SEGURANÇA CONTRA INCÊNDIO EM EDIFÍCIOS
NO CENTRO HISTÓRICO DO PORTO
LUIS MANUEL PAIS RODRIGUES
ENGENHEIRO CIVIL
DISSERTAÇÃO, apresentada à Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto para a obtenção do grau de Mestre em Construção de Edifícios
ORIENTADOR DE TESE: Professor Eng.º João Lopes Porto
Luís Manuel Pais Rodrigues I
RESUMO
A necessidade de melhor compreender o risco de incêndio no Centro Histórico do Porto (CHP), a urgente necessidade de intervenção na reabilitação deste Património Mundial com vista à melhoria das condições existentes e ao estabelecimento de um melhor desempenho em matéria de segurança ao incêndio levou ao desenvolvimento deste trabalho de investigação.
Nesta tese de mestrado foram abordadas diversas matérias relacionadas com a segurança ao incêndio no CHP, desde os riscos naturais e tecnológicos associados a esta zona da cidade, à caracterização do edificado, sua morfologia e ao tipo de construção e materiais utilizados, até ao diagnóstico dos principais problemas existentes, passando pelo enunciado de um conjunto de princípios gerais que devem orientar as intervenções.
A aplicação da legislação de segurança contra risco de incêndios em edifícios existentes e em particular nos centros históricos, foi outra parte deste trabalho, onde foram elencados os princípios gerais de licenciamento dos projectos e planos de SCI com a legislação em vigor, os problemas na sua aplicação, e a apresentação de algumas medidas cautelares para a resolução de não
conformidades bem como a proposta de medidas compensatórias,
complementadas com medidas de autoprotecção.
Foi ainda desenvolvida uma metodologia simplificada para avaliação do Risco de Incêndio Urbano no CHP, tendo em consideração três factores; a acessibilidade ao local, a disponibilidade de água para combate a incêndios, e o estado geral de conservação do edificado, instrumento de trabalho que permitiu avaliar a maior ou menor dificuldade de combate ao um incêndio que os Corpos de Bombeiros podem vir a ter nos arruamentos do CHP.
A metodologia em causa foi aplicada às 129 ruas inseridas no CHP- Património Mundial, resultando na sua caracterização e atribuição de grau de risco, bem como na criação de uma Carta de Risco e um Mapa de Acessibilidades para esta zona da cidade.
O trabalho termina com as conclusões e com a sistematização de um conjunto de medidas gerais de segurança ao incêndio destinadas a ultrapassar os principais problemas existentes.
Palavras Chave:
Centro Histórico, Incêndios em edifícios, Protecção contra incêndios, Grau de Risco
Segurança Contra Incêndio em Edifícios no Centro Histórico do Porto ABSTRACT
Luís Manuel Pais Rodrigues II
ABSTRACT
The need of a better understanding the risk of fire in the Historical Center of Oporto (CHP) and the increasing necessity of intervention in the rehabilitation of this World-wide Patrimony to get one improvement of the existing conditions and to establish a better security performance are the main reasons of the development of this research.
This thesis approached diverse subjects related with the fire security in the CHP, from the natural and technological risks associated to this zone of the city, to the characterization of the buildings, till its morphology, or the type of construction and materials used in it, the diagnosis of the main existing problems and the statement of a set of general principles that must guide the interventions.
The application of the legislation of security against the risk of fire in existing buildings and particular in the historical centers, was another part of this work, where there were mentioned the general principles of projects licensing and plans of security against fire, the problems in its applicability, the presentation of some prevention measures for the resolution of non conformity problems as well as the proposal of compensatory measures had been referee, complemented with measures of self-protection.
Its was also developed a simplified methodology for the evaluation of the risk of Urban Fires in CHP, having in consideration three factors: the accessibility to the place, the water availability for fire combat, and the general state of conservation of the building which allows to evaluate the greater or minor difficulty of combat a fire in the CHP.
This methodology was applied to the 129 inserted streets in the CHP - World-wide Patrimony, resulting in its characterization and classification of the risk degree, as well as in the creation of a Letter of Risk and Map of Accessibilities for this zone of the city.
The work ends with the presentation of the conclusions and with the systematization of a set of general measures of fire security destined to surpass the main existing problems.
Key Words:
Luís Manuel Pais Rodrigues III
RÉSUMÉ
La nécessité de mieux comprendre le risque des incendies du Centre Historique de Porto (CHP) et l'urgente nécessité d'intervenir au niveau de la réhabilitation de ce Patrimoine Mondial, en vue de l'amélioration des conditions existantes et de l'établissement de meilleures performances en matière de sécurité à l'incendie, ont motivé le développement de ce travail de recherche.
Cette thèse aborde plusieurs sujets rapportés à la sécurité contre l'incendie du CHP. Comme exemples on étés considérés, les risques naturels et technologiques particuliers à cette zone de la ville de Porto, les caractéristiques des bâtiments, la morphologie, le genre de construction et les matériaux utilisés, jusqu’a l’identification des principaux problèmes existants, et l’énumération des principes généraux qui doivent guider les interventions.
L'application de la loi en matière de sécurité contre le risque d'incendie pour les bâtiments existants et en particulier ceux des centres villes historiques, constitue un autre chapitre de ce travail. À savoir, l’approbation des projets et plans de sécurité contre l’incendie au regard de la loi actuelle alliée aux difficultés de son application, et l’apprésentation de mesures de précaution, de mesures compensatoires et d’autoprotection supplémentaires, en vue de résoudre lés non conformités existantes.
Une méthodologie simple, utilisant trois facteurs, a été développée ayant comme but l’évaluation du risque d’incendie du CHP. Les facteurs sont : l'accessibilité au lieu du sinistre, la disponibilité d'eau pour le combat à l’incendie, et l'état général de conservation des bâtiments. Cette méthodologie se révèle être un puissant instrument de travail en ce qui concerne l’évaluation de la difficulté associée au combat d’un incendie dans une quelconque rue du CHP.
La méthodologie citée précédemment a été appliquée aux 129 rues qui constituent le CHP – Patrimoine Mondial, ayant résulté en la caractérisation et l’attribution d’un degré de risque, ainsi que la création d'une Carte de Risque et d’une Carte d'Accessibilités pour cette zone de la ville.
Ce travail termine avec les conclusions ainsi qu’avec la systématisation d'un ensemble de mesures générales de sécurité contre incendie qui se destine à dépasser les principaux problèmes existants de ce genre de centre urbain.
Mots Clé :
Centre Historique, Incendies aux bâtiments, Protection contre l’incendie, Degré de Risque
Segurança Contra Incêndio em Edifícios no Centro Histórico do Porto AGRADECIMENTOS
Luís Manuel Pais Rodrigues IV
AGRADECIMENTOS
Este trabalho foi resultado de um projecto de vida que só agora foi possível concluir, e para o qual foi determinante o apoio e contributo de algumas pessoas que merecem ser consideradas neste momento. Por isso agradeço:
Ao meu Orientador, Senhor Professor João Porto, Professor na FEUP e Professor do Mestrado em Construção de Edifícios, pelo apoio permanente, disponibilidade, confiança, simpatia e incentivo no desenvolvimento deste trabalho;
Ao Comando, ao Gabinete Técnico e ao Gabinete de Protecção Civil do Batalhão de Sapadores Bombeiros do Porto, pela colaboração e apoio dispensados neste trabalho de melhor conhecer a realidade do Centro Histórico do Porto;
À minha família, em particular à Cristina, minha esposa por todas as horas e pelas privações que este desafio implicou na nossa vida, que sempre me apoiou e me incentivou à conclusão da tese de mestrado.
Aos meus pais, pelo incentivo e confiança depositada em mim, no momento em que iniciei este desafio.
Luís Manuel Pais Rodrigues V
ÍNDICE GERAL
RESUMO ... I ABSTRACT ... II RÉSUMÉ ... III AGRADECIMENTOS ... IV ÍNDICE GERAL ... V ÍNDICE DE FIGURAS ... XII ÍNDICE DE QUADROS ... XIV ABREVIATURAS... XV1. INTRODUÇÃO ... - 1 -
2. TRABALHOS PRECEDENTES ... - 4 -
2.1 INTRODUÇÃO ... - 4 -
2.2 ESTUDOS DESENVOLVIDOS NO PAÍS ... - 4 -
3. CENTRO HISTÓRICO DO PORTO – PATRIMÓNIO MUNDIAL... - 9 -
3.1. ENVOLVENTE ... - 9 -
3.2. DESCRIÇÃO E DELIMITAÇÃO ... - 9 -
3.3. BREVE RESENHA HISTÓRICA ... - 10 -
3.4. PLANO DE GESTÃO DO CHP-PM ... - 20 -
3.5. CARACTERIZAÇÃO DO ESTADO DO EDIFICADO ... - 23 -
3.5.1. Conservação ... - 23 -
3.5.2. Ocupação ... - 25 -
3.5.3. Caracterização do tecido empresarial ... - 26 -
3.5.4. Tipo de empresas presentes e horários ... - 29 -
3.5.5. Caracterização do tecido institucional ... - 29 -
3.5.6. Propriedade ... - 30 -
3.6. CARACTERIZAÇÃO DO PATRIMÓNIO DE VALOR SINGULAR E ESPAÇOS MUSEOLÓGICOS ... - 32 -
3.6.1. Património de valor singular ... - 32 -
3.6.2. Património de Museológico ... - 33 -
3.7. CARACTERIZAÇÃO DOS EDIFÍCIOS ... - 33 -
4. RISCOS NATURAIS E TECNOLÓGICOS ... - 36 -
4.1. RISCOS DE ORIGEM NATURAL ... - 37 -
4.1.1. Sismos ... - 37 -
4.1.2. Geológicos (deslizamentos das escarpas, desmoronamentos, movimentos de massa e afundimentos) ... - 39 -
Segurança Contra Incêndio em Edifícios no Centro Histórico do Porto
VI
4.1.3. Meteorológicos (Tempestades, trovoadas e ciclones) ... - 40 -
4.1.4. Secas e Ondas de Calor ... - 40 -
4.1.5. Hidrológicos ... - 41 -
4.2. RISCOS DE ORIGEM TECNOLÓGICA ... - 43 -
4.2.1. Acidentes Industriais ... - 43 - 4.2.2. Acidentes Rodoviários ... - 44 - 4.2.3. Acidentes Ferroviários ... - 44 - 4.2.4. Acidentes Fluviais ... - 46 - 4.2.5. Acidentes Aéreos... - 46 - 4.2.6. Colapso de Estruturas ... - 47 - 4.2.7. Incêndios Urbanos ... - 47 - 4.2.8. Acidentes com gás ... - 49 - 4.2.9. Ruptura de Barragens ... - 50 -
4.2.10. Ataques Terroristas e Actos de Sabotagem ... - 50 -
4.2.11. Grande concentração de pessoas ... - 50 -
4.2.12. Poluição Ambiental (hídrica e atmosférica) ... - 51 -
4.2.13. A sobrecarga e/ou usos desajustados dos edifícios ... - 52 -
4.2.14. O abandono (com as patologias que lhes estão associadas) ... - 53 -
4.2.15. O abuso cultural (com práticas desajustadas de arquitectura e/ou engenharia). - 54 - 5. RISCOS DE INCÊNDIO NO CHP ... - 55 -
5.1. INTRODUÇÃO ... - 55 -
5.2. RISCOS ASSOCIADOS AO ECLODIR DO INCÊNDIO ... - 55 -
5.2.1. Ao nível urbano ... - 55 - 5.2.1.1. Morfologia ... - 55 - 5.2.1.2. Utilizações e uso ... - 58 - 5.2.1.3. Infra-estruturas urbanas ... - 60 - 5.2.1.3.1 Rede de gás ... - 60 - 5.2.1.3.2. Rede eléctrica ... - 61 - 5.2.2. Ao nível do edificado ... - 61 - 5.2.2.1. Materiais de construção ... - 61 -
5.2.2.2. Elementos de construção (compartimentação corta-fogo) ... - 63 -
5.2.2.3. Instalações Técnicas ... - 65 -
5.2.2.3.1 Instalações de gás ... - 65 -
5.2.2.3.2 Instalações eléctricas ... - 66 -
5.2.2.3.3 Instalações de aquecimento ... - 68 -
5.2.2.4. Armazenamento de lixo ... - 68 -
Luís Manuel Pais Rodrigues VII
5.2.2.6. Trabalhos de construção civil ... - 69 -
5.2.3. Ao nível da envolvente do edifício ... - 69 -
5.2.3.1. Limpeza e desobstrução da zona envolvente do edifício ... - 69 -
5.3. RISCOS ASSOCIADOS AO DESENVOLVIMENTO E PROPAGAÇÃO DO INCÊNDIO NO EDIFÍCIO ... - 70 -
5.3.1. Introdução ... - 70 -
5.3.2. Desenvolvimento e propagação do incêndio pelo exterior ... - 71 -
5.3.3. Desenvolvimento e propagação do incêndio pelo interior ... - 71 -
5.3.3.1. Através das paredes e pavimentos de separação ... - 71 -
5.3.3.2. Através das Comunicações Horizontais Comuns (CHC) ... - 74 -
5.3.3.3. Através das Comunicações Verticais Comuns (CVC) ... - 75 -
5.3.3.4. Através de redes técnicas ... - 75 -
5.4. RISCOS ASSOCIADOS AO DESENVOLVIMENTO E PROPAGAÇÃO DO INCÊNDIO ENTRE EDIFÍCIOS ... - 75 -
5.4.1. Introdução ... - 75 -
5.4.2. Entre edifícios adjacentes ... - 76 -
5.4.2.1. Através de paredes de separação entre edifícios ... - 76 -
5.4.2.2. Através de coberturas ... - 77 -
5.4.2.3. Através de aberturas para saguões ... - 78 -
5.4.3. Entre edifícios em confronto ... - 78 -
5.5. RISCOS ASSOCIADOS À EVACUAÇÃO DO EDIFÍCIO ... - 79 -
5.5.1. Introdução ... - 79 -
5.5.2. Organização dos espaços interiores ... - 80 -
5.5.3. Comunicações horizontais e verticais ... - 80 -
5.5.4. Distâncias máximas a percorrer ... - 82 -
5.5.5. Largura dos caminhos de evacuação ... - 82 -
5.5.6. Controlo de fumo nos caminhos de evacuação ... - 83 -
5.6. EFICÁCIA DA INTERVENÇÃO NO COMBATE AO INCÊNDIO ... - 83 -
5.6.1. Introdução ... - 83 -
5.6.2. Fases de evolução do incêndio... - 84 -
5.6.3. Acessibilidades ... - 84 -
5.6.3.1. Equipamento adequado às características morfológicas do CHP ... - 84 -
5.6.3.2. Estacionamento ... - 85 -
5.6.3.3. Equipamento urbano ... - 85 -
5.6.4. Meios de combate ao incêndio ... - 86 -
5.6.4.1. Ao nível do edificado ... - 86 -
Segurança Contra Incêndio em Edifícios no Centro Histórico do Porto
VIII
5.6.5. Intervenção dos moradores ... - 86 -
6. ANÁLISE DE RISCO DO CHP ... - 87 -
6.1. CONCEITOS GERAIS ... - 87 -
6.2. METODOLOGIA UTILIZADA NA AVALIAÇÃO DE RISCO DE INCÊNDIO ... - 88 -
6.3. ANÁLISE DE RESULTADOS... - 92 -
6.3.1. Estado de conservação dos edifícios ... - 92 -
7. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO DE SCI EM EDIFÍCIOS EXISTENTES - 94 - 7.1. INTRODUÇÃO ... - 94 -
7.2. LEGISLAÇÃO EM VIGOR ... - 94 -
7.2.1. Licenciamento ... - 96 -
7.2.1.1. Procedimentos administrativos ... - 96 -
7.2.1.2. Projectos e planos de SCIE ... - 97 -
7.2.2. Autorização de utilização e vistorias ... - 98 -
7.2.3. Inspecções ... - 99 -
7.2.4. Contra-ordenações e coimas ...- 100 -
7.2.5. Sanções acessórias ...- 102 -
7.3. MEDIDAS CAUTELARES DE SCI DO BSB PARA A RESOLUÇÃO DE NÃO CONFORMIDADES ...- 102 -
7.3.1. Compartimentação corta-fogo...- 102 -
7.3.2. Caminhos de evacuação ...- 103 -
7.3.3. Controlo de fumos ...- 104 -
7.3.4. Facilidades para intervenção dos bombeiros ...- 105 -
7.3.5. Instalações Técnicas ...- 105 -
7.3.6. Diversos ...- 105 -
7.4. MEDIDAS COMPENSATÓRIAS ...- 106 -
7.5. MEDIDAS DE AUTO PROTECÇÃO...- 107 -
7.5.1. Implementação das medidas de autoprotecção ...- 109 -
8. PROPOSTAS DE MEDIDAS DE INTERVENÇÃO E DE SEGURANÇA PARA O CHP ...- 110 -
8.1. INTRODUÇÃO ...- 110 -
8.2. NÍVEIS DE INTERVENÇÃO NO EDIFICADO ...- 110 -
8.2.1. Intervenção de nível Ligeira ...- 110 -
8.2.2. Intervenção de nível Média ...- 111 -
8.2.3. Intervenção de nível Profunda ...- 111 -
8.3. CRITÉRIOS DE INTERVENÇÃO ...- 112 -
Luís Manuel Pais Rodrigues IX
8.3.2. Fachadas Urbanas ...- 112 -
8.3.3. Resolução Tipológica Geral ...- 112 -
8.3.4. Critérios Gerais das Intervenções Técnicas ...- 113 -
8.4. PRINCIPAIS EXIGÊNCIAS A ASSEGURAR ...- 113 -
8.4.1. Segurança estrutural ...- 113 -
8.4.2. Segurança contra risco de incêndio ...- 115 -
8.4.3. Conforto termo higrométrico ...- 115 -
8.4.4. Conforto acústico ...- 116 -
8.4.5. Salubridade de Instalações Sanitárias e Cozinhas ...- 117 -
8.4.6. Instalações e Infra-estruturas...- 117 -
8.4.7. Durabilidade e economia ...- 118 -
8.5. MEDIDAS PARA LIMITAR A ECLOSÃO DO INCÊNDIO ...- 118 -
8.5.1. Ao nível urbano ...- 119 -
8.5.1.1. Ocupação e uso ...- 119 -
8.5.1.2. Redes de infra-estruturas urbanas ...- 120 -
8.5.2. Ao nível do edifício ...- 120 -
8.5.2.1. Actuação sobre materiais de construção ...- 120 -
8.5.2.2. Elementos de construção ...- 121 -
8.5.2.3. Soluções genéricas para protecção de estruturas ...- 122 -
8.5.2.4. Melhoria do comportamento das paredes ...- 125 -
8.5.2.5. Melhoria do comportamento dos pavimentos ...- 126 -
8.5.2.6. Melhoria do comportamento das coberturas ...- 126 -
8.5.2.7. Instalações técnicas ...- 127 -
8.5.2.8. Armazenamento e evacuação de lixo ...- 130 -
8.5.2.9. Estado de limpeza do edifício ...- 130 -
8.5.2.10. Limitação da execução de determinados trabalhos ...- 131 -
8.5.2.11. Cargas de incêndio ...- 131 -
8.5.3. Envolvente ao edifício ...- 132 -
8.6. MEDIDAS PARA LIMITAR O DESENVOLVIMENTO E PROPAGAÇÃO DO INCÊNDIO NO EDIFÍCIO ...- 132 -
8.6.1. Limitação do desenvolvimento e propagação do incêndio no edifício pelo exterior ...- 132 -
8.6.2. Limitação do desenvolvimento e propagação do incêndio no edifício pelo interior ...- 132 -
8.6.2.1. Através das paredes e pavimentos de separação ...- 133 -
8.6.2.2. Através de redes técnicas ou ductos ...- 136 -
Segurança Contra Incêndio em Edifícios no Centro Histórico do Porto
X
8.7. MEDIDAS PARA LIMITAR O DESENVOLVIMENTO E PROPAGAÇÃO DO
INCÊNDIO ENTRE EDIFÍCIOS ...- 137 -
8.7.1. Introdução ...- 137 -
8.7.2. Entre edifícios adjacentes ...- 137 -
8.7.2.1. Através de paredes de separação entre edifícios ...- 137 -
8.7.2.2. Através de coberturas ...- 137 -
8.7.3. Entre edifícios em confronto ...- 138 -
8.8. MEDIDAS PARA FACILITAR A EVACUAÇÃO DO EDIFÍCIO ...- 138 -
8.8.1. Introdução ...- 138 -
8.8.2. Ligação entre a porta de saída do fogo e as circulações horizontais comuns ...- 139 -
8.8.3. Ligação entre escadas e corredores ...- 140 -
8.8.4. Ligação entre átrio de entrada do edifício e as escadas comuns ...- 140 -
8.8.5. Distância máxima a percorrer ...- 140 -
8.8.6. Largura dos caminhos de evacuação ...- 141 -
8.8.7. Medidas com vista ao melhoramento da evacuação dos edifícios ...- 141 -
8.8.7.1. Limitação de ocupação ...- 141 -
8.8.7.2. Criação de saídas de emergência para o interior do quarteirão ...- 142 -
8.8.7.3. Sinalização de segurança...- 142 -
8.8.7.4. Iluminação dos caminhos de evacuação ...- 142 -
8.8.8. Controlo de fumo nos caminhos de evacuação interiores ...- 142 -
8.9. MEDIDAS COM VISTA A FACILITAR O COMBATE AO INCÊNDIO ...- 143 -
8.9.1. Aspectos gerais ...- 143 -
8.9.2. Fase do desenvolvimento do incêndio em que ocorre a intervenção dos bombeiros ...- 143 -
8.9.3. Condições de acessibilidade ...- 144 -
8.9.4. Equipamento adequado às características morfológicas dos locais ...- 144 -
8.9.5. Condicionamento de estacionamento ...- 145 -
8.9.6. Desobstrução dos passeios ...- 145 -
8.9.7. Meios de combate ao incêndio ...- 145 -
8.9.7.1. Ao nível do edifício ...- 145 -
8.9.7.2. Ao nível do espaço urbano ...- 145 -
8.10. ACÇÕES SOBRE EDIFÍCIOS DEVOLUTOS ...- 145 -
8.11. ACÇÕES DE SENSIBILIZAÇÃO DOS MORADORES...- 146 -
8.12. PLANOS DE EMERGÊNCIA ...- 147 -
8.13. ACÇÕES FUNDAMENTAIS A CONCRETIZAR EM CADA UTILIZAÇÃO TIPO - 147 - 9. CONCLUSÕES E DESENVOLVIMENTOS FUTUROS ...- 149 -
Luís Manuel Pais Rodrigues XI 9.2. DESENVOLVIMENTOS FUTUROS ...- 150 -
10. BIBLIOGRAFIA ...- 141 -
10.1. WEBSITES VISITADOS ... 142
-ANEXOS
A- AVALIAÇÃO DO NÍVEL DE RISCO A-1
B- CARACTERIZAÇÃO DOS ARRUAMENTOS DO CHP – PM B-1
C- MAPA DE ACESSIBILIDADES C-1
D- CARTA DE RISCO D-1
Segurança Contra Incêndio em Edifícios no Centro Histórico do Porto ÍNDICE DE FIGURAS
Luís Manuel Pais Rodrigues XII
ÍNDICE DE FIGURAS
Figura 3.1 – Área classificada e respectiva área de protecção... 10
Figura 3.2 – Mapa antigo da cidade do Porto... 11
Figura 3.3 – Limites de intervenção ao longo dos anos ... 20
Figura 3.4 – Limite do CHP PM ... 21
Figura 3.5 – Estado de conservação CHP – PM ... 24
Figura 3.6 – Distribuição por quarteirões do estado de conservação CHP – PM ... 24
Figura 3.7 – Mapa com estado de conservação CHP – PM ... 25
Figura 3.8 – Gráfico com o estado de ocupação dos edifícios ... 25
Figura 3.9 – Mapa com estado de ocupação dos edifícios do CHP – PM ... 26
-Figura 3.10 – Gráfico com as funcionalidades dos edifícios ... - 27 -
Figura 3.11 – Mapa com distribuição dos edifícios ocupados com a função habitação. ... 28
Figura 3.12 – Mapa com distribuição dos edifícios ocupados com a função comércio. .... 28
Figura 3.13 – Mapa com distribuição geográfica do tipo de propriedade. ... 31
Figura 3.14 – Edifícios de valor Patrimonial e Museológico. ... 32
Figura 3.15 Edifícios de tipologia variada no CHP ... 33
Figura 3.16 Travamentos “Cruz de Stº André” ... 34
Figura 3.17 Sistema antisísmico da gaiola pombalina ... 34
Figura 3.18 Edifício degradado na Rua da Banharia ... 35
Figura 4.1 Carta de Isossistas de Intensidades Máximas ... 38
Figura 4.2 Fotos de cheias de 2002 ... 43
Figura 4.3 – Estado de conservação da vias... 45
Figura 4.4 Barco Rebelo no Rio Douro com turistas ... 46
Figura 4.5 Incêndio em edifício na Rua Rodrigues de Freitas em 18/06/2009 ... 48
Figura 4.6 Incêndio na Rua de Trás com destruição total do edifício em 9/01/2009 ... 48
Figura 4.7 Explosão de gás em Edifício na Rua de Santa Catarina em 27/06/2005... 49
Figura 4.8 Prova Red Bull Air Race 2009 ... 51
Figura 4.9 – Edifícios devolutos, na Rua das Flores ... 53
Figura 5.1 Grande densidade de edificações – foto aérea do CHP ... 55
Figura 5.2 Grande estado de degradação de edificado – Morro da Sé ... 56
Figura 5.3 Edifício recuperado na Rua Mouzinho da Silveira ... 57
Figura 5.4 Edifício recuperado na Rua Mouzinho da Silveira ... 57
-Figura 5.5 - Edifício recuperado na Praça Carlos Alberto... - 57 -
Figura 5.6 - Edifícios com utilização mista de comércio e habitação na Rua Mouzinho da Silveira ... 58
XIII
Figura 5.7 Exemplo de um espaço comercial no résdochão. ... 58 Figura 5.8 Edifícios desabitados e degradados na Rua dos Caldeireiros ... 59 -Figura 5.9 - Armazéns criados nos pisos superiores ao espaço comercial no
résdochão ... 59 Figura 5.10 Instalação eléctrica pública instalada nas fachadas na Rua da Banharia .. 61 Figura 5.11 Fachadas em pedra – Rua do Belmonte ... 62 -Figura 5.12 - Elementos de madeira utilizada em paredes divisórias - paredes tabique
(foto dir) e tectos (foto esq) ... 62 Figura 5.13 – Incêndio num edifício em restauro na Praça da República em 08/04/2008 63 Figura 5.14 – Garrafa de gás danificada por um incêndio sem rebentamento... 66 Figura 5.15 Notícia publicada no Diário de Notícias, no dia 10/01/2009 ... 67 -Figura 5.16 – Incêndio na cobertura do edifício da Reitoria da Universidade do Porto,
em 5/05/2008 ... - 69 - Figura 5.17 – Parede e tecto carbonizado no incêndio de um edifício na Rua de Trás
em 09/01/09 ... 72 -Figura 5.18 – Material depositado no chão no local onde se iniciou o incêndio num edifício
na Rua de Trás em 09/01/09 ... 73 -Figura 5.19 – Foto das traves de madeira ardidas no incêndio na Rua da Boavista em
04/03/09 ... 76 Figura 5.20 – Foto de uma cobertura afectada, incêndio em Campanha em 26/10/2008 . 77 Figura 5.21 – Foto do incêndio no Restaurante “Simbiose” no dia 06/08/2008 ... 78 Figura 5.22 – Edifícios em confronto muito próximos na Rua do Souto ... 79 Figura 5.23 – Rua Estreita dos Lóios ... 84 -Figura 5.24 – Estacionamento de viaturas em zona proibida na Rua de Trás (foto esq)
e na Rua da Vitória (foto dir) ... 85 -Figura 8.1 – Evolução do processo de protecção de uma estrutura com a aplicação de
tintas intumescentes. ... 123 -Figura 8.2 – Ensaio de prova de protecção da vermiculite ao fogo ... - 125 - Figura 8.3 – Melhoria do comportamento ao fogo de pavimentos, com estrutura de
madeira a manter ... 134 -Figura 8.4 – Melhoria do comportamento ao fogo de pavimentos, com estrutura de
-Segurança Contra Incêndio em Edifícios no Centro Histórico do Porto ÍNDICE DE QUADROS
Luís Manuel Pais Rodrigues XIV
ÍNDICE DE QUADROS
Quadro 3.1 – O quadro resume de todos os antecedentes de intervenção no CHPPM 19
Quadro 6.1 – Critérios de atribuição de valores à acessibilidade ao local ... 90
-Quadro 6.2 – Critérios de atribuição de valores à disponibilidade de água para combate a incêndios ... 90
-Quadro 6.3 – Critérios de atribuição de valores ao estado geral de conservação dos edifícios ... 91
Quadro 6.4 – Distribuição dos níveis de risco ... 91
-Quadro 6.5 – Distribuição de resultados dos níveis de risco pelos 129 arruamentos do CHPPM ... 92
-Quadro 6.6 – Estado de conservação dos edifícios no CHP-PM ... - 92 -
Quadro 6.7 – Média dos factores de risco dos 129 arruamentos do CHP PM ... 93
Quadro 7.1 – Periodicidade das inspecções a realizar nos edifícios ou recintos ... 99
-Quadro 7.2 – Contra-ordenações e coimas previstas para o não cumprimento das disposições de SCIE ... 101
Quadro 7.3 – Periodicidade máxima para a realização de simulacros ... 108
Quadro 7.4 – Medidas de auto protecção em função da UT e categoria de risco ... 109
Quadro 7.5 – Prazos para a implementação das medidas de auto protecção ... 109
Quadro 8.1 Resistência ao fogo e compartimentação geral de fogo ... 121
-Quadro 9.1 – Medidas a implementar nas utilizações tipo em intervenções ligeiras e médias ... 148
-Luís Manuel Pais Rodrigues XV
ABREVIATURAS
ACRRU- Área Crítica de Recuperação e Reconversão Urbanística ANET - Associação Nacional dos Engenheiros Técnicos
ANPC – Autoridade Nacional de Protecção Civil APC – Agentes de Protecção Civil
BSB – Batalhão de Sapadores Bombeiros do Porto
CHP-PM – Centro Histórico do Porto – Património Mundial CHC - Comunicações Horizontais Comuns
CVC - Comunicações Verticais Comuns CB – Corpo de Bombeiros
CMP – Câmara Municipal do Porto
CO2 – Dióxido de carbono (agente extintor) GR – Grau de Risco
INEM – Instituto Nacional de Emergência Médica OA - Ordem dos Arquitectos
OE – Ordem dos Engenheiros PDM - Plano Director Municipal
PPIECHP - Plano Prévio de Intervenção em Emergências no Centro Histórico do Porto
RGEU – Regulamento Geral das Edificações Urbanas RIA – Rede de incêndio armada
RJSCIE – Regime Jurídico da Segurança Contra Incêndio em Edifícios, instituído pelo Decreto-Lei nº 220/2008, de 12de Novembro
SADI – Sistema automático de detecção de incêndio SIM – Sistema Multicritério
SCIE - Segurança Contra Incêndios em Edifícios SRU – Sociedade de Reabilitação Urbana
Segurança Contra Incêndio em Edifícios no Centro Histórico do Porto 1. INTRODUÇÃO
Luís Manuel Pais Rodrigues - 1 -
1. INTRODUÇÃO
O problema dos incêndios nos centros históricos desde sempre preocupou as populações devido aos riscos de perdas humanas, e dos valores patrimoniais e culturais de que os edifícios fazem parte integrante. O abandono e a desertificação destes centros, por parte da população, em busca de melhor
qualidade de vida, levaram a um acelerar do processo de degradação e ruína de muitos dos edifícios.
A localização, a constituição e o estado de conservação destes edifícios, aliada à morfologia da generalidade dos centros históricos, são algumas das características que os tornam mais frágeis e vulneráveis à deflagração de um incêndio, bem como a propagação a edifícios vizinhos.
As acções de reabilitação, reparação ou conservação das edificações nos centros históricos, sejam elas leves, moderadas ou profundas, devem sempre ter a preocupação de melhoria das condições de segurança aos incêndios.
A necessidade de identificar as zonas mais vulneráveis aos riscos de incêndio, a definição das melhores estratégias de intervenção no edificado, tem-se traduzido na elaboração de um conjunto de trabalhos e estudos, com aplicação de metodologias de análise ao risco de incêndios a alguns centros históricos de Portugal.
A segurança ao incêndio no CHP, assume grande importância, nomeadamente se atendermos ao próprio “estatuto” de classificação de Património Mundial da Humanidade bem como ao elevado número de turistas, nacionais e estrangeiros que o visitam e percorrem.
Nesse sentido, o presente trabalho, teve como objectivos perceber os principais riscos existentes no CHP, as probabilidades de ocorrência e as dificuldades de intervenção. Foi também objectivo deste trabalho, a aplicabilidade da legislação de segurança contra incêndios em edifícios (SCIE) já existentes no CHP, as formas de resolver as não conformidades, bem como as medidas compensatórias para essas situações.
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Neste estudo foi realizado um levantamento do estado de conservação geral dos cerca de 1800 edifícios que integram o CHP- PM, dos arruamentos aí existentes e da rede de hidrantes que os servem, aos quais foi aplicado um modelo simplificado para a Avaliação do Risco, onde foi possível avaliar o maior ou menor grau de dificuldade e risco que os Corpos de Bombeiros podem vir a ter no combate aos incêndios.
Em termos de estrutura geral, este estudo é constituído pelas seguintes partes: 1. Introdução, com a descrição geral do objectivo e da estrutura do estudo; 2. Trabalhos precedentes, onde se descrevem os principais trabalhos desenvolvidos a nível nacional, sobre temas relacionados com os incêndios em centros históricos;
3. Centro Histórico do Porto – Património Mundial, onde é descrita a
evolução do centro histórico, bem como a sua caracterização multidisciplinar;
4. Riscos Naturais e Tecnológicos, onde são levantados os principais riscos de origem NATURAL e TECNOLÓGICA, com maior ou menor probabilidade de ocorrência no CHP;
5. Riscos de incêndio no CHP, onde são analisados os vários riscos de incêndio, as formas de desenvolvimento e propagação no edificado e sua envolvente bem como os factores que intervêm na eficácia do combate ao incêndio.
6. Análise de Risco no CHP, onde é feita uma análise ao grau de risco da ocorrência de incêndio em edifícios no CHP, tendo em conta as acessibilidades, a disponibilidade de água nos hidrantes e o estado de conservação dos edifícios.
7. Aplicação da legislação de SCI em edifícios existentes, onde são apresentadas as politicas gerais de licenciamento na vertente da segurança contra incêndios, de acordo com a actual legislação, e a problemática da sua aplicação nos edifícios existentes.
Segurança Contra Incêndio em Edifícios no Centro Histórico do Porto 2. TRABALHOS PRECEDENTES
Luís Manuel Pais Rodrigues - 3 -
8. Propostas de medidas de intervenção e segurança para o CHP, onde
são abordados os diferentes os níveis de intervenção ao nível do edificado mediante a recuperação/reabilitação que se pretende realizar no mesmo, e as várias medidas de intervenção e segurança que são possível de prever e implementar para reduzir os riscos de ocorrência de um incêndio.
9. Conclusões e desenvolvimentos futuros, onde se expõem as conclusões gerais e se apresentam algumas reflexões sobre as possibilidades de desenvolvimentos futuros neste domínio.
Nos anexos ao trabalho estão sistematizadas as seguintes informações:
A. Avaliação do nível de Risco; B. Caracterização dos arruamentos; C. Mapa de Acessibilidades;
D. Carta de Risco; E. Legislação de SCIE.
Com a realização do presente estudo espera-se obter algumas conclusões sobre os incêndios no Centro Histórico do Porto, e ainda, estimular a realização de outros trabalhos nesta ares de Segurança Contra o Risco de Incêndio.
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2. TRABALHOS PRECEDENTES
2.1 INTRODUÇÃO
Neste capítulo descrevem-se os principais trabalhos desenvolvidos a nível nacional, sobre temas relacionados com os incêndios e em particular em centros históricos urbanos.
2.2 ESTUDOS DESENVOLVIDOS NO PAÍS
A preocupação da segurança contra risco de incêndios em edifícios e recintos começou a ter uma grande relevância após o Incêndio do Chiado no centro histórico de Lisboa, em Agosto de 1988. A dimensão e os prejuízos causados, criaram um grande impacto social, que desencadeou um conjunto de estudos e medidas preventivas a nível nacional.
Destacam-se assim os seguintes estudos:
Estudos efectuados após o grande incêndio do Chiado de 19881
Os efeitos do incêndio do Chiado foram idênticos a quase todos os edifícios atingidos com constituição estrutural similar, verificando-se que todos os elementos de madeira foram destruídos, muitos dos elementos metálicos sofreram deformações significativas e as paredes de alvenaria apresentaram graus aleatórios de danos.
Foi desenvolvida uma simulação do incêndio no edifício Grandella para analisar a evolução das temperaturas e a propagação do incêndio. Serviu, também, para entender as características do incêndio e concluir sobre o nível de danos dos materiais. Foram analisados vários elementos metálicos e as argamassas para estimar a sua degradação durante o incêndio e estudar a sua utilização em reabilitação.
Também ainda realizado um outro estudo, que foi a análise de risco de incêndio dos edifícios confinantes onde ocorreu o incêndio, utilizando o método de Gretener. Os resultados encontrados apontavam para um elevado risco de incêndio, pelo que foram propostas várias medidas de correcção e prevenção para a redução desse risco, como por exemplo a verificação das instalações
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Segurança Contra Incêndio em Edifícios no Centro Histórico do Porto 2. TRABALHOS PRECEDENTES
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eléctricas e de gás, a desobstrução, sinalização e iluminação dos caminhos de evacuação, bem como o reforço e implementação de medidas activas de segurança.
Incêndios em núcleos urbanos antigos - Verificação da segurança contra incêndios na Mouraria (1994)
Este trabalho foi desenvolvido no âmbito da dissertação de mestrado do Engº José Manuel Felizardo Gonçalves, elaborado no Instituto Superior Técnico, no ano 1994. No trabalho foi efectuada a análise de risco de incêndio, utilizando o Método de Gretener, aplicando-o ao bairro da Mouraria, em Lisboa.
Centro histórico de Évora (1995)
A Câmara Municipal de Évora elaborou um estudo aprofundado das condições de segurança contra riscos de incêndio do seu centro histórico, ou seja, cidade intramuros (Património Mundial). Este estudo, chamado de Plano de Segurança, incluiu o levantamento generalizado do edificado, seguido de uma análise de riscos quantificada para propor um conjunto de medidas correctivas.
Bairros históricos de Lisboa - Mouraria/Encosta do Castelo, Alfama, Bairro Alto e Madragoa (1997)
A Direcção Municipal de Reabilitação Urbana da Câmara Municipal de Lisboa, solicitou um estudo ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil, intitulado “ Segurança Contra Riscos de Incêndio em Centros Urbanos Antigos – Bairros Históricos de Lisboa” tendo sido concluído em 1997.
Este estudo analisa 4 bairros do centro histórico de Lisboa, na dupla vertente do edificado e da sua envolvente.
Centro histórico de Guimarães (2005)
Foi elaborado no âmbito do Projecto ATLANTE - "Melhorar as Cidades Atlânticas Património Mundial da UNESCO", um plano piloto de combate aos incêndios e de segurança nos centros históricos tendo por base a cidade de Guimarães, cujo autor foi o Eng.º Manuel Figueiredo.
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Este estudo teve por objectivo uma avaliação do risco de incêndio e a proposta de medidas com vista à melhoria das suas condições de segurança, cujo âmbito físico de aplicação foi constituído pela zona classificada de Património Mundial (zona central) e por uma envolvente a esta, designada no estudo por Área de Análise.
O estudo desenvolvido colocou-se na dupla vertente edifício/área envolvente, detendo-se sobre vários níveis físicos, como, os edifícios, os espaços exteriores e as próprias morfologias urbanas. Foi ainda objecto de estudo as instalações técnicas e infra-estruturas deste centro histórico.
Segurança ao incêndio em centros urbanos antigos (2006).
Este trabalho foi desenvolvido no âmbito da dissertação de mestrado em Engenharia Civil, na especialização em Ciências da Construção, pela Eng.ª Ana Margarida Sequeira Fernandes, elaborado na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, no ano 2006. Neste trabalho são abordadas diversas matérias relacionadas com a segurança ao incêndio nos centros históricos, desde a caracterização do edificado em termos de arquitectura, construção e materiais utilizados, até ao diagnóstico dos principais problemas existentes, passando pelo enunciado de um conjunto de princípios gerais que devem orientar as intervenções. Neste trabalho foi ainda desenvolvida uma metodologia de análise de risco de incêndio vocacionada para a aplicação aos edifícios antigos.
Avaliação de risco de incêndio em centros históricos. O caso de Montemor-o-Velho (2007)
Este trabalho foi desenvolvido no âmbito da dissertação de mestrado de Segurança contra Incêndios Urbanos pela Eng.ª Maria Leal Andrade Santana, elaborado na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, no ano 2007. Neste trabalho foram identificadas as particularidades dos centros históricos e o estudo da aplicabilidade dos métodos de análise de risco de incêndios a estas zonas. Foram aplicados os métodos de Gretener e de Frame ao Centro Histórico de Montemor-o-Velho, e depois de analisados os resultados foram propostas melhorias para esta zona ao nível de SCI. Foi ainda aplicado um
Segurança Contra Incêndio em Edifícios no Centro Histórico do Porto 2. TRABALHOS PRECEDENTES
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método de análise de risco desenvolvido por Engº Leça Coelho e pela Engª Ana Margarida em 2006.
Medidas de segurança contra incêndio para Angra do Heroísmo (2008)
Este trabalho foi desenvolvido no âmbito da dissertação de mestrado de Segurança contra Incêndios Urbanos pela Eng.ª Irene Mealha, elaborado na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, no ano 2008.
Este trabalho, consistiu no estudo de risco de incêndio da Zona Classificada de Angra do Heroísmo, Cidade Património Mundial. Neste estudo foi utilizado o método de Gretener para verificar o risco de incêndio na cidade. Para o efeito, foram estudados 487 edifícios da Zona Classificada, abrangendo uma área aproximada de 112 000 m2. A comparação entre os Métodos de Gretener e FRAME e entre o CFAST e ARGOS, foi outro dos objectivos deste trabalho.
A segurança ao incêndio no centro histórico do Funchal ( 2008)
Este trabalho foi desenvolvido no âmbito da dissertação de mestrado de Segurança contra Incêndios Urbanos pelo Eng.º Rui Figueira, elaborado na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, no ano 2008.
Neste trabalho, foi apresentado a metodologia desenvolvida a nível do licenciamento em Portugal, e algumas medidas adoptadas pelo município do Funchal, com o intuito de combater o abandono do edificado no seu centro histórico. Foram ainda, aplicados os métodos de análise de risco de incêndio de Gretener e ARICA a alguns edifícios do Centro Histórico do Funchal. Procedeu-se a uma apresentação e análise crítica a estes métodos, que resultou na apresentação de várias propostas de alteração. Com base no ARICA, procedeu-se à criação de um software em linguagem C#, resultando este numa simplificação da aplicação deste método de análise de risco de incêndio.
Análise estatística dos incêndios em edifícios no Porto, 1996-2006 (2008)
Este trabalho foi desenvolvido no âmbito da dissertação de mestrado de Segurança contra Incêndios Urbanos pelo Eng. Vítor Martins Primo, elaborado na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, no ano 2008.
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Este trabalho teve como objectivo a recolha, análise e tratamento da informação disponível sobre incêndios urbanos na cidade do Porto no período de 1996 até 2006, procurando assim contribuir para um melhor conhecimento de vários aspectos relacionados com este tipo de ocorrência.
Análise de risco de incêndio na baixa de Coimbra (2008)
Este trabalho foi desenvolvido no âmbito da dissertação de mestrado de Segurança contra Incêndios Urbanos pelo Eng.º Paulo Sérgio Dias de Figueiredo, elaborado na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, no ano 2008. Neste trabalho foi caracterizada a baixa de Coimbra, onde foram analisados 592 edifícios. Foram aplicados os métodos de FRIM (Fire Risk Index Method) e o método de Gretener ao conjunto destes edifícios, que depois de analisados os resultados, foram propostas melhorias preventivas para esta zona ao nível de SCI.
Segurança Contra Incêndio em Edifícios no Centro Histórico do Porto 3.CHP-PM
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3. CENTRO HISTÓRICO DO PORTO – PATRIMÓNIO
MUNDIAL
3.1. ENVOLVENTE
O concelho do Porto, situado no Distrito do Porto, é limitado a Norte pelos Concelhos de Matosinhos e Maia, a Sul pelo Rio Douro, a Este pelo concelho de Gondomar e a Oeste pelo Oceano Atlântico.
A densidade populacional do concelho do Porto é de 5787,20 (Hab./Km2). O concelho tem uma área de 41,66 Km2 e subdivide-se em 15 freguesias. Considera-se relevante acrescentar que a população do concelho do Porto, de acordo com os Censos 2001, é de 263 131 habitantes, sendo que a distribuição pelas freguesias que constituem o CHP-PM é a seguinte:
São Nicolau - 2.937 habitantes; Sé – 4.751 habitantes;
Vitória – 2.720 habitantes; Miragaia – 2.810 habitantes.
De considerar ainda a população não residente, que efectua deslocações pendulares diárias com origem noutras freguesias e noutros concelhos, por motivos de trabalho e ensino.
3.2. DESCRIÇÃO E DELIMITAÇÃO
A inscrição do Centro Histórico do Porto na lista do Património Mundial teve como objecto a malha urbana medieval consolidada e inserida na muralha fernandina (século XIV), incluindo a Torre e Igreja dos Clérigos, Teatro de São João, Antigo Edifício do Governo Civil, o quarteirão delimitado pela rua 31 de Janeiro, Praça da Batalha e rua da Madeira, o quarteirão constituído pelas ruas Barbosa de Castro, Passeio das Virtudes, Dr. António Sousa Macedo e ainda a Ponte D. Luís I, Igreja e Mosteiro da Serra do Pilar, em Vila Nova de Gaia.
A área de protecção da zona classificada engloba, na margem Sul do rio Douro, a área correspondente a toda a “bacia” dos armazéns do Vinho do Porto, pois a zona ribeirinha de Vila Nova de Gaia constitui um complemento natural do anel de protecção, que no plano histórico e arquitectónico mantém muitas afinidades com a área classificada.
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Na margem Norte, para além dos limites do Centro Histórico, estão inseridos, na área de protecção, os quarteirões periféricos da Avenida dos Aliados, a Praça Carlos Alberto, o Jardim do Carregal, Miragaia, Monchique e Fontainhas. A figura 3.1, identifica a área classificada e respectiva área de protecção.
Figura 3.1 – Área classificada e respectiva área de protecção
3.3. BREVE RESENHA HISTÓRICA
O CHP é o resultado de um processo histórico com cerca de três mil anos, comprovados por inúmeros acontecimentos urbanísticos, sociais e artísticos que se somam ao longo dos séculos numa cadeia contínua de factos mais ou menos relevantes. Trata-se de um “Sítio” de grande valor estético, e testemunha um desenvolvimento urbano que nos conduz até às épocas romana, medieval e almadina (século XVIII). Os vestígios arqueológicos encontrados provam que o local foi ocupado desde o século VIII a.C.
Segurança Contra Incêndio em Edifícios no Centro Histórico do Porto 3.CHP-PM
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A variedade da
arquitectura civil reflecte os valores culturais de épocas sucessivas, adaptando-se perfeitamente à estrutura social e geográfica do burgo. Um dos aspectos mais importantes do Porto e seu centro histórico em particular é o seu cariz panorâmico, fruto da complexidade do terreno, articulação harmoniosa das ruas e do diálogo com o Douro e Vila Nova de Gaia.
Figura 3.2 – Mapa antigo da cidade do Porto
Aqui encontram-se intervenções planeadas e não planeadas ao longo de várias épocas, permitindo o seu estudo desde a Idade Média até à Revolução Industrial. É constituído por uma malha urbana confinada à linha da muralha fernandina do século XIV, mais alguns arrabaldes próximos, tais como Miragaia a Oeste, os Guindais e Fontaínhas a Este. A presença do rio foi fundamental para a implantação do povoado romano, como meio de comunicação e trocas, atestados por escavações recentes, levadas a cabo tanto no Bairro da Sé como na Ribeira, que permitiram pôr a descoberto o percurso da antiga via romana de Conímbriga a Braga, que passava pelas que hoje se designam como Ruas dos Mercadores, Bainharia e Pelames. A necessidade de defesa militar e protecção contra um possível inimigo conduziram a que um novo pólo urbano se desenvolvesse no Morro da Sé ou da Penaventosa.
Deste modo, deparamo-nos com dois pólos urbanos que se desenvolveram e caracterizaram o burgo: são eles a zona ribeirinha junto ao rio, cais de embarque
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e desembarque de mercadorias e ponto de passagem para a outra margem, onde os comerciantes dominavam apoiados pelo Rei; e o Morro da Sé, onde o domínio era do Clero e do seu Bispo, que, através de uma carta de doação de D. Teresa do couto do Porto ao bispo francês D. Hugo, lhe confere plenos poderes aos seus sucessores. Neste morro em torno da catedral é erguido no século XII um primeiro perímetro de muralhas, mas face à permanente sujeição de perigo e difícil defesa, aliada ao aumento de população e expansão da cidade, uma nova muralha é construída no século XIV (entre reinado de D. Afonso IV e D. Fernando I).
A Idade Média é um período de grandes transformações e com aumento demográfico começou-se a despontar a ideia de se edificarem hospitais, albergarias e praças. Contudo foi nos séculos seguintes, com o período do Renascimento e mais tarde no século XVIII com o advir do Barroco que a cidade tomou novas formas e ganhou novo alento. A criação da Junta de Obras Públicas, por volta de 1762, foi o primeiro passo para se criar um departamento que se responsabilizasse pelo desenvolvimento urbanístico do Porto, sendo para isso primordial a acção dos Almadas (João de Almada e Melo e seu filho Francisco de Almada e Mendonça).
Após o terramoto de Lisboa de 1755, fazendo-se uso de nova legislação, são iniciados novos projectos e arranjos urbanísticos tendo em conta o interesse público. Importantes trabalhos intramuros são levados a cabo, nomeadamente o reordenamento da Praça da Ribeira, abertura da Rua de São João, criação da Praça de São Roque (demolida em meados século XIX, para dar lugar à Rua Mouzinho da Silveira), a construção do Hospital de Santo António, entre outras obras. O século XVIII é a centúria por excelência dos grandes edifícios civis, empreendimentos públicos e do aumento extramuros de proprietários residentes.
Entrando já no século XIX, constata-se que o crescimento da população conduziu inevitavelmente ao crescendo de construções em altura, acrescentos e mansardas. Grande parte do pano das muralhas é demolido, dado que o conceito de cidade confinada dentro de um perímetro ou muralha ia contra os ideais de feição iluminista. Com o eclodir do Liberalismo novas teorias de urbanismo são postas em prática, a burguesia mercantil com o seu poder e dinamismo vai ter um
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papel importante nas novas reformas urbanísticas provocadas pelo fomento da indústria. Na segunda metade do século assiste-se aos começos da especulação fundiária.
No início do século XX, a galopante ocupação do centro histórico conduz a um adensamento do tecido urbano, com as visíveis carências a nível de infra-estruturas e que conduzirá, em 1914, ao Plano de Melhoramentos e Ampliação da cidade do Porto, no qual a intervenção do britânico Barry Parker teve papel preponderante. De 1914 a 1962, verificaram-se dez Planos Urbanísticos que culminaram com o Plano Director Municipal da Cidade do Porto, no ano de 1962 da autoria de Robert Auzelle.
O CHP foi até 1974 uma das áreas mais degradadas da Cidade, abundando a ruína física e social.
Entre os anos 1940 e 1950 a solução encontrada pelos responsáveis para acabar com as áreas degradadas passava pela demolição completa do habitat, destruindo todas as marcas da ocupação antiga, procurando inserir aqui novos conceitos de cidade e de vida urbana inspirados no modernismo.
Felizmente não houve meios para proceder à demolição sistemática e completa que se pretendia e, assim, apenas se perderam alguns trechos desse Porto tão precioso da Sé, do Barredo e de Miragaia.
A experiência de reabilitação urbana começou logo após o 25 de Abril de 1974, contando porém com importantes estudos anteriores.
Nos anos 1960 o Arqt.º Fernando Távora tinha defendido a reabilitação do Barredo, contrariando a política até então vigente da demolição sistemática para erradicação do habitat insalubre e degradado.
O Barredo e a Ribeira eram tema de estudo e investigação de estudantes de arquitectura e de serviço social.
A própria intervenção social tem raízes bem anteriores ao 25 de Abril, nomeadamente com a acção que era desenvolvida a partir do Centro Social do Barredo.
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A partir de 1974 rebenta um forte movimento de reivindicação de casa por parte dos moradores da Ribeira e do Barredo, grandes vítimas do problema habitacional, da degradação urbana, social, económica e moral.
O CHP passa a ser encarado como um valor patrimonial da Cidade e o Governo, por despacho conjunto dos Ministérios da Administração Interna e do Equipamento Social e do Ambiente de 28 de Setembro de 1974, criou o CRUARB - Comissariado para a Renovação Urbana da Área Ribeira-Barredo.
Em 26 de Julho de 1975 foi declarada a primeira zona degradada, a área Ribeira-Barredo (freguesia de S. Nicolau), e em 28 de Agosto de 1975 foi declarada a utilidade pública urgente das expropriações necessárias à execução do programa do plano daquela área.
Medidas excepcionais de natureza política permitiram ao Comissariado a expropriação por utilidade pública, que permitiu a aquisição de um importante património imobiliário que, depois de recuperado, constitui um volume de obra significativo e visível capaz de transformar a imagem e as condições sociais deste território.
Em 1982, em consequência da Lei das Finanças Locais, em que o Governo deixa de poder intervir de forma discricionária nos investimentos das autarquias, a Câmara Municipal do Porto assumiu a responsabilidade pelos trabalhos do CRUARB que tinham por base os seguintes princípios:
O património e o tecido urbano existentes devem ser preservados;
O património cultural do Porto deve incluir não apenas as estruturas mais antigas e monumentais, mas também os edifícios de menor grandeza e valor estético, cuja riqueza reside na sua contribuição para o conjunto do tecido urbano;
Não serão impedidas construções novas e modernas, mas o seu impacto na paisagem urbana existente deverá ser objecto de um estudo rigoroso; Todos os recursos técnicos disponíveis deverão ser explorados, sendo encarados diferentes métodos em função de cada situação, desde o simples restauro até à construção;
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Os actuais habitantes constituem parceiros da parte inteira no processo de reabilitação e devem ser integrados em todos os projectos;
Os grandes projectos, que implicam a demolição ou a construção em espaços livres, só deverão ser aprovados se fundamentados em exigências funcionais.”
O campo de acção do CRUARB, inicialmente delimitado à área Ribeira-Barredo (freguesia de S. Nicolau), pelas ordens de serviço nºs 315/83 e 329/93 da Câmara Municipal do Porto, foi alargado a todo o CHP com cerca de 90 hectares.
Em 12 de Agosto de 1985 é publicado, a pedido da Câmara Municipal do Porto, o Decreto Regulamentar nº 54/85, onde são declaradas 8 zonas do Centro Histórico como áreas de recuperação e reconversão urbanística, reunindo as condições fixadas no artigo 41º do Decreto-Lei 794/76 de 5 de Novembro.
Em Maio de 1988 foi aprovado o Regulamento para o Centro Histórico relativo à orientação para a construção e/ou renovação de edifícios.
Em 1990 foi criada a Fundação para o Desenvolvimento da Zona Histórica do Porto que, associada a variadas instituições da Cidade e, de uma forma articulada, com o CRUARB, promoveu a recuperação urbanística e a reinserção social.
Apoiada financeiramente pelo Município e pelo Governo, permitiu, durante uma década, ampliar e acelerar a operação de reabilitação do edificado e uma forte intervenção no campo social.
Em 1993 o CRUARB publica a 1ª edição do livro “Porto a Património Mundial”. Tratou-se do início de um processo de candidatura da cidade do Porto à inclusão na lista da UNESCO como Património Mundial.
Em Maio de 1994 iniciou-se o Projecto-piloto Urbano do Bairro da Sé (PPUBS), altura em que a Câmara Municipal do Porto teve acesso à primeira sub convenção do co-financiamento. O PPUBS, com instalações e recursos próprios, funcionou na dependência do CRUARB.
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Os objectivos definidos para este Projecto-piloto pela Câmara Municipal do Porto foram:
Conservação do Património e dos bens culturais; Renovação do ambiente urbano da área;
Reinserção da população residente;
Consolidação e desenvolvimento do Turismo; Expansão e renovação da actividade comercial; Implementação de uma rede de partenariado.
Em 17 de Junho de 1994, através do Decreto Regulamentar 14/94 de 17 de Junho, é classificada toda a área do Centro Histórico do Porto, com cerca de 90 hectares, como Área Crítica de Recuperação e Reconversão Urbanística (ACRRU).
Em 5 de Dezembro de 1996, na cidade de Mérida, no México, é deliberada a inscrição na Lista da UNESCO de parte do CHP a Património Mundial.
Através do Decreto-Lei 67/97 de 31 de Dezembro o CHP é classificado como um Conjunto de Interesse Público, nos termos do Artº 17º nº 2 da Lei do Património Cultural Português nº13/85 de 6 de Julho.
Em Junho de 1998 o Projecto-piloto Urbano do Bairro da Sé elabora o relatório final para submeter à apreciação da Comissão Europeia, apresentando as principais operações que se distribuem pelos seguintes subgrupos: Ambiente urbano e infra-estruturas; Centro de Articulação e Dinamização; Dinamismo Económico e Turismo; Sistema Centralizado e Controlo de Acessos; Equipamentos Sociais e de Segurança; e Promoção Cultural e Conservação do Património Histórico.
Em 1998 é editado o Volume II do Processo de Candidatura a Património Mundial do CHP.
Em Outubro de 1998 realizou-se, no edifício da Alfândega, a Cimeira Ibero-Americana dos Chefes de Estado. No âmbito da programação estabelecida, coube ao Museu dos Transportes a recuperação do edifício da Alfândega, à Fundação para o Desenvolvimento da Zona Histórica a requalificação de todo o
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espaço público entre o Largo de S. Francisco e a Alameda de Basílio Teles, bem como a construção do Viaduto do Cais das Pedras e ao CRUARB a requalificação da Frente de Miragaia à cota baixa.
Em 24 de Agosto de 2000, por Decreto Regulamentar 11/2000 do Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território, é aprovada uma nova ampliação à área crítica de recuperação e reconversão urbanística, passando a abranger a zona da baixa portuense, composta pelas freguesias de Santo Ildefonso, Bonfim, Cedofeita e Massarelos.
A 8 de Setembro de 2001, com a publicação e aprovação da Lei de Bases do Património, toda a área classificada é Monumento Nacional.
Em 2001, o Porto foi Capital Europeia da Cultura, facto que contribuiu para uma larga intervenção na substituição de infra-estruturas, na requalificação do espaço público, na recuperação e readaptação de equipamentos públicos e culturais e na construção de novos equipamentos culturais, com destaque para a Casa da Música.
Ainda em 2001 foi aprovado um Contrato-Programa para a execução dum projecto de “Requalificação da Frente da Ribeira”, no âmbito do Programa Polis, o qual englobou as seguintes acções:
Reconstituição da memória do lugar/reconstituição das “Escadas das Padeiras”;
Valorização da Muralha Fernandina e reconstituição do acesso ao Postigo do Carvão;
Ordenamento e hierarquização do espaço da intervenção enquanto unidade de conjunto;
Requalificação funcional da área de intervenção através da marcação de zonas sustentadas e autónomas, Comércio/Estar/Circulação.
Em 17 de Maio de 2003, com a implementação de uma nova macroestrutura da Câmara Municipal do Porto, é extinto o CRUARB.
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Em 27 de Novembro de 2004 é criada a Porto Vivo, Sociedade de Reabilitação Urbana da Baixa Portuense, S.A. com a missão de conduzir o processo de reabilitação urbana da Baixa Portuense.
Em 2005 a UNESCO convidou os Estados-membros a levarem a cabo relatórios sobre a aplicação da Convenção do Património Mundial, incluindo o estado de Conservação dos bens localizados nos seus territórios.
Em Setembro de 2005 a Câmara Municipal do Porto enviou para o IPPAR o respectivo Relatório.
Este relatório apresenta as várias intervenções efectuadas após a classificação de 1996, quer a nível urbanístico, na melhoria das infra-estruturas, na criação de equipamentos colectivos, na valorização dos monumentos e património existente, dinamização do comércio e serviços, quer na grande preocupação pelo incremento das actividades de índole cultural.
Em 3 de Fevereiro de 2006 é publicado em Diário da República, através da Resolução do Conselho de Ministros nº 19/2006, o Regulamento do Plano Director Municipal do Porto (PDMP). O PDMP contempla diferentes artigos específicos para o Centro Histórico do Porto, prevendo importantes medidas para a sua protecção e valorização.
Em 10 de Agosto de 2006 é publicada uma nova alteração à Macroestrutura da Câmara Municipal do Porto, sendo extinto o Departamento de Reabilitação e Conservação do Centro Histórico.
O Regulamento Municipal do Sistema Multicritério de Informação da Cidade do Porto, SIM – Porto, publicado a 16 de Outubro de 2007, em Diário da República, pretende uma flexibilização das regras definidas no Plano Director Municipal do Porto – PDM, de forma a promover e criar condições para a reabilitação do centro urbano degradado, definindo, para isso, um sistema de incentivos à construção.
Em 5 de Dezembro de 2008 é apresentado o Plano de Gestão para o CHP – PM, nos Paços do Concelho do Município do Porto. Este documento, não se confina apenas em contribuir para a resolução de problemas de planeamento e reabilitação do edificado, apresenta também um conjunto de propostas no âmbito
Segurança Contra Incêndio em Edifícios no Centro Histórico do Porto 3.CHP-PM
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estratégico para a reabilitação futura do CHP e um Modelo de Gestão que assenta, fundamentalmente, na articulação dos serviços das diversas entidades envolvidas e na participação de múltiplos parceiros da Cidade, numa óptica de cumprimento de objectivos sociais, culturais, turísticos e económicos.
O quadro seguinte resume, cronologicamente, todos os antecedentes de intervenção no Centro Histórico do Porto Património Mundial.
Quadro 3.1 – O quadro resume de todos os antecedentes de intervenção no Centro Histórico do Porto Património Mundial.
Elaboração do Plano de Gestão para o Centro Histórico do Porto Património Mundial Publicação do Plano Director Municipal do Porto (PDMP)
Envio do Relatório sobre a aplicação da Convenção do Património Mundial à UNESCO Constituída a Porto Vivo, SRU
Extinção do CRUARB
UNESCO faz a revisão do programa e guia operacional para implementação da Convenção, exigindo um PG CHP classificado como Monumento Nacional pela publicação da Lei de Bases do Património
Editado o II Vol. do livro “Porto Património Mundial”
CHP classificado por proposta do IPPAR como Imóvel de Interesse Público
Inscrição do CHP na Lista de Património Mundial (5 Dezembro, cidade Mérida, México)
CHP é declarado, o seu conjunto como ACRRU; Início do Projecto Piloto Urbano do Bairro da Sé CRUARB publica a 1ª edição do livro “Porto a Património Mundial” com a candidatura à lista da UNESCO Criação da Fundação para o Desenvolvimento da Zona Histórica do Porto
Primeira declaração de ACRRU (8 zonas do CHP)
Criação do CRUARB – (Desp. conj. Ministérios da Administração Interna e do Equipamento Social e do Ambiente) CHP uma das áreas mais degradadas da cidade (ruína moral e social, pobreza extrema, miséria humana) Estudo piloto do Barredo para a CMP pelo Arq. Fernando Távora
1964 2008 2006 2005 2004 2003 2002 2001 1998 1997 1996 1994 1993 1990 1985 1982 antes 1974 1974
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De seguida apresenta-se os diferentes limites de intervenção e de estudo de que o CHP já foi alvo:
Figura 3.3 – Limites de intervenção ao longo dos anos
3.4. PLANO DE GESTÃO DO CHP-PM
O património cultural e natural faz parte dos bens inestimáveis e insubstituíveis não só de cada país mas de toda a humanidade. A perda por degradação ou desaparecimento de qualquer desses bens constitui um empobrecimento do património de todos os povos do mundo.
Certos elementos do referido património por possuírem “um valor universal excepcional” merecem ser especialmente protegidos contra os perigos cada vez maiores que os ameaçam.
Segurança Contra Incêndio em Edifícios no Centro Histórico do Porto 3.CHP-PM
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Com a inscrição do CHP na lista dos bens patrimoniais mundiais da UNESCO, surgiu a necessidade de criar um plano de gestão, que deverá especificar a forma como deve ser preservado o bem, tendo como principal finalidade assegurar a protecção eficaz em benefício das gerações actuais e futuras.
Figura 3.4 – Limite do CHP - PM
Assim, todo o território abrangido pelo Plano de Gestão do CHP-PM é reconhecido pelo governo português como sendo parte de uma área que concentra diversos valores urbanísticos e socioeconómicos que implicam medidas e procedimentos de excepção.
Foi na base dessa classificação governamental que o município do Porto usou, em 2004, as prerrogativas previstas no DL 104/2004 para criar a Sociedade de Reabilitação Urbana, Porto Vivo. A equipa de gestão responsável pela elaboração e implementação do plano também é a responsável pela sua monitorização, onde todo e seu trabalho se inscreve na estratégia já definida pela Porto Vivo para a reabilitação da Baixa Portuense e no processo já em curso que visa fazer coincidir