, realizado no dia 11 de agosto de 193312.

Na visão de André de Faria Pereira (1995), a criação da Ordem era vista por muitos como um milagre, que estava se concretizando com passos pequenos, devido haver momentos de conflitos com o governo, tendo em vista que a criação da OAB fez parte do momento histórico do Brasil.

Segundo Pereira (1995), nos fala que “A criação da Ordem dos Advogados, naquele momento histórico, constituiu um verdadeiro milagre, em que hoje eu mesmo custo a acreditar, em verdade, ao mesmo tempo em que a derrocada das Instituições rasgava, pela revolução vitoriosa, a Constituição e as leis e concentrava nas mãos do ditador os três poderes constitucionais da República, ferindo o próprio Poder Judiciário, no momento em que a insânia do poder pessoal se instalava no País, com todas as agravantes do arbítrio e da

11 FRAGOSO, Fernando- fonte: Diário da Manhã, p. 19. Acessado em: 17.11.2012. 12 www.oab.org.br-historiaoab-inicio.htm. Acessado em: 15.07.2012

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violência, foram subtraídos à centralização dominante e entregues a órgãos da própria classe a disciplina e seleção de seus membros”.13

.

Conforme as perseguições ocorridas contra a OAB nesse período de ditaduras, o Órgão acabou nos mostrando a sua firmeza e vontade de seguir com os seus objetivos e as suas filosofias.

Segundo textos lidos ao longo da pesquisa sobre o assunto, percebi que no início a Ordem se ligava entre muitos interesses, pois nos anos de 1930, o que se tinha no Brasil era um governo autoritário, centralizado, as liberdades eram extremamente restritas, havia muita repressão, tudo tinha que estar conforme o desejo do governo. Nesse sentido acredito que a ordem era voltada para os interesses principalmente das elites, porem ao passar dos anos a Ordem foi mudando a sua conduta, acabando de vez com o poder centralizador que antes era implantado.

Mattos (2011), em sua tese retrata quando houve o golpe de 10 de novembro de 1937, Vargas se firmou com o ideal da extrema direita, adotando um Estado orgânico, na qual o cidadão não mais engendrava a pluralidade, porém suas condições estavam asseguradas por um aparato político de coercitivo, em suma existia uma ditadura, para manter, acima de tudo, a integridade do cidadão Brasileiro.

Logo as ordens estipuladas pelo Presidente Vargas não agradavam a OAB, fazendo assim haver manifestações contra o Estado Novo, pois não concordavam com as perseguições, logo o conflito entre o governo e o órgão causaram perseguições, abuso de poder e censuras ao órgão14.

Seu posicionamento enfático e independente contra as ditaduras, fez com que a Ordem vivesse tristes episódios, assim, reiterou a força da defesa de seus postulados. Vários foram os ataques ocorrido contra a instituição, tendo como exemplo o envio de uma carta-bomba, no dia 27 de agosto de 1980 no Rio de Janeiro, com a intenção de atingir o Presidente do Conselho Federal, Eduardo Seabra Fagundes, no em tanto a vítima foi a chefe da secretaria da OAB Lyda Monteiro.

13 (Comentário realizado na 792.ª sessão da 25.ª Reunião Ordinária do Conselho Federal da Ordem dos

Advogados do Brasil, ocorrida em 22/11/1955), www.oab.org.br/historiaoab/inicio.htm. Acesso em 20.07.2012.

14

MATTOS,Marco Aurélio Vannucchi Leme de. Tese: Os cruzados da Ordem Jurídica a Atuação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), 1945-1946- São Paulo – 2011. p.186. http://www.oab.org.br/historiaoab/primeiros_anos.htm. Acessado em: 04.12.2012.

(19)

A OAB teve participação em vários movimentos como a formulação do pedido de impeachment do presidente Fernando Collor de Melo eleito em 1989, formulado pelo órgão e representada pelo presidente Marcello Lavenere Machado (1991 – 1993) e pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI) 15.

A Ordem oferece suas fiscalizações e contribuições, para dar a legitimidade, devido os constantes casos de corrupções, mensalões, lavagem de dinheiros, uso abusivo de poder, existente no Brasil e um dos fatos que a instituição estava presente foi quando houve a aprovação da Lei complementar da ficha Limpa de n° 135-10 no ano de 201016.

Além dessas medidas a OAB oferece serviços públicos, dotado de personalidade jurídica e forma federativa, tendo por finalidade: a) defender a constituição, a ordem jurídica do Estado-Democrático de Direito, os direitos humanos e a justiça social, além de pugnar pela boa aplicação das leis, pela rápida administração da justiça e pelo aperfeiçoamento da cultura e das instituições jurídicas; b) promover, com exclusividade, a defesa, a seleção e a disciplina dos advogados em toda a República Federativa do Brasil, conforme o artigo 44 do seu estatuto17.

1.2. Surgimento do exame da OAB

Como mencionado anteriormente sobre a importância do Exame da Ordem, retratarei em pequenos pontos como se deu esse processo, pois a analise do conteúdo é muito extensa e essa não é a finalidade da monografia, mas faz-se necessário explicar os seus procedimentos.

A OAB consiste em alguns pontos para a melhoria de sua classe, um desses é a realização do Exame da Ordem, que serve como licença para ingressar na carreira de advogado. O acadêmico ao concluir o seu curso ele faz uma prova, porem só faz quem, tem a intenção de ser Advogado, Promotor, Juiz, pois há caso que não é exigido a licença da carteira da OAB. A avaliação é primordial para alcançar as prerrogativas de advogado. É preciso

15

.www.oab.com.br. Acessado em: 19.07.2012.

16.www. fichalimpa.org. br. Acessado em: 19.07.2012.

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também ter dois anos de experiência a partir da aprovação, onde poderá se especializar em uma área determinada.

A importância do exame é justamente para fiscalizar as faculdades e não permitir o acesso dos maus profissionais que podem vir prejudicar a sociedade e evitar as deficiências no ensino.

O exame nada mais é que um concurso público, só não há concorrências de vagas e nem classificação. Na verdade é uma avaliação de capacitação, onde precisam alcançar as suas pontuações exigidas e é realizado três vezes ao ano.

Quando surgiram os primeiros cursos de direito ainda não existia o exame, os bacharéis eram avaliados através de estágios profissionais. Desde 1954, passa a ter fiscalização na qualidade dos ensinos jurídicos. Mas a partir de 1963, pela Lei de nº 4.215/63, foi mudando.

De acordo com Aristóteles Ateniense (2009), o Brasil é o único país da América do Sul em que se exigido o exame, pois há uma demanda muito grande de faculdades e universidades que oferecem os cursos de Direito, podendo essas não estarem preparadas para oferecê-las.

Acontece que esses grandes números de escolas que existem atualmente só estão no mercado porque atenderam aos requisitos para a abertura e funcionamento dos cursos. Se as escolas são mal preparadas não cabe a OAB resolver este problema, e sim ao MEC que tem poder de fiscalização sobre os cursos (apud SILVA 2010).

Antônio Maria Iserhard defende que a OAB cumpre sua prerrogativa coorporativa ao selecionar profissionais, evitando lesões entre os clientes e a própria sociedade, tornando assim necessário o Exame ao servir de critério de seleção da classe dos advogados, (ISERHARD, 2003, p.81) 18.

Para Antônio Claudio Fischer (2008) o Exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) é favorável para a contribuição na melhoria do ensino jurídico. A OAB sempre esteve presente no que se refere ao ensino jurídico, porém sempre ocorram situações de não aceitação pelo exame, pois muitos acadêmicos acham que não há necessidade, mas se a ordem é amparada pela legislação não há o que fazer somente cumprir.

18ISERHARD, Antônio Maria. Exame de Ordem e inserção profissional. In: OAB Ensino Jurídico: formação

(21)

1.3 Trajetórias da OAB – ACRE

Esse trabalho tem a finalidade de restaurar os acontecimentos que envolveram as relações sociais, as práticas, trazer de volta um pouco memórias, sejam elas representadas por símbolos, lembranças, é um tempo transcorrido. É um estudo do passado através do presente. Fazendo assim conhecermos os enredos das memórias.

Luiz Saraiva19 (2012) relatou alguns acontecimentos na palestra dos 80 anos da OAB-AC disse que o órgão foi a primeira seccional instalada no país, no ano de 1932, porem-nos fala que não há relatos que justifiquem a escolha do Território, pois nessa época, as metrópoles mais influentes eram São Paulo e Rio de Janeiro.

O primeiro endereço do Órgão estava localizado em uma sala no Fórum Barão de Rio Branco, na Rua Benjamim Constant, tendo como seu primeiro Presidente Flaviano Flavio Baptista20, em meados de 1932, exercendo o cargo até a sua morte em 1955, e em seguida foi substituído por Miguel Ferrante.

Ao passar do tempo foram assumindo outros presidentes, mas entre tantos que passaram pela presidência da OAB-AC, o que mais permaneceu foi Aderbal Maximiniano Caetano Corrêa, durante 35 anos, tendo início de 25 de março de 1971 até 31 de dezembro de 2006. Após deixar o seu mandato ele escreveu um pouco dos momentos vividos no órgão.

vi muita coisa acontecer, trabalhei bastante para consolidar está profissão bonita que é advocacia em nosso Estado, mas acho que é o momento certo de me afastar da direção da OAB. Sei que não agradei a todos e cada um vai fazer um juízo da minha atuação. Ajudei no que foi possível, sei que fui útil ao Acre e vou sair de cabeça erguida. Tive uma administração nota 6. Não sou tão pretensioso de pensar que fui nota máxima21.

Tendo em vista que houve um período muito longo na presidência de Aderbal Maximinianona OAB-AC, e com uma avaliação administrativa com nota 6, faço então uma reflexão, que poderia ter tido um desempenho melhor ,pois o que não lhe faltou foi tempo

19 CORREIA, Luiz Saraiva. Op. cit.

20 Flaviano Flavio Baptista, natural de Amarante, Piauí. Fez faculdade de Direito em Olinda-Recife, veio morar

em Sena Madureira, já casado e com cinco filhos. Em Rio Branco se estabeleceu como advogado. Foi fundador da OAB/AC, do Colégio Acreano, do Conselho Penitenciário do Estado, Consultor Jurídico do Estado por muitos anos (uma espécie de Procurador Geral). Morreu em 1955, com 79 anos. Avô do Flaviano, ex-governador, ex-senador e deputado federal. Email de Luis Saraiva correio, [email protected]. Acessado em: 18.10.2012.

21 (www.oab.org.br/noticias/8215/aderbal-cooreia-despedida-da-oab-do-acre) (sexta-feira, 20/10/06 ás 09h46).

(22)

para isso, porém como visto ao longo do trabalho o que permanecia era um segmento centralizador.

No decorrer da minha pesquisa consegui entrevistar no dia 19 de novembro de 2009. Elia Castelo da Silva22, advogada e vice-presidente da ordem. Na época relatou que a OAB do Acre viveu momentos distintos na gestão exercida pelo presidente do órgão Adherbal Maximiniano23. Segundo Elia Castelo, o gerenciamento do advogado foi de maneira lenta, ética e efetiva, e que aos poucos foi havendo um progresso na administração da OAB-Acre demonstrando sempre, clareza e eficiência em suas ações.

Saraiva em sua linha de pensamento também relatou um pouco a trajetória da administração de Aderbal diz que pelo exercício de tão longo tempo ele passou a considerar a Ordem como uma coisa sua, centralizando nele todas as decisões.

Não era realizada a reunião do Conselho, nem consultava, não criou as comissões que o Estatuto e o Regimento da OAB exigiam. No final da sua administração ficou marcado pela famosa caravana das quintas-feiras, quando dezenas de advogados desciam no aeroporto de Rio Branco, para fazer o Exame da Ordem e sempre conseguiam aprovação com notas maiores de sete. “Dizem as más línguas”, que tudo já estava previamente acertado, e na sexta-feira retornavam aos seus estados de origem24.

Esse comentário nos deixa claro que havia uma facilidade na realização das provas. Porem mais tarde um grupo de advogados começou a lhe fazer oposição, formando chapas para concorrer ao Conselho.

Correia em sua palestra fala que os advogados acreanos queriam mudança, mas as eleições eram decididas pelos advogados de fora, que vinham no dia da votação, principalmente de Rondônia, em ônibus fretados, ou do Sul, em aviões lotados, sob a ameaça de que, caso não viessem, e a oposição vencesse a eleição, teriam as suas inscrições canceladas. “Os advogados acreanos eram gozados ao apresentarem suas carteiras fora do Estado, porque vinha sempre a pergunta: Quanto pagou? Como conseguiu?”. Além do que as representações eram feitas:

22

Elia Castelo da Silva advogada e vice-presidente da ordem, entrevista realizada, no dia 19/11/2009.

23

25/03/1971 Aderbal Maximiniano Caetano Corrêa, Paraense, professor da Universidade do Acre, foi o que teve o maior número de mandato na história da OAB/AC, foi presidente da Seccional do Acre por 35 anos. Funcionário Público Estadual, Procurador Jurídico do Deracre, até a sua aposentadoria. Escrevia semanalmente uma coluna social no jornal O Rio Branco, email enviado por Luis Saraiva Correia. [email protected]. Acessado em 18.10.2012.

(23)

A nossa representação junto ao Conselho Federal, durante mais de quarenta anos, foi exercida por advogados de outros estados, que embora fossem pessoas cultas, de alto saber jurídico, não representavam os nossos interesses. Era como se nós fôssemos menores impúberes, incapacitado para o exercício da vida civil25.

O Conselho Federal teve um papel muito importante, cancelou várias inscrições, havendo abertura de inquéritos por falsidade ideológica.

Pressionado pelo Conselho Federal, com ameaça de intervenção na Seccional, Aderbal Maximiniano lançou uma chapa, mas foi derrotada pelo seu adversário Florindo Poersch, por apenas seis votos de diferença. Perdeu uma eleição no apogeu do seu poder. Na eleição ocorrida 2006, votaram em sua chapa, evidentemente, promotores, delegados de policia, coronéis da PM (fardados), então inscritos sem nenhum impedimento26.

Compartilhará ainda da incrível odisseia de reconstruir uma entidade que permaneceu por mais de trinta anos inerte aos anseios da classe. Orgulhamo-nos de sermos reintegrados ao cenário nacional da advocacia ao resgate de nossas prerrogativas profissionais; da ocupação do nosso espaço no cenário jurídico acreano à prestação de serviços assistenciais aos nossos inscritos; da construção de nossa casa ao ressurgimento de nossa autoestima. Em síntese: do ostracismo à condição de protagonista da sociedade civil acreana27.

Florindo ao se eleger à presidência da OAB-AC, em 2006, fez esse discurso sobre a antiga administração do órgão, dando entender que a sua administração será melhor e mostrando uma nova reintegração da classe jurídica.

Edmir Gadelha, nascido em Sena Madureira, em 1936. Entrou na OAB-AC como estagiário entre os anos de 1969 e 1970. O advogado relata que eram tempos difíceis, pois faltavam profissionais qualificados para o preenchimento das vagas, inclusive da magistratura. Com a criação da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Acre, por volta de 1964, às coisas melhoraram. Começou a estudar na segunda turma de Direito, mas se formou apenas na terceira. Foi advogado da Vasp por 12 anos, também advogou para a Fundação Elias Mansour e para a Assembleia Legislativa do Acre por quase 30 anos28.

25 Palestra do contendo a história da OAB/AC, baseada nos dados que consegui obter na seccional e através de

testemunhas. Luiz Saraiva Correia.

26

Idem, Correia.

27 POERSCH, Florindo Silvestre, Tempo de seguir adiante. Editorial da 1º edição da revista trimestral da

OAB-AC, p. 5. Acessado em: 10.07.2012.

28

Dois anexos de depoimentos colhidos na Semana do Advogado, tendo como tema 80 anos da OAB-AC. no dia 18.09.2012, enviada pela Acessória de Imprensa OAB-AC. Nattércia Damasceno, [email protected]. Acessado em: 18.10.2012.

(24)

Hoje vê que a OAB-AC tem uma sede suntuosa, nada comparada à pequena sala que ocupava no Fórum Barão do Rio Branco. Ele se orgulha de fazer parte dela.

Já Lourival Marques de Oliveira, acreano de Cruzeiro do Sul, estudou na Faculdade Nacional de Direito (atual UFRJ) e voltou para o Acre em 1963. Disse que havia poucos advogados atuando e nos meses de janeiro e fevereiro de 1963 advogou para cinco réus que estavam presos há 10 anos. Quatro foram absolvidos e um deles ele conseguiu desclassificar o crime hediondo. Conta que quando havia júri na cidade era uma festa, pois não havia jornal todos os dias nem televisão, apenas a Rádio Difusora29.

Ele, Jorge Araken, Manoel Franco Neves e Carlos Alves Cravo foram aprovados no 1º concurso para juiz efetivo em 1965.

Por volta de 1961 chegou ao Estado um advogado chamado Josias Cavalcante, com inscrição na OAB do Paraná. Logo depois foi escolhido para ser Delegado Auxiliar de Polícia e chefiava todos os policiais. Tentou ser presidente da OAB-AC, mas o homenageado foi o Dr. Francisco D’Oliveira Conde, nomeando seu filho Fernando de Oliveira Conde como presidente. Pouco tempo depois se descobriu que a inscrição que Josias usava pertencia a um advogado paranaense que já havia morrido e que ele era foragido da Justiça30, mais uma vez nos deparamos com a falta de interesse em investigar as procedências dos que iam fazendo parte desse órgão, uma facilidade muito grande.

1.4 Exames da OAB – ACRE

O advogado Erick Venâncio Lima do Nascimento (2009) relatou em seu artigo na revista da OAB-AC, que Exame da Ordem em Rio Branco, por muito tempo, era visto pelo restante do país como mau exemplo, pois havia algumas práticas ilícitas na provação dos bacharéis pelo Exame de Ordem, relatando as vindas das pessoas de outros lugares do Brasil, em suma, aqui havia uma facilitação para os interessados31.

Esta prática rendeu em mais de 80 (oitenta) ações ajuizadas pelo Ministério Público Federal visando à cassação do registro de falsos advogados, pois com os seus diplomas

29 Idem, Acessória de Imprensa OAB-AC. 30

Idem, Acessória de Imprensa OAB-AC.

31NASCIMENTO, Erick Venâncio Lima do. Advogado, Secretário-Geral da OAB-AC. O Acre e o Exame da Ordem, 1º edição da revista trimestral-2009, artigo, p.32.

(25)

falsificados, obtinham as inscrição na Seccional do Acre32, esse é um fato que acabou manchando a administração da OAB-AC, tendo em vista que muitos sabiam desse jogo de interesse, no entanto não fizeram nada para melhorar as suas administrações, causando assim brechas, que ocasionou investigações.

Continuando, Nascimento fala que infelizmente, tais fatos depunham não somente em desfavor daqueles que se utilizavam dessas malsinadas práticas, mas também, de forma injusta e desonesta, daqueles que eram submetidos sem razão a tábula rasa da opinião pública. A partir do ingresso da OAB-AC no Exame Unificado os candidatos passaram a ser avaliados pelos mesmos critérios pelos quais já eram avaliados os bacharéis e concludentes dos cursos de Direito de outros quinze estados brasileiros. Atualmente a avaliação à qual é submetido um bacharel no Acre é a mesma à qual são submetidos os bacharéis no Rio Grande do Sul, São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Bahia, Pará ou Distrito Federal33.

Omar Sabino34 recebeu a carteira da OAB. Em solenidade realizada na secção do Acre na Ordem dos Advogados do Brasil, recebeu a carteira de advogado de Aury Félix de Medeiros, presidente do órgão no Estado, no ato da solenidade estava presente José Guiomard Santos, o desembargador José Lourenço Furtado Portugal, entre outros também se encontrava o governador do Estado Jorge Kalume35.

Com a unificação tirou-se das seccionais a responsabilidade pela elaboração e correção das provas, que passaram a ser realizadas pelo Centro de Seleção e Promoção de Eventos da Universidade de Brasília – CESPE/UnB, sob a supervisão de uma Coordenação Nacional do Exame de Ordem, na qual têm assento, em representação paritária, todos os presidentes das comissões de Exame de Ordem das seccionais participantes36.

Na visão de Florindo Poersch ex-presidente da OAB-AC a “unificação do exame, em todo país, finalmente, dará credibilidade às provas e servir como um "termômetro" da qualidade dos cursos de direito de todo o país”. "Pela primeira vez nós terceirizamos a elaboração e a aplicação da prova, que será feita pelo Cespe” (Centro de Seleção e de

32

Idem, Nascimento.

33Idem, Nascimento.

34Omar Sabino era natural de Manoel Urbano, Advogado, foi membro do Movimento Autonomista, responsável

pelo ensino educacional superior do estado, fundador do curso de Direito como reitor da Universidade Federal do Acre e Procurador Geral do Estado foi Governado do Esta do Acre, morreu aos 79 anos. Noticias do dia 23/06/2011, acessória de impressa da Contilnet.com. br. Acessado em: 23/11/2011.

http://purusline.blogspot.com.br/2011/07/registro-morre-omar-sabino-de-paula.html.

35

Entrevista com Jorge Kalume, Jornal O Rio Branco, domingo, 27 de dezembro de 1970. Ano II. Acessado em: 10/06/2012.

(26)

Promoção de Eventos37). “Chegava a ser constrangedor, avião com candidatos de São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Bahia, e outros estados que desembarcavam aqui só para fazer o Exame e conseguir o registro da OAB” 38

.

No caso específico da Seccional, mais do que oferecer critérios sérios e objetivos para a obtenção da habilitação profissional, o ingresso no Exame Unificado significou uma atitude moralizadora, necessária e impostergável, com o objetivo de extirpar em definitivo uma terrível falta de credibilidade que por anos assolou39.

Para Venâncio a Ordem se destaca com seriedade e firmeza empreendidos pelo Luciano Trindade (1º Presidente da Comissão) que tem apoio da Diretoria da OAB-AC, não transigiu no trato dado às questões ligadas ao Exame de Ordem.

Quanto às críticas maledicentes, o tempo cuidou de demonstrar que esse falseio não correspondia à realidade. Se ainda não alcançamos o desempenho que almejamos, o certo é que temos nos mantido dentro da média nacional e, em alguns exames, superamos estados tradicionalmente tidos como referência da advocacia nacional, como Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro40.

Vale ressaltar, que cabe à Comissão fiscalizar, organizar e efetivar todo o estágio profissional no âmbito de nossa Seccional, verificando o compatível exercício profissional de estagiários, bem como suas condições de trabalho e remuneração. “Nenhuma outra instituição nacional participou de forma tão direta dos mais importantes e significativos da vida brasileira41”.

37

BASSETTE, Fernanda. G1, em São Paulo. http://www.profpito.com/pelaprimeiraexameunificado.html, Acessado em 17.09.2012. 38 Idem, Bassette. 39 Idem, p.33. 40 Idem, p.33 41 Idem, p.33.

(27)

1.5. Diretorias da Ordem dos Advogados do Brasil l° - Secção do Estado do Acre presidenciais que foram precedidas antes de 200742.

DATA NOMES DOS

PRESIDENTES CARGOS ACONTECIMENTOS MARCANTES 02.01.1932 -Flaviano Flávio Baptista -Mário Oliveira -José Lopes Aguiar

Pres. Séc. Tes. 03.03.1935 -Flaviano Flávio Baptista -Francisco de Oliveira Conde43 Pres. Séc

Eram os únicos advogados inscritos em Rio Branco.

24.03.1939 -Flaviano Flávio Baptista

-Rubens Lameira de. Carvalho

-José Lopes Aguiar

Pres. Séc. Tes.

Presidiu até a sua morte em 1955, na qual foi substituído por Miguel Ferrante.

Biênio 1957/1959 -Miguel Jerônimo Ferrante44 -Rubens Lameira de Carvalho -Palmeirinda Figueiredo Pres. Séc. Tes. Eleição de 04.12.1956 1961 Francisco de Oliveira Conde Pres. 07.11.1961 Projucan Barroso Cordeiro Ribeiro

Assumiu Francisco Conde, devido problema de saúde. 12.12.1961 -Francisco de Oliveira Conde Renunciou 13.12.1961 -Miguel Jerônimo Ferrante (1961/1962) Pres. 05.12.1962 - Pojucam Barroso Cordeiro (já falecido) - Fernando de Oliveira Conde -Mário Strano Pres. Séc. Tes. 1963-1964

Filho de Francisco Conde Renunciou em 16.06.1963, para ser desembargado do TJ/AC Biênio

1965/1967 25.02.1965

-Fernando de Oliveira Conde

-Aury Félix Medeiros -Ilmar Nascimento Galvão Pres. Séc. Tes. 42

Fonte da elaboração do quadro de Correia, palestra da história da OAB-AC. No dia 09.09.2012, enviada no dia 18.09.2012.

43 Francisco de Oliveira Conde, seu nome é conhecido pela penitenciária do Estado. Advogado, professor,

fundador de inúmeras entidades educacionais e filantrópicas. Fundador das Maçônicas de Xapuri e de Rio Branco, da qual foi seu primeiro venerável. Governador do Acre interinamente. Idem, Correia.

44 Autor de quatro romances, inclusive o Seringal 1972, que serviu de inspiração à minissérie Amazonia-de

Galvez a Chico Mendes, de autoria de sua filha, Gloria Perez, da Rede Globo. Morreu a 23 de julho de 2001, em Brasília, com 81 anos. Idem, Correia.

(28)

17.06.1966 -Pojucan -Adherbal M.C.

Pres. Vice

Cumpriu o mandato até 01.02.1967

28.04.1967 -Fernando de O. Conde

-Romeu César Leite -Jersey B. Nunes Pres. Séc. Tes. 14.02.1969 -Aury F. Medeiros -Adherbal M.C. -Felipe Assef Pres. 1º Séc. Tes.

Aury, mora com sua filha e está doente.

25.03.1961- 31.12.2006

-Adherbal M. C. Correa

Pres. Foi presidente da Seccional do Acre por longos 35 anos.

(29)

CAPÍTULO II – A CRIAÇÃO DA UNIVERSIDADE DO ACRE E A ORIGEM DO CURSO DE DIREITO.

2.1 A origem do curso de direito

Em 1962, baseada na Constituição acreana, que previa a criação e instalação de uma Universidade, Omar Sabino de Paula em junho de 1963 apresentou para Assembleia Legislativa o projeto da criação de uma Faculdade de Direito, pois segundo o texto de Farias45, o curso de Direito foi implantado, em primeiro para assegurar parte da elite e haver a conclusão do curso, pois daria oportunidades de exercer cargos públicos.

Está afirmação se prende ao fato de que para a implantação do curso de Direito não foram considerados os interesses sociais.

Na criação dos primeiros cursos superior no Acre, não funcionou o planejamento em razão dos interesses sociais, que indicavam o curso de Filosofia, Ciências e Letras como o desencadeador da expansão da escola pública elementar e secundaria, rompendo o circulo vicioso da ignorância das massas. Também não funcionou o planejamento do ensino superior do Acre de acordo com os interesses econômicos do estado, que por questão de coerência, estava a exigir um curso de Agronomia. Prevaleceram os interesses da elite que desejava, de qual quer modo, um curso superior no Estado. E o curso de Direito se apresenta como o mais próximo da realidade, considerando-se as facilidades para sua concretização.46.

O curso de Direito era visto como uma formação por excelência dos futuros dirigentes do país. Na tradição brasileira:

... Os grandes senhores de terra costumavam mandar seus filhos estudarem nas escolas de Direito a fim de adquirirem um diploma e competência intelectual, que os unificassem para uma posição politica na cidade (apud, Gramsci 1977:55. p.98).

Tendo com intermédio o professor Omar Sabino de Paula na elaboração do decreto, para a criação do curso de Direito, essa com formação que ensejava condições, dado o número de juízes, desembargadores e advogados que aqui existiam e que poderiam atuar como professores. Porém houve muitas dificuldades na implantação do curso47.

45 FARIAS, Manoel Severo de. Livro: Raízes da Criação da Universidade Federal do Acre, Campinas –SP-

1996. Acessado em: 20.02.2013.

46 Idem. Farias. (apud. Oliveira, 1978:77). 47

João Crescêncio Santana, amazonense de 73 anos, nascido no seringal Arapixi (proximidades de Boca do Acre), que chegou a Rio Branco em plena adolescência, no ano de 1949, tornando-se com o passar do tempo

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João Crescêncio Santana foi a primeira pessoa a ser convidada, pelo reitor da universidade do Acre Aulio Gélio para trabalhar no curso, e Crescêncio já tinha concluído a Escola Técnica de Comércio Acreana, e ainda se julgava com vocação para fazer poesia, música, escrever, coisas que caracterizam uma tendência para a área jurídica.

Em princípio, não havia sala para a gente se alojar e nós passamos uma semana trabalhando na ponta do corredor da escola. Mas depois deu tudo certo. Eu e o doutor Jersey entramos juntos e saímos juntos da Faculdade de Direito, desde a sua criação até a sua transferência para a Universidade Federal do Acre. Eu vi e vivi a história... Se não sou agente, sou testemunha!48

Essa história que Crescêncio, nos relata, mostra como foi relevante a sua participação como testemunha de um passado na qual fez parte, e hoje pode nos contar a sua trajetória. Os primeiros professores do curso de Direito do Acre, se resumiam em dez: Jersey de Brito Nunes49, Lourival Marques de Oliveira50, Fernando de Oliveira Conde51, esses foram primordiais na criação e reconhecimento e federalização do curso de Direito do Acre. E tinha, ainda, Jorge Araken Faria da Silva, Yacut Aiache, Paulo Polly Nepomuceno, Manoel Antônio Álvares da Cruz, Alberto Guadanini Zaire, Aury Félix de Medeiros e Manoel Franco Neves52.

Alguns dos formados foram: João Crescêncio de Santana, Foch Jardim, Omar Sabino de Paula, Alberto Barbosa da Costa, Levy Cervantes Saavedra, Mário Izídio dos Santos, João Eremith de Souza, Manoel Alves Cacela, Manoel Ribeiro do Nascimento (falecido),

membro da Academia Acreana de Letras, foi vencedor do primeiro festival de música do Acre, casado com D. Maria Bezerra de Santana na qual tiveram sete filhos. Publicação no jornal da UFAC, em dezembro de 2006, por Francisco Dandão. www.franciscodandao.com/entrevistas/entre_003.htm. Acessado em: 21/10/2012.

48 Idem, Santana. 49

Jersey Nazareno de Brito Nunes, nasceu no seringal Muiraquitã, colocação Porto Central, no Alto Purus, atual Manuel Urbano. Estudou no Colégio Dom Bosco de Manaus, onde concluiu os cursos primário, ginasial e pré-jurídico, ingressando, após prestar concurso vestibular, na Faculdade de Direito do Amazonas, concluindo nesta o curso de Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais no ano de 1947. Tem várias obras publicadas, cujos títulos são: Memórias de um seringueiro; Nos domínios da Ciência Jurídica Penal; Ministério Público (Ontem e Hoje); Noções de Psicologia Educacional; Força do Direito; Advocacia. Morreu aos 82 anos. Fonte Jornal a Gazeta 24.02.2001.http://www.ufac.br/portal/publicacoes/ufac-na-imprensa/edicoes- 2001/fevereiro/os-oitenta-anos-do-dr.-jersey-pai-do-ensino-superior-no-acre. Acessado em: 21/10/2012.

50 OLIVEIRA, Lourival Marques de, é acreano de Cruzeiro do Sul, nasceu em 10 de dezembro de 1932. Estudou na

Faculdade Nacional de Direito (atual UFRJ) e voltou para o Acre em 1963. Com a promulgação da Constituição Estadual em 1963, os advogados poderiam ser empossados como juízes temporários, indicados pelo Governador, por um período de quatro anos. http://www.tjac.jus.br/sobre/bio-lourival_marques. jsp, Acessado em 23/01/2012.

51

Desembargador Fernando de Oliveira Conde, nasceu em 01 de setembro de 1931, em Belém-Pará. Bacharelou-se em 1961, pela Faculdade Brasileira de Ciências Jurídicas do Rio de Janeiro. Foi Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, seção Acre e nomeado para o cargo de Desembargador no dia 25 de maio de 1972, por meio do quinto Constitucional, representando a Ordem dos Advogados. Exerceu a Presidência do Tribunal de Justiça entre os anos de 1977 a 1979 e aposentou-se no dia 04 de dezembro de 1984. Vindo a falecer no dia 21 de janeiro de 2007, na cidade de Rio Branco. http://www.tjac.jus.br/sobre/bio-fernado_o_conde. jsp.

(31)

Giocondo Maria Grotti (então Bispo do Acre e Purus), Ary Rodrigues (secretário de Saúde da época), Demétrio Câmara de Arruda, Maria Ferreira Martins, João de Oliveira Paiva, Antônio da Costa Gadelha e Raimundo Alves Dias 53.

Crescêncio Santana diz que a criação do curso de Direito coincidiu com a implantação do regime militar no Brasil, pois tinham momentos em que interferiam, e uma das pressões ocorrida foi em 1966, com a chegada inesperada do Ministério da Educação, para uma vistoria para o reconhecimento da Faculdade de Direito, acreditando assim certo monitoramento por parte dos militares com relação a alguns alunos54. Esse era um período, bastante conturbado, pois a presença dos militares causava medo nas pessoas, devido o grande poder que tinham perante a sociedade, eles que ditavam as suas regras e normas, e quem não acatava, com certeza receberiam punições, e por isso criou-se, uma tensão inesperada referente à vistoria para o reconhecimento da Faculdade de Direito.

Um dos fatos ocorridos foi quando o Ministério da Educação designou a primeira vistoria para o reconhecimento da Faculdade de Direito, fato que aconteceu em 1966, nós recebemos um expediente dizendo que a comissão chegaria trinta dias depois. O doutor Jersey convocou-me para uma reunião e traçamos a estratégia para deixarmos tudo nos conformes, para que não houvesse problemas quando a tal comissão chegasse. Mas, veja bem como as autoridades agiam no período autoritário... Chegava a ser tragicômico... A comissão que deveria chegar a trinta dias, já estava no Palácio quando nós recebemos o expediente. No fim da manhã em que chegou o tal documento, quando eu e o doutor Jersey íamos saindo para o almoço, parou um carro preto na porta da faculdade, de onde saltaram quatro elementos, dizendo-nos: - Nós somos da comissão do MEC, deixem a chave com a gente e podem ir embora. Para nossa sorte, estava tudo nos conformes. Quanto ao bispo, que eu saiba, não havia nenhum problema dos militares com ele não55.

Em 1994, Crescêncio, escreveu um livro sobre a criação do curso de Direito, com o título Poeira Cósmica, na qual conta à história da implantação da Faculdade de Direito do Acre e da Universidade Federal do Acre até a sua interiorização, pois segundo o autor achava um absurdo que, passados tantos anos, ninguém havia escrito nada a respeito da Faculdade de Direito56.

Crescêncio, estudou, tornou-se advogado, exerceu cargos públicos, mas também é reconhecido no Estado como um músico talentoso, atualmente aposentado, ele ganhou inclusive, o primeiro festival de música realizado no Acre. O jornalista Francisco Dandão em

53 Jornal o Rio Branco, n° 19, 06 de março de 1970. 54

Idem, Santana.

55Idem, Santana.

(32)

sua entrevista fez a seguinte pergunta para Crescêncio, “o que deu mais prazer na vida, ser advogado ou músico?”.

O que eu posso dizer sobre isso é que eu me sinto uma criatura abençoada por Deus, Javeh, o Altíssimo de Balaão, porque de onde eu vim só sendo coisa do destino mesmo. Na área musical, eu posso dizer que já nasci feito, foi uma questão de vocação, herdei do meu pai. Nós éramos sete irmãos e somente dois seguiram a carreira musical, eu e o Ivo, mais novo do que eu dois anos, que morreu (outubro de 2006) em Porto Velho. Lá no seringal eu já tocava violão. Quando cheguei a Rio Branco, aprendi a tocar pistom, dominei a técnica, toquei muito, inclusive no baile de posse do governador imposto pela ditadura militar, o capitão Edgar Pedreira de Cerqueira Filho. Eu não saberia dizer o que me deu mais prazer, se ser advogado ou músico. Com a música eu nunca ganhei dinheiro e acho que quem disser que ganhou dinheiro fazendo música aqui está mentindo.

Para ganhar dinheiro, criar meus filhos, eu tive que ser advogado. Então, eu acho que as duas coisas, a advocacia e a música, se completaram na minha vida57.

Como pode ser percebido houve um período muito longo na formação da criação da Universidade do Acre e dos cursos que nela são oferecidos, pois toda e qualquer implantação requer muita dedicação, Leis e Decretos implantados, projetos para ser avaliados, enfim muitos itens a serem estudados, justamente na década de 60 em que o Estado se quer tinha uma boa estrutura econômica para oferecer à sociedade o ensino básico, carente de mão-de-obra, de qualificação e quando as tinham eram muito caras, agora imagine implantar cursos superiores. É nesse intuito que falo dessas criações, pois elas foram ferramentas ao longo do tempo para ser criar a OAB, essa que da a garantia de um Bacharel em Direito exercer a função desejada.

2.2 Os Primeiros passos para a criação da Universidade no Acre.

A história da criação da Universidade Federal do Acre (UFAC) pode ser vista como, mais umas das conquistas da sociedade que aqui vive. Ao meu entender referente às leituras feitas pude perceber que a criação foi um tanto desproporcional, devido ser um estado sem muitos recursos administrativos, econômicos e educacionais, e principalmente nesse tempo a universidade ainda não era federalizado, contribuindo para muitas dificuldades, vale ressaltar a grande ausência de profissionais na área da educação.

O estudo sobre essa criação é justamente para dar sustentação ao que já foi falado sobre a OAB, pois houve uma história aqui no Estado também, sendo que essa licença do uso

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da OAB veio bem mais tarde, por tanto a trajetória da Universidade do Acre é o complemento desse trabalho acadêmico.

Wanderley (2008) diz que a primeira faculdade do Brasil foi Fundada por Dom João VI, no dia 18 de fevereiro de 1808, logo após a Família Real chegar a Salvador-Bahia e se chamava Fameb (Faculdade de Medicina da Bahia).

O médico Lamartine Lima, professor honorário da Faculdade de Medicina da Bahia, que hoje em dia faz parte da UFBA (Universidade Federal da Bahia) disse que "Os primeiros professores da faculdade foram médicos militares e depois vieram os médicos civis"58,

Mais foi a partir de 1930, com o ministro da Educação Francisco Campos que se originou à primeira reestruturação do Ensino Superior Brasileiro e em 1931 foi criado o estatuto das Universidades Brasileiras59.

Em 1934, com o advento da Constituição Federal, do artigo 5°, inciso XIV, o governo federal ficou incumbido de determinar as diretrizes necessárias da educação nacional60.

Venâncio Filho (1982), diz que em 1968, houve a reforma universitária 5.540/68, sendo que em 1964, já havia no país mais de 61 faculdades de Direito. E por volta de dez anos depois já existiam 122 unidades. Em 1972 os cursos voltaram a ser discutido, pois estavam recebendo uma nova modificação, devido a Resolução n° 3 pelo Conselho Federal da Educação, para se adequarem nas novas medidas de melhorias para o curso.

Nesse período no Estado do Acre, iniciava o processo de ensino superior, para dar à sociedade a oportunidade para iniciar as suas graduações. Foi assim que Guiomard dos Santos ao chegar a meados dos anos de 1946, no Território do Acre, observou que a região necessitava de uma transformação na parte econômica, social, politica e cultural, pois via muitas deficiências na organização da cidade, e para ele uma das prioridades era voltada para a educação, pois essa poderia ser o caminho para uma mudança social.

58 PREITE SOBRINHO, Wanderley, colaboração para a folha online 18/02/2008. Acessado em: 15/01/2013,

http://www.1folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u372876,shtm.

59

GERMINARI, Jerfferson Patrick, discente do 5° ano do curso de direito do centro de ensino superior de Dracena. Com a tese A Importância da Oratória aos Estudantes e Profissionais do [email protected]. Acessado em: 30/01/2013.

60

PORTUGAL, Heloisa Helena de Almeida, Docente e Coordenadora do Curso de Direito da Faculdade de Ciências Gerenciais de Dracena-CESD, também com a tese A Importância da Oratória aos Estudantes e Profissionais do Direito. [email protected]. Acessado em: 30/01/2013.

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Guiomard diz que “Um estado que se constitucionaliza precisa de Bacharéis em Direito, muito mais do que os outros Estados. Sem bacharéis não há justiça, nem liberdade. Uma Faculdade de Direito é sempre cadinho da democracia61”. O que se pode ver é o discurso da modernidade promovida pela educação.

Na década de 60 o Acre tinha como principal atividade econômica o extrativismo e a pecuária começavam a dar sinal de outro manejo importante, tanto que viria substituir à primeira. A maioria das pessoas trabalhava na área da produção do látex, na colheita da castanha, derrubavam as madeiras, enfim esse grupo fazia parte dos que provavelmente não teriam chance de chegar a estudar, causando um enorme analfabetismo62.

Mas havia uma deficiência muito grande referente ao ensino, os professores que haviam concluído os seus estudos, ainda não tinham as suas graduações, apenas um pequeno aprimoramento para ensinar, justamente porque o ensino era até o ensino médio, como hoje é conhecido, logo se percebe o grau de deficiência nos estudos do território.

No jornal O Rio Branco63, saiu uma matéria com o titulo “Uma universidade surge na selva, é no Acre”, no ano 1971, na qual o reitor na época Áulio Gélio, implantou duas metas para se concretizar na estrutura da Universidade do Acre: a fixação do elemento a terra e preparação de uma mão de obra qualificada para servir a própria região, essas foram inseridas nos cursos oferecidos.

Acredita o reitor que, ainda nesta década embora sendo um Estado pequeno, sem uma forte estrutura econômica, e em plena Selva Amazônica, o Acre se desenvolverá bastante, pois para isto tem algumas condições naturais propicias – como a pecuária e a comercialização da madeira, de fonte quase inesgotável64.

Em entrevista Crescêncio Santana informa que a instituição conhecida como FADACRE, hoje Universidade Federal do Acre, teve inicio no ano de 1964, e, no mesmo ano, foi criada a Faculdade de Direito pela (Lei Estadual n.º 15, de 08 de setembro de 1964), com o Decreto Estadual n° 187. Seu primeiro diretor foi o promotor público Jersey Nazareno de Brito Nunes e em abril de 2001 concedeu entrevista ao “Jornal da UFAC”, na

61

SANTOS, José Guiomard dos. Relatório apresentado ao Exmo. Sr. General Eurico Gaspar Dutra. D.D. Presidente da República, pelo Major José Guiomard dos Santos, Governador Delegado da União no Território Federal do Acre, referente às atividades de administração acreana no exercício de 1946. Rio Branco, 1946, p.4.

62 FARIAS, Manoel Severo de. Livro: Raízes da Criação da Universidade Federal do Acre, Campinas –SP-

1996.

63 Jornal o Rio Branco, p. 03, 25 de novembro de 1971.

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