UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO
EXPERIÊNCIA MULTICULTURAL E
MULTILINGUÍSTICA NOS GABINETES DE ERASMUS
Relatório Final de Estágio
2º Ciclo de Estudos em Línguas Estrangeiras Aplicadas:
Variante em Comércio e Relações Internacionais
SUSANA RAQUEL DA GAMA CATALÃO Orientadores:
Prof. Dra. Teresa Moura
UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO
EXPERIÊNCIA MULTICULTURAL
E MULTILINGUÍSTICA NOS GABINETES DE ERASMUS
Relatório Final de Estágio
2º Ciclo de Estudos em Línguas Estrangeiras Aplicadas:
Variante em Comércio e Relações Internacionais
SUSANA RAQUEL DA GAMA CATALÃO Orientadores:
Prof. Dra. Teresa Moura
Composição do Júri:
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A Orientadora Pedagógica:
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Prof. Dra. Teresa Moura
Departamento de Letras, Artes e Comunicação,
“As doutrinas apresentadas no presente trabalho são da exclusiva responsabilidade do autor”
Última flor do Lácio, inculta e bela, És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura A bruta mina entre os cascalhos vela Amo-te assim, desconhecida e obscura
Tuba de algo clangor, lira singela, Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura! Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo! Amo-te, ó rude e doloroso idioma, Em que da voz materna ouvi: "meu filho!", E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!
Agradecimentos
Começaria por agradecer à Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e à Universidade de Szent István, e respetivos gabinetes de relações internacionais e toda a sua equipa, pelo apoio e ensinamentos, profissionalismo e dedicação;
Às professoras Maria da Felicidade e Teresa Moura pela disponibilidade e atenção;
À pessoa mais importante da minha vida e meu númen, que nunca deixou de me inspirar e proteger, o meu avô;
À minha família, que me deu toda a força e ânimo durante o meu percurso académico e que são um exemplo de coragem, esperança e amor;
À professora Henriqueta Gonçalves, um muito obrigada por acreditar em mim e ajudar a tornar o meu caminho um pouco mais luminoso e estimulante;
Ao professor Michael Laub, que tanto e tantas vezes me ajudou, foi com certeza “Das beste, was man sich nur denken kann”!
A todos os meus amigos, e os demais que comigo se cruzaram a deixaram a sua marca na minha vida;
À minha companheira de estágio Nicole Imholz, na Universidade de Szent István pela amizade e companheirismo demonstrados quer nos momentos difíceis quer nos momentos de lazer e diversão vividos durante o estágio.
Resumo
Há muito que se reconhece a importância de comunicar. Comunicar é indispensável para o ser humano, é um instrumento de integração e progresso em qualquer sociedade.
O mundo hodierno, caracterizado pela globalização, traz novas exigências e com elas a necessidade de responder com eficácia à demanda atual.
Após frequentar o 2º Ciclo de Estudos em Línguas Estrangeiras Aplicadas, optei por realizar dois estágios: O primeiro estágio (de fevereiro a junho de 2013) no Gabinete de Relações Internacionais e Mobilidade da UTAD (GRIM). O segundo estágio na Universidade de Szent István, Hungria, ao abrigo do programa Erasmus (de julho a outubro de 2013). O desiderato era por em prática as competências adquiridas ao longo dos dois semestres do mestrado, nomeadamente o conhecimento das línguas como ferramenta de comunicação. Pretendia também comprovar o papel das línguas, nomeadamente, o multilinguismo como requisito insofismável no mercado de trabalho, cada vez mais competitivo e universal.
Palavras-Chave: globalização, cultura, comunicar, línguas, multilinguismo, empresas, competitividade, empregabilidade, mercado europeu,
Abstract
It has been recognized the necessity and universality of communication. Communicating is essential for humans; it is an interactive process, utterly important for the progress of any society.
At the time of concluding my studies in Applied Languages, I decided to enroll in two separate internships: The first took place at Utad’s international office (from February until June 2013), the second at Szent István’s international office in Hungary (from July until October 2013).
The object of these internships was to put into practice all that I’ve learned in my masters, attesting the role of languages as tools for employability and competitiveness within the international relations scope.
Thus, this project will try to prove these assumptions, hoping to corroborate that multilingualism is an unquestionable requirement in a competitive and global market.
Keywords: globalization, culture, communication, languages, multilingualism, businesses, competitiveness, employability, European market.
Agradecimentos 9 Resumo 10 Índice 14 1.Introdução 15 1.1. Preâmbulo 16 1.2. Proposta de Trabalho 17 2. Globalização 20 2.1. Comunicação 21 2.2. Bilinguismo e Multilinguismo 22
2.3. Tipos e causas do Multilinguismo 28
2.4. A importância do Multilinguismo 29
2.5. Cultura e Competências Interculturais 30
2.6. Mosaico Cultural e Linguístico na União Europeia 31
2.7. Políticas de Educação e Formação na União Europeia 33
2.8. A importância das línguas no funcionamento das empresas 36
3. Entidades Acolhedoras 42
3.1. Gabinete de Relações Internacionais e Mobilidade – UTAD 42
3.1.1. Cronograma de Actividades 44
3.1.2. Actividades Desenvolvidas durante o Estágio 45
3.2. Universidade de Szent István 49
3.2.1. Cronograma de Actividades 53
3.2.2. Actividades Desenvolvidas durante o Estágio 54
4. Apreciação Crítica dos Estágios 61
5. Conclusão 63
6. Bibliografia 65
1. Introdução
1.1 Preâmbulo
Atualmente vivemos na era da globalização. Contudo, recuando um pouco na história recente da comunicação; foram as revoluções industriais nos séculos XVIII e XIX que conduziram a progressos nos transportes aéreos e marítimos, ao incremento do movimento de bens e à evolução dos meios de comunicação. Posteriormente, o desenvolvimento das telecomunicações e a informática permitiram também comunicar em tempo real independentemente das distâncias e fronteiras.
A globalização é um fenómeno complexo e multidimensional, que afeta muitos aspetos da sociedade. Um deles é sem dúvida o mundo empresarial, em que a interação entre empresas e organizações ganha contornos mais próximos.
Os modos de vida foram metamorfoseados, outros valores e necessidades foram criados. No entanto, hoje as empresas podem enfrentar desafios como os particularismos linguísticos e culturais e, nesta peugada das diferenças culturais, o multilinguismo e as capacidades interculturais ganharam outros contornos.
As trocas de bens e serviços internacionais, potenciadas pelos crescentes fluxos migratórios, dão influxo ao multilinguismo e às capacidades interculturais, uma vez que são necessários para se conseguir comunicar em contextos caraterizados pela diversidade cultural.
A educação passou a ser cada vez mais universal. Decorrente do processo de Bolonha, a Universidade abriu portas aos maiores de vinte e três anos, fazendo regressar aos bancos da universidade estratos etários mais elevados. A educação e a formação tornaram-se contínuas. O ensino superior passou a ser valorizado na sua dimensão prática. A mobilidade e o intercâmbio de estudantes e profissionais no espaço Europeu foram possíveis, dada a equivalência curricular e à colaboração entre instituições e à implementação de programas como o Erasmus ou o Leonardo Da Vinci.
Assim, uma vez que os mercados internacionais estão cada vez mais interligados e flexíveis, e o paradigma concorrencial mais competitivo, exigem-se pessoas altamente
qualificadas e engajadas numa aprendizagem ao longo da vida. Nestas qualificações encontram-se as competências multilingues e interculturais.
Consciente que estes são os desafios que se apresentam ao jovem que ingressa no mercado de trabalho, constituiu para mim um repto efetuar os Estágios Curriculares em Gabinetes de Relações Internacionais e por à prova os conhecimentos adquiridos ao longo do 2º Ciclo de Estudos em Línguas Estrangeiras Aplicadas: Variante em Comércio e Relações Internacionais.
1.2 Proposta de trabalho, hipótese e objetivos
O interesse particular pelas línguas como tema de pesquisa surge na medida em que o mundo está cada vez mais próximo, seja pelo advento das novas tecnologias, seja pela ab-rogação de fronteiras e uma mobilidade mais fácil, daí que seja tão marcante o multilinguismo e mesmo vital, para manter sadia a rede de relações internacionais empresarial e continuar a promover uma proximidade competitiva entre explorações industriais e as transações mercantis.
Através de uma bibliografia cuidada, visa-se demonstrar a importância de adquirir conhecimentos em línguas, sublinhando a extrema competitividade do mercado global e a necessidade de se ser idóneo num mundo empresarial praticamente sem fronteiras.
Para além de toda a literatura recolhida, o relatório irá também privilegiar os constructos inferidos dos estágios, a apreensão de significados, descrição concreta de experiências, perspetivas e pontos de vista.
Desta forma pretendo particularizar, observando de forma participante os factos e fenómenos. Sob uma perspetiva hermenêutica, irei dilucidar a temática (ou os conceitos) do bi- e multilinguismo, tentando validar o que é proposto. A subjetividade será parcimoniosa, de forma a não enviesar conceitos e conhecimentos. O presente relatório de estágio representa uma síntese das experiências e aprendizagens adquiridas no âmbito do estágio curricular, neste caso, dos dois estágios realizados. Serão apresentadas as instituições, as atividades desenvolvidas e inerentes a cada um dos gabinetes, e consequentemente a exposição e
reflexão das práticas realizadas. Por último, concluirei com uma avaliação crítica dos dois estágios, onde constará o porquê de ter optado por gabinetes de relações internacionais, os objetivos centrais dos estágios, e de que forma estes responderam às minhas expectativas.
2. Globalização
Os Media dão-nos diariamente notícias de tumultos sociopolíticos do mundo de hoje, agravados com dificuldades financeiras. Ao mesmo tempo que anunciam os avanços tecnológicos, a democratização do consumo, as migrações em massa, novas potências emergentes e a necessidade de compreensão das relações interculturais de sucesso. Temas estreitamente associados ao conceito de globalidade ou de aldeia global (Mcluhan: 1964).
A globalização entende-se melhor como um processo multidirecional com muitas facetas, que compreende a circulação, cada vez mais rápida e de maior volume, de praticamente tudo, desde capitais a pessoas, passando por mercadorias, informação, ideias e crenças, por meio de eixos que se modificam constantemente. (Relatório Mundial da Unesco 2009:6)
Vivemos então num mundo com cada vez maior número de contatos interculturais, dando origem igualmente a renovadas formas de diversidade cultural e comunicação.
Segundo o Dicionário de Língua Portuguesa Houaiss, Globalização é: (pag. 1891):
1. Ato ou efeito de globalizar (se). 2. Processo pelo qual a vida social e cultural nos diversos países do mundo é cada vez mais afetada por influências internacionais em razão de injunções políticas e económicas.
Vou considerar globalização como um fenómeno que efetivamente caracteriza os tempos em que vivemos e realçar o seu impacto, nomeadamente na comunicação entre as empresas e as instituições.
A crescente globalização coloca as empresas interligadas numa imensa rede, num mercado caracterizado por idiomas e culturas heterogéneas. E por isso, é tão primacial considerar o multilinguismo como instrumento basilar no mercado empresarial:
The processes of globalization now in progress can only increase the extent and character of plurilingualism, as people the world over continue to recognize the advantage of adding a world language to their verbal repertoires. One most conclude that, far from being exceptional, as many laymen believe, plurilingualism (which, of course, goes hand-in-hand with multiculturalism in many cases) is currently the rule
throughout the world and will become increasingly so in the future. (Bathia et Richie 2013:21)
Por isso nos devemos posicionar com maior consciência da multiculturalidade, dos seus valores e móbiles comuns:
As culturas não são entidades estáticas nem encerradas em si mesmas. Uma das principais barreiras que dificultam o diálogo intercultural é o nosso hábito de concebe-las como algo fixo, como se houvera linhas de fratura que as separam. Uma das principais objeções formuladas à tese do “choque de civilizações” de Samuel Huntington é que esta pressupõe filiações singulares, em vez de plurais, entre as comunidades humanas e não considera a interdependência e a interação entre as culturas. Descrever como linhas de fratura as diferenças entre as culturas significa ignorar a permeabilidade das fronteiras culturais e o potencial criativo que nelas exercem os indivíduos. (Relatório Mundial da Unesco 2009: 9)
2.1 Comunicação
Há muito que se reconhece a necessidade e a universalidade da comunicação. Comunicar é um constructo complexo. Definido de diferentes formas segundo a ciência que o estuda. Etimologicamente, comunicar é «pôr em comum» (Melo apud Perles: s/d:2) também é um processo, um fenómeno contínuo, com evolução e interação (Sousa apud Perles: s/d:2). É indispensável para o ser humano, interativo e bidirecional, primacial em qualquer sociedade. Ou seja, a comunicação é um processo ativo.
Os conceitos de Comunicação e Cultura estão estritamente ligados, fala-se em comunicação ou diálogo intercultural. Mas, não basta usar uma língua para comunicar, é também necessário ter em conta a diversidade cultural, de forma a contornar as barreiras linguísticas ou eventuais pontos de conflito.
Segundo Saussure (Bornemann apud Saussure s/d:2): a comunicação concretiza-se na linguagem e na língua. Sendo, a linguagem a faculdade de expressão e comunicação, enquanto a língua é o sistema supra-individual utilizado como meio de comunicação entre membros de uma comunidade.
Vivemos num mundo multilingue, em que a compreensão global exige uma nova adaptabilidade empresarial, uma “visão diferente”, uma competitividade reticular, que depende não só do contexto nacional, mas cada vez mais aberta ao mercado internacional.
Plurilinguism constitues a major fact of life in the world today. Plurilinguism is not such a rare phenomenon; there are in fact, more bilingual/multilingual speakers in the world than there are monolinguals. The Ethnologue (2009) estimates more than 7,000 languages (7,358) are spoken in the 194 countries of the world, or approximately 38 languages per country. According to the Ethnologue, 94% of the world’s population employs approximately 5% of the world’s languages. Furthermore, many languages such as Hindi, Chinese, Arabic, Bengali, Punjabi. Spanish, Portuguese, and, of course, English are spoken in many countries around the globe. Such a linguistic situation necessitates that many people live with plurilingualism. (Bathia et Richie 2013:21)
Muitos campos tais como a indústria das viagens e do turismo, a comunicação, a publicidade, a educação, a engenharia, entre assaz outros, têm setores que precisam necessariamente de lidar com outras línguas. Desta forma, importa não fechar os olhos a esta realidade de proficuidade linguística em correlação com o contexto comercial e empresarial. Afinal uma língua é um meio de comunicação e expressão, bem como um ato transacional, pois está muito manifesta em todo o desenrolar do comércio internacional.
Na era da globalização, a negligência do domínio das línguas estrangeiras torna-nos perigosamente dependentes das competências linguísticas dos outros e pode-nos custar muito caro: a entropia comunicacional entre empresas pode significar o fim da “mercancia”, de negócios importantes e mesmo da própria imagem credível da empresa.
Novas tendências económicas e políticas estão a surgir e são precisas competências em línguas estrangeiras não só para rivalizar com êxito no mercado global e como forma de compreender os concorrentes, mas também como meio de proteção contra as ameaças emergentes em todo o mundo.
Cada vez mais empresas trabalham em estreita colaboração e em parcerias e por isso, precisam de trabalhadores que possam comunicar de forma plurilingue. É uma vantagem real que o técnico, o diretor de empresa, ou o vendedor saibam comunicar com mais pessoas e alcancem mais lugares do que alguém que conhece apenas a língua materna. A promoção de uma pessoa ou de uma empresa reverbera-se muito na capacidade comunicativa, e por isso,
cada vez mais surgem propostas de trabalho no estrangeiro aos profissionais que conhecem outras línguas.
Um empregador vai olhar para um poliglota como um vínculo para novos clientes. Por exemplo, hoje em dia o mercado europeu está bastante dependente da Alemanha, sendo que os conhecimentos de alemão poderão dar melhores perspetivas de trabalho. A Alemanha é ainda o parceiro comercial mais importante para quase todos os países da Europa, daí que um colaborador que fale alemão será uma mais-valia para uma empresa que almeje um lugar dianteiro no mercado europeu, tal como defende Abrantes:
1º O alemão é a língua mais falada da Europa e a segunda mais aprendida, depois do
Inglês. Se este ainda não é uma argumento imediato para aprender esta língua, pensar sobre as implicações deste facto, pode ser. A Alemanha é o centro económico europeu por excelência e o maior exportador de turistas para os outros países da União.
2º Não chega saber inglês? Não! Saber inglês é condição essencial. Saber alemão é
uma mais-valia. Dentro de uma a duas décadas, todos os cidadãos nacionais saberão falar inglês. Esta é uma aposta decisiva do actual governo constitucional, cujo plano tecnológico assume o inglês como prioridade desde os primeiros anos do ensino obrigatório. Mas há muito que os cidadãos se aperceberam que sem o inglês as suas oportunidades ficam comprometidamente reduzidas. Assim sendo, tornando-se o inglês um elemento básico de alfabetização, a mais valia de cada um estará na mestria de outras línguas, para além desta.
3º A Europa há muito que se apercebeu disto e definiu como meta para os seus
cidadãos a competência em pelo menos duas línguas estrangeiras para além da língua materna. De resto, esta é uma tradição do continente, em que cerca de metade dos cidadãos são bilingues, devido à história e à configuração dos países onde vivem. Mas a pergunta mantém-se: porquê o alemão? A questão de quais as línguas a aprender tem uma resposta diferente nos vários países da Europa. No caso português, os alunos que hoje aprendam alemão na escola aumentam consideravelmente as suas oportunidades no futuro. A Alemanha continua a ser o maior investidor no país, gerando necessidades no sector da economia: competência em alemão de negócios para fazer face ao dia-a-dia da comunicação nas empresas, tradução de documentos, representação em feiras internacionais, são apenas alguns exemplos. No sector do turismo, Portugal necessita de apostar na qualidade, se quiser competir com outros destinos de sol, mar e cultura na Europa. A simpatia do acolhimento na língua de quem nos visita é um sinal de qualidade. Assim como a
oferta de um programa cultural baseado num conhecimento sólido da história e das artes. Este é o turismo do futuro, procurado por um público exigente. Grande parte deste público fala alemão. Ora, em nenhum destes casos (economia e turismo) o alemão é a componente central de estudos. Nem deve sê-lo, porque isoladamente é insuficiente. Mas pode e deve ser uma competência adicional.
4º Os alunos que hoje aprendam alemão na escola não recearão no futuro o desafio
de estudar numa universidade alemã. Na Alemanha discute-se hoje o perfil da universidade de elite, centrada na qualidade e no avanço científico. É certo que neste perfil se enquadra um ensino ministrado em inglês, para que possa apelar a pessoas qualificadas de todo o mundo, e concorrer assim com universidades norte-americanas. Assim sendo, o aluno português que mais tarde deseje estudar numa destas universidades de elite, tem sobretudo de saber inglês. Mas também é verdade que terá de fazer o seu dia-a-dia na língua do país, se quiser participar activamente na realidade da nação que os acolhe.
5º Para além destes factores imediatos há outros menos pragmáticos, mas
igualmente relevantes para aprender alemão. Uma parte significativa dos grandes pensadores e humanistas ocidentais desenvolveram os seus pensamentos em alemão. O mercado livreiro alemão é um dos mais importantes no mundo: quase 20% dos livros editados em todo o mundo são em língua alemã. A segunda língua mais usada na Internet é o Alemão: pense-se só como saber esta língua pode ajudar a ganhar informação em sites internacionais.
6º E o papel dos pais? É sem dúvida fundamental. A geração dos pais dos alunos de
hoje cresceu num sistema educativo que espelhava a influência do francês na vida cultural do país. A realidade é hoje muito diferente e sobretudo mudou muito depressa, numa dinâmica que acompanha os tempos. Se é certo que há educadores a quem causa incómodo que os filhos aprendam o que eles não sabem, os pais não devem sentir-se ameaçados por este conhecimento. Ele não põe em causa o seu papel de agentes educativos privilegiados na vida dos seus filhos. Hesitar em motivá-los ou mesmo deixá-los aprender uma língua, porque a ela associam preconceitos infundados, é roubar aos seus filhos oportunidades pessoais e profissionais no futuro.
7º Não se aplicarão muitas destas questões igualmente ao espanhol, língua que tem
vindo a crescer no sistema educativo português? Sem dúvida. No domínio da economia e do turismo, os números do investimento espanhol aproximam-se. E também é verdade que cada vez mais alunos procuram a Espanha como destino para os seus estudos. No entanto, pensemos no esforço de aprendizagem das duas
línguas. Aprender uma língua estrangeira com a qual a nossa tem pouca familiaridade exige mais tempo, pelo que esta aprendizagem deve começar mais cedo. Aprender alemão desde o sétimo ano de escolaridade seria uma opção acertada. E não impeditiva da aprendizagem de outra língua mais tarde, o que vai de encontro à diversidade linguística e à aprendizagem ao longo da vida, estandartes da União.
8º Mas o alemão é difícil, as notas dos alunos baixam. Aqui os professores têm um
papel decisivo. Os bons professores sabem que não é assim, porque gostam da matéria que ensinam e aprenderam-na com sucesso. O que impede os alunos de obter o mesmo sucesso? Os professores devem combater este preconceito com novos métodos, matérias relevantes, um ensino construído à volta do que o aluno vai aprendendo, convencendo-o do que ele já sabe e não da gramática que ainda não recita de cor! Quanto às notas, se a abordagem for esta, elas sobem. E se não chegarem ao 20, é hora dos alunos, pais e professores se questionarem do que é mais importante: um número numa pauta, quantas vezes pouco reveladora das verdadeiras capacidades, ou o alargamento do horizonte de oportunidades futuras dos jovens de hoje? (Abrantes: 2005)
Razões mais que válidas para apostar no alemão, num escopo do comércio cada vez mais ser global e em que os ciclos de vida das empresas são cada vez mais fátuos.
As competências linguísticas são necessárias para o sucesso das negociações comerciais, seja para estruturar as especificidades de um contrato ou de um memorando de entendimento, para o estabelecimento de diretrizes para os processos de fornecedor, ou para criar eixos estratégicos. Assim, sem competências linguísticas as empresas perdem oportunidades de negócio, "solicitações de propostas", e certamente receitas.
Numa Europa que promove a livre circulação de bens e pessoas é fundamental que a formação promova o aperfeiçoamento das capacidades dos indivíduos num conjunto de áreas, de forma a puderem obter um bom desempenho profissional num espaço cada vez mais global e competitivo. As mais recentes diretrizes da Comissão Europeia (2007) para o crescimento e o emprego fazem menção à abertura dos mercados dentro e fora da Europa tirando partido da globalização, à melhoria da resposta às necessidades do mercado de trabalho, ao alargamento do investimento em capital humano e à adaptação dos sistemas de educação e formação em resposta às novas exigências em matéria de competências.
De facto, há a apontar duas questões de grande debate na Europa, nomeadamente quais as qualificações e as competências mais procuradas e como é que estas irão alterar o futuro, não havendo quaisquer margens para dúvidas de que a renovação dos fatores de competitividade da economia europeia e a melhoria da produtividade devem apoiar-se no surgimento das novas competências dos recursos humanos. (Rodrigues 2008:28)
Nesse entrementes, contudo, tem-se vindo a “desprezar” um pouco a importância da aprendizagem de línguas no contexto da “aldeia global” (McLuhan 1969), esquecendo que todo um tecido empresarial europeu é impulsionado por diversas línguas e culturas e está em contínuo contacto.
Atualmente, a supressão de fronteiras torna conceitos como bilinguismo e multilinguismo variáveis essenciais para explicar diferenciais de sucesso.
O capitalismo moderno começou a ganhar forma com a deslocalização da produção e o surgimento de novos mercados, estruturando de outra maneira o desenho das funções, organograma funcional, das organizações e das empresas.
Desta forma, muitas organizações passaram a trabalhar em sistemas abertos, privilegiando a coexistência harmoniosa das diferentes línguas como ponte entre pessoas, culturas, países e este é um trunfo fautor para um diálogo intercultural.
Também a Universidade só criará sinergias se tiver uma imagem internacionalizada e multicultural. A crescente competitividade entre instituições de ensino superior tem vindo a obrigar a uma nova orgânica e integração em redes internacionais. A grande circulação de fluxos migratórios e os programas de mobilidade entre universidades alteraram as lógicas de mercado da educação, a universidade já não cresce de forma endógena, mas pelo contrário vai ao encontro de um posicionamento internacional.
Numa economia onde a aparição e difusão das tecnologias de informação e comunicação catalisam uma economia à escala global. A aquisição de línguas assume um papel fulcral na necessidade de comunicar num contexto em que a multiplicidade de línguas é uma realidade, tanto para as relações entre empresas como para as relações dentro das empresas.
Neste cenário de profundas transformações, as competências ganham claramente um novo fôlego, em particular as competências em línguas estrangeiras. O outrora
parente pobre do desenvolvimento afirma-se, agora, como o tão aclamado agente da mudança. No âmbito de uma sociedade multilingue e multicultural, a competências linguísticas e interculturais revelam-se os meios mais eficazes e eficientes de concretização dos muitos objectivos propostos pela estratégia europeia. (Rodrigues 2008: 65)
2.2 Bilinguismo e Multilinguismo
No encadeamento que se vinha a descrever, anteriormente, ambos os conceitos “bilinguismo” e “multilinguismo” são referidos, pelo que importa destrinçar e explicitar o que identifica cada um deles e as suas singularidades.
Segundo Hagège:
Bilingue é aquele que tem a possibilidade de funcionar em duas (ou mais) línguas, no seio de comunidades seja unilingues, seja bilingues, em conformidade com as exigências socioculturais de competência comunicativa e cognitiva individual, requeridas por essas sociedades e pelo próprio indivíduo, ao mesmo nível dos locutores nativos, bem como a possibilidade de se identificar positivamente com as duas comunidades ou com a totalidade ou parte destes grupos linguísticos e das suas culturas. […] Um perfil ideal de bilinguismo seria o que, tanto do ponto de vista da sociedade, ofereceria uma possibilidade máxima de realização do eu, bem como de competência social enquanto membro integral da sociedade.
A partir das diferentes disciplinas em questão, poder-se-iam precisar, simultaneamente, as necessidades linguísticas, psicológicas, sociológicas e sociopsicológicas, ou seja, as exigências de competência, de função interna, de função externa e de atitude, em particular, a necessidade de identificação, também ela uma necessidade interna e externa. (Hagège apud Fernandez-Vest 1996: 198).
De forma superficial, este parece ser um conceito não problemático. Ser bilingue é então ter fluência em duas línguas, por outras palavras, proficiência equipolente em duas línguas. Tal é também a visão de Bloomfield (1933) considerando bilingue, aquele que tem capacidade de falar duas línguas perfeitamente. Pode-se dizer que esta aquisição da segunda língua ocorre de forma simultânea ou sucessiva em relação à língua materna.
Por sua vez, multilinguismo, segundo o dicionário Houaiss é:
1.Coexistência de sistemas linguísticos diferentes (língua, dialecto, falar etc.) numa comunidade [As exigências do meio em que vivem os falantes, as situações específicas, levam ao uso circunstancial de um entre os diferentes sistemas.] 2. Conhecimento de mais de uma língua, por um mesmo falante, plurilinguismo.
As vantagens ao nível cognitivo de ser bilingue ou multilingue são muitas vezes mencionadas, (melhoria do raciocínio matemático e da memória, entre outros), mas também tem muitas implicações sociais e culturais, afetando de sobremaneira a sua perceção como indivíduo e o seu lugar na sociedade. (Bialystok et al 2004).
Falar uma língua particular, acarreta o sentimento de pertença a uma comunidade específica de falantes. No entanto, o indivíduo plurilingue encontra-se envolto num mosaico cultural, sendo que à parte das questões meramente conceituais, tem repercussões muito benéficas para a sociedade. Eduardo Lourenço (2005) reconhece esta multiplicidade cultural na Europa mas afirma a necessidade imperiosa de prosseguir a construção da comunidade Europeia, contrariando uma dialética entre as identidades Nacionais e identidade da Comunidade.
2.3 Tipos e causas do Multilinguismo
Segundo Lasagabaster (2003:20) o multilinguismo ocorre quer em contexto individual, quer em contexto social.
• Multilinguismo individual – como o nome indica, pela utilização de várias línguas no dia-a-dia de um indivíduo;
• Multilinguismo social – evidenciando-se pela existência de várias línguas no seio de uma comunidade;
A manifestação do multilinguismo é fator social de suma importância no mundo moderno, sendo que, as migrações contribuíram também para a expansão do multilinguismo.
Este é um mundo onde as distâncias se abreviam, e onde as interações entre pessoas de diferentes países e línguas aumentam. Tome-se como exemplo a internet, onde as distâncias
são anuladas. O multilinguismo é assim uma solução para conseguirmos viver passo a passo com a celeridade do mundo e as suas exigências comunicacionais.
2.4 A importância do Multilinguismo
A importância do multilinguismo é evidente, não só devido à construção de um mundo cada vez mais anglófono e globalizado, mas também como forma de diferenciação competitiva e concorrencial.
Esta diglossia é muito importante na abertura à alteridade, essencial à compreensão do mundo e às relações internacionais. Uma sociedade monolingue cai num erro uniaxial, num vazio comercial e industrial, no isolacionismo, que podem ser muito gravosos.
O inglês, mormente, tem uma prolixidade muito para além das suas fronteiras, de grande preeminência devido à rapidez e eficácia com que é veiculada. No entanto, o inglês por si só já não é nenhuma garantia.
Formar multilingues é assim responder à constante transmutação e necessidade de adaptação corporativa, assim como constante mutação comunicativa, pois segundo Habermas:
“Aquilo que entra na ação comunicativa a partir dos recursos do pano de fundo do mundo da vida, flui através das comportas da tematização e possibilita o domínio das situações, constitui a reserva de conhecimento preservado das práticas comunicativas” (Habermas 1996:138).
A força económica do mercado internacional não tem como sustentáculos os seus falantes monolingues, mas pelo contrário, os seus bi- e multilingues. Só a partir desta valência, um país pode produzir indicadores de competitividade e de preponderância capazes de fazer a diferença. O multilinguismo oferece uma ponte entre as fronteiras, ajuda a repensar os conceitos de unidade e diversidade, imersão, cultura e as relações entre o indivíduo e a sociedade.
A importância deste tema ganha outros contornos neste século de mudanças, de “zeitgeist” (termo alemão referente ao período de mudanças, espírito dos tempos), em que as considerações “vis-a-vis” vão tomando novos rumos e formas.
O multilinguismo é a resposta à diversidade, à dualidade social e psicológica em que vivemos, há muito que existe a necessidade de ultrapassar as barreiras do etnocentrismo. Ajuda a ter uma visão mais aberta do mundo e encoraja uma reflexão crítica sobre a linguagem, a cultura e o pensamento.
O filme recentemente estreado “gaiola dourada”, embora num registo de comédia, aborda de forma séria a problemática da migração e desafia-nos a ultrapassar o etnocentrismo, logo as barreiras culturais, e as barreiras geracionais. Reflete, pois sobre a necessidade da comunicação intercultural e do respeito pela identidade cultural.
Segundo o site da Organização Internacional para as Migrações1:
Existem cerca de 214 milhões de migrantes internacionais, o que significa que 3,1% da população é migrante, denotando que uma em cada 33 pessoas migra. Desta forma, as línguas são mais do que impreterivelmente, pontes entre culturas e grandes fautores de coesão em contextos de heterogenia.
2.5 Cultura e Competências Interculturais
A globalização, como já foi referido, derrubou fronteiras, tornou o mundo mais exíguo, permitindo e mesmo tornando essencial estabelecer ligações com pessoas de diferentes culturas em tempo real.
Segundo a definição do dicionário Houaiss
Cultura é um conjunto de padrões de comportamento, crenças, conhecimentos, costumes etc., que distinguem um grupo social; conjunto de atitudes, linguagens, conhecimentos e costumes assim induzidos, que tendem frequentemente à estereotipagem e à simplificação e procuram satisfazer indiretamente interesses de determinados grupos sociais
1
O constructo cultura é então um aglomerado de vários conceitos, sendo o ligâmen, o facto de serem partilhados por um grupo de pessoa, moldando o seu padrão de significados e através dele se relacionando e influenciando fortemente a comunicação entre pessoas.
Desde o nascimento e até à morte o homem está marcado e marca uma sociedade. Para tal tem de ser aceite pelos outros, tecendo um grupo de afinidades e padrões de comportamentos comuns.
Intrinsecamente associada a formas de organização e identificação sociais, ela é também de carácter etnocêntrico, sendo por isso incentivadora de algumas dificuldades nas relações internacionais. Tudo o que aprendemos desde que nascemos propende a ser a única forma de validação que aceitamos. Neste sentido, surge a necessidade de conseguir comunicar com sucesso com pessoas de proveniências diversas, primando por um aumento das relações comerciais e de valores como a tolerância e normas de adequação.
Num mosaico cultural, ainda não homogeneizado pela globalização, a preocupação com migrações em massa, o advento das novas tecnologias, a democratização do consumo, a multiplicação de conflitos entre países entre outras conjunturas, levou ao surgimento da necessidade da comunicação intercultural, sendo que entre as competências requeridas sobressai o conhecimento de línguas estrangeiras para haver efetivamente comunicação.
Também no contexto das empresas, a comunicação é primacial, sendo a linguagem, frequentemente, uma barreira na negociação transcultural.
Para tal, é necessário ter consciência da diversidade cultural, uma vez que o sucesso da comunicação entre pessoas de diferentes culturas fica dependente das capacidades interculturais dos seus funcionários, que têm de saber gerir interações e habilitações linguísticas.
Segundo dados da Comissão Europeia2, com a adesão da Croácia a 1 de Julho de 2013, a União Europeia passou a ter no seu conjunto 28 Estados-Membros.
Com 503 milhões de habitantes, tem a terceira maior população do mundo, sendo uma miscelânea de culturas, onde nacionalidades, etnias e línguas vivem em confluência. Desta forma, o multilinguismo é uma temática muito presente nas políticas da UE.
A União Europeia é composta por 24 línguas oficiais, número com propensão a crescer devido à adesão de novos países, sendo elas: o alemão, o búlgaro, o checo, o croata, o dinamarquês, o eslovaco, o esloveno, o espanhol, o estónio, o finlandês, o francês, o grego, o húngaro, o inglês, o irlandês, o italiano, o letão, o lituano, o maltês, o neerlandês, o polaco, o português, o romeno e o sueco.
Para além das línguas oficiais, contam-se mais de 60 comunidades indígenas que falam línguas regionais e minoritárias, algumas das quais com estatuto oficial.
A língua é sem dúvida identitária a uma comunidade, sendo que o conhecimento de outras línguas permite a mobilidade, ajudando a criar novos postos de trabalho e a estimular o crescimento.
A adesão de 12 novos membros entre 2004 e 2007 veio aumentar para mais do dobro o número de línguas oficiais (que passaram de 11 para 23, e posteriormente para 24 com a adesão da Croácia). Entre elas, o alemão é a língua mais falada, com cerca de 90 milhões de falantes, o que corresponde a 18% da população da UE, seguidas das línguas inglesa, italiana e francesa, que equivalem cada uma a aproximadamente 60 a 65 milhões de cidadãos (12 a 13% do total). Contudo, a proporção de cidadãos que falam inglês como primeira língua, está calculada em 38%, o que a torna indubitavelmente na língua mais utilizada, assim ultrapassando o alemão e remanescentes línguas.
Mais de 90% da população de oito países da UE – Eslováquia, Eslovénia, Letónia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Países Baixos e Suécia – afirmam falar uma segunda língua. Em antítese, só 34% da população irlandesa e 38% da britânica declaram conhecer uma língua suficientemente bem ao ponto de conseguir manter um diálogo.
Segundo o inquérito Eurobarómetro de 2006 existem sete países da UE que não conhecem quaisquer línguas estrangeiras, neles se inclui Portugal, juntamente com a Espanha, a Hungria, a Itália, o Reino Unido e a Roménia.
Malgrado o contexto económico difícil que atravessamos, existe um campo em que podemos investir, o ensino das línguas estrangeiras, uma pedra na construção de um mito europeu referido por Eduardo Lourenço (2005), uma base de valores, ideias, crenças, e do imaginário comuns, capaz de estimular os europeus a encontrarem um sentido cultural da Comunidade, impulsionando-os para além das meras aspirações económicas que foram as iniciais razões da atual União Europeia.
Conhecendo o “Outro” a nível da língua e da cultura luta-se pela prossecução do ideal comunitário, da raison d’être promovida pela comunidade europeia.
Um investimento mais efetivo na contratação de falantes nativos e em pessoal com conhecimentos linguísticos prova ser proveitoso, sem dúvida uma vantagem concorrencial, ao dar resposta às barreiras linguísticas e aos encargos adicionais nos negócios internacionais, acarreta mais prosperidade e ajuda a potenciar melhores empregos.
Assim, com a economia mundial num fluxo em crescimento, as práticas nas empresas caracterizam-se pelo seu elevado dinamismo. Por sua vez, o Multilinguismo e a economia estão interligados como os dois lados da mesma moeda.
2.7 Políticas de Educação e Formação na União Europeia
Em 2002 a União Europeia definiu objetivos gerais no âmbito da Educação e da Formação3:
3
• Atingir a máxima qualidade na educação e na formação e assegurar que a Europa seja reconhecida, à escala mundial, como uma referência pela qualidade e relevância dos seus sistemas e instituições de educação e de formação;
• Garantir que os sistemas de educação e de formação na Europa sejam suficientemente compatíveis para permitir que os cidadãos transitem de um sistema para outro e tirem partido da sua diversidade;
• Assegurar que os detentores de qualificações, conhecimentos e competências adquiridos em qualquer parte da UE tenham a oportunidade de obter o seu reconhecimento efetivo em todos os Estados-Membros para efeitos de carreira e de prosseguimento da aprendizagem;
• Garantir que os europeus de todas as idades tenham acesso à aprendizagem ao longo da vida;
• Abrir a Europa à cooperação, reciprocamente benéfica, com todas as outras regiões e assegurar que ela seja o destino preferido dos estudantes, académicos e investigadores de outras regiões do mundo.
Estes objetivos gerais traduzem-se em programas como:
• Programa Língua: que consiste na formação de professores europeus, dentro de outros países da comunidade e na concessão de bolsas a estudantes universitários, para o mesmo fim; • Programa Sócrates: auxiliando na cooperação entre estabelecimentos de ensino, facultando bolsas no estrangeiro para formação contínua de professores, elaboração de instrumentos de aprendizagem e ensino;
• Programa Leonardo da Vinci: dá primazia à mobilidade profissional além-fronteiras nacionais da União Europeia;
• Programa Cultura: direcionado para a tradução de obras literárias de e para línguas europeias;
• Programa Erasmus Mundus: ação para complementaridade da qualidade do ensino superior europeu e a promoção da compreensão intercultural, através da cooperação com países não pertencentes à comunidade;
• Programa Tempus: possibilitando uma ligação reticular entre UE e os países dos Balcãs, da Europa Oriental, da Ásia Central e do Mediterrâneo no processo de reforma e reestruturação do Ensino Superior;
• Desenvolvimento do Indicador europeu de Competência Linguística: organismo que coleta dados a respeito do multilinguismo, de forma a medir, a nível global, as competências no domínio das línguas estrangeiras em cada Estado membro. Fornece também apoio às línguas regionais e minoritárias;
• Criação do Gabinete para as línguas menos divulgadas (em 1982): com o desígnio de financiamento a projetos de promoção e proteção das línguas;
• Carta Europeia das Línguas regionais ou minoritárias (1992).
Outros exemplos de programas, entretanto extintos, são: a celebração em 2001, do Ano Europeu das Línguas que consistia em melhorar e expandir a aprendizagem de línguas ao longo da vida, aperfeiçoar o ensino de línguas estrangeiras e criar um ambiente mais favorável às línguas; e, em 2002 adoção à política da língua materna mais duas outras línguas (Convenção de Barcelona adotada pelo Conselho Europeu).
Estes são alguns dos exemplos do resultado natural da livre circulação de pessoas, do mercado único de bens e serviços e livre circulação de capitais.
A existência de uma economia comum potencia contacto entre diferentes culturas, daí a vantagem dos indivíduos possuírem competências interculturais e linguísticas, seja em contextos laborais, estudantis ou de lazer.
A união monetária veio também estreitar relações comerciais, advogando deste modo a necessidade de interculturalidade e de falar outras línguas, sobretudo a crise veio expor a necessidade de diferenciação no mercado de trabalho mudando o significado de conceitos como a Flexigurança (Hermes 2009:133-144) (flexibilidade e segurança no mercado de trabalho). Hoje em dia é necessária uma capacidade de adaptação à mudança e de mobilidade, pelo que se impõe ter disposição cultural, estar disposto a desempenhar funções laborais noutros países que não o de origem.
2.8 A importância das línguas no funcionamento das empresas
Em 2006, a Comissão Europeia levou a cabo um estudo sobre os efeitos das línguas nas empresas4. Nele, o ELAN (Effects on the European Economy of Shortages of Foreign Language Skills in Enterprise) apurou uma considerável perda de negócios na Europa, devido à escassez de competências linguísticas. Das 1964 empresas estudadas, 11% das inquiridas tinham perdido volume de negócios, consectário da escassez de competências linguísticas e estavam cientes de que a perda efetiva destes contratos se deveria a barreiras linguísticas.
Quatro caraterísticas foram identificadas como fomentadoras de um maior desempenho nas transações internacionais: o conhecimento prévio de línguas, o recurso a tradutores e intérpretes profissionais, a contratação de falantes nativos da língua e a implementação de um plano ou estratégia de gestão linguística. As empresas que efetivamente investiram nestes quatro elementos obtiveram vendas 44,5% superiores às das que não compreenderam nenhum destes investimentos.
A EGL, por sua vez designada de “estratégia linguística” é definida como a “adopção planeada de uma série de técnicas com vista a facilitar a comunicação eficaz com clientes fornecedores no estrangeiro” (ELAN, 2006).
Integrando por sua vez as seguintes medidas:
• Uso de agentes locais para resolver problemas linguísticos;
• Criação de sítios Web com adaptações culturais e/ou linguísticos especiais;
• Uso de auditorias linguísticas;
• Uso de tradutores/intérpretes profissionais;
• Tradução de materiais promocionais, de vendas e/ou técnicos;
• Formação linguística e iniciativas informativas de tipo cultural;
• Aprendizagem de línguas on-line; selecção de funcionários e política de recrutamento;
• Mobilidade do pessoal;
• Convívio com colegas estrangeiros e esquemas de apoio além fronteiras;
• Estabelecimento de ligações com universidades locais;
• Abertura de vagas para estudantes estrangeiros;
• Recrutamento de falantes nativos da língua;
• Comércio eletrónico envolvendo operações multilingues; e adaptação de produtos ou embalagens de acordo com os gostos e costumes locais. (ELAN:2006)
O estudo ressalva a crescente concorrência de trabalhadores falantes de outras línguas nos mercados europeus e a necessidade de responder a este incremento, bem como explorar oportunidades, sublinhando a necessidade do multilinguismo em penetrar nos sistemas académicos e de criar laços entre empresas e organismos educacionais.
84% dos inquiridos destaca no entanto que se deve falar outra língua para além da língua materna, 68% considera que a língua estrangeira mais importante é o inglês, seguido do francês(25%) e o alemão (22%).
Os cidadãos da UE têm o direito de viver e trabalhar em qualquer Estado-Membro, daí que o conhecimento de língua seja ditame para uma mobilidade efetiva. A União Europeia está empenhada em apoiar as políticas de mobilidade, incentivando programas como o Comenius (abrangendo o ensino primário e secundário), o programa Erasmus (programa em que estudantes e professores de nível universitário podem passar algum tempo numa universidade de outro país, o Leonardo da Vinci (especialmente no ensino e formação profissional), ou mesmo o Grundtvig, que se foca no ensino de adultos.
Gráfico 2.1 Número médio de línguas estrangeiras aprendidas por aluno do ensino secundário Fonte: Eurostat
Nestes programas pode ser prestado apoio em todas as línguas, desde línguas oficiais, regionais, minoritárias e migrantes ou línguas de parceiros comerciais.
No que concerne aos intercâmbios culturais da União Europeia, estes promovem também a diversidade linguística e cultural:
• Programa MEDIA que financia a dobragem de filmes europeus;
• Programa “cultura” que promove a tradução de autores contemporâneos noutras línguas da UE.
A Comissão Europeia, por exemplo, trabalha em três línguas principais: o inglês, o francês e o alemão. Em grande parte, os documentos são redigidos numa destas línguas e circulam internamente entre os departamentos e serviços até a versão final estar pronta para publicação ou envio a outra instituição, como o Parlamento Europeu ou o Conselho de ministros, onde então o documento é traduzido nas restantes línguas.
Sem dúvida que as estratégias de promoção internacional trazem investimento estrangeiro, concorrem a nível mundial e incentivam produtividade e inovação. Esta trajetória
organizacional exige polivalência e inserção num sistema aberto e um diferencial competitivo expressivo. Mudanças que exigem profissionais com uma visão ampla e global, com conhecimentos abrangentes e consciência do seu papel no conjunto de ações que poderão desempenhar dentro da empresa.
É com esta consciência que se poderá melhorar a inclusão social e reforçar a mobilidade, a empregabilidade e a competitividade económica reiterando que as competências linguísticas e interculturais são fatores decisivos de empregabilidade dos atores do mercado laboral.
Os empregos tradicionais estão em declínio e as empresas estão a investir constantemente em mão de obra qualificada para assegurar o retorno à produtividade e para sobreviver face à concorrência crescente.
Vivemos um momento de mudança, em que é necessário promover ferramentas de inovação e competitividade e que o entendimento intercultural se deve sobrepor ao capitalismo globalizado, ao hiperconsumismo, à revolução tecnológica e científica.
Portugal depende fundamentalmente do comércio internacional. Para agarrar as rédeas do seu futuro é necessário relançar a economia procurando investimento estrangeiro e o seu “know-how”. Mas também é necessário investir na educação e formação. Mas não se pode esquecer que saber línguas é uma vantagem competitiva. Os negócios são feitos de forma mais proficiente se as empresas falarem o idioma ou a língua dos clientes. E esta máxima é transversal a todas as áreas empresariais, nas redes de relações com diferentes prestadores de serviços, fornecedores, abastecedores, contactos com clientes.
Tomemos o caso do Luxemburgo5, um caso distintivo onde francês, luxemburguês, inglês e alemão são línguas comummente usadas e interligadas. No que toca a proficiência, os luxemburgueses têm níveis altíssimos de multilinguismo, assim obtêm grandes vantagens quer na comunicação interétnica a nível nacional quer com cidadãos dos países vizinhos. É notável que um país de dimensão tão pequena, este fenómeno multifuncional, permita ligar pessoas, comunidades e outras culturas.
The Grand Duchy of Luxembourg, situated in the centre of Europe, comprises some 1000 square miles and has approximately 360,0000 inhabitants. Since the Second World War, and the particularly since the establishment of the European Economic Community (now the European Union, Luxembourg has grown in international importance [….) has developed a unique pattern of trilinguism which is supported by the whole population.. Luxembourg’s linguistic situation has come to be described as triglossia, where each language has certain functions. (Cenoz: 1998: 149)
Em suma, falamos da população “geoliterata” do século XXI, com a melhor sensibilidade intercultural, mais co-operativa e negociadora.
3. Entidades Acolhedoras
Como referido, após frequentar o 2º Ciclo de Estudos em Línguas Estrangeiras Aplicadas, optei por realizar o estágio curricular no Gabinete de Relações Internacionais e Mobilidade da UTAD (de fevereiro a junho de 2013). Tendo surgido uma oportunidade realizei também um estágio ao abrigo do programa Erasmus na Universidade de Szent István, Hungria, (de julho a outubro 2013).
3.1 Gabinete de Relações Internacionais e Mobilidade – UTAD
Sediada em Vila Real, a UTAD foi criada em 1973, nos seus exórdios como um Instituto Politécnico, tornando-se numa universidade pública em 1986. Neste encalço, viria a ser uma importante insígnia no ensino superior, moldando o atual panorama «educativo - através da escolha de metodologias e campos de investigação que vão ao encontro das necessidades nacionais e que não estão ainda exauridas no mercado de trabalho. A universidade foi também pioneira no desenvolvimento das regiões onde se insere, criando empregos e disponibilizando cursos que suprem falhas de qualificação das populações.
Financeira e culturalmente, a região limítrofe a Vila Real reflete o desenvolvimento económico do sector vinícola, com a produção de vinhos tintos altamente apreciados e do reputado Porto.
A economia é também fortemente apoiada na criação de gado, a exploração floresta e os recursos naturais, que providenciam à região a grande parte da riqueza – os rios e o vento geram eletricidade para o país inteiro, e a geologia dispõe de nascentes minerais, e as estâncias termais e turísticas – spas, de grande qualidade e grandes reservas de granito entre outras rochas ornamentais e minerais. A região de Trás-os-Montes e Alto Douro possui um dos cenários mais espetaculares disposto em socalcos, com as suas prolixas vinhas, o Vale do Douro e seus tributários – que conjuntamente formam a zona demarcada do Vinho do Porto, reconhecida pela Unesco em 2001 como Património Mundial.
Como especificado nos seus Estatutos, os objetivos principais da UTAD pautam-se pela qualidade de ensino, investigação e alcance comunitário. A disseminação da cultura, do conhecimento e da ciência efetivam-se através do desenvolvimento experimental, dentro de parâmetros de inovação, centros de investigação e a atividade científica que procura aprofundar o conhecimento e criar tecnologia capaz de expor problemáticas de escopo nacional, regional e internacional. Todos os cursos estão de acordo com a declaração de Bolonha e as atividades académicas dividem-se em Departamentos e Centros de investigação. Os 15 departamentos estão divididos em 5 Escolas: Escola de Ciências Agrárias e Veterinárias; Escola de Ciências da Vida e do Ambiente; Escola de Ciências e Tecnologia; Escola de Ciências Humanas e Sociais e Escola Superior de Enfermagem.
Para cooptar nas iniciativas de mobilidade e internacionalização, a UTAD dispõe de um gabinete de relações internacionais, o GRIM, sendo este, uma estrutura de articulação e coesão institucional, coadjuvando docentes e discentes na sua mobilização internacional.
No âmbito das visitas bilaterais, o GRIM realizou alguns Protocolos de Cooperação com a universidade de Dronten, na Holanda, a Shangai University of Sports na China, bem como convénios luso-brasileiros, protocolos com o governo de Angola e São Tomé e Príncipe. No caso da Hungria, o gabinete internacional estabeleceu relações profícuas, sendo de destacar o grande número de reuniões com homólogos, encontros de cooperação bilateral, e atividades de tradução.
O GRIM desenvolve também uma extensa atividade de divulgação e facilitação dos processos de mobilidade elaborando folhetos, brochuras destinados a difundir, de forma mais simples, todas as questões concernentes ao período de mobilidade e atividades de internacionalização, entre estas atividades destaca-se:
• Fazer a candidatura, quais os passos a seguir após a seleção, como proceder durante a estadia, bem como outras matérias de divulgação e promoção.
• São também outras valências do gabinete, estabelecer contatos exploratórios e fazer propostas de cooperação e intercâmbio com instituições congéneres e empresas e articular com equipas e gabinetes, bem como centros científico-pedagógicos.
A internacionalização é uma questão importante na divulgação das instituições superiores que tem vindo a crescer e a ganhar significado. Ressalva-se contudo, que no caso
do GRIM muitas das atividades eram concretizadas fruto de um esforço extraordinário, dada à escassez de técnicos adstritos e em tempo integral, bem como à falta de dotação de recursos financeiros.
3.1.1 Cronograma das atividades
A tabela seguinte pretende dispor cronologicamente as diferentes atividades realizadas no estágio curricular na UTAD (fevereiro-junho).
Atividades F M A M J J A S O N D
Adaptação e Integração ao Local de Estágio Observação e intervenção nos programas de mobilidade no âmbito de: Erasmus (docente e discente) Almeida Garrett Leonardo da Vinci Convénios luso-brasileiros
Consulta e organização de processos de mobilidade
Participação nas sessões de
esclarecimentos desenvolvidas pelo Gabinete Articulação com outras instituições Programa de acordos bilaterais com Universidades Estrangeiras Traduções Conteúdos site Candidatura ECTS Panfletos e brochuras Atendimento a alunos (incoming e outgoing)
Outras atividades Monitorização de visitas de estudo Guia/orientadora institucional Pesquisa bibliográfica
Elaboração do relatório de estágio
Tabela nº 3.1 Cronograma das atividades realizadas no estágio curricular na UTAD (fevereiro-junho)
3.1.2 Atividades desenvolvidas durante o estágio
O meu estágio pautou-se por diferentes funções, entre elas:
a. Funções de atendimento • Atendimento aos alunos;
• Auxílio e suporte em todos os processos ligados às atividades dos gabinetes;
• Atendimento telefónico, prestando informações sobre os serviços do gabinete;
• Levantamento, identificação e esclarecimento de dúvidas dos alunos;
• Receção e direcionamento dos alunos para os diferentes serviços;
• Realizar, analisar e atualizar os processos de Erasmus dos aluno;
• Relacionamento interpessoal através do contato com os alunos/docentes envolvidos em processos de mobilidade internacional;
• Auxílio na promoção da “network” /rede de contactos entre gabinetes de outras universidades nacionais/internacionais.
b. Funções de arquivo e documentos
• Preparação, organização, análise e arquivo de documentos de correspondências diversas;
• Organização e localização de arquivos físicos e digitalizados;
• Auxílio na organização de dossiês, expedição e controle de documentos e nos agendamentos;
• Formação e desenvolvimentos de acervos.
c. Promoção das atividades do gabinete
• Efetuar propostas para a resolução de problemas;
• Dar suporte à promoção, integração dos programas de mobilidade;
• Atualização do banco de dados;
• Participação nas ações de captação de novos alunos Erasmus;
• Reuniões e eventos;
•Participação em palestras e atividades práticas que abordam informações sobre o gabinete;
• Gestão e organização de materiais.
d. Serviços administrativos
• Colaboração na redação e digitalização de documentos em geral
• Protocolar
• Dar encaminhamento a processos
• Suporte/atualização de processos internos
• Acompanhamento dos procedimentos das atividades
• Fornecimento de informações diversas
• Traduções várias, nomeadamente, das fichas curriculares dos cursos ministrados na UTAD. (Anexos E a H)
Durante o meu estágio na UTAD tive também a oportunidade de acolher uma delegação da Universidade Kastamonu (Turquia). A delegação era composta por docentes da
instituição, da área da Educação e que alargaram o acordo bilateral da formação Erasmus sendo também proposto um acordo de cooperação mais geral para futuros trabalhos em conjunto na área da educação.
Neste período, no seguimento de um Intensive Programme em que a UTAD participa, ocorreu também uma deslocação da Profª Madalena Vieira Pinto (Professora auxiliar de Inspeção Sanitária da UTAD e membro da direção da WAVES Portugal) à Universidade Degli Studi di Parma.
Tive igualmente oportunidade de trabalhar com o programa de licenciaturas Internacionais (PLI) – [Anexo D], que tem por objetivo uma formação e dupla titulação de estudantes brasileiros em cursos de Licenciatura (de 4 anos).
O PLI abrange um programa com abertura e conclusão na universidade brasileira e uma etapa intermediária de 2 anos, adstrita à formação específica que será realizada na universidade portuguesa. O PLI estimula o intercâmbio nas áreas da Química, Física, Matemática, Biologia, Artes e Educação Física.
No que concerne ao acolhimento de alunos brasileiros, a UTAD tem igualmente convénios luso-brasileiros. Todos os cursos obedecem ao sistema Europeu de créditos (ECTS) e seguem os requisitos definidos pelos cursos análogos que são autorizados no Brasil pela CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal do Ensino Superior), nomeadamente no que concerne à carga horária, produção de dissertação ou tese, qualificação e produção científica dos docentes bem como outras exigências.
Realço também a participação nas seguintes atividades: a preparação da partida e receção dos alunos incoming e outgoing, e nestas a realização dos attendance certificates, transcript of records, certificados de notas, entre outros; receção de candidaturas para STA (docentes) e mobilidades de estudos e estágios, STT (mobilidade para pessoal não docente); a gestão das mobilidades (alunos) e sua inserção de dados na plataforma da Agência Nacional, para preenchimento de Relatório individual online; a organização da Welcome Session: sessão de boas vindas a todos os alunos estrangeiros da UTAD; candidatura às Bolsas Suplementares Erasmus, destinada a alunos com dificuldades económicas; realização da candidatura ao programa Erasmus Mundos com os países ACP (ÁFRICA Caraíbas e Pacífico); envio do Pré-Relatório Financeiro e Narrativo 2012-2013 à Agência Nacional (AN) do Programa Aprendizagem ao Longo da vida (PROALV); realização da candidatura à
Erasmus Charter; preparação e receção das candidaturas dos alunos incoming/outgoing para o ano 2013/14; alargamento de vagas e renovação de protocolos no âmbito do LLP-Erasmus; seleção dos candidatos para os Cursos Intensivos de Línguas Erasmus (EILC), entre outros.
De entre os vários programas de mobilidade, trabalhei sobretudo com o Erasmus (Anexo N), o Almeida Garret (Anexo A), o Leonardo da Vinci e o Ciência sem Fronteiras.
No entanto, o Erasmus foi o programa com o qual trabalhei mais intensivamente e é uma das ações do Programa Aprendizagem ao Longo da Vida (PROALV) que incentiva o intercâmbio de estudantes, docentes e não docentes, com vista a um enriquecimento académico e profissional. Porque já estava familiarizada com o processo, como “intercambista”, eu já sabia do mar de burocracia que este programa exige. Para além de organizar processos, ajudava os alunos a preencher candidaturas e documentos; desde fichas de candidatura, Learning Agreement (programas de estudo), Programa de Estágio, Certificados de estadia e chegada, Registo Académico, sempre ressalvando a importância de terem sempre em atenção a documentação necessária e os procedimentos a terem em conta quando se chega a um país estrangeiro. Os alunos devem também ter em atenção os objetivos a que se propõem, a imprevisibilidade de muitas solicitações, bem como, a constatação de um cenário educativo e cultural muito diferente. Assim, o papel de quem orienta é o de destacar os benefícios que advêm do Erasmus, com certeza, uma experiência única e de grande valor curricular. Por outro lado, para trabalhar num gabinete de relações internacionais é necessário ter a capacidade de comunicar com bastante agilidade e ter uma esfera relacional de proximidade com os alunos. E para além desse carácter “oralizante”, é necessário conhecer os processos de mobilidade.
Neste período foram também celebrados protocolos bilaterais, entre eles: • Parceria Knightsbridge entre a UTAD e a Cambridge ESOL
• Centro Universitário Maurício de Nassau (UNISSAU)
• Cooperativa de Ensino Superior Politécnico e Universitário, CRL
• Universidade de São Paulo (USP)
• Souto Assessoria Estudantil Ltda.
• Instituto Português do Desporto e Juventude.
• Comité Latino-americano de Parlamentos Municipais e a Federação Nacional de Municípios do México.
Pese embora os cortes orçamentais, a mobilidade estudantil na UTAD tem de facto mantido uma certa constância, como se pode observar no gráfico seguinte relativo ao fluxo de mobilização de 2008 a 2012:
Gráfico 3.2 – Mobilidade de Estudantes LLP-Erasmus 2008 a 2012 Fonte: GRIM
3.2 Universidade de Szent István
A Hungria está Localizada na Europa Central, é a porta para a Europa, uma espécie de charneira, fazendo fronteira com a Áustria, a Eslováquia, a Ucrânia, a Roménia, a Sérvia, a Croácia e a Eslovénia. Com cerca de 10 milhões de habitantes, este é um país de língua especial, um trautear muito difícil de compreender, cujas cores e cheiros não irei esquecer. “Magyarország” (Hungria em húngaro) é um país com uma história rica. Sucessivamente ocupada por povos como os Celtas, romanos, hunos e eslavos. A fundação da Hungria ocorreu finalmente no século IX, pelo príncipe húngaro Árpad. No século XII seria um poder intermédio e parte da ocupação otomana (1541-199) fazendo posteriormente parte do império Habsburgo e depois o império Austro-Húngaro (1867-1918). Interessante ainda como após todas estas ocupações a sua língua nunca viria a sofrer influências, sendo a sua aprendizagem assaz difícil.