Comportamento
postural dinâmico
Tese de Doutoramento
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro Vila Real, 2004
de acordo com o disposto no nº 1 do artigo 8º do Dec – Lei 388/70, de 18 de Agosto.
“ O futuro pertence àqueles que acreditam na beleza dos seus sonhos”
Para a finalização deste trabalho de índole científica contribuíram de uma forma mais ou menos explícita todos aqueles que ao longo destes anos me acompanharam nesta longa mas proveitosa viagem. Acima de tudo, na vida, temos necessidade de alguém que nos obrigue a realizar aquilo de que somos capazes. É este o papel da verdadeira amizade.
Neste sentido, queremos deixar expresso o nosso mais profundo reconhecimento:
À Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, na pessoa do seu Magnífico Reitor Doutor Armando Mascarenhas Ferreira Professor Catedrático, pela permanente disponibilidade e pelo apoio, em tempo livre e em meios, que foram dispensados ao longo dos anos em que realizamos este trabalho de dissertação. Ao Doutor Francisco Manuel dos Santos Madeira Professor Catedrático da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa, orientador científico, pelo equilíbrio que sempre soube concretizar entre o rigor necessário da crítica e a afabilidade do incitamento.
Ao Doutor Miguel Videira Monteiro Professor Catedrático da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Coordenador do Departamento de Desporto, por justiça e por mérito queremos demonstrar a nossa admiração pela sua estatura intelectual, persistente e cientificamente sério.
Ao Doutor Joaquim da Silveira Sérgio Professor Coordenador com Agregação da Escola Superior de Tecnologias de Saúde de Lisboa o nosso reconhecimento, pela sua gratificante disponibilidade como pelas suas numerosas ideias pontos de vista, incitamento e acima de tudo a amizade.
Ao Doutor José Carlos Costa Pinto Professor Auxiliar da Universidade de Trás--os-Montes e Alto Douro queremos expressar a nossa imensa gratidão pela amizade, disponibilidade e incentivos tantas vezes manifestadas, espírito incansável de cooperação expresso no tratamento estatístico dos dados decisivos na realização deste trabalho.
Ao DoutorJ. Vasconcelos Raposo Professor Catedrático da Universidade de Trás--os-Montes e Alto Douro, o nosso reconhecimento pela disponibilidade que sempre manifestou, pela amizade e simpatia e ainda pelo ambiente de camaradagem como companheiro nos dias de trabalho.
reconhecimento pelo apoio e constantes incentivos tantas vezes manifestados na elaboração deste trabalho e fundamentalmente pela honra que tivemos em o conhecer e sermos seus amigos. Bem haja !
Ao meu amigo e colega Manuel Barroso Magalhães pela disponibilidade e grande amizade sempre reveladas em cada momento das nossas vidas os nossos mais sinceros agradecimentos.
À minha colega de gabinete Eduarda Coelho, agradecemos a amizade, a disponibilidade , o afecto, a alegria e a imprescindível ajuda que nos proporcionou sempre durante esta viagem.
Ao meu amigo e colega Jorge Fernandes um especial agradecimento pela forma carinhosa e dedicada que sempre demonstrou, mesmo nos momentos mais difíceis.
A todos os colegas do Departamento de Educação Física e Desporto da UTAD que, de forma expressa sempre se interessaram por este trabalho, o meu reconhecido e sentido agradecimento .Um reconhecimento muito especial àqueles que connosco iniciaram esta viagem, ao António Serôdio, à Isabel Mourão, ao Fan Yanneng e ao Paulo Aparício.
Ao senhor Emílio Santos, coordenador dos Serviços Gráficos da UTAD, o nosso obrigado pela disponibilidade, empenho e dedicação que muito contribuiram para concretização deste trabalho.
Aos Funcionários do Departamento de Educação Física e Desporto da UTAD, o meu sincero reconhecimento pelo apoio com que sempre se disponibilizaram
Aos Alunos do Curso de Educação Física e Desporto um especial agradecimento pela amizade que fomos construindo ao longo destes anos e pelos contributos dados para um entendimento e desenvolvimento do verdadeiro espírito de equipa.
Aos meus amigos Fenanda e Etelvino Lisboa pela grande lição de vida e coragem que nos transmitiram, o que muito contribui para o nosso crescimento interior.
Às minhas amigas Fátima e Leonor que com a sua ajuda, encorajamento e amizade nos permitiram concluir o nosso trabalho.
Por último mas não menos importante a toda a minha família o apoio incondicional e motivação que nos transmitiram e que foram sem dúvida alguma o suporte equilibrado em termos emocionais, fundamental em todo este percurso.
Ao Luís, à Catarina, ao João e à Mariana um agradecimento muito especial pela força que sempre transmitiram .
As numerosas experiências, em seres humanos, relacionadas com o controlo do equilíbrio postural na posição bípede, têm demonstrado a envolvência de múltiplos factores e parâmetros que se encontram relacionados, quer com as aferências sensoriais solicitadas, quer com o tipo de estímulos aplicados (ópticos, vestibulares, proprioceptivos...).
De entre esses factores, a visão, designadamente, desempenha um importante papel no controlo postural, uma vez que é inviável a realização de algumas tarefas, relacionadas com este último, sem a sua participação.
No entanto, o relacionamento do desempenho visual no controlo postural, com o decurso da idade, ainda não se encontra devidamente esclarecido. Ou seja, até hoje, tem sido controversa a incidência do factor idade no papel controlador do equilíbrio postural proporcionado pela visão.
Se existem autores como Bower,T.G.R., Broughton, J.M. & Moore M.K., (1970), que demonstraram que a idade influencia o desempenho da visão no controlo postural, outros estudos, orientados por Brandt, Wenzel & Dichgans (1976), não relacionaram as modificações desse controlo com a influência da idade nas capacidades visuais, ainda que tenha sido reconhecida a existência de uma diminuição da estabilidade na posição postural ortostática de base, com o decorrer dos anos.
Este facto, que poderá estar igualmente na subjacência das quedas referidas na terceira idade, mantém-se, no entanto, desconhecido quanto ao grau de interferência no déficit da capacidade visual, se bem que seja do domínio do conhecimento e do ponto de vista ontogenético a existência de alterações no desenvolvimento visual, verificáveis quando se comparam dados de crianças, nas diferentes idades e, concomitantemente, com os dos adultos.
Deste modo, o objectivo do presente estudo é o de analisar se a evolução da contribuição visual e óculo-motora, com o decorrer da idade, interfere com o controlo do equilíbrio postural dinâmico.
A amostra, constituída para este estudo, compreendeu 96 indivíduos do sexo masculino e 24 do sexo feminino, com idades entre os 11 e os 14 anos.
A inclusão na amostra, deste grupo de 24 indivíduos do sexo feminino, prende-se com o intuito de ser avaliada a influência do factor sexual nas diferentes provas, através da comparação deste mesmo conjunto de não praticantes de modalidades desportivas, com um conjunto idêntico de indivíduos do sexo masculino.
4 modalidades – andebol, natação, futebol e não praticantes masculinos – distribuídas por 4 escalões de idades – 11, 12, 13 e 14 anos.
No referente às variáveis, foram consideradas como variáveis independentes – o sexo, a prática desportiva e o tipo de prova. Como variáveis de controlo foram consideradas – a altura e o peso. Como variáveis independentes – o nº total de deslocamentos (TOTDES); o tempo total de deslocamentos, ou tempo fora da posição central de equilíbrio (TOTTEM) e a preferência lateral de deslocamento (LATD) e o tempo de preferência lateral de deslocamento (LATT)
As provas efectuadas com o objectivo de realizar a exploração funcional e precisar o acesso às características têmporo-espaciais dos diferentes sistemas implicados na regulação do equilíbrio ortostático, foram baseadas em anteriores experiências conduzidas no âmbito da posturografia, tendo sido comparadas as diferentes prestações posturais, quando da realização de tarefas em posição ortostática, utilizando ou não a visão. Todas as provas do protocolo foram realizadas a partir de uma posição base – a posição ortostática. Os equipamentos utilizados compreenderam: uma plataforma de estabilidade, modelo 16020; três relógios “stop-clock”, modelo 58007; um contador “counter data recorder”, modelo 58004; e uma unidade marcadora de tempos “interval end repeat timer”, modelo 51012; que integram a Plataforma Estabilométrica, modelo 16125, da Lafayette
Instrument Company.
No que diz respeito ao tratamento estatístico dos dados, para além das estatísticas descritivas habituais (média, desvio padrão, etc…) utilizámos a análise de variância multivariada (MANOVA) como procedimento inferencial predominante. Em cada caso, a análise multivariada foi seguida por análises univariadas (ANOVAS) com o objectivo de melhor entender e precisar as relações significativas detectadas.
Os resultados obtidos perfilam-se consonantes com alguns dos publicados na literatura da especialidade, sobretudo no que se refere ao facto dos indivíduos mais altos apresentarem oscilações mais acentuadas para a direita (expressas em nº de deslocamentos mas não em tempos de deslocação).
É também de realçar, nesta amostra, o facto de os indivíduos não praticantes terem obtido, significativamente, valores mais baixos de deslocamentos, ou seja, revelaram-se, em termos do comportamento postural, mais equilibrados, não sendo, contudo, significativo o factor idade.
No referente à relação entre os factores preditores e as variáveis TOTDES e TOTTEM, a mesma encontra-se dependente do tipo de indução sensorial, ou seja, no caso do vertente estudo, entre o comportamento postural ortostático e a indução sensorial do
Quanto ao sexo, verificou-se não haver diferenças significativas, ainda que exista uma interacção entre o sexo e as provas, referenciável ao facto de os indivíduos do sexo masculino terem registado um menor tempo de desequilíbrio.
As conclusões do presente estudo reforçam o facto de que os métodos estabilométricos podem permitir detectar as diferenças num quadro de reacções de equilíbrio, em função dos tipos de aprendizagem a que os indivíduos são submetidos.
Por outro lado, verifica-se que a manutenção de uma actividade postural, em condições não habituais e destabilizantes, é passível de suscitar no indivíduo, não somente a utilização das aferências sensoriais, mas igualmente reacções motoras rápidas que sejam as mais apropriadas ao restabelecimento do equilíbrio.
AGRADECIMENTOS ... V RESUMO ... VII ÍNDICE GERAL ... XI LISTA DE FIGURAS ... XV LISTA DE QUADROS ... XVII LISTA DE GRÁFICOS ... XXIII LISTA DE ANEXOS ... XXV PARTE I 1 INTRODUÇÃO ... 3 2 REVISÃO DA LITERATURA ... 11 2.1 – CARACTERIZAÇÃO CONCEPTUAL ... 13 2.2 – FACTORES DETERMINANTES ... 23
2. 2.1 – Actividade Tónico Postural ... 23
2.2.1.1 – Tónus ... 24 2.2.1.2 – Postura ... 27 2.2.1.3 – Movimento ... 46 2.2.1.4 – Equilíbrio ... 49 2,2.1.5 – Coordenação ... 52 2.2.1.6 – Aprendizagem ... 54
2. 2. 2 – Regulação e Controlo Postural ... 65
2.2.2.1 – Entradas Primárias ... 67
2.2.2.2 – Entradas Secundárias ... 78
2.2.2.3 – Entradas Inespecíficas ... 86
2. 2. 3 – Mecanismos Neurobiológicos ... 93
2. 2. 4 – Métodos Estudo e Registo da actividade tónico-postural 96
PARTE II
3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ... 1053.1 - Caracterização da Amostra ... 107
3.1.1 - Processo Amostral ... 107
3.3.1 - Normalização Ecológica ... 110
3.3.2 - Normalização das Condições de Experiência ... 111
3.3.3 - Normalização dos Equipamentos ... 112
3.4 - Provas ... 112
3.4.1 - Critérios de Elaboração ... 113
3.4.2 - Definição das Provas ... 114
3.5 - Procedimentos ... 116
3.6 - Recolha de Dados ... 117
3.6.1 - Equipamentos ... 117
4 RESULTADOS ... 119
4.1 - Estatísticas Descritivas ... 121
4.1.1 - Relação do Peso e da Altura com a Modalidade praticada e a Idade, entre os sujeitos do sexo masculino ... 122
4.1.2 - Relação do Peso e da Altura com o Sexo e a Idade, entre os sujeitos não - praticantes de ambos os sexos ... 125
4.1.3 - Variáveis dependentes ... 127
4.1.4 - Correlação entre as variáveis de critério ... 129
4.2 - Análises Multivariadas das variáveis de critério ... 130
4.2.1 - Relação das variáveis antropométricas com as variáveis dependentes ... 130
4.2.2 - Relação entre os factores preditores e as variáveis de critério ... 131
4.2.2.1 - Variáveis TOTDES e TOTTEM ... 131
- Factor Prova ... 133
- Factor Modalidade ... 135
- Factor Idade ... 137
- Interacções ... 138
- Covariantes ... 143
4.2.2.2. - Variáveis LATD e LATT ... 144
- Factor Modalidade ... 145
- Factor Idade ... 146
- Factor Prova ... 146
- Interacções ... 148
- Factor Sexo ... 157
- Factor Idade ... 158
- Factor Prova ... 158
- Interacções ... 159
4.2.3.2 - Variáveis LATD e LATT ... 165
- Factor Sexo ... 166
- Factor Idade ... 167
- Factor Prova ... 168
- Interacções ... 168
PARTE III 5 DISCUSSÃO, CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES ... 177
5.1- Propostas de trabalhos futuros ... 185
6 BIBLIOGRAFIA ... 187
2.1 - Apontamento de aulas práticas de Psicofisiologia Madeira, F. (1990).
2.2 - Esquema cibernético do sistema postural de acordo com a Association Française de
Posturologie(1986).
2.3 - Registo de indivíduo que mantém a verticalidade no interior do polígono de sustentação. Superfície do estatoquinesigrama.
2.4 - Plataforma utilizada no teste de Verticalidade de Barre. 2.5 - A pista de Fukuda.
2.6 - Teste Fukuda sobre a influência do Reflexo Nucal. 2.7 - Teste de Fukuda em posição de cabeça giratória. 2.8 - Teste de Fukuda após rotação de cadeira neutra. 2.9 - Teste Romberg postural.
3.1 - Conjunto Nac Eye Recorder - Nac System. 3.2 - Plataforma de Estabilidade modelo 16020. 3.3 - três relógios “58007 stop clock”.
3.1 - Composição da amostra total (N=120). 3.2 - Composição da amostra principal (N=96).
4.1 - Estatísticas descritivas do peso e altura para a amostra total (N=118).
4.2 - Teste multivariado (MANOVA) de significância da diferença de médias para o peso e altura, por modalidade e idade, para a amostra de sujeitos do sexo masculino (N=96).
4.3 - Testes univariados de significância da diferença de médias para o peso e altura, por modalidade, para a amostra de sujeitos do sexo masculino (N=96).
4.4 - Médias do peso e da altura, por modalidade, para a amostra de sujeitos do sexo masculino (N=96).
4.5 - Testes univariados de significância da diferença de médias, para o peso e altura, por idade, para a amostra de sujeitos do sexo masculino (N=96).
4.6 - Médias de peso e de altura, por idade, para a amostra de sujeitos do sexo masculino (N=96).
4.7 - Testes univariados de significância da diferença de médias para o peso e altura, por interacção modalidade X idade, para a amostra de sujeitos do sexo masculino (N=96).
4.8 - Teste multivariado (MANOVA) de significância da diferença de médias para o peso e altura, por sexo e idade, para a amostra de sujeitos não praticantes dos dois sexos (N=48).
4.9 - Testes univariados (ANOVA) de significância da diferença de médias para o peso e altura, por sexo, para a amostra de sujeitos não praticantes dos dois sexos (N=48). 4.10 - Médias do peso e da altura, para a amostra de sujeitos não praticantes dos dois
sexos (N=48).
4.11 - Testes univariados (ANOVA) de significância da diferença de médias para o peso e altura, por idade, para a amostra de sujeitos não praticantes dos dois sexos (N=48). 4.12 - Médias do peso e da altura, por idade, para a amostra de sujeitos não praticantes
(N=48).
4.13 - Estatísticas descritivas das 20 medidas criteriais, para a amostra total (N=96). 4.14 - Correlações entre as variáveis de critério ou dependentes.
4.15 - Correlações entre as variáveis de critério e os factores peso e altura, para a amostra de sujeitos do sexo masculino (N=96).
4.16 - Teste multivariado (MANOVA) de significância da diferença de médias para as variáveis TOTDES e TOTTEM, por modalidade, idade e tipo de prova, para a amostra de sujeitos do sexo masculino (N=96).
masculino (N=96).
4.18 - Médias de TOTDES e TOTTEM, por tipo de prova, para a amostra dos sujeitos do sexo masculino (N=96).
4.19 - Testes post-hoc (teste de Sheffé) de verificação da significância da diferença entre pares, para as variáveis TOTDES e TOTTEM, por tipo de prova, dos sujeitos do sexo masculino (N=96).
4.20 - Testes univariados de significância da diferença de médias para as variáveis TOTDES e TOTTEM, por modalidade, para a amostra de sujeitos do sexo masculino (N=96).
4.21 - Médias de TOTDES e TOTTEM, por modalidade, para a amostra dos sujeitos do sexo masculino (N=96).
4.22 - Testes post-hoc (teste de Sheffé) de verificação da significância da diferença entre pares, para as variáveis TOTDES e TOTTEM, por modalidade, dos sujeitos do sexo masculino (N=96).
4.23 - Médias dos escores dos sujeitos do sexo masculino (N=96) nas variáveis TOTDES e TOTTEM, por modalidade.
4.24 - Testes univariados de significância da diferença de médias para as variáveis TOTDES e TOTTEM, por interacção entre a MODALIDADE e a IDADE, para a amostra de sujeitos do sexo masculino (N=96).
4.25- Médias de TOTDES e TOTTEM, por modalidade e idade, para a amostra dos sujeitos do sexo masculino (N=96).
4.26 - Teste multivariado de significância para as duas variáveis de critério TOTDES e TOTTEM, por Peso e Altura, para a amostra dos sujeitos do sexo masculino (N=96). 4.27 - Teste univariado de significância para a variável de critério TOTTEM 5, por Peso
e Altura, para a amostra dos sujeitos do sexo masculino (N=96).
4.28 - Teste multivariado (MANOVA) de significância da diferença de médias para as variáveis LATD e LATT, por modalidade, idade e tipo de prova, para a amostra de sujeitos do sexo masculino (N=96).
4.29 - Testes univariados de significância da diferença de médias para as variáveis LATD e LATT, por Modalidade, para a amostra de sujeitos do sexo masculino (N=96). 4.30 - Médias de LATD e LATT, por Modalidade, para a amostra dos sujeitos do sexo
masculino (N=96).
4.31 - Testes univariados de significância da diferença de médias para as variáveis LATD e LATT, por Idade, para a amostra de sujeitos do sexo masculino (N=96). 4.32 - Médias de LATD e LATT, por Idade, para a amostra dos sujeitos do sexo masculino
(N=96).
4.33 - Testes univariados de significância da diferença de médias para as variáveis LATD e LATT, por Prova, para a amostra de sujeitos do sexo masculino (N=96).
4.35 - Testes univariados de significância da diferença de médias para as variáveis LATD e LATT, por interacção Modalidade e Idade, para a amostra de sujeitos do sexo masculino (N=96).
4.36 - Médias de LATD e LATT, por Modalidade e Idade, para a amostra dos sujeitos do sexo masculino (N=96).
4.37 - Testes univariados de significância da diferença de médias para as variáveis LATD e LATT, por interacção Modalidade e Prova, para a amostra de sujeitos do sexo masculino (N=96).
4.38 - Médias de LATD e LATT, por Modalidade e Prova, para a amostra dos sujeitos do sexo masculino (N=96).
4.39 - Testes univariados de significância da diferença de médias para as variáveis LATD e LATT, por interacção Idade e Prova, para a amostra de sujeitos do sexo masculino (N=96).
4.40 - Médias de LATD e LATT, por Idade e Prova, para a amostra dos sujeitos do sexo masculino (N=96).
4.41 - Testes univariados de significância da diferença de médias para as variáveis LATD e LATT, por interacção Modalidade x Idade x Prova, para a amostra de sujeitos do sexo masculino (N=96).
4.42 - Teste multivariado de significância para as duas variáveis de critério LATD e LATT, por Peso e Altura, para a amostra dos sujeitos do sexo masculino (N=96).
4.43 - Teste multivariado (MANOVA) de significância da diferença de médias para as variáveis TOTDES e TOTTEM, por Sexo, Idade e tipo de Prova, para a amostra de sujeitos não praticantes dos dois sexos (N=48).
4.44 - Teste multivariado de significância para as duas variáveis de critério TOTDES e TOTTEM, por Peso e Altura, para a amostra de sujeitos não praticantes dos dois sexos (N=48).
4.45 - Testes univariados de significância da diferença de médias para as variáveis TOTDES e TOTTEM, por Sexo, para a amostra de sujeitos não praticantes dos dois sexos (N=48).
4.46 - Médias de TOTDES e TOTTEM, por Sexo, para a amostra de sujeitos não praticantes dos dois sexos (N=48).
4.47 - Testes univariados de significância da diferença de médias para as variáveis TOTDES e TOTTEM, por Sexo, para a amostra de sujeitos não praticantes dos dois sexos (N=48).
4.48 - Médias de TOTDES e TOTTEM, por Idade, para a amostra de sujeitos não praticantes dos dois sexos (N=48).
4.49 - Testes univariados de significância da diferença de médias para as variáveis TOTDES e TOTTEM, por Prova, para a amostra de sujeitos não praticantes dos dois sexos (N=48).
4.51 - Testes univariados de significância da diferença de médias para as variáveis TOTDES e TOTTEM, por interacção Sexo x Idade, para a amostra de sujeitos não praticantes dos dois sexos (N=48).
4.52 - Médias de TOTDES e TOTTEM, por Sexo e Idade, para a amostra de sujeitos não praticantes dos dois sexos (N=48).
4.53 - Testes univariados de significância da diferença de médias para as variáveis TOTDES e TOTTEM, por interacção Sexo x Prova, para a amostra de sujeitos não praticantes dos dois sexos (N=48).
4.54 - Médias de TOTDES e TOTTEM, por Sexo e Prova, para a amostra de sujeitos não praticantes dos dois sexos (N=48).
4.55 - Testes univariados de significância da diferença de médias para as variáveis TOTDES e TOTTEM, por interacção Idade x Prova, para a amostra de sujeitos não praticantes dos dois sexos (N=48).
4.56 - Médias de TOTDES e TOTTEM, por Idade e Prova, para a amostra de sujeitos não praticantes dos dois sexos (N=48).
4.57 - Testes univariados de significância da diferença de médias para as variáveis TOTDES e TOTTEM, por interacção Sexo x Idade x Prova, para a amostra de sujeitos não praticantes dos dois sexos (N=48).
4.58 - Teste multivariado (MANOVA) de significância da diferença de médias para as variáveis LATD e LATT, por Sexo, Idade e tipo de Prova, para a amostra de sujeitos não praticantes dos dois sexos (N=48).
4-59 - Teste multivariado de significância para as duas variáveis de critério LATD e LATT, por Peso e Altura, para a amostra de sujeitos não praticantes dos dois sexos (N=48). 4.60 - Testes univariados de significância para a variável LATT 4, por Peso e Altura, para
a amostra de sujeitos não praticantes dos dois sexos (N=48).
4.61 - Testes univariados de significância para a variável LATD 5, por Peso e Altura, para a amostra de sujeitos não praticantes dos dois sexos (N=48).
4.62 - Testes univariados de significância da diferença de médias para as variáveis LATD e LATT, por Sexo, para a amostra de sujeitos não praticantes dos dois sexos (N=48). 4.63 - Médias de LATD e LATT, por Sexo, para a amostra de sujeitos não praticantes dos
dois sexos (N=48).
4.64 - Testes univariados de significância da diferença de médias para as variáveis LATD e LATT, por Idade, para a amostra de sujeitos não praticantes dos dois sexos (N=48) 4.65 - Médias de LATD e LATT, por Idade, para a amostra de sujeitos não praticantes dos
dois sexos (N=48).
4.66 - Testes univariados de significância da diferença de médias para as variáveis LATD e LATT, por Prova, para a amostra de sujeitos não praticantes dos dois sexos (N=48).
4.68 - Testes univariados de significância da diferença de médias para as variáveis LATD e LATT, por interacção Sexo x Idade, para a amostra de sujeitos não praticantes dos dois sexos (N=48).
4.69 - Médias de LATD e LATT, por Sexo e Idade, para a amostra de sujeitos não praticantes dos dois sexos (N=48).
4.70 - Testes univariados de significância da diferença de médias para as variáveis LATD e LATT, por interacção Sexo x Prova, para a amostra de sujeitos não praticantes dos dois sexos (N=48).
4.71 - Médias de LATD e LATT, por Sexo e Prova, para a amostra de sujeitos não praticantes dos dois sexos (N=48).
4.72 - Testes univariados de significância da diferença de médias para as variáveis LATD e LATT, por interacção Idade x Prova, para a amostra de sujeitos não praticantes dos dois sexos (N=48).
4.73 - Médias de LATD e LATT, por Idade e Prova, para a amostra de sujeitos não praticantes dos dois sexos (N=48).
4.74 - Testes univariados de significância da diferença de médias para as variáveis LATD e LATT, por interacção Sexo x Idade x Prova, para a amostra de sujeitos não praticantes dos dois sexos (N=48).
4.1. Distribuição do peso dos sujeitos (N=118). 4.2. Distribuição da altura dos sujeitos (N=118).
4.3. Distribuição do peso dos sujeitos, por idade e modalidade (N=96).
4.4. Distribuição do peso dos sujeitos não praticantes, por idade e sexo (N=48).
4.5. Distribuição dos escores em TOTDES, por prova, dos sujeitos do sexo masculino (N=96).
4.6. Distribuição dos escores em TOTTEM, por prova, dos sujeitos do sexo masculino (N=96).
4.7. Distribuição dos escores em TOTDES, por modalidade, dos sujeitos do sexo masculino (N=96).
4.8. Distribuição dos escores em TOTTEM, por modalidade, dos sujeitos do sexo masculino (N=96).
4.9. Distribuição dos escores em TOTDES, por modalidade e idade, dos sujeitos do sexo masculino (N=96).
4.10. Distribuição dos escores em TOTTEM, por modalidade e idade, dos sujeitos do sexo masculino (N=96).
4.11. Distribuição dos escores em TOTDES, por Modalidade e Prova, dos sujeitos do sexo masculino (N=96).
4.12. Distribuição dos escores em TOTTEM, por Modalidade e Prova, dos sujeitos do sexo masculino (N=96).
4.13. Distribuição dos escores em TOTDES, por Idade e Prova, dos sujeitos do sexo masculino (N=96).
4.14. Distribuição dos escores em TOTDES, por Idade e Prova, dos sujeitos do sexo masculino (N=96).
4.15. Distribuição dos escores em TOTTEM, por Idade e Prova, para os praticantes de Andebol, dos sujeitos do sexo masculino (N=96).
4.16. Distribuição dos escores em TOTTEM, por Idade e Prova, para os praticantes de Natação, dos sujeitos do sexo masculino (N=96).
4.17. Distribuição dos escores em TOTTEM, por Idade e Prova, para os praticantes de Futebol, dos sujeitos do sexo masculino (N=96).
4.18. Distribuição dos escores em TOTTEM, por Idade e Prova, para os Não Praticantes, dos sujeitos do sexo masculino (N=96).
4.19. Distribuição dos escores em LATD, por Modalidade e Idade, dos sujeitos do sexo masculino (N=96).
4.20. Distribuição dos escores em LATT, por Modalidade e Idade, dos sujeitos do sexo masculino (N=96).
4.22. Distribuição dos escores em LATT, por Modalidade e Prova, dos sujeitos do sexo masculino (N=96).
4.23. Distribuição dos escores em LATD, por Idade e Prova, dos sujeitos do sexo masculino (N=96).
4.24. Distribuição dos escores em LATT, por Idade e Prova, dos sujeitos do sexo masculino (N=96).
4.25. Distribuição dos escores em LATD, por Idade e Prova, para os praticantes de Andebol. 4.26. Distribuição dos escores em LATD, por Idade e Prova, para os praticantes de Futebol. 4.27. Distribuição dos escores em LATD, por Idade e Prova, para os praticantes de Natação. 4.28. Distribuição dos escores em LATD, por Idade e Prova, para os Não Praticantes. 4.29. Distribuição dos escores em TOTDES, por Sexo e Idade, para a amostra de sujeitos
não praticantes dos dois sexos (N=48).
4.30. Distribuição dos escores em TOTTEM, por Sexo e Idade, para a amostra de sujeitos não praticantes dos dois sexos (N=48).
4.31. Distribuição dos escores em TOTDES, por Sexo e Prova, para a amostra de sujeitos não praticantes dos dois sexos (N=48).
4.32. Distribuição dos escores em TOTTEM, por Sexo e Prova, para a amostra de sujeitos não praticantes dos dois sexos (N=48).
4.33. Distribuição dos escores em TOTDES, por Idade e Prova, para a amostra de sujeitos não praticantes dos dois sexos (N=48).
4.34. Distribuição dos escores em TOTEM, por Idade e Prova, para a amostra de sujeitos não praticantes dos dois sexos (N=48).
4.35. Distribuição dos escores em LATD, por Sexo e Idade, para a amostra de sujeitos não praticantes dos dois sexos (N=48).
4.36. Distribuição dos escores em LATT, por Sexo e Idade, para a amostra de sujeitos não praticantes dos dois sexos (N=48).
4.37. Distribuição dos escores em LATD, por Sexo e Prova, para a amostra de sujeitos não praticantes dos dois sexos (N=48).
4.38. Distribuição dos escores em LATT, por Sexo e Prova, para a amostra de sujeitos não praticantes dos dois sexos (N=48).
4.39. Distribuição dos escores em LATD, por Idade e Prova, para a amostra de sujeitos não praticantes dos dois sexos (N=48).
4.40. Distribuição dos escores em LATT, por Idade e Prova, para a amostra de sujeitos não praticantes dos dois sexos (N=48).
Anexo I - Ficha de identificação pessoal
Anexo II - Funcionamento do estimulador óptico temporizável Anexo III - Estimulador óptico temporizável
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1 –
A capacidade do homem para manter a postura em pé e a sua aptidão para reajustar e corrigir todo o afastamento vertical foi problematizada no início do século XIX por Charles Bell.
A descoberta da função dos captores sensitivos que concorrem para a manutenção da posição erecta do homem, permitiu verificar a importância da visão evidenciada por Romberg (1851); a propriocepção dos músculos paravertebrais por Longet (1845); a influência do sistema vestibular por Flourens (1824), o “sentido”muscular de Sherrington e a importância dos músculos oculomotores na atitude postural, por Baron (1973).
Numerosos trabalhos, ao longo de uma centena de anos, levam-nos a considerar o sistema postural como um “todo estruturado”, com entradas múltiplas, não só as proprioceptivas, mas também interoceptivas e exteroceptivas que estão na dependência directa ou indirecta da produção de movimentos humanos.
Admitimos que os movimentos humanos dependem de múltiplos factores, incluindo, contudo, os mecanismos do sistema nervoso, o envolvimento, o desenvolvimento de acções, as proporções corporais e a postura Bertenthal & Clifton (1996).
A postura é uma manifestação objectiva duma actividade, que corresponde à aferência e posterior integração de várias informações. Por outras palavras, a postura depende das informações que são posteriormente analisadas e processadas a diversos níveis hierarquizados do sistema nervoso central. Aqui, os centros nervosos, que coordenam os movimentos, são igualmente responsáveis pelo “ajustar” da actividade postural, de maneira a esta servir de base de apoio a esses movimentos, os quais, sem um controlo postural adequado, têm dificuldade na sua continuidade e precisão (Sérgio, J.A.S. 1995).
A postura tem sido há largo tempo considerada como um estado estático, no entanto, Reed (1989), entre outros, afirma que, mesmo na ausência de movimento, a regulação postural é uma actividade fundamentalmente dinâmica.
A sua importância tem levado a que a educação postural não seja considerada um fim em si mesmo, mas uma condição para assegurar o desenvolvimento total do indivíduo. O seu objectivo é obter o melhor equilíbrio geral, em função das características individuais e na dependência directa uma certa plasticidade da postura.
Na criança, o desenvolvimento das capacidades de equilíbrio aparece como uma condição essencial, não somente na aquisição das habilidades complexas, mas também no domínio das habilidades ditas fundamentais. Com efeito, é durante a infância que as relações fundamentais entre postura e movimento são semelhantes. Por exemplo, os trabalhos de Bril & Brenière (1993), sobre a aquisição da marcha, sugerem que a regulação postural, em condições estáticas, é indispensável para a iniciação da locomoção independente.
Para Thelen (1989), é a falta de controlo postural que prejudica a locomoção independente em idades mais jovens.
O controlo postural não é certamente o único factor limitativo do desenvolvimento do controlo motor. Outros factores foram identificados, nomeadamente o desenvolvimento estatural, a força muscular (Thelen E. & Cooke, 1987), o nível da atenção (Thelen, Fisher& Ridley-Johnson, 1984), ou das capacidades cognitivas (Zelazo, 1983). O conjunto destes factores e das suas interacções contribui para explicar porque é que é preciso cerca de um ano para que uma criança possa aprender tarefas primárias: suportar o peso do seu corpo e andar livremente (Thelen, 1989). Dado que todas as tarefas têm exigências posturais, o desenvolvimento do controlo postural influencia fortemente o controlo postural voluntário (Woollacott, M. H.; Shumway-Cook, A. & Nasher, L. M. 1987).
É assim importante, numa perspectiva de intervenção educativa ou investigação, identificar as características e os elementos determinantes do desenvolvimento das crianças ao longo da sua ontogénese.
Uma dessas determinantes a ter em conta, no que se refere nomeadamente à regulação do equilíbrio nas crianças, é a influência da visão sobre o controlo do equilíbrio. ( Bower,T.G.R. Broughton, J.M. & Moore M.K., 1970), depois Yonas, A. (1981) mostraram que as simulações visuais apropriadas (por exemplo aproximando um objecto de um sujeito) levam a reacções de carácter postural (recuo da cabeça, elevação dos braços, que alguns autores interpretam como reacções a um desequilíbrio). Estes resultados sugerem que as crianças utilizam essencialmente informações de origem visual para controlar o equilíbrio. Contudo, investigações levadas a efeito por Brandt, Wenzel & Dichgans (1976) concluíram pela não influência de controlo visual na postura, antes da posição de pé.
Muitas pesquisas sugerem que o controlo motor voluntário e o controlo postural se desenvolvem em paralelo através de um diálogo entre a percepção e a acção.
A prática e a experiência parecem contribuir para a organização espacial e temporal das respostas posturais automáticas, sendo as sinergias posturais não estritamente inatas. As aprendizagens, que têm lugar ao longo do curso do desenvolvimento, permitiram um afinamento destas sinergias de activação muscular, assim como uma calibração das entradas reguladoras das reacções de equilíbrio. Aparecem, no entanto, no trajecto do desenvolvimento algumas regressões que teremos de ter em consideração, nomeadamente as que acontecem entre os 4 e os 6 anos, que, segundo alguns autores, poderão ser motivadas pelo facto de as crianças experimentarem, nesse período, novas estratégias para controlar o equilíbrio (Woollacott & Sveistrup, 1992).
Estes trabalhos demonstram que a visão constitui uma das entradas tomadas em conta pelo sistema nervoso, não sendo necessária nos deslocamentos das respostas posturais automáticos.
O aumento da frequência das respostas, na ausência da visão, sugere um aumento da sensibilidade do sistema noutras fontes de informação.
Para Forsseberg & Nashner (1982), o controlo depende essencialmente dos influxos somatosensoriais, e a visão não domina senão nas situações de conflito intersensorial. Para Assaiante & Amblard (1995), a visão tem um papel determinante no decurso dos períodos de transição para um nível de aprendizagem postural mais evoluído. No entanto, para Bertenthal & Clifton, R.K. (1996) “o domínio de um sistema sensorial é fortemente determinado pelo contexto e não é pois fixado dentro do sistema de controlo postural”.
As informações precedentes realçam uma questão de larga importância, nomeadamente do papel da prática e mais nitidamente a prática desportiva na aceleração do desenvolvimento e modificação das características das respostas posturais para lá da aquisição das habilidades fundamentais. A influência da prática física ou desportiva sobre as capacidades de equilíbrio tem sido muito estudada em adultos, tanto através de estudos comportamentais como experimentais.
Alguns dos estudos revistos por Singer, R. (1970), destinados a avaliar o impacto do envolvimento da prática desportiva sobre as capacidades do equilíbrio e da regulação postural, eram relativamente contraditórios. Singer reporta uma superioridade, nas tarefas estabilométricas, dos ginastas e dos “esquiadores náuticos sobre os outros atletas e sobre os grupos constituídos por sujeitos sem prática desportiva ou qualquer tipo de treino. Ele releva igualmente uma melhoria das performances no decurso das sessões experimentais, e uma maior tendência dos atletas em relação aos sujeitos não treinados a experimentar diversas estratégias de equilíbrio nesta nova situação.
Manipulando a vertical óptica, durante os registos estabilométricos, DeWitt, G. (1972) mostrou que sujeitos não treinados são dependentes desta vertical óptica (materializado por uma barra luminosa no decurso das sessões desenrolando-se na obscuridade), tanto que os atletas utilizam, com vantagem, as informações proprioceptivas. Dito de outra maneira, nesta experiência, os atletas parecem capazes de utilizar uma estratégia postural diferente, mais eficaz.
Os resultados de Shick, Stoner & Jette, N. (1983) mostraram que as performances dos dançarinos sobre as tarefas de equilíbrio estático e dinâmico melhoraram com o nível de prática. Num outro registo, Haines (1974) realça a deterioração da estabilidade postural, depois de longos períodos de inactividade, com uma recuperação total três dias depois de retoma das actividades normais. Os seus resultados sugeriram que esta deterioração não estava ligada à diminuição da força muscular associada ao repouso prolongado.
Por consequência, no conjunto estes trabalhos sugerem que as capacidades posturais do adulto são plásticas e podem ser modificadas pela prática física e desportiva.
Sobre a influência da prática desportiva, em crianças e jovens, Debû, B., Woollacott & Mowatt, M. (1988) verificaram, em investigação realizada sobre a alteração provocada do equilíbrio num grupo constituído por 19 ginastas, entre os 7 e os 16 anos com 2 a 10 anos como praticante de actividade desportiva, e de 14 sujeitos da mesma idade, sem experiência desportiva particular, que, nos ginastas, os mais jovens tendo 2 a 3 anos de prática, as latências das respostas musculares correspondem aos valores encontrados no adulto, quer dizer que elas tendem a ser mais curtas que nos sujeitos não treinados da mesma idade, e mesmo mais curtas que nos sujeitos mais velhos (10 a 16 anos). Contudo, este efeito não é observável senão ao nível dos músculos da metade superior do corpo.
A comparação das respostas posturais, em função do nível da avaliação, mostra que os efeitos de treino não são monótonos. Se os primeiros anos de prática levam a uma diminuição das latências de activação dos músculos da metade superior do corpo, uma prática prolongada, para além de três anos, traduz-se por um alongamento destas latências ao nível dos músculos abdominais e flexores do pescoço. As respostas registadas nos músculos da parte superior do corpo (nomeadamente ao nível do pescoço) parece pois muito mais sensível aos efeitos do treino. As respostas são igualmente mais sensíveis à manutenção de outros factores testados, a saber, a disponibilidade das informações visuais (nos sujeitos não treinados , a ausência de entradas visuais não tem efeito nos ginastas) ou a dificuldade da tarefa (em todos os sujeitos). Os ginastas parecem adoptar uma estratégia que privilegia as informações proprioceptivas, qualquer que seja a situação, o que está de acordo com os resultados de De Witt (1972).
Segundo estes resultados, parece que a prática da ginástica poderia primeiro acelerar a evolução das características das respostas posturais automáticas, depois de modificar a organização em especial ao nível dos músculos da metade superior do corpo, menos implicados na manutenção do equilíbrio. Alternativamente o treino poderia induzir um melhor alinhamento do esqueleto e uma maior tonicidade dos músculos abdominais e extensores lombares, quer dizer, uma modificação da atitude que seria responsável pelas mudanças observadas na organização temporal das respostas, assim como a melhoria da estabilidade postural (Debû, B., Woollacott & Mowatt, M.1988). Os resultados explicitados confirmam que as respostas posturais automáticas são moldáveis, em função da especificidade da actividade e das condicionantes da experiência ou das informações sensoriais disponíveis.
Para Mesure, S., Bonnet, M., Crémieux, G.(1994), estas mudanças podem estar ligadas a uma melhoria da coordenação sensório-motora, a uma modificação das escolhas tácticas, como sugere igualmente Singer (1970) ou à reorganização da rede neuronal preexistente, as sinergias posturais não são transmitidas rigidamente.
atribuída às variáveis posturais, pensamos que os resultados estão ainda bastante longe do satisfatório. Tal facto tem levado os investigadores a centrar a sua atenção, preponderantemente, nos estudos de natureza postural, verificando o funcionamento dos diferentes sistemas sensório-motores, que asseguram a actividade tónico-postural em posição ortostática utilizando a estatoquinesimetria e a estabilometria, assumindo particu-lar interesse no perfil dos desportistas, respeitante à detecção, orientação e controlo do gesto, ou ainda na prevenção da contra-performance.
O ser humano pode ser considerado como um conjunto de sistemas de informação e de acção, integrados numa unidade funcional e regulados por um sistema particular que é o sistema nervoso.
A sua actividade postural, que mantém o corpo numa determinada configuração ou postura, tem os seus pilares assentes numa acção muscular permanente, repartida pela generalidade da musculatura esquelética. Este tipo de actividade muscular reflecte, por sua vez, um amplo jogo de acções de cooperação entre os sistemas aferentes e eferentes, a diversos níveis do SNC, que se tentam opor às forças do meio circunstancial e à acção da gravidade.
Mas o jogo das acções cooperativas, donde emanesce este estado de contracção permanente, não é estereotipado, pelo contrário, exibe um manancial de flutuações ou de nuances, consoante o estado psíquico do indivíduo, o que significa que a actividade tónica assenta num comportamento.
Se toda a actividade motora assenta na postura, sendo esta sustentada através do tónus e reflectindo este um determinado comportamento, pode inferir-se que qualquer movimento, como parte da actividade motora, é um espelho desse comportamento.
Porém, também se sabe que qualquer acção motora, para ser consequente de forma a que o organismo atinja um determinado objectivo, mais concretamente, que possa efectuar prestações desportivas ou não, tem de encontrar um equilíbrio, caso contrário o movimento torna-se incoerente. Este facto, significa que a postura tem de igualmente manifestar um estado de tónus de equilíbrio.
Nesta perspectiva, consideramos necessário ter acesso às características do funcionamento temporo-espacial dos diversos sistemas implicados no equilíbrio ortostático, com a finalidade de tentar prever o respectivo rendimento em situações dinâmicas.
O termo “sistema” refere-se explicitamente à teoria dos sistemas, o que implica uma saída e uma entrada do sistema.
A saída do sistema postural é precisamente a manutenção da linha de gravidade à vizinhança de uma posição de equilíbrio.
O nosso estudo pretendeu analisar as características de funcionamento temporo--espacial dos sistemas visual e oculomotor e se a evolução da contribuição dos sistemas
referidos, com o decorrer da idade, interfere com o controlo do equilíbrio postural em situações dinâmicas.
O trabalho está organizada em 3 partes: (Parte I) “Introdução e Revisão da Literatura”; (Parte II) “Procedimentos Metodológicos, os Resultados e as Análises Multivariadas das Variáveis de Critério”; (Parte III) “Discussão, Conclusões, Recomen-dações, Bibliografia e Anexos”. Após o capítulo introdutório, onde se faz a apresentação do problema e os objectivos, integramos a revisão da literatura que expressa o quadro teórico do presente trabalho.
A parte II, ocupa-se dos procedimentos metodológicos, da apresentação dos resultados da investigação e das análises multivariadas. Os primeiros inserem uma caracterização da amostra, formulação das hipóteses de investigação, protocolo experi-mental, provas, procedimentos, e recolha de dados; nos segundos apresentam-se de forma desenvolvida os resultados de investigação; nos terceiros apresentamos as análises multivariadas.
Finalmente, na parte III, inclui-se a discussão dos resultados conclusões e recomendações. Procuraremos aqui articular e sintetizar, toda a evidência por nós recolhida relativamente aos reflexos provocados pela indução de estímulos externos no compor-tamento postural dinâmico da amostra enunciada.
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2.1- Caracterização Conceptual
No início do século passado, Charles Bell já apresentava o problema que a posturologia tenta hoje resolver: como é que o homem consegue manter a postura em pé ou inclinado contra o vento que sopra sobre ele? É evidente que ele deve possuir uma aptidão para reajustar e corrigir todo o afastamento da vertical. (Bricot, B.1999).
Desde o século XIX, que os captores sensitivos que concorrem para a manutenção da posição erecta do homem, já tinham sido descobertos.
A importância dos olhos havia sido colocada em evidência por Romberg; a propriocepção dos músculos paravertebrais, por Longet; a influência do sistema vestibu-lar, por Fluorens, o “sentido” muscuvestibu-lar, por Sherrington. A primeira escola de Posturologia foi fundada em 1890, em Berlim, por Vierordt.
Mais recentemente, Baron, do laboratório de Posturologia do Hospital de Ste-Anne, em Paris, publicou a tese, em 1955, sobre a importância dos músculos oculomotores na atitude postural.
Kendal,H,O (1999) definiu postura como “um estado compósito do conjunto das posições das articulações do corpo num determinado momento”.
Mais recentemente, Paillard introduziu os conceitos de “corpo situado e corpo identificado” definindo-os como uma abordagem psicofisiológica da noção de esquema corporal.
Será Babinski (1914), observando os efeitos de coordenação entre postura e movimento, em indivíduos com alterações cerebelares, que apresentará os primeiros dados sobre ajustamentos posturais associados ao movimento voluntário. Desde então ficou estabelecido que, tanto no homem quanto no animal, o movimento intencional é acompanhado e seguido por fenómenos posturais.
Os diferentes trabalhos integrantes do termo Postura estão ligados preci-samente a uma multiplicidade de fenómenos em variados espaços científicos, levando a que seja utilizado indiferentemente com alguns sinónimos – Sistema Postural, Actividade Postural, Ajustamento Postural, Esquema Postural, Atitude, Equilíbrio, Controlo Postural, Postura. Tidos como referência ao longo de mais de uma centena de anos, levam-nos a considerar o sistema postural como um “todo estruturado”, com entradas múltiplas, tendo muitas funções complementares:
- lutar contra a gravidade e manter a postura erecta; - opor-se às forças externas;
- guiar e reforçar o movimento; - equilibrar-nos durante o movimento.
Para realizar esta proeza neurofisiológica, o organismo utiliza diferentes fontes: - os exteroceptores, que nos situam na relação com o meio envolvente (visão,
audição, tacto);
- os proprioceptores que situam as diferentes partes do nosso corpo em relação ao conjunto, em determinada posição no espaço;
- os centros superiores integram os selectores de estratégias, os processos cognitivos (Paillard) e tratam os dados recolhidos das duas fontes precedentes.
Todavia existe uma “invariável postural” que representa a posição ideal do corpo no espaço, em determinado momento da nossa evolução filogenética.
Existe, para cada espécie, uma postura de referência, a estação de pé, que está determinada geneticamente para numerosas espécies, posto que se manifesta desde o nascimento.(Massion,J.2000)
Charles Sherrington é apontado, por Magnus (1925), citado por Reed (1990), como o grande impulsionador do estudo da Postura, através dos seus trabalhos sobre o controlo neural do comportamento. Para este autor (1906), citado por Madeira (1986), a Postura acompanha o movimento como uma sombra, o que significa que todo o movimento começa numa Postura e termina noutra.
Antes de Alexander (1974) conceptualizar a Postura como - “an integral component of a voluntary action, and not a response to stimuli”- Thomas (1940), citado por Madeira (1986), afirmava que todo o ser apresenta, num estado estático ou cinético, uma Postura mais ou menos tão típica como a sua forma, dimensões ou cor. Mesmo sujeita às mais diversas contingências, a Atitude conserva a marca da espécie e do indivíduo. Este autor utiliza, possivelmente, as expressões - Postura e Atitude - como termos sinónimos. Também, para Guiner (1978), estes termos são sobreponívéis. Contudo, para outros autores podem descrever ou representar “ entidades distintas de um mesmo conjunto de fenómenos, o que não implica, que os mesmos possam ser dissociados, ou seja, apesar de distintos, não se pode separar a Atitude da Postura.”
Os fisiologistas empregam o termo Atitude, quer como o sinónimo de posição -“termo geométrico definido pela localização no espaço de diferentes peças do esqueleto”, quer de Postura, termo fisiológico que designa, mais particularmente, as posições relativas das diversas partes do corpo “animadas” pela musculatura, cuja actividade se opõe a acção da gravidade. Na definição apresentada, aceita-se que o termo Postura pressupõe uma actividade inerente ao homem, que não se encontra no termo Posição.
Para Wallon (1968), a Atitude abrange um aspecto cognitivo e simultaneamente afectivo, aparecendo como uma criação dinâmica, uma propensão para reagir de um modo determinado e um factor determinante. Este conceito não é passível de ser dissociado da componente psíquica que lhe é afim, sob a pena de, em nome de um maior rigor cientifico e de uma maior objectividade, se tornar caracterizado.
Para Buytendjyk (1957), as Atitudes são o resultado de uma repartição do tónus muscular. O equilíbrio significa, em primeiro lugar, um equilíbrio tónico. Acrescenta ainda que, em qualquer Atitude, temos o comprometimento de todo o corpo, motivo pelo qual se pode dizer que - “a posição bípede não é menos eloquente que a mímica”.
Gibson (1966) opina que - “todos os sistemas sensoriais podem contribuir com as suas informações para o controlo da Actividade Postural”.
Bernstein (1967), citado por Monteiro (1993), defendia que o equilíbrio não deve ser visto apenas de uma forma mecânica de resposta antigravitária, afirmando que “sendo a Postura uma actividade dinâmica, ela era o resultado do funcionamento de múltiplos sistemas perceptivo motores que trabalhavam não contra, mas com a gravidade, de forma a atingir-se uma acção integrada e funcional”.
Lapierre (1968) refere que a Atitude não deve ser considerada como um equilíbrio mecânico, mas como um equilíbrio neuromotor. É sobre um fundo proprioceptivo que se implanta as modulações afectivas, porque a Atitude também é um comportamento: um comportamento social e um modo de expressão da personalidade profunda. Considera ainda a Atitude como sendo - “resultado dos reflexos sensório-motores integrados nas diversas partes do sistema nervoso, mediante uma regulação automática extremamente complexa e como modo de reacção pessoal a um estímulo constante - o peso”.
Moro (1971) refere que o termo Postura deve ser interpretado como uma resposta psico-fisiológica às estimulações do meio ambiente, como um com-portamento reaccional que traduz a forma de expressão da personalidade profunda. Para o mesmo autor, o conceito de Esquema Postural justifica a importância da posição relativa dos segmentos corporais, sobre si e no mundo exterior, para a manutenção da Postura. Define Esquema Corporal como uma organização das sensações do próprio corpo, relativas ao mundo exterior.
Para Le Boulch (1985), o Esquema Postural pressupõe a percepção imediata de qualquer parte do corpo, integrada num conjunto global, em relação ao mundo exterior.
Para Berthelot, (1973), citado por Madeira (1986), a Postura representa a maneira de estar corporalmente no mundo, a profunda, a mais rica, a mais desconhecida, mas talvez a mais reveladora da nossa personalidade.
Metheney, citado por Cooper (1973), sustenta que não existe uma só Postura óptima para todos os indivíduos. A melhor Postura é aquela na qual todos os segmentos corporais se encontram equilibrados, na posição de menor esforço e máxima sustentação.
O termo Actividade Postural, segundo Paillard (1976), traduz-se pela imobilização das peças do esqueleto nas suas posições determinadas, solidárias umas com as outras, que dão ao corpo uma Atitude de conjunto. Esta Atitude exprime a forma como o organismo enfrenta as estimulações do mundo exterior e se prepara para nele reagir.
Segundo este autor, a Atitude Postural caracteriza um certo alinhamento dos segmentos esqueléticos e um certo equilíbrio segmentar geral. Corresponde a um modo de equilíbrio pessoal, passageiro ou permanente, que pode ser estimado em função de referenciais espaço-temporais.
De acordo com este autor, e citado por Fernandes (1998), cada espécie animal assume uma “Atitude Fundamental”, que se organiza segundo uma Arquitectura Postural própria e característica do seu modo de locomoção, na qual se constrói os grandes Esquemas Posturais e cinéticos das actividades de relação. No homem, esta “Atitude Fundamental”, é a posição de pé (bípede); ela constitui um estado especifico e privilegiado da nossa motricidade como refere Dubois (1979).
Ainda na opinião do mesmo autor, “a Atitude constitui a manifestação ou exteriorização (aquilo que é susceptível de ser captado pelos sentidos) da actividade que lhe está subjacente - a Actividade Postural”- pelo que, e, na sua opinião, - “la Attitude ne peut être distinguée de la Posture qui en constitue l’étroffe”.
Segundo o mesmo autor, o termo Atitude pertence ao vocabulário descritivo da motricidade, significando, no seu sentido geral, “uma maneira de ter o corpo”. Etimologicamente, a origem desta palavra reside no termo latino “Aptitudine”, que significa aptidão ou disposição natural para cumprir determinadas acções ou tarefas. É com este sentido que o termo derivado de “Aptitudine” vem a ser utilizado, segundo Sérgio (1995) - “pelos críticos de arte italianos com a finalidade de descrever as posições do corpo humano que o artista modela numa estátua ou delimita numa representação gráfica, em ambos os casos, retratando ou espelhando uma certa disposição da alma”.
Nesta definição utilizada para descrever as manifestações exteriores observáveis, ainda que faltando uma certa precisão, a Atitude surge com algum significado psicológico. Segundo as ideias de alguns críticos “a interpretação significativa da Atitude tem que ser sempre incluída num contexto onde intervém a génese da expressão”. E como exemplo, temos - “não é a Atitude de levantar simplesmente as mãos ao alto que é suficiente para exprimir uma súplica. É toda a génese dinâmica dessa Atitude que vai exprimir esse sentimento nas suas múltiplas variantes”.
Paillard (1976) distinguiu dois modos de expressão da Actividade Tónico-postural, directamente relacionados com o tipo de estimulação do envolvimento:
- Actividade Postural antigravitária, modo de reacção e adaptação a estimulações permanentes e estáveis.
- Actividade Postural direccional, modo de reacção e adaptação a estimu-lações variáveis.
A Actividade Postural antigravitária manifesta-se por quatro tipos de reacções com origens distintas:
- Reacções de endireitamento que têm origem nos reflexos de origem labiríntica, visual, muscular e cutânea determinadas pela gravidade, peso do corpo, corpo, superfície de apoio e referências visuais.
- Reacções de sustentação manifestam-se através dos reflexos pro-prioceptivos (resultado da acção conjunta dos músculos flexores e extensores) e exteroceptivos (nível plantar) que permitem a manutenção da posição anteriormente adoptada pela fixação dos segmentos móveis do corpo (membros e cintura).
- Reacções de adaptação estática, na posição ortostática o corpo oscila permanentemente. Qualquer factor tendente a modificar o equilíbrio corporal (verticalidade) desencadeia uma resistência compensatória de adaptação a nova situação, pela regulação quer da actividade tónica dos vários grupos musculares, quer da amplitude do movimento das diversas articulações.
- Reacções de equilíbrio, funcionam como um dispositivo de segurança que entra em acção quando as reacções de adaptação estática se tornam insuficientes para manter a projecção do centro de gravidade no interior do polígono de sustentação. Estas reacções têm origem muscular ou labiríntica.
Pode-se então concluir que a Postura constitui uma actividade que é imprescindível à preparação e manutenção de qualquer acção, assegurando, simultaneamente, a eficácia da sua execução.
A Actividade Postural, segundo Soulairac (1977), seja parcelar num segmento da musculatura, seja global na regulação das atitudes, está permanentemente subjacente à Actividade cinética e, sem ela, não se pode realizar.
Segundo este autor, toda a Actividade cinética, automática ou voluntária, vai representar uma sucessão de Actividades Tónico-Posturais preparatórias ao movimento e de Actividades fásicas que constituem a própria acção voluntária. Existe uma Actividade holo-cinética representada pelo conjunto de realizações motoras assegurando a tonicidade e a Postura, e uma Actividade idiocinética, de carácter essencialmente fásico, que representa sobre um fundo permanente de tonicidade, a execução de movimentos de alta precisão.
Ainda, para este autor, na génese do esquema corporal, as primeiras sensações proprioceptivas articulares e musculares nascem e organizam-se principalmente a partir de informações visuais. A informação visual e os movimentos oculares continuam a ter um papel importante no controlo e manutenção do equilíbrio corporal, ao longo do desenvolvimento e no adulto. Os músculos oculomotores têm um papel importante na regulação da Postura, regulando a amplitude motora dos diferentes segmentos do corpo, no endireitamento do eixo cefálico; esta regulação oculomotora representa uma regulação de alta precisão de origem vestibular. Um bom funcionamento visual permite uma aquisição mais rápida da regulação Postural proprioceptiva de origem ocular.
Para Guiner (1978), a Actividade Postural traduz-se pela imobilização das peças do esqueleto em posições determinadas, que traduzem a maneira pessoal de ter o próprio corpo, tanto no estado estático como em situações dinâmicas. Refere ainda este autor, que pela sua componente tónica, a Postura está na base do acto motor. O termo Postura é o equivalente de Atitude. O sentido geral das duas palavras é o mesmo, sendo, no entanto, a palavra Postura utilizada mais vulgarmente.
Apesar da evolução dos conceitos sobre a Actividade Postural neste últimos anos, e desta ter ocupado um lugar de componente fundamental da actividade humana e ser vista como merecedora de uma cuidada análise científica, ainda continua a ser definida, por alguns estudiosos, sob o ponto de vista estático e tradicionalmente mecanicista.
Para Martin (1977), Postura- “é um estado do corpo”- para o qual contribuem duas vertentes, a que trata da inter-relação das diferentes partes do corpo, e a outra que trata especificamente da actividade de suporte antigravitária. Quando este autor refere a actividade antigravitária adiciona a acção de equilíbrio “se forem assumidas as duas vertentes como um todo, resulta que as diferentes peças esqueléticas tendem a inter-relacionar-se de forma a que o corpo se oponha à solicitação da gravidade, ou seja, neste caso, que se mantenha em equilíbrio e que não caia.”
Dubois (1979) define Ajustamento Postural como uma espécie de modelagem do tónus da Postura, integrando por sua vez os elementos exteriores ao indivíduo (acção permanente da força de gravidade, acção periódica de outras forças) e as componentes que lhes são próprias (afectividade, vigilância, intenção de acção). Para este autor, o conceito de Atitude não engloba apenas a organização e ajustamento da Postura com o fim de manter e restabelecer o equilíbrio. A Atitude também é a tradução significativa de um comportamento e, se por um lado, a sua regulação constitui uma reacção às condições periféricas (equilíbrios articulares, tensões musculares), por outro, também são importantes as influências centrais dependentes das reacções emocionais ou das variações de atenção. Segundo este autor, a Actividade Postural intervém na retaguarda de todo o
repousar sobre a estabilidade e consistência Postural da Atitude. Segundo este mesmo autor, a Actividade Tónico-postural exprime-se pela imobilização, alinhamento e solidarização dos diferentes segmentos móveis e cinturas do corpo, favorecendo a aplicação e o transporte das forças através do mesmo e traduz o modo de reacção e adaptação do indivíduo às estimulações do envolvimento material e humano, estando na base de todos os movimentos. É a permanente adaptação do tónus da Postura que confere eficácia ao movimento, assegurando o Equilíbrio e a estabilidade do posicionamento corporal.
Gahéry (1985) diz que “o movimento de qualquer segmento corporal constitui uma fonte de perturbação da Postura e do Equilíbrio face ao deslocamento do centro de gravidade, que resulta numa reacção ao organismo de modo a prevenir uma situação de desequilíbrio”.
Para Clément (1983), a Actividade Postural não é apenas uma série de posições estáticas do corpo. Cada movimento é precedido por um ajustamento antecipatório necessário para o próprio movimento e acompanhado por componentes Posturais durante a sua execução.
Este autor refere que o equilíbrio do corpo, em posição de pé, fica assegurado quando o centro de gravidade se projecta no interior do polígono de sustentação definido pela superfície de apoio no solo. A Postura exprime-se através de oscilações corporais em torno da posição de equilíbrio, cuja frequência e amplitude estão dependentes dos sistemas de regulação do tónus Postural e das fixações Posturais dos segmentos articulares em relação à percepção da posição relativa dos vários segmentos corporais e destes em relação ao envolvimento.
Clément et al. (1983), citado por Fernandes (1998), referem que é um dos pré-requisitos mais importantes para a manutenção de uma Postura correcta. Estes autores referem a importância da aplicação da noção de Esquema corporal no controlo da Postura e do Equilíbrio a partir de dois tipos de informações, que são, por um lado, de natureza métrica (informações sobre a posição dos segmentos uns em relação aos outros) e, por outro, de natureza dinâmica (informações resultantes da massa e da inércia dos diferentes segmentos, assim como das forças de apoio no solo).
Pompeiano (1983), citado por Fernandes (1998), refere que o Ajustamento Postural também é necessário durante a realização do movimento, com o fim de prevenir o desequilíbrio.
Madeira (1986) refere que a Postura erecta é mantida através da dinâmica de órgãos especializados, designadamente diversas estruturas neurofisiológicas, vários sentidos e sistemas funcionais. O equilíbrio humano não perspectiva apenas aspectos anatómicos e mecânicos, nem se circunscreve unicamente ao alinhamento vertical do centro de gravidade da cabeça, do tronco e dos membros.
Segundo este autor, a Actividade Tónico-postural exprime-se não só na imobilização das peças ósseas utilizadas, mas também pelo alinhamento e consistência dos diferentes segmentos e cinturas, propiciando transporte das forças através do corpo.
O mesmo autor esclarece que - “Actividade Postural ressalta como dinamismo profundo do indivíduo que não cessa de operar finos reajustamentos para responder, de forma adaptada, às estimulações do envolvimento material e humano. É sem dúvida, a sua adaptação permanente que assegura a estabilidade de posicionamento corporal, o seu equilíbrio e, em última instância, confere a eficácia ao movimento”.
Tanto Madeira como Paillard “sublinham que o alvo da Actividade Postural não é só o de admitir um estado de estabilização ou de equilíbrio, mas sim, tratando-se dum processo intimamente dinâmico, o de continuamente proceder ao controlo e distribuição da resultante das forças ou estímulos actuantes a nível do organismo, de forma a que este cumpra as suas mais diversas tarefas.
Para Massion et al. (1990), a Postura do Homem é constituída por módulos sobrepostos a partir do solo, sobre o qual se efectua o apoio, até à cabeça: cada módulo está ligado ao módulo subjacente por um conjunto de músculos que têm em comum uma regulação central e periférica especializada, cuja a função é manter a posição de referência desse módulo em relação ao módulo subjacente. Consideram que o controlo global da Postura se faz por intermédio do tónus Postural.
Para esses autores, a noção de Postura é distinta da de Equilíbrio, que visa manter a projecção no solo do centro de gravidade no interior do polígono de sustentação.
São os Ajustamentos Posturais que permitem manter o Equilíbrio (quando a contracção da musculatura mantém o centro de gravidade no prumo da sua base de sustentação), mas também estabilizam a Postura de um ou mais segmentos corporais (da posição dos módulos entre si).
Reed (1989) referenciou uma maior aproximação funcional do conceito de Controlo Postural a partir de uma perspectiva de sistemas da acção, argumentando que o Controlo Postural não deverá, de um modo genérico, ser entendido como uma resposta às forças perturbadoras para manter o equilíbrio mas, em vez disso, como o uso controlado e flexível de todas as forças que actuam sobre o corpo.
Por outras palavras, o Controlo Postural não deve ser conceptualizado como sendo dirigido automaticamente por respostas estereotipadas a estimulações mas, mais do que isso, como um componente integral de acções funcionais que requerem um grande nível de adaptabilidade.
Neste sentido Diener (1988) refere que o Controlo Postural não compreende apenas mecanismos reflexos, mas também, requer um complexo processo central que pode ser ajustado às modificações intrínsecas ou extrínsecas que são exigidas.
Fernandes (1998) refere que a Postura retrata a forma personalizada de se estar corporalmente no mundo que nos rodeia; a Postura e o Movimento são interdependentes; a Postura e o Equilíbrio são a base da actividade motora; a Postura está directamente relacionada com o tónus muscular.
Sérgio (1995) refere que Ling, da escola sueca, utilizou o termo Atitude e concebeu - o como sendo um modelo de referência abstracto, a partir do qual se elaborava a sessão de ginástica.
A Atitude acima referida era definida da seguinte forma: “pés afastados a 90º, peito bem saído, ventre para dentro, rins escavados, cabeça direita, corpo vertical, ombros abaixados e para trás, centro de gravidade no centro da base de sustentação”.
Pensa-se que seria uma Postura muito semelhante a que actualmente se designa por Posição Fundamental Anatómica
Ling, apesar de ter sido alvo de algumas críticas no sentido de pretender transformar o Homem num boneco articulado, conseguiu realçar o valor da ligação entre a Atitude e os Elementos ou Factores tónicos.
Para Bardy & Mariu (1996), o controlo do Equilíbrio Postural do Homem, em pé, implica a coordenação das articulações do tibiotársico, ancas e joelhos com o objectivo de manter a posição em pé. A tarefa, na qual o sujeito está envolvido, pode impor movimentos de grande amplitude, uma mudança no modo de coordenação Postural a uma paragem das oscilações do corpo.
Segundo este autor, as oscilações corporais destinadas a manter o equilíbrio têm um papel funcional que depende das propriedades intrínsecas do indivíduo, do envolvimento e da finalidade da acção.
Segundo Bessou et al. (1996), Postura corresponde a Atitude Corporal adaptada por um sujeito num instante qualquer. Ela é o reflexo de um programa motor, de um conjunto de instruções dirigidas pelo sistema nervoso, pelos quinhentos músculos do organismo humano, com a função de se obter a geometria corporal desejada.
Um indivíduo, na posição de pé, está submetido à acção do campo de gravidade; desta forma dispõe de um reportório Postural necessariamente limitado pelas restrições do movimento.
Face à acção da gravidade, no Homem de pé, o sistema nervoso incluído em todo o programa motor Postural, assume uma componente de luta antigravitária da manutenção do Equilíbrio.